16 de agosto de 2009

The Jane Austen Book Club/O Clube de Leitura de Jane Austen

Informação técnica no IMDb.

Director: Robin Swicord
Escritores: Robin Swicord (adaptação), Karen Joy Fowler (obra original)
Actores: Maria Bello, Emily Blunt, Hugh Dancy
Nota: 3/5

Mais uma adaptação vista. Não gostei particularmente do livro e foi um pouco de pé atrás que vi o filme, pelo que foi com alguma surpresa que acabou por se revelar bem mais interessante e mais de acordo com o que esperava quando peguei no livro. Acabou mesmo por satisfazer mais que a obra literária a que foi buscar inspiração.

Como não podia deixar de ser, há algumas mudanças, mas a meu ver foi para melhor. Não há os flashbacks, toda a história se desenvolve no presente, ao longo dos 6 meses em que o clube se junta. As personagens parecem mais reais e menos convencidas que as do livro. Algumas sofreram alterações, nomeadamente Grigg e o marido de Prudie, mas acho que isso só veio melhorar a dinâmica da história. Os encontros para debater os livros são interessantes e parecem-me melhor explorados que no livro, e vemos realmente os livros de Jane mudarem as vidas das pessoas. Devo dizer que fiquei algo excitada com o facto de Persuasão ser o motor para algumas dessas mudanças, até porque é o meu livro preferido da autora. :P Todo o elenco me parece bem, nota especial para Emily Blunt, pois gostei bastante da sua personagem.

Sem dúvida que aconselho o filme ao livro. É um dos raros casos em que a adaptação é melhor que o romance original.

10 de agosto de 2009

Drums of Autumn (Outlander, Livro 4)

Autor: Diana Gabaldon
Género: Romance histórico
Editora: Seal Books | Nº de páginas: 1088
Nota: 3/5

Resumo (da capa): The magnificent saga continues...

It began in Scotland, at an ancient stone circle. There, a doorway, open to a select few, leads into the past – or the grave. Claire Randall survived the extraordinary passage, not once but twice. Her first trip swept her into the arms of Jamie Fraser, an eighteenth-century Scot whose love for her became legend – a tale of tragic passion that ended with her return to the present to bear his child. Her second journey, two decades later, brought them together again in the frontier America. But Claire had left someone behind in the twentieth century. Their daughter, Brianna...

Now, Brianna has made a disturbing discovery that sends her to the stone circle and a terrifying leap into the unknown. In search of her mother and the father she has never met, she is risking her own future to try to change history... and to save their lives. But as Brianna plunges into an uncharted wilderness, a heartbreaking encounter may strand her forever in the past... or root her in the place she should be, where her heart and soul belong...

Opinião: Mais uma vez, à semelhança dos dois livros anteriores, temos a história através de diversos pontos de vista, sendo apenas a parte de Claire Randall contada na primeira pessoa.

Acompanhamos neste volume, a jornada de Claire e Jamie Fraser, enquanto estes se fixam na América. No entanto, Brianna, a filha destes e que Claire havia deixado em pleno séc. XX, descobre um importante facto sobre os seus pais e resolve voltar ao passado de modo a salvá-los. Mas não segue sozinha, pois Roger, um historiador também ele ligado a viajantes no tempo, decide segui-la de modo a construírem também eles um futuro em comum.

Não gostei tanto como estava à espera, sobretudo porque se arrasta em alguns pontos. As personagens principais, Claire e Jamie, pouco ou nada evoluem, encontrando-se a sua relação bastante sólida; já Brianna e Roger recebem um maior destaque e se o segundo satisfaz, crescendo ao longo de tudo aquilo porque passa, já Brianna deixa algo a desejar, parecendo uma rapariga mimada que explode quando alguém lhe diz não. As várias personagens secundárias são bem mais aprazíveis de seguir e bastante interessantes, nomeadamente Lord John (que tem uma série paralela a esta) e Ian, cujo final não deixa de surpreender apesar de ser algo previsível. A história em si, como disse arrasta-se em algumas partes, sendo por vezes preciso ler cerca de 100 páginas para saber o que acontece, ou não deixa de acontecer, a algumas personagens. Isto aborrece, sobretudo, quando passamos a seguir personagens cuja linha de história apreciamos menos.

Mais uma vez, um livro com bastante palha. Não perdia nada se fosse reduzido a metade ou 2/3. O final, mais uma vez, parece ser deixado em aberto, o que não espanta já que há mais 2 livros publicados (que já tenho cá por casa), e um novo volume que sairá a 22 de Setembro, An Echo in the Bone. Só não parto para os volumes seguintes, porque é preciso recuperar fôlego depois de ler 1000 e tal páginas de um só volume.

9 de agosto de 2009

Period Drama Challenge



Este desafio foi proposto pelas meninas do Lights, Camera... History! Tem diferentes níveis de dificuldade e vários temas pelos quais se pode optar. Eu escolhi o nível 3 (Faithful Viewer), pelo que tenho de ver 6 filmes/(mini) séries, entre 1 de Julho de 2009 e 1 de Julho de 2010, que se enquadrem nos seguintes temas:
- Victorian Mist (acção passada na época vitoriana)
- Maids & Knights (acção passada na Idade Média)

Provavelmente deveria ter optado antes por "All Over the World" em vez do tema "Victorian Mist", já que gostaria de ver alguns filmes tendo como palco diferentes países, se bem que com a acção a decorrer durante os anos de 1837 e 1901, época em que a rainha Vitória governou a Inglaterra.

Victorian Mist
Anna Karenina (1997) - IMDb - crítica
Moulin Rouge! (2001) - IMDb
North and South (2004) - IMDb

Maids & Knights
O Leão no Inverno (2003) - IMDb - crítica
King Arthur (2004) - IMDb
Tristan + Isolde (2006) - IMDb
Robin Hood (2006-2009) - IMDb

3 de agosto de 2009

Harry Potter and the Half-Blood Prince/Harry Potter e o Príncipe Misterioso

Informação técnica no IMDb.

Director: David Yates
Escritores: Steve Kloves (adaptação), J.K. Rowling (obra original)
Actores: Daniel Radcliff, Michael Gambon, Alan Rickman
Nota: 3/5

Ou eu ando muito sádica nestes últimos tempos ou então, já que os livros não são infantis, querem que os filmes do Harry Potter o sejam. Aquele não era o final que eu estava à espera, até porque não é bem aquilo que vem no livro, e diga-se que é bastante anti-climático. Mas comecemos pelo principio…

Este é um dos meus livros preferidos, exactamente devido ao seu início. O capítulo inicial tem por título “O Outro Ministro”, o que só por si é bastante apelativo devido às várias interpretações que se podem fazer de tais palavras, e torna-se ainda mais interessante quando nos é dado a conhecer que o Ministro em que se foca o capítulo é o Primeiro-Ministro dos muggles. Ora bem, só por este capítulo o livro agarrou-me já que é o primeiro que nos mostra como o mundo mágico se funde com o muggle, visão que até aí nos tinha sido muito supérflua. No filme isto também acontece, se bem que não de maneira totalmente satisfatória, ou melhor como eu estava à espera. Para além de que fiquei ofendidíssima pelo facto de variados Devoradores da Morte voarem, coisa que devia ser privilégio de poucos, nomeadamente do Snape e do Voldemort, mas isso até só deveria acontecer no último livro. Enfim…

Passamos depois a conhecer Slughorn (fantástico se me permitem dizer), Narcissa (um pouco diferente do que estava à espera), e que Draco tem uma qualquer missão. Vemos também a loja dos gémeos Wesley (sem a piada do U-No-Poo :( ) e temos vários piscares de olhos às diferentes relações amorosas que se vão desenrolar durante aquele ano lectivo e… parece que é basicamente a este último tema que se cinge o filme. Há tanta hormona aqui como no quinto livro (que diga-se é o que menos gosto de toda a série, exactamente devido às hormonas!), mas felizmente aqui vai dando para rir, se bem que preferia que o filme se centrasse em coisas um pouco mais sérias, como as “viagens” no Pensatório, que aqui ficam cingidas a duas. Nada de conhecer melhor Voldemort, a não ser que já em criança seria psicótico, ou o porquê de escolher determinados objectos para fazer as horcruxes. Eu e a Slayra no final perguntamo-nos mesmo como é que Harry sabe o que terá de procurar no(s) último(s) filmes(s): terá Dumbledore deixado uma carta?

Mas o final é que realmente é decepcionante e afasta-se completamente do livro, tal como acontece também com outros pormenores (a meu ver sem qualquer tipo de desculpa), que um fã não pode deixar de notar. Estamos o filme todo a tentar perceber o que raio anda o Draco a fazer para depois aparecerem 4 Devoradores da Morte, entre os quais um lobisomem que segundo o livro é algo sádico e gosta de criancinhas, e haver só uma a partir a casa toda, que mesmo assim se resume ao Grande Salão e à casa do Hagrid. :/ Onde está a luta entre o Exército de Dumbledore e os Devoradores da Morte? Onde está Fenrir a morder Bill? Este é o livro que traz a guerra entre os dois lados para dentro de Hogwarts, que torna essa realidade mais próxima dos personagens e do leitor, que mostra que vai haver baixas, sejam elas mortes ou danos físicos que ficarão para sempre. Quase nada disso aconteceu. Bah!

O casting adulto continua a ser excelente, o mais jovem nota-se que está a crescer de filme para filme. Dan Radcliff continua a não ser grande coisa, mas há que dar-lhe os parabéns pela sequência do "Felix Felicis", onde está muito bem mesmo. É pena que não esteja assim tão confiante, tão liberto, nas outras partes. Rupert Grint pode vir a ter sucesso como comediante, as moças também vão bem, cada uma no seu papel.

Um bom filme? Sim, não é mau, dá para rir bastante e passar uma bela tarde, mas sendo adaptação de um dos meus livros preferidos, de uma das minhas séries preferidas, estava à espera de algo mais. Eu sei que o livro é algo parado, mas conseguiram fazer do filme algo ainda mais parado que, se não fosse pelos contínuos gags, pouco tinha a oferecer.

2 de agosto de 2009

Aquisições (XXII)

A greve continua mas às vezes é díficil deixar passar passatempos ou oportunidades únicas. Foi o que aconteceu com estes livros:
O primeiro foi ganho num passatempo no blog Estante de Livros, já o segundo foi-me apontado pela Slayra na Fnac! Obrigada amiga! E eu a pensar que não o ia ver por cá antes de ser publicado em português... E tem ilustrações! Não podia deixar de o comprar.

Por último, ainda falta chegar cá a casa, mas num outro passatempo, desta vez no blog Historical Tapestry, ganhei Silk de Alessandro Baricco. E ainda eu queixava-me de que não tinha sorte... Acho que é melhor começar a apostar no EuroMilhões. :P

25 de julho de 2009

Eu e os áudio-livros

Depois de ver este post da Miss Picky (Ana O.), achei que seria interessante (ou não) dar a conhecer a minha história com este formato literário.

Tudo começou no ano de 2006 com a série Sharpe e o actor Sean Bean. Lembro-me de ver uma mini-série de dois episódios na RTP, que não era mais que o último episódio, feito até aquela data (no ano passado foi feito um novo episódio), Sharpe's Challenge. Ora, eu não sou completamente indiferente ao Sean Bean e na época até andava a estudar o séc. XIX, pelo que fiquei curiosa. Mais curiosidade suscitou o facto de esta série ser baseada em livros de um autor do qual tinha ouvido muito bem, Bernard Cornwell. Da série televisiva até aos livros foi um salto. No entanto, a colecção de livros é bastante extensa e cá por casa o espaço é pouco, pelo que foi assim que tropecei, literalmente, nos áudio-livros desta colecção e narrados pelo célebre actor que deu corpo à personagem! Ouro sobre azul diria eu... Ouvi assim as versões condensadas do primeiro e do último volume da série, e não tardou muito até arranjar a maior parte dos restantes. Ainda não ouvi todos, mas diga-se que passei a adorar a época napoleónica (que até então pouco me interessava, aliás os séculos XVIII e XIX nunca foram do meu agrado até começar a ler romances históricos) e comecei a perceber tácticas militares...

Estes áudio-livros acompanharam-me então durante o trabalho final de curso, durante os dias que passava sozinha, num palácio a cair de podre, com a exausta tarefa de inventariar e descrever peças. A recepção do rádio não era a melhor, pelo que os áudio-livros conseguiram-me manter sã (se é que se pode chamar sã à minha mente...) e ajudaram a passar o tempo. No entanto, tanta guerra pode tornar-se algo enfadonho e assim parti para outros temas: os romances de Austen, que aconselho desde já excepto se lidos por senhoras com vozes monocórdicas ou lidos por homens (é simplesmente errado!!!); os thrillers de Dan Brown; os mistérios de Agatha Christie, que são ainda melhores quando narrados por todo um grupo, tipo novela radiofónica; e o mundo fantástico de Harry Potter. Mas se até acabar o curso, os áudio-livros serviam apenas para passar o tempo enquanto inventariava, descrevia ou desenhava peças, tudo tarefas bastante empolgantes, como se pode imaginar (not!), agora são também muito úteis quando desempenho outras tarefas igualmente aborrecidas, como quando estou a fazer limpezas e outras tarefas domésticas.

Convém avisar que há um certo risco ao fazer as tarefas domésticas e ouvir áudio-livros: não foram poucas as vezes que desatei a rir sozinha, o que levou os meus pais e irmão confirmarem as suas suspeitas de que sou doida, como parti alguns pratos e copos... Mas sem dúvida que recomendo, pena é haver pouca oferta em português.

22 de julho de 2009

Drácula

Autor: Bram Stoker
Género: Horror
Editora: Publicações Europa-América | Nº de páginas: 424
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Drácula, o sinistro conde da Transilvânia, só pode ser morto por uma estaca espetada em pleno coração. Até que alguém consiga fazê-lo, porém, continuará a alimentar-se do sangue de inocentes, e estes, tornados mortos-vivos, passarão também a sofrer da insaciável sede do sangue.

Mas como se conseguirá preparar uma armadilha a um monstro com vastos poderes e com a sabedoria dos séculos?

“O Conde sorriu, os seus lábios abriram-se sobre as gengivas e os compridos e aguçados dentes caninos apareceram estranhamente…”

Opinião: Na verdade é mais um 3.5, mas arredondei um pouco porque não gosto de dar meias notas e não deixa de ser um bom livro, se bem que não era exactamente o que estava à espera.

Este livro foi lido, mais uma vez, no âmbito de uma Leitura Conjunta (LC) promovida pelo fórum Estante de Livros e diga-se que houve uma discussão bastante interessante, que apesar de tudo foi perdendo a chama, não por culpa de quem participou, mas porque o mesmo entusiasmo parece que se vai perdendo ao longo do livro.

Sempre tive curiosidade sobre vampiros. Já vi bastantes filmes, incluindo o de 1992 realizado por Francis Ford Coppola e de que não me recordo muito bem (coisa a emendar nos próximos tempos), pelo que era com alguma expectativa que parti para este livro, tido como aquele que lançou as bases para os vampiros modernos, ou que aparecem com um pouco mais de frequência nos vários meios culturais. Travamos então conhecimento com Jonathan Harker, incumbido de se dirigir ao Castelo do Conde Drácula, a propósito de negócios que têm por fim trazer o conde até Inglaterra. No entanto, Jonathan começa a aperceber-se de quem nem tudo é o que parece e começa a temer nunca mais ver Mina, sua noiva. Esta é grande amiga de Lucy, uma jovem bastante bela, de tal maneira que recebe 3 propostas de casamento no mesmo dia. E é quando esta começa a ser atacada por uma estranha doença, que Van Helsing, um médico holandês com bastantes conhecimentos no que toca ao sobrenatural, é chamado por um dos pretendentes de Lucy para revelar então a criatura que todo o grupo terá de enfrentar.

A primeira metade do livro, ou seja, o relato de Jonathan no Castelo e os constantes ataques a Lucy, é bastante interessante, já que o modo em que o livro está escrito, através dos diários e de cartas dos participantes em toda a acção, convidam-nos a entrar na mesma acção e a partilhar as emoções e as dúvidas que assaltam os vários protagonistas. No entanto, a segunda metade do livro apresenta-nos uma quebra da acção e as personagens começam a revelar-se um pouco parvas e mesmo estúpidas, apetecendo dar-lhes um valente par de estalos e gritar-lhes para abrirem os olhos. A história torna-se então demasiado previsível apesar de ir crescendo, novamente, em termos de acção para acabar num final algo anti-climático e que deixa, por isso, algo a desejar.

Na LC houve quem apontasse alguns fios soltos e incongruências, mas devo confessar que isso me passou algo ao lado. Tendo em conta o modo narrativo, é óbvio que algumas coisas teriam de ficar de fora, mas não é nada que um pouco de imaginação não ajude, nomeadamente no caso de Reinfeld, uma das personagens que mais dúvidas levantou, mas que a meu ver foi muito bem conseguida, sendo mesmo a minha personagem favorita em todo o livro.

O livro lê-se bem, mas desilude um pouco, já que fazendo parte do ideário, da cultura de massas actual, uma pessoa não consegue deixar de imaginar como é que a história será antes de pegar no livro, e é normal que ao não ver essa imagem, essa outra história que construiu, que o leitor fique decepcionado. Mas tendo em conta a época em que foi escrito, penso que é notório o sobressalto que terá provocado numa sociedade um pouco fechada, com fortes convicções morais, e cheia de convenções e regras de etiqueta.

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