Escrevi um texto sobre áudio-livros há algum tempo, quando aqueles estavam bastante presentes na minha vida, nomeadamente porque ainda andava a estudar ou enquanto fazia tarefas domésticas nos meus dias de folga. Continuo a fazer tarefas domésticas, mas agora não dedico dias inteiros a tal, como antes, pelo que comecei a dar por mim a ouvir apenas 5 a 15 minutos, o que sinceramente não valia a pena. Além disso, o meu MP3 deixou de fixar a parte em que ia e, em ficheiros longos, era complicado andar para trás e para à frente à procura do minuto exacto em que tinha ficado. Assim coloquei este formato um pouco de lado e, entretanto, dediquei-me a e-books.
Nunca me considerei grande fã do formato porque odeio estar horas a olhar para o computador. Por vezes até artigos extensos aborrecem-me, fazem-me doer a cabeça e a vista. Também sofro destes males quando leio livros, sobretudo para estudo, mas num livro pode-se escrever e uma pessoa pode ir mudando de posição, já quando se lê no computador, mesmo que seja um portátil, a mudança de posição é complicada. Não dá para reclinar na cadeira, por exemplo, ou arrisco-me a partir o computador (sou propensa a acidentes), não dá para me debruçar sobre ele, não dá para estender ou erguer as pernas (ainda que no local de trabalho tal não seja recomendável) e com os computadores de secretária dou por mim a ficar cheia de dores nos cotovelos de me apoiar na mesa. Enfim, um monte de coisas que até podem não fazer sentido para mais ninguém mas que para mim sempre causaram cepticismo em ler livros em formato digital, até que dei por mim a ler alguns nos últimos tempos, sobretudo porque é época baixa (digamos assim) onde trabalho e tenho algum tempo livre.
Posto isto e tendo começado a ver em lojas de electrónica, nomeadamente Wortens e FNACs, os chamados e-readers, dei por mim a ponderar prós e contras.
Sem dúvida que os maiores prós são o preço dos livros, muitos deles gratuitos se tivermos em conta os clássicos da literatura, que já não têm direitos de autor, e o poder ter-se uma biblioteca considerável, sem no entanto ocupar uma casa (um problema que sempre tive). Mas o preço destes gadgets, que ronda os 250 e os 500€ se não estou em erro, ainda continua proibitivo se tivermos em conta que o mercado português ainda não tem grande oferta (se é que há alguma para além dos PDFs que a Saída de Emergência disponibiliza gratuitamente no seu site, mas parece que a Leya é capaz de vir a mudar isso e talvez já no próximo mês, segundo esta notícia), que parece existir problemas de direitos territoriais para adquirir livros em inglês e que, devido ao medo da pirataria, mesmo que quiséssemos, o empréstimo de livros é complicado (e acho que já se pôde ver que eu até aprecio ler livros emprestados, seja por amigos ou pela biblioteca) porque as cópias estão condicionadas e seria necessário basicamente emprestar o gadget. Outro contra é que não será muito útil para estudar como este artigo mostra.
Continuo por isso sem saber bem o que pensar sobre esta questão, até porque considero-me muito mal informada. Talvez se adquirisse um e-reader e experimentasse, pudesse avaliar melhor as coisas, mas sinceramente não quero gastar dinheiro (e que não será pouco) sem ver alguns dos contras melhorados, nomeadamente no que à oferta em português diz respeito. Acho que ainda não me compensará tendo em conta que os livros físicos (nomeadamente os paperbacks), quando encomendados nos mesmos sites onde se pode adquirir as cópias digitais, custam o mesmo ou pouco mais e que facilmente posso adquirir livros pelo BookMooch (ainda que comece a escassear as pessoas disponíveis a enviar livros para outros países que não o seu, o que acontece sobretudo com utilizadores americanos que são a maioria dos utilizadores do site) ou pelas bibliotecas públicas e privadas de outros “bookaholics” como eu.
Para mais, podem ver os seguintes links:
Nunca me considerei grande fã do formato porque odeio estar horas a olhar para o computador. Por vezes até artigos extensos aborrecem-me, fazem-me doer a cabeça e a vista. Também sofro destes males quando leio livros, sobretudo para estudo, mas num livro pode-se escrever e uma pessoa pode ir mudando de posição, já quando se lê no computador, mesmo que seja um portátil, a mudança de posição é complicada. Não dá para reclinar na cadeira, por exemplo, ou arrisco-me a partir o computador (sou propensa a acidentes), não dá para me debruçar sobre ele, não dá para estender ou erguer as pernas (ainda que no local de trabalho tal não seja recomendável) e com os computadores de secretária dou por mim a ficar cheia de dores nos cotovelos de me apoiar na mesa. Enfim, um monte de coisas que até podem não fazer sentido para mais ninguém mas que para mim sempre causaram cepticismo em ler livros em formato digital, até que dei por mim a ler alguns nos últimos tempos, sobretudo porque é época baixa (digamos assim) onde trabalho e tenho algum tempo livre.
Posto isto e tendo começado a ver em lojas de electrónica, nomeadamente Wortens e FNACs, os chamados e-readers, dei por mim a ponderar prós e contras.
Sem dúvida que os maiores prós são o preço dos livros, muitos deles gratuitos se tivermos em conta os clássicos da literatura, que já não têm direitos de autor, e o poder ter-se uma biblioteca considerável, sem no entanto ocupar uma casa (um problema que sempre tive). Mas o preço destes gadgets, que ronda os 250 e os 500€ se não estou em erro, ainda continua proibitivo se tivermos em conta que o mercado português ainda não tem grande oferta (se é que há alguma para além dos PDFs que a Saída de Emergência disponibiliza gratuitamente no seu site, mas parece que a Leya é capaz de vir a mudar isso e talvez já no próximo mês, segundo esta notícia), que parece existir problemas de direitos territoriais para adquirir livros em inglês e que, devido ao medo da pirataria, mesmo que quiséssemos, o empréstimo de livros é complicado (e acho que já se pôde ver que eu até aprecio ler livros emprestados, seja por amigos ou pela biblioteca) porque as cópias estão condicionadas e seria necessário basicamente emprestar o gadget. Outro contra é que não será muito útil para estudar como este artigo mostra.Continuo por isso sem saber bem o que pensar sobre esta questão, até porque considero-me muito mal informada. Talvez se adquirisse um e-reader e experimentasse, pudesse avaliar melhor as coisas, mas sinceramente não quero gastar dinheiro (e que não será pouco) sem ver alguns dos contras melhorados, nomeadamente no que à oferta em português diz respeito. Acho que ainda não me compensará tendo em conta que os livros físicos (nomeadamente os paperbacks), quando encomendados nos mesmos sites onde se pode adquirir as cópias digitais, custam o mesmo ou pouco mais e que facilmente posso adquirir livros pelo BookMooch (ainda que comece a escassear as pessoas disponíveis a enviar livros para outros países que não o seu, o que acontece sobretudo com utilizadores americanos que são a maioria dos utilizadores do site) ou pelas bibliotecas públicas e privadas de outros “bookaholics” como eu.
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