4 de outubro de 2009

Anna Karenina (1997)

Informação técnica no IMDb.

Director: Bernard Rose
Escritores: Bernard Rose (adaptação), Leo Tolstoy (obra original)
Actores: Sophie Marceau, Sean Bean, Alfred Molina
Nota: 4/5

Finalmente consegui ver este filme! Digo finalmente porque já há muito que o queria ver e infelizmente ou não havia na biblioteca ou, ao fazer zapping, apanhava sempre o filme a meio, o que nunca é agradável. E diga-se que 10 anos a apanhar o filme a meio, é obra, parecia destinada a não conseguir vê-lo. Mas está visto e agora mal posso esperar para ler o livro, que imagino seja ainda melhor.

A história, que começa em 1880, é contada por Konstantin “Kostya” Levin, que fala dos seus problemas existenciais e da sua tentativa para descobrir o amor, busca partilhada por Anna Karenina, casada com um rico aristocrata mais velho que ela, e cuja vida é dedicada ao seu filho. Ao chegar a Moscovo, esta conhece o Conde Vronsky, que até aí tinha as suas atenções viradas para a princesa “Kitty” Shcherbatsky, também alvo do coração de Levin e que o havia rejeitado por causa de Vronsky, e a vida de ambos muda radicalmente.

O filme mostra então a coragem de uma mulher que, por amor, se desgraça perante a sociedade e chega mesmo a abandonar a sua família. No entanto, a sua vida idílica junto do homem que ama também não dura para sempre, e o remorso de ter deixado o seu filho para trás assim como os ciúmes em relação a Vronsky, levam Anna ao vício de opiáceos e a um final trágico. Por outro lado, Levin encontra resposta para as suas questões e felicidade junto de quem ama.

Gostei bastante do filme, nomeadamente da interpretação de Alfred Molina. Já o mesmo não posso dizer de Sophie Marceau, a quem parecia faltar algo, nomeadamente parece faltar chama no relacionamento com Sean Bean, que não deixa de cumprir bem o seu papel ( :D ). A banda sonora é belíssima, ou não tivesse música de Tchaikovsky, assim como as roupas e, sobretudo, os palácios. São realmente lindíssimos.

Um filme bom e que deixa antever o que o livro nos pode oferecer.

Filme visto no âmbito do Period Drama Challenge do Lights, Camera... History! inserido no tema Victorian Mist.

30 de setembro de 2009

Extras (Uglies, Livro 4)

Autor: Scott Westerfeld
Género: Ficção científica
Editora: Simon and Schuster | Nº de páginas: 417
Nota: 4/5

Resumo (da capa): These days, it’s all about fame…

‘Tech-heads’ flaunt their latest gadgets, ‘kickers’ spread gossip and trends - and it’s all monitored by millions of cameras. The world is like a giant reality TV show, where popularity rules and everyone else is just an extra.

As if it isn’t hard enough being fifteen, with a face rank of 451,369, Aya Fuse is a total nobody. But when she meets a clique of girls who pull crazy, dangerous tricks in secret, Aya knows that if she can just kick their story, her popularity rating will soar…

Aya is sure she’s destined for a life in the spotlight, but is she really prepared for everything that comes with it - instant fame, celebrity… extreme danger?


Opinião: Depois do terceiro volume me ter decepcionado um pouco, parti para este volume de pé atrás, mas confesso-me rendida e curiosa em ler mais livros de ficção científica.

Neste volume a acção passa-se cerca de 3 anos depois da “Era Bonita”, por assim dizer. Os adolescentes podem continuar a fazer operações, para fazer parte ou fundar novas “cliques”, mas já não ficam com as cabeças vazias. No Japão, esta nova era trouxe uma nova economia baseada na fama, ou em quantas vezes o nome de uma pessoa é mencionado, seja por serem extremamente bonitas mesmo sem operação, por fundarem novas “cliques” e tendências, por “kickarem” a melhor e mais interessante história dos últimos tempos, ou por terem simplesmente mudado o mundo - o que acontece com Tally, a famosa nº1 do planeta. No entanto, não seguimos esta mas Aya Fuse, uma “kicker” (um género de jornalista), que sente estar destinada à fama assim que der a conhecer a história de um grupo de raparigas algo esquivo. Mas Aya não esperava ver-se metida numa história ainda maior…

As personagens neste volume são muito mais agradáveis de seguir que no volume anterior, nomeadamente a personagem principal – se Tally com tanta operação ao cérebro muda radicalmente, sobretudo de livro para livro, isto não acontece com Aya, que nunca tendo sofrido nenhuma alteração e querendo dar notícias em primeira mão e assim conquistar fama, assemelha-se a qualquer blogger dos dias de hoje pelo que é fácil identificarmo-nos com ela. :P

A história é interessante o suficiente para lermos página atrás de página sem ligarmos ao tempo, quando lhe pegava era difícil voltar a largá-lo, e gostei do título do livro e de como ele depois se relaciona com a história. ;) Parece-me um final muito mais digno para esta série que terceiro volume, que supostamente deveria ter sido o final. Temia outro “Meyer” *assobia inocentemente* mas este tem acção que baste.

No conjunto, é uma série agradável e um bom primeiro passo para quem tem algumas reticências no que toca à ficção científica, como eu. A sociedade é interessante e o autor consegue colocar-nos a pensar em alguns temas, apesar de não serem muito aprofundados, mas que resulta se tivermos em conta a faixa etária a que este livro se destina, o público jovem-adulto (ou YA, como agora é conveniente chamar :P ) entre os 15 e os 19 anos.

26 de setembro de 2009

Specials (Uglies, Livro 3)

Autor: Scott Westerfeld
Género: Ficção científica
Editora: Simon Pulse | Nº de páginas: 372
Nota: 3/5

Resumo (do site Goodreads): "Special Circumstances":

The words have sent chills down Tally’s spine since her days as a repellent, rebellious ugly. Back then Specials were a sinister rumor – frighteningly beautiful, dangerously strong, breathtakingly fast. Ordinary pretties might live their whole lives without meeting a Special. But Tally’s never been ordinary.

And now she’s been turned into one of them: a superamped fighting machine, engineered to keep the uglies down and the pretties stupid.

The strength, the speed, and the clarity and focus of her thinking feel better than anything Tally can remember. Most of the time. One tiny corner of her heart still remembers something more.

Still, it’s easy to tune that out – until Tally’s offered a chance to stamp out the rebels of the New Smoke permanently. It all comes down to one last choice: listen to that tiny, faint heartbeat, or carry out the mission she’s programmed to complete. Either way, Tally’s world will never be the same.


Opinião: Não posso dizer que tenha ficado muito agradada com este livro. Depois do volume anterior, em que temas e o mundo de Tally são aprofundados, esperava que assim continuasse, o que infelizmente não acontece. Este livro é, quase todo, acção com Tally passando a ser uma das “más”, o que até podia ser interessante mas torna-se enfadonho. Não me senti tão identificada com a personagem e a sua luta interior também não me cativou por aí além, até porque não parece ir a lado nenhum. Enquanto se vê um crescimento da personagem nos dois primeiros livros, neste tal não parece acontecer, mantendo-se a mesma ao longo de todo o livro, considerando-se melhor que todos os outros. Além disso, parece que o ambiente se torna o grande tema, quando parecia que o grande objectivo destes livros era uma pessoa afirmar-se pelo seu interior e não o exterior. No final do livro fiquei mesmo a pensar que, se o grande problema era o facto de as cidades começarem a alargar-se, se calhar era melhor ter ficado tudo na mesma, a serem submetidos a lavagens cerebrais…

Estava à espera de um pouco mais deste livro, resta ler o último volume, para ver que tipo de mundo se criou então após as acções de Tally.

19 de setembro de 2009

Pretties (Uglies, Livro 2)

Autor: Scott Westerfeld
Género: Ficção científica
Editora: Simon Pulse | Nº de páginas: 370
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Gorgeous. Popular. Perfect. Perfectly wrong.

Tally has finally become pretty. Now her looks are beyond perfect, her clothes are awesome, her boyfriend is totally hot, and she’s completely popular. It’s everything she’s ever wanted.

But beneath all the fun – the nonstop parties, the high-tech luxury, the total freedom – is a nagging sense that something’s wrong. Something important. Then a message from Tally’s ugly past arrives. Reading it, Tally remembers what’s wrong with pretty life, and the fun stops cold.

Now she has to choose between fighting to forget what she knows and fighting for her life – because the authorities don’t intend to let anyone with this information survive.


Opinião: Neste segundo livro continuamos a seguir Tally, que finalmente é submetida à operação e torna-se, finalmente, “bonita”. No entanto, apesar de ser incluída no grupo a que tanto queria pertencer, apercebe-se que há algo errado, o seu passado não é muito claro até receber uma carta de si própria, lembrando-lhe a sua missão.

Os temas e a sociedade são um pouco mais aprofundados neste volume, assim como o porquê das operações. Gostei do que terá levado ao desaparecimento da nossa (actual) civilização, somos os “Rusties” dos livros; a parte do estudo antropológico também me pareceu um ponto bem conseguido; não gostei tanto da maneira escolhida pelo autor para alguns “bonitos” se manterem “bubbly” (algo como lúcidos, capazes de pensar e de ver o mundo como ele realmente será, capazes de fazerem decisões), se bem que o entenda em parte.

Uma boa continuação para esta série.

Uglies (Uglies, Livro 1)

Autor: Scott Westerfeld
Género: Ficção científica
Editora: Simon and Schuster | Nº de páginas: 448
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Everybody gets to be supermodel gorgeous. What could be wrong with that?

Tally can’t wait to turn sixteen and become Pretty. Sixteen is the magic number that brings a transformation from a repellant Ugly into a stunningly attractive Pretty, and catapults you into a high-tech paradise where your only job is to have a really great time. In just a few weeks Tally will be there.

But Tally’s new friend Shay isn’t sure she wants to be Pretty. She’d rather risk life on the outside. When Shay runs away, Tally learns about a whole new side of the Pretty world – and it isn’t very pretty. The authorities offer Tally the worst choice she can imagine: find her friend and turn her in, or never turn Pretty at all. The choice Tally makes changes her world forever.


Opinião: Este livro chegou-me às mãos através da Slayra, que tinha uma cópia a mais. Como não costumo dizer que não a livros dados, ainda que o tema a principio não suscite muito o meu interesse, fiquei com ele. Devo confessar que peguei nele algo apreensiva, não que duvide das opiniões da Slayra, pelo contrário (ela bem tinha razão, quando não conseguiu acabar de ler o Crepúsculo *assobia inocentemente*), mas surpreendeu-me pela positiva.

Num futuro, quiçá não tão distante assim, todos os adolescentes, ao completarem os 16 anos, são submetidos a uma operação cirúrgica de modo a ficarem “bonitos”, passando a partir daí a gozar de todos os luxos que a sua sociedade oferece, preocupando-se com quase nada. Tally conta os dias que faltam para a sua operação, o que mais ambiciona, até que conhece Shay que vira, literalmente, a sua vida de pernas para o ar. Decidida a não submeter-se à operação, Shay tenta convencer Tally a fugir com ela para um local onde podem envelhecer segundo a ordem natural. Tally mostra-se reticente, mas acaba por seguir Shay e descobre que o mundo “bonito”, pelo qual tanto ambicionava e com que tanto sonhava, não é tão bonito assim.

Com uma escrita bastante fluida, ao autor dá-nos conta de um mundo onde jovens normais e saudáveis são levados a pensar que só submetendo-se a uma operação cirúrgica que os deixa “lindos” podem viver em pleno e desfrutar da vida. É essa a ideia da personagem principal, Tally Youngblood, que vemos crescer enquanto descobre tudo o que está por detrás do mundo idealizado. Os temas introduzidos não são aprofundados mas deixam-nos a pensar, no que é realmente bonito e feio, se uma vida sem preocupações é boa se no entanto deixamos de ser nós próprios.

13 de setembro de 2009

Mais prémios! Obrigada! (2)

Desta vez foram as meninas do blog Cozinha das Letras, que não podem deixar de visitar. ;) Muito obrigada!

Regras do selinho:
* Postar o selinho no Blogue;
* Informar os "premiados" do selinho;
* Dizer 5 coisas que você adora na vida.

O que eu gosto? Ora bem gosto de ler (duh!), dormir, comer chocolates, um chá bem quentinho e estar com as pessoas que mais adoro neste mundo.


Neste é só responder a perguntas...

- Qual o livro que está lendo ou qual o último que leu?
Acabei de ler Uglies o primeiro livro da quadrilogia de Scott Westerfeld e vou começar o segundo.

- Qual livro preferido?
Não me canso de o dizer... A Lua de Joana. Foi com ele que aprendi que os livros não são apenas um escape, também nos ajudam a crescer. :)

- Autor, capa, recomendação ou sinopse?
A capa leva a ler a sinopse e procurar críticas na net. É verdade, ainda hoje as capas são o meu calcanhar de Aquiles, mas tento não fazer compras de momento e pesquisar bem antes de comprar. No entanto, se vir um livro de um autor de que gostei, por vezes nem penso duas vezes e vem logo para casa.

- Um livro que não consegue terminar de ler.
Até agora, penso que deixei apenas 3 livros a meio: Aparição de Vergílio Ferreira, pois achei muito filosófico para a minha cabeça na altura, a ver se volto a pegar nele, daqui a uns anos...; Os Maias, não era muito filosófico mas tinha muitas descrições, entretanto já li mais algumas coisas do Eça, que me fascinaram, pelo que devo de voltar a pegar neste livro; por fim Love and War, o segundo livro da trilogia "North and South" de John Jakes, que não sei se lhe volto a pegar, pois a época interessa-me mas achei muito aborrecido e com pouca acção. :/

-Aquele que não sai de sua cabeceira.
lol Curiosa esta pergunta... De momento não saem os que estão na pilha enquanto não os ler.

- Escritor preferido.
J.K.Rowling, Tolkien, Dumas...

- Recomendo:
"Harry Potter", "Senhor dos Anéis" e O Conde de Monte Cristo, só para bater certo com os autores referidos em cima...

- Não recomendo:
Constantino, guardador de vacas e de sonhos de Alves Redol. É uma tarde que nunca mais irei recuperar...

Mais uma vez passo este selo a todos os que me seguem! ;)

9 de setembro de 2009

O Labirinto da Rosa

Autor: Titania Hardie
Género: Thriller
Editora: Editorial Presença | Nº de páginas: 436
Nota: 3/5

Resumo (da capa): O Labirinto da Rosa é um romance de estreia de uma riqueza surpreendente que tem no centro da sua trama uma herança enigmática que remonta à época Tudor. John Dee, matemático, astrónomo e conselheiro da rainha Isabel I, deixou escondida uma série de documentos seus por considerar que a humanidade não se encontrava preparada para compreender o que neles estava escrito. As sucessivas gerações de descendentes souberam guardar o segredo da sua localização à espera do momento certo para revelar tais conhecimentos ao mundo. Esse momento parece ter finalmente chegado quando, volvidos quatro séculos, a mãe de Will, às portas da morte, lhe passa o testemunho – uma antiga folha de pergaminho com enigmas e uma chave de prata. Mas que segredo poderá revelar aquela misteriosa chave? Um romance soberbo, um verdadeiro labirinto literário, com traços do romance histórico, do romance de aventura, de mistério, do thriller, e referências vastíssimas que vão dos conhecimentos esotéricos egípcios, templários e renascentistas à história do Islão, ao Cristianismo, ao paganismo ou à astrologia. Presos no seu poderoso encantamento, vamos desvendando, enigma após enigma, o denso mistério que o envolve, acompanhando os seus protagonistas numa demanda intelectual por alguns dos locais mais interessantes da Europa.

Opinião: Este livro chegou-me às mãos por sorte, já que foi ganho num passatempo no blog Estante de Livros. Fiquei interessada nele, assim que ouvi que a Editorial Presença estava para o publicar, lembrando-me um pouco a expectativa que tinha há uns anos atrás em relação a O Código da Vinci. Infelizmente as lembranças não se ficaram por aí, pois à semelhança daquele livro, este tem um final que sabe a pouco apesar de um início bastante bom e com um dos melhores twists que tenho lido até agora.

Começamos por seguir Will, herdeiro de um segredo guardado desde o séc. XVII até aos dias de hoje pelas mulheres da sua família. No entanto, um grupo deseja reaver esse segredo de modo a concretizar uma profecia relacionada com o fim dos tempos, não olhando a meios para o adquirir.

O início, e a bem dizer quase todo o livro, conseguiram agarrar-me. A escrita, apesar de confusa em algumas partes, não deixa de ser bastante fluida e de nos transmitir uma grande quantidade de informação histórica sem, no entanto, cansar uma pessoa (como aconteceu, por exemplo, com o Códex 632). As personagens também são bastante interessantes, com histórias que desejamos seguir e por quem não podemos deixar de torcer. Os apontamentos médicos foram também uma aposta ganha, na minha opinião, sobretudo no que tocou ao debate sobre a “memória celular”, de que nunca tinha ouvido falar mas que parece ser um tema que pode dar pano para mangas. Achei curioso o livro trazer um bloco com os enigmas, mas foi com alguma decepção que reparei não ser tão necessário como isso. Dá para fazer o puzzle, é certo, e segundo o site The Rose Labyrinth esses enigmas têm mais algum segredo, mas mesmo assim penso que podiam ter sido integrados de outra maneira na história.

O pior deste livro vem mesmo no fim. Não é anti-climático, como alguns que tenho lido este ano *cough*BreakingDawn*cough*, mas deixa uma sensação de “É só isto? Tanta coisa para nada?” ou seja, exactamente a mesma reacção que tive ao ler O Código Da Vinci. Pareceu algo precipitado e não foi capaz de acabar com algumas pontas soltas, tal como o que é que aconteceu ao coração do Dee?

Uma boa leitura, com uma edição cuidada (gostei das notas da tradutora) mas com um final que, infelizmente, desaponta.

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