3 de setembro de 2009

Pompeii

Autor: Robert Harris
Género: ficção histórica
Editora: Hutchinson | Nº de páginas: 352
Nota: 5/5

Resumo (da capa): A sweltering week in late August. Where better to enjoy the last days of summer than on the beautiful Bay of Naples?

But even as Rome’s richest citizens relax in their villas around Pompeii and Herculaneum, there are ominous warnings that something is going wrong. Wells and springs are failing, a man has disappeared, and now the greatest aqueduct in the world – the mighty Aqua Augusta – has suddenly ceased to flow…

Through the eyes of four characters – a young engineer, an adolescent girl, a corrupt millionaire and an elderly scientist – Robert Harris brilliantly recreates a luxurious world on the brink of destruction.

Opinião: Convém começar esta crítica por dizer que sempre fui fascinada pela cidade de Pompeia. Nunca a visitei mas acredito que seja a única cidade em que se pode, realmente, viajar no tempo e alimentou a minha paixão pela Arqueologia (que, apesar de tudo, agora não pratico). Além disso, sempre gostei de Geologia, com os seus vulcões, placas tectónicas e vários tipos de rochas. Ora, este livro junta os dois, pelo que eu não lhe poderia ser indiferente.

O autor guia-nos através de 4 dias (dois que antecedem o desastre, o dia da erupção e o dia seguinte), dando-nos a conhecer a vida romana à época e colocando excertos de livros que analisam o fenómeno vulcânico em geral e mesmo este episódio em particular. Achei um livro riquíssimo em termos de detalhes ao mencionar como pequenas coisas poderiam ter ajudado a prever o desastre, caso os conhecimentos da época tivessem sido outros ou mais difundidos, e aqui há que salientar a menção ao Etna que entrou em erupção cerca de dois séculos antes e terá sido documentado.

A juntar a isto, temos um leque de personagens bastante rico e interessante de seguir. São estas que nos dão a conhecer o dia-a-dia de uma cidade romana, as preocupações dos cidadãos, os jogos políticos dos bastidores, a corrupção dos funcionários públicos. Dá-nos também a conhecer a importância dos aquedutos, uma das maiores invenções dos romanos, na vida e na manutenção da paz nas cidades.

Esta crítica não fará justiça ao livro mas eu gostei e aconselho, sobretudo a quem gosta de ficção histórica com um pouco de thriller e desastres naturais à mistura.

Mais prémios! Obrigada!

Nestes últimos dias não me tem sido possível dedicar tanto tempo ao blog, à internet e mesmo às leituras, como gostaria. Mas não deixo de estar agradecida à Miar à Chuva e à Aline pelos seguintes prémios:


Regras: Listar 5 desejos de consumo que te deixariam glamourosa e indicar 10 blogues amigos para receber o presente.
  1. Poder comprar todos os livros que eu quisesse!
  2. Ter casa própria, grande e com piscina
  3. Poder viajar por todo o mundo
  4. Ter um Lamborghini Diablo
  5. Ter uma colecção de DVD's composta por todos os dramas históricos feitos até agora



As regras são:
  • enumerar três coisas que quero fazer no futuro
  • atribuir o prémio a 10 blogues
Ora bem, eu gostava de:
  1. viajar pela Europa, nomeadamente fazer um cruzeiro pelo Mediterrâneo, com paragem em tudo o que é ponto histórico/arqueológico, e visitar as ilhas britânicas
  2. ler todos os livros que quero ler
  3. voltar a fazer desporto (tenho saudades de uma bela piscina).


8 características minhas:
  1. sincera
  2. curiosa
  3. leal
  4. amiga do meu amigo
  5. muito tímida
  6. boa ouvinte
  7. solidária
  8. algo doida

Passo estes prémios a todos os que seguem este blog. ;)

25 de agosto de 2009

Pilha de Livros (III)

Perante o sucesso da pilha anterior, não podia deixar de fazer uma nova. Ei-la em toda a sua glória! :P
Tem livros mais pequenos que a anterior e falta-lhe um, o segundo volume da tetralogia de Scott Westerfeld, que espero que a Slayra me empreste. Também me falta o quarto volume, Extras, mas acho que fica para outra oportunidade.

23 de agosto de 2009

A Justiça de Aristóteles (Série Aristóteles, Livro 2)

Autor: Margaret Doody
Género: Mistério
Editora: Saída de Emergência | Nº de páginas: 288
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Quando Ântia, herdeira de um rico mercador de prata é raptada, cabe a Aristóteles e ao seu aluno Estéfano encontrar a jovem. Sabem apenas que o raptor a leva para Delfos e é para lá que decidem partir. Adepto de verdadeiros quebra-cabeças, o filósofo procura vestígios e pistas, recorrendo ao seu génio lendário. Mas uns falam em homicídio e outros em casamento forçado. Qual será a verdade?

Amante dos clássicos e fascinada pela retórica, Margaret Doody continua a fabulosa série de aventuras passadas na Grécia Antiga. Com as conquistas de Alexandre em pano de fundo, Aristóteles e Estéfano aplicam o raciocínio que mais tarde associaremos ao Sherlock Holmes de Conan Doyle. Acresce-se aqui a riqueza de detalhes e o regresso a um outro tempo e lugar.

Opinião: Depois de ter lido e apreciado a leitura anterior, foi com alguma expectativa que parti para este livro e apesar de ter gostado, parece um pouco mais fraquito. Perde sem dúvida por o narrador, mais uma vez Estéfano, não se encontrar tão ligado ao caso, já que aqui aparece mais como um sidekick, como um verdadeiro capitão Hastings, narrando a história que vive devido à sua amizade com Aristóteles. Este é contactado por um homem da prata, um mercador daquele metal, cuja sobrinha desaparece. No entanto, e mais uma vez, a trama adensa-se quando no caminho para Delfos, para onde se pensa que ela e o seu suposto raptor partiram, começam a aparecer corpos e se levanta a dúvida sobre o que estará realmente por detrás do desaparecimento.

A história parece um pouco mais complexa, pelo menos não achei o final previsível, antes pelo contrário, mas não cativou tanto como a do livro anterior. Gostei, no entanto, do retrato da sociedade, sobretudo a relação entre cidadão e escravos, bastante patente no comportamento do narrador. Outro aspecto positivo foi toda a descrição de Delfos e dos rituais religiosos, nomeadamente para contactar com a pitonisa.

Não deixa de ser um bom livro, a história é bastante interessante, para quem gosta de mistérios passados na Antiguidade Clássica, mas creio que um mapa ajudava a perceber melhor a viagem de Atenas para Delfos. O livro anterior, que li em inglês, tinha um e foi com alguma surpresa que reparei que este não o tinha, pois em geral estão sempre presentes neste tipo de livros. Também uma chamada de atenção, esta edição parece não ser das mais bem tratadas, sei que a Tita teve alguns problemas com o exemplar dela, e o meu também tinha como que um buraco no meio de uma página. Felizmente não era muito grande e não impediu que continuasse a ler. Sei que estes problemas são difíceis de se notar, mas não custa pedir um pouco mais de cuidado.

18 de agosto de 2009

Aristotle Detective (Série Aristóteles, Livro 1)

Autor: Margaret Doody
Género: Mistério
Editora: Arrow Books | Nº de páginas: 384
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Athens 332 BC – a city uneasy under the sway of the Macedonian Alexander the Great, now fighting the King of Persia for control of the East. In this time of fresh ambition and furtive discontent, an eminent citizen is brutally murdered.

Young Philemon, as exile formerly guilty of manslaughter, is accused of the bizarre homicide. In his absence his cousin and nearest male relative, 23-year-old Stephanos, must conduct Philemon’s defence and attempt to clear his family’s name of this bloody murder.

Stephanos seeks the help from Aristotle, his former teacher... and Aristotle turns Detective.

Opinião: Tropecei neste livro por acaso, já que ao fazer uma compra on-line foi-me oferecido o segundo volume desta série. Como não gosto de ler séries começando pelo meio, nomeadamente deste género já que, apesar de nem sempre os casos interessarem para se perceber a história, há por vezes menções que não deixam de completar a história. Já me aconteceu algo do género com O Crime na Via Ápia, de Steven Saylor, e desde aí que tento ler sempre séries de forma seguida. No entanto, apesar de ter gostado bastante daquele, estava com algum receio deste mistério histórico não corresponder às minhas expectativas, já que Nefertiti de Nick Drake foi uma desilusão.

Neste livro, acompanhamos Stephanos que tenta ilibar o seu primo, Philemon, do assassínio de uma importante figura da cidade de Atenas. A sua defesa centra-se em torno do facto de Philemon não se encontrar na cidade, pois aquele havia sido votado ao exílio por um outro assassinato, incorrendo em pena de morte caso voltasse. Mas a trama que Stephanos encontra é demasiado densa, solicitando por isso a ajuda do seu antigo mestre, Aristóteles, para o ajudar com o caso.

Gostei bastante das personagens principais, Stephanos e Aristóteles, sendo por vezes os seus diálogos bastante divertidos e filosóficos. Fez-me lembrar a interacção entre Poirot e o Capitão Hastings, ou mesmo Sherlock e Watson. Não pude deixar de rir perante algumas falas como:
“If Philemon did not do it, someone of the class non-Philemon did it.”

“Goodbye, Stephanos – and, by the way, say nothing of that last purchase of mine, or I’ll do you a mischief. Think of the lewd jokes it would cause! But if ever I seem overbearing and foolishly proud of my intellect, you may always murmur to me, ‘That leather bag contained stones.’”
Também achei curioso o interesse de Aristóteles em cerâmica e algumas das suas conversas em torno desse assunto pareceram demasiado semelhantes a outras que tive enquanto andava a tirar o curso. Parecia mesmo um dos meus professores, mas enquanto Aristóteles dissertava sobre cerâmicas gregas, o meu professor falava sobre sigillatas romanas. :D

A história apesar de ter um final algo previsível, o assassino pareceu-me óbvio, tem bastantes reviravoltas que nos deixam agarrados ao livro. O único senão que tenho a apontar é mesmo a falta de notas de modo a esclarecer alguns dos termos usados, como os meses e prodikasia. No entanto, pelo contexto é fácil de perceber o que são, pelo que não é assim tão grave como isso.

Sem dúvida um livro a ler, para quem gosta de mistérios na Antiguidade Clássica. De lembrar que se encontra publicado em português pela Saída de Emergência.

17 de agosto de 2009

Pride and Prejudice and Zombies

Autor: Seth Grahame-Smith e Jane Austen
Género: Romance
Editora: Quirk Books | Nº de páginas: 320
Nota: 3/5

Resumo (da capa):
"It is a truth universally acknowledged that a zombie in possession of brains must be in want of more brains."
So begins Pride and Prejudice and Zombies, an expanded edition of the beloved Jane Austen novel featuring all-new scenes of bone-crunching zombie mayhem. As our story opens, a mysterious plague has fallen upon the quiet English village of Meryton—and the dead are returning to life! Feisty heroine Elizabeth Bennet is determined to wipe out the zombie menace, but she’s soon distracted by the arrival of the haughty and arrogant Mr. Darcy. What ensues is a delightful comedy of manners with plenty of civilized sparring between the two young lovers—and even more violent sparring on the blood-soaked battlefield. Can Elizabeth vanquish the spawn of Satan? And overcome the social prejudices of the class-conscious landed gentry? Complete with romance, heartbreak, swordfights, cannibalism and thousands of rotting corpses, Pride and Prejudice and Zombies transforms a masterpiece of world literature into something you’d actually want to read.

Opinião: Desde que ouvi que este livro ia ser lançado, que tenho esperado ansiosamente para meter-lhe as minhas mãos em cima. Que dizer? Como o título sugere é Orgulho e Preconceito… com zombies! Tenho me queixado, ultimamente, de ler livros sem muita acção, sem tripas pelo ar. Pois bem, este teve e só é pena não ter mais. :P

Quase todo o livro é, palavra por palavra, a obra de Austen que conhecemos e adoramos, apenas com zombies e alguns confrontos aqui e ali. Se a princípio isto parece forçado, nota-se que com o desenvolver da história, as cenas alteradas por Seth Grahame-Smith começam a fluir melhor e a mesclar-se com a história original, mas é quase impossível deixar de notar que existem dois diferentes estilos de escrita. Vá lá, por muito que se tente, não são todos aqueles que conseguem tornar os diálogos tão interessantes como Austen, ela sim, como dizem os anglo-saxónicos, “has a way with words”. Mas como disse, os dois estilos vão-se fundindo e acaba por ser uma leitura divertida.

Gostei das personagens, nomeadamente gostei de ver a Elizabeth querer espetar uma adaga e decapitar, por diversas vezes, o Mr. Darcy. Tornou-se numa personagem com quem me pude identificar em diversas situações. Também gostei das alterações feitas a Charlotte, explicando de maneira bem mais interessante o porquê do seu enlace, e a Lady Catherine, que se torna num ícone lendário para todas as jovens que desejam passar o resto das suas vidas a aniquilar zombies. :D Também gostei de como o orgulho e preconceito se estenderam aos diferentes ensinos de artes marciais, sendo as irmãs Bennet treinadas na China, e por isso mal vistas, nomeadamente por Lady Catherine, que valoriza sobretudo o ensino das artes marciais japonesas. Só tive pena de não ler mais sobre os zombies e do porquê de tal praga ter chegado a Inglaterra, cerca de 55 anos antes do período em que a história decorre.

Não digo que seja um clássico da literatura mundial, apesar de cerca de 80% corresponder de facto a um clássico da literatura mundial, mas é um excelente livro para aqueles que gostam de romance com um bocadito de gore, e para quem pretende um tipo de literatura que não se leva muito a sério. Já agora, as ilustrações que acompanham o livro são fantásticas. :D

16 de agosto de 2009

The Jane Austen Book Club/O Clube de Leitura de Jane Austen

Informação técnica no IMDb.

Director: Robin Swicord
Escritores: Robin Swicord (adaptação), Karen Joy Fowler (obra original)
Actores: Maria Bello, Emily Blunt, Hugh Dancy
Nota: 3/5

Mais uma adaptação vista. Não gostei particularmente do livro e foi um pouco de pé atrás que vi o filme, pelo que foi com alguma surpresa que acabou por se revelar bem mais interessante e mais de acordo com o que esperava quando peguei no livro. Acabou mesmo por satisfazer mais que a obra literária a que foi buscar inspiração.

Como não podia deixar de ser, há algumas mudanças, mas a meu ver foi para melhor. Não há os flashbacks, toda a história se desenvolve no presente, ao longo dos 6 meses em que o clube se junta. As personagens parecem mais reais e menos convencidas que as do livro. Algumas sofreram alterações, nomeadamente Grigg e o marido de Prudie, mas acho que isso só veio melhorar a dinâmica da história. Os encontros para debater os livros são interessantes e parecem-me melhor explorados que no livro, e vemos realmente os livros de Jane mudarem as vidas das pessoas. Devo dizer que fiquei algo excitada com o facto de Persuasão ser o motor para algumas dessas mudanças, até porque é o meu livro preferido da autora. :P Todo o elenco me parece bem, nota especial para Emily Blunt, pois gostei bastante da sua personagem.

Sem dúvida que aconselho o filme ao livro. É um dos raros casos em que a adaptação é melhor que o romance original.

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