21 de julho de 2012

The Hollow Crown: Richard II

Diretor: Rupert Goold
Adaptação de Richard II de William Shakespeare por Rupert Goold
Atores: Ben Whishaw, Rory Kinnear, David Suchet

Mais informação técnica no IMDb.

Quando o vi: 8/julho/2012 no âmbito da Temporada William Shakespeare.

Opinião: Não conhecia esta peça de Shakespeare que foi então exibida pela BBC na série “The Hollow Crown”, no âmbito das olímpiadas culturais deste ano, e que parece-me que não é mais que a adaptação da Henriad (as coisas que aprendo! :D ), como é chamada a tetralogia que engloba para além desta peça as duas partes de Henry IV e a peça Henry V. A série tem um premissa interessante, que se pode ver neste trailer, e o mesmo texto abre então este primeiro “episódio”:
Let's talk of graves, of worms, and epitaphs;
Write sorrow on the bosom of the earth.
(...)Let us sit upon the ground
And tell sad stories of the death of kings:
How some have been deposed, some slain in war,
Some haunted by the ghosts they have depos'd,
Some poison'd by their wives, some sleeping kill'd;
All murder'd:
Esta citação é desta peça e, para além de aparecer no início, aparece também mais à frente no filme, mas achei curiosa e pareceu-me realmente adequada, apesar de pouco ou nada saber sobre as peças que compõem esta “The Hollow Crown”.

Acabei por gostar bastante da adaptação que mostra então a deposição de Richard II por Henry Bolingbroke, que seria depois Henry IV. Richard é quase como que um rei absoluto, com uma corte bajuladora e em busca de favores, justificando o seu direito à Coroa por um qualquer poder divino e chegando a comparar-se ao sol e vestindo-se até com uma armadura toda ela dourada, o que me fez lembrar Luís XIV ainda que este seja bastante posterior. Depois de exilar Bolingbroke, apodera-se das suas terras e riquezas o que leva aquele a revoltar-se, por forma a exigir o que lhe foi retirado mas cuja ambição entretanto cresce, passando a visar o trono. Henry aproveita o facto de Richard se encontrar na Irlanda, a fazer a guerra, e da população se encontrar descontente para ganhar apoios. Richard acaba por se render e é interessante como Henry tenta fazer com que Richard abdique publicamente, para que o seu reinado seja legitimado dessa forma.

Simplesmente adorei esta parte, achei-a tristemente bonita, se tal é possível. Pareceu-me, em vários momentos, que Richard sofreria de dupla personalidade, o homem e o rei, sendo o segundo (ou aparentando ser) mais confiante, justificando a sua realeza por ser dádiva de um poder divino, e o homem menos seguro de si, questionando se realmente deveria estar naquela posição. Nesta cena vemos como que um conflito entre os dois, tendo então que abdicar da parte régia (“God save King Henry, unking’d Richard says,/And send him many years of sunshine days!”) como que um mártir ou como Cristo, traído por aqueles que julgava seus seguidores. O homem Richard é então deixado e encarcerado com os seus lamentos (onde me lembrou Hamlet 1) e posteriormente assassinado, também à maneira de um mártir, São Sebastião.

Como disse gostei bastante, todos os atores me pareceram muito bem. Também gostei dos cenários e das roupas, todas elas muito coloridas quando eu esperava, não sei porquê, algo mais soturno, como acaba por acontecer o final. De sol, tal como apresentado a início, sentado no trono, com a coroa na cabeça e segurando o ceptro e o orbe, em posição de majestade, passa a uma criatura miserável, por assim dizer, despida do que o fazia grande e relegado para uma qualquer cela escura na Torre de Londres. Fiquei realmente fascinada pela imagem que por vezes me fazia lembrar pinturas medievais.

Veredito: Para ter na estante. Parece-me que vou querer tudo o que à “Shakespeare Unlocked” diz respeito. Os filmes que fazem parte desta série, “The Hollow Crown”, são apenas uma das coisas que a BBC organizou e, no seguimento da sua transmissão, parece que exibem também documentários (“Shakespeare Uncovered”) que abordam os mais variados temas relacionados com o célebre autor. Quero tanto ver tudo!

The shadow of my sorrow! ha! let's see: 
'Tis very true, my grief lies all within; 
And these external manners of laments 
Are merely shadows to the unseen grief 
That swells with silence in the tortured soul 

11 comentários:

Diana Marques disse...

Dos Richards, só tinha lido a peça Richard III, que já é depois de todas as partes do Henry VI. Mas gostei bastante dessa adaptação e o Ben Whishaw está flawless! Eu já gostava dele antes, mas a sua actuação como Richard II está fantástica.

Estas peças são aquilo que o Tom diz: retrato de momentos históricos e de guerras, complementados com a mais bela poesia guerreira de sempre. So true.
E é natural que te tenha feito lembrar as pinturas medievais, pois se aquilo é passado na Idade Média! *Idade Média... squeeeee!!!* :D
E aquela cena final da morte dele faz lembrar, de certeza que propositadamente, as pinturas da morte do São Sebastião...

Izabela Cristina disse...

Gostei muito do seu cantinho! Voltarei aqui mais vezes.

Beijos, Izabela :)

Caderno de Resenhas

Liliana Lavado disse...

Obrigado pelas dicas!
Adoro adaptações ao cinema/TV… quando bem feias, claro! É pena é que normalmente as coisas não correm muito bem :P
Vou ver The Hollow Crown sem dúvida :)

WhiteLady3 disse...

Diana, oh sim! Sem dúvida de que é a poesia guerreira mais bela de todo o sempre! Feita parva, ando a ler/ouvir o discurso do dia de S. Crispim do Henry V quando chego ao trabalho (tenho o texto como wallpaper e tudo, com o Tom qual príncipe encantado montado no seu cavalo branco *suspira*) e fico motivada para enfrentar todo um dia de lutas constantes! :D E cada vez que tenho de ir fazer uma visita ou atividade penso "once more unto the breach dear friends, once more!" Sim, sou doida mas podia dar-me para coisas piores... :P

E podia ser medieval mas não me lembrar pinturas medievais. :P Há muitos filmes renascentistas que não me fazem lembrar os quadros renascentistas. :P E sim, daí aparecer o homenzinho a pintar os quadros ao início. :P Mas não me pareceu que ele fosse tão mártir como isso... O_o

Izabela, obrigada. :)

Liliana, eu adoro adaptações e esta, eplo menos, está fantástica. E digo isto mesmo sem ter lido o texto porque, do que me venho apercebendo com Shakespeare, por muito bonito que seja o texto que ele escreve, as várias interpretações dão algo mais ao texto. Dão vida, dão sentimento, emoção. E cada interpretação, mesmo que seja do mesmo papel, dá uma outra vida, um cunho tão pessoal que acaba por parecer que aquela personagem poderia ser muitas outras diferentes dizendo um mesmo texto, se é que isto faz sentido.

Ainda só vi este episódio, tenho os restantes e estou em pulgas para os ver mas falta arranjar tempo, mas só posso aconselhar mais não seja por serem textos de Shakespeare. Estou fascinada pelo homem. :)

Quigui disse...

Das 4 peças que fazem o Hollow Crown, tenho de confessar que a do Richard II foi a que gostei mais (apesar de ser a única que não tem Tom). O Ben Whishaw está simplesmente perfeito no papel e o Rory Kinnear como Bollingbroke conquistou-me. E o texto tem tantos, mas tantos momentos que me deixam de boca aberta de tão bons que são. A quote com que abre este episódio/filme é uma das minha preferidas, e toda a cena de deposição do Richard é fenomenal.

Quando isto sair em DVD vou a correr comprar, porque vale mesmo a pena.

Diana Marques disse...

Sim, também não achei que fosse mártir. Se calhar foi mais numa de demonstrar que ele foi um bocado vítima da ambição desmedida daqueles que lhe queriam usurpar o trono.

E tens que ver os episódios seguintes!! Tem Jeremy Irons que nem precisa de adjectivos e tem para lá um miúdo qualquer chamado Tom não-sei-o-quê xD Esta adaptação merece o dvd na estante. E, de preferência com os documentários todos do Shakespeare Uncovered!

WhiteLady3 disse...

Quigui, crush no Rory Kinnear! Eu só pensava "oh, vai crescer e virar Jeremy Irons!" Mas sim, a sua atuação também me conquistou apesar de falar tão pouco. A cena em que o Richard abdica é o melhor de todo o filme (e também gostei muito da cena na praia) com o Ben e o Rory a demonstrarem tão bem o corropio de emoções que para ali vai. A minha quote preferida só aparece no Henry V. *suspira e diz para si própria "we few, we happy few, we band of brothers..."* Mas esta também é muito boa.

Diana, só se for por isso mas acaba por ser culpa dele, o York bem tentou avisá-lo que não deveria tirar as coisas ao Bolingbroke.

Eu sei que tenho de ver mas e tempo?! Gosto tanto do Jeremy desde que o ouvi como Scar. <3 E quero tanto ver o Jeremy a dar um estalo ao Tom (Jeremy Irons, a dar bofetadas aos filhos no pequeno ecrã desde Borgias! ou pelo menos o Juan também levou uma xD eu tinha medo se daqui para a frente fosse a fazer de filha dele e ele fosse um rei ou um papa...) e o Tom a ser vadio, e o Tom a dizer o discurso mai'lindo de todo o sempre, e basicamente o Tom a fazer tudo e mais alguma coisa porque se há coisa que não me cansa é olhar para o Tom a fazer coisas... :D

Sim! DVDs com os documentários!

Quigui disse...

O Tom diz muito bem essa quote (e todas as outras, não fosse ele o Tom Hiddleston). Penso que já apareceu partes dessa cena nos documentários (não os vi a todos), mas ver a cena completa, então na sequência de tudo o que acontece, é realmente outra coisa.

Acho que vais gostar muito dos outros 3 episódios, apesar de eu achar que na parte I do Henry IV tenha muito pouco do Jeremy Irons (em compensação, tons of Tom. And wet Tom.)

WhiteLady3 disse...

Realmente tenho essa ideia, de que aparece mais o Hal que o Henry IV na peça dedicada ao... Henry IV. Mas vai daí, os tumblrs, que é onde tenho visto imagens e vídeos, que sigo são muito dedicados ao Tom. :D

Quigui disse...

Se fossemos pelo tumblr o Hal passava grande parte do Henry IV na má vida numa taverna ou a levar bofetadas do pai por razões que nada têm a ver com Shakespeare XD

WhiteLady3 disse...

O tumblr é a perdição de uma moça... E admira-me ainda não haver um vídeo de 10 minutos de chapadas, mas vai daí, o Hal não é um Joffrey...

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...