7 de julho de 2009

Balanço Janeiro - Junho/inícios de Julho

Era para ter feito isto em Junho, mas tenho tido tanto para fazer que arranjar tempo para ler já tem sido muito bom. E por acaso em termos de leituras não me posso queixar pois que em Junho fartei-me de ler, embora para isso tenha contribuído as cerca de 2 a 3 horas que cheguei a passar no trânsito, por dia…

Ora bem, para 2009 propus-me a ler 50 livros, meta para a qual penso que estou bem encaminhada, já que até finais de Junho li 34 livros, ou seja, mais de metade da minha meta em meio ano. É certo que os dois primeiros livros acabados este ano vinham no ano anterior, mas mesmo assim, não deixa de ser obra!

Destes 34 devo ressaltar a saga Potteriana. Estou a ouvir os áudio-livros, brilhantemente narrados em inglês pelo fabuloso Stephen Fry e já tenho dado valentes gargalhadas (piadas que nos 4 primeiros livros, que li em português, passaram ao lado), já tenho ficado boquiaberta com as pistas que a autora foi deixando pelos vários livros e que ajudam a um leitor mais atento aproximar-se dos acontecimentos finais. Também é com saudade que os oiço, já que me lembro daqueles anos e meses de inquietação em que aguardava o lançamento do próximo volume.

Pela negativa, há que apontar sobretudo a conclusão da trilogia Study, depois de um início tão prometedor! O segundo volume está um pouco abaixo do primeiro, mas o terceiro torna-se por demais aborrecido e previsível. O mesmo acontece com a saga Luz e Escuridão da Stephenie Meyer, que apesar de dois primeiros volumes algo interessantes, descamba nos últimos dois, onde há páginas a mais e acção a menos. Perdão, não há acção nenhuma.

Revelaram-se uma surpresa, The Talisman por Stephen King e Peter Straub, que apesar de um início algo lento consegue-nos agarrar até ao final, e Daniel Deronda de George Eliot, que mostra um retrato interessante da Inglaterra na segunda metade do século XIX e sobretudo deu-me a conhecer o início do movimento que culminaria com a concretização do Estado de Israel, já em pleno século XX.

Em matéria de aquisições, decretei uma greve depois da Feira do Livro e tenho conseguido mantê-la, mais ao menos… A minha mãe comprou-me Sangue de Dragão de Ana Vicente Ferreira; no BM pedi Encontro de amor num país em guerra de Luís Sepúlveda, a pedido da minha mãe; trouxe de casa da minha avó A Cidade e as Serras do Eça; ganhei The White Tiger num passatempo no blog Leituras e Devaneios e por último comprei à Livros2amão O Hobbit em BD, que não conta para a greve porque foi uma oportunidade única!

Acho que posso concluir que o ano, em termos de leituras, não tem sido mau. Tenho tentado equilibrar ficção e não-ficção, também tenho participado em Leituras Conjuntas que têm sido bastante interessantes e elucidativas. Também não tenho desgostado das adaptações cinematográficas que tenho visto de livros que tenho lido, tendo sido Mansfield Park (2007) a única decepção. Os livros, geralmente, são melhores mas as adaptações têm cumprido o seu papel, se tivermos em conta todas as mudanças que têm de fazer para vencerem, sobretudo, a contrariedade do tempo limitado.

3 de julho de 2009

Son of the Morning

Autor: Linda Howard
Género: Romance histórico
Editora: Pocket Books | Nº de páginas: 384
Nota: 4/5

Resumo (da capa): New York Times bestselling author Linda Howard captivates readers in the deeply romantic tale of a contemporary woman who unravels an extraordinary mystery from the past… by living it.

A scholar specializing in ancient manuscripts, Grace St. John never imagined that a cache of old documents she discovered was the missing link to a lost Celtic treasure. But as soon as she deciphers the legend of the Knights of the Templar – long fabled to hold the key to unlimited power – Grace becomes the target of a ruthless killer bent on abusing the coveted force. Determined to stop him, Grace needs the help of a warrior bound by duty to uphold the Templar’s secret for all eternity. But to find him – and to save herself – she must go back in time… to fourteenth-century Scotland… and to Black Niall, a fierce man of dark fury and raw, unbridled desire…

Opinião: Não estava à espera de uma grande leitura, já que este livro parecia bastante semelhante aos da autora Karen Marie Moning, a história ameaçava tornar-se mesmo igual ao terceiro livro da série Highlander, mas se aquela pouco desenvolve as personagens, o mesmo já não acontece com Linda Howard.

Acompanhamos Grace St. John, uma historiadora especializada em decifrar documentos escritos em línguas antigas e casada com um arqueólogo, quando a vida desta muda, literalmente do dia para a noite, após assistir ao assassinato do seu marido e do seu irmão por causa de documentos que tem em sua posse. Apontada como principal suspeita do assassinato, Grace vê-se forçada a deixar a sua vida calma para trás e a adaptar-se ao mundo das ruas, de modo a sobreviver e fazer justiça. Começa então a decifrar os documentos, enquanto é perseguida pela Fundação, e cruza com o lendário tesouro dos Templários e o seu Guardião, Black Niall, com quem parece ter uma estranha ligação.

Como disse, esta autora ao contrário de Karen Marie Moning, consegue dar profundidade às personagens, nomeadamente Grace, sendo possível acompanhar toda a sua transformação, de ingénua em mulher capaz de sobreviver por si só, e assim é fácil relacionarmo-nos com ela, já que se revela uma mulher bastante forte. Já Black Niall, é o típico alpha male destes romances e, por isso, com menos profundidade mas, mesmo assim, com um background satisfatório. As personagens secundárias também estão muito bem conseguidas e cumprem bem a sua função na história. Esta também não é a típica história do género “Scottish highlander time travel romance”, já que a maior parte da acção tem lugar na América do séc. XX e não nas Highlands do séc. XIV. No entanto, achei-a bastante interessante, não se resume à luxúria das personagens, que parece ser o fio condutor da outra autora já por diversas vezes mencionada, assemelhando-se a um thriller, e com um twist no final de que realmente não estava à espera.

Sem dúvida bem melhor que Karen Marie Moning e mais interessante do que estava à espera de um romance deste género. Fiquei com curiosidade para ler mais livros desta autora (que também tem sido publicada pela SdE). É um bom livro para se ler num dia de férias.

27 de junho de 2009

História de uma cidade

Autor: Debbie Macomber
Género: chick lit
Editora: Harlequin | Nº de páginas: 320
Nota: 3/5

Resumo (da capa): Em Promise, tudo era possível...

Em Promise, toda a gente tinha a sua história. Alguns descendiam de antigas famílias de rancheiros, como os Weston e os Patterson. Também havia aqueles que se tinham mudado recentemente, como a doutora Jane Dickinson e Amy Thorton, duas mulheres que se tinham apaixonado por homens de Promise e pela própria terra. E havia quem tivesse acabado de chegar, como Annie Applegate, que fora à procura de um pouco de paz e que acabar por encontrar o amor...

Opinião: Este livro fez-me lembrar um pouco séries como “Everwood” e “Amor no Alasca”, já que retrata a vida de uma pequena localidade, onde algumas personagens tentam recomeçar a sua vida e, claro, acabam por encontrar o amor.

Não é um grande livro, mas lê-se bem apesar de ter muitas personagens e fios de história que, infelizmente, são pouco desenvolvidos. Algumas personagens deverão ter as suas histórias mais aprofundadas noutros livros desta autora, já que pelo que pude ver no GoodReads, este livro parece ser o sétimo volume da série Heart of Texas. Mas é mesmo pela pouca profundidade das personagens e das várias histórias que o livro peca, já que não é fácil distingui-las a início e não há oportunidade de criar uma grande empatia. Quando há alguma dessa empatia, o leitor não consegue deixar de sentir um certo aborrecimento ao ler as outras histórias e desejar que aquela que mais gosta seja novamente abordada. No entanto, as várias histórias são interessantes, apesar de muito previsíveis.

Apesar de ser parte de uma série, as várias histórias e relações são fáceis de acompanhar, o que faz deste livro uma boa escolha para uma tarde em que não apetece fazer nada, ou para ler ao fim do dia depois de um dia stressante e em que não queremos pensar muito.

Leitura Conjunta (II)

Na próxima segunda-feira começa uma nova Leitura Conjunta no fórum Estante de Livros. Desta vez será debatido o livro Drácula de Bram Stoker. Mais uma vez me confesso algo desejosa de ler o livro, pois este é um daqueles clássicos, uma daquelas histórias, que sempre me fascinou. Como que criou a imagem do vampiro que temos hoje ao trazê-los para o imaginário popular. Duvido que Anne Rice ou Stephenie Meyer teriam sucesso sem a existência deste livro... :P

25 de junho de 2009

Nefertiti

Autor: Nick Drake
Género: Thriller
Editora: Black Swan | Nº de páginas: 448
Nota: 2/5

Resumo (da capa): EGYPT 1800 BC
Power is like fire. It consumes everything. And when it is gone, all that’s left is ash.

Nefertiti – the most beautiful, powerful and charismatic Queen of the ancient world. With her husband, Akhenaten, she rules over an Empire at the peak of its glory and domination. Together, they have built a magnificent new city in the desert on the banks of the Nile. They are about to host kings, dignitaries and leaders from around the Empire for a vast festival to celebrate their triumph.

But suddenly, Nefertiti vanishes.

Rahotep is the youngest chief detective of the Thebes division; a Seeker of Mysteries who knows about shadows and darkness, and who can see patterns where others cannot. His unusual talents earn him a summons to the royal court. Rahotep is given ten days to find the Queen and return her in time for the festival. Success will bring glory - but if he fails, he and his young family will die…

Opinião: Confesso-me um pouco desiludida com este livro. Nunca me conseguiu convencer de que a história se passava no Antigo Egipto. Primeiro, a forma de escrita, tipo diário, parece assemelhar-se a filmes noir, onde não falta a femme fatale. Segundo, termos como “villa” e “forensic” pareceram-me bastante anacrónicos, já que a ideia que se faz de uma “villa” nasce com a época Romana, ou seja, quase um milénio depois da época em que supostamente se passa a acção deste livro, e a palavra “forensic” apresenta mais ou menos o mesmo problema, também aparece com o latim e para designar o debate e não tanto as provas materiais de crimes. Só mesmo os nomes das personagens e a parte histórica chamam então a atenção para o facto da cronologia se situar no Antigo Egipto.

A poucos dias da inauguração da nova cidade de Akhetaton, Nefertiti desaparece colocando em causa a estabilidade do governo de Akhenaton, seu marido, fragilizado devido a dificuldades económicas e pressões externas. Assim, Rahotep é chamado pelo próprio faraó para resolver o mistério e resgatar a rainha a tempo do festival. Pelo meio o “detective” encontra alguns percalços, sobretudo devido aos jogos políticos da corte.

Apesar das expectativas, estas foram goradas já que de mistério parece ter pouco e, apesar de dar algumas luzes sobre esta época algo conturbada do Antigo Egipto, também não satisfaz por aí além em termos históricos. Parece-me que tinha potencialidades para muito mais, mas nem o facto de o protagonista ter que lutar contra o relógio nos consegue agarrar por aí além. As personagens são algo unidimensionais e mesmo Nefertiti parece ter pouco carisma. Sabemos que ela era como que um pilar do governo e da nova religião, mas isso nota-se pouco ao longo do livro e mesmo o seu desaparecimento não se parece coadunar com o seu perfil. Se o autor queria apresentar uma mulher forte, capaz de se imiscuir no governo e aproveitar o seu desaparecimento dos registos históricos para depois a colocar como regente e sucessora de Akhenaton, parece-me que podia tê-lo feito de outra maneira, nomeadamente com esta personagem feminina como protagonista.

24 de junho de 2009

Harry Potter and the Half-Blood Prince (Harry Potter, Livro 6) [áudio-livro]

Autor: J.K. Rowling; Stephen Fry (narrador)
Género: Fantasia
Editora: Bloomsbury Publishing PLC | Nº de páginas: -
Nota: 4/5

Resumo (do site Amazon.co.uk):
In a brief statement on Friday night, Minister for Magic Cornelius Fudge confirmed that He Who Must Not Be Named has returned to this country and is once more active. “It is with great regret that I must confirm that the wizard styling himself Lord - well, you know who I mean - is alive and among us again,” said Fudge.
These dramatic words appeared in the final pages of Harry Potter and the Order of the Phoenix. In the midst of this battle of good and evil, Harry Potter and the Half-Blood Prince takes up the story of Harry Potter’s sixth year at Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry, with Voldemort’s power and followers increasing day by day.

Opinião: Ansiosa pelo sexto filme, até porque agora é que parece que os filmes começam a ficar bons, já que adorei o quinto, o que não posso dizer do livro em que se baseou… Como dizia, ansiosa pelo sexto filme, não podia deixar de reler o livro. Confesso um pouco desapontada, nesta segunda leitura, mas ainda tinha alguns acontecimentos frescos na minha cabeça e, como li a primeira vez em inglês, esta releitura também não veio acrescentar mais piadas ou tornar mais claro certos acontecimentos, como aconteceu com os livros anteriores.

O livro volta a ser mais maduro e sombrio. Temos um início completamente diferente dos outros e mudanças no staff de Hogwarts que trouxe como que uma lufada de ar fresco. Gostei de não ter de aturar com tanta frequência o Hagrid, gostei do Slughorn e só tenho pena de não conhecermos mais das aulas do Snape. O livro é bastante mais interessante que o anterior, desvendando algumas informações sobre Snape, que é e sempre foi de longe a minha personagem preferida, e sobre Voldemort, mas também dando mais destaque a Malfoy que, de facto, nos últimos livros tinha permanecido apenas como uma sombra de todo o potencial que se lhe podia ter sido dado como antagonista escolar de Harry. Para além disto, sei que houve pessoas que não gostaram da inclusão das Horcruxes, mas eu adorei assim como adorei as várias visitas através do Pensatório ao passado de Tom Riddle. Nota-se claramente que Harry está um pouco mais crescido e que Dumbledore, depois de lhe contar toda a verdade, tudo o que lhe tinha omitido durante cerca de 5 anos, passa-lhe então o testemunho e todo o conhecimento que tem sobre Voldemort, já que antevê que não estará por perto muito mais tempo.

Um livro muito bom e que prepara os acontecimentos do derradeiro capítulo.

23 de junho de 2009

Lolita (1962)

Informação técnica no IMDb.

Director: Stanley Kubrick
Escritores: Vladimir Nabokov (adaptação e romance original)
Actores: James Mason, Shelley Winters, Sue Lyon, Peter Sellers
Nota: 4/5

Mais uma vez, depois de ler o livro tinha de ver o filme, sobretudo tratando-se da versão em que o próprio autor trabalhou, adaptando o seu romance ao grande ecrã. Devo dizer, desde já, que não sou fã de Kubrik, adormeci a meio dos únicos dois filmes dele que vi, 2001: Odisseia no Espaço e De Olhos Bem Fechados, pelo que foi uma certa vitória pessoal conseguir permanecer acordada durante o visionamento deste filme.

À semelhança dos filmes mencionados, este tem um ritmo algo lento mas bastante mais agradável de se seguir. Contrariamente ao que acontece no livro, tomamos logo conhecimento do crime praticado por Humbert Humbert, sendo que depois voltamos atrás na história para perceber o que o levou até tal acto. A parte da infância de Humbert encontra-se suprimida no filme, enquanto Clare Quilty, desempenhado brilhantemente por Sellers, ganha um maior destaque do que no livro. A relação entre Humbert e Lolita, que no filme aparece tal e qual eu a tinha imaginado, é subentendida, muito devido à censura americana na época, mas é fácil de acompanhar e não choca tanto como pode acontecer no livro.

O elenco, mais uma vez uma nota especial para Sellers, parece-me que foi bem escolhido, sendo que cada personagem é desempenhada de forma conveniente e fiel ao livro. Tendo o autor do romance original como argumentista, também pode ter contribuído para a fidelidade à obra, apesar das pontuais diferenças próprias para uma melhor compreensão do público. O livro é bastante poético e um bom espelho da alma de Humbert, coisa que seria difícil passar para o grande ecrã, assim como o desfecho da história, onde só “conhecemos” realmente Quilty no final, apesar de aparecerem algumas dicas ao longo do texto, aqui o antagonista de Humbert é-nos apresentado de forma mais conveniente e não parece algo saído da cartola do autor. Outro ponto positivo é que a parte das viagens, bastante aborrecida no livro, é cingida ao mínimo no filme, tornando-se a história bem mais agradável.

Sem dúvida, uma boa adaptação e mesmo uma bela alternativa ao livro.

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