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26 de agosto de 2014

Só Ler Não Basta #19.2 - The Giver: o dador de memórias


Este mês volta a não haver convidados, mas há muita randomness. :D Acho que por vezes esquecemo-nos mesmo do que era suposto ser o tema. xD As minhas parceiras, porque a minha cabeça é parva e confundiu as coisas, fizeram uma leitura conjunta, ou mais ou menos na mesma altura, do livro da Lois Lowry com o título The Giver, por ocasião da estreia cinematográfica, que pensávamos ser em agosto mas que parece ter passado para setembro. Como não podia deixar de ser, há spoilers, e temo que não só para o livro/filme em discussão. *assobia inocentemente*


Links que podem ter algum interesse:
Walking Away From Colors: The Giver na Tor.com, sobre o livro
"Perhaps It Was Only an Echo": The Giver na Tor.com, sobre o filme
The Giver: film review, crítica ao filme

Podem participar nas discussões no grupo do Goodreads e encontrar um índice da conversa no Youtube.

16 de agosto de 2014

The Giver: o dador de memórias (The Giver, #1)

Autor: Lois Lowry
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Everest Editora | Ano: 2010 (originalmente publicado em 1993) | Formato: livro | Nº de páginas: 240 | Língua: português

Quando e porque peguei nele: 3 a 5 de julho. Feita parva confundi os meses das leituras para o SLNB. :P


Opinião: Não sei porque é que estava à espera de um livro maior mas penso que começou aí a minha desilusão. Sim, li este livro numa altura em que andava meio desiludida com o que andava a ler. Não dá para ser sempre surpreendida e tal, mas digamos que esperava mesmo algo mais.

É um bom livro mas acho que se o tivesse lido há uns anos atrás, talvez quando foi editado originalmente e eu tinha sensivelmente a mesma idade do protagonista, teria gostado bem mais, assim acabou por me parecer demasiado parecido com o filme "Equilibrium", ou pelo menos do que me lembro do filme.

Numa sociedade aparentemente perfeita, seguimos Jonas num importante momento da sua vida: quando se prepara para saber o que vai fazer no seu futuro e perceber que lugar terá naquela sociedade. No entanto, o cargo que o espera não é comum e a sua formação também não o vai ser, pois vai permitir-lhe abrir os olhos e ver que o que parecia perfeito pode afinal ser uma abominação.

Só ouvi falar do livro devido ao filme e realmente penso que será algo que tem a ganhar com uma adaptação, pois de certa forma (e quem vir o trailer perceberá em parte) é um livro visual. A sociedade está bem retratada, ainda que o porquê de ser assim fique por explicar, e o leitor, tal como Jonas, acaba por se integrar bem na mesma até que começa a descobrir o que está por detrás da perfeição. Como acontece com o protagonista, é fácil revoltarmo-nos mas, para dizer a verdade, pouco me importei porque apesar de tudo já sabia o que esperar.

Para além disso, o livro acaba por ser algo superficial. Eu não serei de todo o público-alvo deste livro e senti que devido à idade do protagonista, e consequentemente daqueles a que o livro se dirige, vários aspetos não foram aprofundados, parecendo que só se arranha a superfície de temas que mereciam ser bem melhor explorados. Jonas a certa altura experiencia a morte e a guerra mas isso parece que só o faz sentir triste, não o desfaz ou o horrifica. Pareceu-me que o que ele sente era mais o que sentimos quando vemos notícias do que se passa em Gaza por exemplo, com um certo distanciamento, quando supostamente ele deveria experienciar através da memória de alguém que passou por aquilo, alguém que combateu, participou num conflito armado e perdeu ou viu morrer alguém.

A partir da memória que lhe é transmitida Jonas "cresce" e, como disse, revolta-se mas pareceu-me bastante simplificado. É quase uma questão de "OMD isto é mau e eu quero sentir!" e não me pareceu existir propriamente um pesar de prós e contras. Cheguei a preferir que se seguisse a história da recetora de memórias anterior porque mesmo o final dela teria outro impacto, parece-me. O final de Jonas é deixado algo em aberto e, sinceramente, tive curiosidade em confirmar as minhas suspeitas mas não o suficiente para ler os restantes livros.

Acaba por suscitar alguma ponderação e penso que um público bastante juvenil poderá ganhar com os "ensinamentos" deste livro, mas eu esperava algo mais e diferente.

Veredito: Emprestado e pouco se perde com isso.

10 de março de 2014

Discussão: The Mysterious Death of Miss Austen

Nas últimas semanas (último mês?), Slayra do Livros, Livros e mais Livros e eu resolvemo-nos a fazer nova leitura conjunta depois do sucesso estrondoso das duas primeiras! xD

Ponto positivo? Acabei o livro! *faz dança da vitória* Ponto negativo? Título e sinopse enganadoras. Podem ler mais sobre o que achámos da leitura aqui.

Sobre o livro:
Autor: Lindsay Ashford
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Honno | Ano: 2011 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês


29 de dezembro de 2013

Curtas: The Handmaid's Tale [e-book], The Book Thief [e-book]

Ora aqui fica um resumo muito resumido do que vi e li para ver se em 2014 começo do nada e consigo manter um registo como deve ser por aqui, coisa que este ano foi muito ao lado.

Começando pelos livros... Sim a minha tentativa para escrever algo coerente sobre The Handmaid's Tale, The Book Thief e Persépolis saiu completamente ao lado, aqui vai uma nova tentativa.

Título: The Handmaid's Tale [e-book]
Autor: Margaret Atwood
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Harcourt | Ano: publicado originalmente em 1985 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: entre 2 e 17 de outubro, para uma leitura conjunta do SLNB. Também conta para o Mount TBR Challenge e para o Book Bingo.

Sinopse

Opinião: Este é um relato impressionante de uma mulher numa sociedade distópica, de cariz teocrático e fortemente hierarquizada, mesmo dentro da separação entre sexos e sendo sobretudo notório no género feminino. As classes não se centram tanto na riqueza, mas sobretudo no papel que cada mulher tem na sociedade: mãe, procriadora e cuidadora. E digo que é um relato impressionante não só porque é uma história demasiado real, demasiado verosímil, mas porque a relação de um indivíduo com o seu corpo, com a sua mente, a sua relação com os outros e até com a religião, encontra-se muito bem explorada. Convida a pensar e avaliar-nos a nós próprios.

Veredito: Para ter na estante.

Título: The Book Thief [e-book]
Autor: Markus Zusak
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Knopf | Ano: 2007 (publicado originalmente em 2005) | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: entre 12 e 24 de novembro, já que ganhou a votação para o Monthly Key Word Challenge. Também conta para o Mount TBR Challenge .

Sinopse

Opinião: Não vou negar, esperava gostar mais. No entanto, adorei o facto de se passar durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha e mostrar um grupo de pessoas comuns e como são atingidos pela guerra. Gostei da narração pela Morte, das suas reflexões sobre o que via e sobre o seu trabalho. Não fiquei fã da rapariga que roubava livros, mas há outras personagens que dão cor e profundidade ao livro com os seus problemas, as suas desventuras e o seu amor por aquela rapariga, como Max, Rudy, Hans e até Rosa. Sim, eu não gostei dela mas gostei das restantes personagens por o fazerem.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

23 de outubro de 2013

Só Ler Não Basta #9.2 - Leitura Conjunta de A Handmaid's Tale


E estamos de volta! \o/ Devido ao facto de a je aqui ter ido de férias com acesso muito limitado à internet, a segunda parte do episódio 9 só teve lugar em Outubro. Desta vez metemo-nos à conversa com a Carla Ribeiro, do blog As Leituras do Corvo, sobre A Handmaid's Tale de Margaret Atwood. Devido à discussão há alguns spoilers, também respondemos a algumas perguntas/comentários de quem nos estava a ver (e iam fazendo com que morresse com um ataque de riso, o SLNB é perigoso para a minha saúde :D) e a quem muito agradecemos a participação. :)



Links:
Obras da Margaret Atwood aqui
Entrevista de Margaret Atwood, no "The Guardian"

Podem encontrar o índice da conversa e comentários no Youtube e ver algumas impressões sobre a leitura no tópico do grupo no Goodreads. Caso prefiram ouvir em vez de assistir ao vídeo, podem seguir este tutorial para converter o vídeo em ficheiro MP3.

14 de maio de 2013

Gone Girl [e-book]

Autor: Gillian Flynn
Ficção | Género: thriller
Editora: Weidenfeld & Nicolson | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 25 de março a 3 de abril, no âmbito da Leitura Conjunta do SLNB.


Opinião: Sinto que já estou farta de falar sobre o livro e ainda não o enterrei. Sim, estou a falar do Gone Girl. Acho que só isto dá para ver como ele mexeu comigo. Mesmo um mês depois de o ter acabado ainda me vêm à cabeça pensamentos sobre relações, como não conhecemos realmente uma pessoa, o que faria se alguém que eu conheço desaparecesse...

É exactamente o modo como a autora aborda estes temas e a sua belíssima escrita que constituem, para mim, o forte deste livro assim como o retrato psicológico das personagens. Pela primeira vez acho que encontro um livro onde não há personagens boas nem que se redimem. Estamos perante uma sociopata e um choninhas que não chega a ser uma vítima simplesmente porque também ele trai e é incapaz de tomar responsabilidade sobre o que quer que faça.

Contado em capítulos que alternam entre a visão de Nick e de Amy e dividido em 3 partes, esta é uma história que se vai desenrolando, aparentemente, de forma lenta. Pelo menos foi essa a ideia com que fiquei na primeira parte, onde Nick contava o que ia acontecendo no presente deparando-se com o desaparecimento da esposa, lembrando situações da altura em que se conheceram e de como se foi desenvolvendo a relação de ambos. Ao mesmo tempo temos o diário da Amy que retrata as mesmas situações mas do ponto de vista dela. Devo dizer que o diário me soou a falso, achei que a Amy era perfeita demais e como tal não podia existir, além de que era tudo muito linear e, desde cedo, me ficou na ideia a nota de Nick sobre Amy, de que ela gostava de jogos psicológicos.

Na segunda parte o ritmo como que acelera um pouco mas o grande forte continua a ser a caracterização de personagens. Ficamos a conhecer a verdadeira Amy e como foi para mim tão satisfatório ficar a conhecê-la! Mal ela fala nesta segunda parte senti que ali estava a minha Amy, por assim dizer, e só por isso comecei a gostar muito mais do livro, de tal maneira que me era custoso colocá-lo de lado, e a sentir ainda mais curiosidade pelas personagens. Achei piada ao facto de esta parte se chamar "Boy Meets Girl" porque acaba realmente por ser também a descoberta, por parte de Nick, de quão demente é a sua esposa. Não que ele seja um santinho, pois também ele tem culpa na direcção que a relação de ambos tomou, mais não seja por ser infiel. Ainda assim, e apesar de facilmente serem personagens odiáveis, não conseguimos deixar de nos relacionar com elas, seja por aquilo que passam ou atravessam, ainda que na sua posição tomássemos diferentes opções e atitudes. Ou pelo menos assim espero, pois não me iludo, sei que há pessoas assim e, confesso, depois de ler o livro achei que jamais poderia confiar noutra pessoa ou mesmo na raça humana.

Apesar de ter adorado, tive alguns problemas no que à história diz respeito, sobretudo no final da segunda parte e na terceira. Achei um pouco fora do carácter da Amy deixar-se enrolar por um casal de ladrões. Ok, ela realmente não estava no seu ambiente mas ainda assim achei forçado, que serviu apenas para fazer o plot seguir numa direcção que convinha à autora. A Amy não era cega, ela percebeu o que estavam a planear e não tomou qualquer medida para se precaver? E ir parar aos braços de alguém tão louco ou mais que ela? Podemos debater que perante o falhanço do plano A, ou tendo mudado de ideias devido às reações de Nick ao seu desaparecimento, Amy tenha precisado de encontrar outro bode expiatório, mas de certa forma pareceu-me, mais uma vez, forçado.

Quanto ao final, debati-me por bastante tempo com ele mas acaba por ser acima de tudo bastante real e justo. Não para o mundo, para mim matavam-se um ao outro e o mundo ficava bem melhor, mas para ambas as personagens pois elas acabam por ter o que merecem e, de um modo muito estranho, o que ambos querem.

Veredito: Este é um livro difícil por abordar questões próximas ainda que através de olhos completamente disfuncionais e acabar por nos fazer sair da nossa zona de conforto. Faz-nos pensar e tentar avaliar o que e, sobretudo, quem temos à nossa volta, até que ponto conhecemos alguém. Não sei se o consigo recomendar de ânimo leve. Vale sem dúvida a pena lê-lo, mas é daqueles que talvez seja preciso estar num determinado estado de espírito. Não acho que o tenha lido no momento errado mas no final precisei de ir a correr ler um romance para voltar a acreditar em relações e em pessoas. Este é, com certeza, um livro que não deixa uma pessoa indiferente.

6 de maio de 2013

Só Ler Não Basta #4.2 - Leitura Conjunta de Gone Girl


Estava difícil! Problemas de agenda (porque somos todas muito ocupadas, mesmo que em férias :D ) e complicações técnicas foram adiando a data e até deu azo a duas gravações, sendo que a primeira perdeu-se algures entre o Google Hangouts e o Youtube. Aqui está então o resultado da segunda conversa com a Cat do blog A Bibliófila sobre o livro Gone Girl/Em Parte Incerta.


Caso prefiram ouvir em vez de ver o vídeo, podem seguir este tutorial para converter o vídeo em ficheiro MP3.

17 de setembro de 2012

Discussão: Nunca Me Esqueças

Autor: Lesley Pearse 
Ficção | Género: Ficção Histórica
Editora: Edições Asa | Ano: 2008 (publicado originalmente em 2003) | Formato: livro | Nº de páginas: 432 | Língua: português


A primeira espécie de leitura conjunta correu tão bem, exceptuando a parte em que nem eu nem a Slayra  do "Livros, Livros e mais Livros" parece ter apreciado assim tanto a leitura, e foi tão giro de fazer, que resolvemos passar a fazer disto um hábito. Ou pelo menos tentar fazer disto um hábito. :D

Desta feita, andávamos a passear por livrarias, como sempre, quando surgiu-nos a ideia de ler este livro que, segundo várias opiniões, tinha uma capa enganadora. Apesar de parecer um livro de romance leve e cor-de-rosa, contaria a vida de uma convicta que teria sido deportada para Nova Gales do Sul, Austrália, numa tentativa de colonizar aquele território.

Apesar de se debruçar sobre um tema que poderia interessar a ambas e contar com uma personagem feminina inteligente e forte, o certo é que mais uma vez não ficámos convencidas com a leitura.

WhiteLady: Teste, teste! Vê lá se consegues escrever alguma coisa :D

slayra: teste. TESTE! *bate no microfone*

Declaro oficialmente aberta a discussão sobre o livro Nunca me Esqueças da Lesley Pearse (estou-me sempre a lembrar da amiga da Pocahontas a dizer “nunca... esqueças... esta terra”). Mas espera, quem tem de declarar esta discussão aberta és tu, WhiteLady, que és a dona do documento. *afasta-se devagarinho*

WhiteLady: LOL Ainda não acabei o livro, estou a chegar a meio, mas meu Deus como a mocinha é irritante! Já perdi a conta às vezes que ela, ou outra pessoa qualquer, diz que é mais inteligente e limpa que todas as outras e como elas têm inveja! E está sempre a dizer como o Will é alto e loiro, e como o Tench é simpático. Já revirei os olhinhos tantas vezes.

slayra: ahahah, estás a ver-me a escrever em tempo real? Eheh. Bem, concordo 100% é mesmo irritante a Mary [Sue]. xD 

Não sei se já chegaste à parte em que o Will deixa de ser mais que perfeito. É uma justificação para a Mary ser mais uma vez, heróica e fixe. :P

WhiteLady: Se te referes à parte em que ele é açoitado por roubar peixe para vender, sim. Também não gostei de como ela podia “vender o corpo” a troco de roupa e comida, mas valha-nos Deus se as outras querem ter sexo com tudo o que anda ou em troca de bebida! Ok, não será a coisa mais aconselhável de se fazer, mas irritou-me que o seu propósito fosse considerado bom, apesar de acabar por usar as pessoas, e as restantes fossem vilipendiadas quando o faziam pela mesma razão, mesmo que quisessem em troca outras coisas.

Mary Bryant, interpretada por Romola Garai, na minisérie
The Incredible Journey of Mary Bryant
slayra: É. Coisinha “self-righteous” a Mary. As suas acções são sempre justificadas, mas quando as outras fazem a mesma coisa, são umas depravadas. Gosto também do facto de que todos os criminosos são descritos como sendo preguiçosos, maldosos, etc. A autora não terá noção de que muitas daquelas pessoas eram criminosos de circunstância? E que muitos deles roubavam por ter fome ou eram *gasp* inocentes? A Mary roubou um chapéu mas mesmo assim continua a ser moralmente sã e o seu acto foi justificado. O resto das centenas de pessoas... são pessoas sem redenção possível. Como disse: construção simplista das personagens; fazer toda a gente parecer tão má que a nossa heroína é quase perfeita. Bah.

WhiteLady: Sim, isso também me irritou. Mas há alguns que até eram boas pessoas, roubam para não passar fome, mas acabam na forca por não serem tão engenhosos como a nossa heroína. A sério, ela lembra-me tanto a Ayla, dos Filhos da Terra, que estava à espera que ela aprendesse a linguagem dos nativos de um dia para o outro, como quase acontece! xD E o que dizer de ela engravidar para segurar o Will? E não me venham dizer que é para sobreviver... Ela é, raios falta-me a palavra... Mas não é moralmente boa, o facto de ter que sobreviver não desculpa todos os seus actos.

slayra: Maquiavélica? xD Lol, exagero, mas sim, acho que há uma distinção demasiado vincada entre a Mary e os “outros”. Não a condenaria por esse acto normalmente, porque compreendo que de acordo com a situação e a época era o que ela podia fazer para sobreviver, mas também não percebo porque é que a autora sente a necessidade de fazer ver o leitor que a Mary toma decisões moralmente duvidosas porque “tem que ser” e os outros fazem-no porque têm pouca moralidade. Sinceramente e realisticamente penso que todos o fazem por razões semelhantes... :P 

WhiteLady: Devia ter atenção ao que escreves. :D Não tinha reparado que já estava noutra página.

Exacto, todos roubam para sobreviver, agora quando ela faz é bom e quando são os outros ainda bem que são castigados, é bem feita para eles, é muito mau. Revela pouca sensibilidade. Além disso, ela é vista como uma heroína porque exigia coisas e tal para o bem comum, mas vai-se a ver é o seu próprio umbigo que tenta proteger e salvaguardar. Já teria colocado o livro de lado, mas acaba por fornecer uma boa visão, a meu ver, de como a colonização da Austrália foi feita, tema que até agora nunca vi explorado. Aliás, nunca li nada sobre colonização, a não ser nos livros de história, e estou a gostar de ler sobre as dificuldades que enfrentaram. Estaria o governo inglês à espera de uma colonização bem conseguida sem mandar artífices experientes e trabalhadores agrícolas? Eram assim tão ingénuos? Se calhar pensavam: “ah e tal, como não têm nada vão ter que se desenrascar e com o desenrascanço vem progresso” mas não deixa de ser um pensamento ingénuo, tendo em conta as incertezas sobre a fertilidade da terra e a viabilidade de culturas, e a existência ou não de fontes de água doce.

slayra: É verdade. É a primeira vez que leio um livro sobre este tema. Na verdade não sei muito sobre o assunto e foi uma leitura esclarecedora, se bem que é daqueles livros que leio com algum cuidado. Parece-me que a autora tomou algumas liberdades com o período.

Penso que a Austrália era sobretudo um local conveniente onde “largar” os indesejáveis da sociedade. Talvez o governo tenha tido em conta o facto de ser um território pouco viável em termos agrícolas e tenha decidido fazer uma experiência. Se resultasse, óptimo, se não... sempre tinham um local para despejar todo o tipo de criminosos. Duvido que tenham conseguido muitos voluntários para colonizar a terra.

WhiteLady: Realmente, acredito que não houvesse muita gente disposta a abandonar tudo para ir para o outro lado do mundo, sem terem a certeza que seriam bem sucedidos. Mas tendo em conta que muita gente vivia em dificuldades, a promessa de terra e casa poderia ser aliciante. E já não digo o “formarem” os criminosos. Dá ideia que os deixam andar como querem e no entanto dão-lhes os alimentos racionados. Devia ser “trabalhas, comes” mas da maneira que é descrito, pouco ou nada fazem. O_o Mas vai daí pode dever-se à parte em que eu estou.

slayra: Não, penso que os condenados eram muito maltratados, quase como escravos, mas também não me parece que os oficiais vivessem muito melhor. 

WhiteLady: Ok, está decidido, para a próxima escolhes tu o livro porque acho que, mais uma vez, não vou acabar a leitura. Sinto-me culpada por tal, porque esta até devia ser uma heroína à minha medida pois é inteligente, strong willed e, apesar de não andar à porrada, não se deixa ser pisada. Mas irrita! Irrita que volta e meia tanto a Mary como as restantes personagens enumerem todas as suas virtudes e qualidades. Irrita que mais ninguém para além de Mary pareça ter um Tico e um Teco. Irrita que a Mary seja “oh tão boa e a mais capaz de entre todos!” Chegam a chamar-lhe “Virgem Maria” pelo amor de Deus! *massive eye roll* É, praticamente, a rainha das Mary Sues! É pena. Um pouco mais de humildade e penso que teria gostado da personagem. Assim, juntando-se à suposta moralidade (em que condena os outros mas é capaz de fazer o mesmo), deixa-me sem qualquer tipo de curiosidade para saber o que o futuro lhe reserva, até porque acho que daqui a pouco os homens no barco instituem a religião da Mary Bryant e já estou farta dos louvores que lhe fazem...

É verdade, não chegámos a falar da capa...

slayra: Lol, não sei se terei mais sorte do que tu na escolha de um livro. xD Nah, no problem, se não gostas não leias, assim perdes tempo que podias estar a utilizar para fazer outras coisas. 

Realmente é uma pena que a Mary seja tão irritantemente perfeita porque a história em si poderia ser interessante... 

Quanto à capa (e à sinopse) acho que é (são) das coisas mais enganadoras que já vi. Esperava um livro completamente diferente. Antes de ler a sinopse esperava um romance contemporâneo; depois de ler a sinopse esperava um romance histórico daqueles mais leves.

De leve isto tem pouco; aliás, uma das coisas que me incomodou foi o facto do Will de repente se tornar um grande vilão chegando ao ponto (não sei se já leste esta parte) de violar a Mary. Não tem nada a ver com o tipo de pessoa que ele era no início; acho que a personagem está a agir como se fosse uma pessoa completamente diferente. :P Tudo para que a Mary possa ser moralmente superior no fim quando o “perdoa” (o que para mim só faz pior; este tipo de coisas não se “perdoa” nem se justifica). Ao mesmo tempo a autora sujeita a personagem principal a muito mais degradação do que seria necessário, na minha humilde opinião. 

WhiteLady: Também me sinto enganada quanto à capa e à sinopse. Já agora, até onde vai ela por amor? E amor a quem? Aos filhos? Will? Tench? Detmer ou lá como se chama o holandês? Ou vai até ao fim do mundo por amor a si própria? :D Sim, li a parte da violação e achei toda essa parte ridícula. Andam a lutar pela vida e o homem pensa que toda a gente quer comer a sua mulher? Achava que ela ia meter-lhe os cornos mesmo debaixo do nariz? Com gente com quem têm de estar 24h por um período de tempo indefinido? A sério, era mesmo em sexo que iam pensar quando andavam a lutar pela vida?! Mas vai daí, nunca tive na situação deles e já sabemos que criminosos não se regem pelas mesmas leis que a Mary, ou pelo menos quando convém à autora/história... *assobia inocentemente* Quanto à degradação, é só para mostrar quanto mais superior ela é. Não basta ser mais bela, mais limpa, mais inteligente... é a mais compassiva, é aquela que é capaz de perdoar os mais terríveis atos cometidos contra a sua pessoa... Não admira que lhe chamem Virgem Maria de tão pura e dócil que é...

slayra: Ou seja, mais uma leitura que foi para o galheiro. :P Sinceramente começo a questionar a qualidade dos autores que se publicam em Portugal. Mas talvez outros livros da autora sejam melhores. No entanto acho que esperar personagens minimamente complexas não é pedir muito. Estava a pensar que o próximo livro a ler (quando quiseres) pode ser aquele do Pride, Prejudice and Platypus; pelo menos esse já sabemos de antemão que vai ser ridículo... or do we? xD 

WhiteLady: Comigo há muitas leituras que têm ido para o galheiro este ano. Sinto que realmente estou a ficar mais exigente com as histórias e, sobretudo, com as personagens porque, como tu, acho que não é pedir muito personagens com algo mais substancial. As pessoas cometem erros e não são perfeitas, porque insistem em escrever personagens tipo Mary Sues? 

Há mais alguma coisa que queiras focar, tendo lido o livro todo? Não? Então ficamos por aqui. :D

E sim! Pride, Prejudice and Platypus parece-me uma excelente escolha! :D

WhiteLady - Não acabei
Slayra - 1.5 estrelas

Curioso, demos as mesmas notas que na outra leitura. xD

4 de agosto de 2012

Duas Irmãs, Um Rei

Porque quando estou a ler consigo convencer outras pessoas a lerem o mesmo livro para depois discutirmos (YAY me!), ide ao blog da Slayra ler o que resultou desta espécie de leitura conjunta.

18 de setembro de 2010

O Físico (Trilogia Cole, Livro 1)

Autor: Noah Gordon
Género: ficção histórica
Editora: Biblioteca Sábado | Nº de páginas: 520
Nota: 4/5

Resumo (do livro): No século XI, Rob Cole abandona com apenas onze anos a pobre e doente cidade de Londres para vaguear pela Inglaterra. Durante as suas deambulações, fazendo malabarismos e vendendo curas para os doentes, vai descobrindo a dimensão mística da sanação. E é através dessa peregrinação que descobre o seu verdadeiro dom, que o levará a converter-se em médico num mundo violento, cheio de superstições e preconceitos. Tão forte é o seu sonho que decide empreender uma insólita e perigosa viagem à Pérsia, onde estudará na prestigiada escola de Avicena. Aí dar-se-á uma transformação que modificará para sempre a sua vida e o seu destino...

Opinião: Desde que li a crítica no blog Papéis e Letras, que fiquei com curiosidade em ler este livro. Tendo sido o escolhido para mais uma leitura conjunta do fórum Estante dos Livros, não hesitei e peguei-lhe.

Neste livro travamos conhecimento com Rob Cole que cedo descobre possuir um dom, consegue sentir a força vital das pessoas, como uma ampulheta com areia a escorrer. Consegue perceber se o fim de alguém está próximo, devido a doença, pegando-lhes nas mãos. Mas tal dom transforma-se em fardo já que sente tal pela primeira vez com seus pais que morrem deixando-o órfão e com os irmãos mais pequenos ao seu cuidado, que rapidamente são tomados por outros, pessoas mais capazes de os acolher e educar. Também um Barbeiro-Cirurgião toma-o em seu cuidado e ensina-lhe a profissão: a arte dos malabarismos e do desenho de caricaturas, de modo a chamar a sua plateia para depois vender então os seus bálsamos e tratar de algumas infecções e doenças. Mas percebendo que o seu conhecimento é pouco face às inúmeras e diversas queixas dos seus pacientes e sendo-lhe dado a conhecer que na longínqua Pérsia se estuda a arte de tratar as variadas doenças, sob a mão de Ibn Sina, Rob parte então à descoberta do saber, passando por Judeu para ser melhor tolerado no Oriente muçulmano.

Adorei o retrato do séc. XI que o autor nos apresenta, tanto da Europa como do Oriente, sob os mais variados aspectos. Para começar, devo salientar a descrição da viagem de Rob rumo à Pérsia, com as caravanas e as aldeias judaicas, dispostas a cuidar de qualquer um da sua fé, numa extensa rede de comunicação. Apesar de ser aluna de História/Arqueologia, e agora mais dedicada a transportes (do séc. XV em diante), li tal descrição com muita curiosidade já que era coisa que confesso pouco sabia. Claro que sabia que se tinham de deslocar em grupos, a pé, mas não sabia como tal viagem se organizava e como se protegiam de meliantes e soldados sempre tão perigosos nas estradas. Para além disto, achei curioso que estando na base da hierarquia médica da época, os barbeiros-cirurgiões fossem, porventura, os que mais e melhor conseguiam acudir os doentes, já que os físicos não faziam mais que sangrar os pacientes (técnica, aliás, que prevaleceu no tempo até ao séc. XIX). A descrição dos ensinamentos também em pareceu bem conseguida, assim como as diferenças religiosas que apesar de separarem os personagens, não impede que se dêem bem e se tornem até amigos, passando uma mensagem semelhante à de Os Leões de Al-Rassan. A discussão sobre o dissecar corpos também me pareceu bem urdida, com argumentos coerentes tanto do lado de Rob, que a certo ponto se rebela contra a religião já que vê fiéis a desobedecerem a leis canónicas para seu proveito próprio mas que para inovar na ciência nada faziam, assim como dos adeptos mais fiéis à religião. Acreditando, as religiões do Livro, na vida após a morte, é compreensível que se temesse a dessacralização através da abertura daquele depois da morte. Saliento também como este tema é ainda actual, com poucos corpos sendo doados à ciência e havendo discussão acerca da recolha de órgãos em pessoas clinicamente mortas mas com órgãos viáveis para transplantes, assunto que de resto faz sempre parte de alguma série médica.

Reparei que no fórum pouco debate esta LC provocou. Pela minha parte, nas últimas semanas não participei por falta de tempo (às vezes tenho muito tempo disponível, outras vezes pausar para respirar é complicado), mas também porque achei que pouco havia a debater. O autor tem uma tal capacidade de escrita que os mais variados temas que se poderiam discutir são discutidos no próprio livro. É o autor que puxa os temas e de forma directa expõe prós e contras, os dois lados da discussão, acabando sempre com cada um dos lados um pouco mais sábio sem, no entanto, se sentir tentado a mudar de opinião. As opiniões são firmes, as exposições do outro também, mas em vez de se tentarem dominar um ao outro ao perceberem o impasse, colocam a discussão de lado entendendo que cada um tem a sua opinião. Talvez tal ensinamento pudesse ser tomado por outros, digo eu...

Sem dúvida um livro que aconselho sobretudo para quem tenha curiosidade em ler sobre o séc. XI, já que oferece um variado leque de personagens e situações que mostram de forma exemplar tal período.

Só uma curiosidade, existem mais dois livros, Shaman e Matters of Choice, que acompanham a família Cole na sua aventura médica, por assim dizer, sendo que estes dois livros se centram em diferentes períodos históricos, no séc. XIX e séc. XX, respectivamente.

2 de agosto de 2010

Leitura Conjunta (III)

Inicia-se hoje mais uma Leitura Conjunta do fórum Estante de Livros. Tenho gostado bastante destas leituras conjuntas, ainda que na última grande leitura, dedicada ao livro Anna Karenina, não tenha participado como pretendia apesar de ter sugerido o livro. Este período, no entanto, parece ser-me mais propício para estas iniciativas e o livro é também ele apelativo. Desta vez trata-se de O Físico de Noah Gordon, que pelas críticas que tenho lido parece se interessante, contando a história de um médico em plena Idade Média.

8 de abril de 2010

O Monte dos Vendavais

Autor: Emily Brontë
Género: romance
Editora: Publicações Europa-América | Nº de páginas: 301
Nota: 2/5

Resumo (do livro): A acção deste clássico da literatura inglesa decorre num ambiente rude e agreste, tendo como paisagem os montes de Yorkshire, onde Emily Brontë viveu durante muitos anos.

Por isso, o drama de
O Monte dos Vendavais atinge o cume de uma autobiografia em que a infância e a adolescência de Emily, carregadas por uma imaginação fantástica, desempenham lugar de relevo no desenrolar desta história. A paixão de Catherine e o amor de Heathcliff assinalam de forma flagrante o fio romanesco desta obra.

Opinião: Este é um daqueles livros de que sempre ouvi falar, tenha sido por já terem sido feitas adaptações para cinema e televisão, algumas até trazendo a história até aos nossos dias, terem sido escritas músicas ou por simplesmente ser considerado um dos maiores clássicos ingleses de sempre. Apesar das várias adaptações, só conhecia mesmo a música da Kate Bush, que até é uma das minhas músicas preferidas, pelo que parti para o livro sabendo pouco da história mas com altas expectativas… que foram defraudadas.

Convém dizer que este livro há muito que fazia parte da minha pilha de livros e por lá a estas horas continuaria não fosse a Canochinha ter sugerido uma Mini Leitura Conjunta. Como a primeira tinha resultado e mostrou-se interessante (de resto como todas as Leituras Conjuntas em que participei mais activamente), lá parti então à descoberta deste livro cuja história começa em 1801, quando Mr. Lockwood decide arrendar a Granja dos Tordos e visitar o seu senhorio, Mr. Heathcliff, habitante do Monte dos Vendavais. Conhece então um grupo peculiar e com estranhas relações, para além de ver um fantasma. Algo fascinado por tudo isto, Lockwood decide pedir à sua governante, antiga habitante do Monte, para contar a história que nos chega então por mãos terceiras.

Tenho de começar por dizer que não gostei do livro sobretudo por não conseguir relacionar-me com as personagens principais, Heathcliff e Catherine I, não percebendo o que os motiva já que parecem bastante mimados e arrogantes, querendo ver todos à sua volta infelizes porque eles se sentem infelizes. Isto é sobretudo notório com Heathcliff, já que quase toda a trama se centra nele e na sua vingança. Mas as personagens secundárias também não se escapam, já que um par delas se revela estúpido e outro par é quase tão insípido que nem sei se gostei ou não. Escapam-se Catherine II mas sobretudo Hareton, que no meio das adversidades conseguem arranjar algo de positivo a que se agarrar, não cedendo perante a adversidade e a maldade dos outros, e mantendo os seus espíritos abertos para o amor.

Também achei quase todo o livro desprovido de sentimento. Sempre ouvi dizer que este era um dos mais belos romances da literatura, mas eu não senti nada. Nem mesmo quando Heathcliff profere as suas célebres palavras:
"Como posso eu viver sem a minha vida?! Como posso eu viver sem a minha alma?!".
Leio-as, mas não sinto emoção por detrás. Não sinto o amor, a obsessão de que tanto falam. Para mim soam como palavras ditas sem alma, se é que me conseguem compreender, como se estivesse a ver maus actores que não sentem o que pretendem demonstrar. Penso que esta falta de sentimento talvez se deva à experiência de vida da autora que, segundo me pareceu, seria a mais sossegada das irmãs Brontë e penso que nunca se lhe conheceu algum amante ou objecto do seu amor, como aconteceu com Charlotte.

Apesar de tudo isto, posso dizer que gostei do ambiente gótico que rodeia a acção, assim como das descrições, sobretudo quando as condições atmosféricas pareciam desencadeadas pelo que sentiam as personagens. Diga-se que só assim conseguia também eu sentir alguma coisa na primeira metade do livro… Gostei também da narração, em que parece notar-se igualmente o cunho da autora já que sairia pouco e seria assim que ela era informada do que se passava na região que habitava, apesar de a culpar em parte pelo afastamento que senti em relação à dupla de personagens principais. Tendo em conta que a história é contada por Nelly, nota-se alguma parcialidade desta em relação às personagens e penso que algum do preconceito e do favoritismo pode ter passado para mim como leitora e receptora da sua história.

Finalizando, é um livro que se lê bem, ainda que custasse a pegá-lo sempre que o punha de lado por não me sentir ligada nem a personagens nem à história, ainda que esta vá sendo desenvolvida em crescendo (achei a última parte bem mais interessante) sem, no entanto, realmente atingir um clímax. Todas as personagens têm o que merecem e penso que assim encontram todas o seu final feliz.

28 de outubro de 2009

North and South

Autor: Elizabeth Gaskell
Género: Romance
Editora: Penguin Popular Classics | Nº de páginas: 528
Nota: 5/5

Resumo (da capa): Mrs Gaskell’s finest social novel is also the powerfully moving story of the developing relationship between southern-born Margaret Hale and John Thornton, the young northern mill-owner.

Margaret is compelled to move from Helstone, her beloved childhood home in the New Forest, to Darkshire in the industrial north when her father resigns is parsonage owing to religious doubts.

When she first encounters John Thornton, her father’s pupil and a man in favour of the power of master over worker, she finds their views in conflict. But industrial rebellion and family tragedy cause Margaret to learn the realities of urban life and Thornton to learn humanity. Only then can a mutual understanding lead to the possibility of enduring love.


Opinião: Tomei conhecimento deste livro através da série da BBC, que vi há uns tempos e revi agora enquanto lia (e vou rever novamente este fim-de-semana, se tiver disponibilidade :D ) e adorei (o que penso é notório pelas vezes que revi…). Juntamente com Persuasão, é daqueles DVD’s que gosto de rever sempre que me sinto em baixo. Mas pegar no livro foi mais complicado. Já por duas ou três vezes que tinha adiado a sua leitura por não considerar ser a altura ideal, mas devido ao "18th and 19th Century Women Writers' Reading Challenge", em que vou muito atrasada, e ao meu empenho em ler as pilhas a que me proponho, decidi que era desta. Pelos vistos não me enganei e, felizmente, a Canochinha entrou também nesta aventura, fizemos uma mini leitura conjunta, que se revelou uma experiência espectacular. Já agora, encontram a opinião dela sobre este livro aqui.

O livro conta-nos a história de Margaret Hale que, devido a uma crise de consciência do pai, um ministro da Igreja Inglesa, se vê obrigada a mudar-se da bela e soalheira Helstone, em New Forest, para Milton, no sugestivo condado do Darkshire. Aquela é pois uma cidade muito industrializada, com fábricas de algodão a trabalhar de forma persistente, de tal maneira que o fumo oculta o sol. Aí conhece John Thornton, um dos patrões industriais da cidade, que se torna aluno de seu pai e com quem discute vários temas, nomeadamente o comércio e as questões sociais que ameaçam parar a cidade com uma greve total. Temos então um confronto de ideais e dois estilos de vida diferentes neste livro, a vida serena e campestre do sul em contraste com o ambiente urbano do norte, mais frenético e industrial, ambos representados nos protagonistas.

O que mais me impressionou neste livro foi a escrita da autora. É simplesmente delicioso a forma como a autora usa as palavras para nos descrever personagens, espaços, pensamentos, acções. Como tudo isto influencia a nossa visão das personagens, que vemos reflectidas no espaço que ocupam, nas acções que tomam, na maneira como falam. Desta forma elas ganham vida e passam a fazer parte da nossa, pois é impossível não deixar de sentir que conhecemos aquelas figuras como se fossem nossos amigos de há vários anos. É impossível não nos deixarmos comover com Mrs Thornton, a fria e áspera mãe de John, que no entanto demonstra ter um coração extraordinariamente grande no que toca ao seu filho. Para mim esta foi a personagem mais espectacular do livro. Mas as restantes são igualmente tocantes e é perceptível um crescimento em todas: Thornton e Higgins gradualmente, levando Margaret um pouco mais de tempo, mas é notório o seu crescimento na parte final do livro quando nos vemos numa situação algo semelhante ao início.

Pelos vistos há quem tenha achado o final um pouco apressado, mas na minha opinião foi perfeito. Mas estar a falar nele era talvez entrar em spoilers, mas digamos que a partir de uma certa parte, o próprio leitor parece sentir-se como Margaret e só pode ansiar que a história chegue a bom porto. O mau deste livro foi mesmo o facto de ter de ter um final, porque sinto que perdi amigos, pois gostaria de continuar a seguir a histórias daquelas personagens.

Um livro mais que recomendado, um verdadeiro clássico. É daqueles livros cuja última página deixa um buraco enorme e parece que nada mais, em termos literários é claro, o pode encher. São raros os livros que me deixam assim. Os Miseráveis, O Conde de Monte Cristo e Os Leões de Al-Rassan (é verdade!) foram os últimos. É daqueles livros que fica connosco. É um daqueles livros para reler vezes sem conta.

22 de julho de 2009

Drácula

Autor: Bram Stoker
Género: Horror
Editora: Publicações Europa-América | Nº de páginas: 424
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Drácula, o sinistro conde da Transilvânia, só pode ser morto por uma estaca espetada em pleno coração. Até que alguém consiga fazê-lo, porém, continuará a alimentar-se do sangue de inocentes, e estes, tornados mortos-vivos, passarão também a sofrer da insaciável sede do sangue.

Mas como se conseguirá preparar uma armadilha a um monstro com vastos poderes e com a sabedoria dos séculos?

“O Conde sorriu, os seus lábios abriram-se sobre as gengivas e os compridos e aguçados dentes caninos apareceram estranhamente…”

Opinião: Na verdade é mais um 3.5, mas arredondei um pouco porque não gosto de dar meias notas e não deixa de ser um bom livro, se bem que não era exactamente o que estava à espera.

Este livro foi lido, mais uma vez, no âmbito de uma Leitura Conjunta (LC) promovida pelo fórum Estante de Livros e diga-se que houve uma discussão bastante interessante, que apesar de tudo foi perdendo a chama, não por culpa de quem participou, mas porque o mesmo entusiasmo parece que se vai perdendo ao longo do livro.

Sempre tive curiosidade sobre vampiros. Já vi bastantes filmes, incluindo o de 1992 realizado por Francis Ford Coppola e de que não me recordo muito bem (coisa a emendar nos próximos tempos), pelo que era com alguma expectativa que parti para este livro, tido como aquele que lançou as bases para os vampiros modernos, ou que aparecem com um pouco mais de frequência nos vários meios culturais. Travamos então conhecimento com Jonathan Harker, incumbido de se dirigir ao Castelo do Conde Drácula, a propósito de negócios que têm por fim trazer o conde até Inglaterra. No entanto, Jonathan começa a aperceber-se de quem nem tudo é o que parece e começa a temer nunca mais ver Mina, sua noiva. Esta é grande amiga de Lucy, uma jovem bastante bela, de tal maneira que recebe 3 propostas de casamento no mesmo dia. E é quando esta começa a ser atacada por uma estranha doença, que Van Helsing, um médico holandês com bastantes conhecimentos no que toca ao sobrenatural, é chamado por um dos pretendentes de Lucy para revelar então a criatura que todo o grupo terá de enfrentar.

A primeira metade do livro, ou seja, o relato de Jonathan no Castelo e os constantes ataques a Lucy, é bastante interessante, já que o modo em que o livro está escrito, através dos diários e de cartas dos participantes em toda a acção, convidam-nos a entrar na mesma acção e a partilhar as emoções e as dúvidas que assaltam os vários protagonistas. No entanto, a segunda metade do livro apresenta-nos uma quebra da acção e as personagens começam a revelar-se um pouco parvas e mesmo estúpidas, apetecendo dar-lhes um valente par de estalos e gritar-lhes para abrirem os olhos. A história torna-se então demasiado previsível apesar de ir crescendo, novamente, em termos de acção para acabar num final algo anti-climático e que deixa, por isso, algo a desejar.

Na LC houve quem apontasse alguns fios soltos e incongruências, mas devo confessar que isso me passou algo ao lado. Tendo em conta o modo narrativo, é óbvio que algumas coisas teriam de ficar de fora, mas não é nada que um pouco de imaginação não ajude, nomeadamente no caso de Reinfeld, uma das personagens que mais dúvidas levantou, mas que a meu ver foi muito bem conseguida, sendo mesmo a minha personagem favorita em todo o livro.

O livro lê-se bem, mas desilude um pouco, já que fazendo parte do ideário, da cultura de massas actual, uma pessoa não consegue deixar de imaginar como é que a história será antes de pegar no livro, e é normal que ao não ver essa imagem, essa outra história que construiu, que o leitor fique decepcionado. Mas tendo em conta a época em que foi escrito, penso que é notório o sobressalto que terá provocado numa sociedade um pouco fechada, com fortes convicções morais, e cheia de convenções e regras de etiqueta.

27 de junho de 2009

Leitura Conjunta (II)

Na próxima segunda-feira começa uma nova Leitura Conjunta no fórum Estante de Livros. Desta vez será debatido o livro Drácula de Bram Stoker. Mais uma vez me confesso algo desejosa de ler o livro, pois este é um daqueles clássicos, uma daquelas histórias, que sempre me fascinou. Como que criou a imagem do vampiro que temos hoje ao trazê-los para o imaginário popular. Duvido que Anne Rice ou Stephenie Meyer teriam sucesso sem a existência deste livro... :P

14 de maio de 2009

Lolita

Autor: Vladimir Nabokov
Género: Romance
Editora: Biblioteca Sábado | Nº de páginas: 279
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Humbert Humbert é um professor de meia-idade e Lolita, a filha da sua senhoria, é uma jovenzinha de doze anos perturbadoramente bela e provocante. Com estes elementos foi construída a história da obsessão amorosa mais famosa do século XX, um apaixonante romance de amor que abala todas as consciências ao destapar a poderosa e «perversa» atracção que podem exercer as denominadas «ninfitas». Este itinerário desenfreado pelas estradas da loucura e da morte, que mergulha nas paixões humanas até as levar ao extremo, é também um retrato devastador dos Estados Unidos de meados dos anos cinquenta, com os seus horrores suburbanos e a sua triunfante subcultura.

Opinião: Este é um daqueles livros que, não fosse pela Leitura Conjunta do fórum Estante de Livros, jamais me passaria pela cabeça lê-lo, não devido ao tema que aborda mas porque nunca foi livro que me chamasse verdadeiramente a atenção, apesar da influência que teve e ainda tem na cultura popular (relembro agora um caso em que uma loja teve de deixar de vender camas para meninas já que a linha tinha como nome “Lolita”).

Neste livro, seguimos o relato de Humbert Humbert, que se encontra preso, e que se dispõe a apresentar a história, do que o levou até aquele lugar, ao jurí (ou ao leitor). Humbert conta então que tem um trauma de infância devido a um amor nunca concretizado, em termos sexuais, e que o terá levado a desenvolver uma atracção por “ninfitas” que o próprio descreve:
Entre os limites etários dos nove e dos catorze anos ocorrem donzelas que, a certos viajantes enfeitiçados, duas ou muitas vezes mais velhos do que elas, revelam a sua vera natureza, que não é humana, e sim nínfitica (isto é, demoníaca) – criaturas eleitas que me proponho adesignar por “ninfitas”.
Conhecemos então a “ninfita” de 12 anos que mais o deslumbrou e maravilhou, Dolores ou Lolita, ao ponto de se tornar uma obsessão e, talvez mesmo, amor.

É claro as várias tentativas de Humbert de se desculpar, de justificar a sua atracção e os actos cometidos, nomeadamente, com Lolita. É aqui que surge a discussão. Seria Lolita uma criança assim tão inocente? Podemos condenar Humbert pela sua inclinação, quando já no passado outras figuras (que o próprio nomeia no seu relato) exibiam a mesma predilecção? Quando havia mesmo casamentos reais, em que os noivos tinham uma grande diferença de idades? Este livro coloca assim várias questões do ponto de vista moral que ainda são muito actuais, numa época em que surgem cada vez mais noticiados os crimes de pedofilia, e a própria escrita de Nabokov, que é fantástica, diria mesmo bela, convida à ponderação, mais não seja por a escrita ser de tal modo envolvente que, só recordando e discutindo o tema, se torna a nossa posição mais nítida e por vezes contrária aquela que tínhamos durante a leitura (onde, por defeito, nos aproximamos mais facilmente das ideias e ideais do narrador).

A história, apesar de tudo, parece esmorecer a partir de determinado ponto, com o narrador a repetir-se com alguma frequência, nomeadamente na segunda parte. Não deixa de ser interessante, já que nos apresenta um mundo saído do pós-guerra, onde o tema da sexualidade se encontrava em debate, e podemos ver também uma crítica à classe médica, nomeadamente à psiquiatria que Humbert (ou Nabokov, através da sua personagem) parece desdenhar.

13 de abril de 2009

Leitura Conjunta


Hoje começa uma nova Leitura Conjunta no fórum Estante de Livros. Esta será a segunda vez que participo e será debatido o livro Lolita de Vladimir Nabokov. Confesso que estou algo desejosa de ler o livro, já que penso que este seria um daqueles livros que, de outra maneira, adiaria constantemente.

Para quem provavelmente se esteja a perguntar... sim tenho tiras do Mutts para quase todas as situações!

18 de fevereiro de 2009

Contos

Autor: Eça de Queirós
Género: Romance
Editora: Livros do Brasil | Nº de páginas: 269
Nota: 4/5

Opinião: Li este livro no âmbito de uma Leitura Conjunta, uma iniciativa do fórum Estante de Livros. Não participei muito na discussão, já que problemas fizeram com que não dedicasse a atenção suficiente ao livro e não lesse os contos no prazo definido, mas isso não quer dizer que não tenha gostado. Antes pelo contrário, adorei.

A minha primeira incursão em Eça foi, como acontece com quase todos os jovens, com a obra Os Maias. Não quer dizer que a história não seja boa, mas quando o li, ou tentei ler porque fiquei-me pelo quarto capítulo, não tinha a maturidade ou a paciência suficiente para aquele tipo de leitura. Era mais virada para livros menos descritivos e um pouco mais fantasiosos, como As Mulheres da Casa do Tigre da Marion Zimmer Bradley, autora que, por incrível que pareça, agora não consigo ler, ou sou eu que tenho algum tipo de problema com As Brumas de Avalon… Mas onde é que eu ia? Eça era muito romântico e descritivo para meu gosto, apesar de gostar da sua prosa. Ainda me lembro de como fiquei maravilhada com a descrição do Ramalhete, mas tirar apontamentos e ler, dissecar as palavras usadas, ter a obrigatoriedade de ler o livro tira algo à leitura e era muito aborrecido.

Apesar, de como disse a início, ter lido no âmbito de uma leitura conjunta, resolvi não o enfrentar como uma “tarefa escolar” mas lê-lo, como leio todos os outros livros, fazendo depois uma pequena apreciação, como as que tenho feito aqui. Posso dizer que redescobri Eça! O seu humor, a sua sátira e crítica, o seu toque de génio ao apresentar-nos as personagens, que desde logo se tornam nossos grandes conhecidos, é fantástico.

Adorei sobretudo o conto “Civilização”, que depois terá dado origem ao livro A Cidade e as Serras que conto ler em breve, e acho que ainda hoje é bastante actual. Eu pelo menos revi-me nele. Jacinto, que se encontrava rodeado de todas as grandes obras literárias das maiores civilizações alguma vez existentes e rodeado da melhor tecnologia, só se sente satisfeito quando, pela primeira vez, entra em contacto com a vida do campo, com a ruralidade. Uma excelente sátira ao mundo do séc. XIX, quando se dá um grande avanço no que toca a inovações tecnológicas, e mostrando a futilidade destas invenções valorizando antes o trabalho e o ar no campo, o contacto com a Natureza, que se perdeu entretanto.

Outro conto, de que gostei particularmente, foi “Adão e Eva no Paraíso”, onde penso que Eça faz um bom trabalho ao juntar a história bíblica da Criação com a teoria evolucionista de Darwin. Achei curioso Adão “nascer” caindo de uma árvore e como ele fica com a morte, já que é ele (o homem) que caça enquanto Eva (a mulher) gera vida, não só no seu útero mas semeando, bem como acolhendo e domesticando animais.

Gostei de Eça.

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