22 de maio de 2013

Só Ler Não Basta #5.1 - Leituras Maio 2013


Juntámo-nos, como não podia deixar de ser, para voltar a falar de livros e leituras que nos foram chamando a atenção este mês. Na próxima edição falaremos de Feiras do Livro. Se quiserem podem participar na discussão do tema no grupo do Goodreads.


Artigos Interessantes:

Leituras:
Telma: Cosmos, do Carl Sagan
Carla: Blade Runner, de Philip K. Dick
Diana: Return of the King, de J. R. R. Tolkien 

21 de maio de 2013

O Jardim dos Segredos

Autor: Kate Morton
Ficção | Género: romance
Editora: Porto Editora | Ano: 2010 (publicado originalmente em 2008) | Formato: livro | Nº de páginas: 552 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: comprei-o em 2011 depois de ter gostado do outro livro que li da autora.

Quando e porque peguei nele: entre 23 e 29 de abril. Tinha sido o livro escolhido para o Monthly Key Word Challenge de Abril (post e resultado da votação). Conta também para o Mount TBR Reading Challenge.


Opinião: Gostei mas não amei. Acho que isto resume o livro para mim. Tem na mesma os saltos temporais, o desfiar de um novelo de histórias, tem as personagens femininas interessantes e fortes, que se debatem perante as adversidades que encontram nas suas vidas, no seu caminho. Mas falta qualquer coisa.

Faltou alguma vida, alguma cor que tinha o discurso de Grace, a personagem de O Segredo da Casa de Riverton que continua assim a ser o meu preferido. Adorei simplesmente como ela se perdia nas suas próprias memórias, por momentos que pareciam chegar a demorar dias. E a transição era tão ténue, tão bem conseguida, que me pareceu real. Exactamente como alguém que chega a uma idade avançada se comporta ao contar o seu passado a outro. Aqui é outro o artifício usado pela autora. É uma descoberta aqui, uma coisa ali que leva a outros discursos, a eventos passados noutras épocas, com outros protagonistas, e realmente a transição também se encontra muito bem feita, é um desfiar constante de três fios de uma história que compõem uma tapeçaria, mas faltou-lhe alguma magia, a magia do alheamento de tudo em redor. Com as memórias de Grace perdia-me juntamente com ela, aqui tal não acontece, sabia sempre onde estava.

Eu sei que não é correcto estar a comparar os dois livros, mas é difícil não o fazer, sobretudo quando semanas passadas sobre a sua leitura até não me recordo dos nomes das personagens mas o de Grace vem à memória. Ainda assim é um belíssimo livro. A autora escreve fantasticamente, cria histórias magníficas e este livro comprovou que será uma autora para seguir. Achei os contos de fadas bem bonitos e o mistério, apesar de ser de fácil resolução, não deixa de estar bem urdido.

Veredito: Para ter na estante.

20 de maio de 2013

O Corvo

Diretor: Alex Proyas
Adaptação da comic O Corvo de James O'Barr por David J. Schow e John Shirley
Atores: Brandon Lee, Ernie Hudson, Michael Wincott

Mais informação técnica no IMDb.

Quando e onde o vi: 13 de maio, cortesia da BLX que tinha o DVD. Está um pouco riscado, deu algumas dores de cabeça por parar a meio de algumas cenas, mas imagino que seja pedido várias vezes.

Opinião: Este é um daqueles filmes que, desde que me lembro de ser gente, me despertava a curiosidade. Mas, como geralmente acontece com filmes que têm o epíteto de clássicos, sentia que tinha de estar no right frame of mind. Não sei se o facto de ter ouvido falar no remake terá ajudado mas achei que era desta.

Não estou arrependida de ter visto o filme, acho que é muito bom, mas tenho a certeza que não teve o impacto que teve noutro público. Antes de ver o filme tinha falado com a Telma sobre o mesmo e agora entendo melhor o fascínio e mesmo a catarse que terá sido para ela e outra gente de uma faixa etária algo diferente da minha e que vibravam, na época, com o grunge e sobretudo com os Nirvana, e cuja morte de Kurt Cobain acabou por abalar. A própria morte do protagonista durante as filmagens também contribui para o culto, mas tentei-me alhear-me de isso tudo enquanto via o filme e a verdade é que, ainda hoje, parece-me que o filme e a sua história resultam. Não é só um reflexo de uma época dos anos 90.

Pareceu-me notória algumas semelhanças com o "Batman" do Tim Burton, sobretudo no que toca a personagem mas também ao ambiente gótico, mas acaba por se distanciar na medida em que Bruce Wayne é um humano regular que depende de engenhocas e Eric Draven regressa dos mortos para vingar a sua morte e a da sua noiva. O facto de a história de ambos ser contada em flashbacks em tons saturados ajuda a distinguir da escuridão em que se passa a ação e que de certa forma ilustra a alma de Draven. Gostei bastante de toda a cena em que ele regressa dos mortos e tem que lidar com as memórias do dia fatídico.

Menos conseguido são, no entanto, as interpretações. Algumas muito forçadas e pouco convincentes, mesmo do próprio protagonista. Ainda assim é melhor que algumas donzelas em apuros *cough*Kristen Stewart*cough*. A história tem alguns clichés, como o detective que não percebe peva, o polícia que devia ter conseguido a promoção e percebe tudo, para além de dizer umas piadas e ajudar o herói, mas são clichés que acabam por resultar neste tipo de filmes.

Acaba por ser um filme bastante interessante e fiquei com curiosidade para ler a comic, pois gostava de ver sobretudo a história mais aprofundada. Quanto a um remake, realmente não sei se fará sentido ou se trará alguma coisa de novo a não ser dar a conhecer esta história a outro público.

A edição que vi tinha um disco com bónus. Para além das behind the scenes aconselho sobretudo a feature em que o autor da comic fala das suas influências, do que o levou a desenhar. Infelizmente não consegui ver tudo porque o disco estava bastante riscado e o meu leitor parava.

Veredito: Parece-me valer o dinheiro gasto.

19 de maio de 2013

O Grande Gatsby

Diretor: Baz Luhrmann
Adaptação de O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald por Baz Luhrmann e Craig Pearce
Atores: Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan

Mais informação técnica no IMDb.

Quando e onde o vi: dia 18 de maio no cinema.

Opinião: Não me interessa o que digam, eu adoro os filmes do Baz Luhrmann (e não, ainda não vi o "Australia" mas parece-me que como outros fazem, é melhor ignorar que foi feito)! Os seus filmes estão tão cheios de cor, som, tudo é em excesso, são filmes que gritam "olhem para mim, sou LINDO!" e eu simplesmente fico fascinada com eles. Este é mais um.

Sim, tem alguns problemas, sobretudo no que ao casting diz respeito, mas esse também já é um problema que tinha notado noutro filme deste realizador. Sim, por muito jeitoso que seja o Ewan McGregor deve ter sido a pior coisa que aconteceu ao "Moulin Rouge", na minha opinião (lembro-me que no final, quando o homem desata a chorar, eu desatei a rir), já neste filme a pior coisa que lhe pode ter acontecido foi o Tobey Maguire. Sim, eu tenho um certo problema com este senhor, não sei explicar porquê mas é daqueles actores que não me dizem nada e fico pasma como é que alguém pensa que ele sabe actuar. Ok, também não sei muito de actuações, pelo que vale o que vale, mas o certo é que não gosto dele (foi a pior coisa, no meio de muita coisa má, que aconteceu ao "Homem-Aranha" *why?!*) e não foi este filme que me fez mudar de opinião, sobretudo quando é o próprio que conta a história e parece que a história sofre com isso. :/

Na outra ponta do espectro está, talvez, o Leonardo DiCaprio. Gostei bastante do seu Gatsby, sobretudo da sua insegurança na parte em que se prepara para rever Daisy, na que é provavelmente a cena mais hilariante do filme, e na esperança que emana em várias cenas. Quase que a sentia como palpável e não poderia deixar de esperar que tudo corresse como ele havia imaginado. Também gostei de Carey Mulligan, mas sobretudo pela mudança na sua personagem. É curioso como as duas personagens parecem transformar-se em opostos. Gatsby começa como alguém misterioso e que por isso só pode ter uma reputação e carácter duvidoso, enquanto Daisy parece pura, inocente, vítima de um marido adúltero, para depois os seus caracteres se inverterem aos olhos de Nick Carraway.

O resto do elenco também me pareceu bem, ainda que não saltem muito à vista, talvez com a excepção de Joel Edgerton e o seu Tom Buchanan. O que salta à vista, no entanto, é a exuberância das festas de Gatsby, o brilho dos loucos anos 20 e é engraçado como o hip hop se funde com os sons mais consentâneos com a época. A banda sonora é belíssima, com músicas que sinceramente não estava à espera de gostar, porque os artistas pouco me dizem, mas que se adequam aos momentos e mesmo à história, como "Young and Beautiful" da Lana Del Rey. Sinceramente, não deveria duvidar das escolhas musicais do senhor Baz Luhrmann. :P

O filme é belíssimo, mas a história não lhe fica nada atrás. O final ia-me partindo o coração (acho que o Luhrmann não acredita em finais felizes) e acho que por um momento perdi toda a esperança de que a esperança existisse, se é que faz sentido. Pelo que percebi de algumas críticas foram feitas algumas alterações, e não sei que tipo de impacto tem em termos da adaptação, mas que também está lá muito do texto original na boca das personagens. Isso consegui perceber pois há frases que são simplesmente magníficas e só aquela frase no final me deixou desejosa de ler o livro.

Citação:
Gatsby believed in the green light, the orgastic future that year by year recedes before us. It eluded us then, but that's no matter - tomorrow we will run faster, stretch out our arms farther... And one fine morning - So we beat on, boats against the current, borne back ceaselessly into the past.

Veredito: Para ter na estante.

16 de maio de 2013

Porque música é poesia (23)



Jack White - Love is Blindness

Love is blindness, I don't want to see
Won't you wrap the night around me?
Oh, my heart, love is blindness.

I'm in a parked car, on a crowded street
And I see my love made complete.
The thread is ripping, the knot is slipping
Love is blindness.

Love is clockworks and is cold steel
Fingers too numb to feel.
Squeeze the handle, blow out the candle
Blindness.

Love is blindness, I don't want to see
Won't you wrap the night around me?
Oh, my love,
Blindness.

A little death without mourning
No call, no warning
Baby, a dangerous idea
That almost makes sense.

Love is drowning in a deep well
All the secrets, and nobody else to tell.
Take the money, why don't you honey?...
Blindness.

Love is blindness, I'm so sick of it, I don't want to see
I don't you just take the night, wrap it all around me?
Oh, oh my love,
Blindness.

Love is blindness,
I'm too numb to feel,
Blow out the candle,
Blindness.

15 de maio de 2013

Curtas: A Little Bit Wild (York Family, #1), Amor e Enganos (Bridgertons, #3) ou a edição romance

Título: A Little Bit Wild (York Family, #1)
Autor: Victoria Dahl
Ficção | Género: romance histórico
Editora: Zebra | Ano: 2010 | Formato: livro | Nº de páginas: 329 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: oferecido pela Slayra em 2011.

Quando e porque peguei nele: início de Abril. Fez parte de duas listas para o Monthly Key Word Challenge e apesar de não ter ganho nenhum saltou-me à vista. Conta para o Mount TBR Reading Challenge.

Opinião: Este foi o romance eleito depois de acabar o Gone Girl na tentativa de reavivar a minha esperança em relações. Não posso dizer que tenha sido um sucesso, continuo à procura de um romance que seja capaz de sweep me off my feet.

O meu grande problema com este livro foi sobretudo o facto de não haver grande química entre as personagens. A heroína até me pareceu interessante, pela primeira vez não se tratava de uma virgem e a moça até tinha olho para as pernas dos senhores (sim, que aquelas calças deixam pouco à imaginação no que a pernas diz respeito *revê dramas de época e mais alguns*), mas a partir de certa altura até eu achei que era demais. Já o protagonista, he did nothing for me. Nunca me pareceu real, talvez tenha sido mal desenvolvido ou mal aproveitado até porque a sua história me pareceu que podia ser melhor explorada. Mas vai daí eu até gosto de coisas sobre cortesãs e por isso queria algo mais e não apenas que o moço soubesse que uma mulher sangra. *revira olhinhos* A sério, quando ele pergunta "have you bled?" foi tão... nem sei o que dizer... mau? Inconveniente e ligeiramente "eww!"?

Veredito: Oferecido e pouco se perde com isso. Enfim, pouco ou nenhum interesse para mim teve e só o acabei porque li metade do livro na diagonal, mais por preguiça de pegar noutro livro do que realmente interesse em acabar o que tinha em mãos.

Título: Amor e Enganos (Bridgertons, #3)
Autor: Julia Quinn
Ficção | Género: romance histórico
Editora: Asa | Ano: 2013 (originalmente publicado em 2001) | Formato: livro | Nº de páginas: 384 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: comprei-o este ano, assim que foi publicado.

Quando e porque peguei nele: entre 3 e 9 de maio. Queria lê-lo antes de emprestar a umas amigas.

Opinião: Gostava de dizer que tinha apreciado mais esta segunda leitura mas estaria a mentir. É verdade que até certo ponto estava a gostar bastante e cheguei a questionar-me porque raio não tinha ficado com boa impressão do livro, até que chego à página 200 e pensei na voz da Celine Dion "it's all coming back, it's all coming back to me now" (a sério, não sei porque raio a minha cabeça faz associações deste tipo). Então basicamente temos o moço, Benedict que é como quem diz o Bridgerton nº 2, praticamente a chantagear que irá acusar a Sophie, o seu interesse amoroso, de o roubar, mesmo que ela não o tenha feito (quer dizer, ela até roubou mas não a ele e até aquele ponto da história ele não o sabe), se ela não for com ele para Londres. O_o Que coisa mais manipuladora de se fazer e como me tinha esquecido de tal coisa?! O homem até se redime mais para o final mas sinceramente, para mim a partir daquele momento qualquer interesse que podia ter na personagem morreu. Às vezes penso que se critica muito o género, em como as fantasias retratadas diminuem a condição da mulher e nunca antes me tinha dado conta disso como com este livro. Pode ser um único pormenor num livro que acaba por dar-nos um casamento entre duas pessoas de estratos sociais diferentes, mas mesmo isto acaba manchado com o esforço a que a família Bridgerton vai para, de certa forma, legitimar Sophie.

Veredito: Se fosse emprestado, pouco se perderia com isso. Talvez esteja a ser demasiado crítica, talvez eu não esteja com espírito para o romance, o certo é que fiquei bastante desagradada, e até incomodada, com esta leitura e só o facto de ter a cena da Penelope após a declaração do Colin salvou este livro para mim, assim como a cena da prisão, mas aí até é mais pelo confronto de Posy e Araminta. Sinceramente até começo a temer ler o livro do Colin e encontrar defeitos no meu irmão Bridgerton preferido. Ainda continuo a adorar a Julia Quinn, ninguém desenvolve relacionamentos como ela e escreve diálogos tão divertido, mas  não é por isso que não deixo de lhe ver alguns defeitos.

14 de maio de 2013

Gone Girl [e-book]

Autor: Gillian Flynn
Ficção | Género: thriller
Editora: Weidenfeld & Nicolson | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 25 de março a 3 de abril, no âmbito da Leitura Conjunta do SLNB.


Opinião: Sinto que já estou farta de falar sobre o livro e ainda não o enterrei. Sim, estou a falar do Gone Girl. Acho que só isto dá para ver como ele mexeu comigo. Mesmo um mês depois de o ter acabado ainda me vêm à cabeça pensamentos sobre relações, como não conhecemos realmente uma pessoa, o que faria se alguém que eu conheço desaparecesse...

É exactamente o modo como a autora aborda estes temas e a sua belíssima escrita que constituem, para mim, o forte deste livro assim como o retrato psicológico das personagens. Pela primeira vez acho que encontro um livro onde não há personagens boas nem que se redimem. Estamos perante uma sociopata e um choninhas que não chega a ser uma vítima simplesmente porque também ele trai e é incapaz de tomar responsabilidade sobre o que quer que faça.

Contado em capítulos que alternam entre a visão de Nick e de Amy e dividido em 3 partes, esta é uma história que se vai desenrolando, aparentemente, de forma lenta. Pelo menos foi essa a ideia com que fiquei na primeira parte, onde Nick contava o que ia acontecendo no presente deparando-se com o desaparecimento da esposa, lembrando situações da altura em que se conheceram e de como se foi desenvolvendo a relação de ambos. Ao mesmo tempo temos o diário da Amy que retrata as mesmas situações mas do ponto de vista dela. Devo dizer que o diário me soou a falso, achei que a Amy era perfeita demais e como tal não podia existir, além de que era tudo muito linear e, desde cedo, me ficou na ideia a nota de Nick sobre Amy, de que ela gostava de jogos psicológicos.

Na segunda parte o ritmo como que acelera um pouco mas o grande forte continua a ser a caracterização de personagens. Ficamos a conhecer a verdadeira Amy e como foi para mim tão satisfatório ficar a conhecê-la! Mal ela fala nesta segunda parte senti que ali estava a minha Amy, por assim dizer, e só por isso comecei a gostar muito mais do livro, de tal maneira que me era custoso colocá-lo de lado, e a sentir ainda mais curiosidade pelas personagens. Achei piada ao facto de esta parte se chamar "Boy Meets Girl" porque acaba realmente por ser também a descoberta, por parte de Nick, de quão demente é a sua esposa. Não que ele seja um santinho, pois também ele tem culpa na direcção que a relação de ambos tomou, mais não seja por ser infiel. Ainda assim, e apesar de facilmente serem personagens odiáveis, não conseguimos deixar de nos relacionar com elas, seja por aquilo que passam ou atravessam, ainda que na sua posição tomássemos diferentes opções e atitudes. Ou pelo menos assim espero, pois não me iludo, sei que há pessoas assim e, confesso, depois de ler o livro achei que jamais poderia confiar noutra pessoa ou mesmo na raça humana.

Apesar de ter adorado, tive alguns problemas no que à história diz respeito, sobretudo no final da segunda parte e na terceira. Achei um pouco fora do carácter da Amy deixar-se enrolar por um casal de ladrões. Ok, ela realmente não estava no seu ambiente mas ainda assim achei forçado, que serviu apenas para fazer o plot seguir numa direcção que convinha à autora. A Amy não era cega, ela percebeu o que estavam a planear e não tomou qualquer medida para se precaver? E ir parar aos braços de alguém tão louco ou mais que ela? Podemos debater que perante o falhanço do plano A, ou tendo mudado de ideias devido às reações de Nick ao seu desaparecimento, Amy tenha precisado de encontrar outro bode expiatório, mas de certa forma pareceu-me, mais uma vez, forçado.

Quanto ao final, debati-me por bastante tempo com ele mas acaba por ser acima de tudo bastante real e justo. Não para o mundo, para mim matavam-se um ao outro e o mundo ficava bem melhor, mas para ambas as personagens pois elas acabam por ter o que merecem e, de um modo muito estranho, o que ambos querem.

Veredito: Este é um livro difícil por abordar questões próximas ainda que através de olhos completamente disfuncionais e acabar por nos fazer sair da nossa zona de conforto. Faz-nos pensar e tentar avaliar o que e, sobretudo, quem temos à nossa volta, até que ponto conhecemos alguém. Não sei se o consigo recomendar de ânimo leve. Vale sem dúvida a pena lê-lo, mas é daqueles que talvez seja preciso estar num determinado estado de espírito. Não acho que o tenha lido no momento errado mas no final precisei de ir a correr ler um romance para voltar a acreditar em relações e em pessoas. Este é, com certeza, um livro que não deixa uma pessoa indiferente.

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