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27 de novembro de 2010

A Demanda do Visionário (A Saga do Assassino, Livro 5)

Autor: Robin Hobb
Género: fantasia
Editora: Saída de Emergência | Nº de páginas: 480
Nota: 3,5/5

Resumo (do livro): O verdadeiro rei dos Seis Ducados desapareceu numa missão misteriosa em busca dos Antigos para salvar o reino da ameaça dos Navios Vermelhos. O seu irmão usurpador está determinado a impor uma tirania cruel e não abrirá mão do poder, a não ser com a própria morte.

Fitz sabe que a única forma de por fim ao reinado do príncipe usurpador é iniciar uma demanda em direção ao reino das Montanhas onde irá descobrir a verdade sobre as profecias do Bobo. Mas a sua missão enfrenta um novo perigo com a magia do Talento a precipitar a sua alma para a beira do abismo. Conseguirá resistir à magia e ainda enfrentar os obstáculos que surgem à sua demanda?


Opinião: E não é que o final é quase tal e qual o que tinha previsto? A sério, esperava bem mais desta série depois de ler muitas críticas positivas e de ter gente a aconselhar-me a ler. Se calhar as expectativas eram muitas mas infelizmente nem a história nem a escrita da autora me surpreenderam por aí além.

Mas passando a este volume... Sendo a segunda parte do terceiro volume original, a história começa precisamente no ponto em que foi deixada. Fitz é acompanhado por 4 amigos e o seu “irmão” lobo e consegue finalmente chegar a Veracidade que havia partido numa demanda em busca dos Antigos. Esta parte surpreendeu um pouco mas achei desesperante que durante a viagem Panela recitasse profecias e ninguém se lembrasse delas um par de páginas depois! Não estou a brincar quando digo que aqui nem revirar olhos, apetecia-me era mesmo mandar o livro à parede. Chegou-me mesmo a parecer que se tivessem dois caminhos à sua frente, um pavimentado de flores e com um sinal a dizer “caminho seguro”, outro tenebroso e com um sinal a dizer “Morte por aqui, a sério por aqui vão direitos a uma morte certa”, iriam sempre optar pela segunda. Fiquei com a sensação de que muitas situações podiam ter sido resolvidas muito antes e seria escusado tanta página a engonhar para ir parar a lado nenhum, já que nem crescimento das personagens há a destacar. Ao longo da série quase nunca senti empatia pelo personagem principal, o seu final parece-me justo no meio de tudo (e a sério, alguém esperava que ele terminasse feliz e com uma família?), e as que senti que tinham alguma potencialidade, como Kettricken ou o Bobo, também foram perdendo pontos ao longo dos livros. E mais uma vez, o relato na primeira pessoa, por Fitz, não ajudou a manter o suspense nas situações que deviam ser de vida ou morte. No entanto, a grande decepção foi mesmo o que estava por detrás do Forjamento. Ao ler o final, rapidamente resolvido, senti-me como se a montanha tivesse parido um rato.

Esperava mesmo algo mais desta obra e pelo que sei vão publicar outra trilogia da autora, que continua a história de FitzCavalaria. Não posso dizer que tenha grande curiosidade. Não digo que não tenha méritos, afinal de contas gostei de algumas premissas, do Talento e da Manha, do Forjamento e dos Navios Vermelhos, mas acho que a autora podia ter feito um trabalho muito mais interessante.

6 de novembro de 2010

A Vingança do Assassino (A Saga do Assassino, Livro 4)

Autor: Robin Hobb
Género: fantasia
Editora: Saída de Emergência | Nº de páginas: 441
Nota: 3/5

Resumo (do livro): FitzCavalaria renasce dos mortos graças à magia desprezada da Manha, mas a sua fuga das garras da morte deixou-o mais selvagem do que humano. Os seus velhos amigos têm que ensiná-lo a ser um homem de novo, e depois deixá-lo escolher o seu próprio destino.

Incapaz de esquecer a tortura a que foi submetido às mãos do príncipe usurpador, Fitz planeia vingança enquanto recupera a sua alma e sanidade. Até ao momento em que o seu verdadeiro rei o chama para o servir numa missão misteriosa com consequências inimagináveis.

Numa terra arruinada pela ganância e crueldade onde Fitz se tornou uma lenda temida, ele fará tudo para restaurar a verdadeira regência nos Seis Ducados. Mas primeiro terá que escapar dos seus inimigos que lhe movem uma perseguição sem quartel…


Opinião: Parece-me que estes livros são maiores do que deviam ser. Este quarto livro em português corresponde a metade do terceiro volume original e nada de grande relevância parece ter lugar. Como sempre acompanhamos Fitz, aqui a tentar encontrar novamente o seu lado humano, depois dos acontecimentos finais do livro anterior, e a iniciar uma viagem de modo a obter vingança. Devido ao título pensei que teria sucesso, fui ingénua. Fitz tenta vingar-se mas sem o conseguir, descobrindo no entanto que Vontade (um dos Talentosos do rei usurpador) tem bastante talento no uso do Talento, digamos assim. Mas é nesta tentativa de vingança que o verdadeiro rei o marca para ir ter com ele, pelo que Fitz empreende então uma difícil viagem, sendo procurado pelo usurpador e suas tropas e Talentosos, mas encontrando também quem o esteja disposto a ajudar.

E o livro é basicamente isto. Temos Fitz a sair de encrencas e ficar em situações piores que a anterior. Vemo-lo a separar-se do seu “irmão” para ser reunido outra vez. E tudo isto se passa num ambiente previsível em que nada de novo parece ter lugar. Os momentos mais interessantes são aqueles em que vemos Fitz a usar o seu Talento, dando a conhecer os vários ataques que os Navios Vermelhos vão fazendo às cidades costeiras dos Seis Ducados, mas mais nada aprendemos sobre quem está por detrás e o porquê. Começo mesmo a duvidar que as perguntas que os Navios Vermelhos suscitam sejam respondidos no último volume. Quer-me parecer que o final desta série será algo do género “e Fitz encontrou Veracidade, que encontrou os Antigos (dragões???) e vieram para a costa onde os Navios Vermelhos ficaram com medo e partiram para deixarem de incomodar o reino dos Seis Ducados, havendo paz!” A sério, quando penso num final para esta série algo como isto vem-me à cabeça. :/

Se calhar parti com expectativas muito elevadas, mas esta série não está a corresponder à ideia que tinha. Para começar, e mais uma vez foco isto, o ritmo é lento e pouca acção é digna de interesse. A autora repete-se constantemente (acho que nas primeiras 150 páginas repetiu por 3 ou 4 vezes como é que Fitz escapou no final do livro anterior) e não me consegue fazer com que eu sinta empatia para com o personagem principal, cuja inteligência deixa a desejar. Vejo-me a sentir saudades dos personagens que desapareceram sem deixar rasto, casos de Veracidade, Kettricken e Bobo, mas porque parecem-me as únicas dignas de nota e que davam um outro brilho à história.

3 de novembro de 2010

A Corte dos Traidores (A Saga do Assassino, Livro 3)

Autor: Robin Hobb
Género: fantasia
Editora: Saída de Emergência | Nº de páginas: 368
Nota: 4/5

Resumo (do livro): Os Seis Ducados estão mais vulneráveis do que nunca. Enquanto o príncipe herdeiro combate os Navios Vermelhos com a sua frota e a força do seu Talento, o rei Sagaz enfraquece a cada dia com uma misteriosa doença e bandos de Forjados dirigem-se para Torre do Cervo matando todos pelo caminho.

Mais uma vez, Fitz é chamado para servir como assassino real. Mas o jovem esconde outro segredo: ninguém pode saber que formou um vínculo com um jovem lobo através da magia proibida da Manha e, se for descoberto, arrisca-se a uma sentença de morte.

Quando o príncipe herdeiro embarca numa perigosa missão para pôr fim à ameaça dos Navios Vermelhos, a corte é entregue nas mãos do príncipe Majestoso que tem os seus próprios planos maquiavélicos para o reino. Cabe ao jovem bastardo proteger o verdadeiro rei numa corte prestes a revelar a face dos traidores num clímax memorável.


Opinião: E finalmente a série toma balanço! Estava a custar mas lá me agarrou, sobretudo nos capítulos finais. Como disse no primeiro volume, sendo esta série contada na primeira pessoa e anos depois destes acontecimentos, parte do suspense (sobretudo nos casos de vida ou morte) perde-se mas felizmente, neste livro, a autora opta por outra situação que realmente não consegui antever até ser apresentada.

A história, apesar de engonhar aqui e ali parecendo que não saímos da cepa torta, ganha um novo fôlego com os acontecimentos em Torre do Corvo e a sua intriga política, o que leva, com grande pena minha, a que a situação com os Salteadores Vermelhos (o que mais me estava a atrair nos volumes anteriores) seja relegada para um segundo e muito escondido plano. No entanto, outros temas ganham destaque, nomeadamente o Talento e a Manha que me têm surpreendido, sobretudo o segundo. A intriga, apesar de não ser a parte que mais me atrai, neste volume conseguiu-me manter presa ao livro, deixando-nos perto de uma guerra civil e que leva a questionar o que poderá acontecer daqui para a frente, no volume seguinte. Temos um novo rei, um rei expectante numa demanda quimérica e uma rainha expectante grávida e em paradeiro desconhecido.

No que toca às personagens, as secundárias continuam a ser as mais interessantes, enquanto a personagem principal continua a ser tão tapada que mete dó. Parece que nem fazendo desenhos ele percebe o que lhe dizem, mas pronto, é jovem apesar disso não explicar tudo. De assassino vemos pouco, mas não deixa de ser uma boa personagem para se seguir, levando-nos ao centro da acção, aos meandros da política e dando a conhecer a magia nas suas duas vertentes.

Só uma nota para a edição. Façam uma revisão cuidada por favor. Apesar de não serem graves, erros todos fazemos, num livro destes consegue distrair. Para começar, entre o primeiro e os livros seguintes mudam nomes (um cão de Leon passa a Leão e uma semente de carris passa para caris) e depois temos “caros” em vez de “caris” (pág. 288) e “continua” em vez de “continha” (pág. 319), mas há muitos mais.

1 de novembro de 2010

O Punhal do Soberano (A Saga do Assassino, Livro 2)

Autor: Robin Hobb
Género: fantasia
Editora: Saída de Emergência | Nº de páginas: 384
Nota: 3/5

Resumo (do livro): Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo, enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais, que deve manter em segredo a todo o custo.

Enquanto recupera, o reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o rei Sagaz não viverá por muito mais tempo.

Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?


Opinião: Este livro pega sensivelmente onde o anterior acaba e continuamos a seguir o crescimento de Fitz. Este livro foca-se sobretudo no Inverno, período em que a costa deixa de ser tão assediada pelos Navios Vermelhos mas Torre do Cervo vê-se na mira dos Forjados, que convergem para o local, e a intriga política adensa-se.

Ainda não foi desta que esta saga me conquistou totalmente apesar de os livros se lerem muito bem. É daqueles que quando os temos abertos não conseguimos parar, mas quando os pomos de lado é um pouco difícil voltar a pegar, tal como já tinha acontecido com O Nome do Vento. O que vale é que não tem dado nada que me chame a atenção na televisão e lá pego nestes livros. No entanto, enquanto O Nome do Vento tem uma escrita algo musical (não o consigo descrever de outro modo), estes nem por isso e tem coisas que me irritam um pouco. Para começar Fitz. Tudo bem que é um adolescente que começa a ter hormonas aos pulos, não tenho problemas com isso, mas é tão tapado que chega a apetecer-me abaná-lo, dar-lhe um par de estalos e fazer um desenho para ver se entende o que o Bobo lhe diz ou o que se passa à sua volta. Não é assim tão difícil!!! Diz-lhe para procurar os Antigos (serão dragões com asas, escamas e bocas de fogo?) e para procurar quem antes tinha o Talento (e com quem provavelmente podia aprender alguma coisa, para além de ajudar o rei expectante).

Outra coisa que também me irrita é o que a autora faz com Kettricken. Aparentemente temos uma mulher com tomates, que consegue liderar quando o seu marido não o faz, e em vez de lhe ser dado um papel mais predominante na política, fica antes a tratar da casa? E o marido só percebe o que realmente tem à sua frente quando a vê pelos olhos de outro? *head desk* Personagens e situações podiam ser melhor aproveitadas mas acabamos por andar de um lado para o outro, a engonhar, quando a história podia avançar um pouco mais depressa.

O que vale é que algumas perguntas começam a ter resposta, ainda que o volume acabe um pouco de forma abrupta, já que é quando começa a ganhar interesse que acaba. Mas o seguinte promete, ou não fosse o final deste livro, já que o 2º e 3º volumes em português correspondem a um só volume em inglês. Assim se explica, em parte, o modo ritmo mais lento mas que a meu ver com pouco ou nada contribui já que não avançamos tanto como isso na história. :/

30 de outubro de 2010

Aprendiz de Assassino (A Saga do Assassino, Livro 1)

Autor: Robin Hobb
Género: fantasia
Editora: Saída de Emergência | Nº de páginas: 382
Nota: 3,5/5

Resumo (do livro): O jovem Fitz é filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e cresce na corte do Rei Sagaz. Marginalizado por todos, o rapaz refugia-se nos estábulos reais, mas cedo o seu sangue revela o Talento mágico e, por ordens do rei, é secretamente iniciado nas temidas artes do assassino.

Quando salteadores bárbaros atacam as costas, Fitz enfrenta a sua primeira e perigosa missão que o lançará num ninho de intrigas. E embora alguns o encarem como uma ameaça ao trono, talvez ele seja a chave para a sobrevivência do reino.

Com uma narrativa povoada de encantamentos, heroísmo e desonra, paixão e aventura, o
Aprendiz de Assassino inicia um das séries mais bem-amadas da fantasia épica.

Opinião: Com tantas opiniões positivas e tanto incentivo, devo ter partido com grandes expectativas para este livro pois, no final, esperava um pouco mais.

A história em si é algo interessante. Temos os Seis Ducados a lidarem com assaltos de Navios Vermelhos, que vêm das ilhas exteriores, que atacam as cidades costeiras, raptam pessoas e propõem estranhos resgates: paguem e matamos os reféns, ou não paguem e libertamo-los. O pior é que quando libertados os reféns deixam de ser as pessoas que eram, tornam-se Forjados, uma espécie de zombies que ataca tudo quanto mexe desde que tenham riquezas e/ou comida. Como se isto não bastasse, há uma crise política, decorrente da abdicação do príncipe herdeiro devido ao facto de ter um bastardo. Isto faz com que outros ponham os seus olhos no trono.

Sem dúvida de que é um bom enredo, daqueles que aprecio, mas parece-me que não foi muito bem conseguido. Primeiro, o relato é feito na primeira pessoa por Fitz, o tal bastardo referido em cima, e percebemos que é feito vários anos depois da história se passar, o que torna as situações de vida ou morte algo entediantes porque já sabemos que ele vai sobreviver. É por isso que em parte odeio este tipo de narração. Se há alguns exemplos bem conseguidos, que apesar de contados na primeira pessoa nos deixam em suspenso, este não o conseguiu fazer.

Segundo, a história tem um ritmo tão lento que parece que nada se passa. Poderia servir para a construção de personagens, mas infelizmente tal também me parece pouco conseguido porque os nomes das personagens já reflecte parte da sua natureza, a parte que mais se destaca, e pouco mais que isso vemos. Mas ainda assim há personagens interessantes, caso de Veracidade, Kettricken e o Bobo, a única que realmente é algo misteriosa (já os seus enigmas nem tanto, como me está a parecer no segundo volume e que me deixa com uma opinião muito pouco positiva do nosso protagonista).

Por último, gostei da magia, o Talento e a Manha, ainda que não perceba o porquê da Manha ser algo que supostamente o protagonista não devia fazer. Parece-me muito semelhante ao Talento e se aquele pode ser estudado e controlado, o mesmo devia de acontecer com o outro e não ser rejeitado.

Apesar de tudo é um livro que se lê bem e deixou-me com curiosidade suficiente para pegar no segundo volume (que estou quase a acabar), sobretudo para saber mais sobre os Forjados e o porquê do assalto dos Navios Vermelhos.

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