Autor: Patrick RothfussGénero: fantasia
Editora: Gailivro | Nº de páginas: 966
Nota: 4/5
Resumo (da capa):
«Chamo-me Kvothe. Resgatei princesas dos túmulos de reis adormecidos, incendiei Trebon. Passei a noite com elurian e parti com a sanidade e com a vida. Fui expulso da Universidade na idade em que a maioria dos alunos é admitida. Percorri caminhos ao luar que outros receiam nomear durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e compus canções que fazem chorar os trovadores. É possível que me conheçam.»
Assim se inicia uma história sem igual na literatura fantástica, a história de um herói contada pela sua própria voz. É uma história de mágoa, uma história de sobrevivência, a história de um homem que busca o sentido do seu universo e de como essa busca e a vontade indomável que a motivou, fizeram nascer uma lenda.
Opinião: Por incrível que pareça, tomei conhecimento deste escritor devido à polémica, por assim dizer, que envolve George R.R. Martin e a saga da escrita do seu A Dance with Dragons. Vi um cartoon em que o próprio lutava com a escrita do seu segundo volume e, curiosa, pesquisei um pouco. As críticas positivas aguçaram-me a curiosidade que se tornou ainda maior com a sua publicação em português. No entanto, fiquei sempre algo reticente em comprar um livro de tamanho tão considerável, pelo que resolvi ir à biblioteca requisitá-lo. É nestas alturas que dou graças por poder ler livros de graça. Atenção, isto não quer dizer que seja mau mas não é tão bom como eu estava à espera, depois de ler críticas como a do Pedro. Esperava algo mais deste livro de fantasia que, espremendo muito bem, pouco tem.
Ora bem, a história começa com um estalajadeiro e com umas aranhas de metal, o que até estava a ser interessante. Entra depois um Cronista que pede ao estalajadeiro que conte a sua história, a que ele acede dizendo no entanto que precisa de 3 dias. Eu sabia que devia ter prestado mais atenção a esta parte, porque os 3 dias correspondem aos 3 volumes pensados para esta trilogia mas só descobri isto muito tarde. Conhecemos então Kvothe, nascido na tribo Edemah Ruh, um grupo de artistas viajantes, ficando assim a conhecer a sua infância e a sua iniciação na simpatia, tendo Abenthy como tutor. Mas todos os cenários idílicos têm um fim e Kvothe é então obrigado a sobreviver nas ruas de Tarbean até que consegue ingressar na Universidade. Esta, que esperava ser a melhor parte do livro, foi a que mais me custou ler por parecer arrastar-se indefinidamente e nos apresentar, entre personagens interessantes, como o mestre Elodin e Auri, outras que pouca atenção me mereceram, caso da Denna e do suposto rival de Kvothe, e que me parece (infelizmente) vão ter maior importância nos volumes seguintes.
O ritmo lento, as acções (algo) inconsequentes, foram verdadeiros turn off sempre que punha o livro de lado e voltava a pegar-lhe. Confesso que fez-me lembrar um pouco Stephenie Meyer, uma autora também com muita parra e pouca uva, mas que também me agarrava aos seus livros com a promessa de acção umas páginas mais à frente, tal como neste livro. Mas se adorei a escrita de Rothfuss, não o posso dizer de Meyer. Rothfuss tem uma certa musicalidade que Meyer não tem. Mas o que mais me seduziu foi a parte em que se explica a magia/simpatia, que me pareceu algo semelhante ao vudu, e a história dos Chandrian que mesmo assim, para mim, não foram muito desenvolvidos. Também gostei do modo como apresentou a história, colocando-a na voz de Kvothe, mudando para um narrador omnisciente sempre que a acção passava para o tempo presente, assim como das histórias dentro da história (sobretudo a que Skarpi conta sobre os Chandrian). Acho que foi uma belíssima maneira de nos apresentar a personagem principal.
Infelizmente e apesar de acreditar que esta saga tem possibilidade de se converter em algo maior (daí a nota que lhe dou) do que nos apresenta este livro, fico com a sensação de que tudo o que eu quero ver respondido pode não vir a ser abordado. Não duvido que o autor já tenha tudo planeado, mas vendo bem a coisa, se os 3 volumes são para contar a história de Kvothe, veremos algum tipo de solução para o que se parece passar no tempo em que a história é contada? Não duvido que Kvothe nos conte o que o levou até ali, porque é que agora as estradas são inseguras, mas veremos algum tipo de conclusão? Veremos ele em acção, o bem a triunfar sobre o que parece ser o mal? :/






