10 de dezembro de 2014

Interstellar

Realizador: Christopher Nolan
Escritores: Jonathan Nolan, Christopher Nolan
Atores: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: Não sou adepta deste tipo de coisas, porque acho que não dá para discutir coisas sem recurso a falar no que acontece e quem lê sobre algo que não viu ou leu tem de ter isso em conta. Mas seguem-se spoilers, não digam que não avisei.

Eu devia ter mais confiança no meu instinto. Tanto o teaser como o trailer não me puxaram como a outros (já que quanto mais penso nos filmes do Batman, sobretudo no último, parece que menos gosto) mas eu garanto, eu entendo o fascínio dos filmes do Nolan, a sério! E acho que os temas que aborda são pertinentes, sim. Mas no que toca à suspensão da descrença e finais ele, a meu ver, exagera. Ok, talvez não aconteça sempre mas com este foi a segunda vez, e seguida, que não consegui evitar pensar que queria ir embora da sala de cinema chegando a um determinado momento do filme. :/ Mas vamos por partes...

Gostei do mundo apocalíptico que aqui é apresentado, sobretudo por me parecer bastante credível. E não me refiro só aos problemas com as plantações e tempestades de pó, o retrocesso científico e a colocação em dúvida de avanços, conquistas ou conhecimentos tecnológicos também me pareceu algo que pode vir a acontecer. Muito basicamente, o início e a premissa pareceram-me, durante a primeira parte do filme, bastante interessantes de seguir, no entanto, o modo como descobrem a NASA e a espécie de "destino" que faz com que haja "coincidências" fez germinar em mim a semente da dúvida (eu sei, pareço um poeta :P). Comecei a imaginar que caminhos a história poderia tomar e cheguei-me a virar para o meu irmão e dizer, quando eles finalmente partem, "ele é o fantasma da filha". No entanto, enquanto a semente da dúvida crescia, os meus sentidos, nomeadamente a visão, iam ficando fascinados com imensidão do espaço e o seu silêncio sepulcral, com o wormhole e os novos mundos que dava a conhecer e com o gigantesco buraco negro de aspeto fenomenal.

Realmente em termos visuais este filme esmerou-se e é uma pena que tal não se tenha alastrado às personagens que, tirando Cooper (Matthew McConaughey), Murph (Jessica Chastain) e Dr Mann (Matt Damon e surpresa!!! não estava à espera de o ver aqui), pouco interesse têm. Vai havendo algum conflito, é certo, e a parte com o Mann foi, talvez, a minha preferida pelas questões que aborda (e sim, eu às vezes sou meio aluada e não tinha percebido a cena do nome Mann, só depois de ver este vídeo xD ). A certa altura até achei que os robots tinham mais profundidade que as personagens, mas pronto.

Perante isto tudo, eu até estava a engolir a coisa, apesar da semente da dúvida e de alguns conceitos científicos, como a teoria da relatividade, me fazerem alguma confusão. Fui sendo capaz de suspender a descrença e maravilhar-me com tudo o resto. Até que entram no buraco negro e começo a perceber que o que eu tinha dito ao meu irmão está prestes a desenrolar-se à minha frente mas com um detalhe que eu, apesar de imaginar, não queria. *suspira e revira os olhinhos* Tive exatamente a mesma reação que ao ver o símbolo do Batman em chamas no terceiro filme, mas se ali pensei "com a cidade em perigo e ele perde tempo a desenhar um morcego em gasolina para lhe chegar fogo e mostrar que está de volta? Não há nada de mais útil para fazer como salvar pessoas?!" aqui pensei "o amor é capaz de fazer alguém sobreviver e guiá-lo através de um buraco negro?!" Eu não duvido que o amor é um poder do caraças, sobretudo quando falamos de laços familiares como os que unem pais e filhos (vide Harry Potter), mas eu traço o meu limite na sobrevivência pelo amor em pleno espaço interestelar! Enfim, só queria vir-me embora porque, a partir dali para a frente, perdi qualquer interesse que tinha no filme.

E depois a cena do cubo numa outra dimensão e como teria sido construído por humanos... ok, aqui o problema pode ser só meu, que não consigo imaginar o tempo como algo que não seja uma linha contínua e por isso não vejo como pode alguém no futuro ter construído aquela dimensão para o Cooper comunicar com a filha no passado, se a ação do Cooper é fundamental para que haja um futuro. Só numa linha paralela que se intercepta mas a intercepção não fará com que um futuro deixe de existir? Enfim, não sei se isto fará sentido, mas o desenho para explicar também não sairia melhor. :P

Tudo isto para dizer que sim, visualmente é fenomenal mas tal como o terceiro filme do Batman há demasiada coincidência e o terceiro ato, chamemos-lhe assim, ultrapassa o meu limite da suspension of disbelief. Se calhar já é ser mórbida mas ao menos que o Cooper morresse depois de comunicar com a filha, porque não esqueçamos que... ele atravessa um buraco negro! Isto fez-me pensar que o Nolan só consegue fazer finais felizes (quase tanto como o Baz Luhrman só sabe fazer finais tristes), apesar de dar a ilusão de finais abertos, em que qualquer coisa pode acontecer. Mas agora, para mim, essa abertura soa a falso, o que me leva a questionar o "Inception", que para mim é, até ao momento do que pude ver do Nolan, o seu melhor filme. Tendo em conta uma certa teoria relacionada com o totem do personagem do Leonardo DiCaprio e agora o meu sentimento em relação aos seus finais, temo que o desfecho também seja um "falso aberto". :/

Veredito: Vale o dinheiro gasto mas sobretudo pelos visuais, porque quando o filme entra na sua recta final eu estava era a querer sair da sala e pedir o meu dinheiro de volta. Já agora, aproveito para deixar outra opinião que li aqui.

2 comentários:

Patrícia C. disse...

Concordo tanto contigo. Confesso que o meu revirar de olhinhos foi com a "moral" do filme de que "só nós mesmo poderemos ser a nossa própria solução". Raisparta que já não há pachorra para cenas filosóficas da treta. (viva a magia e as cenas que não só não se podem explicar como nem sequer se querem explicar).

WhiteLady3 disse...

Não sei se será essa a moral pois a cena de "a Terra está a dizer-nos para partirmos" caiu-me um pouco mal. Se a Terra ali está a dizer alguma coisa é "extingam-se que só sabem dar cabo do meio ambiente". :/

E o curioso, agora que falas em magia e coisas que não se tentam explicar, é que eu até aceitaria a cena da magia (e do amor) para justificar o ele sobreviver ao buraco negro, se não se tivessem focado tanto na ciência ao longo do filme.

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