A while ago, I interviewed my readers for a change, and my final question was, “What question have I NOT asked at BTT that you’d love me to ask?” I got some great responses and will be picking out some of the questions from time to time to ask the rest of you. Like now.
What book(s) have you read that you’re secretly ashamed to admit
Era para ter respondido ontem, mas depois acabei por não o fazer porque foram surgindo coisas que não interessam para aqui. Mas respondendo então à questão... antes era mais usual tentar esconder o que estava a ler, sobretudo aqueles romances com alfa-males e moças de peitos fartos nas capas, mas depois pensei
“oh que se lixe! gosto de ler, que me importa o que as outras pessoas possam pensar?” e desde aí que se acabou a vergonha e nos últimos tempos nem tenho tapado a capa, como costumava fazer.
Quando e onde o vi: entre 13/janeiro/2012 e 29/junho/2012, tanto no AXN como no videoclube, se não conseguia apanhar no canal.
Temporada: primeira e única até ao momento, mas foi renovada.
Opinião: Tal como “Castle”, esta foi uma série com um horário algo confuso, mas segui com mais gosto e quase religiosamente, apesar de ter alguns pontos fracos que mexiam comigo, chegando mesmo a exasperar-me.
Para começar temos os protagonistas. A Jennifer Morrison nunca me convenceu, mas é algo que já vem de trás, de “House M.D.” e até de “How I Met Your Mother” onde simplesmente a odiei. Não sei o que é que me faz não ir à bola com ela mas acho que é, realmente, o ponto mais fraco de toda a série. Não consigo importar-me com sua personagem, mas acontece o mesmo com o pequeno Jared Gilmore. Também não fiquei fã de Ginnifer Goodwin nem do Josh Dallas, mas isso deve-se mais à história da Snow e do Charming do que propriamente aos atores. A história é demasiado lamechas para o meu gosto. Tão, mas tão lamechas que dou por mim a revirar os olhinhos e a perguntar se não podemos passar à frente da lamechice toda.
No espetro oposto, adorei Lana Parrilla que está fabulosa como Rainha Má, ainda que o episódio em que descobrimos porque é que odeia a Snow tenha deixado algo a desejar. A sério, acabei o episódio a perguntar-me “mas é por isto?” Pensei que Snow tivesse tido um pouco mais de influência, do género ter ela morto por engano ou acidente, mas não, é porque é tão doce e inocente que deu com a língua nos dentes. Meh! Fabuloso está também Robert Carlyle, mas isso era um dado adquirido. Também adorei como deram a volta aos contos de fadas, com Rumplestiltskin (nome mais estranho mas estranhamente bonito, acho que quero um cão com este nome :D ) a ser o Monstro, por exemplo, e a Capuchinho a ser o lobo mau! Isto foi, a meu ver, o que de melhor teve a série.
Veredito:Vale o dinheiro gasto. Não que vá gastar dinheiro num DVD, mas é giro, entretém e aguardo a segunda temporada. :)
Opinião: Este é daqueles filmes em que dou por mim, semanas depois de ter visto o filme, a pensar “gostei? não gostei? será que percebi tudo? devia revê-lo?” E sinceramente, não sei.
Em termos de paisagens é bem bonito, sobretudo o início, e no que toca a atuações não são más. Todos os atores me pareceram bastante competentes mas o Michael Fassbender como David, um androide construído pela Weyland Corporation, está fenomenal. A sua atuação é fria, desprovida de qualquer sentimento e chegou a fazer-me duvidar se o homem realmente não será uma máquina. Parece ser dos atores mais versáteis que há por aí e espero que continue o bom trabalho.
Já no que toca à história, eis que chegamos à tal indecisão. Parece um daqueles filmes em que a montanha pariu um rato, ou um alien neste caso. Começa quase por ser um filme filosófico, fazendo aquelas perguntas que toda a Humanidade questiona em todas as épocas e ainda não conseguiu responder: de onde vimos, para onde vamos e qual é o nosso propósito. Mas de repente torna-se como que num filme de terror, com o pessoal a dar corda aos sapatos para salvarem as suas vidas, com heróis a sacrificarem-se pela Humanidade (em perigo de extinguir-se por um qualquer capricho dos supostos Engenheiros), com seres estranhos a entrarem nos corpos dos passageiros da nave que dá nome ao filme e acabando por originar mutações.
Parece que tenta ser muita coisa ao mesmo tempo, ou que a meio aborreceram-se, o que fez com que tenha suscitado imensas perguntas sem oferecerem, no entanto, qualquer resposta. É certo que é complicado dar resposta aquelas questões existenciais, a Humanidade ainda não o conseguiu e tenta há milénios encontrar um significado para a vida, mas o filme acaba por ter uma mitologia algo própria, digamos assim, pois apresenta os Engenheiros como criando o Homem (ou toda a vida na terra, acabei por não perceber muito bem, sobretudo se tivermos em conta a teoria da evolução de Darwin que diz que descendemos de primatas) pelo que seria interessante terem tentado oferecer respostas.
Assim sendo o que tiro daqui? Que o ser humano é uma experiência que correu mal, mas penso que isso já se sabia, e, como todas as más experiências, o que corre mal deve ser destruído. De qualquer forma aguardo uma continuação para ver até onde é que Shaw vai na sua busca por respostas.
Já agora, deixo um link para um artigo que achei bastante interessante, que se debruça sobre as grandes questões que o filme aborda.
Veredito:Vale o dinheiro gasto. Mais não seja porque passado uma semana e meia continuo a pensar no filme. Leva a questionar-nos, a fazer algum exame pessoal.
Quando e onde o vi: entre 19/abril/2012 e 23/junho/2012, no AXN ou melhor no videoclube da Zon onde o AXN disponibilizava os episódios que iam dando semanalmente.
Temporada: primeira e parece que a última.
Opinião: Não pensava ver esta série, pois acho que a Ashley Judd faz sempre o mesmo papel, mas depois vi que tinha o Sean Bean e pronto, foi a desgraça. Ainda temi pela saúde daquele, que infelizmente acaba sempre morto (ok, às vezes salva-se, como no Sharpe, mas reparem na quantidade de filmes em que ele morre e no tipo de morte, até tem uma “death by cow”!).
Não será a melhor coisa que por aí anda, achei por demasiado previsível e que os efeitos, nomeadamente quando andavam de carro ou mostravam cenas do passado, podiam estar melhores assim como as actuações. Apesar de tudo acabou por conquistar a minha atenção, de tal forma que fiquei realmente desapontada quando soube que foi cancelada. Desapontada e irritada porque o final da série é então completamente descabido. Merecia um fecho a sério e não uma ponta solta, mas tão solta que praticamente implora por continuação.
Veredito:Deu na televisão pelo que não se perde nada com isso.
Título: A Feira dos Imortais (Nikopol, #1)
Autor: Enki Bilal
Ficção | Género:comic
Editora: Meribérica/Liber | Ano: 1991 (originalmente publicado em 1980) | Formato: livro | Nº de páginas: 64 | Língua: português
Como me veio parar às mãos: pedi emprestado nas BLX
Quando e porque peguei nele: 26/junho/2012. Apeteceu-me ler algo com história aos quadradinhos. Conta para os desafios: Book Bingo - novela gráfica.
Opinião: Já há alguns anos que ando de olho nas obras deste autor, mas só agora tive oportunidade de ler. Apesar disto não sei bem do que estava à espera e soube a pouco, como se faltasse algo, não sei bem o quê. Talvez alguma profundidade, tanto no que à história como às personagens diz respeito.
Gostei da arte e foi sobretudo isso que me havia chamado a atenção. Gosto do desenho e do aspecto algo futurista. Achei engraçado envolver deuses egipcios (e vê-los jogar Monopólio foi impagável xD ) e gostei de como o autor mostra a História a repetir-se, como se o ser humano jamais aprendesse com os seus erros, mas achei que podia ter ido mais longe na exploração dos temas que tenta abordar. Acabou por ser demasiado contido.
Fica, no entanto, a curiosidade para ler os restantes dois volumes.
Quando e onde o vi: 24 de junho em casa, cortesia das BLX que tinham o DVD disponível. Vi o filme no âmbito da Temporada William Shakespeare.
Opinião: Como com outros livros que assim que leio tenho de ver a adaptação, neste caso tal ainda mais se impunha, tendo sido esta história escrita por modo a que outros a representassem.
Penso que nunca tinha visto uma adaptação da peça, só excertos do filme do Sir Kenneth Branagh (e deixai-me fangirlar um bocado por ele agora ser Sir) aqui e ali, e que entretanto tive a oportunidade de ver mas isso fica para uma outra altura...
Ao ver este, devo confessar que tinha um certo receio da escolha de Mel Gibson mas ele acabou por me surpreender. A sua raiva e “demência” era o que esperava encontrar ao ler e ele na sua representação conseguiu então imprimir o sentimento que terá faltado na minha leitura. Não sei se estou a conseguir expressar-me da melhor maneira, mas a leitura e o visionamento são duas experiências completamente diferentes e achei o último muito mais enriquecedor que a leitura. Sem dúvida de que estas palavras foram escritas para serem representadas pois sem qualquer entoação perdem todo o alcance que poderiam ter. E como todos os actores são diferentes, assim como diferentes são as pessoas, acaba por dar uma outra visão, uma outra interpretação do mesmo texto. Se ao ler achei que Hamlet era um choninhas, Mel Gibson mostrou-me que era um homem de ação e que mesmo a sua inatividade é um plano em andamento. Se tinha achado que o seu sentimento por Ofélia não era verdadeiro, aqui senti que o facto de sua mãe se voltar a casar prematuramente como que estragou a imagem das mulheres para ele, vendo em Ofélia o mesmo engano sem que ela no entanto tivesse feito algum mal, pagando a justa pela pecadora. Vi na demência de Ofélia mais que a tristeza de ter sido abandonada, vi sonhos desfeitos e a inocência perdida.
Não segue a peça tal como está escrita, há cenas que desaparecem e outras mudam de sítio, mas acaba por ser uma adaptação bastante competente e muito bem conseguida. Só posso aconselhar.
O DVD também possui documentários e um comentário que analisa o texto original e o filme, que acho que valem a pena ser vistos e lido.
Veredito:Vale o dinheiro gasto. Mas muito perto de “para ter na estante”. Surpreendeu-me bastante e aconselho sem qualquer tipo de reservas.
Li esta peça há dois anos, por auto-recriação minha e como me foi dada a oportunidade de escrever sobre o tio Shakes através do convite da dona deste blog, foi mais ou menos fácil decidir-me sobre que peça iria escrever!
Macbeth, ou The Tragedy of Macbeth, é a peça mais curta de Shakespeare e é também a mais violenta, sangrenta e obscura que ele escreveu. Fala-nos de ambição desmedida, de traição, crueldade e culpa, com um ambiente sobrenatural que torna certos momentos da peça ainda mais tensos e obscuros. De forma resumida, Macbeth fala-nos de um homem, Macbeth, que está disposto a matar o rei da Escócia para lhe usurpar o trono. Consequentemente, Macbeth passa a ser um homem atormentado pela culpa dos seus actos e acaba como um homem completamente paranóico em relação a todos os que o rodeiam e tirânico. Contudo, houve uma personagem em particular que me impressionou em toda a peça: Lady Macbeth.
A primeira vez que ela aparece é no acto I, cena 5 e é nesta cena que ela faz talvez o seu discurso mais marcante e o discurso mais perturbador que eu já li. E para vos dar um cheirinho, aqui fica um pouco:
"Come, you spirits
That tend on mortal thoughts, unsex me here
And fill me, from the crown to the toe, top-full
Of direst cruelty. Make thick my blood,
Stop up th'access and passage to remorse,
[...]
Come to my woman's breasts,
And take my milk for gall, you murd'ring ministers,
Wherever in your sightless substances
You wait on nature's mischief."
"Unsex me"?! Bitch is crazy... Agora falando a sério, isto não é perturbador? Esta mulher, cheia de ambição desmedida, ainda mais vil que o seu marido, pede que lhe sejam retiradas todas as características que estão associadas às mulheres e que as tornam, supostamente, seres mais sensíveis e frágeis. Ela não quer ter qualquer qualidade que a possa levar a fraquejar. Quer, essencialmente, ser preenchida pela mais terrível crueldade. Lady Macbeth chega a questionar a masculinidade do marido sempre que a mente dele sente remorsos em relação a algo; ela domina-o, é impiedosa e no fim é a culpa e a visão de todos os seus actos que a levam à loucura e ao seu final trágico. Para a época, Lady Macbeth terá sido uma personagem algo polémica, uma vez que, sendo mulher, ela não tem um traço de feminilidade no que diz respeito às suas acções. Ela pede a um poder sobrenatural que lhe retire as características femininas porque se prepara para actos cruéis, associados ao masculino e, por isso, ela tem que cortar todos os laços que a ligam, mentalmente e emocionalmente, aos aspectos femininos. O sexo é algo físico, nascemos homens ou mulheres; mas o género é uma característica mental e, nesse aspecto, Lady Macbeth tem um pensamento mais associado ao masculino. Há críticos, inclusive, que a consideram a verdadeira instigadora de toda a violência na peça e, para mim, ela é a impulsionadora de todos os momentos cruciais da história. O que é que eu tenho a dizer sobre isto? Que a senhora Macbeth era uma mulher perturbada e que Shakespeare era um génio.
Nesta medida, acho que vale a pena referir aqui duas pinturas que ilustram o poder de Lady Macbeth tanto na peça como sobre o seu marido. A primeira é da autoria do pintor Henry Fuseli e intitula-se Garrick and Mrs. Pritchard in Macbeth (1812). Para dar um pouco de contexto, o momento em que se baseia esta pintura é retirado do acto II, cena 2 e diz assim:
Lady Macbeth: Go get some water,
And wash this filthy witness from your hand.
Why did you bring these daggers from the place?
They must lie there: go carry them, and smear
The sleepy grooms with blood.
Macbeth: I'll go no more:
I am afraid to think what I have done;
Look on't again I dare not.
Lady Macbeth: Infirm of purpose!
Give me the daggers."
Garrick and Mrs. Pritchard in Macbeth de Henry Fuseli
Não vou fazer nenhuma análise académica sobre o quadro, mas é bastante claro que Lady Macbeth se encontra numa posição dominante e de poder, em oposição ao coitado do marido que parece ter medo da própria mulher e parece estar horrorizado com o acto que acabou de cometer, uma vez que as adagas estão ensanguentadas. O facto de parecerem duas figuras fantasmagóricas num fundo negro, penso que transmite a obscuridade da peça, o ambiente tenso e sobrenatural e os actos sangrentos que vão sendo cometidos durante a peça.
Ellen Terry as Lady Macbeth de John Singer Sargent
O segundo quadro é de John Singer Sargent e intitula-se Ellen Terry as Lady Macbeth (1889). Ellen Terry foi uma actriz de teatro inglesa e que se tornou famosa por ser uma das melhores actrizes Shakespearianas, no século XIX. Neste quadro em particular, vemos Ellen Terry como Lady Macbeth. Quando vi este quadro lembrei-me imediatamente do discurso do "Unsex me here". Ela está altiva, imponente, o seu olhar parece em transe e está com a coroa nas suas mãos, símbolo da sua ambição pelo poder real. Acho que mais do que ser rainha, ela queria era ser rei e aqui, mais uma vez, se impõe a questão entre sexo e género. Um outro pormenor importante é o cabelo ruivo. O cabelo ruivo estava associado às bruxas, a mulheres sedentas de luxúria nas quais não se podia confiar por representarem uma ameaça aos homens. Não referi antes, mas Macbeth e a sua mulher tinham uma relação essencialmente sexual e era dessa forma que ela o convencia a actuar de determinada maneira. E aqui encaixa tudo, não encaixa?
Existem mais quadros que retractam esta peça e outras personagens também. Mas estes dois, para além dos quadros que retractam as três bruxas, foram os que mais me marcaram pela mulher que evocam, pela violência, crueldade e ambição associadas a ela. Confesso que em termos de adaptações de Macbeth para filme nunca vi nenhuma. Mas também, com tanta superstição associada a ela, não me espanto muito... Mas no youtube podem encontrar vídeos de representações teatrais de algumas cenas da peça, entre as quais contracenam Judy Dench e Sir Ian McKellen. Aqui fica a excepcional Judy Dench na já referida cena 5 do primeiro acto (no spoilers):
Este artigo foi escrito pela Diana do blog Papéis e Letras, que apoiou a temporada Shakespeariana, leu o Hamlet ao mesmo tempo que eu, está quase sempre disponível para falar sobre o tio Shakes (e sotaques britânicos, e homens britânicos, e espadas britânicas, e... acho que já perceberam a ideia) e já escreveu trabalhos sobre tudo e mais alguma coisa. :D
Editora: Project Gutenberg | Ano: escrito em 1603? | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês
Como me veio parar às mãos: tal como Hamlet tenho uma edição em português, que conta com mais peças do autor e que faz parte de uma coleção, mas acabei por fazer download das obras completas no site do Projecto Gutenberg.
Quando e porque peguei nele: 24/junho/2012. Estava para pegar no Romeu e Julieta mas de repente apeteceu-me algo violento e com gore para combinar com a minha disposição e paciência para pessoas, que sinceramente não tem sido muita. Conta para os desafios: Temporada William Shakespeare.
Opinião: Depois de ter lido, aparentemente, a sua peça mais longa, eis que agora li a mais curta. Mas por ser mais curta não quer dizer que seja menor. É certo que não achei a sua escrita tão poética, e por isso continuo a preferir Hamlet, mas esta tem outros pontos de interesse, nomeadamente por mostrar o que poder e a ambição podem fazer a um homem.
Macbeth aparenta ser um homem justo e leal ao seu soberano até que encontra três bruxas que lhe dizem que está fadado a ser rei. As três bruxas lembraram-me as Parcas, de certa forma representando passado, presente e futuro, e girado a Roda da Fortuna, decidindo ou contribuindo para os destinos dos mortais. Neste caso, o encontro como que implanta a ideia de assassínio na mente de Macbeth. No entanto, e tal como Hamlet, dúvidas assaltam a sua alma, sendo que Macbeth acaba por se assemelhar a um homem perante um precipício. É a sua esposa, Lady Macbeth, que acaba por lhe dar o empurrão final, colocando em marcha acontecimentos que vão, como não podia deixar de ser, contribuir para os seus fins.
Sobre Lady Macbeth, uma das personagens que mais gostei, apesar de tudo, falará uma convidada especial, mas gostaria de salientar que apesar de achar que teve o que merecia, não deixei de sentir pena quando enlouquece e se suicida. Apesar de aparentar ser mais forte que o marido levando-o a cometer atos atrozes, é a primeira que sucumbe ao sangue dos inocentes que mancha as suas mãos e que teima em não sair. Mas se esta personagem parece que sempre foi má ou pelo menos mais ambiciosa, já não diria o mesmo de Macbeth, que vai aos poucos e poucos afundando-se na sua sede de poder.
De notar que, tal como em Hamlet, são seres sobrenaturais que colocam em marcha a história, aqui com a premonição das bruxas e que me leva a questionar se Macbeth faria o que fez se não as tivesse ouvido. E mesmo tendo ouvido, porque achou necessário agir daquela forma? Também é feita uma premonição sobre o seu companheiro Banquo e ele nada faz. Para dizer a verdade acho curioso este tipo de histórias, que remonta a tantos séculos atrás como até à Antiguidade Grega, onde outras histórias têm base em premissas semelhantes: premonições, visões do futuro que levam pessoas a agir e a concretizar o profetizado, mesmo que tentassem evitar o futuro como havia sido escrito. Isto leva-me a questionar se está o futuro realmente escrito ou se cada um faz o seu destino com as suas escolhas, pois apesar de o futuro nos ser contado continuamos a ter escolhas: encetar ações para o cumprir ou continuar como até ali, esperando que o profetizado se cumpra? Food for thought, indeed...
Enfim, esta é uma história bastante mais negra, acabando por revelar o que de pior há no homem. Mas ao mesmo tempo, há sinais de esperança, numa luz na noite, num herdeiro exilado, numa personagem que por sofrer com a morte da sua família não deixa de ser viril (também já em Hamlet o choro era considerado coisa de gaja). Este é outro tema recorrente, sobretudo na relação entre Macbeth e sua mulher, em que esta perante as indecisões e medos daquele acusa-o de falta de virilidade, mas Macduff mostra então o contrário.
Os opostos são uma constante nesta peça que agora quero ver representada. Não sei se há alguma adaptação cinematográfica ou televisiva, mas com toda a superstição que há por detrás até gostaria era de ver a peça sobre o escocês no teatro.
Veredito:Para ter na estante. É que não há dúvida nenhuma. Não sei quanto às comédias e outros escritos de Shakespeare mas as tragédias são seguramente para guardar, ler, reler, ver e rever.