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21 de maio de 2013

O Jardim dos Segredos

Autor: Kate Morton
Ficção | Género: romance
Editora: Porto Editora | Ano: 2010 (publicado originalmente em 2008) | Formato: livro | Nº de páginas: 552 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: comprei-o em 2011 depois de ter gostado do outro livro que li da autora.

Quando e porque peguei nele: entre 23 e 29 de abril. Tinha sido o livro escolhido para o Monthly Key Word Challenge de Abril (post e resultado da votação). Conta também para o Mount TBR Reading Challenge.


Opinião: Gostei mas não amei. Acho que isto resume o livro para mim. Tem na mesma os saltos temporais, o desfiar de um novelo de histórias, tem as personagens femininas interessantes e fortes, que se debatem perante as adversidades que encontram nas suas vidas, no seu caminho. Mas falta qualquer coisa.

Faltou alguma vida, alguma cor que tinha o discurso de Grace, a personagem de O Segredo da Casa de Riverton que continua assim a ser o meu preferido. Adorei simplesmente como ela se perdia nas suas próprias memórias, por momentos que pareciam chegar a demorar dias. E a transição era tão ténue, tão bem conseguida, que me pareceu real. Exactamente como alguém que chega a uma idade avançada se comporta ao contar o seu passado a outro. Aqui é outro o artifício usado pela autora. É uma descoberta aqui, uma coisa ali que leva a outros discursos, a eventos passados noutras épocas, com outros protagonistas, e realmente a transição também se encontra muito bem feita, é um desfiar constante de três fios de uma história que compõem uma tapeçaria, mas faltou-lhe alguma magia, a magia do alheamento de tudo em redor. Com as memórias de Grace perdia-me juntamente com ela, aqui tal não acontece, sabia sempre onde estava.

Eu sei que não é correcto estar a comparar os dois livros, mas é difícil não o fazer, sobretudo quando semanas passadas sobre a sua leitura até não me recordo dos nomes das personagens mas o de Grace vem à memória. Ainda assim é um belíssimo livro. A autora escreve fantasticamente, cria histórias magníficas e este livro comprovou que será uma autora para seguir. Achei os contos de fadas bem bonitos e o mistério, apesar de ser de fácil resolução, não deixa de estar bem urdido.

Veredito: Para ter na estante.

19 de janeiro de 2011

O Segredo da Casa de Riverton

Autor: Kate Morton
Género: romance
Editora: Porto Editora | Nº de páginas: 480

Resumo (do livro): Como sobrevivem os que presenciam a tragédia?

Verão de 1924

Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar.

Inverno de 1999

Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte do poeta.

Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente.

Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira grande guerra e rendida aos loucos anos 20,
O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor.

Opinião: Este livro é simplesmente perfeito. Queixava-me de no último ano não me ter sentido arrebatada por livros, pois este fê-lo. É maravilhoso. Kate Morton já se tornou uma das minhas escritoras preferidas. E nem sei o que mais dizer deste livro, porque perfeito é a única palavra que me vem à cabeça.

A história deste livro é-nos contada por Grace, nonagenária a viver num lar, em Saffron, onde quase sempre viveu. Nessa pequena cidade existe uma casa de campo, Riverton, palco de uma morte há muitos anos atrás, em 1924, exactamente quando Grace trabalhava como empregada de Hannah, uma das irmãs que terá assistido à tragédia. Mas o que levou a tal? O poeta suicidou-se realmente? Que segredos escondem os habitantes de Riverton? É sobre isto que Grace nos fala, quando a sua memória é reavivada ao ser contactada por uma realizadora que deseja reconstruir o que se terá passado naquela fatídica noite.

Grace revela-se uma excepcional narradora. Apesar de os acontecimentos terem lugar à 70/80 anos atrás, o relato é credível e está muito bem feito. Podia imaginar Grace, bastante idosa, a perder-se nas suas memórias por tempo indefinido, por vezes tanto tempo que quando voltava a si era já noite, e outras em que apenas um segundo havia passado, mas em que a sua mente vagueava por semanas. Achei também muito bem conseguido o facto de as memórias não aparecerem do nada. Havia sempre algo que despoletava tal recolecção, nem que tal fosse devido às cassetes que gravou para o seu neto, Marcus. Pergunto-me se não será interessante ouvir em áudio-livro, como se estivéssemos a ouvir as cassetes gravadas.

Há todo um tom de inevitabilidade na história, mas não deixa de ser esperançosa. Há momentos que nos partem o coração mas outros que nos enchem de alegria. Achei que o livro tinha realmente vida, já que todos temos momentos desses e a autora conseguiu representá-lo de forma fenomenal. As personagens, a quem pertencem os momentos deste livro, também são agradáveis de seguir. Não me canso de referir Grace, a narradora, com uma vida mais que colorida e, gosto de pensar, preenchida. Pode ter-se arrependido de algumas coisas, mas acho que no final o saldo é positivo. Admiro os criados de Riverton, com um sentido de dever que hoje é um pouco difícil de perceber. Como pode alguém respeitar e servir de tal forma, abdicar de sonhos e amar uma família que acaba por não ser a deles? Hannah e Emmeline também são personagens interessantes, ambas prisioneiras, cada uma à sua maneira, de Riverton e laços familiares. Penso que o único de que não gostei foi mesmo Robbie, mas tal deve-se ao facto de sentir que não cheguei a conhecê-lo realmente, como acontece com as outras personagens, já que não convivia tanto com Grace.

São notórias as influências do filme "Gosford Park" e de Possession de A.S. Byatt (apesar de esta só ter reparado mesmo no fim, quando a autora aponta as várias referências, foi como se uma luz tivesse acendido na minha cabeça :P ), o primeiro pelo ambiente em que a história decorre, o segundo no que toca às personagens e mesmo ao enredo, e tal como essas duas obras, O Segredo da Casa de Riverton é um livro que só posso aconselhar! Não será uma leitura para ler de ânimo leve, mas acho que não deixará ninguém indiferente.

Para ter na estante: O exemplar que li veio da biblioteca mas estou, seriamente, a pensar adquirir a versão áudio-livro. Este é um livro a reler, a aconselhar e a autora é para continuar a seguir. O Jardim dos Segredos não deve escapar, até porque tenho um vale de desconto da Bertrand.

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