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30 de março de 2011

A Mulher Sábia (A Pedra de Luz, Livro 2)

Autor: Christian Jacq
Género: thriller
Editora: Bertrand Editora | Nº de páginas: 431

Resumo (do livro): Depois da morte de Ramsés o Grande, os artesãos do Lugar de Verdade estão inquietos.

Quem sabe se o novo Faraó desejará continuar a obra do pai e proteger por sua vez a prestigiosa aldeia, cujo futuro parece ameaçado?

Porque a aldeia está em perigo, apesar da vigilância de Clara, tornada a Mulher Sábia da confraria. Néfer, dito o Silencioso, é acusado de fraude e actos tirânicos. Os alimentos e a água não são entregues, as ferramentas são sabotadas, apesar de rigorosamente guardadas, a reserva de metais preciosos diminui e, sobretudo, uma coligação de tropas inimigas agrupam-se nas fronteiras, enquanto em Per-Ramsés, a capital das Duas Terras, as intrigas dos cortesãos enfraquecem o poder.

Roubos, assassínios, inundações, sortilégios e traições, nada é poupado aos heróis desta aventura em que as conspirações se sucedem num Egipto de lenda, que o talento de Christian Jacq nos oferece em todo o seu esplendor.


Opinião: Este volume é uma continuação directa do anterior, levando-nos a seguir os protagonistas e a vida no Lugar de Verdade após a morte de um dos seus defensores, o faraó Ramsés o Grande. Com a subida de Merenptah ao trono do Egipto, os inimigos do Lugar de Verdade tentam aproveitar a ocasião para destruir a confraria de artesãos, conseguindo mesmo colocar um traidor dentro da aldeia por forma a descobrir os segredos da Pedra de Luz. No entanto, mesmo sem o carisma de Ramsés, o novo faraó consegue fazer frente aos problemas que surgem e proteger a confraria, que se dedica, durante os 10 anos do reinado, à construção do Templo dos Milhões de Anos e à Morada Eterna de Merenptah.

Não há muito que possa dizer sobre este livro que já não tenha dito na crítica ao volume precedente, pois mais uma vez é o retrato da sociedade egípcia que sobressai, nomeadamente o relato da vida dentro do Lugar de Verdade e a progressão de Paneb na hierarquia da confraria, assim como a importância da religião no dia-a-dia. De resto, as personagens pouco evoluem, a não ser que se conte com os maus a ficarem com maiores requintes de malvadez e os bons a ficarem com uma imagem ainda maior de santos protectores de todo um modo de vida; e a trama avança de forma algo lenta, apesar de não conseguir deixar o livro de lado, dando-nos a possibilidade de ver um polvo a espalhar os seus tentáculos por forma a chegar ao seu desejado fim, mas sobretudo possibilitando-nos conhecer o quotidiano desta gente. É sem dúvida isto que me deixa fascinada, a recriação do dia-a-dia desta sociedade de forma tão exemplar e vívida. A realidade do que seria o quotidiano da sociedade egípcia até pode ser completamente diferente da apresentada aqui, mas esta parece real e muito credível.

O final fica novamente em suspenso pois, à semelhança do primeiro, acaba com a morte de um faraó que protegia a comunidade de artesãos. Mas se antes havia um sucessor directo e inquestionável, ainda que com uma posição mais frágil e com uma tarefa mais complicada que a do seu antecessor, este livro abre a hipótese de uma guerra civil entre dois pretendentes ao trono, Seti e Amenmés. Conseguirá o Lugar de Verdade resistir a tal, com um traidor no seu seio esperando atacar a qualquer momento?

Emprestado e pouco se perde com isso: O mal de volumes intermédios é que parecem muito semelhantes aos que os antecedem e este veio revelar isso mesmo, estando a classificação novamente a pender para “Vale o dinheiro gasto” mas sem propriamente lá chegar, porque não sei a conclusão! Ainda assim fica a curiosidade para seguir a série, mas não posso deixar de pensar que a história poderia ser mais curta. Estou a adorar conhecer o quotidiano e acompanhar Paneb na sua progressão, mas as peripécias começam a deixar algo a desejar e quero saber quem está por detrás! É que ainda são 4 volumes e começo a pensar "mas onde é que isto vai parar?" O_o

23 de março de 2011

Néfer, o Silencioso (A Pedra de Luz, Livro 1)

Autor: Christian Jacq
Género: thriller
Editora: Bertrand Editora | Nº de páginas: 381

Resumo (do livro): O romance começa nos últimos anos do reinado de Ramsés, o Grande. Méhi, um ambicioso oficial tebano, está fascinado pelo segredo que possuem os cerca de trinta artesãos do Lugar de Verdade. Um dia, espiando a aldeia implantada no deserto e rodeada por altos muros, mata um guarda e, deslumbrado, vê sair de um templo a Pedra de Luz. Decide então consagrar a sua vida para se apoderar dela.

No interior da localidade interdita são construídas as Moradas de Eternidade dos faraós.

Os homens e mulheres que ali vivem escolhem-se entre si e são habitados pela obsessão dessa eternidade. Entre eles, Néfer, que todos chamam
o Silencioso. Filho adoptivo de um dos mestres da aldeia, não ouviu o apelo dos deuses. Decide ir correr mundo para procurar a sua verdade. Nessa procura descobrirá o amor louco por Clara e verá a sua vida ser salva por Paneb o Ardente, um filho de agricultor decidido a entrar no Lugar de Verdade. Os seus amores, as suas querelas e a luta selvagem que os oporá a Méhi vão levar-nos a descobrir um Egipto próximo e misterioso ainda totalmente desconhecido, nem grande romance épico e denso.

Opinião: Conheço este autor desde que conheço a Slayra, o que já vai para algum tempo (O.o), pois é um dos seus autores preferidos e escreve sobre um dos seus períodos históricos de eleição. Eu tenho de dizer que o Antigo Egipto nunca foi bem o meu género. Ok, reconheço-lhes o génio construtivo, a religião também é das coisas mais fascinantes (mas eu adoro esse tema) que têm, também acho interessante toda aquela superstição no que toca ao Tutankhamon e outros túmulos do Vale dos Reis e das Rainhas, mas nunca fui fascinada como outros colegas de curso. Daí que tenha tardado em pedir estes livros emprestados, já que não são, hoje em dia, assim tão fáceis de encontrar. Entendo agora o porquê da Slayra os apreciar tanto.

A escrita e as personagens não são nada de outro mundo. A primeira é simples, sem grandes floreados, concisa e straight to the point, no entanto, não conseguimos parar de ler. Os capítulos pequenos ajudam a que continuemos a virar as páginas, sem darmos por isso, já que a história é interessante e queremos saber o que vai sair dali. Já no que toca a personagens, elas são bastante estereotipadas, com os vilões a serem a pior espécie de homens a pisar a Terra e os heróis a terem tantas virtudes que estamos à espera que sejam elevados às alturas, mas já estava preparada para isso e convenhamos, este tipo de coisas resulta em thrillers! Faz-nos querer que os bonzinhos dêem uma coça moral aos maus e o mundo se torne num local mais aprazível para viver, livre de ameaças. :P

O que sobressai então nesta leitura? A sociedade egípcia! Tirando alguns termos que considero anacrónicos, nomeadamente a palavra villa para descrever uma casa senhorial, o autor consegue dar a conhecer o quotidiano de forma fenomenal, tornando o retrato da sociedade bastante credível. Acho sobretudo muito bem conseguido o facto de colocar a religião em todos os momentos do dia e da vida dos protagonistas. Por vezes é difícil imaginar, na sociedade actual, a importância que a religião (nas suas mais variadas formas) tinha anteriormente, mas Jacq ilustra isto de forma brilhante e não deixa de ser incrível como consegue unir religião e ciência, ideias que parecem ser tão difíceis de conjugar. Aqui também temos este confronto, com uma facção a querer tirar o Egipto do “obscurantismo” e das práticas milenares, evoluindo para uma civilização tecnologicamente avançada. Mas a força da tradição não exclui a evolução, pelo contrário parece contribuir para a mesma, daí que tenham conseguido as proezas arquitectónicas que conhecemos e que terão sido construídas com o objectivo de atingir a imortalidade, de ficar mais perto dos deuses e das estrelas.

É exactamente esta parte a mais vincada na história, já que os protagonistas, Néfer, Paneb e Clara, habitam o Lugar de Verdade, uma pequena aldeia de construtores e outros artistas que ouviram o chamamento de Maet e têm como objectivo construir grandiosos edifícios para morada eterna dos faraós, por modo a preservar a Justiça e a Verdade. Acompanhamos então o trabalho dos variados artesãos, nomeadamente Paneb que tem de se esforçar para progredir na profissão que tanto ambiciona. Mas o Lugar de Verdade encontra-se ameaçado por intrigas, já que é um local isolado, sobre o directo domínio do faraó e do seu vizir, escapando à burocracia de Tebas que acredita existir lá incontáveis riquezas, bem como importantes conhecimentos e segredos que seriam preciosos num eventual conflito bélico com outras potências, como os hititas.

Este é então um livro interessante, mas nota-se que é um primeiro volume. Trata-se basicamente de uma introdução às personagens e história, que são desenvolvidos em outros volumes. Este não acaba por isso de forma definitiva, tem uma espécie de to be continued, deixando em aberto o que pode vir a acontecer ao Lugar de Verdade depois da morte de um dos seus mais importantes protectores.

Emprestado e pouco se perde com isso: Na verdade está perto de um “Vale o dinheiro gasto”. Sem dúvida de que fica a curiosidade em continuar a série, já comecei a ler o segundo livro, mas como se trata de uma introdução não sei se seria capaz de o comprar sem ler o resto. Mas parece-me uma boa aposta e será, com certeza, um autor a seguir.

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