Mostrar mensagens com a etiqueta género: ficção científica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta género: ficção científica. Mostrar todas as mensagens

29 de outubro de 2014

The First Star to Fall (For Darkness Shows the Stars, #1.5) [e-book]

Autor: Diana Peterfreund
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Noise Court Press | Ano: 2013 | Formato: e-book | Nº de páginas: 34 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: comprei o e-book no final de 2013, e o livro que o antecede, como prenda de Natal de mim para mim mesma, ainda que este estivesse a preço 0 na Amazon. :D

Quando e porque peguei nele: 19 de outubro. Tinha acabado de ler o livro e precisava de mais!


Opinião: Depois de ter gostado bastante de For Darkness Shows the Stars, resolvi ler esta novela pensando que continuaria a história de Elliott e Kai mas não, serve de introdução a uma outra, com diferentes personagens e aparentemente baseada em The Scarlet Pimpernel. E eu até sabia disto, tinha lido a sinopse e tudo(!), mas a minha memória de peixe...

De qualquer forma, a história pareceu-me interessante ainda que a sua cronologia me tenha deixado algo confusa. Passa-se no mesmo mundo que o anterior, que acaba por ser o nosso num futuro pós-apocalítico, mas quando?! É na mesma época mas num local diferente do planeta?! É ainda mais no futuro, após mudanças que tenham sido introduzidas pelo que aconteceu na história de Elliott e Kai?! Há a mesma separação entre Luddites e Post-Reduced mas com outros nomes, já não há Reduced nem tecnofobia. Aqui a tecnologia existe e parece bem mais evoluída do que em For Darkness Shows the Stars. Enfim, a minha cabeça, talvez por ter lido este logo que acabei o outro, não conseguiu processar a época e por isso senti que estava a ler algo completamente diferente, o que fez com que o entusiasmo esfriasse um pouco.

No entanto, gostei da história ainda que os personagens também me tenham deixado um pouco de pé atrás. Promete ser uma história de espionagem e acho engraçado a Persis deixar uma marca para trás, mas como não conheço a obra original e fiquei com tantas dúvidas quanto ao mundo, não sei se vou partir já-já para o Across a Star-Swept Sea.

Veredito: Foi gratuito e pouco se perde com isso

28 de outubro de 2014

For Darkness Shows the Stars (For Darkness Shows the Stars, #1) [e-book]

Autor: Diana Peterfreund
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Balzer + Bray | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: 416 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: comprei o e-book no final de 2013 como prenda de Natal de mim para mim mesma.

Quando e porque peguei nele: entre 10 e 19 de outubro. Porque sim, estava a querer, mais uma vez, reler o Persuasão mas achei que seria melhor avançar para algo semelhante mas diferente. :P


Opinião: Este era daqueles livros que mais ansiava ler mas também mais temia. Como não sentir tais coisas contraditórias quando este livro era anunciado como um recontar de Persuasão que é só o meu livro preferido da Jane Austen e um dos meus livros preferidos de todos os tempos?! O que é que um livro passado num futuro distante, após um evento apocalíptico que baniu a tecnologia e fez com que parte da população sofresse uma espécie de défice cognitivo, poderia ter em comum com o meu adorado livro?

Mas é verdade. Nota-se a influência do livro de Austen não só em algumas personagens como também em diversas situações, no entanto e felizmente, a meu ver, a autora também consegue afastar-se da história original e escrever uma verdadeiramente sua, o que tornou este livro numa bonita e original homenagem. Provou o que há muito suspeitava, que uma história mesmo tendo bastantes traços em comum com tantas outras, ou uma muito específica, ainda assim tem muito que oferecer mudando-se um ou outro aspecto.

Gostei bastante do pormenor das cartas, como de resto já tinha gostado na prequela, que não chegam aos calcanhares da carta do Cap. Frederick Wentworth *suspira* mas acaba por ser um engenhoso artifício para dar a conhecer a antiga relação entre Kai e Elliott, as personagens principais, assim como de aprofundar a construção deste mundo.

As personagens também estão um pouco abaixo das criadas por Austen, sobretudo Kai que me pareceu muito mais bruto que Wentworth e, em algumas situações, muito mais infantil. De facto, achei que a idade dos protagonistas também não ajudou a que estas tivessem mais profundidade ou me identificasse tanto com elas, já que uma das coisas que mais me cativou em Austen foi o facto de as suas personagens serem bem maduras, com carácter definido e forte. Kai, como disse, ressente-se um pouco sendo ou tendo algumas atitudes infantis quando em Wentworth essas atitudes são mais a imagem de orgulho. Já Elliott pareceu-me um pouco mais bem conseguida mas ainda assim uns furinhos abaixo da minha Anne. Também gostei que a família North não fosse parvinha ou tapadinha de todo, como acontece no livro original, e pareceu-me que a maneira que a autora arranjou para se debruçar sobre a aristocracia de sangue e "novos ricos", digamos assim, foi muito bem conseguida.

Posto isto tudo, fui agradavelmente surpreendida. Aparentemente os meus receios não tinham razão de ser mas acho que é normal quando se lê opiniões sobre outros livros baseados nos de Austen que tanto deixam a desejar (a Slayra deve poder indicar-vos alguns exemplos). Nota-se o carinho que a autora tem pela história mas nem por isso se sentiu presa à mesma e acaba, com este livro, por contar uma história muito sua. Será uma autora a ter debaixo de olho.

Veredito: Vale o dinheiro gasto

26 de agosto de 2014

Só Ler Não Basta #19.2 - The Giver: o dador de memórias


Este mês volta a não haver convidados, mas há muita randomness. :D Acho que por vezes esquecemo-nos mesmo do que era suposto ser o tema. xD As minhas parceiras, porque a minha cabeça é parva e confundiu as coisas, fizeram uma leitura conjunta, ou mais ou menos na mesma altura, do livro da Lois Lowry com o título The Giver, por ocasião da estreia cinematográfica, que pensávamos ser em agosto mas que parece ter passado para setembro. Como não podia deixar de ser, há spoilers, e temo que não só para o livro/filme em discussão. *assobia inocentemente*


Links que podem ter algum interesse:
Walking Away From Colors: The Giver na Tor.com, sobre o livro
"Perhaps It Was Only an Echo": The Giver na Tor.com, sobre o filme
The Giver: film review, crítica ao filme

Podem participar nas discussões no grupo do Goodreads e encontrar um índice da conversa no Youtube.

16 de agosto de 2014

The Giver: o dador de memórias (The Giver, #1)

Autor: Lois Lowry
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Everest Editora | Ano: 2010 (originalmente publicado em 1993) | Formato: livro | Nº de páginas: 240 | Língua: português

Quando e porque peguei nele: 3 a 5 de julho. Feita parva confundi os meses das leituras para o SLNB. :P


Opinião: Não sei porque é que estava à espera de um livro maior mas penso que começou aí a minha desilusão. Sim, li este livro numa altura em que andava meio desiludida com o que andava a ler. Não dá para ser sempre surpreendida e tal, mas digamos que esperava mesmo algo mais.

É um bom livro mas acho que se o tivesse lido há uns anos atrás, talvez quando foi editado originalmente e eu tinha sensivelmente a mesma idade do protagonista, teria gostado bem mais, assim acabou por me parecer demasiado parecido com o filme "Equilibrium", ou pelo menos do que me lembro do filme.

Numa sociedade aparentemente perfeita, seguimos Jonas num importante momento da sua vida: quando se prepara para saber o que vai fazer no seu futuro e perceber que lugar terá naquela sociedade. No entanto, o cargo que o espera não é comum e a sua formação também não o vai ser, pois vai permitir-lhe abrir os olhos e ver que o que parecia perfeito pode afinal ser uma abominação.

Só ouvi falar do livro devido ao filme e realmente penso que será algo que tem a ganhar com uma adaptação, pois de certa forma (e quem vir o trailer perceberá em parte) é um livro visual. A sociedade está bem retratada, ainda que o porquê de ser assim fique por explicar, e o leitor, tal como Jonas, acaba por se integrar bem na mesma até que começa a descobrir o que está por detrás da perfeição. Como acontece com o protagonista, é fácil revoltarmo-nos mas, para dizer a verdade, pouco me importei porque apesar de tudo já sabia o que esperar.

Para além disso, o livro acaba por ser algo superficial. Eu não serei de todo o público-alvo deste livro e senti que devido à idade do protagonista, e consequentemente daqueles a que o livro se dirige, vários aspetos não foram aprofundados, parecendo que só se arranha a superfície de temas que mereciam ser bem melhor explorados. Jonas a certa altura experiencia a morte e a guerra mas isso parece que só o faz sentir triste, não o desfaz ou o horrifica. Pareceu-me que o que ele sente era mais o que sentimos quando vemos notícias do que se passa em Gaza por exemplo, com um certo distanciamento, quando supostamente ele deveria experienciar através da memória de alguém que passou por aquilo, alguém que combateu, participou num conflito armado e perdeu ou viu morrer alguém.

A partir da memória que lhe é transmitida Jonas "cresce" e, como disse, revolta-se mas pareceu-me bastante simplificado. É quase uma questão de "OMD isto é mau e eu quero sentir!" e não me pareceu existir propriamente um pesar de prós e contras. Cheguei a preferir que se seguisse a história da recetora de memórias anterior porque mesmo o final dela teria outro impacto, parece-me. O final de Jonas é deixado algo em aberto e, sinceramente, tive curiosidade em confirmar as minhas suspeitas mas não o suficiente para ler os restantes livros.

Acaba por suscitar alguma ponderação e penso que um público bastante juvenil poderá ganhar com os "ensinamentos" deste livro, mas eu esperava algo mais e diferente.

Veredito: Emprestado e pouco se perde com isso.

6 de agosto de 2014

Oryx and Crake (MaddAddam, #1)

Autor: Margaret Atwood
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Virago | Ano: 2003 | Formato: e-book | Nº de páginas: 402 | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 7 a 20 de julho. As leituras leves não estavam a dizer-me nada e resolvi virar-me para uma mais pesada.


Opinião: Margaret Atwood é daquelas autoras sobre as quais nunca vou conseguir escrever coisas muito coerentes. E escrevendo, nenhuma palavra minha poderá fazer qualquer tipo de justiça à sua obra, a tudo aquilo que me fez pensar e até analisar na minha vida.

Não direi que a sua escrita é invulgar, pois parece-me ser daquelas que escreve com bastante simplicidade e faz um magistral uso da palavra para contar histórias. Senti alguns problemas a entrar na história, é verdade, não devido à escrita mas ao mundo que a autora nos apresenta, e as "novas palavras" que usa parecem estranhas mas rapidamente se percebem e entram no nosso vocabulário. :P Apesar da sua escrita simples, sem grandes floreados, o retrato que ela faz de como o nosso mundo pode vir a ser, não é nada bom. O retrato, diria eu, é curto e grosso mas parece-me demasiado grosseiro e a escrita não é em nada grosseira. Antes há uma subtileza, uma leveza que acaba por contrabalançar o tema mais denso que o mundo que ela cria acaba por analisar. Faço-me entender? Não?! É porque não consigo expressar o meu fascínio sobre como alguns autores usam algo tão comum, como a linguagem, para fazer algo tão incomum, como contar histórias. Mais que nunca começo a pensar que muita gente escreve (que raios, eu estou aqui a escrever) mas poucos realmente contam histórias, e reside aí a diferença entre um escritor e um artista. E para mim ela é uma artista.

O ritmo da história é lento mas essa lentidão acaba por ser uma excelente imagem da vida de Snowman e uma extraordinária maneira de dar a conhecer a vida de Jimmy, que é como quem diz perceber como se chegou aquele mundo pós-apocalíptico com que nos deparamos no início da narrativa. O dia-a-dia é sempre igual, a mesma rotina, numa tentativa de se manter vivo e cuidar das criaturas que deixaram ao seu cuidado. Numa rotina e sem grande esperança num amanhã melhor, é com pouca surpresa que o protagonista deixe as suas memórias tomarem conta do seu pensamento, sobretudo quando tem de voltar ao lugar onde tudo aconteceu. Aí o ritmo acelera um pouco mais e acabamos por perceber que estando as coisas em movimento acaba por ser praticamente impossível parar. Há por todo o livro um sentimento de inevitabilidade, mas que chegando ao, sei lá, último terço do livro se agudiza. Mesmo que saibamos o que aí vem percebemos que não havia como impedir, porque mesmo que não fosse da maneira apresentada e naquele momento, seria numa outra altura e de outra maneira qualquer mas o resultado seria basicamente o mesmo.

É verdade que sou algo susceptível, nomeadamente quando leio à noite, com apenas o candeeiro da minha mesa de cabeceira ligado, mas durante o dia é um pouco mais difícil assustar-me e fiquei com medo ao ler este livro à luz do dia. Medo porque tal pode vir a acontecer. Epidemias, experiências genéticas, sobrepopulação, são coisas que já existem hoje em dia. Esgotam-se recursos naturais, abusa-se de tudo e mais alguma coisa (inclusivé de pessoas) em prol de uma "civilização humana" mas se tal continuar, quem sabe, como já aconteceu com outras espécies, também a humana se extinga, e deixem-me dizer que não quero andar a fugir de pigoons e wolvogs.

Tal como The Handmaid's Tale, esta é uma história demasiado verosímil, uma cautionary tale que devia ser tida em conta num mundo que parece estar a tornar-se cada vez mais doido.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

29 de dezembro de 2013

Curtas: The Handmaid's Tale [e-book], The Book Thief [e-book]

Ora aqui fica um resumo muito resumido do que vi e li para ver se em 2014 começo do nada e consigo manter um registo como deve ser por aqui, coisa que este ano foi muito ao lado.

Começando pelos livros... Sim a minha tentativa para escrever algo coerente sobre The Handmaid's Tale, The Book Thief e Persépolis saiu completamente ao lado, aqui vai uma nova tentativa.

Título: The Handmaid's Tale [e-book]
Autor: Margaret Atwood
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Harcourt | Ano: publicado originalmente em 1985 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: entre 2 e 17 de outubro, para uma leitura conjunta do SLNB. Também conta para o Mount TBR Challenge e para o Book Bingo.

Sinopse

Opinião: Este é um relato impressionante de uma mulher numa sociedade distópica, de cariz teocrático e fortemente hierarquizada, mesmo dentro da separação entre sexos e sendo sobretudo notório no género feminino. As classes não se centram tanto na riqueza, mas sobretudo no papel que cada mulher tem na sociedade: mãe, procriadora e cuidadora. E digo que é um relato impressionante não só porque é uma história demasiado real, demasiado verosímil, mas porque a relação de um indivíduo com o seu corpo, com a sua mente, a sua relação com os outros e até com a religião, encontra-se muito bem explorada. Convida a pensar e avaliar-nos a nós próprios.

Veredito: Para ter na estante.

Título: The Book Thief [e-book]
Autor: Markus Zusak
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Knopf | Ano: 2007 (publicado originalmente em 2005) | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: entre 12 e 24 de novembro, já que ganhou a votação para o Monthly Key Word Challenge. Também conta para o Mount TBR Challenge .

Sinopse

Opinião: Não vou negar, esperava gostar mais. No entanto, adorei o facto de se passar durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha e mostrar um grupo de pessoas comuns e como são atingidos pela guerra. Gostei da narração pela Morte, das suas reflexões sobre o que via e sobre o seu trabalho. Não fiquei fã da rapariga que roubava livros, mas há outras personagens que dão cor e profundidade ao livro com os seus problemas, as suas desventuras e o seu amor por aquela rapariga, como Max, Rudy, Hans e até Rosa. Sim, eu não gostei dela mas gostei das restantes personagens por o fazerem.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

23 de outubro de 2013

Só Ler Não Basta #9.2 - Leitura Conjunta de A Handmaid's Tale


E estamos de volta! \o/ Devido ao facto de a je aqui ter ido de férias com acesso muito limitado à internet, a segunda parte do episódio 9 só teve lugar em Outubro. Desta vez metemo-nos à conversa com a Carla Ribeiro, do blog As Leituras do Corvo, sobre A Handmaid's Tale de Margaret Atwood. Devido à discussão há alguns spoilers, também respondemos a algumas perguntas/comentários de quem nos estava a ver (e iam fazendo com que morresse com um ataque de riso, o SLNB é perigoso para a minha saúde :D) e a quem muito agradecemos a participação. :)



Links:
Obras da Margaret Atwood aqui
Entrevista de Margaret Atwood, no "The Guardian"

Podem encontrar o índice da conversa e comentários no Youtube e ver algumas impressões sobre a leitura no tópico do grupo no Goodreads. Caso prefiram ouvir em vez de assistir ao vídeo, podem seguir este tutorial para converter o vídeo em ficheiro MP3.

10 de setembro de 2013

Atlas das Nuvens

Autor: David Mitchell
Ficção | Género: é tão difícil defini-lo! Ficção histórica, thriller, ficção científica...
Editora: Dom Quixote | Ano: 2007 (originalmente publicado em 2004) | Formato: livro | Nº de páginas: 616 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: emprestado pelas BLX apesar de ter o áudio-livro, mas estou um pouco destreinada em acompanhar coisas em áudio e pareceu-me que esta história também não seria convenientemente apreciada nesse formato.

Quando e porque peguei nele: 27 de agosto a 8 de setembro. Ganhou a votação do Monthly Key World Challenge mas como me chegou mais tarde do que pretendia às mãos acabou por não entrar para o desafio. Estou condenada a não completar nenhum. xD Mas tenho lido coisas tão boas!


Opinião: Eis um livro difícil de definir e sobre o qual me vai ser difícil escrever, apesar de já ter falado bastante dele por aí. O melhor talvez seja ir escrevendo sobre a leitura e ver no que vai dar...

Ora, o livro abre com o diário de Adam Ewing e tudo estava a correr bem até me encontrar com o final do capítulo e... uma frase que acaba a meio! Fiquei piursa, pior que estragada porque achei que o autor ou a editora estavam a gozar comigo. Pensei em mandar o livro às urtigas até que me decidi a dar uma vista de olhos pelo livro e reparei que, afinal de contas, a história continuava. Parei, coloquei o livro de lado e pensei "ok, isto parece que vai variando entre histórias, talvez deva acalmar-me e continuar amanhã". E foi o melhor que fiz. Convém se calhar dizer que não tinha lido críticas ao livro, apenas um comentário ou outro, não que não me interessasse (apesar de que quando começou a aparecer eu tenha pensado "é um livro de auto-ajuda?" e tenha ficado algo de pé atrás) mas porque há aqueles livros que sinto que mais cedo ou mais tarde hei-de ler e quero ir completamente às escuras para a sua leitura. Assim, apesar de quase todas as críticas falarem em matrioshkas (o próprio livro as refere) e fazerem referência ao facto de as várias histórias serem interrompidas e recomeçadas, acabei por ser apanhada de surpresa.

Dizia então que colocar de lado e voltar a pegar no dia seguinte, depois do breve momento de frustração, acabou por ser o melhor pois a partir daí passei a adorar o livro. O segundo capítulo pareceu-me estar para os sons como O Perfume está para os cheiros; no terceiro deparei-me com um thriller; o quarto pareceu-me uma coisa confusa mas com potencial para o humor; o quinto apresentou-me uma história de ficção científica; o sexto e último, e o único contado de forma sequencial, uma distopia! Até que voltei ao quinto e às histórias precedentes. Conforme vamos avançando nas várias histórias vamos vendo pontos em comum mas, confesso, não estava a perceber bem qual seria o intuito até chegar à história central e, posteriormente ao final de todas as outras. A última, nomeadamente as duas últimas páginas, fecham então o círculo e deixa claro a intenção do livro, é um alerta sobre o lado predatório do ser humano ("os fracos são a carne, os fortes comem-na"), sobre como o domínio e o poder movimentam, fazem andar ou, aparentemente, evoluir a Civilização, mas num sentido que talvez não seja bem o que a Humanidade espera. Este livro relembrou-me uma citação do FlashForward e, para dizer a verdade, senti como se tivesse sido visitada pelo Fantasma do Natal que Está para Vir.

Mas não temos apenas uma visão pessimista do mundo e do futuro, há também uma nota de esperança, ainda que algo ténue, de que as boas acções também produzem efeitos e podem impedir que "um mundo puramente predatório acabe por consumir-se a si próprio". As nossas acções podem parecer que em nada afectam o mundo, que não têm outro efeito se não em nós, mas um homem não é uma ilha e muitas vezes só anos, e porque não séculos, mais tarde podemos perceber como determinada acção ou decisão nos afectou ou a outros.

Não há então como negar, em termos de escrita e de história este livro é dos melhores que li este ano, se não mesmo dos que li até hoje. A multiplicidade de estilos e de vozes dá a este livro um carácter único e, parece-me, difícil de imitar. É um exercício fantástico em termos de ligação de histórias e personagens, mostra o à-vontade do autor com os mais diferentes géneros, um domínio da linguagem e de várias formas de comunicação. Temos um diário, cartas, um livro dentro do livro, uma história para ser convertida em filme, duas sociedades com diferentes linguagens: uma consumista, onde a marca se sobrepõe ao objecto passando a identificá-lo, e uma outra sociedade onde a linguagem é mais contraída, fragmentada parece-me. Mas apesar de isto tudo, faltou-lhe algo para ser brilhante.

Apesar de ter gostado de todas as histórias, não tenho nenhuma preferida, sinto que uma maior ligação emocional com as personagens transformaria este livro em algo ainda mais transcendental. Não sei se foi por serem histórias curtas, e por isso não haver muito espaço para desenvolvimento e aprofundamento das personagens, mas senti sempre como uma observadora de fora, mais à espera de ver o que dali saía do que propriamente investida na história que estava a ser contada. Senti mesmo que era "como se seguíssemos uma pessoa numa rua e a acompanhássemos durante o seu dia, até que esbarra com outra pessoa e depois passamos a seguir essa outra pessoa e observamos um pouco da sua história e como foi ou não afectada pela anterior", mas sem mais nenhuma razão que a curiosidade de ver como a sua vida mudava ou não. Era mais movida por curiosidade, por ver como é que todas estas histórias se ligavam (e tenho a certeza de que muita coisa, mesmo assim, me passou ao lado), do que propriamente por importar-me e querer tudo de melhor para as personagens. Não sei se me faço entender... :/

Enfim, até porque isto parece que já vai longo, este não é daqueles livros para devorar de uma assentada. Resolvi ler um capítulo por dia, porque assim deu-me tempo para pensar nas diferentes histórias e temas, e não me arrependo. Há leituras que se devem fazer devagar e este livro, e o próprio leitor, só têm a ganhar com isso. Apesar de não ter feito um grande click comigo não deixo de o achar um livro brilhante e só o posso recomendar.

Veredito: Vale o dinheiro gasto mas está perto, muito perto, de um para ter na estante. Consigo ver-me a relê-lo vezes sem conta. Simplesmente algumas frases, um ou outro capítulo, todo o livro da forma como está escrito ou as histórias sem qualquer interrupção. Parece ser daqueles livros que dá e a cada releitura pode dar ainda mais.

8 de setembro de 2013

Among the Nameless Stars (For Darkness Shows the Stars, #0.5) [e-book]

Autor: Diana Peterfreund
Ficção | Género: ficção científica
Editora: HarperCollins Publishers | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: este ano, quando vi que estava a preço 0 na Amazon.

Quando e porque peguei nele: 5 de setembro. Tinha acabado de ler um capítulo de Atlas das Nuvens e apetecia-me continuar a ler, mas como tinha resolvido só ler um capítulo deste livro por dia e há muito que não lia no Kindle (mesmo o Persuasion ando a reler no telemóvel) resolvi que não perdia nada em ler este. Pelo contrário...


Opinião: Desde que vi que For Darkness Shows the Stars era um recontar de Persuasão, que tenho andado de olho nele. Mas as dúvidas do costume assaltaram-me. Será bom? A escrita é semelhante à de Austen? É só um recontar da história ou focará as diferenças sociais? Basicamente, estaria ao nível do livro da Austen que mais adoro e não me canso de ler? Se este conto servir de indicação, até pode não estar exatamente ao mesmo nível mas não deixará de ser uma leitura prazenteira.

Este conto debruça-se sobre a fuga de Kai de North Estate, onde aparentemente trabalharia ou estaria sobre a alçada do pai de Elliot North, a única rapariga que Kai amou e a quem escreve cartas, mesmo que nunca passem para o papel ou sejam enviadas. Mas a sua busca por uma vida melhor sofre alguns tropeções.

Achei curioso o pormenor das cartas, eu que acho que já disse por mais de uma vez por aqui e essa internet fora que AMO a carta do Wentworth ("You pierce my soul. I am half agony, half hope." *suspira*), e é interessante seguir Kai depois de abandonar Elliot com um coração partido por companhia, por esta se decidir em não o seguir. Há momentos em que se arrepende da fuga, momentos em que acha que ainda bem que ela não o seguiu, momentos em que a odeia por aquela decisão e por, aparentemente, não acreditar nele. Os seus sentimentos contraditórios, os seus desabafos nas cartas, soaram-me a algo tão real que é impossível ficar indiferente e não desejar que algum dia ele volte a encontrá-la, numa situação bem melhor que ela, e lhe venha a esfregar na cara como ela estava errada. Eu sei, é mau ter sentimentos deste tipo, mas tão humano e tão de acordo, parece-me, com o livro em que se baseia. Conseguia imaginar o Wentworth a ter as mesmas dúvidas, a mesma raiva e resignação perante a recusa de Anne.

Perdoem-me, tenho de ir ler mais uma vez a carta mai'linda de todo o sempre...

Veredito: Vale o dinheiro gasto ou pelo menos eu mal posso esperar por ter a continuação nas mãos. Entretanto vou continuando a releitura do Persuasão pela não sei quanta vez.

2 de março de 2011

Os Despojados - uma utopia ambígua (2 volumes)


Autor: Ursula K. Le Guin
Género: ficção científica
Editora: Publicações Europa-América | Nº de páginas: 156+156

Resumo (dos livros): No seu romance mais ambicioso e profético, Ursula K. Le Guin realizou um espantoso tour de force: a arrebatadora história de Shevek, um físico brilhante que tenta reunir sozinho dois planetas, separados um do outro por séculos de desconfiança.

Anarres, a pátria de Shevek, é uma lua árida, colonizada por uma civilização anarquista utópica; Urras, o planeta-mãe, é um mundo muito semelhante à Terra, com as suas nações beligerantes, grande pobreza e imensa riqueza. Shevek arrisca tudo numa corajosa visita a Urras - para aprender, para ensinar, para partilhar. Mas a sua dádiva transforma-se em ameaça... e no conflito profundo que daí resulta Shevek é forçado a reexaminar a sua filosofia de vida.


~*~

Eis que chegámos à segunda e última parte de Os Despojados. Assistimos na primeira parte à ida de Shevek para Urras, um planeta muito semelhante à Terra, com as suas nações beligerantes, grande pobreza e imensa riqueza.

Nesta segunda parte, Ursula K. Le Guin descreve-nos o conflito profundo de Shevek perante uma realidade completamente diferente do seu planeta-pátria, Anarres, dominado por uma civilização anarquista utópica.

Um romance profético e um espantoso
tour de force da notável escrita de Ursula K. Le Guin, considerada pela crítica internacional uma escritora inteligente e excelente.

Opinião: Este ano tinha por objectivo participar em alguns bookclubs, bem talvez não participar activamente comentando e tal, mas lendo os livros e o que outros acharam dos mesmos, acompanhando a discussão de modo passivo. Isto sobretudo porque os bookclubs que pensava participar são em inglês e nem sempre me consigo exprimir convenientemente, e porque aquele em que mais tinha possibilidades de participar, por conseguir encontrar os livros nas BLX, é um género ao que não estou habituada - ficção científica. Mas achei que seria um desafio interessante ler os livros escolhidos e que tenho à disposição exactamente por saírem da minha zona de conforto, afinal de contas há que experimentar o desconhecido de vez em quando.

Foi por isto que peguei então nestes dois pequenos livros... e já agora um pequeno a parte, achei curioso ver que este livro por cá estava dividido e ainda por cima serem de tamanho tão pequeno, quando tantos criticam as opções das editoras portuguesas hoje, que dividem livros de 700 ou 800 páginas em dois. Nesta altura, penso que anos 80, ninguém criticava estas medidas? :P

Dizia então que peguei nestes livros, a escolha de Fevereiro do blog Dreams & Speculation, e não sabia bem o que esperar. Sobre o que trataria? As capas não deram nenhuma ajuda, pelo contrário, até me levaram a torcer o nariz algumas vezes, mas lá me decidi a ler, num momento em que pouco ou nada conseguia prender-me a atenção. E realmente foi um problema passar da primeira página, penso que a li 2 ou 3 vezes até conseguir prosseguir, mas depois de ler a segunda já só o conseguia colocar de lado quando exausta e cheia de sono.

Os Despojados tem como pano de fundo dois planetas, Anarres e Urras, sendo o primeiro como que uma colónia do segundo, para onde partiram os partidários de uma sociedade anarquista e solidária, desgostosos da sociedade capitalista do planeta de origem. Shevek tenta encetar um diálogo entre ambos e ao longo dos vários capítulos seguimos a sua história. Os capítulos alternam entre passado em Anarres, os capítulos pares, e o presente em Urras, capítulos ímpares, providenciando-nos uma visão e conhecimentos dos dois mundos.

No primeiro volume, a primeira metade do livro original, vemos o crescimento de Shevek em Anarres. Ficamos então a saber que apesar de a sociedade ser anárquica, ou seja não haver um governo, poucos problemas sociais há, sendo que todos se sacrificam para um bem comum, trabalhando no que gostam e participando ocasionalmente em trabalhos físicos para providenciar o necessário para a comunidade sobreviver. Mas nem tudo é tão igualitário como parece. Quem se atreve a pensar de forma diferente vê as suas pernas cortadas, por assim dizer, não conseguindo prosseguir os seus estudos, levando a um sentimento negativo, de que não contribui para a comunidade. Atinge por isso um muro. Shevek passa por tal experiência, chegando a pensar suicidar-se, quando é forçado a abrir os olhos para a realidade em que vive.

Já no que toca à acção passada em Urras, um planeta bastante semelhante à Terra pelo que é curioso ver como Shevek se adapta a um mundo tão diferente para ele mas tão semelhante para nós leitores, percebemos que desejam algo de Shevek e que aquilo que vemos não será bem assim. Shevek vê-se limitado em movimentos, não parece poder sair da faculdade em que está instalado, para ver alguma coisa do resto do planeta tem de ser acompanhado, é convidado para as festas em que estão sempre as mesmas pessoas... Enfim, estranhei que num país capitalista todos tenham roupas ricas e frequentem grandes festas, o que me leva a ponderar se a miséria não estará escondida.

E eis que o segundo livro começa exactamente com Shevek a ponderar se não estará “dentro de muralhas”, a ver o que querem que ele veja. Conhece então a outra face de Urras, onde é tido como um Messias, que os pode tirar do jugo capitalista para a sociedade viver de forma igual, justa e em liberdade. Pelo seu discurso inflamatório, por assim dizer, ao alimentar um sonho que tantos acalentam, vê-se no meio da maior crueldade, presenciando a força bruta usada para controlar as ideias e dissidentes. Mas a história em Anarres também não é feliz para Shevek, que entende então que na sua terra natal começa a existir um poder burocrático e central, mesmo que não tenha sido essa a intenção e propõe-se a construir uma “Anarres para além de Anarres”, continuando a revolução iniciada por Odo, já que a revolução em si própria não pode ter um fim, pois a estagnação e permite a emergência dos centros de poder.

O protagonista, e o próprio leitor ouso dizer, percebe então que não são os Anarresti que devem ir ter com os outros povos mas os outros povos a evoluírem e ir ter, de livre vontade e de mãos vazias, com a sociedade de Anarres. Que é o indivíduo que tem de perceber que a única coisa que pode dar aos outros é a sua própria pessoa, já que é só a si que possui.

Gostei bastante do livro, sobretudo pelo debate social mas a autora não se centra apenas em nisso. A diferença entre as duas sociedades é profunda, desde o uso e posse de objectos (Urras tem uma política de usar e deitar fora enquanto que Anarres não tem sentido de posse, tudo é partilhado) até à mentalidade, sendo um exemplo a diferente opinião sobre o papel das mulheres na sociedade.

Achei curioso o subtítulo “uma utopia ambígua” mas realmente, quanto mais conhecemos cada sociedade a nossa visão, tal como a de Shevek, vai mudando e percebemos que nenhuma é perfeita. Se uma parece esplendorosa devido à riqueza do próprio planeta, rico em sol, chuva, alimentos e vida natural, sabemos no entanto que há quem viva na pobreza e miséria; se a outra parece uma sociedade justa ainda que debatendo-se com dificuldades devido à pobreza do solo, o que inspira a entreajuda, vimos a descobrir que por detrás da igualdade existe um sistema de repressão que exclui quem não se adapta às regras que surgem espontaneamente em defesa de uma comunidade ideal, que o indivíduo não tem direito a ser tal se não se enquadrar na máquina social.

É um livro deveras interessante, que convida a pensar na nossa própria sociedade, sobretudo num momento em que parece tornar-se tão individualista. Devo confessar que por vezes me senti perdida, sobretudo na discussão das teorias físicas de Shevek, mas é sem dúvida um livro a ler.

Vale o dinheiro gasto: Estes livros foram emprestados, mas sem dúvida de que são para reler. O tema interessa-me bastante e a ambiguidade convida a pensar e a encontrarmos nós as respostas. Seremos capazes de deixar objectos para trás ou continuaremos a ser possuídos por eles? Podemos pedir tudo dos outros sem darmos algo em troca? Poderemos dar-nos sem pensar em receber algo? É o oferecer ou o receber que traz felicidade?

25 de março de 2010

Flashforward

Autor: Robert J. Sawyer
Género: ficção científica
Editora: Saída de Emergência | Nº de páginas: 284
Nota: 4/5

Resumo (do livro): O que faria se tivesse um vislumbre trágico do seu próprio futuro? Tentaria mudar as coisas, ou aceitaria que o futuro é imutável?

Em
Flashforward, é iniciada uma experiência científica que conduz ao inesperado: o mundo inteiro cai inconsciente por instantes e todas as mentes são projectadas vinte anos no futuro. Quando a humanidade desperta, o caos impera por todo o lado: carros arruinados, cirurgias falhadas, quedas, destruição em massa e um elevado número de mortes.

Mas esse é apenas o início. Passado o choque das visões, cada indivíduo tenta desesperadamente evitar ou assegurar o seu próprio futuro vislumbrado… Expondo as perspectivas de várias personagens, Robert J. Sawyer realiza uma brilhante reflexão filosófica sobre viagens no tempo, consciência, destino e o que significa ser humano.


Opinião: Desde o Verão, em que vi ser anunciada a série, que fiquei curiosa quanto ao livro. Infelizmente não me tem sido possível seguir a série, que volta ao ar hoje dia 25 de Março, já que cá por casa impera a lei da posse do comando e raramente sou eu que o tenho. Por isso foi com grande satisfação que o vi ser publicado pela SdE, ainda que com o Joseph Fiennes na capa, actor de que não sou particularmente fã. :P

Ainda que diferente da série, pelo que me foi dado a conhecer, o livro começa igualmente com um desmaio global em que todos os habitantes do planeta, durante quase 2 minutos, têm um vislumbre da sua vida daí a cerca de 21 anos. Quer dizer, todos não já que Theo Procopides, um dos protagonistas, não vê nada… já que daí a 21 anos estará morto. Quer isto dizer que o futuro está escrito? Não teremos livre-arbítrio? É sobretudo em torno destas questões que gira o livro, apresentando-nos algumas teorias interessantes que já conhecia, como a do Gato de Shrödinger, e outras que não fazia ideia existirem, caso do Universo em Bloco ou o Cubo de Minkowski.

No que toca a personagens, estas são muito básicas, estereotipadas, mas perfeitas para este tipo de livro. Foi fácil relacionar-me com elas, ainda que tenha achado Simcoe algo arrogante. Gostei de ver alguns acontecimentos futuros, como o final da monarquia em Inglaterra, e achei curioso a acção passar-se em 2009 quando o livro foi escrito em 1999, sobretudo porque foi em 2008/2009 que o LHC do CERN começou a trabalhar (recordo-me do meu irmão dizer que vinha aí um novo Big Bang… mas felizmente nada aconteceu :P ). E por fim, apesar de ter sido um pouco difícil adaptar-me à grafia do novo Acordo Ortográfico tal como aconteceu a Slayra, tenho de salientar a escrita fluida e bastante acessível do autor (e o trabalho da tradutora), mesmo no que toca à Física por detrás do flashforward. Reconheço-me ignorante no que à Física diz respeito e temia que isso dificultasse a minha leitura, mas tal não aconteceu sendo todos os assuntos, como o Bosão de Higgs, explicados de forma bastante simples e fácil de compreender. A parte filosófica também é fácil de acompanhar, até porque penso que já todos nós, num momento ou noutro, tivemos as mesmas dúvidas. Foi uma surpresa ver a teoria que também defendo explicada no livro, já que muitas vezes não me consigo expressar de forma conveniente e agora posso apontar estas passagens do livro.
– Recorda-me a história de Um Conto de Natal, do autor inglês Charles Dickens. A personagem Ebenezer Scrooge teve uma visão do Natal Que Está Para Vir, na qual os seus atos tinham resultado em desgraça para muitas outras pessoas, e em si próprio sendo odiado e desprezado na morte. Claro que ter uma visão destas seria uma coisa terrível – se fosse a visão de um único futuro real e imutável. Porém disseram a Scrooge que não, o futuro que ele vira era apenas a extrapolação lógica da sua vida, caso ele continuasse a viver daquela maneira. Poderia mudar a sua vida, e as vidas dos que o rodeavam, para melhor; aquele vislumbre do futuro revelara-se uma coisa maravilhosa.
Claro que nem todos podemos ver o futuro, mas dá para termos mais ou menos uma noção do que nos vai acontecer amanhã se tomarmos as escolhas que normalmente tomamos. Daí que fazer algo de extraordinário, seja porque decidimos fazer alguma coisa fora do comum ou porque algo incomum nos acontece (afinal a liberdade de cada um acaba quando começa a do outro e há muitos acontecimentos que estão fora do nosso controlo), seja de certa forma mudar o futuro. Eu tenho a noção de que se não tivesse feito algumas escolhas, de momento talvez não me encontrasse na situação que estou hoje…

Mas voltando ao livro, confesso-me algo desiludida com a parte final mas para uma segunda incursão na ficção científica, desta vez adulta e não orientada para público jovem-adulto como aconteceu com Scott Westerfeld, foi também bastante satisfatória e fiquei sedenta por mais livros deste género. Fiquei sobretudo interessada numa série deste autor denominada Neanderthal Parallax (vá-se lá saber porquê *assobia casualmente*), pelo que se souberem mais alguma coisa desta série ou de outros livros do género, estou aberta a sugestões.

30 de setembro de 2009

Extras (Uglies, Livro 4)

Autor: Scott Westerfeld
Género: Ficção científica
Editora: Simon and Schuster | Nº de páginas: 417
Nota: 4/5

Resumo (da capa): These days, it’s all about fame…

‘Tech-heads’ flaunt their latest gadgets, ‘kickers’ spread gossip and trends - and it’s all monitored by millions of cameras. The world is like a giant reality TV show, where popularity rules and everyone else is just an extra.

As if it isn’t hard enough being fifteen, with a face rank of 451,369, Aya Fuse is a total nobody. But when she meets a clique of girls who pull crazy, dangerous tricks in secret, Aya knows that if she can just kick their story, her popularity rating will soar…

Aya is sure she’s destined for a life in the spotlight, but is she really prepared for everything that comes with it - instant fame, celebrity… extreme danger?


Opinião: Depois do terceiro volume me ter decepcionado um pouco, parti para este volume de pé atrás, mas confesso-me rendida e curiosa em ler mais livros de ficção científica.

Neste volume a acção passa-se cerca de 3 anos depois da “Era Bonita”, por assim dizer. Os adolescentes podem continuar a fazer operações, para fazer parte ou fundar novas “cliques”, mas já não ficam com as cabeças vazias. No Japão, esta nova era trouxe uma nova economia baseada na fama, ou em quantas vezes o nome de uma pessoa é mencionado, seja por serem extremamente bonitas mesmo sem operação, por fundarem novas “cliques” e tendências, por “kickarem” a melhor e mais interessante história dos últimos tempos, ou por terem simplesmente mudado o mundo - o que acontece com Tally, a famosa nº1 do planeta. No entanto, não seguimos esta mas Aya Fuse, uma “kicker” (um género de jornalista), que sente estar destinada à fama assim que der a conhecer a história de um grupo de raparigas algo esquivo. Mas Aya não esperava ver-se metida numa história ainda maior…

As personagens neste volume são muito mais agradáveis de seguir que no volume anterior, nomeadamente a personagem principal – se Tally com tanta operação ao cérebro muda radicalmente, sobretudo de livro para livro, isto não acontece com Aya, que nunca tendo sofrido nenhuma alteração e querendo dar notícias em primeira mão e assim conquistar fama, assemelha-se a qualquer blogger dos dias de hoje pelo que é fácil identificarmo-nos com ela. :P

A história é interessante o suficiente para lermos página atrás de página sem ligarmos ao tempo, quando lhe pegava era difícil voltar a largá-lo, e gostei do título do livro e de como ele depois se relaciona com a história. ;) Parece-me um final muito mais digno para esta série que terceiro volume, que supostamente deveria ter sido o final. Temia outro “Meyer” *assobia inocentemente* mas este tem acção que baste.

No conjunto, é uma série agradável e um bom primeiro passo para quem tem algumas reticências no que toca à ficção científica, como eu. A sociedade é interessante e o autor consegue colocar-nos a pensar em alguns temas, apesar de não serem muito aprofundados, mas que resulta se tivermos em conta a faixa etária a que este livro se destina, o público jovem-adulto (ou YA, como agora é conveniente chamar :P ) entre os 15 e os 19 anos.

26 de setembro de 2009

Specials (Uglies, Livro 3)

Autor: Scott Westerfeld
Género: Ficção científica
Editora: Simon Pulse | Nº de páginas: 372
Nota: 3/5

Resumo (do site Goodreads): "Special Circumstances":

The words have sent chills down Tally’s spine since her days as a repellent, rebellious ugly. Back then Specials were a sinister rumor – frighteningly beautiful, dangerously strong, breathtakingly fast. Ordinary pretties might live their whole lives without meeting a Special. But Tally’s never been ordinary.

And now she’s been turned into one of them: a superamped fighting machine, engineered to keep the uglies down and the pretties stupid.

The strength, the speed, and the clarity and focus of her thinking feel better than anything Tally can remember. Most of the time. One tiny corner of her heart still remembers something more.

Still, it’s easy to tune that out – until Tally’s offered a chance to stamp out the rebels of the New Smoke permanently. It all comes down to one last choice: listen to that tiny, faint heartbeat, or carry out the mission she’s programmed to complete. Either way, Tally’s world will never be the same.


Opinião: Não posso dizer que tenha ficado muito agradada com este livro. Depois do volume anterior, em que temas e o mundo de Tally são aprofundados, esperava que assim continuasse, o que infelizmente não acontece. Este livro é, quase todo, acção com Tally passando a ser uma das “más”, o que até podia ser interessante mas torna-se enfadonho. Não me senti tão identificada com a personagem e a sua luta interior também não me cativou por aí além, até porque não parece ir a lado nenhum. Enquanto se vê um crescimento da personagem nos dois primeiros livros, neste tal não parece acontecer, mantendo-se a mesma ao longo de todo o livro, considerando-se melhor que todos os outros. Além disso, parece que o ambiente se torna o grande tema, quando parecia que o grande objectivo destes livros era uma pessoa afirmar-se pelo seu interior e não o exterior. No final do livro fiquei mesmo a pensar que, se o grande problema era o facto de as cidades começarem a alargar-se, se calhar era melhor ter ficado tudo na mesma, a serem submetidos a lavagens cerebrais…

Estava à espera de um pouco mais deste livro, resta ler o último volume, para ver que tipo de mundo se criou então após as acções de Tally.

19 de setembro de 2009

Pretties (Uglies, Livro 2)

Autor: Scott Westerfeld
Género: Ficção científica
Editora: Simon Pulse | Nº de páginas: 370
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Gorgeous. Popular. Perfect. Perfectly wrong.

Tally has finally become pretty. Now her looks are beyond perfect, her clothes are awesome, her boyfriend is totally hot, and she’s completely popular. It’s everything she’s ever wanted.

But beneath all the fun – the nonstop parties, the high-tech luxury, the total freedom – is a nagging sense that something’s wrong. Something important. Then a message from Tally’s ugly past arrives. Reading it, Tally remembers what’s wrong with pretty life, and the fun stops cold.

Now she has to choose between fighting to forget what she knows and fighting for her life – because the authorities don’t intend to let anyone with this information survive.


Opinião: Neste segundo livro continuamos a seguir Tally, que finalmente é submetida à operação e torna-se, finalmente, “bonita”. No entanto, apesar de ser incluída no grupo a que tanto queria pertencer, apercebe-se que há algo errado, o seu passado não é muito claro até receber uma carta de si própria, lembrando-lhe a sua missão.

Os temas e a sociedade são um pouco mais aprofundados neste volume, assim como o porquê das operações. Gostei do que terá levado ao desaparecimento da nossa (actual) civilização, somos os “Rusties” dos livros; a parte do estudo antropológico também me pareceu um ponto bem conseguido; não gostei tanto da maneira escolhida pelo autor para alguns “bonitos” se manterem “bubbly” (algo como lúcidos, capazes de pensar e de ver o mundo como ele realmente será, capazes de fazerem decisões), se bem que o entenda em parte.

Uma boa continuação para esta série.

Uglies (Uglies, Livro 1)

Autor: Scott Westerfeld
Género: Ficção científica
Editora: Simon and Schuster | Nº de páginas: 448
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Everybody gets to be supermodel gorgeous. What could be wrong with that?

Tally can’t wait to turn sixteen and become Pretty. Sixteen is the magic number that brings a transformation from a repellant Ugly into a stunningly attractive Pretty, and catapults you into a high-tech paradise where your only job is to have a really great time. In just a few weeks Tally will be there.

But Tally’s new friend Shay isn’t sure she wants to be Pretty. She’d rather risk life on the outside. When Shay runs away, Tally learns about a whole new side of the Pretty world – and it isn’t very pretty. The authorities offer Tally the worst choice she can imagine: find her friend and turn her in, or never turn Pretty at all. The choice Tally makes changes her world forever.


Opinião: Este livro chegou-me às mãos através da Slayra, que tinha uma cópia a mais. Como não costumo dizer que não a livros dados, ainda que o tema a principio não suscite muito o meu interesse, fiquei com ele. Devo confessar que peguei nele algo apreensiva, não que duvide das opiniões da Slayra, pelo contrário (ela bem tinha razão, quando não conseguiu acabar de ler o Crepúsculo *assobia inocentemente*), mas surpreendeu-me pela positiva.

Num futuro, quiçá não tão distante assim, todos os adolescentes, ao completarem os 16 anos, são submetidos a uma operação cirúrgica de modo a ficarem “bonitos”, passando a partir daí a gozar de todos os luxos que a sua sociedade oferece, preocupando-se com quase nada. Tally conta os dias que faltam para a sua operação, o que mais ambiciona, até que conhece Shay que vira, literalmente, a sua vida de pernas para o ar. Decidida a não submeter-se à operação, Shay tenta convencer Tally a fugir com ela para um local onde podem envelhecer segundo a ordem natural. Tally mostra-se reticente, mas acaba por seguir Shay e descobre que o mundo “bonito”, pelo qual tanto ambicionava e com que tanto sonhava, não é tão bonito assim.

Com uma escrita bastante fluida, ao autor dá-nos conta de um mundo onde jovens normais e saudáveis são levados a pensar que só submetendo-se a uma operação cirúrgica que os deixa “lindos” podem viver em pleno e desfrutar da vida. É essa a ideia da personagem principal, Tally Youngblood, que vemos crescer enquanto descobre tudo o que está por detrás do mundo idealizado. Os temas introduzidos não são aprofundados mas deixam-nos a pensar, no que é realmente bonito e feio, se uma vida sem preocupações é boa se no entanto deixamos de ser nós próprios.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...