13 de dezembro de 2010

Como ler muito por pouco

A ideia para este texto veio da Tchetcha que diz que sou pró a ler muito por pouco dinheiro. Na verdade não é muito difícil e faço-o desde pequena porque, infelizmente, os meus pais nunca ganharam o Totoloto, EuroMilhões e outros desses jogos de sorte, e está visto que eu tenho tanta sorte como eles.

Então como ler muito por pouco? Não é muito difícil.

Quem segue este blog já deve ter reparado que os empréstimos são muitos, sejam de bibliotecas ou de privados. Isto é algo a que sempre estive habituada. Sempre tive pessoas dispostas a emprestar-me livros que têm nas suas bibliotecas privadas e cujos títulos suscitam o meu interesse. Desde família, amigas da minha mãe (que em tempos leu muito mas agora dedica-se mais a outras coisas) e amigas minhas, até pessoas que conheço pela internet, por exemplo foi assim que me viciei n’As Crónicas de Gelo e Fogo do Martin, já muitos me emprestaram livros e nunca me custou pedir-lhes, afinal o ‘não’ está sempre garantido e entendo que por vezes não o façam (também tenho alguns livros que me custa emprestar), e ofereço sempre a minha pequena biblioteca (quando em comparação) em troca. Tenho sempre muito cuidado com os livros que me são confiados, tal como espero que tenham com os meus, e esta troca de empréstimos também fomenta a discussão de livros, o que acho sempre bom já que fico a conhecer, por variadas vezes, títulos dos quais nunca tinha ouvido falar e que se tornam agradáveis surpresas. Já agora, também tem sido a falar de livros que tenho conhecido grandes amigas minhas. :D

Também frequento bibliotecas. As BLX têm um sistema de empréstimo e uma rede muito boa, permitindo que se possa requisitar ou reservar (quando um título se encontra emprestado) um livro de uma biblioteca de qualquer ponto de Lisboa, sendo o livro depois levantado naquela que mais convém ao utilizador. Nem sempre têm as novidades mais recentes e títulos de referência (caso de dicionários e Histórias de Portugal ou Universais) não podem ser emprestados, mas mesmo assim a oferta é muita e já tem possibilitado a leitura de livros mais antigos que hoje em dia são mais difíceis de encontrar. Além disso, têm agora também DVDs e CDs de música, pelo que raramente saio de uma biblioteca de mãos a abanar.

Os livros emprestados também têm um outro ponto a favor, são sempre lidos enquanto os comprados, mesmo que sejam adquiridos em compras por impulso ou se tratem de títulos que há muito tinha debaixo de olho, levam o seu tempo a entrar na pilha da mesa de cabeceira. Alguns títulos não leio senão passado anos.

A internet também em tem dado a possibilidade de ler por quase nada. Hoje em dia há imensos passatempos, promovidos pelos mais variados blogs e já tenho ganho alguns (afinal a minha sorte não será assim tão má), e sites que possibilitam trocas e empréstimos. Nestes últimos há ofertas em português, mas continuo fiel ao BookMooch, a que pertenço desde 2007. Tem-me dado a oportunidade de adquirir livros que de outra maneira não encontrava por cá, caso da série escrita pela Diana Gabaldon, e de me desfazer de outros que não apreciei tanto.

Como disse, desde cedo que leio livros que não são meus o que faz com que não seja muito apegada ao livro físico. Quando há títulos que leio e não são meus mas que venho a adorar, sou capaz de os comprar, já aconteceu por variadas vezes, mas outros há que lidos uma vez tenho a noção de que não voltarei a pegar neles por isso porque não dá-los ou mesmo vendê-los em segunda mão? Pessoalmente prefiro dar, sobretudo se puder ganhar pontos para trocar por outros livros, e é por isso que acho o BookMooch excelente, ainda que hoje em dia seja difícil encontrar títulos que realmente me interessem e mais ainda pessoas dispostas a enviá-los, nomeadamente se os utilizadores se encontram nos Estados Unidos. Mesmo assim, tenho pedido muitos (que estão numa pilha enorme por ler) por pouco dinheiro, já que nunca gastei mais que 6 ou 8€ no envio de um livro e um único livro enviado possibilitou-me a aquisição até 2 ou 3 livros.

Ainda na internet, para quem, como eu, gosta de clássicos, também é fácil encontrar e-books de obras que já não possuem direitos de autor e por isso se encontram no domínio público sendo disponibilizados gratuitamente. Podem ser encontrados em sites como o do projecto Gutenberg que apesar de ter maioritariamente livros em inglês, começa já a contar com títulos e autores portugueses. É verdade que não recorro muito a este site, como disse em outras ocasiões ler no pc não é algo que me agrade, mas tivesse um e-reader esta seria, sem dúvida, uma fonte constante para aquisição de novos títulos.

Mas há sempre aqueles livros que queremos comprar. Mesmo aqui tento poupar recorrendo a promoções, várias editoras e cadeias de livrarias têm promoções nos seus sites, evitando os títulos mais recentes e utilizando cartões que dão direito a desconto.

Não é assim tão difícil ler muito por pouco, basta controlar impulsos em lojas ou dirigir-me a bibliotecas em vez de ir a uma livraria. Basta parar e pensar um pouco. “Preciso mesmo de comprar este livro agora? Não haverá na biblioteca? Será que aquela pessoa não me pode emprestar?” É assim que poupo no meu maior (e porventura o mais caro) vício. :)



Tendo em conta o que escrevi em cima, resolvendo adquirir o menor número de livros possível e assustada com as notícias (que felizmente já não vão para a frente) de que no próximo ano os livros seriam taxados a 23% de IVA, resolvi em 2011 fazer um cálculo de gastos e de poupança, há semelhança do que tenho visto outras pessoas fazerem, inclusive a Tchetcha que no seu blog Ler e reflectir faz um cálculo do “Custo do Vício”.

Planeio então:
  • contar o número de livros emprestados e quanto poupei usando os valores do site Wook;
  • contar o número de livros comprados e quanto gastei, usando para o cálculo o preço que paguei por eles;
  • contar o número de livros pedidos no BookMooch e quanto poupei usando para o cálculo os valores no site Wook (quando se tratar de livros em português) e do Book Depository (para livros em inglês);
  • contar o número de livros enviados através do BookMooch e quanto gastei a enviá-los.

Editado a 2/Fev./2011: Devido ao facto de ter ganho alguns passatempos e me lembrar de que me podem oferecer livros, foi acrescentado a contagem de livros oferecidos e quanto poupei usando para cálculo os valores dos sites Wook e Book Depository.

Tal contagem será incorporada na barra lateral do blog.

11 de dezembro de 2010

Slumdog Millionaire/Quem Quer Ser Bilionário?

Informação técnica no IMDb.

Director: Danny Boyle, Loveleen Tandan
Escritores: Simon Beaufoy (adaptação), Vikas Swarup (obra original)
Actores: Dev Patel, Freida Pinto, Anil Kapoor
Nota: 5/5

Eis um filme que nunca me chamou muito a atenção, mesmo depois de ganhar variados prémios, entre os quais um Óscar para Melhor Filme. Agora percebi porque o mereceu, o filme é sem dúvida fantástico.

Não posso dizer que tenha visto muitos trailers mas imaginava uma outra história, pelo que fiquei surpreendida quando percebi que Jamal Malik (Dev Patel) contava a sua história antes de responder à última pergunta do concurso, antes de ser milionário. Devido à sua excelente participação no conhecido programa e tratando-se ele de um simples “rapaz do chá”, com nenhuma instrução, o seu desempenho suscita dúvidas e é acusado de fraude. Ao ser interrogado pela polícia, que tenta então averiguar se realmente ele fazia batota, ficamos a conhecer a vida de Jamal, levando-nos numa viagem pelo pior que a Índia deve ter (a tensão religiosa, o abuso de crianças por forma a pedir esmolas) e como sabe ele a resposta a todas as perguntas, porque mais do que a escola é a vida que nos dá grandes lições. Ficamos também a descobrir o que leva Jamal a concorrer e como a sua prestação é seguida pelas televisões, dando esperança a quem vê e abrindo caminho para um final feliz.

Como disse o filme é fantástico. As interpretações estão muito bem conseguidas, o retrato que faz da Índia é impressionante se tivermos em conta que o Taj Mahal e o melhor que a Índia tem para oferecer é que costuma ser bastante publicitado, e achei curioso o uso do hindi (devido à internacionalidade do filme esperava que todo ele fosse em inglês) mas que confere um maior realismo. A história é belíssima e não podemos deixar de torcer por um final feliz depois de percorrido um caminho tão cheio de obstáculos. Um filme a rever vezes sem conta e um livro a ler, já que se trata da adaptação de um livro de Vikas Swarup editado por cá pela Asa.

Já agora, a resposta à pergunta do poster é dado no final do filme que, como todos os filmes feitos em Bollywood, não podia deixar de ter dança. :)


8 de dezembro de 2010

Harry Potter and the Deathly Hallows/Harry Potter e os Talismãs da Morte (Parte 1)

Informação técnica no IMDb.

Director: David Yates
Escritores: Steve Kloves (adaptação), J.K. Rowling (obra original)
Actores: Daniel Radcliff, Rupert Grint, Emma Watson
Nota: 3,5/5

Bem, ninguém se pode queixar de que esta parte não é fiel ao livro. Aliás, se há defeito que lhe pode ser apontado, para além de terminar quando começa a aquecer, é o facto de ser muito semelhante e arrastar-se um pouco. Mas nem tudo é mau.

O início foi genial, nomeadamente a parte dos 7 Potters, e fez-me rir bastante. Aliás, apesar de toda a atmosfera mais negra, foi bom poder rir aqui e ali para desanuviar um pouco. A entrada no Ministério por parte do trio de protagonistas também foi bem conseguida mas, inevitavelmente, chegamos à parte em que deambulam sem sentido. Devo confessar que no livro esta parte não me chateou muito porque nos dá uma visão alargada do mundo mágico e vamos tendo umas luzes de como a guerra com Voldemort afecta também o mundo muggle. No filme não senti isso e até o atrito que devia existir dentro do grupo devido à má influência de uma das horcruxes, não se faz sentir por aí além. Como se isto não bastasse, escusava de ver o Harry e a Hermione a dançarem quando o Ron decide deixá-los, confesso que cheguei a dizer “mas é por isto que o filme foi dividido em dois?!” Podiam muito bem ter pegado nesse tempo e tê-lo aproveitado para algo mais útil, a descoberta de outra horcrux ou a realização do que eram os Talismãs da Morte. Infelizmente destas só temos alguns vislumbres, um deles em forma de animação, que foi, provavelmente, o ponto mais alto do filme. Outro momento alto é o final, e devo dizer que tinha algumas dúvidas não percebendo em que parte do livro iriam ficar, mas parece-me bem já que abre o apetite para o próximo.

Apesar de tudo é um filme que se vê bem, mas parece-me que podiam ter encaixado mais algumas horcruxes na história. São 7 no total, 3 já estão destruídas e não se sabe o que são as outras 4, pelo que acho que não ficava mal termos descoberto que objectos serão esses (ou pelo menos lançar algumas pistas) o que tornaria o capítulo final bastante mais apelativo, a meu ver, e não deixava a sensação de nos estarem a roubar (sim, porque o preço de um bilhete de cinema, quase 6€, é um roubo!) ao tentarem fazer render o peixe.

4 de dezembro de 2010

The Marriage Bed (Guilty Series, Livro 3)

Autor: Laura Lee Guhrke
Género: romance histórico
Editora: Avon | Nº de páginas: 374
Nota: 3/5

Resumo (do livro): A marriage of deception...

It was love at first sight for Lady Viola the night she met the dashing viscount John Hammond. Swept into a whirlwind courtship, it wasn't until after their vows had been spoken that Viola learned the shattering truth: her beloved John had never loved her, had married her for her fortune... and worse still, he saw nothing wrong with that. Heartbroken, she vowed never again to let the deceiving scoundrel into her bed.

John never intended to hurt the headstrong beauty who has become a stranger to him. Now, after years of a sham marriage, he is in need of an heir, and John is faced with a luscious, intriguing challenge – seducing his own wife. He must persuade Viola back into their marriage bed, but this time, he may be the one to lose his heart.


Opinião: Depois da Slayra me ter aconselhado e emprestado o primeiro livro desta série, resolvi saltar logo para o terceiro volume já que a situação de Viola, irmã do Duque de Tremore, o protagonista de Guilty Pleasures, deixou-me com a pulga atrás da orelha. Porque raio andava ele fugida do marido? Porque é que sabendo que estava na cidade, ela fugia para o campo? Ora bem, isso é respondido neste livro.

John Hammond recebe a notícia de que o seu primo, melhor amigo e herdeiro da fortuna da família morre. Não tendo filhos e temendo que o seu esforço em recriar a fortuna dos Hammond tenha sido em vão, caso caia no seu único familiar que ainda vive e cuja vida despreocupada iguala a do seu falecido pai que exauriu os cofres da família. John decide então, a todo o custo ter um herdeiro, mas isso implica reconquistar Viola, sua mulher, de quem vive separado à 8 anos. Viola, no entanto, prometeu a si mesma que nunca mais se deitaria com o seu esposo. Como o poderia fazer depois de saber que ele nunca a amara? Que enquanto a cortejava mantinha uma amante? E que enquanto casados, mesmo que vivendo separados, ele manteve uma série de amantes que Viola tinha então de enfrentar em diferentes ocasiões sociais? Não, Viola não cairia nos seus braços como uma tonta mais uma vez...

Não o achei tão bem conseguido como o primeiro volume mas não deixa de ser uma história interessante e diferente do que tenho lido dentro deste género. Diferente porque trata da relação de um par que já se encontra casado e que tem de se apaixonar mais uma vez. É engraçado ver as tácticas de John para reconquistar Viola, ainda que a personagem seja um pouco unidimensional até chegarmos ao segundo terço do livro. Chateou-me que não se apercebesse do quanto havia magoado Viola e de como a culpava pela separação, como se a culpa fosse apenas dela por não perceber que os homens têm "necessidades". Já ela aparece como uma personagem bastante forte que não deixa de cair em tentação, o que a torna bastante credível.

Achei uma boa história, mesmo que lhe tenha faltado algo. É credível, mostrando de forma competente como os casamentos são difíceis, mais ainda quando não há comunicação nem esforço, mas antes desconfiança.

1 de dezembro de 2010

Aquisições de Novembro

Depois do sucesso do último mês, em que tinha adquirido apenas um livro (!), tinha que estragar tudo este mês. Não bastava ter pedido 7 ou 8 livros no BookMooch, tive de andar a comprar livros feito doida! Resultado? Uma pilha de livros novos (na minha estante, quero dizer, já que os do BookMooch tiveram outros donos antes de virem parar às minhas mãos) que mete inveja às pilhas que coloco na minha mesa de cabeceira e um número de aquisições que rivaliza (julgo mesmo que ultrapassa) com o número de livros que costumo adquirir na Feira do Livro de Lisboa.

A pilha é tão grande que resolvi dividir em duas, livros em inglês e em português.

A primeira veio chegou cá a casa por cortesia do site BookMooch, à excepção do primeiro título. Quer dizer, uma edição do Possession da A.S. Byatt já passou pelas minhas mãos vindo do BM; uma edição que li e adorei e que, num momento de estupidez, dei através do mesmo site. Digo momento de estupidez porque adorei-o mesmo e só nos últimos tempos reparei como deixou um grande vazio. Claro está que mal o vi na estante de uma livraria, mesmo com uma capa algo pirosa (preferia a que tinha um quadro de um autor pré-rafaelita até porque tinha mais a ver com a história do que a que tenho agora), tinha de o trazer para casa. Só falta adquirir o livro em português já que estou muito curiosa quanto à tradução. Não que seja um livro difícil, não o achei muito complicado, mas traduzi-lo deve ter dado algum trabalho já que há muitas mensagens nos textos dos escritores que protagonizam a história, para além de a escrita de cada um ter uma voz e sonoridade própria.

De resto, temos o diário do Capitão Wentworth, o meu herói Austen preferido; livros da Lisa Kleypas, escritora que suscita alguma curiosidade apesar de não ter gostado por aí além do único livro que li até agora; e a colecção Ice da Anne Stuart que uma amiga adorou.

Da segunda pilha, a maior parte foram comprados. Vaporpunk, A Corte do Ar e o segundo volume do livro Planícies de Passagem (já só me falta o primeiro e o que há-de sair no próximo ano!) são livros que há algum tempo faziam parte da minha wishlist. Nela estava também Graceling, oferecido pela Slayra *abraça*. Pátria foi mais uma oferta da SdE na compra de 2 livros, já que comprei 2 exemplares de A Corte do Ar. Por ter comprado 2 livros iguais não pensei que tivesse direito à oferta, o que originou um momento algo hilariante. Colocaram-me 4 títulos à frente para que escolhesse o de oferta, mas ou já os tinha lido ou tinha os livros em casa. Depois de ficarem surpreendidas (a sério, serei a única a ter lido ou a ter em casa O Dardo de Kushiel, Sangue Fresco, A Filha do Sangue e O Aprendiz de Assassino?) lá desencantaram o livro de R.A. Salvatore, mesmo depois de eu dizer que não era preciso darem-me o livro de oferta...

Claro que esta onda de aquisições colocou um problema cá em casa... onde os colocar? Assim tomei a decisão de doar a Saga do Assassino às BLX. Como tenho lá ido com alguma frequência, na última semana trouxe Flashman, a odisseia de um cobarde, achei que podia retribuir a quantidade de livros que me tem dado a ler dando estes. Não gostei deles mas quem sabe, deste modo podem ser lidos e mais apreciados por outras pessoas.

29 de novembro de 2010

Natal

Já se vêem as decorações e iluminações natalícias por aí o que me leva a questionar, o que lêem durante estas festividades?

Nos últimos anos tem sido um pouco difícil motivar-me ou deixar-me entusiasmar pelo período natalício. Por vários motivos, que não são para aqui chamados, parece que o Natal perdeu a magia que tinha para minha pessoa e queria ver se voltava a ganhar algum do entusiasmo lendo livros que tenham como fundo esta época, como o caso o conto de Dickens que tenho e sou capaz de o reler. Sugestões?

27 de novembro de 2010

A Demanda do Visionário (A Saga do Assassino, Livro 5)

Autor: Robin Hobb
Género: fantasia
Editora: Saída de Emergência | Nº de páginas: 480
Nota: 3,5/5

Resumo (do livro): O verdadeiro rei dos Seis Ducados desapareceu numa missão misteriosa em busca dos Antigos para salvar o reino da ameaça dos Navios Vermelhos. O seu irmão usurpador está determinado a impor uma tirania cruel e não abrirá mão do poder, a não ser com a própria morte.

Fitz sabe que a única forma de por fim ao reinado do príncipe usurpador é iniciar uma demanda em direção ao reino das Montanhas onde irá descobrir a verdade sobre as profecias do Bobo. Mas a sua missão enfrenta um novo perigo com a magia do Talento a precipitar a sua alma para a beira do abismo. Conseguirá resistir à magia e ainda enfrentar os obstáculos que surgem à sua demanda?


Opinião: E não é que o final é quase tal e qual o que tinha previsto? A sério, esperava bem mais desta série depois de ler muitas críticas positivas e de ter gente a aconselhar-me a ler. Se calhar as expectativas eram muitas mas infelizmente nem a história nem a escrita da autora me surpreenderam por aí além.

Mas passando a este volume... Sendo a segunda parte do terceiro volume original, a história começa precisamente no ponto em que foi deixada. Fitz é acompanhado por 4 amigos e o seu “irmão” lobo e consegue finalmente chegar a Veracidade que havia partido numa demanda em busca dos Antigos. Esta parte surpreendeu um pouco mas achei desesperante que durante a viagem Panela recitasse profecias e ninguém se lembrasse delas um par de páginas depois! Não estou a brincar quando digo que aqui nem revirar olhos, apetecia-me era mesmo mandar o livro à parede. Chegou-me mesmo a parecer que se tivessem dois caminhos à sua frente, um pavimentado de flores e com um sinal a dizer “caminho seguro”, outro tenebroso e com um sinal a dizer “Morte por aqui, a sério por aqui vão direitos a uma morte certa”, iriam sempre optar pela segunda. Fiquei com a sensação de que muitas situações podiam ter sido resolvidas muito antes e seria escusado tanta página a engonhar para ir parar a lado nenhum, já que nem crescimento das personagens há a destacar. Ao longo da série quase nunca senti empatia pelo personagem principal, o seu final parece-me justo no meio de tudo (e a sério, alguém esperava que ele terminasse feliz e com uma família?), e as que senti que tinham alguma potencialidade, como Kettricken ou o Bobo, também foram perdendo pontos ao longo dos livros. E mais uma vez, o relato na primeira pessoa, por Fitz, não ajudou a manter o suspense nas situações que deviam ser de vida ou morte. No entanto, a grande decepção foi mesmo o que estava por detrás do Forjamento. Ao ler o final, rapidamente resolvido, senti-me como se a montanha tivesse parido um rato.

Esperava mesmo algo mais desta obra e pelo que sei vão publicar outra trilogia da autora, que continua a história de FitzCavalaria. Não posso dizer que tenha grande curiosidade. Não digo que não tenha méritos, afinal de contas gostei de algumas premissas, do Talento e da Manha, do Forjamento e dos Navios Vermelhos, mas acho que a autora podia ter feito um trabalho muito mais interessante.

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