9 de dezembro de 2014

O Sentido do Fim

Autor: Julian Barnes
Ficção | Género: romance
Editora: Quetzal | Ano: 2011 | Formato: livro | Nº de páginas: 152 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: salvo erro em 2012 e foi prenda de natal do mano.

Quando e porque peguei nele: 3 a 5 de novembro, porque estava constantemente a chamar por mim. Sim, os livros às vezes chamam-me.


Opinião: Este livro chamou-me a atenção não por ter ganho o Man Booker Prize (embora me tenha levado a manter o autor debaixo de olho) mas pela belíssima capa original, já que havia tropeçado num vídeo em que mostrava a evolução do conceito gráfico para o design final. De resto, pouco ou nada sabia mas convenci o meu irmão a oferecer-mo num dos últimos natais e, apesar de saber que a Telma não tinha ficado impressionada, tentei não desanimar com as opiniões menos boas.

Apesar de o protagonista não me ter cativado, acho mesmo que não chegou a aprender nada com tudo aquilo porque passou, achei a escrita belíssima e com ponderações nas quais me revi um pouco. Adorei as reflexões sobre a memória, como apercebemos as nossas ações e a de outros, como tudo acaba por ser percebido de forma diferente, uma vez que não somos imparciais e, claro está, tentamos contar uma história em que somos o bom da fita, em que se há algo a apontar, a culpa é dos outros, que nos magoaram, que não fizeram o que achamos que deveriam ter feito não correspondendo às nossas expetativas.

Também foi interessante perceber como os nossos atos bem pensados ou não, podem ter influência e mudar a vida das outras pessoas, acabando por ter uma mão no destino das mesmas.

Enfim, não direi que merece ou não o prémio que ganhou, até porque não sei com que livros competia (chego sempre tarde à festa, já que não sou muito de ler as novidades nos anos em que são editados), mas é sem dúvida uma história que convida o leitor a ponderar sobre o seu passado e atitudes e penso que só por isso vale a pena. Além de que a escrita é realmente belíssima e se já tinha curiosidade em conhecer a obra do autor depois de ter lido entrevistas suas e perceber sobre o que é que escreve, ainda com mais vontade fiquei de devorar as suas restantes obras.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

8 de dezembro de 2014

Vasto Mar de Sargaços

Autor: Jean Rhys
Ficção | Género: romance
Editora: Biblioteca Sábado | Ano: 2009 (publicado originalmente em 1966) | Formato: livro | Nº de páginas: 179 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: fiz a coleção da Biblioteca Sábado.

Quando e porque peguei nele: 30 de outubro a 3 de novembro. Tinha lido o Jane Eyre à pouco tempo e como tinha ouvido dizer que era uma prequela, achei que era melhor ler este que reler o livro da Charlotte Brontë.


Opinião: Talvez seja estranho, eu pelo menos acho estranho, mas ao ler este livro supostamente inspirado numa história de uma das irmãs Brontë, de que por acaso gostei bastante, lembrei-me foi de uma outra história, de uma outra irmã Brontë e que por acaso não me cativou  por aí além. E tal como esse, este livro pouco ou nada fez por mim.

Apesar de Jane Eyre ser a força do livro com o seu nome, não deixa de haver outras personagens que exercem algum fascínio sobre o leitor, ou pelo menos sobre mim. Posto isto, está claro que Rochester e Bertha são as duas personagens que se destacam por terem um passado misterioso e comum, passado esse que influencia a narrativa de Charlotte. A descoberta desse passado levou-me então a pegar nesta história e de certa maneira não consegui deixar de me sentir enganada.

Para começar, entendo que um autor tenha liberdade criativa mas ao pegar, ainda que sem nunca ser realmente explícito que se tratam das mesmas personagens, na história de uma outra pessoa, eu esperava que alguma coisa das personagens se mantivesse nesta nova visão mas acabei por achá-las completos estranhos. Também sei que a visão que temos pode ser algo enviesada, em Jane Eyre nunca temos a perspectiva de Bertha, mas pareceu-me que estava a ler coisas diferentes e por isso rapidamente perdi qualquer entusiasmo.

Nunca me senti ligada às personagens, sendo que ambas me desesperaram um pouco pelas suas atitudes, a meu ver, bastante inconstantes e por isso algo incompreensivas. E foi neste aspecto que achei o livro mais parecido com o de Emily do que o de Charlotte.

Outra coisa que aproximou este livro a O Monte dos Vendavais foi a descrição do local. O ambiente também me sufocou e oprimiu, conseguia sentir a humidade e o calor doentio, mas não foi o suficiente para em cativar.

Não digo que foi um tiro ao lado, tenho a certeza de que a autora terá tido alguma motivação e terá conseguido atingir o seu fim, mas ao retratar uma realidade que para mim é algo desconhecida, como é o séc. XIX jamaicano e as convulsões sociais que aí parecem ter tido lugar, posso não o ter apreciado dignamente. Também reconheço que o facto de o ter colado no meu imaginário a Jane Eyre, não ajudou a apreciar este livro de forma livre, digamos assim, já que esperava um outro tipo de história, e a escrita em stream of conscious, talvez por não estar muito habituada ao estilo, pareceu-me bastante confusa.

Enfim, não foi um livro para mim mas questiono-me o que teria achado do mesmo se o tivesse lido sem o ter preso ao Jane Eyre. :/

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso.

1 de dezembro de 2014

Só Ler Não Basta #21.2 - Literatura e as restantes artes


Voltamos a ter como convidada a Sofia Romualdo, desta vez não como representante, digamos assim, do género steampunk mas das artes. E é sobre artes e livros que ela vai falando no blog The Curious Curator e no seu canal do Youtube, pelo que nos pareceu a melhor pessoa para falar sobre como a literatura contagia e se deixa contagiar pelas restantes artes. Tentámos abordar um pouco de tudo, cinema, artes plásticas, música... pelo que a conversa se foi esticando e, mesmo assim, mais haveria para dizer.

Como sempre, a tempo ficará disponível um índice da conversa no Youtube e não deixem de ler também as participações no grupo do Goodreads



Agora está o vídeo correto. :D

30 de novembro de 2014

Novembro 2014

Mais um mês. Este geralmente costuma ser especial, costuma ser o meu "reset" com projetos que chegam ao fim e outros que se iniciam. Pode ser só uma curiosidade, mas é uma curiosidade que nos últimos anos me levam a ver este mês com outros olhos até porque, como costumo dizer, coincidências assustam. Ou então é mesmo porque durante o mês de novembro tomo particular consciência do último ano que passou, porque acho que é inevitável ponderar-se sobre tal coisa quando se completa mais um ano de vida.

E é isto. Este mês viu o fim de projetos, entre os quais o Projecto 365, e pensou-se sobre o fim de outros enquanto se aceitam novos desafios e responsabilidades. Nos entretantos, vai-se lendo e vendo filmes e televisão. :)

Livros lidos:
  1. Vasto Mar de Sargassos de Jean Rhys - Se fosse emprestado pouco se perdia com isso
  2. O Sentido do Fim de Julian Barnes - Vale o dinheiro gasto
  3. Longbourn: amor e coragem de Jo Baker - Se fosse emprestado pouco se perdia com isso
  4. Maus de Art Spiegelman - Para ter na estante
  5. Pride, Prejudice and Curling Rocks [e-book] de Andrea Brokaw - Se fosse emprestado pouco se perdia com isso
  6. Stoner de John Edward Williams - Vale o dinheiro gasto
Filmes vistos:
  1. Interstellar - Vale o dinheiro gasto
Séries vistas:
  1. Jane Eyre - Se fosse emprestado pouco se perdia com isso
Compras:
  1. Stoner de John Edward Williams
  2. Tatiana (The Bronze Horseman, #2) de Paullina Simons
  3. Alexander (The Bronze Horseman, #2.5) de Paullina Simons
  4. Persuasion de Jane Austen
Ofertas:
  1. Maus de Art Spiegelman

Desafios:
Desafio 2014 ou Desafio Mini-pilha - li 6 e adquiri 5, pelo que o saldo é de 1 livros retirado à pilha!, mas tenho vindo a ler quase tudo o que comprei este ano e os que tenho à mais tempo na estante por ler. *\o/*
Disney Movie Challenge - 8 filmes vistos de 98. Pois... parece que este, como alguns desafios de leitura, é para a vida. :P

Artigos que me chamaram a atenção:
  • Porque há quem consiga pôr em palavras aquilo que penso bem melhor do que eu, em relação ao novo filme do franchise "Jurassic Park". Fiquei com mais vontade de rever o primeiro (que tive na última vez que o vi a oportunidade de o ver em IMAX 3D! *fangirla que nem doida) do que de ver este. É que já nem falo em como aparentemente se esqueceram de como a coisa correu mal quando resolveram armar-se em espertos no primeiro filme e "ressuscitar" espécies extintas sem terem em conta que as coisas poderiam dar para o torto, mas também é por isso que há um filme, para agora andarem de novo a "brincar" e fazerem novos dinossauros híbridos. *suspira* A sério, alguém aprende História?! E os raptors são bonzinhos?! Eu estava preparada para ver T-Rex e raptors com penas coloridas, mas bonzinhos? O_o
  • Eis um termo que já deixei de ter usar no que toca a livros. Ok, não ando para aí a declamar como gosto de romances românticos e tal aos 4 ventos, mas também já não faço por esconder.
  • Como a autora do vídeo não acho que sejam literatura, nem que tenham a presunção de o ser. Não sou a maior entusiástica de videojogos, porque dom para os jogar é coisa que não tenho, mas gosto de ver o meu irmão jogar e há jogos com histórias muito interessantes de seguir, e às vezes confusas (meu Deus o "Metal Gear" é coisa para me fazer doer a cabeça). O facto de ser mais interactivo acaba por dar uma outra dimensão a uma história, diferente da que a leitura ou uma versão em filme oferecem. São meios diferentes e julgo que em muitos casos têm-se provado complementares, em que uma mesma história ou universo, uma narrativa, pode originar diferentes formas de ser experimentada e explorada, que agrada a toda a gente gostem ou não de ler, de cinema ou de jogar.
  • E ainda sobre livros e videojogos...

26 de novembro de 2014

Mystère de la chambre jaune [e-book]

Autor: Gaston Leroux
Ficção | Género: mistério
Editora: - | Ano: 2012 (publicado originalmente em 1907) | Formato: e-book | Nº de páginas: 240 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: estava e está gratuito na Amazon.

Quando e porque peguei nele: 19 a 30 de outubro. Foi o livro de outubro num bookclub do Twitter. Infelizmente não participei ativamente na discussão, porque não tem dado para frequentar tanto aquela rede social, mas foi o pretexto para pegar no livro de um autor que já tinha lido e gostado.


Opinião: Ele há livros que nos levam a perceber o que nos faz gostar tanto de um género. Este levou-me a perceber, se bem que já tinha uma grande suspeita, de que o que mais gosto em mistérios é do narrador. Tanto nos livros com Poirot de Agatha Christie e Sherlock Holmes de Conan Doyle, é o narrador que me leva a admirar os célebres detectives que, graças às suas célulazinhas cinzentas ou pensamento analítico, em todas as histórias descobrem o culpado, e que me conduz pelos meandros da cena e resolução do crime, fazendo uso dos seus conhecimentos e, por vezes, dos relatos de outros. Eu, pelo menos, sempre que leio um livro deste género, sinto-me mesmo como que na pele do narrador, e apesar de achar que os autores por intermédio dos seus brilhantes detectives nos escondem sempre uma peça vital para a descoberta do culpado, não é por isso que, tal como Hastings ou Watson, deixo de ficar impressionada com o intelecto daqueles, ainda que mais com o de Poirot que com o intelecto de Holmes, pois o primeiro sempre me apanha de surpresa enquanto que em alguns casos do segundo já tenho chegado à conclusão certa antes de ele a revelar.

Ora tudo isto para dizer que encontrei mais um detective, ao nível daqueles dois tão conceituados, neste livro de Gaston Leroux. Rouletabille é tão competente como Poirot e Holmes e claro que nós, como Sainclair, ficamos atónitos perante as suas capacidades, ainda para mais sendo aquela personagem tão jovem, com apenas 18 anos.

O caso em si é um locked room mystery, penso que até o primeiro do género a aparecer, e procura-se perceber como é que num quarto fechado a Mademoiselle Stangerson foi atacada, conseguindo o seu atacante fugir sem que ninguém desse por ele. Inicia-se então a busca de um ser quiçá sobrenatural mas movido por propósitos muito humanos. A história encontra-se bem estruturada e gostei que se fizesse uso de escritos que não apenas os do nosso narrador, até porque Gaston Leroux é exímio no romance epistolar, como já tinha tido hipótese de comprovar em O Fantasma da Ópera e aqui apenas o confirma. Quero ler tudo o que o homem escreveu, a sério.

As personagens também são interessantes de seguir, mais não seja para perceber se são inocentes ou culpados, mas não consegui deixar de sentir durante a leitura de que o autor tinha alguma carta guardada na manga para o desenlace. Mas importei-me? Não. Como disse, já o mesmo parece acontecer com Agatha Christie se bem que ela é muito mais matreira. :)

Apesar de descoberto o culpado, no final há algumas linhas que ficam em aberto e, apesar de ter quase a certeza do que acabará por ser revelado, não deixo de ter curiosidade em confirmar as minhas suspeitas.

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Sim, eu sei que foi gratuito mas se tivesse gasto dinheiro tinha-o dado por bem empregue.

25 de novembro de 2014

Curtas: Enough Said, Frank

Título: Enough Said
Realizador: Nicole Holofcener
Escritor: Nicole Holofcener
Atores: Julia Louis-Dreyfus, James Gandolfini,

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: Depois de "Gone Girl", este foi o filme fofinho de que precisava. Não conhecia, foi o mano que aconselhou apesar de saber que não vou muito à bola com a Julia Louis-Dreyfus. Não gosto de "Seinfeld" nem da personagem que aí interpreta, assim como também era um tormento vê-la em "The New Adventures of Old Christine", mas tentei ignorar a minha pouca simpatia que nutro por ela e ver o filme. Acabou por compensar pois foi uma boa surpresa.

Também não gostei por aí além da personagem dela mas a coisa aqui funciona, sobretudo por causa de algumas atitudes que toma quando percebe que o mundo é muito pequeno. É certo que a posição dela não é fácil, pelo menos não lhe invejo a situação, e leva-nos a questionar o que aconteceria se estivéssemos nos seus sapatos. Daríamos ouvidos ao que nos dizem sobre outra pessoa? Ou tomaríamos a nossa própria relação com essa pessoa em conta em detrimento do que possamos ouvir? Ou até tomar as duas em conta, balançando-as? De certo modo, acho que é uma "ginástica" que já fazemos todos os dias, pelo que é uma questão pertinente e aqui muito bem explorada.

É também uma história de segundas oportunidades, coisa que venho aperceber-me gosto bastante (sim, sei que já devia ter percebido com Persuasão :P ), muito fofa, com um romance bem desenvolvido sendo que os dois protagonistas terem uma boa química também ajuda.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

Título: Frank
Realizador: Lenny Abrahamson
Escritores: Jon Ronson, Peter Straughan
Atores: Michael Fassbender, Domhnall Gleeson, Maggie Gyllenhaal

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: Se me dissessem que alguém com uma cabeça de papel machê poderia ser tão carismático e levado a sério, o mais certo era rir-me. E de facto, tal como um dos protagonistas deste filme, não deixei de achar a personagem de Frank, a início, alvo de chacota. Ri-me tanto da premissa do filme como da personagem, mas com o decorrer da história a nossa visão muda e a sua inocência, a sua compaixão e amizade que mostra por todos aqueles que se atravessam no seu caminho, acabam por fazer-nos esquecer o bizarro daquela cabeça. De tal modo que bizarro foi ver Frank com a cara do Fassbender. E não sabem como dizer isto é estranho porque estamos a falar do Fassbender! Tipo, a minha lista é Tom Hiddleston e logo atrás... Michael Fassbender! Mas a sério, o Frank sem aquela cabeça de papel machê enorme simplesmente não era o Frank.

No geral, gostei bastante do filme. Achei o Fassbender genial no uso que faz da voz e dos seus movimentos para se expressar e o resto do elenco também faz um bom trabalho. É um filme engraçado, com momentos bizarros mas nem por isso deixa de fazer-nos pensar sobre o que é realmente importante, chamar a atenção para doenças do foro mental e valorizar o que nos torna únicos, nem que seja a nossa excentricidade.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

23 de novembro de 2014

Shakespeare in the Park

Tinha que partilhar as últimas tiras da comic Mutts, já que esta semana incidiram sobre Shakespeare. :D

Richard III

Romeo and Juliet

Hamlet

Hamlet

Romeo and Juliet

Much Ado About Nothing

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