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18 de outubro de 2014

The Iron Seas #0.4 a 3

Aviso à navegação, isto vai ser longo. Se não quiserem ler tudo, no final têm um resumo. :D

Autor: Meljean Brook
Ficção | Género: Steampunk
Editora: Berkley | Ano: 2010 a 2012 | Formato: livros e e-books | Nº de páginas: várias... | Língua: inglês

A série no Goodreads

Opinião: Estava resolvida a continuar esta série, até porque o novo livro saiu este ano em 8 partes e vai sair agora publicado numa só edição em novembro. No entanto, tendo em conta que me apercebi que não tinha lido alguns contos, queria reler os livros anteriores e, por uma qualquer razão, não estava a conseguir entrar no terceiro volume, lá dediquei o último mês a esta série. 

Comecei pelo conto The Blushing Bounder que, apesar de cronologicamente anterior aos restantes, não servirá de modo algum como introdução a este mundo, aprofundando apenas o conhecimento de algumas personagens, no caso o Constable Newberry, com que nos cruzamos no primeiro livro da série e a diferença entre "bounders" e "buggers", dois termos que identificam duas realidades e duas mentalidades bastante diferentes e que, de certa forma, definem este mundo. Por isto, é aconselhado que realmente já se tenha lido o primeiro volume, até porque pouco ou nada se perde em não ler este conto. É fofinho, sim, mas muito pouco explorado em termos de personagens e situação, sendo esta última rapidamente resolvida. 

Seguiu-se outro conto, Here There Be Monsters, que em 2011 me deu a conhecer esta história alternativa, assim como o entusiasmo contagiante da Telma que recomendou a série. Nem por isso é um conto em que se entra bem pois, como acontece com muitos livros de Fantasia e Ficção Científica, somos como que despejados num mundo em que temos que perceber como este funciona mas acaba por valer o esforço de ler com bastante atenção. Apesar de seguirmos a história de Mad Machen e Ivy, somos também apresentados a outras personagens que aparecem como protagonistas em algumas das histórias que se seguem, e a algumas que espero vir a conhecer, como o Blacksmith. A relação entre Machen e Ivy pareceu-me melhor explorada que a do conto anterior e, no geral, a história acaba por ser também ela bem mais emocionante. Para quem quer dar um saltinho a este mundo steampunk, este conto parece-me ser a melhor escolha (e aconselhado pela própria autora) porque mostra exatamente o que esperar das restantes histórias, já que de certa forma a fórmula se repete. E isto não é uma crítica negativa, todo o livro com uma forte componente de romance acaba por ser semelhante, mas tudo o resto dá um cunho bastante original e a história deste conto fez-me querer ler os restantes.

Já depois de ter lido tudo me apercebi que havia um outro conto, The Hook, disponível no site da autora. Este não tem romance mas acaba por ser uma (muito) pequena história engraçada de ler, com Mina e o Constable Newberry. Até gosto da interação entre ambos e não me importava de seguir alguns dos casos que os dois encontram.

Chegamos então ao primeiro livro editado, o The Iron Duke. Tive oportunidade de falar dele no blog da Telma (aqui e aqui) e com as meninas do Clockwork Portugal, pelo que pouco mais tenho a acrescentar. De facto, foi curioso mas ao reler tanto os livros como os contos fiquei com a mesma sensação que tive ao ler da primeira vez. Ok, talvez tenha ficado irritada mais depressa com as atitudes dos alpha males, que muitas vezes são de revirar os olhinhos e desejar dar-lhes bofetadas na cara com uma cadeira para ver se deixam de ser estúpidos, mas as personagens femininas compensam alguma dessa idiotice. Mina, a protagonista deste livro, é um bom exemplo sendo alguém que chegou ao cargo que ocupa por o merecer, ainda que tenha o mundo contra si por ter traços mongóis e ser assim vítima de vários insultos e mesmo racismo. Ao longo deste livro, mais que a relação entre as personagens, é sobretudo explorado este mundo, sendo então dado a conhecer o que levou ao domínio da Horda Mongol, como é que a Inglaterra ficou livre desse domínio e as consequências de tal coisa. 

Muito basicamente, há uma evolução tecnológica a oriente e a Horda Mongol desenvolve muito cedo a nanotecnologia, aproveitando o comércio do açúcar e do chá para contaminar a população europeia com nanoagentes que vão transformar pessoas em zombies ou controlar as emoções de outras através de um sinal de rádio para que não se manifestem contra o regime. Isto tudo para conseguirem acesso livre a matérias-primas, como a madeira, e mão-de-obra barata. Os que conseguem fugir à invasão assentam arraiais no Novo Mundo, onde formam colónias que prosperam mas onde há também alguns conflitos e tensões para fortalecer posições. Se quiserem, podem ficar a saber mais no site da autora

Tanto o livro como o conto Mina Wentworth and the Invisible City, mostram então como é que os personagens aprendem, sobretudo, a lidar com as emoções que entretanto descobrem e tanto os domina, seja ele o amor ou o medo de perder quem amam. Convém também dizer que estes livros têm uma personagem que devia ter o seu próprio livro! Scarsdale! <3 

O segundo livro, Heart of Steel, continua a ser o meu preferido. Tem duas das personagens que mais gosto (para além do Scarsdale), Yasmeen e Archimedes, e a química entre eles é do melhor que há. Archimedes, felizmente, não é um alpha male e deixa Yasmeen, que não tem nada de damsel in distress, ser quem ela é sem se sentir inferior ou ameaçado por ela. No entanto este livro tem um defeito e nesta segunda leitura voltei a sentir isso. Há uma crescente tensão enquanto se vão aproximando de Rabat, já que Archimedes é afetado pela torre daqueles local, mas de repente está tudo resolvido. Acabamos por não ver como é que ele, ou qualquer outra pessoa, é afetado pelas ondas de rádio e, num mundo tão bem construído e que a cada livro nos apresenta algo mais, acabou por saber a pouco. É por isso a única coisa que tenho a apontar porque de resto, como disse, a química é excelente e acaba por ser um livro de aventura com cheirinho a Indiana Jones. :D 

Um bocadinho abaixo está o conto Tethered, pois se acaba por mostrar o que eu queria ver no livro que o antecede, Archimedes com as suas emoções dominadas pelo sinal de rádio da Horda e que nos ajuda a perceber porque é que ele é uma espécie de "adrenaline junkie", já a Yasmeen pareceu faltar alguma coisa, alguma força interior e impetuosidade que tanto estava presente nas histórias anteriores. Mesmo assim é um bom epílogo de Heart of Steel

Por fim, li Riveted, que espero venha a ser um sinal de que pode haver livro do Scarsdale. :D Sim, gosto mesmo do personagem e quero TANTO conhecer a história dele. Ele não entra neste livro mas um dos temas que aqui é abordado pode e deve ser explorado numa história com o Scarsdale. Este livro centra-se em Annika e David, personagens que não têm qualquer ligação com as dos que conhecemos até agora, e a história tem lugar num cenário completamente diferente, na Islândia. Apesar de, mais uma vez, ter gostado bastante, tenho de confessar que não me cativou como os restantes. Ainda pensei que fosse alguma saturação, por ter lido tudo de enfiada, mas acho que não. Annika, apesar de uma mulher forte e de feitio único, com uma mente muito aberta, acaba por ser muito pouco interessante quando comparada a Yasmeen ou Mina. Não senti grande empatia para com ela mas a sua relação com David pareceu-me bem conseguida, ainda que ande ali à volta do confio/não confio, não havendo grande tensão como com os casais anteriores e aborrecendo um pouco ao fim de algum tempo. A tensão vem mais do segredo que ela guarda e acabo por questionar se a história não teria sido mais empolgante se seguisse a irmã dela. :/ Isto não quer dizer que seja um mau livro mas tendo em conta os anteriores esperava algo mais. Em termos do mundo, o alargamento a zonas até aqui pouco ou nada exploradas e mostrando comunidades que vivem segundo princípios muito próprios, assim como o efeito da chegada dos europeus ao continente americano (ainda que de forma muito subtil através da família de David) foi uma aposta ganha, a meu ver. 

Ficam ainda um conto e um livro por ler, mas até agora esta série tem tido mais altos que baixos e, consequentemente, tem sido muito agradável descobrir este mundo onde o steampunk reina e onde há vapor por todo o lado, seja gadgets ou relações. :) 

Veredito: Vale o dinheiro gasto mas no conjunto acaba por ser Para ter na estante. Para quem não teve paciência para ler tudo, fique a nota de que apesar de estes livros terem uma forte componente romântica, que isto não afaste um potencial leitor! É certo que tem cenas (muito) quentes e pares amorosos, mas tem tão mais que isso!

O worldbuilding é excepcional, muito detalhado e deixa uma pessoa curiosa por descobrir mais sobre o mesmo. Em alguns dos livros que tenho lido, o steampunk é quase unicamente um artifício para justificar a existência de alguns gadgets, enquanto que nesta série é uma parte fundamental deste mundo, define-o e levanta várias questões que são exploradas ao mesmo tempo que o romance. Há um bom desenvolvimento das personagens, já que é necessário confrontarem medos interiores e ultrapassar alguns obstáculos que levam ao tão esperado final feliz. Destacam-se sobretudo as personagens femininas que fogem do modelo damsel in distress e que de certa maneira leva com que os personagens masculinos, que veem nelas o ser que os completa, se esforcem por serem dignos delas.

E acho que é isto, até porque fartei-me de escrever. :P

26 de dezembro de 2012

Leviathan (Leviathan, #1) [e-book]

Autor: Scott Westerfeld
Ficção | Género: steampunk
Editora: Simon Pulse | Ano: 2009 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: veio ter comigo no mês de outubro deste ano.

Quando e porque peguei nele: 21/novembro a 14/dezembro. O Clockwork Portugal anunciou no Goodreads que seria o próximo livro a ser debatido num episódio dos Diários Steampunk e achei que era uma boa ocasião para pegar nele.



Citações:
Most men’s awareness doesn’t extend past their dinner plates.

Opinião: Estava algo ansiosa por ler este livro, já que adorei uma outra série do autor, mas desde cedo tive um grande problema, achei extremamente irritante que a cada dois capítulos o ponto de vista alterasse entre Alek e Deryn. Não é que não esteja habituada a este tipo de contar a história, o Martin fá-lo e bem a meu ver, mas aqui pouco me sentia ligada às personagens e quando começava a ficar investida na personagem e na sua história essa ligação era quebrada. Além disso, achei que o Alek era menos interessante que a Deryn. A sério, cheguei a preferir de longe o Volger e a desejar que este desse um valente par de estalos ao Alek (pior que o Alek só muito provavelmente o Harry Potter, e já deveis saber o quanto odeio o Potter). Além de me mexer com os nervos, a sua história também me pareceu no geral menos entusiasmante que a da Deryn, mas tal talvez se deva ao facto do mundo da Deryn ser muito mais diferente e por isso despertar mais curiosidade. Mas nem todo é mau...

A história começa com o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, o que faz com que Alek, seu filho, fuja e coloca várias potências antagonistas à beira da guerra. De um lado temos os Clankers, adeptos das máquinas e engenhos mecânicos, que devem o seu nome ao “clank clank” das engrenagens movidas a vapor; e do outro temos Darwinistas, com animais fabricados devido à mistura de ADN de diferentes espécies, aproveitando as características de cada animal de modo a obter uma criatura que sirva os seus propósitos, seja para fazer deles uma arma ou qualquer outro engenho, isto após a descoberta da ciência genética por Charles Darwin e servindo de resposta à poluição que começaria a fazer-se sentir em Londres devido à steam age. É-nos, deste modo, apresentada uma espécie de história alternativa do que antecede a Primeira Guerra Mundial, onde Alek e Deryn se vão encontrar em lados diferentes da barricada.

O enredo demora um pouco a arrancar, só mais ou menos a meio, quando entra a Dra Barlow em campo, contribuindo com um mistério para a história, é que as coisas começam a aquecer. Mas se a segunda metade é mais interessante, a primeira acaba por dar a oportunidade de conhecer os dois lados, donde destaco o mundo de Deryn que, como já disse, por ser completamente diferente do que uma pessoa está habituada, acaba por ter muitos mais pontos de interesse nem que seja o facto de sabermos como é que uma baleia pode voar ou morcegos dispararem flechas (?, em inglês são os fléchette bats, não faço ideia de como está traduzido para PT e entretanto a Tchecha disse que são "morcegos de flecha", obrigada :D ). O mundo Clanker acaba por ser mais parecido com o nosso, ainda que com outro tipo de máquinas como os Walkers. Também destaco as ilustrações, apesar de no Kindle nem sempre a definição ser a melhor, que ajudam a imaginar todo este mundo.

A escrita é algo básica, algo que já tinha notado na série Uglies, mas tendo em conta o público-alvo, que será a camada mais jovem, parece-me bem. Ficou-me também a ideia de que o autor tenta dar uma aula de História, recorrendo no entanto a uma situação alternativa, mas também ponderar sobre questões actuais como a genética. Pessoalmente, apesar de ter gostado da ideia de animais como “máquinas”, coloquei isso de lado a partir do momento em que os combates começam. Não duvidem, eu sou daquelas que gosta dos seus livros e filmes com sangue a rodos, mas aleijem um bocadinho um animal e até fico mal disposta, isto para dizer que mexeu comigo que eles fossem usados como armas e sofressem baixas, está claro.

Veredito: Se fosse emprestado, pouco se perdia com isso. Acaba por ser um livro interessante ainda que um pouco desequilibrado. Houve momentos em que cheguei a pensar que tinha pouca acção e depois tinha muita, ou que tinha pouca informação e depois que tinha muita, se é que isto faz algum sentido. O_o O importante é que fiquei bastante curiosa quanto à continuação, mesmo que não o suficiente para ir ler logo a correr. Faz sentido? Não?!... Ok, não é mau e entretém o suficiente para uma pessoa querer ler o resto da história.

23 de maio de 2012

Curtas: Flash Gold (Flash Gold Chronicles, #1) [e-book], Os Perdedores

Título: Flash Gold (Flash Gold Chronicles, #1) [e-book]
Autor: Lindsay Buroker
Ficção | Género: steampunk
Editora: - | Ano: 2011 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: Esta a preço 0 na Amazon o ano passado.

Quando e porque peguei nele: 11/maio/2012 a 13/maio/2012. Queria algo pequeno e rápido de ler já que me iam emprestar os restantes livros da série Mercy Thompson.


Opinião: É uma pequena história sobre uma jovem cujo pai morreu e deixou-lhe uma espécie de material energético, o Flash Gold, que permite a máquinas funcionarem de forma eficiente. Ela é vista como uma bruxa na comunidade, por se dedicar a construir máquinas (o seu sonho é construir um dirigível) e entra numa corrida de trenós puxados por cães, para tentar ganhar o prémio monetário e poder sair dali por modo a dedicar-se às suas invenções. Mas a sua vida não é fácil pois muitos querem o segredo alquímico para o Flash Gold e pensam que ela terá a receita. Assim, ela vê-se a precisar de confiar num estranho que se torna no seu guarda-costas, para chegar ao fim da corrida com vida.

Como disse, é uma pequena história, pelo que as personagens não têm grande desenvolvimento, mas é ainda assim bastante agradável de seguir e com ação q.b. Consegue ser melhor do que algumas histórias bem mais longas, de tal modo que pondero ler a continuação.

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso.

Título: Os Perdedores
Diretor: Sylvain White
Baseado na comic book The Losers de Andy Diggle por Peter Berg e James Vanderbilt
Atores: Jeffrey Dean Morgan, Zoe Saldana, Chris Evans, Idris Elba

Mais informação técnica no IMDb.

Quando e onde o vi: dia 20 de maio na RTP

Opinião: Estava cansada de estar no pc quando mudaram de canal na televisão e estava este filme a começar. Começou logo com tiros, explosões, traições e pensei “porque não?” e lá me pus a ver. O início ainda me fez lembrar os trailers de um filme que está agora nos cinemas (que ainda não vi e não sei se quero :/ ) e o resto tem pouco que se diga.

Acaba por entreter e penso que é essa a intenção. Houve uma parte que achei mesmo hilariante, quando a personagem do Chris Evans diz que tem poderes telecinéticos e pode disparar com as mãos ( xD ), mas achei que o vilão era mau demais para ser verdade. É mais um daqueles que parece servir apenas para comic relief, mas já havia uma personagem para esse efeito porque raio era preciso que o vilão também o fosse?

Não será memorável mas achei melhor que galas e coisas do género que estavam a dar noutros canais...

Veredito: Deu na televisão pelo que não se perde nada com isso.

13 de março de 2012

"Parasol Protectorate" de Gail Carriger

Autor: Gail Carriger
Ficção | Género: Steampunk
Editora: Orbit | Ano: 2009 a 2012 | Formato: livro | Nº de páginas: várias, afinal de contas são 5 volumes | Língua: inglês

Quando e porque peguei neles: 09/out/2011 a 13/mar/2012. Já era tempo de ler o primeiro volume, que tinha lá em casa, e depois tornou-se um vício, pelo que só descansei quando li todos.


Opinião: Devo dizer que não me recordo onde é que tropecei nestes livros, mas algo levou-me a querer seguir o blog da autora mesmo antes de ler a sua obra. Talvez por a autora ter, de certo modo, construído a sua imagem de modo a parecer-se com a própria protagonista (já agora Gail Carriger é o pseudónimo de Tofa Borregaard que é arqueóloga! *\o/*) ou então por rever nela o meu fascínio por chá e pela época vitoriana. O que é certo é que há muito que a seguia e tinha curiosidade em ler esta série. No entanto, e como expetativas e fascínio podem dar para o torto (Shiver anyone?), tinha medo de acabar com um determinado ideal pelo que ainda demorei a pegar nos livros, sobretudo no primeiro, até não poder resistir mais. O outono steampunk, no ano passado, deu então o empurrão final para entrar no mundo do Protetorado do Para-sol (e como soa tão mal em português!)

O que dizer desta série? Foi pelo riso que esta série me conquistou mas foi pelo mistério que me prendeu. Achei o primeiro volume, Soulless, hilariante e apesar de os restantes terem também algum humor, as piadas repetem-se e, por isso, rapidamente perdem a graça. Mas no primeiro achei que a escrita da autora, os comentários sarcásticos das personagens, bem como algumas das situações em que as mesmas se vêm a encontrar, estavam bem conseguidas, de tal forma que suscitaram muitas gargalhadas como penso que não tinha gargalhado o ano passado. Chegou mesmo a fazer-me recordar a escrita de Julia Quinn, que também me consegue pôr a rir e presa às páginas com as suas histórias. Mas as semelhanças não se limitam à escrita, pois apesar de ser categorizado como horror, Soulless é na verdade mais romance que outra coisa, ainda que com elementos paranormais, um pouco de steampunk (confirmando a ideia de que é estética, tendo algum impacto no desenvolvimento dos enredos mas sem ser a parte mais importante do mesmo) e mistério para apimentar o enredo. Nos volumes seguintes, o mistério é a parte mais predominante, sobrepondo-se ao romance, e consegue ser tão absorvente que transforma estes livros em verdadeiros page-turners e é difícil colocá-los de lado!

Mas voltando a Soulless... Este livro abre então com Alexia Tarabotti, a nossa protagonista, moça de 26 anos fadada a ficar na prateleira, a ser atacada por um vampiro sem terem sido apresentados. A afronta de tal criatura, sem respeitar as leis de uma sociedade vitoriana! Para se proteger, se bem que Alexia nem tenha grande problema com tal, afinal de contas não tem alma e consegue por isso anular os poderes de criaturas sobrenaturais, acaba por inadvertidamente matar o vampiro, dando então início a uma série de peripécias que se desenrolam ao longo de 5 livros.

Gostei da criação deste mundo, onde as criaturas sobrenaturais têm um excesso de alma e para contrabalançar existem preternaturais, que não têm alma e anulam então os poderes dos primeiros. A nossa protagonista, não só devido à sua condição mas por ter entre os seus conhecimentos lobisomens, vampiros e se cruzar com fantasmas, permite-nos então uma incursão por esses mundos e perceber como se relacionam com a sociedade humana, já que (e um pouco à semelhança de Sangue Fresco) aquelas criaturas saíram dos caixões (ou de onde quer que estivessem escondidos) e passaram a fazer parte integrante da sociedade, algures no Renascimento, tendo mesmo contribuído, numa espécie de história alternativa, para a criação do império britânico pois os monarcas (desde Isabel I até à rainha Vitória) não dispensam a consulta dos seus conselheiros vampiro e lobisomem para governarem.

Enquanto Soulless serve de introdução, deixando no ar algumas questões e dando o mote para esta série, os volumes seguintes permitem o desenvolvimento e um melhor conhecimento deste mundo, assim como das personagens que aqui se movem. Em Changeless, por exemplo, ficamos a conhecer o passado de Lord Maccon e de como veio a tornar-se no alfa do clã Woolsey, enquanto Alexia tenta perceber o que anda a sugar o poder das criaturas sobrenaturais. Este livro acaba num cliffhanger que abre o apetite para o terceiro livro. Blameless, no entanto, teve um trago algo amargo pois apesar da constante ação, Alexia tem praticamente a sua cabeça a prémio e tem de evitar várias tentativas de assassinato, o enredo parece avançar muito pouco, suscitando mais questões do que respondendo. Muitas dessas questões encontram-se ligadas ao seu pai e a uma criatura quase mística (dizer mais seria enveredar por spoilers), mas tudo isto faz com que o leitor pegue então em Heartless. Neste volume, enquanto procura evitar uma tentativa de assassinato contra a rainha, Alexia descobre um pouco mais sobre o pai e sobre o passado de outros membros do clã Woolsey. Tal como no livro anterior, achei a história deste bastante previsível (o twist em Heartless acabou por não ser twist nenhum, pelo contrário fez-me revirar os olhos e dizer “só agora? A sério?! Só chegaste agora a essa conclusão?”) mas destaco o desenvolvimento das relações entre vampiros e lobisomens, dando-se mesmo uma alteração de forças na política londrina.

Apesar de algo desanimada com os últimos dois livros, a verdade é que não consegui colocá-los de lado e esperei ansiosamente por Timeless, quinto e último volume. Até fui a correr fazer a pre-order e não é coisa que tenha tendência a fazer, mas lá saiu este ano e veio parar rapidamente a minha casa. \o/

Desta feita, Alexia e o spoiler que não deve ser revelado dirigem-se ao Egipto, onde se encontram então as respostas às perguntas que atormentam o leitor: o que é a God-Breaker Plague, o que raio andou o pai de Alexia a fazer, que segredos esconde Floote. Resta dizer que apesar de, mais uma vez, ser previsível, há no entanto alguns acontecimentos que me deixaram de boca aberta e ansiosa por ler mais, para saber o que o futuro acabou por reservar a algumas personagens. É por isso uma pena este ser o último livro desta série, mas parece que a autora está a trabalhar numa spin-off e eu cá fico a aguardá-la, em pulgas.

Resumindo, para além do humor, estes livros têm então um mundo, onde lobisomens e vampiros regem a política e as modas, muito bem construído, coeso, com desenvolvimentos interessantes e com uma dinâmica social bastante própria. As personagens também são interessantes de seguir, algumas chegam mesmo a surpreender, e os mistérios mantêm o leitor preso à história. Talvez não tanto os mistérios abordados em cada livro, pois como disse acabam por ser previsíveis, mas os que ligam os vários volumes, ou pelo menos eram eles que me mantinham presa à história e a desejar ler rapidamente as continuações.

Esta foi uma das séries que mais me surpreendeu nos últimos tempos e só a posso aconselhar.

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Está mesmo a um bocadinho assim *imita o Danoninho* de Para ter na estante, mas é uma série para reler, sempre que me sentir em abaixo porque o humor é delicioso e a história faz-me esquecer o que me rodeia. :)

1 de janeiro de 2011

A Corte do Ar

Autor: Stephen Hunt
Género: steampunk
Editora: Saída de Emergência | Nº de páginas: 512

Resumo (do livro): Quando a orfã Molly Templar testemunha um assassinato brutal no bordel onde foi colocada como aprendiz, o seu primeiro instinto é o de correr de volta para o orfanato onde cresceu. Ao chegar e encontrar todos os amigos mortos, apercebe-se de que era ela o verdadeiro alvo do ataque... pois o sangue de Molly contém um segredo que a torna um alvo a abater para os inimigos do Estado.

Oliver Brooks levava uma existência tranquila na casa do tio, mas quando é acusado da morte do seu único familiar é forçado a fugir para salvar a sua vida, acompanhado por um misterioso agente da Corte do Ar. Perseguido pelo país, Oliver vê-se na companhia de ladrões, foras-da-lei e espiões, e aprende mais sobre o segredo que destruiu a sua vida.

É então que Molly e Oliver são confrontados com uma ameaça à própria civilização por um poder antigo que se julgava derrotado há milénios. Os seus inimigos são implacáveis e numerosos, mas os dois órfãos terão a ajuda de um formidável grupo de amigos nesta aventura cheia de acção, drama e intriga.


Opinião: Nada melhor que começar o ano com uma crítica ainda que a um livro lido no ano anterior. As festas, o trabalho e uma gripe não ajudaram a escrever esta crítica mais cedo, mas o que é certo é que também não sei muito bem sobre o que me debruçar.

Talvez deva começar por dizer que aguardava este livro com muita expectativa. Não sou grande fã de ficção científica, na verdade sempre desdenhei um pouco este género no que à literatura diz respeito, já que me parece ser um género que tem mais impacto visualmente, ou seja em filmes. Mas ficção científica com máquinas a vapor e com a acção a desenrolar-se numa época vitoriana? Como é que poderia não me atrair? :D

Tomei conhecimento do termo steampunk depois de ler o primeiro livro da trilogia de Pullman e desde aí tenho andado fascinada com toda a subcultura. Há quem ande por aí vestido e transforme mesmo computadores, Ipods e telemóveis em objectos steampunk, o que acho simplesmente espectacular. Claro está que quis ler mais coisas neste género, mas a oferta por cá não é muita, pelo menos de que tenha conhecimento. Quando a Saída de Emergência disse no seu encontro BANG! que ia publicar steampunk (timidamente disse “obrigado!”) fiquei em pulgas e, claro está, fui de propósito ao Fórum Fantástico para o comprar. Infelizmente não pude aguardar pela dedicatória do autor (tive de ir com o irmão às compras, a tortura, o medo... o horror!), mas o meu exemplar vem assinado e por isso guardo o livro com bastante estima.

No entanto este livro não tem apenas steampunk. É verdade que a história se passa no que parece ser um séc. XIX saído das páginas de Dickens, num mundo com vaporomens, aeróstatos, revólveres que funcionam sei lá como, computadores que fazem análises sanguíneas, mas há também laivos de magia aqui e ali, lutas sociais, sei lá que mais. É todo uma mescla de temas que, infelizmente, acabou por me fazer sentir perdida e daí talvez o sabor meio amargo que deixou no final e a dificuldade em escrever esta crítica.

Este é um livro que sinto ter de reler novamente para apreender tudo aquilo que transmite. Foi difícil entrar nele, já que parece que somos largados no meio de uma história que vai a meio e temos de tentar perceber por nós o que raio se passa ali. Isto levou-me a pegar em outros livros pelo meio, coisa que vejo agora não devia ter feito e que fez com que o lesse aos soluços, o que em nada contribuiu para melhor entender a acção. Talvez devesse tê-lo colocado de lado quando senti que a história não me estava a agarrar, até porque também não se pode dizer que a forma de narração e as personagens tenham ajudado a manter a concentração e o entusiasmo. Se o mundo é perfeitamente descrito e interessante, já as personagens nem por isso. Gostei de Molly e da sua história, mas o mesmo já não posso dizer de Oliver, por exemplo, cujas partes pareciam arrastar-se. A narração a saltitar entre personagens também me confundiu um pouco, sobretudo quando estava dias sem pegar no livro e esquecia-me de quem andava a seguir.

Apesar de tudo gostei e como disse guardo este livro com estima. Tem uma história interessante e um mundo fascinante que quero revisitar e entender melhor, pelo que fica agendada uma releitura para uma época mais propícia, talvez em férias. :)

Vale o dinheiro gasto: apesar do sabor algo amargo, é um livro que me imagino a reler e aconselhar. A altura em que o li também não foi a mais propícia e não posso dizer que tenha dedicado toda a minha atenção ao livro, daí a dificuldade em entrar na história e, talvez, nos personagens.

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