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8 de abril de 2014

Neverwhere [áudio-livro]

Autor: Neil Gaiman | Vozes: James McAvoy, Natalie Dormer, Benedict Cumberbatch
Ficção | Género: fantasia
Editora: BBC | Ano: 2013 (originalmente publicado em 1996) | Formato: áudio-livro | Nº de páginas: | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: a 24 de fevereiro, porque estava de folga e com um monte de tarefas por fazer em casa.

Opinião: Será possível eu gostar de um autor, das suas ideias e sentido de humor, mesmo das suas histórias até que aparentemente chegam a um ponto em que parece que falta algo para realmente as adorar, mas não gostar de o ler? É que o que tenho lido não me tem agradado por aí além, mas dêem-me filmes ou versões áudio, completas ou adaptações como neste caso, e parece que adoro! Ok, o American Gods tenho realmente de ler porque sinto que tendo ouvido a espaços houve coisas que perdi, mas começo a ter algum receio de pegar na edição física deste.

Como disse, esta versão trata-se de uma adaptação, por Dirk Maggs, e acompanhamos Richard Mayhew, com a fantástica voz do James McAvoy *suspiro*, que se vê arrastado para uma Londres alternativa. É interessante descobrir aquela London Below e apesar de, mais uma vez, a história não ter assim um rumo tão surpreendente, o (neste caso) ouvinte não consegue deixar de se sentir deslocado, como o protagonista, quando regressa ao mundo dito normal e ao seu dia-a-dia e a ansiar pelo que foi deixado para trás, naquele mundo estranho e com modos estranhos, mas que por momentos foi a coisa mais real que existiu.

A adaptação pareceu-me bem conseguida, ainda que algo apressada, e é sobretudo por isto que quero (e temo) ler o livro. Quero voltar a perder-me e conhecer ainda mais aquele mundo entre lacunas(?) da realidade, por onde desaparecem tantos outros. Mas e o medo de não tornar a ficar fascinada? A sério Gaiman, qual é o nosso problema?! De qualquer modo, dizia que pareceu-me bem conseguida e gostei muito da prestação dos diversos autores que deram voz às personagens, sobretudo de Natalie Dormer. Sinceramente, não vou à bola com a cara de enjoadinha dela (a Ana é que a descreve bem, mas de momento esqueci-me da expressão), irrita-me mesmo de maneira a pensar que realmente ela está bem para o Joffrey e o perder a cabeça como Ana Bolena foi mais que merecido, mas aqui a sua performance surpreendeu-me pela positiva. Conclusão, penso que o mal é mesmo a cara da moça. :D

E acho que é isto. Eu bem tento tirar as teimas com o Gaiman, mas a coisa está complicada. Gosto ou não gosto? Entusiasma ou aborrece?... Acho que nunca tive uma relação assim com um autor. :/

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

7 de maio de 2012

The Red Necklace (French Revolution, #1) [áudio-livro]

Autor: Sally Gardner | Narrador: Tom Hiddleston
Ficção | Género: fantasia histórica
Editora: Orion | Ano: 2007 | Formato: áudio-livro | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 30/abr/2012 a 1/maio/2012. Ia passar o dia em limpezas e outras tarefas domésticas e pareceu-me que seria interessante. *assobia inocentemente* Conta para o desafio: Book Bingo - Áudio-livro.


Opinião: Devo dizer que não fosse pelo narrador, provavelmente nunca teria lido este livro. *regrets nothing* E deixem-me dizer que este áudio é uma festa de sotaques. A fangirl em mim delirou com tanto sotaque (sim, tenho uma panca por sotaques ingleses, deixai-me!) e com a voz do Tom Hiddleston. *suspira* No geral, a narração pareceu-me bem conseguida, apesar de ter achado que houve uma personagem que a meio mudou de sexo e por isso de tom de voz. O_o

Este áudio conta a história de Yann, um jovem rapaz de 14 anos que atua com um anão e um ilusionista. O truque que o trio costuma apresentar (cada qual executando a sua parte) envolve um autómato que se mexe sem quaisquer fios ou maquinismo, que revela o que as pessoas escondem no seu íntimo e adivinha o futuro, além de o ilusionista ser capaz de sobreviver a um disparo. Devido ao sucesso dos seus espetáculos, são contratados pelo conde Kalliovski para atuarem numa festa. Mas este parece ter algo na manga e ao ser reconhecido pelo ilusionista e pelo anão, resolve matá-los para que o seu segredo não seja descoberto. No entanto, para além da morte do ilusionista no palco às mãos de Kalliovski, a noite traz outra surpresa desta feita na voz de Yann através do autómato, anunciando a Revolução Francesa.

A história agarrou-me desde o início, pareceu-me bastante interessante ainda que previsível nalguns pontos, mas a meio pareceu-me que não fluía tão bem, com mudanças abruptas entre pontos de vista de personagens e mesmo com as coisas a passarem-se depressa. Parece-me que esta é uma abridged version pelo que tal coisa talvez se deva a cortes no texto. Também me pareceu que faltava algo conforme a história foi seguindo. Não consigo dizer o quê, mas parece que o fascínio foi desaparecendo. O início prometia magia e por alguns momentos consegui senti-la, mas depois essa magia, esse encantamento foi-se desvanecendo. Talvez esperasse ver o talento de Yann e Tattoo mais aprofundados, pois a ideia de fios de magia é engraçada (fez-me lembrar a série Study e mesmo o primeiro livro da trilogia das Joias Negras) mas infelizmente é abordado superficialmente e quase a despachar, pelo que vemos muito pouco de tal magia.

As personagens também não são muito aprofundadas, apesar de ser impossível não gostar de Sido ou de odiar o seu pai e o vilão da história. A sério, não gostaria de encontrar o conde Kalliovski à frente, só o lema “Show no mercy, have no mercy” me arrepiava, e confesso que fiquei com algum temor de encontrar um colar vermelho. Yann também é uma personagem agradável de seguir mas houve momentos, sobretudo quando se exaltava, em que me parecia estar um pouco out of character. O_o O romance é fofo, apesar de achar um pouco recambulesco a ideia de dois jovens se apaixonarem perdidamente aos 14 anos tendo-se visto numa única noite. *eye roll* A Revolução Francesa como pano de fundo também dá um certo colorido, por assim dizer, à história sendo muito bem conseguido, a meu ver, o alheamento do pai de Sido a tudo o que estava a acontecer.

É considerado um livro para crianças mas gostei de o ler e vejo-me a relê-lo. Mais não seja pelo vilão. Parece que os vilões das histórias para crianças são sempre melhores. Alguns há que em vez de vilões parecem que servem é para comic relief ou são tão maus apenas para serem maus e acabam por não impor temor nenhum. Não é preciso serem muito aprofundados, uma atmosfera de mistério e macabro, de não olhar a meios para atingir fins e sede de poder conseguem ter o efeito desejado, pelo menos em mim.

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso. Mas parece-me perto de um Vale o dinheiro gasto pois acabou por ser uma leitura bem mais interessante do que estava à espera (mais vai daí, tudo é mais interessante quando se anda a fazer tarefas domésticas) e estou a pensar seriamente a adquirir tanto o livro como o volume seguinte.

Há de seguir-se: muito provavelmente Cranford de Elizabeth Gaskell

7 de março de 2012

Curtas: American Gods [áudio-livro], Hallowed (Unearthly, #2) [e-book]

Título: American Gods [áudio-livro]
Autor: Neil Gaiman, lido por George Guidall
Ficção | Género: Fantasia
Editora: Recorded Books | Ano: 2001 | Formato: áudio-livro | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 07/out/2011 a 27/fev/2012. Ia começar um projecto de ponto cruz, que se encontra parado há meses (eu sei, sou preguiçosa), pelo que precisava da companhia de um áudio-livro.


Opinião: Este é um daqueles que devia ler em vez de ouvir. Como só me dedicava quando tinha tarefas domésticas para fazer, e mesmo assim quando estava para aí virada, porque andei uns tempos em que apetecia-me era aspirar a ouvir música, senti que perdi muito da história. Houve mesmo partes, geralmente no início dos capítulos, salvo erro, que se focavam mais em determinados deuses e que não percebi que sentido tinham ou como contribuíam para a história principal. :/

No entanto, achei uma história interessantíssima, só a ideia de deuses a viver entre nós é algo que merece a minha atenção, e foi o primeiro livro do Gaiman que realmente me surpreendeu. Houve uma parte *face palm* em que se tivesse prestado mais atenção tinha percebido quem era o amigo de Shadow na cadeia (foi mesmo daquelas coisas estúpidas em que é necessário alguém apontar o óbvio), mas houve outra reviravolta que realmente me deixou de boca aberta.

Este áudio teve como bónus uma entrevista com o autor, que adorei e fiquei com curiosidade em ler mais coisas dele, sobretudo Coraline, mas o livro é para reler, com calma. Merece. :)

Veredito: Vale o dinheiro gasto. 

Título: Hallowed (Unearthly, #2) [e-book]
Autor: Cynthia Hand
Ficção | Género: Fantasia urbana
Editora: HarperCollins | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 26/fev/2012 a 29/fev/2012. Gostei tanto do primeiro que tinha de ler a continuação. Conta para o desafio: Book Bingo - Livro noutra língua.


Opinião: Não esperava gostar tanto desta série, mas o certo é que assim que pego num livro, só quero lê-lo até ao fim e se pudesse lia a continuação logo a seguir.

Achei este livro mais previsível que o anterior, sobretudo no que toca à pessoa próxima de Clara que tem a morte a pender-lhe sobre a cabeça e ao propósito do irmão, mas há ainda algumas revelações (uma ou outra tirada das mangas, como acontece com o pai de Clara) e o mundo destes anjos está desenvolvido de forma interessante (apesar de ficar de pé atrás com a quantidade de anjos que há num único lugar). Há questões que ficam por responder, como o papel do Asa Negra nisto tudo (apesar de eu ter uma pequena desconfiança), e claro que quero ver como é que a vida amorosa de Clara ficará depois dos acontecimentos deste livro.

Achei o primeiro bem mais interessante e fofo que este, mas algumas partes tocaram-me bastante e identifiquei-me com a personagens em algumas situações. Pareceu-me uma boa continuação.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

6 de abril de 2011

Shadow Kiss (Vampire Academy, Livro 3) [áudio-livro]

Autor: Richelle Mead; Khristine Hvam (narradora)
Género: fantasia
Editora: Penguin Group USA and Audible | Nº de páginas: -

Resumo (do site Goodreads): Is Rose's fate to kill the person she loves most? It's springtime at St. Vladimir's Academy, and Rose Hathaway is this close to graduation. Since Mason's death, Rose hasn't been feeling quite right. She has dark flashbacks in the middle of practice, can't concentrate in class, and has terrifying dreams about Lissa. But Rose has an even bigger secret... She's in love with Dimitri. And this time, it's way more than a crush.

Then Strigoi target the academy in the deadliest attack in Moroi history, and Dimitri is taken. Rose must protect Lissa at all costs, but keeping her best friend safe could mean losing Dimitri forever...


Opinião: Depois de um primeiro volume prometedor mas previsível e um segundo algo fraquinho, não fazia contas de ler este livro. No entanto, ao ler a crítica da Silent Raven fiquei curiosa (fantasmas? final surpreendente?) e lá arrisquei. Confesso, estou fã! Esta série tornou-se um guilty pleasure!

Depois dos acontecimentos do volume anterior, Rose tem de lidar com os seus fantasmas, literalmente, enquanto se prepara para acabar a sua formação e assiste ao julgamento de Viktor Dashkov. Claro que as coisas não são fáceis para Rose, e se a personagem irritava-me um pouco a início, neste volume gostei bastante dela.

Rose surge como uma personagem real, com dilemas reais ainda que seja uma personagem de ficção num mundo fantástico. Ela cresce neste livro a olhos vistos e a sua relação com as restantes personagens evolui de maneira credível, seja com Dimitri, Lissa ou a sua própria mãe. Ainda tem aquele tipo de humor que a caracteriza, e de que já tinha gostado anteriormente, mas aprende a seguir ordens (aliás, ela é treinada para isso) e torna-se mais ponderada. Rose cresce bastante interiormente, crescimento esse que a leva a perceber que ela pode controlar a sua vida, apesar de toda a sua formação apontar para um sacrifício em favor dos moroi, ela tem escolhas e é obrigada a fazer uma escolha muito difícil no final. E que final... Deixou-me de boca aberta, à beira das lágrimas (é verdade, às vezes dá-me para ser sensível) e com vontade de pegar imediatamente no próximo volume. No que toca à história deste, ficamos a conhecer mais um pouco da mitologia da autora, nomeadamente como o espírito é usado e como funciona a sociedade em que Lissa se irá mover, e o enredo já não é tão previsível como os anteriores, o que não me levou ao desespero (ou constante revirar de olhos).

Sinceramente não sei o que mais dizer deste livro. Simplesmente adorei-o. Nunca pensei dizer isto desta série mas... estou a gostar e recomendo!

Vale o dinheiro gasto: É o primeiro volume da série em que acho que vale a pena investir o dinheiro. Os dois primeiros são muito previsíveis e a personagem parece um pouco burra, já que o leitor consegue antecipar o final a quilómetros, mas tal não acontece neste o que o torna bastante mais agradável. O final de facto surpreendeu-me, e é daquelas surpresas boas que nos deixam a arrancar cabelos enquanto esperamos pela continuação.

27 de outubro de 2010

Frostbite (Vampire Academy, Livro 2) [áudio-livro]

Autor: Richelle Mead; Khristine Hvam(narradora)
Género: fantasia
Editora: Penguin Group USA and Audible | Nº de páginas: -
Nota: 2/5

Resumo (do site Goodreads): Rose loves Dimitri, Dimitri might love Tasha, and Mason would die to be with Rose...

It's winter break at St. Vladimir's, but Rose is feeling anything but festive. A massive Strigoi attack has put the school on high alert, and now the Academy's crawling with Guardians - including Rose's hard-hitting mother, Janine Hathaway. And if hand-to-hand combat with her mom wasn't bad enough, Rose's tutor Dimitri has his eye on someone else, her friend Mason's got a huge crush on her, and Rose keeps getting stuck in Lissa's head while she's making out with her boyfriend, Christian! The Strigoi are closing in, and the Academy's not taking any risks... This year, St. Vlad's annual holiday ski trip is mandatory.

But the glittering winter landscape and the posh Idaho resort only create the illusion of safety. When three friends run away in an offensive move against the deadly Strigoi, Rose must join forces with Christian to rescue them. But heroism rarely comes without a price...


Opinião: Depois do primeiro volume, esperava que este também me surpreendesse de alguma forma mas infelizmente não o fez. Para começar, fez-me alguma confusão a narradora ter sido substituída, já que Stephanie Wolfe havia feito um trabalho excepcional no volume anterior, sobretudo no que tocava a representar as diferentes personagens indo ao ponto de variar sotaques conforme a nacionalidade de cada uma. Por exemplo, com personagens russos, tínhamos um sotaque russo. Isto, parecendo que não, fez uma grande diferença ao seguir a história. Neste áudio-livro, as personagens pareciam muito semelhantes.

Para além disso a história, apesar de uma sinopse algo apelativa, já que prometia confrontos com os tão temidos strigoi, conseguiu ser ainda mais previsível que a anterior. Mas isto não é tudo, já que a personagem Rose continua a deixar algo a desejar. É verdade que cresce um pouco mas é impressionante como consegue ser tão cega quando a resposta a algumas questões está mesmo na frente dela. O único ponto positivo deste livro, a meu ver, é descobrirmos um pouco mais sobre o quinto elemento, o espírito, que faz então parte da magia dos moroi e que mais moroi, para além de Lissa, o têm apesar de não o compreenderem em pleno, já que até ao volume anterior era desconhecido.

Apesar de muitos furos abaixo do anterior, ainda assim entretém numa tarde aborrecida a fazer variadas tarefas domésticas mas não me parece que vá continuar a seguir esta série.

9 de outubro de 2010

Vampire Academy (Vampire Academy, Livro 1) [áudio-livro]

Autor: Richelle Mead; Stephanie Wolfe (narradora)
Género: fantasia
Editora: Penguin Group USA and Audible | Nº de páginas: -
Nota: 3/5

Resumo (do site Goodreads): St. Vladimir’s Academy isn’t just any boarding school — it’s a hidden place where vampires are educated in the ways of magic and half-human teens train to protect them. Rose Hathaway is a Dhampir, a bodyguard for her best friend Lissa, a Moroi Vampire Princess. They’ve been on the run, but now they’re being dragged back to St. Vladimir’s — the very place where they’re most in danger...

Rose and Lissa become enmeshed in forbidden romance, the Academy’s ruthless social scene, and unspeakable nighttime rituals. But they must be careful lest the Strigoi — the world’s fiercest and most dangerous vampires — make Lissa one of them forever.


Opinião: Confesso-me surpreendida por este título. Esperava algo como o cruzamento da Saga Luz e Escuridão com a série Casa da Noite (da qual só li um capítulo do primeiro livro e não me cativou), mas deparei-me com uma coisa bastante diferente e, até certo ponto, agradável.

Para começar os pontos positivos. Gostei bastante do mundo vampírico que a autora apresenta, com dampiros e dois tipos de vampiros: os moroi, os vampiros bons e vivos, e os strigoi, os vampiros maus e mortos-vivos. Acompanhamos uma dampira que frequenta a Academia de St. Vladimir, onde é educada para proteger os moroi, que frequentam a mesma escola. A nossa dampira, Rose, tem como amiga uma princesa moroi, Lissa, mas há mais a ligá-las que a amizade. Rose consegue sentir Lissa devido a um estranho laço que as une e que faz de Rose a guardiã perfeita para Lyssa, já que os strigoi querem matar os moroi e só os dampiros podem proteger aqueles que, apesar de terem magia, acham que o melhor ataque é a defesa.

Basicamente gostei da ideia mas a personagem principal consegue ser irritante (afinal de contas é uma adolescente com hormonas aos saltos) e a história é previsível. Tirando a construção deste mundo, a partir do momento em que percebemos o que realmente está em jogo, conseguimos antever o final a quilómetros do final do livro e torna-se um pouco exasperante quando a heroína não o consegue fazer.

Não deixa de ser uma leitura que entretém. Já há algum tempo que não ouvia áudio-livros mas penso que foi uma boa escolha. Leitura leve e agradável para uma tarde passada a fazer variadas tarefas domésticas.

10 de março de 2010

Blood and Chocolate [áudio-livro]

Autor: Annette Curtis Klause; Alyssa Bresnahan (narradora)
Género: fantasia urbana
Editora: Digital Audio | Nº de páginas: -
Nota: 1/5

Resumo (do site Goodreads): Sixteen-year-old Vivian Gandillon is trying to fit in to her new home in the suburbs, which isn’t easy since she and her family are werewolves. When she falls in love with a human, she must sort out her loyalties.

Opinião: Tenho de começar a ler mais críticas e informações antes de partir para a leitura de alguns livros, e muito menos devo basear as minhas ideias em trailers de filmes. Ao pegar neste áudio-livro pensei que ia encontrar uma coisa bastante diferente do que acabei por encontrar: um género Crepúsculo com lobisomens.

Tomei conhecimento desta obra ao cruzar-me com os trailers do filme, pelo que esperava que fosse algo do género Underworld, mas estava enganada. As personagens não são adultas, como dava a entender o filme, mas antes adolescentes, sendo que seguimos a história de Vivian, uma “lugaru” ou lobisomem (ou será lobimulher?) que se apaixona por um humano. Vemos então a sua luta interior já que se deseja ser normal, ela também não consegue colocar de lado a sua natureza animal que a faz sentir-se livre e bela. Isto até podia ser interessante, não fosse a maneira como a história é conduzida.

Quase todo o livro se centra na sua paixão por Aiden e na típica vida de adolescente, não sendo por isso de estranhar que a personagem seja egocêntrica e arrogante. Vivian fala de como é difícil ser o que é, de como gostaria de se mostrar a Aiden. Desta maneira o livro arrasta-se suscitando pouco interesse. Quando se decide revelar, Aiden não tem a reacção que ela estava à espera (felizmente nem toda a gente é como a Bella “és um ser que me quer matar de modo a deleitares-te no meu sangue, isso é tão fixe e agora estou irremediavelmente apaixonada por ti!!!”) e apesar de tudo ela não desiste dele e torna-se quase numa stalker, sendo que chega a entrar e parte o quarto da moça pela qual Aiden começa a interessar-se. Aqui não é presa porque o recém-eleito chefe da matilha, Gabriel (que havia andado enrolado com a mãe de Vivian mas que mostra também interesse na protagonista), lhe fornece um álibi dizendo à polícia que ele, um homem de 24 anos, estava com ela, uma jovem de 16/17 anos, a fazer muito barulho que o vizinho debaixo pode confirmar (pelo que subentendo que ele estava a querer dizer que estiveram a fazer sexo a noite toda) e a polícia vai-se embora. Ao ler esta parte ocorreram-me as palavras creepy e pedofilia! Yuck também me veio à cabeça.

Mas isto não é tudo, já que também começam a aparecer vítimas de lobos, pelo que a matilha, temendo pela sua segurança, decide investigar. Claro que Vivian sente-se como sendo a causa dessas mortes, até porque não se lembra muito bem do que fez nas noites em que as mortes ocorreram, e decide pôr termo à própria vida até que aparece o príncipe encantado, não num cavalo branco mas dentro de pele de lobo, que a salva da fogueira. Ou seja, de um momento para o outro o tipo que ela desprezava é aquele que a completa e fazem sexo (ao estilo BDSM) como nunca fizeram antes…

Pergunto-me como é que consegui ouvir este áudio-livro até ao fim.

8 de fevereiro de 2010

Confessions of a Jane Austen Addict [áudio-livro]

Autor: Laurie Viera Rigler; Orlagh Cassidy (narradora)
Género: chick lit
Editora: Penguin Audio | Nº de páginas: -
Nota: 1/5

Resumo (do site Goodreads): In this Jane Austen-inspired comedy, love story, and exploration of identity and destiny, a modern L.A. girl wakes up as an Englishwoman in Austen's time.

Opinião: Não sei o que me passou pela cabeça para ler este livro, já que as críticas, como a da Ana O., eram negativas. Talvez entusiasmada pelo Austenland, esperava que o áudio-livro fosse mais interessante. Mas como estava enganada.

Uma bela manhã Courtney Stone acorda não na sua cama, mas em plena Inglaterra no início do séc. XIX. Sem saber bem o que terá acontecido Courtney, cuja autora favorita é Jane Austen e tendo lido e relido os livros da autora inúmeras vezes, tenta adaptar-se ao que a rodeia e levar a vida que lhe é apresentada, esperando regressar, de qualquer maneira, ao séc. XXI.

Isto até poderia tornar-se numa história interessante mas a protagonista revela-se algo estúpida, sobretudo na parte em que conhece Jane Austen, e não pára de se queixar ao longo de todo o livro: de como o seu namorado a traiu, em como o amigo do namorado é que afinal era bom, como os vestidos lhe assentam sobretudo no peito, como as condições de higiene são deploráveis, como ela não é quem pensam ser… Bah! Irritante, irritante, irritante. Só me apetecia dar-lhe um valente par de estalos para ver se deixava de irritar e de se queixar.

As personagens são a coisa mais básica que há, não faltando a cópia barata do Mr. Darcy para ajudar à (triste) festa, a história é aborrecida e até a narradora enfada. O final abre caminho para o próximo livro, Rude Awakenings of a Jane Austen Addict, mas quer-me parecer que tão cedo não lhe vou pegar (se é que alguma vez o pretenda fazer). A sério, a única coisa de bom que tirei deste livro foi o facto de me ter acompanhado numa tarde em que tinha uma bela pilha de roupa para passar e a casa para arrumar, caso contrário dava o tempo que gastei a ouvir este livro por perdido.

1 de janeiro de 2010

Austenland [áudio-livro]

Autor: Shannon Hale; Katherine Kellgren (narradora)
Género: chick lit
Editora: Renaissance Press | Nº de páginas: -
Nota: 3/5

Resumo (do site Goodreads): Jane is a young New York woman who never seems to find the right man – perhaps because of her secret obsession with Mr. Darcy, as played by Colin Firth in the BBC adaptation of Pride and Prejudice. When a wealthy relative bequeaths her a trip to an English resort catering to Austen-obsessed women, however, Jane’s fantasies of meeting the perfect Regency-era gentleman suddenly become more real than she ever could have imagined. Is this total immersion in a fake Austenland enough to make Jane kick the Austen obsession for good, or could all her dreams actually culminate in a Mr. Darcy of her own?

Opinião: De tempos a tempos, Jane Austen ganha um novo protagonismo na cena literária, seja por os seus livros ou a sua vida serem adaptados, de forma algo constante, ao pequeno e grande ecrã ou por serem alvo de revisões que lhes juntam zombies ou monstros marinhos. Agora parece também existir um nicho na chick-lit com histórias que mostram como esta autora pode mudar algumas vidas. Já havia lido (e visto) The Jane Austen Book Club e depois de ler a crítica da Slayra a este livro não podia deixar de o ler, ainda que apenas para ver a protagonista
a andar de um lado para o outro em vestuário do século XIX.


Jane é então uma jovem na casa dos 30 e quase tudo o que qualquer mulher pode desejar, faltando-lhe apenas um namorado. Não que nunca os tenha tido, mas as suas relações nunca conhecem um final feliz, muito devido à sua obsessão por Mr. Darcy tal como ele é representado por Colin Firth. Uma tia, sabendo então disto, deixa-lhe em testamento umas férias pagas numa estância que retrata a Inglaterra dos livros de Austen, onde não faltam os cavalheiros para satisfazer o desejo de cada mulher encontrar o seu herói Austen preferido.

Na minha opinião, a protagonista é, quanto muito, obcecada pelo actor pois de outra maneira algumas coisas não lhe aconteceriam. Nunca chegamos a perceber bem o fascínio que Darcy exerce sobre ela (ou então sou apenas eu que não entendo, até porque ele não é meu herói preferido) e não posso deixar de culpar a protagonista por alguns dos romances fracassados, em que ela se atira quase de cabeça sem muitas vezes conhecer bem as pessoas. Além disso é um pouco irritante e repetitiva, com tanto lamento por ninguém gostar dela e decide então mergulhar no mundo Austen, mas depois quer algo real mas é melhor então mergulhar no mundo Austen, mas ninguém gosta dela… e por aí em diante. Felizmente, também é divertida a espaços e foi isto que me fez dar esta nota. Confesso que se tivesse lido talvez não achasse muita piada a certas ocasiões, mas tendo desfrutado desta obra no formato áudio ri bastante em determinadas partes, muito devido à narradora que soube dar a ênfase necessária a algumas expressões. Lembro-me, por exemplo, do momento em que sobressaltada Jane descobre a sua veia ninja ou o “Wooo!” quando se sente disputada por dois homens.

Em termos de desenvolvimento das personagens, só a protagonista se mostra convenientemente desenvolvida. As restantes são estereótipos ou uma cópia barata dos heróis de Austen, onde ficamos sem conhecer os motivos que os levam a agir e ficamos mesmo sem saber se são o que parecem. Quanto à história, é exactamente o que se espera de um livro destes e aconselho com algumas reservas, talvez para um daqueles dias em que se deseja algo leve e engraçado.

28 de dezembro de 2009

The Chronicles of Narnia [áudio-livro]


Autor: C.S. Lewis; Maurice Denham & Cast (narradores / dramatização)
Género: fantasia
Editora: BBC Audiobooks | Nº de páginas: -
Nota: 5/5

Resumo (do site Amazon.co.uk): The Chronicles of Narnia, by C.S. Lewis, is one of the very few sets of books that should be read three times: in childhood, early adulthood, and late in life. In brief, four children travel repeatedly to a world in which they are far more than mere children and everything is far more than it seems. Richly told, populated with fascinating characters, perfectly realized in detail of world and pacing of plot, and profoundly allegorical, the story is infused throughout with the timeless issues of good and evil, faith and hope.

Opinião: Tal como Harry Potter, já antes tive oportunidade de ler os livros, seguindo a cronologia de Nárnia, mas deparando-me com esta colecção em formato áudio, decidi-me então a “lê-los”, desta vez, por ordem de publicação. Só uma curiosidade, esta colecção apresenta-nos uma dramatização bem conseguida destes livros, cortesia da BBC, com todo um elenco a fazer as vozes e com efeitos sonoros. Já havia ouvido uma dramatização de um livro de Agatha Christie, e sinceramente não sei o que será melhor: um narrador que conta a história palavra por palavra como vem no livro, ou a história dramatizada? Adoro ambas!

The Lion, the Witch and the Wardrobe – este é o primeiro livro desta saga escrita por C.S. Lewis, sendo, no entanto, o segundo volume se for seguida a cronologia de Nárnia, terra para a qual Lucy, Edmund, Susan e Peter viajam depois de encontrarem um estranho armário. Aí deparam-se com lendas antigas que dizem que dois filhos de Adão e duas filhas de Eva derrotarão a Bruxa Branca que enfeitiçou Nárnia de modo a que seja sempre Inverno mas nunca Natal. É considerado um dos melhores livros da saga, mas confesso que não é dos meus preferidos. É sem dúvida um livro mais orientado para o público infantil mas não deixa de ser interessante de ler, deliciando a criança que há dentro de cada um de nós. – 4/5

Prince Caspian – segundo livro a ser escrito, mas é o quarto seguindo a cronologia de Nárnia. Caspian é um jovem príncipe, o herdeiro do trono de Nárnia, mas por ser muito novo é o seu tio Miraz que governa. Mas Miraz quer ser mais que Regente, quer ele próprio ser rei e que seus filhos o sucedam pelo que Caspian é obrigado a fugir. Tendo sido criado ouvindo as lendas da Velha Nárnia, Caspian junta-se aos animais falantes e a todas as criaturas que antes habitavam a Velha Nárnia para recuperar o seu trono. Mas conta também com a ajuda dos Reis de Outrora, que chama com a trompa mágica de um daqueles. É assim que os quatro irmãos Lucy, Edmund, Susan e Peter regressam a Nárnia para mais uma aventura. Mais um bom livro, em que percebemos que algumas personagens “crescem” e, por isso, a percepção de Nárnia torna-se um pouco diferente. Aqui surge também uma das minhas personagens favoritas, o pequeno Reepicheep. – 4/5

The Voyage of the Dawn Treader – terceiro seguindo a ordem de publicação, quinto segundo a cronologia de Nárnia. Lucy e Edmund voltam a encontrar-se com Caspian, desta vez não em Nárnia mas a bordo no navio “Dawn Treader”, e levam o seu primo Eustace atrás, uma criança insuportável. A história leva todas as personagens a grandes aventuras, sendo Eustace e Reepicheep protagonistas de algumas das mais entusiasmantes. Este é um dos meus livros preferidos desta saga, sobretudo pelo crescimento de Eustace (cuja história não deixa de ser um pouco semelhante à de Edmund no livro The Lion, the Witch and the Wardrobe) e pela bravura de Reepicheep. – 5/5

The Silver Chair – quarto livro a ser publicado, sexto dentro da cronologia de Nárnia. Conta, mais uma vez, com Eustace que viaja para Nárnia não na companhia dos primos mas de Jill Pole, sua colega da escola e que é incumbida de uma tarefa por Aslan: deve lembrar-se das suas indicações para salvar o príncipe Rilian. Este não foi dos meus livros preferidos quando o li, mas gostei bastante desta versão áudio, parece que visualizei melhor a história e as situações, para além de sentir que também eu os acompanhava assim como ao Marsh-wiggle Puddlegum, que nesta versão não se tornou tão maçador, antes pelo contrário. – 5/5

The Horse and His Boy – quinto livro publicado, é o terceiro na cronologia de Nárnia. Este é capaz de ser o livro que menos gosto nesta saga, apesar de nos apresentar uma outra cultura, os Calormen. Se Nárnia se parece com o Jardim do Éden e representa o Cristianismo, sendo o expoente Aslan e o Imperador de Além-mar, Cristo Filho e Deus Pai, penso que se pode dizer que os Calormen representam o Islamismo. Os protagonistas são o Cavalo Bree, que tenta fugir dos Calormen que o terão “escravizado”, e o seu rapaz Shasta, que descobre ter sido adoptado. Na fuga, encontram Aravis e Hwin com o mesmo destino, Nárnia, mas percebem que para lá chegarem e poderem viver em liberdade, têm de impedir que os Calormen conquistem Archenland, uma terra entre Nárnia e Calormen. – 4/5

The Magician’s Nephew – sexto segundo a ordem de publicação, primeiro na cronologia de Nárnia. Este é talvez o meu livro preferido. Aqui conhecemos Digory Kirke e Polly Plummer, mas também Jadis, a Bruxa Branca. Acompanhamos os 3 enquanto observam o fim de um mundo e a criação de um outro, Nárnia. Acho que este é o mais mágico, se assim posso dizer, de todos estes livros e adorei, à semelhança do que acontecera em O Silmarillion de Tolkien, amigo de C.S. Lewis, que o mundo e todos os seus seres tenham sido criado através de música. É sem dúvida aquele em que mais se sente a conexão entre esta saga e a religião cristã. – 5/5

The Last Battle – último a ser publicado e é também o último volume da saga seguindo a cronologia de Nárnia. Aqui todos os protagonistas dos livros anteriores, à excepção de Susan, voltam a encontrar-se sentindo que algo se passa em Nárnia. Apenas Jill e Eustace conseguem viajar para Nárnia, onde ajudam então o rei Tirian a desmascarar o macaco Shift, que entretanto havia ganho apoio dos Calormenes. Dá-se então uma grande batalha, como o nome indica, e o fim de Nárnia. Ou será mesmo o fim? – 5/5

Conclusão, adorei tal como já tinha adorado da primeira vez que li estes livros. Não é necessário lê-los por nenhuma ordem específica, embora recomende a leitura seguindo a cronologia de Nárnia, pois acho que as histórias se tornam mais apelativas. A semelhança com a religião cristã é perceptível em vários pontos, mas que isso não impeça as pessoas de os lerem pois as histórias são magníficas e fizeram sentir-me uma criança outra vez.

15 de novembro de 2009

Harry Potter and the Deathly Hallows (Harry Potter, Livro 7) [áudio-livro]

Autor: J.K. Rowling; Stephen Fry (narrador)
Género: Fantasia
Editora: Bloomsbury Publishing PLC | Nº de páginas: -
Nota: 5/5

Resumo (do site Amazon.co.uk):
“His hand closed automatically around the fake Horcrux, but in spite of everything, in spite of the dark and twisting path he saw stretching ahead for himself, in spite of the final meeting with Voldemort he knew must come, whether in a month, in a year, or in ten, he felt his heart lift at the thought that there was still one last golden day of peace left to enjoy with Ron and Hermione.”
With these words Harry Potter and the Half-Blood Prince draws to a close. And here, in this seventh and final book, Harry discovers what fate truly has in store for him as he inexorably makes his way to that final meeting with Voldemort. In this thrilling climax to the phenomenally bestselling series, J.K. Rowling will reveal all to her eagerly waiting readers.

Opinião: Mais uma vez, a segunda vez, chego ao fim desta saga. Tendo lido o outro à “relativamente” pouco tempo, pouco mais de dois anos, e tendo já deixado a opinião aqui não há nada mais a acrescentar excepto que, à semelhança dos restantes áudio-livros, Stephen Fry faz um excelente trabalho. Foi sem dúvida uma outra maneira de desfrutar de uma das melhores histórias que já tive o prazer de seguir. :D

25 de julho de 2009

Eu e os áudio-livros

Depois de ver este post da Miss Picky (Ana O.), achei que seria interessante (ou não) dar a conhecer a minha história com este formato literário.

Tudo começou no ano de 2006 com a série Sharpe e o actor Sean Bean. Lembro-me de ver uma mini-série de dois episódios na RTP, que não era mais que o último episódio, feito até aquela data (no ano passado foi feito um novo episódio), Sharpe's Challenge. Ora, eu não sou completamente indiferente ao Sean Bean e na época até andava a estudar o séc. XIX, pelo que fiquei curiosa. Mais curiosidade suscitou o facto de esta série ser baseada em livros de um autor do qual tinha ouvido muito bem, Bernard Cornwell. Da série televisiva até aos livros foi um salto. No entanto, a colecção de livros é bastante extensa e cá por casa o espaço é pouco, pelo que foi assim que tropecei, literalmente, nos áudio-livros desta colecção e narrados pelo célebre actor que deu corpo à personagem! Ouro sobre azul diria eu... Ouvi assim as versões condensadas do primeiro e do último volume da série, e não tardou muito até arranjar a maior parte dos restantes. Ainda não ouvi todos, mas diga-se que passei a adorar a época napoleónica (que até então pouco me interessava, aliás os séculos XVIII e XIX nunca foram do meu agrado até começar a ler romances históricos) e comecei a perceber tácticas militares...

Estes áudio-livros acompanharam-me então durante o trabalho final de curso, durante os dias que passava sozinha, num palácio a cair de podre, com a exausta tarefa de inventariar e descrever peças. A recepção do rádio não era a melhor, pelo que os áudio-livros conseguiram-me manter sã (se é que se pode chamar sã à minha mente...) e ajudaram a passar o tempo. No entanto, tanta guerra pode tornar-se algo enfadonho e assim parti para outros temas: os romances de Austen, que aconselho desde já excepto se lidos por senhoras com vozes monocórdicas ou lidos por homens (é simplesmente errado!!!); os thrillers de Dan Brown; os mistérios de Agatha Christie, que são ainda melhores quando narrados por todo um grupo, tipo novela radiofónica; e o mundo fantástico de Harry Potter. Mas se até acabar o curso, os áudio-livros serviam apenas para passar o tempo enquanto inventariava, descrevia ou desenhava peças, tudo tarefas bastante empolgantes, como se pode imaginar (not!), agora são também muito úteis quando desempenho outras tarefas igualmente aborrecidas, como quando estou a fazer limpezas e outras tarefas domésticas.

Convém avisar que há um certo risco ao fazer as tarefas domésticas e ouvir áudio-livros: não foram poucas as vezes que desatei a rir sozinha, o que levou os meus pais e irmão confirmarem as suas suspeitas de que sou doida, como parti alguns pratos e copos... Mas sem dúvida que recomendo, pena é haver pouca oferta em português.

24 de junho de 2009

Harry Potter and the Half-Blood Prince (Harry Potter, Livro 6) [áudio-livro]

Autor: J.K. Rowling; Stephen Fry (narrador)
Género: Fantasia
Editora: Bloomsbury Publishing PLC | Nº de páginas: -
Nota: 4/5

Resumo (do site Amazon.co.uk):
In a brief statement on Friday night, Minister for Magic Cornelius Fudge confirmed that He Who Must Not Be Named has returned to this country and is once more active. “It is with great regret that I must confirm that the wizard styling himself Lord - well, you know who I mean - is alive and among us again,” said Fudge.
These dramatic words appeared in the final pages of Harry Potter and the Order of the Phoenix. In the midst of this battle of good and evil, Harry Potter and the Half-Blood Prince takes up the story of Harry Potter’s sixth year at Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry, with Voldemort’s power and followers increasing day by day.

Opinião: Ansiosa pelo sexto filme, até porque agora é que parece que os filmes começam a ficar bons, já que adorei o quinto, o que não posso dizer do livro em que se baseou… Como dizia, ansiosa pelo sexto filme, não podia deixar de reler o livro. Confesso um pouco desapontada, nesta segunda leitura, mas ainda tinha alguns acontecimentos frescos na minha cabeça e, como li a primeira vez em inglês, esta releitura também não veio acrescentar mais piadas ou tornar mais claro certos acontecimentos, como aconteceu com os livros anteriores.

O livro volta a ser mais maduro e sombrio. Temos um início completamente diferente dos outros e mudanças no staff de Hogwarts que trouxe como que uma lufada de ar fresco. Gostei de não ter de aturar com tanta frequência o Hagrid, gostei do Slughorn e só tenho pena de não conhecermos mais das aulas do Snape. O livro é bastante mais interessante que o anterior, desvendando algumas informações sobre Snape, que é e sempre foi de longe a minha personagem preferida, e sobre Voldemort, mas também dando mais destaque a Malfoy que, de facto, nos últimos livros tinha permanecido apenas como uma sombra de todo o potencial que se lhe podia ter sido dado como antagonista escolar de Harry. Para além disto, sei que houve pessoas que não gostaram da inclusão das Horcruxes, mas eu adorei assim como adorei as várias visitas através do Pensatório ao passado de Tom Riddle. Nota-se claramente que Harry está um pouco mais crescido e que Dumbledore, depois de lhe contar toda a verdade, tudo o que lhe tinha omitido durante cerca de 5 anos, passa-lhe então o testemunho e todo o conhecimento que tem sobre Voldemort, já que antevê que não estará por perto muito mais tempo.

Um livro muito bom e que prepara os acontecimentos do derradeiro capítulo.

2 de maio de 2009

Harry Potter and the Order of the Phoenix (Harry Potter, Livro 5) [áudio-livro]

Autor: J.K. Rowling; Stephen Fry (narrador)
Género: Fantasia
Editora: Cover to Cover Cassettes Ltd | Nº de páginas: -
Nota: 3/5

Resumo (do site Amazon.co.uk):
Dumbledore lowered his hands and surveyed Harry through his half-moon glasses.
'It is time,' he said, 'for me to tell you what I should have told you five years ago, Harry. Please sit down. I am going to tell you everything.'
Harry Potter is due to start his fifth year at Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry. He is desperate to get back to school and find out why his friends Ron and Hermione have been so secretive all summer. However, what Harry is about to discover in his new year at Hogwarts will turn his whole world upside down...But before he even gets to school, Harry has an unexpected and frightening encounter with two Dementors, has to face a court hearing at the Ministry of Magic and has been escorted on a night-time broomstick ride to the secret headquarters of a mysterious group called 'The Order of the Phoenix'. And that is just the start. A gripping and electrifying novel, full of suspense, secrets, and - of course - magic.

Opinião: Devo de dizer que este é o livro que menos gosto desta saga. Não gostei da primeira vez que o li, foi o único livro desta série que me fez adormecer a meio de um capítulo, não gostei da segunda e voltei a não gostar da terceira vez que o leio.

Depois do tom mais maduro dos outros livros, este parece tornar-se novamente algo infantil, com Peeves mais uma vez a fazer das suas, mesmo que seja a pedido dos gémeos e para desafiar a Umbridge não me parece que o livro tenha ganho com isso, e voltam também as criaturas fantásticas, já que aparece um gigante que, pessoalmente, acho que pouco trás à história. Além disso, também não gostei do facto de o livro parecer ter um ritmo mais lento que os outros, de o Harry estar contra tudo e contra todos (a sério, só me apetece dar-lhe um par de estalos) e de haver pouca acção. O livro só começa a ganhar interesse no momento em que Harry vê o seu padrinho em perigo e desencadeia toda a cena no Ministério da Magia. Até aí, só há hormonas e, sinceramente, dispenso-as.

No entanto, não deixa de ser um bom livro para a segunda parte da série. Gostei de ver aprofundadas algumas personagens, como o Neville e a Ginny que tomam uma outra dimensão, talvez mesmo antecipando os eventos do último livro, e gostei da Umbridge, acho uma das melhores personagens deste livro. Finalmente ficamos também a saber porque é que Voldemort deseja matar o Harry, percebemos melhor a ligação entre ambos e tem início a segunda guerra, sendo perceptível que haverá baixas.

19 de abril de 2009

Harry Potter and the Goblet of Fire (Harry Potter, Livro 4) [áudio-livro]

Autor: J.K. Rowling; Stephen Fry (narrador)
Género: Fantasia
Editora: Bloomsbury Publishing | Nº de páginas: -
Nota: 5/5

Resumo (do site Amazon.co.uk): It is the summer holidays and soon Harry Potter will be starting his fourth year at Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry. Harry is counting the days: there are new spells to be learnt, more Quidditch to be played, and Hogwarts castle to continue exploring. But Harry needs to be careful - there are unexpected dangers lurking. J.K. Rowling continues to surprise and delight with the power of her rich, demanding and action-packed storytelling.

Opinião: Este é claramente o livro que marca a mudança nesta série, não só por retratar o renascimento de Voldemort, mas porque a própria escrita parece tornar um outro rumo, deixando de ser claramente para crianças, como acontecia com o primeiro. Os personagens crescem, há hormonas no ar, o tom negro, que se começava a notar no segundo livro, adensa-se. Há mortes e desaparecimentos, há um certo clima de insegurança que ameaça não só Hogwarts.

Mais uma vez, tendo conhecimento do que acontece mais à frente, não deixa de ser engraçado encontrar pistas, mais ao menos escondidas, para o que acontecerá ou será explicado nos volumes seguintes.

Novamente, uma excelente continuação desta série, que ainda hoje me continua a fascinar.

15 de março de 2009

Harry Potter and the Prisoner of Azkaban (Harry Potter, Livro 3) [áudio-livro]

Autor: J.K. Rowling; Stephen Fry (narrador)
Género: Fantasia
Editora: Cover to Cover Cassettes Ltd | Nº de páginas: -
Nota: 4/5

Resumo (do site Amazon.co.uk): Harry Potter and the Prisoner of Azkaban is the third, and possibly the best, book in the phenomenally successful, award-winning Harry Potter series by J.K. Rowling.

After just about surviving yet another summer with the dreadful Dursleys, the arrival of Aunt Marge is the final straw and, in a fit of anger, Harry casts a spell on her, causing her to blow up like a balloon. He fully expects to be expelled from Hogwarts for his blatant flaunting of the rule not to use magic outside term time, but the arrival of the mysterious Knight Bus and a meeting with Cornelius Fudge, the Minister of Magic, result in Harry enjoying the rest of the holidays in the wonderful surroundings of the Leaky Cauldron.

Meanwhile Sirius Black--one-time friend of Harry's parents, implicated in their murder and follower of "You- Know-Who"--escapes from Azkaban and this has serious implications for Harry. Back at Hogwarts, Harry's movements are restricted by the presence of the Dementors--guards from Azkaban on the look out for Black.

Stephen Fry's endearingly snooty vocal chords are a perfect match for Rowling's superb storytelling, and Fry manages to give even further depth to a complex and absorbing plot by adding an irreverent wit and a deep-rooted touch of class to a compelling and magical tale that, once heard, will never be forgotten.

Opinião: Compreendo o porquê do meu irmão dizer que J.K. se repete muito. Há partes, em que a autora faz referência aos livros anteriores, que realmente chateiam um pouco. E deixem-me também confessar que os jogos de Quidditch começam, a partir deste livro (mesmo na versão escrita e na primeira vez que os livros achei o mesmo), a irritar-me e que eu passava muito bem sem eles.

Mais uma vez vemos o génio de J.K. Rowling neste livro. É aqui que começa a reviravolta nos livros, o tom infantil gradualmente vai sendo colocado de lado, tal é visível: na pouca atenção dada a Peeves e aos fantasmas, quase sempre presentes nos corredores dos primeiros livros; o perigo é maior, nomeadamente no confronto com os medos, aqui representado pelos Dementors, e pelo sentimento de perigo eminente, seja pela visão do grande cão ou pelos vários prenúncios de morte de Trelawney, mesmo que questionemos a veracidade das suas previsões.

Só agora me começo a aperceber da pouca informação que é dada sobre Dumbledore e de como este aparece tão poucas vezes ao longo do livro, apenas nos momentos decisivos. Apesar disso, não deixa de ser das minhas personagens favoritas. O que não se pode dizer de Harry e agora volto a lembrar-me do porquê do meu “ódio”. Pode parecer deveras estranho, até porque os livros são contados sob o ponto de vista de Harry, mas partilho a ideia do Snape, de que é dada rédea solta ao rapaz e de que ele não pensa naqueles que o querem a salvo. E mais uma vez, volto a frisar que, J.K. mostra que a sua história há muito que estava escrita.

15 de fevereiro de 2009

Harry Potter and the Chamber of Secrets (Harry Potter, Livro 2) [áudio-livro]

Autor: J.K. Rowling; Stephen Fry (narrador)
Género: Fantasia
Editora: Cover to Cover Cassettes Ltd | Nº de páginas: -
Nota: 4/5

Resumo (do site Amazon.co.uk): Harry Potter is a wizard. He is in his second year at Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry. Little does he know that this year will be just as eventful as the last even getting there is an adventure in itself! The three firm friends, Harry, Ron and Hermione, are soon immersed in the daily round of Potions, Herbology, Charms, Defence Against the Dark Arts, and Quidditch. But then horrible and mysterious things begin to happen. Harry keeps hearing strange voices, sinister and dark messages appear on the wall, and then Ron's sister Ginny disappears.

Opinião: O tom infantil continua presente neste livro, mas há também um maior tom negro, afinal há um sentimento de perigo por quase todo o livro e mesmo a eminência de mortes. Uma boa continuação para esta série. Já agora, tendo lido todos os livros anteriormente e sabendo como toda a história acaba, não deixa de ser interessante como certas palavras e acções tomam um outro sentido tendo em conta os futuros desenvolvimentos, o que mostra que a autora já tinha toda a história bem delineada desde o início.

13 de janeiro de 2009

Harry Potter and the Philosopher's Stone (Harry Potter, Livro 1) [áudio-livro]

Autor: J.K. Rowling; Stephen Fry (narrador)
Género: Fantasia
Editora: Cover to Cover Cassettes Ltd | Nº de páginas: -
Nota: 4/5

Resumo (do site Amazon.co.uk): There was a shower of shooting stars when Harry Potter was born - weathermen all over our world of Muggles were amazed. But in the other world, the Ministry of Magic wasn't surprised at all. For Harry Potter was to be one of its finest and most famous wizards.

Brought by flying motorcycle to live with his horrible Uncle Vernon and Aunt Petunia and their truly terrible son Dudley. Harry lives unhappily until his eleventh birthday. He is rescued by the magic, if somewhat disorganised, messenger Hagrid, and taken to Hogwart's School of Witchcraft and Wizardry.


Opinião: Para dizer a verdade, já perdi a conta a quantas vezes reli este livro, provavelmente esta foi a quarta ou a quinta vez, mas foi a primeira em que “li” em inglês. Se calhar advém desse facto o sentimento de “descoberta”, muito semelhante ao da primeira vez que li o livro, apesar de já saber a história de trás para a frente.

É notório o tom infantil, mas acho que é isso que J.K. Rowling tem de bom como escritora. Ela apresenta-nos uma personagem bastante jovem, mas fá-la crescer ao longo dos livros, e o mesmo acontece com os leitores. Apesar de já ser crescidinha, o tom infantil fez-me sentir criança outra vez e foi agradável ouvir sobre feiticeiros bons e maus, unicórnios e dragões, personagens fantásticas que apelam à imaginação de todas as crianças. Mesmo assim, nota-se que existe um tom negro por trás e que se vem a reforçar nos livros seguintes. Mas para ponto de partida é genial. Esta série, e este livro que já li e reli vezes sem conta, continua a surpreender-me a cada nova leitura. Não consigo ficar indiferente.

Stephen Fry é um excelente actor e aqui faz um brilhante trabalho como narrador. É fácil identificar as personagens e os sentimentos nas várias vozes que faz.

4 de janeiro de 2009

The Count of Monte Cristo [áudio-livro]

Autor: Alexandre Dumas; Richard Matthews (narrador)
Género: Romance
Editora: Books On Tape | Nº de páginas: -
Nota: 5/5

Resumo (do site Publicações Europa-América): A história de um homem bom a quem roubam os dois maiores bens que possuía: a liberdade e o amor. Edmond Dantès é um jovem marinheiro injustamente acusado de ser partidário de Bonaparte. Preso durante 15 anos, é no cativeiro que trava amizade com o abade Faria — o homem que o ajudará na fuga e lhe deixará um imenso tesouro. Julgando-se acima de toda a lei humana ou divina, regressa, impiedoso, para recuperar a mulher amada e vingar-se dos seus inimigos.

Opinião: Já o tinha lido há algum tempo e, como de momento não tenho o livro cá em casa, resolvi então ouvir o áudio-livro. É simplesmente magnífico.

O facto de o ter lido anteriormente não lhe tira nenhuma beleza, pelo contrário, acho que ainda me fez gostar mais do livro. Não penso que seja um livro sobre vingança, acho que tem mais de esperança que de vingança. É a esperança de se vingar que mantém Dantès vivo em Château d'If. É a esperança de escrever direito por linhas tortas, de corrigir os males que determinados personagens fizeram, que move a vingança.

Esta é então a história de Edmond Dantès que tinha um futuro brilhante à sua frente, no momento de sua prisão: ia ser promovido e casar-se com a mulher que amava, mas por inveja, um grupo de “amigos” decide denunciá-lo como apoiante de Bonaparte e o juiz, por perceber que o apoiante é outro, encarcera-o em Château d’If. Aí, trava conhecimento com o Abade Faria, que lhe deixa, para quando conseguir escapar, o seu tesouro. É desta maneira que Edmond se torna no Conde, um homem com uma mente brilhante, inteligente, com posses mais que suficientes para começar uma nova vida, e enceta então a sua vingança. Volta a ter um novo futuro, ainda mais brilhante que o anterior à sua frente, mas dedica os seus esforços a uma vingança. Dantès é uma personagem notável, como todas as outras, e acho marcante a introspecção dele, quando questiona a própria vingança, pois nós não podemos também deixar de questionar quando a vingança não atinge só os culpados, mas aqueles que os rodeiam que, apesar de poderem ser também culpados por outras acções, não interferiram activamente na vida, ou na desgraça por assim dizer, de Edmond. Encontra-se então perante uma questão: continuar preso ao passado ou aproveitar ao máximo o futuro? A nova oportunidade de vida que lhe foi dada?

Neste áudio-livro o narrador faz um óptimo trabalho, sobretudo no que toca a transmitir a emoção com que algumas personagens dizem os seus diálogos, acrescentando mais alguma coisa à “leitura”. Como disse, simplesmente magnífico.

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