30 de maio de 2014

A Cidade dos Deuses Selvagens (As Memórias da Águia e do Jaguar, #1)

Autor: Isabel Allende
Ficção | Género: romance
Editora: Difel | Ano: 2002 | Formato: livro | Nº de páginas: 284 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: já está na estante há uns valentes anos.

Quando e porque peguei nele: entre 11 e 16 de maio. Achei que seria melhor ler algo de um autor latino-americano já que no SLNB nos debruçaríamos sobre eles.


Opinião: Sinceramente, às vezes não sei se são os livros que nos encontram no momento certo ou se bons livros puxam outras boas histórias, mas o certo é que neste mês de maio não tive razões de queixa e este foi mais um livro prazenteiro.

É verdade que entrei para este livro com receio. A autora é uma das preferidas dos adeptos, digamos, de autores latino-americanos, e por isso esfriei a expetativa avançando para um livro juvenil e não para aquela que é considerada a sua obra-prima, apesar de estar ali numa estante da sala, com as fantásticas Glenn Close e Meryl Streep na capa e tudo.

Talvez não tenha ficado completamente rendida mas garanto que enquanto lia eu andava pela Amazónia e maravilhei-me com aquele recôndito perdido num vulcão no meio da floresta. Achei a escrita fenomenal, com poucos ou nenhuns floreados mas exatamente o que era preciso para descrever e me transportar para uma cena, um local, para entender um personagem. Aquela beleza da escrita simples e direta mas que contém tudo o que é necessário. Confesso que tinha saudades de uma escrita assim, sem o saber.

A história é muito previsível, mal entram na floresta, aliás talvez ainda antes, já sabia que tipo de desenvolvimento algumas situações iam ter. As personagens também são um pouco unidimensionais mas não penso que isso afete a leitura já que servem uma função na história, e por isso os maus são maus, os bons são muito bons e há um "palhaço" que acaba por revelar ter cabeça. Também não sabia as saudades que tinha de personagens assim, se é que faz sentido quando o que eu costumo adorar é personagens complicadas. :/

Longe de ser brilhante, não deixou de ser exatamente o que queria e não sabia, para além de uma boa introdução a esta autora. Sinto-me mais confiante para conhecer A Casa dos Espíritos.

Veredito: Emprestado e pouco se perde com isso. Só ao chegar ao fim da opinião é que me dei conta de que talvez seja um pouco bipolar. Apesar de gostar de enredos que me surpreendam, escrita poética, personagens que dêem luta e que tenham camadas (como as cebolas)... o que mais apreciei neste livro foi mesmo a sua simplicidade, o que de facto me apanhou de surpresa porque era algo que não estava à espera. E era calmante, ao fim de alguns dias menos bons, voltar a algo que não era complicado. Faz sentido? De qualquer forma, se com Americanah senti um pouco do que tinha sentido com A Lua de Joana, este livro fez-me reviver quando lia Alice Vieira ou Os Cinco. Sinto que estou a fazer as pazes com os livros, depois de no ano passado quase os ter passado a detestar. :P

28 de maio de 2014

Inglourious Basterds

Realizador: Quentin Tarantino
Escritor: Quentin Tarantino
Atores: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, e tantos outros...

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: Tarantino... demorei a descobrir-te mas OMD eu curvo-me a teus pés! Tu entendes-me! Tu dás-me sangue a rodos! Oh como eu quero ver tudo e mais alguma coisa que tenhas feito!

Ok, aquilo talvez tenha sido demais mas a sério, só me apetece bater-me a mim própria por nunca ter visto mais filmes deste realizador antes. Vi o "Kill Bill" um pouco aos bochechos, e não vamos falar do trauma do "Pulp Fiction", mas o "Django Libertado" foi dos melhores filmes que vi o ano passado e este "Inglourious Basterds" pode ser dos melhores filmes que vi este ano. Sim, tem violência e sangue, o que só por si faz com que o tenha em grande estima, mas é tão mais que isso!

Vê-se o amor que Tarantino tem ao cinema, com a sétima arte a ser um dos pontos centrais do enredo. Relembra que muitas vezes o cinema é usado como propaganda política, com filmes a enfatizarem momentos da história e passando a mensagem que governos (geralmente ditatoriais) pretendem transmitir ao seu público, mas que também pode ser uma arma contra o mesmo sistema, se bem que nem sempre como aqui é mostrado, trancando toda a gente numa sala para explodi-la. :P

Há também cuidado no delinear das personagens. Os heróis não são cavaleiros em armaduras galantes mas, tal como vilões, não vêem meios para chegar a um fim, pois o fim é o que verdadeiramente interessa e há que lutar fogo com fogo. Adorei o grupo dos Basterds, de onde se destaca o Brad Pitt e Til Schweiger. E é impressão minha ou andava ali um dos donos do "Rex, o Cão Polícia"? xD E o Fassy... *suspira* Mas quem brilha e ofusca os demais é, sem dúvida, Christoph Waltz com o seu Hans Landa. Era suposto eu torcer por esta personagem ou odiá-la? Porque eu não consegui odiá-la quando é tão carismática! Mesmo tendo plena consciência do que estava ali a fazer, pois com ele não se dá o caso (assustador) de não pensar porque se "está a cumprir ordens", ele tem perfeita noção do seu papel naquele regime, adorei-o! Talvez seja essa veracidade, a frontalidade, que me tenha conquistado, o que sinceramente me leva a ter medo do que isto possa dizer da minha pessoa. O_o

Também gostei de ver Daniel Brühl, que acho sempre fenomenal no que quer que entre (e só vi 3 filmes com ele), e fiquei agradavelmente surpreendida com Mélanie Laurent, que não conhecia de todo mas adorei a intensidade da sua Shosanna. Para dizer a verdade, adorei tudo e todos. Acho que toda a gente envolvida fez um trabalho excecional pelo que nem sequer me importei com o facto de não ser historicamente correto, até porque de outro modo não haveria aquele final. :D Sim, a História pode ser sacrificada em prol de um bom enredo, seja para entretenimento ou exploração dos vários "e se..." que a História possa suscitar.

Venha mais Tarantino!

Veredito: Vale o dinheiro gasto. É daquelas coisas, parece que chego tarde à festa mas fico rendida à mesma. Tive um início de relação com Tarantino algo meh, com o trauma do "Pulp Fiction" e um episódio do "CSI" que soube a pouco, mas nestes últimos 2 anos ele convenceu-me.

27 de maio de 2014

Só Ler Não Basta #16.2 - Autores Latino-Americanos


Pegando em ler minorias e uma maior variedade, temas que este ano têm ganho bastante destaque (eu bem digo que coincidências assustam), voltámo-nos neste mês para autores que escrevem numa língua bastante semelhante à nossa e que acabam por ser relegados para o fundo da estante, quando até nem o merecem. Por entre interjeições de "olha o Cristiano Ronaldo já está despido" (abençoado futebol que dá muita saúde a muito homem giro! não que o Cristiano Ronaldo seja um dos meus favoritos, o Real Madrid tem melhor que ele :P), falamos com a Sandra Gomes de autores favoritos, fossos geracionais (xD) e são dadas sugestões que prometem fazer rombo na carteira do livrólico anónimo que se vier a aventurar pela Feira do Livro que abre esta semana.


Podem também visitar o tópico de discussão no Goodreads e encontrar um índice da conversa no Youtube.

25 de maio de 2014

Americanah

Autores: Chimamanda Ngozi Adichie
Ficção | Género: romance
Editora: Dom Quixote | Ano: 2013 | Formato: livro | Nº de páginas: 720 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: foi-me emprestado pela Ana na sua missão para a Chimamanda-evangelização.

Quando e porque peguei nele: entre 19 de abril e 4 de maio. Como disse, estou a tentar "despachar" os livros emprestados, mas também os recém-adquiridos. Este enquadra-se nos dois porque foi emprestado recentemente. :D


Opinião: O que dizer de um livro que nos surpreende? Sim, já tinha ouvido falar bem da autora de modo que tinha muita curiosidade em ler, mas acho que nada me preparou para isto. Estão a ver aquele sentimento de que falo vezes sem conta cada vez que menciono A Lua de Joana? Este livro foi o que mais perto esteve de me fazer reviver aquela tarde. É certo que não achei a história tão perto da minha, mas o sentimento de estar noutra pele, ver o mundo por outros olhos, perceber a sua visão e viver uma vida pela qual não passei. Está tudo aqui.

A história de Ifemelu pode não ser das mais tocantes, mas a sua visão do mundo é fantástica. A vida na Nigéria e o contraste com a América, como muda, ou melhor como cresce... As diferenças culturais que marcam e o racismo que quem não é vítima não o sente e por mais boas intenções que tenha não pode perceber o que verdadeiramente é. Não consigo descrever tudo o que este livro me fez sentir, ou até pensar. Este artigo fá-lo melhor que eu, mencionando também uma cena que me fez perceber o quão cega tenho sido quanto à beleza, o seu ideal e tendências da moda diz respeito. Sim, eu vou acompanhando o esforço de marcas que valorizam todas as formas e feitios, mas em termos de cor de pele e tipos de cabelo, o que tal implica em termos de maquilhagem e penteados, nunca tinha passado pela minha cabeça. Nunca dei conta e é embaraçoso pensar que poderia ter a mesma reação que o namorado dela.

Mas não é só de Ifemelu que o livro fala e apesar de ter achado a história de Obinze menos interessante, não deixou de mostrar o quanto o sonho de emigrar pode dar para o torto.
Alexa e os outros convidados, e talvez até Georgina, compreendiam a necessidade de fugir à guerra, ao tipo de pobreza que esmagava as almas humanas, mas não compreendiam a necessidade de escapar da letargia opressiva da falta de escolha. Não compreenderiam porque é que pessoas como ele, que haviam crescido bem alimentadas e com todas as necessidades satisfeitas, mas atoladas em insatisfação, condicionadas desde a nascença a olhar na direção de outro lugar e eternamente convencidas de que as vidas reais aconteciam nesse outro lugar, estavam agora resolvidas a fazer coisas perigosas, coisas ilegais, para poderem partir, sem que nenhuma delas estivesse a passar fome, a sofrer violações ou a fugir de aldeias incendiadas, mas meramente famintas de escolha e de certeza.

Merece pontuação máxima mas não fui capaz de dar mais que 4 estrelas no Goodreads porque, quando comparado com A Lua de Joana, faltou-lhe o ter-me feito achar que cresci no período em que o li. Espero que me tenha feito abrir mais os olhos para algo que nunca senti na pele mas pelo qual muitos passam todos os dias, mas não posso dizer que cresci. Mas é mais que aconselhado e esta é uma autora para continuar a seguir. É para isto que os livros servem, é por isto que eu leio e esta história li-a com muito gosto, tanto que as páginas voaram sem me dar conta.

É desde já um dos melhores livros do ano.

Veredito: Para ter na estante.

20 de maio de 2014

Porque música é poesia (32)

Ou como pela primeira vez descobri um artista através das recomendações do Youtube. Sim, o Youtube conhece tão bem os meus gostos... Um dia destes tinha nas recomendações este vídeo intitulado "Bromance" (xD) que levou-me a conhecer este canal e deixem-me que diga que o moço até tem jeito para a música, mas vai daí o meu gosto talvez seja duvidoso.



Chester See - Who Am I to Stand in Your Way

18 de maio de 2014

Projecto 365 - #186-192

Não foi uma boa semana para fotos... Aliás, não foi uma boa semana, ponto.

#186
#186
Um dos gatos cá da rua que parecia estar há espera de alguma coisa do meu prédio... O_o

#187
#187
Uma exposição muito temporária no meu local de trabalho.

#188
#188
Foi inspirada numa outra que lá esteve até o início deste ano. No entanto gostei mais das peças desta.

#189
#189
Gostei sobretudo desta.

#190
#190
Em uma semana o que foram capazes de fazer no pátio do local onde trabalho e para uma festa que só tem lugar no próximo fim de semana. 

#191
#191
Ontem estive a trabalhar mas ainda deu para ver um bocadinho da mostra de esgrima japonesa.

#192
#192
Hoje houve passeio pela Baixa, visita à exposição temporária no Museu Calouste Gulbenkian (e não dá para passar por lá sem tirar foto aos patos) e visionamento de jogo de futebol acompanhado de uma travessa de caracóis. Dia em beleza para fechar uma semana quase horribilis.

16 de maio de 2014

The Killing: Crónica de um Assassinato (2)

Criador: Søren Sveistrup
Atores: Sofie Gråbøl, Morten Suurballe, Nikolaj Lie Kaas

Mais informação técnica no IMDb.

Temporada: Terceira e diz que última, mas eu não quero que acabe! :'(

Opinião: Gosto tanto desta série! Foi por isso com alguma tristeza que depois do último episódio fui procurar se havia mais mas aparentemente é para a história ficar por aqui. Mas porquê? Como pode não haver mais?! Aquele final... *sniff* A sério, os finais de série e de temporadas andam a dar cabo de mim e do meu coraçãozinho, já para não falar em deixarem-me de boca aberta abismada porque "OMD eu não posso acreditar no que acabou de acontecer!" Será que já ninguém acredita em finais felizes? Pergunta quem se queixou do final de um filme há tempos... *assobia inocentemente* E está claro que não estou a incluir aqui o final de "HIMYM", que me quebrou o coração mas por outras razões. *suspira*

Depois de uma temporada um pouco menos bem conseguida mas ainda assim interessante (da qual falei um bocadinho aqui), esta voltou a surpreender-me, na medida do possível, com os seus twists e personagens. Adoro a Lund! A sua vida profissional voltou a meter-se na pessoal e é tão triste ver ela a fazer esforços de certa forma inglórios por acabar por ir tudo abaixo. Às vezes parece que nem sequer vale a pena ela tentar, as coisas estão condenadas a fracassar.

Como disse, na medida do possível a série acabou por surpreender porque pareceu, em termos narrativos, muito semelhante à primeira. Mais uma vez a política está de certa forma envolvida, o que sinceramente já se estava a tornar repetitivo sobretudo porque pareceu forçada, ainda que menos que na anterior, e um caso em época de eleições? Onde já vi isto? Ah pois... Na primeira temporada... onde o drama familiar também tinha lugar. Ok, aqui trata-se de um rapto enquanto que o primeiro era um homicídio, mas a exploração do drama, algumas atitudes das personagens são em tudo semelhantes. E depois temos também aquela coisa de não conhecermos realmente quem está perto de nós, quem nos acompanha no dia-a-dia e pode esconder os mais temíveis segredos.

Sim, em vários aspectos esta temporada foi em muito semelhante à primeira mas (e quem sabe até por causa disso) gostei tanto ou ainda mais que aquela, já que neste caso por a série ser mais pequena não engonharam tanto e tiraram pistas aparentemente da cartola tipo 15 dias depois. E depois temos o final, que me deixou de boca aberta e com o coração nas mãos. Apesar de desejar um completamente diferente, porque 'tadinha da Lund já merece que algo lhe corra bem, não posso deixar de achar o final perfeito, completamente de acordo com a personagem. Entendo o porquê de não continuarem a série, mas gostava tanto de continuar a seguir a Lund porque nada é mais trágico que querer mudar e deitar tudo a perder no momento seguinte, mas faz uma série tão boa. *modo sádica on*

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Tenho de começar a voltar-me para policiais nórdicos porque se forem como a série, meu Deus há todo um mundo sem fim de livros por ler!

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