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26 de novembro de 2014

Mystère de la chambre jaune [e-book]

Autor: Gaston Leroux
Ficção | Género: mistério
Editora: - | Ano: 2012 (publicado originalmente em 1907) | Formato: e-book | Nº de páginas: 240 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: estava e está gratuito na Amazon.

Quando e porque peguei nele: 19 a 30 de outubro. Foi o livro de outubro num bookclub do Twitter. Infelizmente não participei ativamente na discussão, porque não tem dado para frequentar tanto aquela rede social, mas foi o pretexto para pegar no livro de um autor que já tinha lido e gostado.


Opinião: Ele há livros que nos levam a perceber o que nos faz gostar tanto de um género. Este levou-me a perceber, se bem que já tinha uma grande suspeita, de que o que mais gosto em mistérios é do narrador. Tanto nos livros com Poirot de Agatha Christie e Sherlock Holmes de Conan Doyle, é o narrador que me leva a admirar os célebres detectives que, graças às suas célulazinhas cinzentas ou pensamento analítico, em todas as histórias descobrem o culpado, e que me conduz pelos meandros da cena e resolução do crime, fazendo uso dos seus conhecimentos e, por vezes, dos relatos de outros. Eu, pelo menos, sempre que leio um livro deste género, sinto-me mesmo como que na pele do narrador, e apesar de achar que os autores por intermédio dos seus brilhantes detectives nos escondem sempre uma peça vital para a descoberta do culpado, não é por isso que, tal como Hastings ou Watson, deixo de ficar impressionada com o intelecto daqueles, ainda que mais com o de Poirot que com o intelecto de Holmes, pois o primeiro sempre me apanha de surpresa enquanto que em alguns casos do segundo já tenho chegado à conclusão certa antes de ele a revelar.

Ora tudo isto para dizer que encontrei mais um detective, ao nível daqueles dois tão conceituados, neste livro de Gaston Leroux. Rouletabille é tão competente como Poirot e Holmes e claro que nós, como Sainclair, ficamos atónitos perante as suas capacidades, ainda para mais sendo aquela personagem tão jovem, com apenas 18 anos.

O caso em si é um locked room mystery, penso que até o primeiro do género a aparecer, e procura-se perceber como é que num quarto fechado a Mademoiselle Stangerson foi atacada, conseguindo o seu atacante fugir sem que ninguém desse por ele. Inicia-se então a busca de um ser quiçá sobrenatural mas movido por propósitos muito humanos. A história encontra-se bem estruturada e gostei que se fizesse uso de escritos que não apenas os do nosso narrador, até porque Gaston Leroux é exímio no romance epistolar, como já tinha tido hipótese de comprovar em O Fantasma da Ópera e aqui apenas o confirma. Quero ler tudo o que o homem escreveu, a sério.

As personagens também são interessantes de seguir, mais não seja para perceber se são inocentes ou culpados, mas não consegui deixar de sentir durante a leitura de que o autor tinha alguma carta guardada na manga para o desenlace. Mas importei-me? Não. Como disse, já o mesmo parece acontecer com Agatha Christie se bem que ela é muito mais matreira. :)

Apesar de descoberto o culpado, no final há algumas linhas que ficam em aberto e, apesar de ter quase a certeza do que acabará por ser revelado, não deixo de ter curiosidade em confirmar as minhas suspeitas.

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Sim, eu sei que foi gratuito mas se tivesse gasto dinheiro tinha-o dado por bem empregue.

29 de outubro de 2014

The First Star to Fall (For Darkness Shows the Stars, #1.5) [e-book]

Autor: Diana Peterfreund
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Noise Court Press | Ano: 2013 | Formato: e-book | Nº de páginas: 34 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: comprei o e-book no final de 2013, e o livro que o antecede, como prenda de Natal de mim para mim mesma, ainda que este estivesse a preço 0 na Amazon. :D

Quando e porque peguei nele: 19 de outubro. Tinha acabado de ler o livro e precisava de mais!


Opinião: Depois de ter gostado bastante de For Darkness Shows the Stars, resolvi ler esta novela pensando que continuaria a história de Elliott e Kai mas não, serve de introdução a uma outra, com diferentes personagens e aparentemente baseada em The Scarlet Pimpernel. E eu até sabia disto, tinha lido a sinopse e tudo(!), mas a minha memória de peixe...

De qualquer forma, a história pareceu-me interessante ainda que a sua cronologia me tenha deixado algo confusa. Passa-se no mesmo mundo que o anterior, que acaba por ser o nosso num futuro pós-apocalítico, mas quando?! É na mesma época mas num local diferente do planeta?! É ainda mais no futuro, após mudanças que tenham sido introduzidas pelo que aconteceu na história de Elliott e Kai?! Há a mesma separação entre Luddites e Post-Reduced mas com outros nomes, já não há Reduced nem tecnofobia. Aqui a tecnologia existe e parece bem mais evoluída do que em For Darkness Shows the Stars. Enfim, a minha cabeça, talvez por ter lido este logo que acabei o outro, não conseguiu processar a época e por isso senti que estava a ler algo completamente diferente, o que fez com que o entusiasmo esfriasse um pouco.

No entanto, gostei da história ainda que os personagens também me tenham deixado um pouco de pé atrás. Promete ser uma história de espionagem e acho engraçado a Persis deixar uma marca para trás, mas como não conheço a obra original e fiquei com tantas dúvidas quanto ao mundo, não sei se vou partir já-já para o Across a Star-Swept Sea.

Veredito: Foi gratuito e pouco se perde com isso

28 de outubro de 2014

For Darkness Shows the Stars (For Darkness Shows the Stars, #1) [e-book]

Autor: Diana Peterfreund
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Balzer + Bray | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: 416 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: comprei o e-book no final de 2013 como prenda de Natal de mim para mim mesma.

Quando e porque peguei nele: entre 10 e 19 de outubro. Porque sim, estava a querer, mais uma vez, reler o Persuasão mas achei que seria melhor avançar para algo semelhante mas diferente. :P


Opinião: Este era daqueles livros que mais ansiava ler mas também mais temia. Como não sentir tais coisas contraditórias quando este livro era anunciado como um recontar de Persuasão que é só o meu livro preferido da Jane Austen e um dos meus livros preferidos de todos os tempos?! O que é que um livro passado num futuro distante, após um evento apocalíptico que baniu a tecnologia e fez com que parte da população sofresse uma espécie de défice cognitivo, poderia ter em comum com o meu adorado livro?

Mas é verdade. Nota-se a influência do livro de Austen não só em algumas personagens como também em diversas situações, no entanto e felizmente, a meu ver, a autora também consegue afastar-se da história original e escrever uma verdadeiramente sua, o que tornou este livro numa bonita e original homenagem. Provou o que há muito suspeitava, que uma história mesmo tendo bastantes traços em comum com tantas outras, ou uma muito específica, ainda assim tem muito que oferecer mudando-se um ou outro aspecto.

Gostei bastante do pormenor das cartas, como de resto já tinha gostado na prequela, que não chegam aos calcanhares da carta do Cap. Frederick Wentworth *suspira* mas acaba por ser um engenhoso artifício para dar a conhecer a antiga relação entre Kai e Elliott, as personagens principais, assim como de aprofundar a construção deste mundo.

As personagens também estão um pouco abaixo das criadas por Austen, sobretudo Kai que me pareceu muito mais bruto que Wentworth e, em algumas situações, muito mais infantil. De facto, achei que a idade dos protagonistas também não ajudou a que estas tivessem mais profundidade ou me identificasse tanto com elas, já que uma das coisas que mais me cativou em Austen foi o facto de as suas personagens serem bem maduras, com carácter definido e forte. Kai, como disse, ressente-se um pouco sendo ou tendo algumas atitudes infantis quando em Wentworth essas atitudes são mais a imagem de orgulho. Já Elliott pareceu-me um pouco mais bem conseguida mas ainda assim uns furinhos abaixo da minha Anne. Também gostei que a família North não fosse parvinha ou tapadinha de todo, como acontece no livro original, e pareceu-me que a maneira que a autora arranjou para se debruçar sobre a aristocracia de sangue e "novos ricos", digamos assim, foi muito bem conseguida.

Posto isto tudo, fui agradavelmente surpreendida. Aparentemente os meus receios não tinham razão de ser mas acho que é normal quando se lê opiniões sobre outros livros baseados nos de Austen que tanto deixam a desejar (a Slayra deve poder indicar-vos alguns exemplos). Nota-se o carinho que a autora tem pela história mas nem por isso se sentiu presa à mesma e acaba, com este livro, por contar uma história muito sua. Será uma autora a ter debaixo de olho.

Veredito: Vale o dinheiro gasto

22 de outubro de 2014

Curtas: Iron Man, Dawn of Avalon (Twilight of Avalon, #0.5) [e-book]

Título: Iron Man
Realizador: Jon Favreau
Baseado nas comics da Marvel por Mark Fergus, Hawk Ostby, Art Marcum e Matt Holloway
Atores: Robert Downey Jr., Jeff Bridges, Gwyneth Paltrow

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: Ok, isto já vai tarde mas a minha ideia era ver os dois primeiros filmes e falar um pouco sobre eles. No entanto, como ainda não vi o segundo vamos ficar-nos apenas pelo primeiro.

Pareceu-me um bom filme de ação, ainda que muitíssimo previsível, nomeadamente no que toca ao vilão. A sério, mal aparece numa cena e uma pessoa descobre logo, pelo que o twist acabou por ser completamente irrelevante. Algumas stunts também me pareceram demasiado irrealistas, na medida em que duvido que fosse possível o Tony Stark sobreviver sem qualquer tipo de mazelas mesmo tendo virado um super-herói.

No entanto, o mais interessante de seguir foi mesmo a change of heart (ah!) que se dá na personagem principal e que o Robert Downey Jr. encarnou na perfeição. O homem nasceu para este papel! A mudança é subtil, dando-se em termos de ideais e não de carácter o que tornou a coisa muito realista, tendo em conta tudo pelo que o Tony passa.

Fica a curiosidade para ver os restantes filmes, até porque há os "Avengers" que já vi, mas continuo sem vontade de pegar nas comics do Homem de Ferro. X-Men, Homem-Aranha, Thor, pode ser mas acho que o Tony não será para mim.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

Título: Dawn of Avalon (Twilight of Avalon, #0.5) [e-book]
Autor: Anna Elliott
Ficção | Género: fantasia
Editora: - | Ano: 2010 | Formato: e-book | Nº de páginas: 78 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: em 2011 estava disponível no site da autora e penso que continua.

Quando e porque peguei nele: já tinha tentado pegar nele no ano passado, sem grande sucesso, e voltei à carga este ano pela terceira vez, depois de uma outra tentativa entretanto e do sucesso com Jane Eyre cuja leitura também só à terceira é que foi.

Sinopse

Opinião: Este é um pequeno conto que se centra em Morgana e Merlin mas o seu maior ponto de interesse, para mim, acabou por ser o facto de se debruçar sobre uma parte do mito arturiano que não conhecia, os dragões de Dinas Ffareon. Achei muito interessante o modo como tal mito foi usado, muito credível na medida em que mostra a mentalidade da época na forma como Merlin passa a ser o feiticeiro que conjura dragões.

No entanto, a história em si pouco interesse tem, mostrando uma relação entre as personagens que talvez poderia ser mais trabalhada mas que acaba por resultar nesta situação. As visões de Morgana pouco mais vêm acrescentar ou pouco trazem de novo a uma história já tão explorada.

Não sinto qualquer curiosidade em saber mais e por isso não penso investir no resto da série, de que este conto é uma prequela. O único ponto de interesse parece ser a história centrar-se em Tristão e Isolda, que não sei como se relacionam com o mito de Artur por conhecer pouco ou nada da sua história original. Talvez me debruce primeiro sobre a história deles e logo vejo se valerá a pena ler os livros desta série.

Veredito: Foi gratuito e pouco se perde com isso.

20 de outubro de 2014

Jane Eyre [e-book]

Autor: Charlotte Brontë
Ficção | Género: romance
Editora: Projecto Gutenberg | Ano: originalmente publicado em 1847 | Formato: e-book | Nº de páginas: | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: Foi dos primeiros e-books que meti no meu Kindle em 2011 e de fiz download no site do Projecto Gutenberg.

Quando e porque peguei nele: entre 1 e 7 de outubro, porque estava de férias, só com o Kindle na mala e este livro pertencia à segunda mini-pilha.

Opinião: Ainda bem que coloquei o livro de lado quando tentei ler a primeira vez mas não o descartei de todo, porque opá é tão bom!

Começo por dizer que o interesse com que o li nem sempre foi o mesmo, houve ali uma parte que parecia que nunca mais acabava, mas tirando isso eu quase que queria devorar o livro e assim que o acabei só me apetecia recomeçá-lo. Acho que já disse que tal coisa não é normal em mim mas foi o segundo livro este ano em que tal aconteceu. Como não querer voltar a um livro com uma protagonista como Jane?

Cedo se percebe que ela é uma pessoa cheia de força interior. Ela basta-se a si própria, tenta tirar o melhor partido das situações que encontra no seu caminho e não tem medo de enfrentar quem a pisa, ainda que a mostarda lhe tenha de chegar ao nariz. Mas foi este último traço do seu carácter com que mais me identifiquei e cobicei-lhe os restantes, sobretudo a sua força porque ela é um portento mesmo que aparentemente muito calma. Claro que só lhe podemos querer bem, até tendo em conta a sua vida e por isso, quando aparece um interesse amoroso só podemos torcer para que a coisa corra bem.

E o que dizer de Mr. Rochester? *suspira* Ai Mr. Rochester... vamos esquecer por momentos o Capitão Wentworth, o Colin Bridgerton e o Tom Hiddleston... há melhor que o Mr. Rochester? Sim, a início pareceu-me algo prepotente e convencido (o que me ri com o "Do you think me handsome?" xD) mas rapidamente os seus diálogos com Jane se tornam os momentos pelos quais se anseia. Parece que andam os dois, mas sobretudo ele, a testar as águas para perceber até onde pode ir, onde é que o outro traça o limite e, mais que tudo, como responderá ela ao que ele tem para oferecer. Adorei ver a interação entre eles, uma relação de iguais apesar de se encontrarem em diferentes situações, com ela na dependência dele por ser sua "inferior" numa hierarquia social. Mas é a igualdade de pensamentos, desejos e ambições que sobressai, e é impossível não torcer por eles, por um amor que também vai tomando conta de nós de mansinho.

No entanto, algo se esconde em Thornfield Hall. Infelizmente não me foi possível, apesar de ter tentado, não me cruzar com a grande revelação da história, mas mesmo assim achei o mistério bem montado e adorei o ambiente gótico da coisa. Numa cena, em que Jane salva Rochester quando a sua cama arde, também dei por mim a olhar para as sombras e cantos escuros do meu quarto e a ouvir com atenção os barulhos da casa, não fosse alguém também tentar pegar fogo à minha cama. xD

Não sendo então surpreendida pelo twist, digamos assim, devo fizer que fui surpreendida pelo resto da história e sobretudo pela reação de Jane à grande revelação. O que se segue foi a parte que menos gostei, nem tanto por ser demasiado conveniente (ia revirando os olhinhos) mas sobretudo porque Jane com St. John parece perder algum do seu fogo. St. John foi mesmo a personagem que menos gostei e cada vez que aparecia fazia-me querer dar-lhe um par de estalos e até pousar o livro. :/

O resto é história, os pecados e más ações são redimidas (sim, porque não é por gostar do Rochester que penso que ele estava certo ao fazer o que fez) e os justos recebem o que sempre desejaram. Já eu desejo ler mais desta irmã Brontë tendo gostado bem mais deste livro do que do de Emily. Se achei que O Monte dos Vendavais seria algo muito idealizado, não encontrando a autora nas suas personagens e escrita, aqui senti que Jane e Charlotte seriam uma só.

Veredito: Para ter na estante. Há livros que nos fazem lembrar porque é que gostamos de um determinado género, este relembrou-me porque gosto de clássicos. E que há livros que não devem ser lidos só porque sim, porque toda a gente já leu, mas que têm o seu momento para serem lidos. Têm que nos encontrar na altura ideal.

18 de outubro de 2014

The Iron Seas #0.4 a 3

Aviso à navegação, isto vai ser longo. Se não quiserem ler tudo, no final têm um resumo. :D

Autor: Meljean Brook
Ficção | Género: Steampunk
Editora: Berkley | Ano: 2010 a 2012 | Formato: livros e e-books | Nº de páginas: várias... | Língua: inglês

A série no Goodreads

Opinião: Estava resolvida a continuar esta série, até porque o novo livro saiu este ano em 8 partes e vai sair agora publicado numa só edição em novembro. No entanto, tendo em conta que me apercebi que não tinha lido alguns contos, queria reler os livros anteriores e, por uma qualquer razão, não estava a conseguir entrar no terceiro volume, lá dediquei o último mês a esta série. 

Comecei pelo conto The Blushing Bounder que, apesar de cronologicamente anterior aos restantes, não servirá de modo algum como introdução a este mundo, aprofundando apenas o conhecimento de algumas personagens, no caso o Constable Newberry, com que nos cruzamos no primeiro livro da série e a diferença entre "bounders" e "buggers", dois termos que identificam duas realidades e duas mentalidades bastante diferentes e que, de certa forma, definem este mundo. Por isto, é aconselhado que realmente já se tenha lido o primeiro volume, até porque pouco ou nada se perde em não ler este conto. É fofinho, sim, mas muito pouco explorado em termos de personagens e situação, sendo esta última rapidamente resolvida. 

Seguiu-se outro conto, Here There Be Monsters, que em 2011 me deu a conhecer esta história alternativa, assim como o entusiasmo contagiante da Telma que recomendou a série. Nem por isso é um conto em que se entra bem pois, como acontece com muitos livros de Fantasia e Ficção Científica, somos como que despejados num mundo em que temos que perceber como este funciona mas acaba por valer o esforço de ler com bastante atenção. Apesar de seguirmos a história de Mad Machen e Ivy, somos também apresentados a outras personagens que aparecem como protagonistas em algumas das histórias que se seguem, e a algumas que espero vir a conhecer, como o Blacksmith. A relação entre Machen e Ivy pareceu-me melhor explorada que a do conto anterior e, no geral, a história acaba por ser também ela bem mais emocionante. Para quem quer dar um saltinho a este mundo steampunk, este conto parece-me ser a melhor escolha (e aconselhado pela própria autora) porque mostra exatamente o que esperar das restantes histórias, já que de certa forma a fórmula se repete. E isto não é uma crítica negativa, todo o livro com uma forte componente de romance acaba por ser semelhante, mas tudo o resto dá um cunho bastante original e a história deste conto fez-me querer ler os restantes.

Já depois de ter lido tudo me apercebi que havia um outro conto, The Hook, disponível no site da autora. Este não tem romance mas acaba por ser uma (muito) pequena história engraçada de ler, com Mina e o Constable Newberry. Até gosto da interação entre ambos e não me importava de seguir alguns dos casos que os dois encontram.

Chegamos então ao primeiro livro editado, o The Iron Duke. Tive oportunidade de falar dele no blog da Telma (aqui e aqui) e com as meninas do Clockwork Portugal, pelo que pouco mais tenho a acrescentar. De facto, foi curioso mas ao reler tanto os livros como os contos fiquei com a mesma sensação que tive ao ler da primeira vez. Ok, talvez tenha ficado irritada mais depressa com as atitudes dos alpha males, que muitas vezes são de revirar os olhinhos e desejar dar-lhes bofetadas na cara com uma cadeira para ver se deixam de ser estúpidos, mas as personagens femininas compensam alguma dessa idiotice. Mina, a protagonista deste livro, é um bom exemplo sendo alguém que chegou ao cargo que ocupa por o merecer, ainda que tenha o mundo contra si por ter traços mongóis e ser assim vítima de vários insultos e mesmo racismo. Ao longo deste livro, mais que a relação entre as personagens, é sobretudo explorado este mundo, sendo então dado a conhecer o que levou ao domínio da Horda Mongol, como é que a Inglaterra ficou livre desse domínio e as consequências de tal coisa. 

Muito basicamente, há uma evolução tecnológica a oriente e a Horda Mongol desenvolve muito cedo a nanotecnologia, aproveitando o comércio do açúcar e do chá para contaminar a população europeia com nanoagentes que vão transformar pessoas em zombies ou controlar as emoções de outras através de um sinal de rádio para que não se manifestem contra o regime. Isto tudo para conseguirem acesso livre a matérias-primas, como a madeira, e mão-de-obra barata. Os que conseguem fugir à invasão assentam arraiais no Novo Mundo, onde formam colónias que prosperam mas onde há também alguns conflitos e tensões para fortalecer posições. Se quiserem, podem ficar a saber mais no site da autora

Tanto o livro como o conto Mina Wentworth and the Invisible City, mostram então como é que os personagens aprendem, sobretudo, a lidar com as emoções que entretanto descobrem e tanto os domina, seja ele o amor ou o medo de perder quem amam. Convém também dizer que estes livros têm uma personagem que devia ter o seu próprio livro! Scarsdale! <3 

O segundo livro, Heart of Steel, continua a ser o meu preferido. Tem duas das personagens que mais gosto (para além do Scarsdale), Yasmeen e Archimedes, e a química entre eles é do melhor que há. Archimedes, felizmente, não é um alpha male e deixa Yasmeen, que não tem nada de damsel in distress, ser quem ela é sem se sentir inferior ou ameaçado por ela. No entanto este livro tem um defeito e nesta segunda leitura voltei a sentir isso. Há uma crescente tensão enquanto se vão aproximando de Rabat, já que Archimedes é afetado pela torre daqueles local, mas de repente está tudo resolvido. Acabamos por não ver como é que ele, ou qualquer outra pessoa, é afetado pelas ondas de rádio e, num mundo tão bem construído e que a cada livro nos apresenta algo mais, acabou por saber a pouco. É por isso a única coisa que tenho a apontar porque de resto, como disse, a química é excelente e acaba por ser um livro de aventura com cheirinho a Indiana Jones. :D 

Um bocadinho abaixo está o conto Tethered, pois se acaba por mostrar o que eu queria ver no livro que o antecede, Archimedes com as suas emoções dominadas pelo sinal de rádio da Horda e que nos ajuda a perceber porque é que ele é uma espécie de "adrenaline junkie", já a Yasmeen pareceu faltar alguma coisa, alguma força interior e impetuosidade que tanto estava presente nas histórias anteriores. Mesmo assim é um bom epílogo de Heart of Steel

Por fim, li Riveted, que espero venha a ser um sinal de que pode haver livro do Scarsdale. :D Sim, gosto mesmo do personagem e quero TANTO conhecer a história dele. Ele não entra neste livro mas um dos temas que aqui é abordado pode e deve ser explorado numa história com o Scarsdale. Este livro centra-se em Annika e David, personagens que não têm qualquer ligação com as dos que conhecemos até agora, e a história tem lugar num cenário completamente diferente, na Islândia. Apesar de, mais uma vez, ter gostado bastante, tenho de confessar que não me cativou como os restantes. Ainda pensei que fosse alguma saturação, por ter lido tudo de enfiada, mas acho que não. Annika, apesar de uma mulher forte e de feitio único, com uma mente muito aberta, acaba por ser muito pouco interessante quando comparada a Yasmeen ou Mina. Não senti grande empatia para com ela mas a sua relação com David pareceu-me bem conseguida, ainda que ande ali à volta do confio/não confio, não havendo grande tensão como com os casais anteriores e aborrecendo um pouco ao fim de algum tempo. A tensão vem mais do segredo que ela guarda e acabo por questionar se a história não teria sido mais empolgante se seguisse a irmã dela. :/ Isto não quer dizer que seja um mau livro mas tendo em conta os anteriores esperava algo mais. Em termos do mundo, o alargamento a zonas até aqui pouco ou nada exploradas e mostrando comunidades que vivem segundo princípios muito próprios, assim como o efeito da chegada dos europeus ao continente americano (ainda que de forma muito subtil através da família de David) foi uma aposta ganha, a meu ver. 

Ficam ainda um conto e um livro por ler, mas até agora esta série tem tido mais altos que baixos e, consequentemente, tem sido muito agradável descobrir este mundo onde o steampunk reina e onde há vapor por todo o lado, seja gadgets ou relações. :) 

Veredito: Vale o dinheiro gasto mas no conjunto acaba por ser Para ter na estante. Para quem não teve paciência para ler tudo, fique a nota de que apesar de estes livros terem uma forte componente romântica, que isto não afaste um potencial leitor! É certo que tem cenas (muito) quentes e pares amorosos, mas tem tão mais que isso!

O worldbuilding é excepcional, muito detalhado e deixa uma pessoa curiosa por descobrir mais sobre o mesmo. Em alguns dos livros que tenho lido, o steampunk é quase unicamente um artifício para justificar a existência de alguns gadgets, enquanto que nesta série é uma parte fundamental deste mundo, define-o e levanta várias questões que são exploradas ao mesmo tempo que o romance. Há um bom desenvolvimento das personagens, já que é necessário confrontarem medos interiores e ultrapassar alguns obstáculos que levam ao tão esperado final feliz. Destacam-se sobretudo as personagens femininas que fogem do modelo damsel in distress e que de certa maneira leva com que os personagens masculinos, que veem nelas o ser que os completa, se esforcem por serem dignos delas.

E acho que é isto, até porque fartei-me de escrever. :P

27 de agosto de 2014

Curtas: Papuça e Dentuça; Para Sir Phillip, Com Amor (Bridgertons #5); Silver Shadows (Bloodlines, #5)

Título: Papuça e Dentuça
Diretor: Art Stevens, Ted Berman, Richard Rich
Baseado, muito livremente, no livro The Fox and the Wound de Daniel P. Mannix
Vozes: Mickey Rooney, Kurt Russell, Pearl Bailey

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: Eu sei que um filme da Disney não me diz muito quando não me lembro de o ter visto ou até me lembro de o ter visto mas não me lembro de nada da história, como neste caso. Sabia que o tinha visto mas lembrar-me de alguma coisa? Népias.

Na verdade este é realmente um filme esquecível. Não há músicas nem falas memoráveis, e parece que lhe falta algo. Nunca me convenceu a suposta amizade entre ambos porque acabam por não interagir assim tanto como isso. Parece-me que talvez um maior foco na relação entre o Tod e a dona fosse melhor, pelo menos pareceu-me mais credível e a cena em que ele é abandonado partiu-me o coração e fez-me chorar como uma Madalena arrependida.

Talvez apele mais a crianças.

Veredito: Emprestado e pouco se perde com isso.

Título: Para Sir Phillip, Com Amor (Bridgertons, #4)
Autor: Julia Quinn
Ficção | Género: romance histórico
Editora: Asa | Ano: 2014 (originalmente publicado em 2003) | Formato: livro | Nº de páginas: 336 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: foi comprado este ano, não no dia em que saiu mas quase. :D

Quando e porque peguei nele: li-o de 28 de julho a 1 de agosto, porque é Julia Quinn! <3

Opinião: A sério, é sempre um prazer regressar a esta série e sobretudo a um dos livros que mais gostei aquando da primeira leitura. A segunda também não foi má, foi mesmo tão boa como a primeira, porque já não me lembrava assim de tantos detalhes. Abençoada memória de peixinho dourado. :P Não há como não adorar a interação entre as personagens, sobretudo quando os restantes Bridgerton entram em cena para salvarem a honra da irmã. xD

Mais uma vez, pouco mais tenho que acrescentar ao que escrevi por ocasião da minha primeira leitura, mas (há sempre um mas) desta feita a atitude da Eloise pareceu-me demasiado precipitada e mesmo estúpida, temo, tendo em conta todo o cerimonial da época, o que me vai um pouco contra a personagem. Mas também, se assim não fosse a história não teria tanta piada, não é verdade? E não haveria a cena com os homens todos a ficarem amigos sobre uma noite de bebedeira, certo? E o Colin com fome... *suspira enquanto sussurra "Colin! <3"*

Veredito: Para ter na estante.

Título: Silver Shadows (Bloodlines, #5)
Autor: Richelle Mead
Ficção | Género: fantasia urbana
Editora: Razorbill | Ano: 2014 | Formato: e-book | Nº de páginas: 416 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: foi comprado este ano, não no dia em que saiu mas quase. Até podia dizer que é um guilty pleasure, mas sinceramente não me sinto culpada por gostar. :P

Quando e porque peguei nele: li-o de 1 a 4 de agosto, porque o livro anterior tinha acabado numa situação bastante intrigante e eu queria ver como a coisa se resolvia.

Opinião: Há semelhança do livro anterior, contamos com dois pontos de vista, o de Sydney, a protagonista, e o de Adrian, a sua cara-metade. Percebe-se melhor a escolha pelos dois pontos de vista, quando até ao terceiro volume só tínhamos a visão de Sydney, pelos acontecimentos que têm lugar, uma vez que ela acaba raptada. Neste livro seguimos então o que acontece pós-rapto, o que Sydney tem de suportar e, através de Adrian, os esforços para a recuperarem.

Apesar de adorar o Adrian, era com muita pena que deixava Sydney e a sua luta contra os seus captores. A sua linha de história era a mais interessante, enquanto que Adrian parecia perdido. Ok, eu até entendo, por causa do seu poder e tal, mas ainda assim era com alguma frustração que lia os seus capítulos. Também senti falta da interação entre ambos mas diga-se que uma vez juntos, meu Deus... *suspira* E não é um bom suspiro de "aww, tão juntos e tão fofos!", não... é um suspiro de "mas porquê?" Assim que Sydney é libertada segue-se um rol de más decisões. Isto não é a minha Sydney! E a cena do *big spoiler que OMD porquê?* enquanto fogem?! Nope, não gostei. Percebo o potencial que a coisa tem para a continuação e que ela tenha mudado porque a sua vida foi ameaçada, mas aquilo não é a minha Sydney!

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso. Mas fico à espera do (espero eu) último volume.

19 de agosto de 2014

Ireland Rose

Autor: Patricia Strefling
Ficção | Género: romance histórico
Editora: WestBow Press | Ano: 2011 | Formato: e-book | Nº de páginas: 280 | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 21 a 27 de julho. Já háaalgum tempo que tinha este livro no Kindle a chamar por mim. Capa bonita, título que prometia uma coisa completamente diferente da que fui encontrar. Eu já deveria de saber que antes de comprar devo ler a sinopse e um bocado do texto.


Opinião: No último ano e alguns meses resolvi deixar de pedir ou comprar e-books a preço zero na Amazon ou em qualquer lado. Primeiro, porque estava a acumular títulos que nem uma doida, já me basta os que tenho em papel. Segundo, é impressão minha ou é tudo christian fiction? Não que isso seja mau, continuo a achar que é dos géneros com as capas mais bonitas e quando bem feito não me parece que seja um romance tão diferente dos outros, apenas com uma moral mais vincada e casto. Terceiro, e por ventura a razão maior para passar a ignorar os e-books gratuitos, a maior parte não passa do "meh" e há alguns que deveriam ser fortemente editados. Este é um desses.

Ireland Rose é a nossa protagonista, (sim, é realmente o nome dela) e não, como eu pensava a flor mais bela da Irlanda. Julgava eu que o livro se ia debruçar sobre uma qualquer mulher importante na história daquele país mas não. Eis porque devo ler sinopses. De qualquer maneira, transposta a primeira desilusão, lá prossegui a leitura mas a coisa foi piorando. Começa com ela a receber um capitão às ordens do seu marido a, praticamente, forçá-la a assinar papéis que fazem dela a herdeira do marido que corre risco de vida por estar gravemente doente. Em nenhum lado é mencionado que ela lê os papéis. Pouco depois é visitada por um sujeito que lhe garantem ser de má rês, ela lê os papéis, reza a Deus para a guiar... e assina à mesma. Por esta altura acho que já não podia com a personagem.

Ponderei desistir mas o porquê do capitão ter sido tão brusco com ela estava constantemente a dizer-me para prosseguir a leitura. Dali só podia vir o romance! Ok, ela era casada, mas o marido estava doente, mais cedo ou mais tarde a coisa iria encarreirar... mas não. Durante cerca de dois terços do livro seguimos a personagem mais frustrante que poderia ter sido criada. Não é que seja a perfeição em pessoa, mas a sua gentileza, a sua caridade parece tão forçada, tão para fazer dela moralmente superior a qualquer outra que só me apetecia atirar o Kindle contra a parede. Além disso a moça não tinha espinha! Parece que não faz nada por ela mas para parecer bem. A procura de amizades é para o seu marido ficar satisfeito por ela ter encontrado alguém com quem se relacionar para além dele, numa cidade e sociedade para ela totalmente desconhecida. Até a caridade é para ele ficar satisfeito, porque ele ficou doente a fazer atos de caridade, logo se ela o fizer, ele ficará satisfeito. Grrr!

Mas isto nem é o pior! A certa altura o tal capitão pede-lhe que tome conta de uma jovem que está grávida. A jovem dá à luz e como não quer a criança dá a pequena a Rose, que a adota, assina papéis e tudo, e cria-a como sua própria filha durante cerca de um ano, até que o capitão volta e lhe pede a criança. Porque raio quer ele a criança? É o pai? A mãe arrependeu-se?! Não, o capitão tira-lhe a criança para a dar à sua irmã, que ficou viúva e cujo falecido marido violou a verdadeira mãe da criança. Ou seja, ele tira a filha ilegítima do marido da irmã, para dar à própria irmã, que assim vai criar o fruto da canalhice do seu defunto marido. Isto tudo quando Rose tem todo o direito de ter a criança porque há papéis que dizem que ela é mãe adotiva, porque os pais (o defunto, que queria que a mãe biológica fizesse um aborto logo não queria reconhecer a criança, e a mãe biológica que dá, quase implora que ela fique com a pequena) rescindiram dos direitos. E o que ganha ela em troca por dar a criança? Tristeza. Alguma tristeza que é, de alguma forma, suavizada por um cachorro. *massive eye roll* A sério, sou a primeira a assumir que os animais são como verdadeiros filhos, mas pelo amor de Deus, nunca nesta situação um cão poderia substituir uma criança nem uma mãe dar a sua filha assim, sem qualquer tipo de luta, por muito que levasse a peito a passagem sobre a decisão salomónica.

No meio disto, descobrimos que o capitão Wyatt era bruto para com a Rose porque ela o lembrava de uma antiga paixão, que é rapidamente resolvida num encontro casual, enquanto ele jantava com Rose e a antiga paixão aparece. Tudo é bastante anticlimático e a rapidez com que o capitão e a Rose se dizem apaixonados um pelo outro parece vir completamente do nada, porque não há nenhum indício de qualquer tipo de relação. Ok, ele dá-lhe o cachorro... mas tinha-lhe tirado a criança! Como é que ela fica com quem lhe tira a criança para a dar à irmã, que nem sequer tem qualquer tipo de relação com a criança?! E não me interessa que eles tenham tido um molhe de filhos e fossem felizes para sempre, foi tudo muito estúpido e simplista.

Não posso com personagens que são um autêntico doormat e a Ireland Rose é uma. Para além disto, a formatação é de bradar aos céus e há imensos erros.

Veredito: Com tanto livro e tive de pegar neste. Tenho de aprender a ir com o meu instinto. Algo cá no fundo dizia "desiste que isto não vai a lado nenhum", mas este ano já desisti de 3 ou 4, uma vez por outra convém dar uma chance ao livro, não? Baseado neste, não!

6 de agosto de 2014

Oryx and Crake (MaddAddam, #1)

Autor: Margaret Atwood
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Virago | Ano: 2003 | Formato: e-book | Nº de páginas: 402 | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 7 a 20 de julho. As leituras leves não estavam a dizer-me nada e resolvi virar-me para uma mais pesada.


Opinião: Margaret Atwood é daquelas autoras sobre as quais nunca vou conseguir escrever coisas muito coerentes. E escrevendo, nenhuma palavra minha poderá fazer qualquer tipo de justiça à sua obra, a tudo aquilo que me fez pensar e até analisar na minha vida.

Não direi que a sua escrita é invulgar, pois parece-me ser daquelas que escreve com bastante simplicidade e faz um magistral uso da palavra para contar histórias. Senti alguns problemas a entrar na história, é verdade, não devido à escrita mas ao mundo que a autora nos apresenta, e as "novas palavras" que usa parecem estranhas mas rapidamente se percebem e entram no nosso vocabulário. :P Apesar da sua escrita simples, sem grandes floreados, o retrato que ela faz de como o nosso mundo pode vir a ser, não é nada bom. O retrato, diria eu, é curto e grosso mas parece-me demasiado grosseiro e a escrita não é em nada grosseira. Antes há uma subtileza, uma leveza que acaba por contrabalançar o tema mais denso que o mundo que ela cria acaba por analisar. Faço-me entender? Não?! É porque não consigo expressar o meu fascínio sobre como alguns autores usam algo tão comum, como a linguagem, para fazer algo tão incomum, como contar histórias. Mais que nunca começo a pensar que muita gente escreve (que raios, eu estou aqui a escrever) mas poucos realmente contam histórias, e reside aí a diferença entre um escritor e um artista. E para mim ela é uma artista.

O ritmo da história é lento mas essa lentidão acaba por ser uma excelente imagem da vida de Snowman e uma extraordinária maneira de dar a conhecer a vida de Jimmy, que é como quem diz perceber como se chegou aquele mundo pós-apocalíptico com que nos deparamos no início da narrativa. O dia-a-dia é sempre igual, a mesma rotina, numa tentativa de se manter vivo e cuidar das criaturas que deixaram ao seu cuidado. Numa rotina e sem grande esperança num amanhã melhor, é com pouca surpresa que o protagonista deixe as suas memórias tomarem conta do seu pensamento, sobretudo quando tem de voltar ao lugar onde tudo aconteceu. Aí o ritmo acelera um pouco mais e acabamos por perceber que estando as coisas em movimento acaba por ser praticamente impossível parar. Há por todo o livro um sentimento de inevitabilidade, mas que chegando ao, sei lá, último terço do livro se agudiza. Mesmo que saibamos o que aí vem percebemos que não havia como impedir, porque mesmo que não fosse da maneira apresentada e naquele momento, seria numa outra altura e de outra maneira qualquer mas o resultado seria basicamente o mesmo.

É verdade que sou algo susceptível, nomeadamente quando leio à noite, com apenas o candeeiro da minha mesa de cabeceira ligado, mas durante o dia é um pouco mais difícil assustar-me e fiquei com medo ao ler este livro à luz do dia. Medo porque tal pode vir a acontecer. Epidemias, experiências genéticas, sobrepopulação, são coisas que já existem hoje em dia. Esgotam-se recursos naturais, abusa-se de tudo e mais alguma coisa (inclusivé de pessoas) em prol de uma "civilização humana" mas se tal continuar, quem sabe, como já aconteceu com outras espécies, também a humana se extinga, e deixem-me dizer que não quero andar a fugir de pigoons e wolvogs.

Tal como The Handmaid's Tale, esta é uma história demasiado verosímil, uma cautionary tale que devia ser tida em conta num mundo que parece estar a tornar-se cada vez mais doido.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

5 de agosto de 2014

Hopeless (Hopeless, #1)

Autor: Colleen Hoover
Ficção | Género: romance
Editora: Simon and Schuster UK | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: 332 | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 6 e 7 de julho. Já não me recordo mas penso que terá sido porque há algum tempo que não pegava em e-books e estava com saudades do formato. :/ Talvez estivesse à procura de um novo YA ou coisa assim que me tirasse do ciclo vicioso em que aparentemente me encontrava, sem ler nada que me conseguisse cativar. E não, não tive sucesso.


Opinião: Porque continuei eu na onda dos juvenis e YA quando a coisa claramente não estava a resultar comigo? Não que os thrillers e os mistérios antes também fossem alguma coisa de jeito. Enfim, parece que quando se está num momento mau, está-se simplesmente num momento mau. Acontece. As leituras não podem ser sempre de 5 estrelas, e diga-se o meu gosto pode ser bastante questionável...

Neste caso a coisa começou logo mal, com a protagonista a ser irritante por demais com o seu "eu não sou uma vadia, ando na marmelada com gajos mas não sinto nada enquanto estamos na marmelada e tipo, nunca fiz sexo, por isso não sou uma vadia!" Não que eu considere que quem faz o mesmo o seja, cada um vive a sua vida como quer e pode fazer as escolhas que bem entender, tento não julgar as pessoas pela sua vida sexual ou emocional porque é algo que não me diz respeito. Mas é claríssimo que a personagem julga as pessoas e tenta afastar-se, com este discurso, de pessoas cujos atos condena. Porque sim, é uma condenação. É uma espécie de "pensas que eu sou má? por favor, eu nunca fiz sexo e há aquelas que fazem sexo com todos! eu estou à espera do meu príncipe encantado e por isso não sou vadia como elas, marmelada não conta!"

Claro que depois aparece o príncipe encantado... o estranho que lhe mete medo mas que OMD! é tão giro que a deixa sem ar!!! E deixa-a sem ar de várias maneiras e várias vezes ao dia. Pessoalmente, e como asmática, não me parece ser bom para a saúde, até porque ela chega mesmo a desmaiar com falta de ar após a corrida porque "OMD ele é tão giro e acompanhou-me até à porta de casa depois de eu aparentemente o stalkar sem querer e ter corrido mais que a minha conta", e porque suscitou uma infindável quantidade de "breathless" durante todo o livro, ou pelo menos durante a parte que li (ainda foi um terço do livro...), de tal modo que acho que o livro se devia chamar-se Breathless e não Hopeless. Hopeless estava eu com tanta falta de ar da moça... Cheguei mesmo a desejar que a coisa fosse para além do desmaio, que ela sufocasse mesmo sem qualquer acesso a ar, que ele lhe tirasse todo o ar dos pulmões e ela deixasse de existir no mundo das personagens fictícias estúpidas e irritantes!

Sim, eu disse estúpidas. Não mencionei a parte em que ela, apesar de estar algo reticente em estar na companhia dele porque, tipo, é um desconhecido que a deixa desconfortável, lhe mostra a sua identificação? Com a morada de casa e todos os seus restantes dados pessoais?! E ele nem é polícia nem qualquer outro tipo de autoridade?!?! Mas não, ela tem algum receio dele e a reação dela é "toma os meus documentos de identificação para confirmares que me chamo Sky, porque tenho de confirmar a minha identificação a alguém que não conheço de lado nenhum e não acredita em mim mesmo que não seja um agente nem tenha qualquer justificação para ver a minha identificação, já agora fica com os meus dados porque OMD tão giro! *pisca o olho... heavy breathing... faints*" *Carla suspira, faz tsk-tsk e revira os olhinhos enquanto lê* Não me perguntem como suspirei e fiz tsk-tsk ao mesmo tempo, mas aconteceu.

Enfim, estava à espera de outro Easy ou Just One Day mas rapidamente perdi qualquer interesse nas personagens e história.

Veredito: Não acabei.

5 de maio de 2014

The Centurion's Wife (Acts of Faith, #1)

Autores: Davis Bunn e Janette Oke
Ficção | Género: romance histórico
Editora: Bethany House | Ano: 2009 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: um dos e-books da Amazon a preço 0. Era a loucura em 2012, comprava tudo o que tinha uma capa bonita.

Quando e porque peguei nele: Tal como o livro da Julia Quinn, comecei-o no ano passado e terminei este ano, quase na data em que fazia um ano em que lhe tinha pegado pela primeira vez.


Opinião: Coisas que aparentemente não são para mim? Ficção cristã. Eu sei, porque raio alguma vez pensei que fosse? Mas olhem para as capas! São tão lindas!  E além disso debruçam-se sobre valores que nem sempre estão presentes em histórias. Achei que seria bom para variar mas acaba por faltar algo à leitura. Entusiasmo talvez. Às vezes a coisa acaba por ser tão casta que parece uma seca. :/ Preciso de um pouco de pecado nos meus livros. :D

No entanto, achei interessante que a história se passasse depois da crucificação de Jesus Cristo até ao Pentecostes. É uma pena o ritmo lento ao início, e que me afastou da leitura no seu primeiro momento, para acelerar de tal maneira no final até que fiquei "mas o que é que aconteceu?" Até porque a mudança que se dá nas personagens também acaba por ser repentina. Quer dizer, não se conhecem até chegarmos a meio do livro, ela até vai contrariada para o casamento arranjado e depois de trocar duas ou três palavras com ele "ah e tal posso vir a amar se é que não amo já este homem!" A busca pela fé, ou a conversão no caso dele, também me pareceu forçada mas, felizmente, o livro não é demasiado preachy.

Outra coisa que me irritou foi a constante oferta de chá. Chá e infusões de ervas são coisas completamente diferentes e duvido que houvesse chá naquela época no Médio Oriente. Vinho se calhar soa mal mas é o que penso (não tenho a certeza porque não sei muito sobre os hábitos alimentares daquela região naquela época) seria oferecido e bebido em qualquer tipo de ocasião, e não só pelos romanos.

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso. Tenho que deixar de adquirir coisas só por causa de capas bonitas com mulheres a olhar para o infinito.

3 de maio de 2014

A Night Like This (Smythe-Smith Quartet, #2)

Autor: Julia Quinn
Ficção | Género: romance histórico
Editora: Avon | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: comprei o e-book assim que saiu.

Quando e porque peguei nele: Ora bem, peguei nele ainda o ano passado mas a coisa não estava a agradar-me por aí além, pelo que deixei-o a meio. Voltei-lhe a pegar porque decidi que tinha de começar a acabar alguns dos livros pendurados.


Opinião: Penso que há algo de errado quando a personagem que mais gosto num livro destes é uma miúda com pancada por unicórnios. Primeiro porque é mesmo uma miúda, logo não tem par romântico, e segundo, a pancada por unicórnios... Eu não sou pessoa de unicórnios. Mas foi exatamente o que aconteceu aqui, a personagem que mais gostei foi a pequena Frances Pleinsworth. :/

Havia lido o excerto há algum tempo e tinha gostado do que li, mas o certo é que se gostei de como os personagens se conheceram, já quando estavam juntas as situações eram algo aborrecidas, a não ser que as pequenas Pleinsworth estivessem por perto a dar alguma vida e piada às situações. Se há coisa que a Julia faz bem são as famílias e mais uma vez aqui se nota isso, pois apesar da Frances ter um lugarzinho especial, a Harriet com as suas terríveis peças e o seu engano quanto às esposas do Henrique VIII também merece destaque.
    Harriet shrugged, then said, “I’m going to begin in act two. Act one is a complete disaster. I’ve had to rip it completely apart.”
    “Because of the unicorn?”
    “No,” Harriet said with a grimace. “I got the order of the wives wrong. It’s divorced, beheaded, died, divorced, beheaded, widowed.”
    “How cheerful.”
    Harriet gave her a bit of a look, then said, “I switched one of the divorces with a beheading.”
    “May I give you a bit of advice?” Anne asked.
    Harriet looked up.
    “Don’t ever let anyone hear you say that out of context.”
Opá, ria-me que nem uma perdida nestas ocasiões. xD

Os dramas das personagens principais, sobretudo de Anne, são algo interessantes de seguir mas o mistério (por assim dizer) é muito pouco misterioso. No entanto, fiquei com curiosidade em conhecer mais sobre Hugh, um dos amigos do protagonista e que me parece ser o herói do terceiro livro deste quarteto.

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso. Eu sei que o mal é meu, não ando virada para romances do género, não sei porque ando a insistir. Ou então começo a perceber que este tipo de plot não é propriamente o meu preferido. Friends to lovers ou enemies to lovers parecem ser mais do meu agrado por terem uma dinâmica diferente que rapaz apaixona-se pela governanta. :/

21 de fevereiro de 2014

Curtas: A Gaiola Dourada, Whisper of Jasmine [e-book], Waking Kate [e-book]

Título: A Gaiola Dourada
Diretor: Ruben Alves
Escritor: Ruben Alves, Hugo Gélin, Luc-Olivier Veuve, Jean-André Yerles
Atores: Rita Blanco, Joaquim de Almeida , Maria Vieira

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: É, muito basicamente, um filme engraçado. Vi alguns dos clichés, porque eles realmente existem, que já presenciei no meu dia a dia. A cena do carro por exemplo, é certo que vejo mais Mercedes e BMWs, mas realmente está bem apanhado.

É também um retrato interessante do povo português, e não me refiro apenas ao emigrante. Há bastantes por aí que, fazendo as tarefas menos recompensadas monetariamente, não deixam de trabalhar com orgulho e de sentir que o sítio onde trabalham lhes pertence também um bocadinho, daí que tenha apreciado ver como, apesar de se quererem vingar pelo pouco valor que lhes era atribuído, Zé e Maria não se sentissem muito bem a fazer "um mau trabalho". Mas por vezes é necessário recorrer a tal "tática", digamos assim, para mostrar o verdadeiro valor da pessoa no local de trabalho, pois todos contam para manter a engrenagem a funcionar.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

Título: Whisper of Jasmine [e-book]
Autor: Deanna Raybourn
Ficção | Género: romance histórico
Editora: Harlequin MIRA | Ano: 2014 | Formato: e-book | Nº de páginas: | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: a pre-order estava a preço 0 na Amazon.

Quando e porque peguei nele: li-o a 2 de fevereiro, basicamente porque sim. Tinha o telemóvel na mão, apetecia-me ler e tinha preguiça de ir ao quarto buscar um livro. Além disso parece-me boa política andar a ler coisas que compro este ano para ver se a pilha não aumenta muito, o que também não quer dizer que diminua... :P

Opinião: É verdade que o único livro que li desta autora prometia mais do que acabou por dar, mesmo assim gosto de ter as suas obras debaixo de olho e quando vi que este conto estava a preço 0 e contava com um arqueólogo não hesitei e fiz logo a pre-order. Sim, sou uma fácil. xD

Este conto conta (não consegui evitar xD) uma história agradável de seguir mas (e há sempre um mas comigo e certos romances) peca por a relação se desenvolver rapidamente sem que haja uma verdadeira química entre os personagens. Pelo menos eu não o senti. Sim, há um não sei quê de magia, talvez alguma inevitabilidade no encontro deles, mas não senti nada entre eles, nem uma pequena faísca. No entanto, fiquei curiosa quanto a continuação em City of Jasmine e espero que o relacionamento acabe por ser mais aprofundado (talvez com flashbacks? um reencontro?).

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso. Talvez por ser um conto o "amor à primeira vista" deixe a desejar, mas o certo é que já tenho lido contos em que a relação acaba por resultar. Aqui há demasiada impetuosidade que, confesso, não é muito a minha onda. Mas sim, curiosa porque arqueólogo (!) o que não quer dizer que vá a correr comprá-lo.

Título: Waking Kate [e-book]
Autor: Sarah Addison Allen
Ficção | Género: romance
Editora: St Martin's Press | Ano: 2014 | Formato: e-book | Nº de páginas: | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: estava a preço 0 na Amazon.

Quando e porque peguei nele: a 10 de fevereiro. Leiam o motivo do livro em cima, é o mesmo. :D

Opinião: Eis uma autora que raramente desilude, em que até os seus livros menos bons são superiores a muitos outros. E ela volta a mostrar a sua mestria neste conto, onde conhecemos Kate que, durante uma conversa com um vizinho que acaba de conhecer, faz uma ponderação acerca da sua própria vida e que faz adivinhar-se um mudança. Mudança essa que será certamente continuada em Lost Lake, cujo primeiro capítulo vinha juntamente com o conto mas fiz questão de não ler porque já sei que seria como os doces, não conseguiria ficar por ali. :P

Muito pequeno, mesmo assim é uma história carregada de emoção e uma ténue magia, algo a que a autora já me habituou e que consegue sempre aquecer-me o coração.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

29 de dezembro de 2013

Curtas: Persépolis, The Indigo Spell e The Fiery Heart (Bloodlines, #3 e #4) [e-books]

Título: Persépolis
Autor: Marjane Satrapi
Não-ficção | Tema: memória, comic
Editora: Contraponto | Ano: 2012 (publicado originalmente em 2000) | Formato: livro | Nº de páginas: 352 | Língua: português

Quando e porque peguei nele: entre 15 e 26 de novembro, pois o meu irmão ofereceu-mo pelos anos e, para não o desincentivar de me oferecer livros, fiz questão de lhe mostrar que qualquer livro que me ofereça é para ler. :P Lamento no entanto dizer que ele só oferece um livro por ano, já que no Natal não recebi nenhum. *suspira e olha em volta* Quer dizer, também não é como se eu precisasse de mais livros...


Opinião: Eis uma história da qual pouco ou nada sabia e que me surpreendeu. Estranhei-o a princípio, o desenho algo infantil e simplista, a ingenuidade da história, mas com o avançar da leitura percebi a sua mestria. A narrativa vai evoluindo, conforme a protagonista vai crescendo, e de tiradas infantis (e perfeitamente válidas, tenho a plena noção de que pensaria o mesmo :D) como "o meu avô era um príncipe!" passamos para uma percepção do que a revolução iraniana foi e o que custou a tantos, tal como a pequena Marjane.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

Título: The Indigo Spell e The Fiery Heart (Bloodlines, #3 e #4) [e-books]
Autor: Richelle Mead
Ficção | Género: fantasia urbana
Editora: Razorbill | Ano: 2013 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei neles: entre 28 de novembro e 8 de dezembro. Depois dos livros com temas que convidavam a ponderar sobre os mais diversos temas, precisava de algo leve para descontrair.

Sinopse aqui e aqui

Opinião: Ia a dizer o quanto esta série é um guilty pleasure, mas a verdade é que cada vez menos me sinto culpada pelas coisas que gosto. E eu adoro esta série. Sim, tem vampiros e bruxas, muitos clichés, é demasiado previsível e a protagonista consegue irritar com as suas dúvidas, que se tornam repetitivas e chatas, mas eu dou por mim a devorar as páginas que nem doida! Culpo as piadas, a interação entre as várias personagens mas sobretudo Sydney e Adrian. Quem os viu e quem os vê. <3 O pior mesmo é achar que a autora anda um bocado a encher chouriços, já que cada livro debruça-se sobre um ou dois problemas que Sidney tem de resolver, enquanto o arco maior é desenvolvido lentamente. E o final, mas apenas porque odeio que as situações não fiquei resolvidas. *conta os meses que faltam até ao próximo livro*

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

E de livros parece-me que ficamos por aqui.

Curtas: The Handmaid's Tale [e-book], The Book Thief [e-book]

Ora aqui fica um resumo muito resumido do que vi e li para ver se em 2014 começo do nada e consigo manter um registo como deve ser por aqui, coisa que este ano foi muito ao lado.

Começando pelos livros... Sim a minha tentativa para escrever algo coerente sobre The Handmaid's Tale, The Book Thief e Persépolis saiu completamente ao lado, aqui vai uma nova tentativa.

Título: The Handmaid's Tale [e-book]
Autor: Margaret Atwood
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Harcourt | Ano: publicado originalmente em 1985 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: entre 2 e 17 de outubro, para uma leitura conjunta do SLNB. Também conta para o Mount TBR Challenge e para o Book Bingo.

Sinopse

Opinião: Este é um relato impressionante de uma mulher numa sociedade distópica, de cariz teocrático e fortemente hierarquizada, mesmo dentro da separação entre sexos e sendo sobretudo notório no género feminino. As classes não se centram tanto na riqueza, mas sobretudo no papel que cada mulher tem na sociedade: mãe, procriadora e cuidadora. E digo que é um relato impressionante não só porque é uma história demasiado real, demasiado verosímil, mas porque a relação de um indivíduo com o seu corpo, com a sua mente, a sua relação com os outros e até com a religião, encontra-se muito bem explorada. Convida a pensar e avaliar-nos a nós próprios.

Veredito: Para ter na estante.

Título: The Book Thief [e-book]
Autor: Markus Zusak
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Knopf | Ano: 2007 (publicado originalmente em 2005) | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: entre 12 e 24 de novembro, já que ganhou a votação para o Monthly Key Word Challenge. Também conta para o Mount TBR Challenge .

Sinopse

Opinião: Não vou negar, esperava gostar mais. No entanto, adorei o facto de se passar durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha e mostrar um grupo de pessoas comuns e como são atingidos pela guerra. Gostei da narração pela Morte, das suas reflexões sobre o que via e sobre o seu trabalho. Não fiquei fã da rapariga que roubava livros, mas há outras personagens que dão cor e profundidade ao livro com os seus problemas, as suas desventuras e o seu amor por aquela rapariga, como Max, Rudy, Hans e até Rosa. Sim, eu não gostei dela mas gostei das restantes personagens por o fazerem.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

7 de novembro de 2013

Curtas: The Native Star (Veneficas Americana, #1) [e-book], This is the End

Título: The Native Star (Veneficas Americana, #1) [e-book]
Autor: M.K. Hobson
Ficção | Género: fantasia
Editora: Spectra | Ano: 2010 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 27 de setembro a 1 de outubro. Epá, já fez um mês que o li por isso não me recordo bem. Como estava de férias e só tinha o Kindle, devo ter feito a escolha um pouco ao calhas ou então como tem steampunk e se aproximava o dia da EuroSteam Con, posso ter sido influenciada por isso. De qualquer modo conta para o Mount TBR Challenge.


Opinião: Não há muito que dizer sobre este livro, sobretudo um mês depois de o ter lido. xD Apesar do aspecto steampunk, acaba por ter poucos elementos deste "género", e os que tem parece que são lá colocados só para dizer "olhem, tem steampunk!!!", sobressaindo bem mais a fantasia. Esta pareceu-me melhor explorada e a abordagem científica ao sistema mágico com as suas 3 vertentes, magia de sangue, da natureza e fé (sangrimancers, animancers e credomancers respectivamente), acaba por dar um ar de praticalidade à magia e torná-la bem mais real, e diga-se que foi exactamente disto que mais gostei. Já no que toca ao romance, acaba por ser precipitado. Havia espaço para desenvolver a relação entre ambos, sobretudo tratando-se de uma série. Sim, uma pessoa percebe que vão ficar juntos logo no início da história, mas não é por isso que se têm de atirar para os braços um do outro, assim do meio do nada só porque o livro está a chegar ao final...

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso.

Título: This is the End
Diretor: Evan Goldberg, Seth Rogen
Baseado na curta metragem "Jay and Seth versus the Apocalypse" de Jason Stone por Seth Rogen e Evan Goldberg
Atores: Seth Rogen, Jay Baruchel, James Franco

Mais informação técnica no IMDb.

Quando o vi: 12 de outubro.

Opinião: Eu e o meu irmão temos bastantes coisas em comum mas depois nem sempre partilhamos os mesmos gostos, por isso quando ele se virou e disse "não vais gostar do humor mas vê que tem bromance e o final é épico" foi com algum receio que fiz o que ele dizia. De facto o humor não fez nada por mim, há muitas piadas porcas que não fazem o meu género, mas o final senhores! O FINAL!!! xD E sim, quero dizer que a minha sanidade pode não ser grande coisa e o gosto musical sempre foi duvidoso (palavras do meu irmão).

Acaba por ser um filme bem disposto ainda que muitíssimo previsível, de tal modo previsível que parece ser demasiado comprido (acredito que a curta em que se baseia acabe por ser melhor), é giro ver os actores a gozarem consigo próprios, ver a paixão do James Franco pelo Seth Rogen (xD) e há partes magníficas como o da Emma Watson a brandir um machado. :D

Veredito: Emprestado pelo que não se perdeu muito com isso. 

8 de setembro de 2013

Among the Nameless Stars (For Darkness Shows the Stars, #0.5) [e-book]

Autor: Diana Peterfreund
Ficção | Género: ficção científica
Editora: HarperCollins Publishers | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: este ano, quando vi que estava a preço 0 na Amazon.

Quando e porque peguei nele: 5 de setembro. Tinha acabado de ler um capítulo de Atlas das Nuvens e apetecia-me continuar a ler, mas como tinha resolvido só ler um capítulo deste livro por dia e há muito que não lia no Kindle (mesmo o Persuasion ando a reler no telemóvel) resolvi que não perdia nada em ler este. Pelo contrário...


Opinião: Desde que vi que For Darkness Shows the Stars era um recontar de Persuasão, que tenho andado de olho nele. Mas as dúvidas do costume assaltaram-me. Será bom? A escrita é semelhante à de Austen? É só um recontar da história ou focará as diferenças sociais? Basicamente, estaria ao nível do livro da Austen que mais adoro e não me canso de ler? Se este conto servir de indicação, até pode não estar exatamente ao mesmo nível mas não deixará de ser uma leitura prazenteira.

Este conto debruça-se sobre a fuga de Kai de North Estate, onde aparentemente trabalharia ou estaria sobre a alçada do pai de Elliot North, a única rapariga que Kai amou e a quem escreve cartas, mesmo que nunca passem para o papel ou sejam enviadas. Mas a sua busca por uma vida melhor sofre alguns tropeções.

Achei curioso o pormenor das cartas, eu que acho que já disse por mais de uma vez por aqui e essa internet fora que AMO a carta do Wentworth ("You pierce my soul. I am half agony, half hope." *suspira*), e é interessante seguir Kai depois de abandonar Elliot com um coração partido por companhia, por esta se decidir em não o seguir. Há momentos em que se arrepende da fuga, momentos em que acha que ainda bem que ela não o seguiu, momentos em que a odeia por aquela decisão e por, aparentemente, não acreditar nele. Os seus sentimentos contraditórios, os seus desabafos nas cartas, soaram-me a algo tão real que é impossível ficar indiferente e não desejar que algum dia ele volte a encontrá-la, numa situação bem melhor que ela, e lhe venha a esfregar na cara como ela estava errada. Eu sei, é mau ter sentimentos deste tipo, mas tão humano e tão de acordo, parece-me, com o livro em que se baseia. Conseguia imaginar o Wentworth a ter as mesmas dúvidas, a mesma raiva e resignação perante a recusa de Anne.

Perdoem-me, tenho de ir ler mais uma vez a carta mai'linda de todo o sempre...

Veredito: Vale o dinheiro gasto ou pelo menos eu mal posso esperar por ter a continuação nas mãos. Entretanto vou continuando a releitura do Persuasão pela não sei quanta vez.

14 de maio de 2013

Gone Girl [e-book]

Autor: Gillian Flynn
Ficção | Género: thriller
Editora: Weidenfeld & Nicolson | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 25 de março a 3 de abril, no âmbito da Leitura Conjunta do SLNB.


Opinião: Sinto que já estou farta de falar sobre o livro e ainda não o enterrei. Sim, estou a falar do Gone Girl. Acho que só isto dá para ver como ele mexeu comigo. Mesmo um mês depois de o ter acabado ainda me vêm à cabeça pensamentos sobre relações, como não conhecemos realmente uma pessoa, o que faria se alguém que eu conheço desaparecesse...

É exactamente o modo como a autora aborda estes temas e a sua belíssima escrita que constituem, para mim, o forte deste livro assim como o retrato psicológico das personagens. Pela primeira vez acho que encontro um livro onde não há personagens boas nem que se redimem. Estamos perante uma sociopata e um choninhas que não chega a ser uma vítima simplesmente porque também ele trai e é incapaz de tomar responsabilidade sobre o que quer que faça.

Contado em capítulos que alternam entre a visão de Nick e de Amy e dividido em 3 partes, esta é uma história que se vai desenrolando, aparentemente, de forma lenta. Pelo menos foi essa a ideia com que fiquei na primeira parte, onde Nick contava o que ia acontecendo no presente deparando-se com o desaparecimento da esposa, lembrando situações da altura em que se conheceram e de como se foi desenvolvendo a relação de ambos. Ao mesmo tempo temos o diário da Amy que retrata as mesmas situações mas do ponto de vista dela. Devo dizer que o diário me soou a falso, achei que a Amy era perfeita demais e como tal não podia existir, além de que era tudo muito linear e, desde cedo, me ficou na ideia a nota de Nick sobre Amy, de que ela gostava de jogos psicológicos.

Na segunda parte o ritmo como que acelera um pouco mas o grande forte continua a ser a caracterização de personagens. Ficamos a conhecer a verdadeira Amy e como foi para mim tão satisfatório ficar a conhecê-la! Mal ela fala nesta segunda parte senti que ali estava a minha Amy, por assim dizer, e só por isso comecei a gostar muito mais do livro, de tal maneira que me era custoso colocá-lo de lado, e a sentir ainda mais curiosidade pelas personagens. Achei piada ao facto de esta parte se chamar "Boy Meets Girl" porque acaba realmente por ser também a descoberta, por parte de Nick, de quão demente é a sua esposa. Não que ele seja um santinho, pois também ele tem culpa na direcção que a relação de ambos tomou, mais não seja por ser infiel. Ainda assim, e apesar de facilmente serem personagens odiáveis, não conseguimos deixar de nos relacionar com elas, seja por aquilo que passam ou atravessam, ainda que na sua posição tomássemos diferentes opções e atitudes. Ou pelo menos assim espero, pois não me iludo, sei que há pessoas assim e, confesso, depois de ler o livro achei que jamais poderia confiar noutra pessoa ou mesmo na raça humana.

Apesar de ter adorado, tive alguns problemas no que à história diz respeito, sobretudo no final da segunda parte e na terceira. Achei um pouco fora do carácter da Amy deixar-se enrolar por um casal de ladrões. Ok, ela realmente não estava no seu ambiente mas ainda assim achei forçado, que serviu apenas para fazer o plot seguir numa direcção que convinha à autora. A Amy não era cega, ela percebeu o que estavam a planear e não tomou qualquer medida para se precaver? E ir parar aos braços de alguém tão louco ou mais que ela? Podemos debater que perante o falhanço do plano A, ou tendo mudado de ideias devido às reações de Nick ao seu desaparecimento, Amy tenha precisado de encontrar outro bode expiatório, mas de certa forma pareceu-me, mais uma vez, forçado.

Quanto ao final, debati-me por bastante tempo com ele mas acaba por ser acima de tudo bastante real e justo. Não para o mundo, para mim matavam-se um ao outro e o mundo ficava bem melhor, mas para ambas as personagens pois elas acabam por ter o que merecem e, de um modo muito estranho, o que ambos querem.

Veredito: Este é um livro difícil por abordar questões próximas ainda que através de olhos completamente disfuncionais e acabar por nos fazer sair da nossa zona de conforto. Faz-nos pensar e tentar avaliar o que e, sobretudo, quem temos à nossa volta, até que ponto conhecemos alguém. Não sei se o consigo recomendar de ânimo leve. Vale sem dúvida a pena lê-lo, mas é daqueles que talvez seja preciso estar num determinado estado de espírito. Não acho que o tenha lido no momento errado mas no final precisei de ir a correr ler um romance para voltar a acreditar em relações e em pessoas. Este é, com certeza, um livro que não deixa uma pessoa indiferente.

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