29 de novembro de 2009

O homem dos seus sonhos

Autor: Nora Roberts
Género: romance
Editora: Harlequin | Nº de páginas: 320
Nota: 2/5

Resumo (da capa): Afinal, a ficção podia tornar-se realidade… pelo menos para ela!

Para conseguir acabar de escrever o seu primeiro livro e assim iniciar uma carreira como escritora de novelas românticas, Jackie MacNamara fora para uma casa emprestada. O que, obviamente, não esperava era que o seu herói imaginário aparecesse por lá.

Ele era, na verdade, Nathan Powell, o proprietário da casa, e procurava paz e tranquilidade.

A única coisa que Jackie tinha de fazer era convencer o teimoso Nathan Powell de que podiam partilhar o mesmo tecto e de que os finais felizes começavam em casa, entre os seus braços…


Opinião: Nunca li nada de Nora Roberts e comprei este livro por instinto, quando na verdade andava era à procura de livros da Anne Stuart. Sinceramente não sei do que estava à espera ao pegar neste livro. Este mês tem sido um pouco difícil e pretendia algo leve mas que me enchesse as medidas, o que este livro não foi capaz de fazer. A história é previsível e a relação forçada. As personagens também não me cativaram, sobretudo Jackie que me fez revirar constantemente os olhos. No entanto lê-se muito bem e rapidamente.

Para primeiro livro que leio desta autora, que parece ser tão apreciada por esse mundo fora, não deixou curiosidade para ler mais. Mas este tipo de livros parece-me mais indicado para leitura de Verão, na praia, de modo que talvez não tenha apreciado tanto por o ter lido em tempo chocho e de chuva… Acho melhor deixar o outro livro da Nora Roberts que tenho cá por casa, Mentiras e Traições, para dias mais soalheiros.

The Twylight Tower (Elizabeth I Mysteries, Livro 3)

Autor: Karen Harper
Género: Mistério
Editora: Dell | Nº de páginas: 352
Nota: 2/5

Resumo (da capa): It is May 1560. As sinister storm clouds gather overhead, twenty-six-year-old Queen Elizabeth dispatches William Cecil, her most trusted adviser, to Scotland for crucial negotiations. Handsome, ambitious Lord Robert Dudley is at her side. But their leisurely midsummer idyll is cut short when the court’s master lutenist plunges to his death from a parapet beneath the queen’s window. The loyal retainers of Elizabeth’s privy council do not accept the official verdict of accidental death. Their fears are borne out when another tragedy rocks the realm, and points the way to a conspiracy to bring down Elizabeth and seize the throne. As ill winds of treachery swirl around the court, and suspicion falls on those within Elizabeth’s intimate circle, a vengeful enemy slips from the shadows... a traitorous usurper who would be sovereign.

With
The Twylight Tower, Karen Harper brings a legendary era to life, drawing us into an intoxicating world of majesty and mayhem, political intrigue and adventure... where danger is everywhere... and where a young queen journeys to greatness in the long shadow of her bloodstained past.

Opinião: E é mais do mesmo. Mais um assassinato que parece não ter nada a ver com a rainha e afinal está relacionado com ela. Mais uma vez as personagens estão aquém do que poderiam ser, sobretudo Isabel que se torna mais irritante (e eu que duvidava que tal fosse possível), o seu relacionamento com Robert Dudley, que poderia trazer algo mais, não é mais do que morno. As restantes personagens e que para mim eram mais interessantes, como Meg, estão quase ausentes neste livro e o desenvolvimento das suas histórias também não trazem nada de especial à história.

É tudo muito previsível e acho a personagem principal é tão detestável que pouco me importa se a conseguem atingir ou não. Esperava mais desta série mas foi uma verdadeira desilusão pelo que, após uma breve vista de olhos pelos restantes volumes que tenho, acho que me fico por este volume.

16 de novembro de 2009

The Tidal Poole (Elizabeth I Mysteries, Livro 2)

Autor: Karen Harper
Género: Mistério
Editora: Dell | Nº de páginas: 336
Nota: 2/5

Resumo (da capa): It is the crowning day of twenty-five-year-old Bess Tudor’s life as she returns from exile to become England’s queen. But even as her magnificent procession wends its way to Westminster Palace, a shot rings out, muffled by the jostling crowd. Within moments of becoming England’s ruler, Elizabeth learns of the brutal murder of a highborn lady of the court, the sister of one of her dearest friends. Elizabeth cannot refuse her friend’s request to find the killer – especially since the prime suspect is too close to the crown – and her friends – to overlook.

Elizabeth must be circumspect. Trust can be deadly. So she summons her small band of loyal retainers and plunges into a cauldron of conflicting loyalties and deadly intrigue. From the pomp, pageantry, and insidious gossip of the court to the lethal tidal pools swirling under London Bridge, the passionate young queen must seize the reins of her empire – and find a killer determined to destroy the crown itself...


Opinião: O volume anterior desta série que nos apresenta a rainha Isabel I de Inglaterra a resolver mistérios, ou seja assassinatos que podem ou não estar ligados à sua real figura, não foi dos melhores que li este ano e este segue-lhe as pisadas. Sim, já se nota mais o ambiente quinhentista, mas as personagens continuam a ser uma verdadeira seca. A rainha Isabel I, personagem principal, continua a deixar muito a desejar, e acreditem-me quando digo que não melhora no livro que se segue a este e que já me encontro prestes a acabar de ler.

Desta vez, a história começa com a cerimónia de coroação de Isabel, sendo que no mesmo dia em que se mostra ao povo londrino como nova rainha de Inglaterra, a irmã de uma das suas mais queridas amigas (que aprendemos ter estado a seu lado quando Isabel foi encarcerada na Torre de Londres) é descoberta morta, numa posição pouco conventual para uma senhora de corte. Temendo que os seus amigos estejam envolvidos no crime e que este esconde um crime ainda maior, um atentado contra a sua própria vida, Isabel e o seu “Privy Plot Council” dedicam-se a resolver o mistério e a apanhar o verdadeiro culpado.

A história é bastante previsível e mais uma vez as personagens são muito pouco interessantes, apesar de descobrirmos algo mais sobre o passado de Meg, e deixam muito a desejar. O único ponto mais positivo é conhecermos um pouco dos jogos políticos da corte, mas mesmo assim é tudo muito superficial.

Pondero, sinceramente, colocar esta série de lado. Só será boa para quem realmente gosta de mistérios e desta época, para quem não tem mais nada para ler, ou para aqueles que procuram uma leitura que não exija muito do leitor.

15 de novembro de 2009

Harry Potter and the Deathly Hallows (Harry Potter, Livro 7) [áudio-livro]

Autor: J.K. Rowling; Stephen Fry (narrador)
Género: Fantasia
Editora: Bloomsbury Publishing PLC | Nº de páginas: -
Nota: 5/5

Resumo (do site Amazon.co.uk):
“His hand closed automatically around the fake Horcrux, but in spite of everything, in spite of the dark and twisting path he saw stretching ahead for himself, in spite of the final meeting with Voldemort he knew must come, whether in a month, in a year, or in ten, he felt his heart lift at the thought that there was still one last golden day of peace left to enjoy with Ron and Hermione.”
With these words Harry Potter and the Half-Blood Prince draws to a close. And here, in this seventh and final book, Harry discovers what fate truly has in store for him as he inexorably makes his way to that final meeting with Voldemort. In this thrilling climax to the phenomenally bestselling series, J.K. Rowling will reveal all to her eagerly waiting readers.

Opinião: Mais uma vez, a segunda vez, chego ao fim desta saga. Tendo lido o outro à “relativamente” pouco tempo, pouco mais de dois anos, e tendo já deixado a opinião aqui não há nada mais a acrescentar excepto que, à semelhança dos restantes áudio-livros, Stephen Fry faz um excelente trabalho. Foi sem dúvida uma outra maneira de desfrutar de uma das melhores histórias que já tive o prazer de seguir. :D

7 de novembro de 2009

The Poyson Garden (Elizabeth I Mysteries, Livro 1)

Autor: Karen Harper
Género: Mistério
Editora: Dell | Nº de páginas: 320
Nota: 2/5

Resumo (da capa): The letter came in secret, with a pearl eardrop from an aunt long thought dead, resurrecting the forbidden past. Banished by her spiteful half sister, Queen Mary, to Hatfield House in the English countryside, twenty-five-year-old Princess Elizabeth cannot refuse the summons. The Boleyns are in grave danger. And Elizabeth, daughter of Anne Boleyn, is marked for death by a master poisoner whose reign of terror may have royal sanction.

With her few loyal retainers, Elizabeth escapes to Kent. Here, in her ancestral Hever Castle, now held by the Queen’s loyalists, Elizabeth seeks to unravel the plot against her. And here, in the embrace of intrigue and betrayal, the princess must find a brilliant, powerfully connected killer – before the killer finds her…


Opinião: Resolvi pegar neste livro, e saltar os que se seguiam na pilha, por achar que seria uma leitura mais leve. Não é leve… é levíssimo e digo isto num mau sentido. Adoro mistérios, pelo menos adoro os mistérios da Agatha Christie, com personagens interessantes e mesmo caricatas, como no caso de Poirot, com enredos que nos prendem da primeira à última página devido a todo o suspense criado em volta de determinado acontecimento ou personagem ou devido a twists genialmente introduzidos aqui e ali. Nada disto acontece neste livro.

Para começar, nunca senti que estivesse num ambiente quinhentista. Segundo, as personagens são unidimensionais, incluindo a principal, a (ainda) princesa Isabel. Esta, exilada em Hatfield a mando de sua meia-irmã, a Rainha Maria (Bloody Mary), recebe uma carta de uma familiar que julgava à muito desaparecida descobrindo, deste modo, que ela e os seus familiares do ramo Bolena se encontram na mira de um assassino que usa, como arma, poderosos venenos. Felizmente, Isabel conta com a ajuda dos seus fiéis criados e de duas outras personagens que conhece entretanto: Ned Topside, um actor que salva um dos primos de Isabel, e Meg, uma jovem com um passado obscuro e que domina os conhecimentos ervanários. Estes dois personagens, juntamente com o assassino, foram os mais interessantes mas, mesmo assim, escassamente desenvolvidos. Não há profundidade nenhuma, quase nem sequer motivações, nestas personagens mas a pior é mesmo a principal. Sinceramente, pouco me importei com ela e diga-se que mesmo conhecendo pouco da história inglesa, é um turn-off começar a seguir esta princesa, que supostamente tem um assassino atrás dela, e saber que de qualquer maneira sobrevive já que, afinal de contas, foi rainha… :/

Senti por diversas vezes vontade de abandonar o livro, mas decidi continuar a série (tenho mais 5 livros cá em casa) porque custa-me “livrar-me” de livros, sobretudo livros que ganhei por sorte num giveaway, sem os ter lido. Além disso, espero que os seguintes sejam melhores, que consigam fazer-me sentir em pleno Renascimento e no meio dos jogos de corte.

28 de outubro de 2009

North and South

Autor: Elizabeth Gaskell
Género: Romance
Editora: Penguin Popular Classics | Nº de páginas: 528
Nota: 5/5

Resumo (da capa): Mrs Gaskell’s finest social novel is also the powerfully moving story of the developing relationship between southern-born Margaret Hale and John Thornton, the young northern mill-owner.

Margaret is compelled to move from Helstone, her beloved childhood home in the New Forest, to Darkshire in the industrial north when her father resigns is parsonage owing to religious doubts.

When she first encounters John Thornton, her father’s pupil and a man in favour of the power of master over worker, she finds their views in conflict. But industrial rebellion and family tragedy cause Margaret to learn the realities of urban life and Thornton to learn humanity. Only then can a mutual understanding lead to the possibility of enduring love.


Opinião: Tomei conhecimento deste livro através da série da BBC, que vi há uns tempos e revi agora enquanto lia (e vou rever novamente este fim-de-semana, se tiver disponibilidade :D ) e adorei (o que penso é notório pelas vezes que revi…). Juntamente com Persuasão, é daqueles DVD’s que gosto de rever sempre que me sinto em baixo. Mas pegar no livro foi mais complicado. Já por duas ou três vezes que tinha adiado a sua leitura por não considerar ser a altura ideal, mas devido ao "18th and 19th Century Women Writers' Reading Challenge", em que vou muito atrasada, e ao meu empenho em ler as pilhas a que me proponho, decidi que era desta. Pelos vistos não me enganei e, felizmente, a Canochinha entrou também nesta aventura, fizemos uma mini leitura conjunta, que se revelou uma experiência espectacular. Já agora, encontram a opinião dela sobre este livro aqui.

O livro conta-nos a história de Margaret Hale que, devido a uma crise de consciência do pai, um ministro da Igreja Inglesa, se vê obrigada a mudar-se da bela e soalheira Helstone, em New Forest, para Milton, no sugestivo condado do Darkshire. Aquela é pois uma cidade muito industrializada, com fábricas de algodão a trabalhar de forma persistente, de tal maneira que o fumo oculta o sol. Aí conhece John Thornton, um dos patrões industriais da cidade, que se torna aluno de seu pai e com quem discute vários temas, nomeadamente o comércio e as questões sociais que ameaçam parar a cidade com uma greve total. Temos então um confronto de ideais e dois estilos de vida diferentes neste livro, a vida serena e campestre do sul em contraste com o ambiente urbano do norte, mais frenético e industrial, ambos representados nos protagonistas.

O que mais me impressionou neste livro foi a escrita da autora. É simplesmente delicioso a forma como a autora usa as palavras para nos descrever personagens, espaços, pensamentos, acções. Como tudo isto influencia a nossa visão das personagens, que vemos reflectidas no espaço que ocupam, nas acções que tomam, na maneira como falam. Desta forma elas ganham vida e passam a fazer parte da nossa, pois é impossível não deixar de sentir que conhecemos aquelas figuras como se fossem nossos amigos de há vários anos. É impossível não nos deixarmos comover com Mrs Thornton, a fria e áspera mãe de John, que no entanto demonstra ter um coração extraordinariamente grande no que toca ao seu filho. Para mim esta foi a personagem mais espectacular do livro. Mas as restantes são igualmente tocantes e é perceptível um crescimento em todas: Thornton e Higgins gradualmente, levando Margaret um pouco mais de tempo, mas é notório o seu crescimento na parte final do livro quando nos vemos numa situação algo semelhante ao início.

Pelos vistos há quem tenha achado o final um pouco apressado, mas na minha opinião foi perfeito. Mas estar a falar nele era talvez entrar em spoilers, mas digamos que a partir de uma certa parte, o próprio leitor parece sentir-se como Margaret e só pode ansiar que a história chegue a bom porto. O mau deste livro foi mesmo o facto de ter de ter um final, porque sinto que perdi amigos, pois gostaria de continuar a seguir a histórias daquelas personagens.

Um livro mais que recomendado, um verdadeiro clássico. É daqueles livros cuja última página deixa um buraco enorme e parece que nada mais, em termos literários é claro, o pode encher. São raros os livros que me deixam assim. Os Miseráveis, O Conde de Monte Cristo e Os Leões de Al-Rassan (é verdade!) foram os últimos. É daqueles livros que fica connosco. É um daqueles livros para reler vezes sem conta.

10 de outubro de 2009

O Império dos Pardais

Autor: João Paulo Oliveira e Costa
Género: Romance histórico
Editora: Círculo de Leitores | Nº de páginas: 516
Nota: 4/5

Resumo (da badana): Um romance histórico que tem como pano de fundo a afirmação do Império Português, o império dos pardais, durante o reinado de D. Manuel I e se centra em torno de cinco personagens principais que se movem dentro da lógica do mundo da espionagem. A personagem central é uma espia excepcional que pensa abandonar uma vida dedicada à violência e à satisfação de instintos primários, em que fora forçada a entrar, para recuperar uma vida social normal ao lado de um artista talentoso, apaixonado e ingénuo. A sua luta interior (contra hábitos sedimentados por quinze anos de isolamento, de rancor, de secretismo e de memórias perturbadoras) e o seu esforço para se libertar dos seus antigos mandantes percorrem toda a narrativa. A vida desta mulher cruza-se com a de dois supostos responsáveis pelos serviços secretos de D. Manuel I e amigos pessoais do rei. Ao acompanhar os encontros e desencontros, o leitor vive as cores, os aromas e os quotidianos de um tempo extraordinário em várias cidades e portos por onde vão passando e vivendo as personagens deste romance, que homenageia um povo e um rei.

Opinião: Devo começar por dizer que conheço o autor, já que foi meu professor de História Moderna e orientou um trabalho que tive de fazer para a cadeira de Génese da Expansão Portuguesa, além disso sei que está ligado ao Centro de História de Além-Mar (CHAM), também dava aulas relacionadas com Japão e é biógrafo de D. Manuel I, tendo escrito o livro sobre este que se insere na colecção “Reis de Portugal”, que coordena com Artur Teodoro de Matos (já li alguns e aconselho). Por isso não é de estranhar que esta história se desenrole em pleno reinado de D. Manuel I.

Seguimos três personagens (eu sei que a sinopse diz 5, mas na verdade eu julgo que apenas 3 são realmente importantes) que se encontram ao serviço de el-rei, espiando e trabalhando nas sombras para um maior esplendor de D. Manuel e do reino de Portugal, que é então comparado com pardais, metáfora explicada na frase inicial do livro:
O Rossio animava-se com o movimento das pessoas. Um bando de pombos esvoaçava incomodado por umas gaivotas atrevidas que haviam deixado a proximidade do Tejo para entrar nos seus domínios; pequenos pardais aproveitavam aquele alvoroço para debicar migalhas perdidas pelo chão, ocupando por sua conta uma das esquinas da praça e espalhando-se por algumas ruas laterais. Miguel observava aqueles pequenitos vivaços que evitavam os conflitos entre os maiores e que se fortaleciam enquanto os outros se desgastavam. Com um sorriso nos lábios pensava: «É assim que os pardais constroem seus impérios.»
E é isto que o autor nos mostra, a política de D. Manuel para a expansão marítima portuguesa, numa altura em que os reinos da Cristandade se envolviam em guerras no continente europeu, deixando a Portugal todo um mar por explorar e assim cimentar relações e influência, que permitiram que Portugal mantivesse os seus domínios ultramarinos mesmo depois de ingleses e holandeses se começarem a interessar pelas Índias Ocidentais e Orientais e ameaçarem a exclusividade portuguesa.

Temos portanto um retrato da política na época, tanto da política portuguesa, com os jogos de corte e inclusive como D. Manuel conseguiu ascender ao trono, como estrangeira, onde para além de aproveitar os tais conflitos, agentes portugueses tiveram de se empenhar em confundir e mesmo enganar e matar para manter em segredo algumas das terras descobertas e por explorar, como o Brasil.

Achei as personagens bastante interessantes e gostei de como o seu passado nos é apresentado, tornando-as bastante ricas. O retrato da vida na época, nomeadamente o retrato que o autor nos apresenta da cidade de Lisboa, é bastante colorido. Ri-me com diversas personagens e algumas passagens. Por exemplo, adorei o facto de um dos personagens ter um papagaio chamado Eusébio, que estava treinado para dizer “Benfica” e “mata o dragão”, assim como achei curioso o jogo da bola entre um grupo de Benfica e outro de Alvalade e do Lumiar. Gostei do diálogo entre Rui de Pina e Damião de Góis, nomeadamente do desabafo do primeiro no final do dito diálogo; e gostei também da perspicaz Beatriz, filha de um dos personagens principais, mas fiquei um pouco desiludida ao não saber o que o futuro lhe reservou, quando ficamos a conhecer o de seu irmão Rodrigo. No que toca à linguagem, tem alguns termos arcaicos, demorei um pouco a perceber a que se referia o ganda, mas penso que enriquece a obra já que também nos leva para a época em que decorre a acção.

Apesar de a história se centrar no reinado de D. Manuel, o final passa-se já nos últimos anos do reinado de D. João III e não deixei de achar curioso o facto de, já naquela época, considerarem que Portugal havia perdido o esplendor de outrora, sendo necessário um personagem dinamarquês para lembrar outros feitos, talvez não tão grandiosos, mas que mantiveram Portugal como uma peça importante no comércio europeu e para nos avisar de um perigo que viria a concretizar-se nos anos seguintes.

Sem dúvida um livro aconselhado a quem goste de romances históricos e sobretudo deste período.

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