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9 de setembro de 2014

Jonathan Strange & Mr Norrell

Autor: Susanna Clarke
Ficção | Género: fantasia histórica
Editora: Bloomsbury Publishing PLC | Ano: 2005 | Formato: livro | Nº de páginas: 1006 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: foi comprado há anos, ainda antes de ter o blog.

Quando e porque peguei nele: entre 13 e 22 de agosto, aproveitando o facto de estar de férias para me atirar a um dos livros mais grossos que tinha por casa, já que estou decidida a acabar com a incontável pilha. A coisa vai devagarinho mas o importante é que continue.

Opinião: Lembro-me de esta ter sido uma compra por impulso. Na altura andava na faculdade, não havia a quantidade de blogs que há hoje sobre livros e por isso pouco ou nada sabia sobre o livro, mas as capas branca e preta tinham-me chamado a atenção, como depois a vermelha, mas foi só quando vi esta coisa bela é que me decidi que vinha comigo. Nem sequer li muito bem a sinopse, ou pelo menos só me recordo que falava sobre dois mágicos, e pouco interesse tive em ler críticas posteriores à sua compra, a não ser que fossem de pessoas cujos gostos conhecia. Até hoje consegui estar afastada de spoilers e apesar de ver por diversas vezes o livro a ser recomendado, tentei sempre fugir de tudo o que dissesse respeito ao livro. Parece-me que às vezes faz bem desligar, não ter qualquer tipo de expetativas e assim poder gozar de um livro como o fazia antes de estarmos todos ligados. E como soube bem.

A única coisa que sabia, para além de ter dois mágicos em pleno séc. XIX, era que este livro tinha notas de rodapé enormes. Mesmo assim surpreendeu-me que algumas fossem mesmo gigantes, por duas páginas ou mais. Sei que houve quem não gostasse disso, por distrair do enredo principal, mas eu até achei piada, dando um cunho muito pessoal ao livro, que parece-me tentar ser um "livro de história da magia", para além de dar a conhecer alguns à partes daquele mundo curioso. Não terá sido pelas notas, mas durante a leitura era fácil imaginar que tudo aquilo poderia ser verdade. Tal como com o Harry Potter ou Stardust a magia é tão subtil que parece que de facto pode estar a toda a nossa volta. Achei por isso imensa piada ao facto de Strange ajudar, por exemplo, Wellington durante a Invasão Francesa, fazendo estradas que desapareciam após o exército britânico passar, mudando rios e cidades de sítio, e outras coisas do género. :D Também achei piada ao conceito de "Englishness" e de como as coisas seriam ou não próprias de um gentleman inglês, havendo algumas frases bem engraçadas.

No entanto, o que mais gostei foi de como a história se vai desenrolando lentamente. Sim, quando estava a ler a coisa era algo frustrante, parecia que nada acontecia e que os acontecimentos não tinham qualquer tipo de ligação, mas fiquei tão embrenhada naquele mundo que depois, quando as coisas começam a ligar-se e a fazer sentido, não queria que acabasse. Queria continuar a seguir aquela dupla de mágicos com uma ligação tão peculiar. E isso foi outra coisa que me surpreendeu. A sinopse fala em rivalidade, pelo que julguei que seria algo do tipo Dumbledore/Voldemort mas não, deve-se mais ao choque de ideias e personalidades e é engraçado ver como isso afeta a relação entre ambos, assim como com outros, e leva ao desenvolvimento das personagens. Devo também dizer que as personagens que dão o nome ao livro foram as de que menos gostei, apesar de serem de facto as que mais sobressaem, mas as secundárias, como Stephen, Lady Poole e, sobretudo, Childermass, foram as que mais me conquistaram. É das tais coisas, são quem menos se pensa que realmente interessa no plano global das coisas, quem se tem muito em conta só faz asneiras. :) Enfim, fez-me pensar em algumas outras histórias, nomeadamente LOTR e HP, onde a humildade é recompensada.

Posto isto, e ainda assim achando que nada do que escrevi faz justiça ao livro, penso que este será um dos melhores livros que li este ano, que se tem mostrado até bastante frutífero em boas leituras. Foi com imenso gosto que voltei a mergulhar em fantasia, porque às vezes parece que é preciso lembrar-me de porque é que gosto de determinadas coisas. Depois de o ler só me apetecia voltar ao início e começá-lo de novo, o que é raro acontecer comigo e por isso é dizer muito de um livro, sobretudo de um com tal número de páginas e com um ritmo bastante lento. Só me pergunto que outros tesouros terei eu.

Veredito: Para ter na estante.

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