17 de agosto de 2012

Quando não estou a ler (4)

No passado domingo fui arejar um pouco para Sintra. Tinha combinado com umas amigas ir ver, à noite, a peça de teatro "Romeu e Julieta" na Quinta da Regaleira, mas como não tinha nada para fazer durante a tarde e porque há muito tempo não visitava a Regaleira (e penso que a única vez que lá fui não vi quase nada), lá resolvi ir, mesmo que sozinha.

Quinta da Regaleira
Palácio da Regaleira
A quinta é bem bonita, ou não estivéssemos no meio da belíssima serra de Sintra, com muito para ver e explorar. Deve ter muito mais piada se uma pessoa for acompanhada, mas mesmo sozinho é engraçado. Não existe um roteiro para nos guiar, mas dão-nos um mapa aquando da compra do bilhete, que custa 6€, para que uma pessoa não se perca. Existe também uma série de panfletos (7,50€) que falam um pouco sobre os locais mais emblemáticos e o significado de alguns dos elementos decorativos.

Quinta da Regaleira
Jardins
Não explorei tudo mas o palácio tem salas bastante interessantes e bonitas, com algumas paredes pintadas e tetos trabalhados, mas o melhor será todo o espaço dos jardins, com esculturas, fontes e as suas grutas. Confesso ser um pouco medricas pelo que quando me aventurei pelas grutas explorei apenas as mais pequenas e melhor iluminadas que iam ter ao Poço Iniciático. Comecei entrando pelo Portal dos Guardiães, desci metade do Poço e fui por outra gruta até ao Lago da Cascata. Queria continuar pelos restantes percusos subterrâneos mas não via um palmo à frente do nariz e a parte claustrofóbica em mim decidiu voltar para trás, para o Poço, e subir tudo até lá acima.

Quinta da Regaleira
Álea dos Deuses
Quinta da Regaleira
Poço Iniciático visto do
fundo
Quinta da Regaleira
Poço Iniciático visto de
cima
Como, mesmo tendo passado lá toda uma tarde, parece que ficou muito para ver, conto lá voltar com todo um dia pela frente e sobretudo com companhia. Talvez até experimente a visita guiada, coisa de que até não sou fã (ahah! oh para mim a falar contra mim mesma!) porque prefiro explorar e aprender ao meu ritmo, mas penso que aqui fará muito mais sentido ser acompanhada por quem já conhece bem o local.

Quanto ao teatro... Durante a tarde estava em exibição "Alice no País das Maravilhas" mas como a apanhei já ia a meio, estava de pé e um pouco cansada, e parecia-me tudo muito estranho (apanhei a parte dos cogumelos e realmente fiquei a pensar se o Lewis Carroll não teria tomado ou fumado alguma coisa quando escreveu a história) resolvi não ficar a ver. Mas deixem-me dizer que fiquei fã do ator que por lá andava a correr em saltos altos na gravilha, já que é um dom que eu não tenho (o mais certo é cair). Mas a peça que me interessava tinha lugar à noite e então com a minha companhia (esfomeada de travesseiros mas com as últimas queijadas da Piriquita) lá fomos ver a peça de Shakespeare "Romeu e Julieta".

A peça foi muito engraçada, sobretudo porque começa junto ao palácio e depois, como se o próprio público fizesse parte da peça, dirigimo-nos como que ao palácio dos Capuletos para uma festa. Mas esta é uma história trágica e foi tão bem representada! A início fez-me confusão ouvir o texto em português, mas diga-se que a tradução pareceu-me excelente, conseguindo mesmo rimar. Já agora, não tinha a noção de que fosse tão brejeira mas gostei e dá para perceber como Shakespeare agradava a gregos e troianos. Também me fez confusão mas habituei-me a ver duas Julietas, sendo que uma delas dava ideia de ser como que a consciência da protagonista.

Achei que os atores fizeram um trabalho magnífico, com 2 ou 3 a interpretarem duas personagens. O facto de as personagens femininas (com excepção da Julieta), serem interpretadas por atores masculinos também teve a sua piada, lembrando que era assim que acontecia na altura de Shakespeare. Para mim os que desempenharam Mercutio e Páris/Teobaldo foram os melhores, mas todos mereceram os aplausos. Alguns dos atores estavam com lágrimas nos olhos no final, se tal se deveu à emoção do texto ou à receção do público não faço ideia mas os aplausos foram realmente muito merecidos. Foi fantástico!

Parece que não é a primeira vez que fazem peças de Shakespeare na Regaleira, que diga-se parece ser um cenário fantástico para qualquer peça de teatro. Espero que façam mais vezes, Shakespeare, Lewis Carroll ou qualquer outro autor e peça, que se depender de mim tentarei ir ver. Foi a primeira vez que vi teatro sem ser uma peça escolar ou no âmbito escolar, o que é verdadeiramente triste eu sei, mas adorei, ainda para mais sendo ao ar livre ("Shakespeare in the Park" xD ), e conto fazê-lo mais vezes.

3 comentários:

Iceman disse...

Sou um amante de Sintra e já visitei tudo o que há para visitar por diversas vezes.
A Quinta da Regaleira tem uma história muito antiga. Na posse dos templários, foi um local de culto da ordem e uma das suas primeiras bases em Portugal.
Actualmente a Quinta está de acordo com as modificações efectuadas por António Monteiro (o mesmo que criou o zoo de Lisboa), foi por ele que hoje em dia temos toda aquela beleza.
Deves ter também notado dos imensos sinais esotéricos que por lá abundam, inclusivamente as próprias cavernas que vão desembocar no poço são alusivas ao inferno de Dante.
Enfim, uma das maiores belezas de Portugal.

Dulce Morais disse...

Não conheço Sintra e não sabia que era possível assistir a peças de Shakespeare. Assim que possível, irei dar uma volta e assistir!
Obrigada por partilhar.

WhiteLady3 disse...

Iceman, sim li sobre isso da influência da Divina Comédia e mesmo d'Os Lusídadas no que ao Poço Iniciático diz respeito. :) Também gostei bastante da capela e desconhecia a lenda do D. Fuas Roupinho. Não tinha a noção de que a construção fosse tão recente, finais do séc. XIX e inícios do XX, pensei que datasse de um século antes. O_o

Dulce, Sintra é linda! Só posso aconselhar a visita. No que toca ao Shakespeare, acho que estão lá até setembro ou outubro. Neste site podes encontrar mais informação. :)

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