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23 de agosto de 2009

A Justiça de Aristóteles (Série Aristóteles, Livro 2)

Autor: Margaret Doody
Género: Mistério
Editora: Saída de Emergência | Nº de páginas: 288
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Quando Ântia, herdeira de um rico mercador de prata é raptada, cabe a Aristóteles e ao seu aluno Estéfano encontrar a jovem. Sabem apenas que o raptor a leva para Delfos e é para lá que decidem partir. Adepto de verdadeiros quebra-cabeças, o filósofo procura vestígios e pistas, recorrendo ao seu génio lendário. Mas uns falam em homicídio e outros em casamento forçado. Qual será a verdade?

Amante dos clássicos e fascinada pela retórica, Margaret Doody continua a fabulosa série de aventuras passadas na Grécia Antiga. Com as conquistas de Alexandre em pano de fundo, Aristóteles e Estéfano aplicam o raciocínio que mais tarde associaremos ao Sherlock Holmes de Conan Doyle. Acresce-se aqui a riqueza de detalhes e o regresso a um outro tempo e lugar.

Opinião: Depois de ter lido e apreciado a leitura anterior, foi com alguma expectativa que parti para este livro e apesar de ter gostado, parece um pouco mais fraquito. Perde sem dúvida por o narrador, mais uma vez Estéfano, não se encontrar tão ligado ao caso, já que aqui aparece mais como um sidekick, como um verdadeiro capitão Hastings, narrando a história que vive devido à sua amizade com Aristóteles. Este é contactado por um homem da prata, um mercador daquele metal, cuja sobrinha desaparece. No entanto, e mais uma vez, a trama adensa-se quando no caminho para Delfos, para onde se pensa que ela e o seu suposto raptor partiram, começam a aparecer corpos e se levanta a dúvida sobre o que estará realmente por detrás do desaparecimento.

A história parece um pouco mais complexa, pelo menos não achei o final previsível, antes pelo contrário, mas não cativou tanto como a do livro anterior. Gostei, no entanto, do retrato da sociedade, sobretudo a relação entre cidadão e escravos, bastante patente no comportamento do narrador. Outro aspecto positivo foi toda a descrição de Delfos e dos rituais religiosos, nomeadamente para contactar com a pitonisa.

Não deixa de ser um bom livro, a história é bastante interessante, para quem gosta de mistérios passados na Antiguidade Clássica, mas creio que um mapa ajudava a perceber melhor a viagem de Atenas para Delfos. O livro anterior, que li em inglês, tinha um e foi com alguma surpresa que reparei que este não o tinha, pois em geral estão sempre presentes neste tipo de livros. Também uma chamada de atenção, esta edição parece não ser das mais bem tratadas, sei que a Tita teve alguns problemas com o exemplar dela, e o meu também tinha como que um buraco no meio de uma página. Felizmente não era muito grande e não impediu que continuasse a ler. Sei que estes problemas são difíceis de se notar, mas não custa pedir um pouco mais de cuidado.

18 de agosto de 2009

Aristotle Detective (Série Aristóteles, Livro 1)

Autor: Margaret Doody
Género: Mistério
Editora: Arrow Books | Nº de páginas: 384
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Athens 332 BC – a city uneasy under the sway of the Macedonian Alexander the Great, now fighting the King of Persia for control of the East. In this time of fresh ambition and furtive discontent, an eminent citizen is brutally murdered.

Young Philemon, as exile formerly guilty of manslaughter, is accused of the bizarre homicide. In his absence his cousin and nearest male relative, 23-year-old Stephanos, must conduct Philemon’s defence and attempt to clear his family’s name of this bloody murder.

Stephanos seeks the help from Aristotle, his former teacher... and Aristotle turns Detective.

Opinião: Tropecei neste livro por acaso, já que ao fazer uma compra on-line foi-me oferecido o segundo volume desta série. Como não gosto de ler séries começando pelo meio, nomeadamente deste género já que, apesar de nem sempre os casos interessarem para se perceber a história, há por vezes menções que não deixam de completar a história. Já me aconteceu algo do género com O Crime na Via Ápia, de Steven Saylor, e desde aí que tento ler sempre séries de forma seguida. No entanto, apesar de ter gostado bastante daquele, estava com algum receio deste mistério histórico não corresponder às minhas expectativas, já que Nefertiti de Nick Drake foi uma desilusão.

Neste livro, acompanhamos Stephanos que tenta ilibar o seu primo, Philemon, do assassínio de uma importante figura da cidade de Atenas. A sua defesa centra-se em torno do facto de Philemon não se encontrar na cidade, pois aquele havia sido votado ao exílio por um outro assassinato, incorrendo em pena de morte caso voltasse. Mas a trama que Stephanos encontra é demasiado densa, solicitando por isso a ajuda do seu antigo mestre, Aristóteles, para o ajudar com o caso.

Gostei bastante das personagens principais, Stephanos e Aristóteles, sendo por vezes os seus diálogos bastante divertidos e filosóficos. Fez-me lembrar a interacção entre Poirot e o Capitão Hastings, ou mesmo Sherlock e Watson. Não pude deixar de rir perante algumas falas como:
“If Philemon did not do it, someone of the class non-Philemon did it.”

“Goodbye, Stephanos – and, by the way, say nothing of that last purchase of mine, or I’ll do you a mischief. Think of the lewd jokes it would cause! But if ever I seem overbearing and foolishly proud of my intellect, you may always murmur to me, ‘That leather bag contained stones.’”
Também achei curioso o interesse de Aristóteles em cerâmica e algumas das suas conversas em torno desse assunto pareceram demasiado semelhantes a outras que tive enquanto andava a tirar o curso. Parecia mesmo um dos meus professores, mas enquanto Aristóteles dissertava sobre cerâmicas gregas, o meu professor falava sobre sigillatas romanas. :D

A história apesar de ter um final algo previsível, o assassino pareceu-me óbvio, tem bastantes reviravoltas que nos deixam agarrados ao livro. O único senão que tenho a apontar é mesmo a falta de notas de modo a esclarecer alguns dos termos usados, como os meses e prodikasia. No entanto, pelo contexto é fácil de perceber o que são, pelo que não é assim tão grave como isso.

Sem dúvida um livro a ler, para quem gosta de mistérios na Antiguidade Clássica. De lembrar que se encontra publicado em português pela Saída de Emergência.

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