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6 de agosto de 2014

Oryx and Crake (MaddAddam, #1)

Autor: Margaret Atwood
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Virago | Ano: 2003 | Formato: e-book | Nº de páginas: 402 | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 7 a 20 de julho. As leituras leves não estavam a dizer-me nada e resolvi virar-me para uma mais pesada.


Opinião: Margaret Atwood é daquelas autoras sobre as quais nunca vou conseguir escrever coisas muito coerentes. E escrevendo, nenhuma palavra minha poderá fazer qualquer tipo de justiça à sua obra, a tudo aquilo que me fez pensar e até analisar na minha vida.

Não direi que a sua escrita é invulgar, pois parece-me ser daquelas que escreve com bastante simplicidade e faz um magistral uso da palavra para contar histórias. Senti alguns problemas a entrar na história, é verdade, não devido à escrita mas ao mundo que a autora nos apresenta, e as "novas palavras" que usa parecem estranhas mas rapidamente se percebem e entram no nosso vocabulário. :P Apesar da sua escrita simples, sem grandes floreados, o retrato que ela faz de como o nosso mundo pode vir a ser, não é nada bom. O retrato, diria eu, é curto e grosso mas parece-me demasiado grosseiro e a escrita não é em nada grosseira. Antes há uma subtileza, uma leveza que acaba por contrabalançar o tema mais denso que o mundo que ela cria acaba por analisar. Faço-me entender? Não?! É porque não consigo expressar o meu fascínio sobre como alguns autores usam algo tão comum, como a linguagem, para fazer algo tão incomum, como contar histórias. Mais que nunca começo a pensar que muita gente escreve (que raios, eu estou aqui a escrever) mas poucos realmente contam histórias, e reside aí a diferença entre um escritor e um artista. E para mim ela é uma artista.

O ritmo da história é lento mas essa lentidão acaba por ser uma excelente imagem da vida de Snowman e uma extraordinária maneira de dar a conhecer a vida de Jimmy, que é como quem diz perceber como se chegou aquele mundo pós-apocalíptico com que nos deparamos no início da narrativa. O dia-a-dia é sempre igual, a mesma rotina, numa tentativa de se manter vivo e cuidar das criaturas que deixaram ao seu cuidado. Numa rotina e sem grande esperança num amanhã melhor, é com pouca surpresa que o protagonista deixe as suas memórias tomarem conta do seu pensamento, sobretudo quando tem de voltar ao lugar onde tudo aconteceu. Aí o ritmo acelera um pouco mais e acabamos por perceber que estando as coisas em movimento acaba por ser praticamente impossível parar. Há por todo o livro um sentimento de inevitabilidade, mas que chegando ao, sei lá, último terço do livro se agudiza. Mesmo que saibamos o que aí vem percebemos que não havia como impedir, porque mesmo que não fosse da maneira apresentada e naquele momento, seria numa outra altura e de outra maneira qualquer mas o resultado seria basicamente o mesmo.

É verdade que sou algo susceptível, nomeadamente quando leio à noite, com apenas o candeeiro da minha mesa de cabeceira ligado, mas durante o dia é um pouco mais difícil assustar-me e fiquei com medo ao ler este livro à luz do dia. Medo porque tal pode vir a acontecer. Epidemias, experiências genéticas, sobrepopulação, são coisas que já existem hoje em dia. Esgotam-se recursos naturais, abusa-se de tudo e mais alguma coisa (inclusivé de pessoas) em prol de uma "civilização humana" mas se tal continuar, quem sabe, como já aconteceu com outras espécies, também a humana se extinga, e deixem-me dizer que não quero andar a fugir de pigoons e wolvogs.

Tal como The Handmaid's Tale, esta é uma história demasiado verosímil, uma cautionary tale que devia ser tida em conta num mundo que parece estar a tornar-se cada vez mais doido.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

29 de dezembro de 2013

Curtas: The Handmaid's Tale [e-book], The Book Thief [e-book]

Ora aqui fica um resumo muito resumido do que vi e li para ver se em 2014 começo do nada e consigo manter um registo como deve ser por aqui, coisa que este ano foi muito ao lado.

Começando pelos livros... Sim a minha tentativa para escrever algo coerente sobre The Handmaid's Tale, The Book Thief e Persépolis saiu completamente ao lado, aqui vai uma nova tentativa.

Título: The Handmaid's Tale [e-book]
Autor: Margaret Atwood
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Harcourt | Ano: publicado originalmente em 1985 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: entre 2 e 17 de outubro, para uma leitura conjunta do SLNB. Também conta para o Mount TBR Challenge e para o Book Bingo.

Sinopse

Opinião: Este é um relato impressionante de uma mulher numa sociedade distópica, de cariz teocrático e fortemente hierarquizada, mesmo dentro da separação entre sexos e sendo sobretudo notório no género feminino. As classes não se centram tanto na riqueza, mas sobretudo no papel que cada mulher tem na sociedade: mãe, procriadora e cuidadora. E digo que é um relato impressionante não só porque é uma história demasiado real, demasiado verosímil, mas porque a relação de um indivíduo com o seu corpo, com a sua mente, a sua relação com os outros e até com a religião, encontra-se muito bem explorada. Convida a pensar e avaliar-nos a nós próprios.

Veredito: Para ter na estante.

Título: The Book Thief [e-book]
Autor: Markus Zusak
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Knopf | Ano: 2007 (publicado originalmente em 2005) | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: entre 12 e 24 de novembro, já que ganhou a votação para o Monthly Key Word Challenge. Também conta para o Mount TBR Challenge .

Sinopse

Opinião: Não vou negar, esperava gostar mais. No entanto, adorei o facto de se passar durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha e mostrar um grupo de pessoas comuns e como são atingidos pela guerra. Gostei da narração pela Morte, das suas reflexões sobre o que via e sobre o seu trabalho. Não fiquei fã da rapariga que roubava livros, mas há outras personagens que dão cor e profundidade ao livro com os seus problemas, as suas desventuras e o seu amor por aquela rapariga, como Max, Rudy, Hans e até Rosa. Sim, eu não gostei dela mas gostei das restantes personagens por o fazerem.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

9 de dezembro de 2013

The Handmaid's Tale, The Book Thief, Persépolis

Sem dúvida de que os livros que mais nos desafiam são os mais difíceis sobre os quais escrever. Como fazer jus a tal livro? Como falar sobre as questões que nos colocou? Como nos levou a pensar em assuntos que jamais nos lembraríamos, sobretudo porque tomamos tanta coisa como certa no nosso dia-a-dia? Mas são estes os livros que por isso mesmo se tornam clássicos e intemporais. Se acredito que os três acabem por ser clássicos, talvez não mas têm tudo para o ser. 

Queria escrever algo sobre a estes três livros mas percebi que é impossível referir-me a todos individualmente quando se debruçam quase todos sobre a mesma coisa: liberdade. Se no primeiro tal coisa é notório, afinal Offred vive presa numa sociedade fortemente hierarquizada, desprovida de tudo o que a faz uma pessoa única para "seu próprio bem", e tal é feito praticamente com a sua conivência, com a sua incapacidade de se rebelar contra o que estava a acontecer porque vários factores que possibilitam essa liberdade foram-se erodindo (dinheiro, identidade...), nos outros dois é mais difícil de ver mas está lá, em Max no caso de The Book Thief e na história do século XX do Irão. Perante estes dois últimos livros percebi que o cenário do primeiro pode não estar assim tão longe, pois a Humanidade não parece querer aprender com os erros do passado e por isso a História tem tendência a repetir-se.

A boa retórica consegue dar a volta à cabeça das pessoas. Seja a convencê-las de que tudo é por um bem comum e universal maior que todos nós, ou de que um grupo de pessoas é a causa de todos os males e que o ir para uma guerra devastadora é a maneira certa para agir. Felizmente o bom uso de palavras também pode ser usado para nos contar as monstruosidades que aconteceram e mostrar futuros que podem (ou mesmo devem) ser evitados. Seja através de uma distopia escrita como que em stream of consciousness, através dos olhos da Morte ou do relato uma criança ingénua que cresce no meio de uma revolução cultural, podem mostrar o que de bom há na Humanidade e como evitar atropelos aos mais variados direitos do Homem. Basicamente ensinam, pedem mesmo que pensemos por nós próprios ao desafiarem-nos.

23 de outubro de 2013

Só Ler Não Basta #9.2 - Leitura Conjunta de A Handmaid's Tale


E estamos de volta! \o/ Devido ao facto de a je aqui ter ido de férias com acesso muito limitado à internet, a segunda parte do episódio 9 só teve lugar em Outubro. Desta vez metemo-nos à conversa com a Carla Ribeiro, do blog As Leituras do Corvo, sobre A Handmaid's Tale de Margaret Atwood. Devido à discussão há alguns spoilers, também respondemos a algumas perguntas/comentários de quem nos estava a ver (e iam fazendo com que morresse com um ataque de riso, o SLNB é perigoso para a minha saúde :D) e a quem muito agradecemos a participação. :)



Links:
Obras da Margaret Atwood aqui
Entrevista de Margaret Atwood, no "The Guardian"

Podem encontrar o índice da conversa e comentários no Youtube e ver algumas impressões sobre a leitura no tópico do grupo no Goodreads. Caso prefiram ouvir em vez de assistir ao vídeo, podem seguir este tutorial para converter o vídeo em ficheiro MP3.

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