3 de janeiro de 2010

Pilha de Livros (IV)

Não podia deixar de deixar aqui a pilha de livros com que vou iniciar este ano. O Stardust já não está aqui, ainda que tenha sido o livro a acompanhar-me na viragem. Tirando o Anna Karénina e Um beijo na escuridão, tem os livros que ficaram por ler da pilha anterior.
Não devo de ler os livros necessariamente nesta ordem.

Stardust, o Mistério da Estrela Cadente

Autor: Neil Gaiman
Género: fantasia
Editora: Editorial Presença | Nº de páginas: 176
Nota: 4/5

Resumo (da capa):
" – E se eu te trouxesse a estrela caída? – inquiriu Tristran, animado. – O que me darias? Um beijo? A tua mão em casamento?
– Tudo o que quisesses – respondeu Victoria, divertida.
– Juras? – perguntou Tristran.
(…)
– Claro – afirmou Victoria, sorrindo."

Victoria Forester era considerada a rapariga mais bonita das Ilhas Britânicas, mas para Tristran ela era a rapariga mais bonita do mundo, e a sua paixão por ela não conhecia limites. Por isso, as palavras que Victoria proferiu naquela noite de Outono em que foram ambos surpreendidos pelo brilho extasiante de uma estrela cadente soaram como música aos seus ouvidos. Afinal, havia um caminho para o coração da sua amada. Tudo o que tinha de fazer era apanhar aquela estrela... e esse era agora o seu único desejo! Mas o que resta de uma estrela cadente quando atinge o solo? No mundo dos homens, apenas um monte de destroços calcinados e retorcidos. Só que a estrela de Tristran caiu no País Mágico, no país onde habitam dragões, grifos, basiliscos, hidras, unicórnios, gnomos, enfim, toda a sorte de criaturas extraordinárias e inimagináveis, e lá, as estrelas cadentes são belas raparigas de olhos azuis e cabelos loiros. Uma enorme parede de pedra separa a aldeia de Wall desse mundo fantástico, mas nada poderá demover Tristran, e é justamente quando dá o primeiro passo no País Mágico que tem início a sua fabulosa aventura! O que Tristran não sabe é que há outras criaturas interessadas em deitar a mão à sua estrela, e com intenções bastante menos nobres que a sua… Gaiman revela-nos, uma vez mais, o seu inquestionável talento para escrever histórias que nos fazem sonhar e que, através da criação de mundos imaginários, suscitam em nós a capacidade de ver o mundo real.

Opinião: Vi este filme no passado domingo e achei hilariante, pelo que fui logo à biblioteca buscar o livro já que precisava de leituras que me animassem. Já me tinham dito que o livro não era tão divertido como o filme e que havia diferenças, mas mesmo assim parti para a leitura disposta a desfrutar desta.

Talvez o mal tenha sido, exactamente, o facto de ter visto o filme antes. Como disse, achei-o hilariante e algumas personagens, por serem representados por actores fantásticos, como Robert De Niro e Michelle Pfeiffer, despertaram a minha atenção pelo que tinha alguma curiosidade em ver as suas histórias no livro. Foi assim com alguma pena que vi o Capitão Shakespeare não aparecer, no livro tem outro nome e em nada se compara à personagem de De Niro. Também Lamia aparece pouco, na minha opinião, e o final no livro nada tem de grandioso como o filme. Também a relação entre os protagonistas não parece tão bem desenvolvida como no filme. Talvez se o livro fosse um pouco maior, as personagens e suas histórias, sobretudo as paralelas, podiam ser melhor exploradas. Mas talvez fosse essa a intenção do autor, não aprofundar assim tanto personagens e histórias, já que nos contos de fadas apenas uma parte da história interessa, tudo o resto fica para a imaginação do leitor.

Apesar de tudo não deixa de ser uma brilhante leitura e pergunto-me se não será ainda melhor se lido em áudio-livro, com um narrador competente. Fez-me lembrar Harry Potter, pelo mundo paralelo ao da Inglaterra normal, por assim dizer, e The Princess Bride pelo carácter de conto de fadas. Se temia ler Gaiman por pensar que talvez fosse um autor cujas obras eram overrated, bem aprendi a lição de não julgar um autor sem o ler primeiro. Fiquei com muita curiosidade em ler mais livros dele, sobretudo antes de ver as adaptações.

Livros - 2010

Janeiro
1. Stardust, o Mistério da Estrela Cadente de Neil Gaiman - 4/5
2. Um Beijo na Escuridão de Linda Howard - 3,5/5
3. O Nome do Vento de Patrick Rothfuss - 4/5
4. Confessions of a Jane Austen Addict [áudio-livro] de Laurie Viera Rigler, lido por Orlagh Cassidy - 1/5

Fevereiro
5. The Rose of Sebastopol de Katharine McMahon - 3,5/5
6. A Estirpe (Trilogia A Estirpe, Livro 1) de Guillermo Del Toro e Chuck Hogan - 4/5
7. O Quarto Mágico de Sarah Addison Allen - 4/5
8. Guinevere, O Cavaleiro do Lago Sagrado (Trilogia Guinevere, Livro 2) de Rosalind Miles - 3/5

Março
9. Blood and Chocolate [áudio-livro] de Annette Curtis Klause, lido por Alyssa Bresnahan - 1/5
10. Guilty Pleasures (Guilty Series, Livro 1) de Laura Lee Guhrke - 4/5
11. Romancing Mister Bridgerton (Bridgertons, Livro 4) de Julia Quinn - 5/5
12. Flashforward de Robert J. Sawyer - 4/5

Abril
13. O Monte dos Vendavais de Emily Brontë - 2/5
14. To Sir Phillip, With Love (Bridgertons, Livro 5) de Julia Quinn - 5/5
15. Sangue Fresco (Sangue Fresco, Livro 1) de Charlaine Harris - 3/5
16. Through a Glass, Darkly de Donna Leon - 3/5
17. O Jardim Encantado de Sarah Addison Allen - 4/5
18. Dívida de Sangue (Sangue Fresco, Livro 2) de Charlaine Harris - 3/5

Maio
19. The Duke and I (Bridgertons, Livro 1) de Julia Quinn - 4/5
20. Memórias de Uma Gueixa de Arthur Golden - 4/5
21. Terra de Neve de Yasunari Kawabata - 3/5

Junho
22. D. João V - poder e espectáculo de Rui Bebiano - 4/5
23. Of Mice and Men de John Steinbeck - 5/5
24. Um Estranho nos Meus Braços de Lisa Kleypas - 3/5

Julho
25. Xógum (2 volumes) de James Clavell - 4/5
26. The Viscount Who Loved Me (Bridgertons, Livro 2) de Julia Quinn - 5/5
27. Gods Behaving Badly de Marie Phillips - 3/5
28. An Offer From a Gentleman (Bridgertons, Livro 3) de Julia Quinn - 3/5

Agosto
29. Silk de Alessandro Baricco - 4/5
30. Club Dead (Sangue Fresco, Livro 3) [e-book] de Charlaine Harris - 4/5
31. Uma Última Noite [e-book] de Nora Roberts - 2/5
32. Sangue Oculto (Sangue Fresco, Livro 4) de Charlaine Harris - 4/5
33. Uma Questão de Escolha [e-book] de Nora Roberts - 3/5
34. Sangue Furtivo (Sangue Fresco, Livro 5) de Charlaine Harris - 4/5
35. Traição de Sangue (Sangue Fresco, Livro 6) de Charlaine Harris - 4/5

Setembro
36. O Físico (Trilogia Cole, Livro 1) de Noah Gordon - 4/5
37. O Dardo de Kushiel (O Legado de Kushiel, Livro 1) de Jacqueline Carey - 5/5
38. A Marca de Kushiel (O Legado de Kushiel, Livro 2) de Jacqueline Carey - 5/5

Outubro
39. Os Pilares da Terra (Volume 1) de Ken Follett - 4/5
40. Vampire Academy (Vampire Academy, Livro 1) [áudio-livro] de Richelle Mead, lido por Stephanie Wolfe - 3/5
41. E se Fosse Verdade... de Marc Levy - 3/5
42. Os Pilares da Terra (Volume 2) de Ken Follett - 5/5
43. Frostbite (Vampire Academy, Livro 2) [áudio-livro] de Richelle Mead, lido por Khristine Hvam - 2/5
44. Aprendiz de Assassino (A Saga do Assassino, Livro 1) de Robin Hobb - 3,5/5
45. O Punhal do Soberano (A Saga do Assassino, Livro 2) de Robin Hobb - 3/5
46. A Corte dos Traidores (A Saga do Assassino, Livro 3) de Robin Hobb - 4/5

Novembro
47. A Vingança do Assassino (A Saga do Assassino, Livro 4) de Robin Hobb - 3/5
48. A Demanda do Assassino (A Saga do Assassino, Livro 5) de Robin Hobb - 3,5/5
49. The Marriage Bed (Guilty Series, Livro 3) de Laura Lee Guhrke - 3/5

Dezembro
50. Flashman - a odisseia de um cobarde (Flashman, Livro 1) de George MacDonald Fraser - 3/5
51. A Corte do Ar de Stephen Hunt - 3,5/5


Notas:
1- odiei / 2- não gostei / 3- ok / 4- gostei / 5- adorei

P.S.: Os títulos dos livros encontram-se por ordem de leitura e na língua em que os li/ouvi. Assim, os que possuem o título em inglês foram lidos nessa língua.

(*) - indica que foi relido.

1 de janeiro de 2010

E com a opinião anterior acabei as críticas dos livros lidos em 2009. Já fiz um balanço das leituras nos inícios de Dezembro e mantenho as mesmas opiniões em relação a livros de que gostei e desgostei, mas se tiverem curiosidade podem ver o meu Top 10 aqui.

Quanto ao Natal, passou-se bem, só recebi um livro mas que promete ser muito bom, 1984 de George Orwell. Já depois, comprei O Festim dos Corvos, o 7º volume em português d’As Crónicas de Gelo e Fogo, e dois livros da Beatrix Potter que me trazem memórias de uma série animada que dava na televisão quando era mais pequena.

Mas este Natal ficou marcado pelo visionamento de filmes, a maior parte deles adaptações de livros que me deixavam de pé atrás como Eragon de Christopher Paolini e Stardust de Neil Gaiman. Já estou a ler o segundo, que trouxe logo da biblioteca assim que o vi na prateleira, pois achei o filme hilariante. Já o primeiro convenceu-me a tentar dar uma vista de olhos ao livro, pelo que poderá ser um dos próximos empréstimos, seguido de As Cinzas de Ângela, que tive ontem oportunidade de rever. A convicção de adquirir menos livros continua forte neste novo ano que começa!

Também tive oportunidade de rever o quinto filme da série Harry Potter, que na minha opinião é superior ao livro. Podem ler uma opinião (em inglês) que escrevi aquando do meu primeiro visionamento, em cinema, aqui. Pensar que ainda não tinha saído o sétimo volume. Os anos ultimamente parecem passar a correr… Daí que deseje um bom ano a todos e espero que vos traga tudo de bom.



Editado às 17h08: E porque só agora vi o comentário da Bia a propôr esta brincadeira, aqui ficam (em alguns casos mais uma vez) o melhor e o pior de 2009.

Melhor livro de suspense: Pompeii de Robert Harris
Não é bem suspense, é mais um thriller mas adorei as descrições de Pompeia e do desastre eminente.

Melhor livro de romance: North and South de Elizabeth Gaskell
Já me fartei de explicar o porquê em outros posts e sítios. :P

Melhor capa de livro: Pride and Prejudice and Zombies de Seth Grahame-Smith e Jane Austen
Eu adorei esta capa assim que a vi. É hilariante para além de realmente exemplificar o que vai no interior: uma obra intemporal com zombies. :D
E já agora, uma menção honrosa para as capas da série Uglies de Scott Westerfeld, nomeadamente as do Reino Unido que têm Barbies...

Pior capa do ano: O homem dos seus sonhos de Nora Roberts
Não sou grande apreciadora das capas da Harlequin e esta é um exemplo disso. Acho que deviam concertrar-se apenas numa das imagens, de preferência no casal.

Autor surpresa do ano: Elizabeth Gaskell
Vide críticas ao North and South...

Livro decepção: Elizabeth I Mysteries de Karen Harper
É mais livros decepções, no plural, porque os 3 que li ficaram muito aquém do que esperava e as expectativas não eram tão altas como isso.

Melhor personagem feminina: Mrs. Thornton seguida de perto por Margaret Hale ambas de North and South
A primeira é uma das personagens mais fortes que já encontrei e com um coração que, apesar de parecer gelado, ama incondicionalmente o seu filho. A segunda é também bastante forte, atenciosa e humilde, consolando outros por vezes em detrimento de si própria.

Melhor personagem masculina: John Thornton de North and South
Outra personagem bastante forte e marcada pelo seu passado, bastante orgulhoso mas que, quando confrontado com críticas de quem ama, torna-se mais humilde e aberto a ideias.

Austenland [áudio-livro]

Autor: Shannon Hale; Katherine Kellgren (narradora)
Género: chick lit
Editora: Renaissance Press | Nº de páginas: -
Nota: 3/5

Resumo (do site Goodreads): Jane is a young New York woman who never seems to find the right man – perhaps because of her secret obsession with Mr. Darcy, as played by Colin Firth in the BBC adaptation of Pride and Prejudice. When a wealthy relative bequeaths her a trip to an English resort catering to Austen-obsessed women, however, Jane’s fantasies of meeting the perfect Regency-era gentleman suddenly become more real than she ever could have imagined. Is this total immersion in a fake Austenland enough to make Jane kick the Austen obsession for good, or could all her dreams actually culminate in a Mr. Darcy of her own?

Opinião: De tempos a tempos, Jane Austen ganha um novo protagonismo na cena literária, seja por os seus livros ou a sua vida serem adaptados, de forma algo constante, ao pequeno e grande ecrã ou por serem alvo de revisões que lhes juntam zombies ou monstros marinhos. Agora parece também existir um nicho na chick-lit com histórias que mostram como esta autora pode mudar algumas vidas. Já havia lido (e visto) The Jane Austen Book Club e depois de ler a crítica da Slayra a este livro não podia deixar de o ler, ainda que apenas para ver a protagonista
a andar de um lado para o outro em vestuário do século XIX.


Jane é então uma jovem na casa dos 30 e quase tudo o que qualquer mulher pode desejar, faltando-lhe apenas um namorado. Não que nunca os tenha tido, mas as suas relações nunca conhecem um final feliz, muito devido à sua obsessão por Mr. Darcy tal como ele é representado por Colin Firth. Uma tia, sabendo então disto, deixa-lhe em testamento umas férias pagas numa estância que retrata a Inglaterra dos livros de Austen, onde não faltam os cavalheiros para satisfazer o desejo de cada mulher encontrar o seu herói Austen preferido.

Na minha opinião, a protagonista é, quanto muito, obcecada pelo actor pois de outra maneira algumas coisas não lhe aconteceriam. Nunca chegamos a perceber bem o fascínio que Darcy exerce sobre ela (ou então sou apenas eu que não entendo, até porque ele não é meu herói preferido) e não posso deixar de culpar a protagonista por alguns dos romances fracassados, em que ela se atira quase de cabeça sem muitas vezes conhecer bem as pessoas. Além disso é um pouco irritante e repetitiva, com tanto lamento por ninguém gostar dela e decide então mergulhar no mundo Austen, mas depois quer algo real mas é melhor então mergulhar no mundo Austen, mas ninguém gosta dela… e por aí em diante. Felizmente, também é divertida a espaços e foi isto que me fez dar esta nota. Confesso que se tivesse lido talvez não achasse muita piada a certas ocasiões, mas tendo desfrutado desta obra no formato áudio ri bastante em determinadas partes, muito devido à narradora que soube dar a ênfase necessária a algumas expressões. Lembro-me, por exemplo, do momento em que sobressaltada Jane descobre a sua veia ninja ou o “Wooo!” quando se sente disputada por dois homens.

Em termos de desenvolvimento das personagens, só a protagonista se mostra convenientemente desenvolvida. As restantes são estereótipos ou uma cópia barata dos heróis de Austen, onde ficamos sem conhecer os motivos que os levam a agir e ficamos mesmo sem saber se são o que parecem. Quanto à história, é exactamente o que se espera de um livro destes e aconselho com algumas reservas, talvez para um daqueles dias em que se deseja algo leve e engraçado.

28 de dezembro de 2009

The Chronicles of Narnia [áudio-livro]


Autor: C.S. Lewis; Maurice Denham & Cast (narradores / dramatização)
Género: fantasia
Editora: BBC Audiobooks | Nº de páginas: -
Nota: 5/5

Resumo (do site Amazon.co.uk): The Chronicles of Narnia, by C.S. Lewis, is one of the very few sets of books that should be read three times: in childhood, early adulthood, and late in life. In brief, four children travel repeatedly to a world in which they are far more than mere children and everything is far more than it seems. Richly told, populated with fascinating characters, perfectly realized in detail of world and pacing of plot, and profoundly allegorical, the story is infused throughout with the timeless issues of good and evil, faith and hope.

Opinião: Tal como Harry Potter, já antes tive oportunidade de ler os livros, seguindo a cronologia de Nárnia, mas deparando-me com esta colecção em formato áudio, decidi-me então a “lê-los”, desta vez, por ordem de publicação. Só uma curiosidade, esta colecção apresenta-nos uma dramatização bem conseguida destes livros, cortesia da BBC, com todo um elenco a fazer as vozes e com efeitos sonoros. Já havia ouvido uma dramatização de um livro de Agatha Christie, e sinceramente não sei o que será melhor: um narrador que conta a história palavra por palavra como vem no livro, ou a história dramatizada? Adoro ambas!

The Lion, the Witch and the Wardrobe – este é o primeiro livro desta saga escrita por C.S. Lewis, sendo, no entanto, o segundo volume se for seguida a cronologia de Nárnia, terra para a qual Lucy, Edmund, Susan e Peter viajam depois de encontrarem um estranho armário. Aí deparam-se com lendas antigas que dizem que dois filhos de Adão e duas filhas de Eva derrotarão a Bruxa Branca que enfeitiçou Nárnia de modo a que seja sempre Inverno mas nunca Natal. É considerado um dos melhores livros da saga, mas confesso que não é dos meus preferidos. É sem dúvida um livro mais orientado para o público infantil mas não deixa de ser interessante de ler, deliciando a criança que há dentro de cada um de nós. – 4/5

Prince Caspian – segundo livro a ser escrito, mas é o quarto seguindo a cronologia de Nárnia. Caspian é um jovem príncipe, o herdeiro do trono de Nárnia, mas por ser muito novo é o seu tio Miraz que governa. Mas Miraz quer ser mais que Regente, quer ele próprio ser rei e que seus filhos o sucedam pelo que Caspian é obrigado a fugir. Tendo sido criado ouvindo as lendas da Velha Nárnia, Caspian junta-se aos animais falantes e a todas as criaturas que antes habitavam a Velha Nárnia para recuperar o seu trono. Mas conta também com a ajuda dos Reis de Outrora, que chama com a trompa mágica de um daqueles. É assim que os quatro irmãos Lucy, Edmund, Susan e Peter regressam a Nárnia para mais uma aventura. Mais um bom livro, em que percebemos que algumas personagens “crescem” e, por isso, a percepção de Nárnia torna-se um pouco diferente. Aqui surge também uma das minhas personagens favoritas, o pequeno Reepicheep. – 4/5

The Voyage of the Dawn Treader – terceiro seguindo a ordem de publicação, quinto segundo a cronologia de Nárnia. Lucy e Edmund voltam a encontrar-se com Caspian, desta vez não em Nárnia mas a bordo no navio “Dawn Treader”, e levam o seu primo Eustace atrás, uma criança insuportável. A história leva todas as personagens a grandes aventuras, sendo Eustace e Reepicheep protagonistas de algumas das mais entusiasmantes. Este é um dos meus livros preferidos desta saga, sobretudo pelo crescimento de Eustace (cuja história não deixa de ser um pouco semelhante à de Edmund no livro The Lion, the Witch and the Wardrobe) e pela bravura de Reepicheep. – 5/5

The Silver Chair – quarto livro a ser publicado, sexto dentro da cronologia de Nárnia. Conta, mais uma vez, com Eustace que viaja para Nárnia não na companhia dos primos mas de Jill Pole, sua colega da escola e que é incumbida de uma tarefa por Aslan: deve lembrar-se das suas indicações para salvar o príncipe Rilian. Este não foi dos meus livros preferidos quando o li, mas gostei bastante desta versão áudio, parece que visualizei melhor a história e as situações, para além de sentir que também eu os acompanhava assim como ao Marsh-wiggle Puddlegum, que nesta versão não se tornou tão maçador, antes pelo contrário. – 5/5

The Horse and His Boy – quinto livro publicado, é o terceiro na cronologia de Nárnia. Este é capaz de ser o livro que menos gosto nesta saga, apesar de nos apresentar uma outra cultura, os Calormen. Se Nárnia se parece com o Jardim do Éden e representa o Cristianismo, sendo o expoente Aslan e o Imperador de Além-mar, Cristo Filho e Deus Pai, penso que se pode dizer que os Calormen representam o Islamismo. Os protagonistas são o Cavalo Bree, que tenta fugir dos Calormen que o terão “escravizado”, e o seu rapaz Shasta, que descobre ter sido adoptado. Na fuga, encontram Aravis e Hwin com o mesmo destino, Nárnia, mas percebem que para lá chegarem e poderem viver em liberdade, têm de impedir que os Calormen conquistem Archenland, uma terra entre Nárnia e Calormen. – 4/5

The Magician’s Nephew – sexto segundo a ordem de publicação, primeiro na cronologia de Nárnia. Este é talvez o meu livro preferido. Aqui conhecemos Digory Kirke e Polly Plummer, mas também Jadis, a Bruxa Branca. Acompanhamos os 3 enquanto observam o fim de um mundo e a criação de um outro, Nárnia. Acho que este é o mais mágico, se assim posso dizer, de todos estes livros e adorei, à semelhança do que acontecera em O Silmarillion de Tolkien, amigo de C.S. Lewis, que o mundo e todos os seus seres tenham sido criado através de música. É sem dúvida aquele em que mais se sente a conexão entre esta saga e a religião cristã. – 5/5

The Last Battle – último a ser publicado e é também o último volume da saga seguindo a cronologia de Nárnia. Aqui todos os protagonistas dos livros anteriores, à excepção de Susan, voltam a encontrar-se sentindo que algo se passa em Nárnia. Apenas Jill e Eustace conseguem viajar para Nárnia, onde ajudam então o rei Tirian a desmascarar o macaco Shift, que entretanto havia ganho apoio dos Calormenes. Dá-se então uma grande batalha, como o nome indica, e o fim de Nárnia. Ou será mesmo o fim? – 5/5

Conclusão, adorei tal como já tinha adorado da primeira vez que li estes livros. Não é necessário lê-los por nenhuma ordem específica, embora recomende a leitura seguindo a cronologia de Nárnia, pois acho que as histórias se tornam mais apelativas. A semelhança com a religião cristã é perceptível em vários pontos, mas que isso não impeça as pessoas de os lerem pois as histórias são magníficas e fizeram sentir-me uma criança outra vez.

Guinevere, A Rainha do País do Verão (Trilogia Guinevere, Livro 1)

Autor: Rosalind Miles
Género: romance histórico
Editora: Planeta Editora | Nº de páginas: 440
Nota: 3/5

Resumo (da capa): Última numa linhagem de orgulhosas Rainhas, eleitas para governar as terras férteis do País do Verão; guardiã da Deusa Suprema; guerreira, amante e musa. Até agora, a mulher cuja história nunca foi contada…

Guinevere, a Rainha do País do Verão.

Através dos muitos reinos e ilhas da antiga Grã-Bretanha, Artur começou a sua busca para se tornar Rei Supremo. Mas enquanto combate para reclamar o seu direito, uma mulher bela e apaixonada espera para reclamar o seu destino. Guinevere, filha da Rainha Maire Macha e do Rei Leogrance, subirá ao trono do País do Verão, após a morte trágica de sua mãe. Das ondulantes brisas de Avalon, irá assistir aos feitos heróicos do novo Rei Supremo. Para depois o chamar para seu lado…

Com uma magia, rara e intuitiva, a célebre romancista e historiadora Rosalind Miles, confere brilhantemente vida à época mais importante e gloriosa dessa mulher lendária, revelando a coragem e paixão de Guinevere, bem como os seus tormentos, ao governar um reino verdadeiramente antigo.


Opinião: Esta não é primeira vez que ingresso no mito arturiano. Já antes havia lido, ou melhor, tentei ler a saga de Marion Zimmer Bradley, As Brumas de Avalon. Li o primeiro livro que não me cativou por aí além e não peguei em mais nenhum livro até que achei que devia de empenhar-me um pouco mais. Resolvi então pegar novamente nos livros, voltei a ler o primeiro volume e fiquei a meio. Não sei porquê mas eu até acho a história de Igraine interessante, o pior é quando passa para Morgana já que fico enfadada com a sua história. Achei que talvez o problema estivesse nesta personagem, por isso tentei mudar de táctica e ver esta história através de outros olhos femininos, daí a opção pela série da Guinevere mas confesso-me mais uma vez algo desapontada e quer-me parecer que o mito arturiano talvez não é para mim.

Apesar de dedicado a Guinevere, por vezes há capítulos em que acompanhamos outras personagens como Artur e Merlin. Achei tal interessante, sobretudo porque as personagens são bastante diferentes daquilo a que estava habituada. Merlin não parece assim tão forte, Guinevere não parece ser tão fraca e surpreendeu-me o facto de neste livro não ser cristã como em As Brumas de Avalon (não li tudo mas sei um pouco da história e vi o filme feito para a televisão) mas pagã e a chefe de uma região cuja população adora a Deusa. No entanto, a personagem mais interessante de todas é Morgana, o que após a experiência das Brumas não julguei que pudesse acontecer, mas mesmo assim está longe, assim como as restantes personagens, daquilo que eu esperava e que julgo tais personagens podem oferecer. Mas este livro não peca pelas suas personagens mas pela história. Esta é bastante previsível, não só por o mito ser bastante conhecido mas sobretudo por adivinhar-se os desfechos dos vários twists assim que estes aparecem. Houve alturas em que revirei bastante os olhos e apetecia-me espetar um par de estalos nas personagens por serem tão tapadinhas, sobretudo Guinevere.

Apesar de tudo, este livro consegue ser interessante por nos dar uma outra perspectiva do mito e, embora a vontade para ler os seguintes livros da trilogia não seja muita, penso que vou pegar neles porque tenho esperança (sobretudo devido a um dos títulos) que foquem também uma outra personagem do qual sei pouco, Galahad, e que me parece ser a mais interessante de todo este mito. Além disso, não deixa de ser uma alternativa à saga de Bradley, que espero voltar a pegar, num futuro quiçá próximo, com mais ânimo.

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