23 de agosto de 2010

Eu, os e-books e e-readers

Escrevi um texto sobre áudio-livros há algum tempo, quando aqueles estavam bastante presentes na minha vida, nomeadamente porque ainda andava a estudar ou enquanto fazia tarefas domésticas nos meus dias de folga. Continuo a fazer tarefas domésticas, mas agora não dedico dias inteiros a tal, como antes, pelo que comecei a dar por mim a ouvir apenas 5 a 15 minutos, o que sinceramente não valia a pena. Além disso, o meu MP3 deixou de fixar a parte em que ia e, em ficheiros longos, era complicado andar para trás e para à frente à procura do minuto exacto em que tinha ficado. Assim coloquei este formato um pouco de lado e, entretanto, dediquei-me a e-books.

Nunca me considerei grande fã do formato porque odeio estar horas a olhar para o computador. Por vezes até artigos extensos aborrecem-me, fazem-me doer a cabeça e a vista. Também sofro destes males quando leio livros, sobretudo para estudo, mas num livro pode-se escrever e uma pessoa pode ir mudando de posição, já quando se lê no computador, mesmo que seja um portátil, a mudança de posição é complicada. Não dá para reclinar na cadeira, por exemplo, ou arrisco-me a partir o computador (sou propensa a acidentes), não dá para me debruçar sobre ele, não dá para estender ou erguer as pernas (ainda que no local de trabalho tal não seja recomendável) e com os computadores de secretária dou por mim a ficar cheia de dores nos cotovelos de me apoiar na mesa. Enfim, um monte de coisas que até podem não fazer sentido para mais ninguém mas que para mim sempre causaram cepticismo em ler livros em formato digital, até que dei por mim a ler alguns nos últimos tempos, sobretudo porque é época baixa (digamos assim) onde trabalho e tenho algum tempo livre.

Posto isto e tendo começado a ver em lojas de electrónica, nomeadamente Wortens e FNACs, os chamados e-readers, dei por mim a ponderar prós e contras.Sem dúvida que os maiores prós são o preço dos livros, muitos deles gratuitos se tivermos em conta os clássicos da literatura, que já não têm direitos de autor, e o poder ter-se uma biblioteca considerável, sem no entanto ocupar uma casa (um problema que sempre tive). Mas o preço destes gadgets, que ronda os 250 e os 500€ se não estou em erro, ainda continua proibitivo se tivermos em conta que o mercado português ainda não tem grande oferta (se é que há alguma para além dos PDFs que a Saída de Emergência disponibiliza gratuitamente no seu site, mas parece que a Leya é capaz de vir a mudar isso e talvez já no próximo mês, segundo esta notícia), que parece existir problemas de direitos territoriais para adquirir livros em inglês e que, devido ao medo da pirataria, mesmo que quiséssemos, o empréstimo de livros é complicado (e acho que já se pôde ver que eu até aprecio ler livros emprestados, seja por amigos ou pela biblioteca) porque as cópias estão condicionadas e seria necessário basicamente emprestar o gadget. Outro contra é que não será muito útil para estudar como este artigo mostra.

Continuo por isso sem saber bem o que pensar sobre esta questão, até porque considero-me muito mal informada. Talvez se adquirisse um e-reader e experimentasse, pudesse avaliar melhor as coisas, mas sinceramente não quero gastar dinheiro (e que não será pouco) sem ver alguns dos contras melhorados, nomeadamente no que à oferta em português diz respeito. Acho que ainda não me compensará tendo em conta que os livros físicos (nomeadamente os paperbacks), quando encomendados nos mesmos sites onde se pode adquirir as cópias digitais, custam o mesmo ou pouco mais e que facilmente posso adquirir livros pelo BookMooch (ainda que comece a escassear as pessoas disponíveis a enviar livros para outros países que não o seu, o que acontece sobretudo com utilizadores americanos que são a maioria dos utilizadores do site) ou pelas bibliotecas públicas e privadas de outros “bookaholics” como eu.

Para mais, podem ver os seguintes links:

16 comentários:

Ana C. Nunes disse...

Eu já leio vários ebooks (no PC), mas gostava de ter um ebookreader pela portabilidade e por não fazer doer tanto as vistas. No entanto, enquanto o preço continuar alto não vou comprar e também não me agrada os condicionamentos nas cópias, por medo de que, imaginem, se trocar de leitor de ebook ou se fizer umas cópias de segurança do livro, um dia já nem o possa ler por esses mesmos "condicionamentos".
Ainda assim, acho que os ebooks tem várias vantagens (especialmente de armazenamento) e pretendo no futuro comprar um leitor.

slayra disse...

Não me parece que vá aderir ao e-reader nos próximos tempos... penso que é uma tecnologia e um mercado que ainda têm que ser desenvolvidos (tal como o 3D, lol) pelo que fico à espera. De qualquer modo, chamem-me tradicionalista, mas prefiro livros em papel. Pelo menos até agora não se me pareceu que os e-books fossem uma opção viável. :)

WhiteLady3 disse...

Ana, também não penso comprar um tão cedo devido ao preço. Não é que seja um exagero, já que têm outras funcionalidades para além da simples leitura, mas acho que não compensa com tanto condicionalismo e pouca oferta em português. Para isso já tenho um pc, agora também há telemóveis com leitor de e-books e penso que a TMN até tem uma espécie de biblioteca digital. Talvez quando houver maior oferta, a preços mais acessíveis me sinta mais tentada.

E levantaste uma questão importante, o que acontece se ficarmos sem o e-reader. como disse, sou propensa a acidentes e tenho muito azar (o meu pc antigo que o diga). O que acontece se simplesmente deixar de funcionar? Já me aconteceu com telemóveis eles não se ligarem devido a mau contacto ou simplesmente porque resolveu ir desta para melhor. Muitas vezes nem é mau uso. Uma pessoa desliga o equipamento e quando volta a ligar ja não funciona. Devolvem a marca do aparelho dá-nos crédito para adquirirmos novamente os livros? São-nos devolvidos com outro aparelho?

Slayra, sim é um mercado a ser desenvolvido mas já está aí! E diga-se que alguns e-readers até são bonitinhos. Mas sim, continuo a preferir e acho que sempre vou preferir livros em papel. Não me parece que mesmo com e-books deixasse de comprar o objecto físico. Penso que aconteceria como me acontece hoje. Sabes que leio um monte de livros emprestados ( :P ) e quando gosto mesmo, pondero comprar uma cópia para mim. Penso que com os e-books seria a mesma coisa, uma espécie de test-drive para depois então investir o dinheiro. ;)

Ricardo Lourenço disse...

Quando compras um ebook por exemplo na amazon, estás a comprar o direito de fazer o seu download. A partir do momento que o pagas, podes descarregar o livro quando quiseres.

Book Addict disse...

Também andei à coisa de uma semana a investigar esse assunto, em especial o Kindle da Amazon e devo dizer que não me convenceu. A razão principal foi a de ter achado os e-books demasiado caros tendo em conta que estamos a falar de uma mera tranferência de bytes sem custos de matéria prima envolvidos (ok tem-se o custo do upload por parte deles mas não é nada que se compare).

Posto isto, e por gostar mesmo é de sentir o bom e velhinho livro nas minhas mãos, ainda não é desta que me converti a este formato.

Ricardo Lourenço disse...

A questão do preço é algo que as pessoas normalmente subvalorizam. Na américa, a título de exemplo, os custos de impressão e transporte reflectem-se em cerca de 15% no preço do livro. Logo essa seria a margem a descontar numa versão digital. No entanto a versão digital tem custos que a versão física não incorre, dado que necessita de um design próprio sendo optimizado para diversos formatos, porque não existe um formato universal. Para além disso, os ebooks não contemplados pela lei como livros, o que resulta num acréscimo ao nível dos impostos (o correspondente às nossas categorias de IVA).

WhiteLady3 disse...

Pelo que tenho visto em termos de preços, andam à volta do custo de um paperback, por vezes um pouco mais barato. Lá está, como não tenho um e-reader esta questão passa-me um pouco ao lado mas do que me pude aperceber os preços andam à volta dos do paperback, o que não acho mau. Também não podem ser gratuitos ou a editora e os autores não ganham para se sustentarem. :P

Quando compras um ebook por exemplo na amazon, estás a comprar o direito de fazer o seu download. A partir do momento que o pagas, podes descarregar o livro quando quiseres.
Ora aí está algo que eu não sabia. Posso descarregar quando quero, mas posso descarregar as vezes que quero? Por exemplo, se perdesse a primeira cópia por o equipamento pifar e fazer novamente o download para outro dispositivo, sem ter que pagar novamente? Ou é como se um livro tivesse tomado banho e precisava de comprar nova cópia para o substituir?

Ricardo Lourenço disse...

Podes fazer o download as vezes que quiseres. Existe inclusivamente a possibilidade (no kindle) de criar uma email para onde podes enviar livros (por exemplo os do project gutenberg) e numa zona com wifi fazer o download desses conteudos (isto caso escolhas a versao mais barata que não tem net móvel).

Célia M. disse...

Vai aqui uma discussão muito interessante. Tal como tu, também me considero uma pessoa mal informada, no sentido em que preciso de investigar melhor a questão, mas sem dúvida que não sou céptica. Encaro isto como uma evolução natural da actividade de ler e de forma nenhuma como um substituto ao livro físico. Ao contrário do que muita gente pensa, não se trata de uma coisa em detrimento da outra. Os ebooks readers são apenas uma alternativa à experiência da leitura e que traz várias vantagens. Para mim, a principal será mesmo a transportabilidade, que se torna particularmente importante para quem lê fora do ambiente caseiro (transportes, etc.). Também me agrada a ideia da facilidade de "anotar" excertos sem ter de andar a sublinhar o livro.

Por enquanto, vou esperar por evoluções a nível de tecnologia (não me peçam para explicar, o meu marido é que me falou nisso no outro dia) e que apareça mais oferta a nível de ebooks em Portugal ;)

WhiteLady3 disse...

Obrigada pelos esclarecimentos Ricardo. ;)

A transportabilidade é sem dúvida um factor a ter em conta, pelo menos para mim que também costumo andar com livros às costas. *lembra-se de andar com as versões do Xógum, a paperback inglesa com quase 5 cms de lombada e as duas capas duras da edição em português, e mesmo os paperbacks da Diana Gabaldon, também com 5 cms de lombada!* Outra coisa que me parece boa, e que me lembraram no Facebook, é o facto de com os e-readers não ser preciso estar a arranjar as formas mais absurdas de ler o livro sem segurar nele! *imagina almoçar decentemente enquanto lê*

Aí também referiram que quando imerso na história, parece não fazer muita diferença se se lê em papel ou e-reader, podendo mesmo alterar-se estilo e tamanhos de letra para quem tem problemas de visão. Acho isto interessante na medida em que, tendo vista cansada e reconhecendo que há tipos de letra que são muito mãus e dos quais não gosto (um dos tipos de letra que não aprecio é os da Gailivro, a que usam em O Nome do Vento, por exemplo, não me perguntem porquê mas não gosto), podia assim alterá-las e lê-las a meu gosto.

Sinto-me cada vez mais tentada a experimentar um. Pergunto-me se na FNAC me deixarão fazer um test-drive, usar aquilo por um bocado. Ou então tenho de chagar a cabeça a alguém para me oferecerem. :D

Célia M. disse...

Que bom saber que não sou a única a embirrar com tipos de letra :D
Também não aprecio particularmente o tipo de letra dos livros da Gailivro, se bem que não o utilizam em todos. Há alguns livros da Casa das Letras, recentes, que têm uma fonte tão pequena que quase é preciso uma lupa... :/

WhiteLady3 disse...

Não sou muito esquisita mas há tipos de letra que não gosto. Da Gailivro li os da Meyer e O Nome do Vento que têm o mesmo tipo, mas se não o usam em todos ainda melhor. Alguns da Europa-América também têm um tipo de letra minúsculo. Acho que o livro com o maior tipo de letra que já vi foi o Silk, se bem que o Sem Sangue também dizem que tem uma letra enorme. :D

Ricardo Lourenço disse...

Relativamente ao preço de uma versão digital, aconselho a leitura deste artigo:

http://www.wired.com/magazine/2010/08/pr_burningquestion_ebooks/

WhiteLady3 disse...

Artigo bastante interessante. Como disse, não me parece que os preços sejam tão desproporcionados. Não sabia, no entanto, o que estava por detrás do trabalho apesar da matéria prima serem bits e bytes. Mas uma coisa que me chamou a atenção foi o que diz Lary Doyle:

Publishers do price ebooks a little higher than necessary, because they're concerned about devaluing people's perception of books(...) They're worried that if they sell the digital editions for too little, they'll have to lower prices for the paper editions as well, which would undercut their main source of revenue.

Será isto realmente verdade? Pode tal acontecer? Sinceramente não vejo os livros a desaparecerem tão cedo. Apesar de os mass market paperbacks serem baratos, há quem continue e prefira comprar edições hardcover. Há-de haver sempre pessoas interessadas em livros nem que seja por ser um bom objecto decorativo ou de colecção, ou uma excelente prenda (podem ser oferecidos e-books?). E mesmo que um livro seja caro, os gadgets para ler e-books ainda não têm preços tão acessíveis como isso. Pode ser considerado um investimento, o que gastamos a comprar um e-reader é depois pago no preço mais baixo dos e-books, mas continuo a achar que quem lê uma cópia digital e adorar a história, não perderá a oportunidade de comprar a versão física do mesmo título se o preço for o normal. :/

Soneca disse...

Olá
Queria informar a onde foi buscar (em que site) os e-books da Nora Roberts?

Obrigado

WhiteLady3 disse...

Os e-books podem ser encontrados no site da editora Saída de Emergência.

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