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14 de maio de 2012

Curtas: Cranford [e-book], Vínculo de Sangue (Mercy Thompson, #2), Beijo do Ferro (Mercy Thompson, #3)

Título: Cranford [e-book]
Autor: Elizabeth Gaskell
Ficção | Género: romance
Editora: Project Gutenberg | Ano: originalmente publicado em 1853 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: Fiz download do site Project Gutenberg no ano passado.

Quando e porque peguei nele: 27/abr/2012 a 6/maio/2012. Apetecia-me ler algo bem escrito e como tinha adorado North and South da mesma autora, achei que este seria bom. Conta para os desafios: Book Bingo - Clássico, The Back to the Classics Challenge - clássico do séc. XIX.


Opinião: Gaskell ameaça ser como Quinn, mesmo o mais fraquinho é bastante bom. Não existe propriamente um enredo, sendo este livro constituído por vários relatos, quase em espécie de diário, de Mary Smith, visitante regular de Cranford a pedido de algumas das solteironas lá do sítio.

Mary dá-nos a conhecer algumas das peculiaridades de Cranford e de seus habitantes, a maior parte mulheres que gerem a sociedade e acham-se muito bem sem homens a partilhar a mesma, bem como de alguns acontecimentos que mexem com o lugar, seja a vinda de um ilusionista ou uma série de roubos que afinal não seriam tão graves assim.

Acaba por ser uma leitura leve e bastante agradável. Houve ocasiões em que ri, como na cena da vaca vestida de flanela, e outras em que ficava emocionada com as atitudes de algumas personagens, sobretudo no final quando a mais doce de todas as personagens sofre um pequeno revés. Fiquei com pena que uma certa situação não tenha resultado num final semelhante a Persuasão, mas a vida tem destas coisas e é vida que aqui está representada. Quase podia jurar que histórias semelhantes teriam acontecido na terra dos meus pais, por exemplo.

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso.


Título: Vínculo de Sangue (Mercy Thompson, #2)

Autor: Patricia Briggs
Ficção | Género: fantasia urbana
Editora: Saída de Emergência | Ano: 2011 (originalmente publicado em 2007) | Formato: livro | Nº de páginas: 284 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: Filipa emprestou-o.

Quando e porque peguei nele: 6/maio/2012 a 7/maio/2012. Foi o primeiro em que coloquei a vista em cima e, sendo livro emprestado, tinha preferência sobre outros.


Opinião: Depois da surpresa que acabou por ser o primeiro volume, tive de me render e ler o segundo. Fi-lo quase numa assentada pois a história está muito bem desenvolvida, com mistério e ação q.b., sobrando ainda tempo para desenvolver personagens e aprofundar relações. Ainda assim, o triângulo (quadrado?) amoroso continua a parecer a coisa menos conseguida neste livro, tendo-se tornado algo irritante Mercy encontrar-se com o um dos pretendentes quando acabava de sair dos braços do outro e aquele lembrar-lhe “olha que aqui estou e não estou a gostar nada disso”. *eye roll* Mas tirando isso, é de leitura compulsiva e dá-nos a conhecer um pouco mais deste mundo, salientando o que difere Mercy dos restantes sobrenaturais.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

Título: Beijo do Ferro (Mercy Thompson, #3)
Autor: Patricia Briggs
Ficção | Género: fantasia urbana
Editora: Saída de Emergência | Ano:  2011 (originalmente publicado em 2008) | Formato: livro | Nº de páginas: 261 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: Mais um que veio da estante da Filipa.

Quando e porque peguei nele: 7/maio/2012 a 11/maio/2012. Ainda pensei pegar noutros livros, mas gostei tanto do volume anterior que resolvi continuar com esta série.


Opinião: A história neste volume não me pareceu fluir tão bem, sobretudo devido à vida pessoal de Mercy que aparecia do nada e relegava para segundo plano o mistério que a protagonista tem de resolver para tirar o seu amigo e mentor Zee da prisão, e evitar que seja morto pela autoridade dos seres feéricos. Felizmente o triângulo amoroso resolve-se, o que era o ponto mais fraco das histórias, e o último terço do livro, apesar de algo chocante, abre portas para um maior desenvolvimento das personagens, sobretudo da protagonista. Este parece-me ser a mais valia destes livros e o porquê de os achar viciantes.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

28 de outubro de 2009

North and South

Autor: Elizabeth Gaskell
Género: Romance
Editora: Penguin Popular Classics | Nº de páginas: 528
Nota: 5/5

Resumo (da capa): Mrs Gaskell’s finest social novel is also the powerfully moving story of the developing relationship between southern-born Margaret Hale and John Thornton, the young northern mill-owner.

Margaret is compelled to move from Helstone, her beloved childhood home in the New Forest, to Darkshire in the industrial north when her father resigns is parsonage owing to religious doubts.

When she first encounters John Thornton, her father’s pupil and a man in favour of the power of master over worker, she finds their views in conflict. But industrial rebellion and family tragedy cause Margaret to learn the realities of urban life and Thornton to learn humanity. Only then can a mutual understanding lead to the possibility of enduring love.


Opinião: Tomei conhecimento deste livro através da série da BBC, que vi há uns tempos e revi agora enquanto lia (e vou rever novamente este fim-de-semana, se tiver disponibilidade :D ) e adorei (o que penso é notório pelas vezes que revi…). Juntamente com Persuasão, é daqueles DVD’s que gosto de rever sempre que me sinto em baixo. Mas pegar no livro foi mais complicado. Já por duas ou três vezes que tinha adiado a sua leitura por não considerar ser a altura ideal, mas devido ao "18th and 19th Century Women Writers' Reading Challenge", em que vou muito atrasada, e ao meu empenho em ler as pilhas a que me proponho, decidi que era desta. Pelos vistos não me enganei e, felizmente, a Canochinha entrou também nesta aventura, fizemos uma mini leitura conjunta, que se revelou uma experiência espectacular. Já agora, encontram a opinião dela sobre este livro aqui.

O livro conta-nos a história de Margaret Hale que, devido a uma crise de consciência do pai, um ministro da Igreja Inglesa, se vê obrigada a mudar-se da bela e soalheira Helstone, em New Forest, para Milton, no sugestivo condado do Darkshire. Aquela é pois uma cidade muito industrializada, com fábricas de algodão a trabalhar de forma persistente, de tal maneira que o fumo oculta o sol. Aí conhece John Thornton, um dos patrões industriais da cidade, que se torna aluno de seu pai e com quem discute vários temas, nomeadamente o comércio e as questões sociais que ameaçam parar a cidade com uma greve total. Temos então um confronto de ideais e dois estilos de vida diferentes neste livro, a vida serena e campestre do sul em contraste com o ambiente urbano do norte, mais frenético e industrial, ambos representados nos protagonistas.

O que mais me impressionou neste livro foi a escrita da autora. É simplesmente delicioso a forma como a autora usa as palavras para nos descrever personagens, espaços, pensamentos, acções. Como tudo isto influencia a nossa visão das personagens, que vemos reflectidas no espaço que ocupam, nas acções que tomam, na maneira como falam. Desta forma elas ganham vida e passam a fazer parte da nossa, pois é impossível não deixar de sentir que conhecemos aquelas figuras como se fossem nossos amigos de há vários anos. É impossível não nos deixarmos comover com Mrs Thornton, a fria e áspera mãe de John, que no entanto demonstra ter um coração extraordinariamente grande no que toca ao seu filho. Para mim esta foi a personagem mais espectacular do livro. Mas as restantes são igualmente tocantes e é perceptível um crescimento em todas: Thornton e Higgins gradualmente, levando Margaret um pouco mais de tempo, mas é notório o seu crescimento na parte final do livro quando nos vemos numa situação algo semelhante ao início.

Pelos vistos há quem tenha achado o final um pouco apressado, mas na minha opinião foi perfeito. Mas estar a falar nele era talvez entrar em spoilers, mas digamos que a partir de uma certa parte, o próprio leitor parece sentir-se como Margaret e só pode ansiar que a história chegue a bom porto. O mau deste livro foi mesmo o facto de ter de ter um final, porque sinto que perdi amigos, pois gostaria de continuar a seguir a histórias daquelas personagens.

Um livro mais que recomendado, um verdadeiro clássico. É daqueles livros cuja última página deixa um buraco enorme e parece que nada mais, em termos literários é claro, o pode encher. São raros os livros que me deixam assim. Os Miseráveis, O Conde de Monte Cristo e Os Leões de Al-Rassan (é verdade!) foram os últimos. É daqueles livros que fica connosco. É um daqueles livros para reler vezes sem conta.

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