4 de junho de 2009

Lua Nova (Luz e Escuridão, Livro 2)

Autor: Stephenie Meyer
Género: Fantasia urbana
Editora: Gailivro | Nº de páginas: 512
Nota: 3/5

Resumo (da capa): Eu sabia que ambos corríamos perigo de vida. Mesmo assim, naquele instante, senti-me bem. Completa. O coração batia aceleradamente e o sangue corria-me, quente e veloz, nas veias. Os meus pulmões encheram-se do doce aroma que emanava da sua pele. Era como se nunca tivesse havido um buraco no meu peito. Sentia-me óptima – não curada, mas como se nunca tivesse existido qualquer ferida.

Opinião: Este livro pareceu-me um pouco melhor que o anterior, mais interessante, com um pouco mais de acção. Aliás, o início é bastante bom, com Bella, mais uma vez em perigo, onde não esperaria encontrar esse perigo, e com o seu coração a ser despedaçado. Seguimos então a depressão da protagonista, até que um raio de sol entra na sua vida, Jacob Black. Este, ao contrário de Edward, é bastante mais alegre, compreensivo, simpático, inteligente… até que se transforma em lobisomem e parece que temos um dejá-vu, com Jake a sentir-se um monstro, que coloca Bella em perigo e que por isso ela devia afastar-se um pouco… Esse tipo de coisas, a que já tínhamos assistido com Edward. No entanto, este não a faz esquecer o seu grande amor e, quando aquele se encontra em perigo, ela não desiste de ir atrás dele, só para depois se encontrar, como objecto de desejo, no meio de dois inimigos mortais: vampiro e lobisomem.

Como disse, este livro tem mais acção ou melhor, ameaça que terá acção, porque essa quase nunca aparece ou se chega a concretizar satisfatoriamente, para além de ser previsível. Há a ameaça de Victoria, que pouco se aproxima de Bella, é-nos sobretudo apresentada por intermédio dos lobisomens; há a ameaça do perigo que os Volturi representam que, na minha opinião, não se chega a concretizar em pleno, já que a cena simplesmente acaba num martírio de inocentes, enquanto eu esperava que realmente incutisse algum temor a Bella. Pelo contrário, apesar de tudo Bella não se demove, continua a querer ser vampira. E é aqui que chegamos a um contra-senso.

Ora bem, Bella quer ser imortal, uma vampira, para desse modo poder passar a eternidade com Edward (ah! e convém não esquecer que ela quer ser transformada rapidamente para não envelhecer e ficar mais velha, na aparência, que o seu namorado), no entanto, quando aquele lhe diz que a transformará se ela casar com ele, ou seja se tomar um compromisso para a vida, a moça pensa duas e três vezes, e tem dúvidas, até porque a mãe tem alguma coisa contra casamentos antes dos 30 anos. Quer dizer, tem 18 e quer morrer para ficar imortal e passar o resto da sua vida com Edward, mas casar está fora de questão. Acho que alguém tem as prioridades trocadas.

Há semelhança do primeiro volume, lê-se bem e é agradável ao fim de um dia de trabalho, mas o final já deixa a história em suspenso. Percebemos que Bella terá de fazer uma escolha, mas será que consegue? Segue-se Eclipse, livro que suscita opiniões bastante contraditórias. Vamos a ver se é desta que fico convencida…

2 de junho de 2009

Daniel Deronda (2002)

Informação técnica no IMDb.

Director: Tom Hooper
Escritores: Andrew Davies (adaptação) e George Eliot (romance original)
Actores: Hugh Dancy, Romola Garai, Hugh Bonneville
Nota: 4/5

Depois de ter lido o livro é claro que não podia deixar de ver a mini-série da autoria, como sempre, da BBC e mais uma vez não fiquei desiludida.

Apesar de algumas mudanças e do óbvio limite de tempo (a série tem cerca de 3h30 de duração), mantém-se bastante fiel ao original, mostrando-nos, penso que melhor que no livro, a relação entre as duas personagens principais, Gwendolen Harleth e Daniel Deronda. Diga-se que os actores têm também uma bela química, Hugh Dancy e Romola Garai, actores que pouco ainda tinha visto mas que aqui estão realmente muito bem. Foi bem mais fácil torcer por eles nesta adaptação que no livro. Mas os restantes elementos do casting fazem também um trabalho fenomenal, nomeadamente Hugh Bonneville que como Grandcourt estava simplesmente detestável e que, na minha opinião, por vezes sobressai mais que os dois protagonistas, nas cenas em que estão os três. Também gostei de ver actores que já conhecia de outras adaptações de obras literárias pela BBC, como Amanda Root de Persuasão e que aqui desempenha a mãe de Gwendolen, e David Bamber, o inesquecível Mr. Colins de Orgulho e Preconceito, nesta adaptação no papel de Lush, como que o braço direito de Grandcourt. Pensei que Mirah fosse mais bonita, mas a actriz faz um exemplar trabalho mostrando toda a humildade da personagem. Sinceramente, todo o casting é perfeito.

A história encontra-se bastante coerente, só tenho pena que a questão judaica não tenha sido melhor explorada. Daniel aqui parece ter mais o papel de Messias, profetizado por Mordecai, do que propriamente de aluno e seguidor das ideias daquele, como acontece na obra original. Também achei a ligação entre Daniel e Mirah menos próxima, talvez porque vemos menos desta última personagem. Por último, tive pena de ver muito pouco do pequeno Jacob Cohen, que adorei no livro mas é compreensível.

É uma boa adaptação, uma boa maneira de conhecer a história de um bom livro, se bem que algo denso e descritivo. Para quem não tiver paciência para o livro, já que tenho lido algumas críticas negativas (apesar de o ter adorado), aconselho sem dúvida esta adaptação.

1 de junho de 2009

Crepúsculo (Luz e Escuridão, Livro 1)

Autor: Stephenie Meyer
Género: Fantasia urbana
Editora: Gailivro | Nº de páginas: 480
Nota: 3/5

Resumo (da capa): Em três pontos, eu estava absolutamente segura.

Em primeiro lugar, Edward era um vampiro.

Em segundo lugar, uma parte dele – e eu não sabia qual era o poder dessa parte – ansiava pelo meu sangue.

Por fim, em terceiro lugar, eu estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele.


Opinião: Sinceramente, não achei nada por aí além mas consigo ver o porquê de atrair tanta gente, nomeadamente moças. No entanto, confesso que o vampiro não me seduziu por aí além. Digam o que disserem parece-me um stalker e eu não gosto de stalkers. Mas passando ao livro…

Bella muda-se para Forks, após a sua mãe se casar pela segunda vez com um jogador de baseball, o que faz com que viaje bastantes vezes para não ficar longe dele. Bella, que com 17 anos não pode dar-se a esse luxo, decide então ir viver com o pai. Eis que conhece Edward Cullen, que reage de forma bastante estranha assim que a conhece, mas Bella não desiste até descobrir o segredo deste e da sua família – um grupo de vampiros que coloca em causa tudo o que sabia sobre vampiros. Mas há mais perigos, já que Bella, afinal de contas, parece ser um prato bastante apetitoso.

As personagens são bastante básicas, praticamente unidimensionais. Bella é uma rapariga que, claramente, não tem a cabeça no sítio (ok, está apaixonada e isso pode desculpar este problema, em parte…), é algo desastrada, pensa sobretudo no bem-estar dos outros e (gosta) parece estar constantemente a correr perigo de vida. Edward é belo, é lindo, de uma “beleza estonteante”, de uma “desconcertante perfeição” e gosta de namorar a comida. Ah, também parece que é inteligente (apesar de tudo já fez o secundário várias vezes) mas isso não o impede de pensar melhor naquilo que faz e aproxima-se demais de Bella, que salva constantemente apesar de o próprio dizer que ele é o maior perigo de todos para ela. As personagens secundárias são também igualmente bastante superficiais e foi difícil preocupar-me o suficiente com algum deles, nomeadamente com os vampiros que são capazes de tudo e tão perfeitos naquilo que fazem. Por acaso, as personagens humanas parecem bem mais interessantes.

A história tem pouca acção, centrando-se sobretudo na relação dos dois protagonistas. Confesso que gostei mais da parte em que Bella tentava perceber a natureza de Edward, sendo que a partir do momento em que começam a andar há demasiado mel para o meu gosto, chega a ser um pouco enjoativo, revirei por várias vezes os olhos (nunca um bom sinal), e pensei mesmo deixar o livro a meio. No entanto, o diálogo entre o casal não deixa de ser interessante, sobretudo para perceber as reviravoltas que Meyer introduziu ao mito vampírico, se bem que ache a cena da pele brilhar à luz do sol um pouco demais. Mas sendo os maiores predadores, os mais letais, deviam ter alguma coisa que os denunciasse certo? Pelo menos, só assim é que a minha mente consegue aceitar isto.

Apesar de tudo, é um livro que se lê bem, como se fosse um diário de outra pessoa e nós (leitores) muito cuscos, já que a história é contada sob o ponto de vista de Bella. É um livro indicado para quando se pretende algo leve, depois de um dia algo stressante. No entanto, se toda a série não me tivesse sido emprestada, penso que não seria capaz de ler os restantes já que este se safa bem como um stand-alone, apesar de deixar em aberto algumas questões. Assim sendo, segue-se Lua Nova.

Editado a 1/Jan./2010: Porque a saga era para ter continuado sob o ponto de vista do Edward, podem ler uma crítica ao rascunho do quinto livro, que retrata os eventos deste livro mas sob o ponto de vista daquele, aqui.

27 de maio de 2009

Daniel Deronda

Autor: George Eliot
Género: Romance
Editora: Wordsworth Editions | Nº de páginas: 752
Nota: 5/5

Resumo (da capa): George Eliot’s final novel, Daniel Deronda (1876), follows the intertwining lives of the beautiful but spoiled and selfish Gwendolene Harleth and the selfless yet alienated Daniel Deronda, as they search for personal and vocational fulfilment and sympathetic relationship.

Set largely in the degenerate English aristocratic society of the 1860s, Daniel Deronda charts their search for meaningful lives against a background of imperialism, the oppression of women, and racial and religious prejudice. Gwendolen’s attempts to escape a sadistic relationship and atone for past actions catalyse her friendship with Deronda, while his search for origins leads him, via Judaism, to a quest for moral growth.

Eliot’s radical dual narrative constantly challenges all solutions and ensures that the novel is as controversial now, as when it first appeared.

Opinião: Este é um daqueles livros que tive pena de o ler num período tão agitado e em inglês (Abril e Maio foram meses de loucos e o inglês, quando ando exausta, soa estranhamente a chinês ou grego, que são línguas que não domino), pois sinto que há coisas que me passaram um pouco ao lado e que podiam ter feito com que gostasse ainda mais da leitura, se tal é possível porque considero-me já rendida a esta autora, que tem alguns livros editados em português mas este, infelizmente, não se encontra traduzido.

Neste livro seguimos os destinos de Daniel Deronda e Gwendolen Harleth, que conhecem-se por acaso em Leubronn, Alemanha, um lugar conhecido pelos seus jogos de azar. Voltamos então atrás no tempo para conhecer o que levou ambos a encontrarem-se naquele local. O primeiro, criado desde cedo por Sir Hugo Mallinger sem saber qual a sua verdadeira origem, conhecemos como tendo tendência a ajudar os outros sem olhar para si próprio. Já Gwendolen, é-nos mostrada como uma menina mimada, incapaz de sentir verdadeira afeição por qualquer pessoa, à excepção da sua mãe. O encontro destas duas almas terá, no entanto, efeitos para o futuro, seguindo-se depois a narrativa acompanhando a vida de ambos, onde os seus destinos se voltam a entrelaçar e conduzindo-nos então ao desenlace final.

Este é um livro bastante descritivo, nomeadamente no que toca as personagens, às suas lutas interiores e pensamentos, e são estas o ponto forte da história. Confesso que os protagonistas não são os meus preferidos, no entanto não pode passar ao lado a mudança, o crescimento destas personagens, sobretudo no que diz respeito a Gwendolen. Mas a mesma minúcia de descrição foi colocada nas personagens secundárias e deixem-me salientar a força das personagens femininas, que mesmo perante a adversidade não desistem e que chegam a declarar-se contra o papel que a sociedade lhes tinha reservado. Chegamos mesmo a cruzar-nos com uma personagem feminina que se confessa apenas apaixonada pelo palco, que recusa o seu papel como mãe por não ter amor para dar, já que esse amor estava nela destinado ao palco, a uma carreira. Em pleno séc. XIX, em plena era vitoriana, isto deve ter suscitado bastante controvérsia, assim como terá acontecido com o forte pendor judaico deste romance.

É um romance que não deve ser pegado de ânimo leve. Tece uma crítica à sociedade da época, nomeadamente aos casamentos por conveniência, mas também mergulha num movimento judaico que à época começava a ter muitos adeptos e que reclamava a existência de um estado judaico (o Estado de Israel) na Palestina, que se veio a concretizar já no séc. XX, após a Segunda Guerra Mundial, e onde ainda hoje são noticiados conflitos.

Aconselho. Acho que é uma obra fenomenal e tenho pena, como disse, de achar que não apreendi tudo aquilo que tinha para oferecer. Há muitas subtilezas, personagens muito bem construídas e uma história bastante coerente, com uma reviravolta aqui e acolá, e muito agradável de seguir. Sem dúvida um livro para guardar e reler.

21 de maio de 2009

Saga Téméraire (III)

Nem a propósito da última mensagem, referente à publicação do terceiro volume desta série em português...

A autora Naomi Novik actualizou o seu Livejournal dando a conhecer o nome possível para o sexto livro da saga Téméraire, Tongues of Serpents, que será editado no Verão do próximo ano. Mais alguma informação pode ser encontrada aqui.

Desta vez a história parece ter lugar na Austrália, continuando assim a viagem por lugares algo exóticos, seguindo-se a viagens à China e a Istambul, nos segundo e terceiro volumes respectivamente.

Críticas aos primeiros três volumes da saga podem ser lidas aqui.

15 de maio de 2009

Saga Téméraire (II)

Acabei de receber a informação de que o terceiro volume da saga Téméraire, Black Powder War no original (crítica aqui), será publicado em Agosto pela Presença.

Já o li em inglês mas aguardo ansiosamente a publicação em português!

14 de maio de 2009

Lolita

Autor: Vladimir Nabokov
Género: Romance
Editora: Biblioteca Sábado | Nº de páginas: 279
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Humbert Humbert é um professor de meia-idade e Lolita, a filha da sua senhoria, é uma jovenzinha de doze anos perturbadoramente bela e provocante. Com estes elementos foi construída a história da obsessão amorosa mais famosa do século XX, um apaixonante romance de amor que abala todas as consciências ao destapar a poderosa e «perversa» atracção que podem exercer as denominadas «ninfitas». Este itinerário desenfreado pelas estradas da loucura e da morte, que mergulha nas paixões humanas até as levar ao extremo, é também um retrato devastador dos Estados Unidos de meados dos anos cinquenta, com os seus horrores suburbanos e a sua triunfante subcultura.

Opinião: Este é um daqueles livros que, não fosse pela Leitura Conjunta do fórum Estante de Livros, jamais me passaria pela cabeça lê-lo, não devido ao tema que aborda mas porque nunca foi livro que me chamasse verdadeiramente a atenção, apesar da influência que teve e ainda tem na cultura popular (relembro agora um caso em que uma loja teve de deixar de vender camas para meninas já que a linha tinha como nome “Lolita”).

Neste livro, seguimos o relato de Humbert Humbert, que se encontra preso, e que se dispõe a apresentar a história, do que o levou até aquele lugar, ao jurí (ou ao leitor). Humbert conta então que tem um trauma de infância devido a um amor nunca concretizado, em termos sexuais, e que o terá levado a desenvolver uma atracção por “ninfitas” que o próprio descreve:
Entre os limites etários dos nove e dos catorze anos ocorrem donzelas que, a certos viajantes enfeitiçados, duas ou muitas vezes mais velhos do que elas, revelam a sua vera natureza, que não é humana, e sim nínfitica (isto é, demoníaca) – criaturas eleitas que me proponho adesignar por “ninfitas”.
Conhecemos então a “ninfita” de 12 anos que mais o deslumbrou e maravilhou, Dolores ou Lolita, ao ponto de se tornar uma obsessão e, talvez mesmo, amor.

É claro as várias tentativas de Humbert de se desculpar, de justificar a sua atracção e os actos cometidos, nomeadamente, com Lolita. É aqui que surge a discussão. Seria Lolita uma criança assim tão inocente? Podemos condenar Humbert pela sua inclinação, quando já no passado outras figuras (que o próprio nomeia no seu relato) exibiam a mesma predilecção? Quando havia mesmo casamentos reais, em que os noivos tinham uma grande diferença de idades? Este livro coloca assim várias questões do ponto de vista moral que ainda são muito actuais, numa época em que surgem cada vez mais noticiados os crimes de pedofilia, e a própria escrita de Nabokov, que é fantástica, diria mesmo bela, convida à ponderação, mais não seja por a escrita ser de tal modo envolvente que, só recordando e discutindo o tema, se torna a nossa posição mais nítida e por vezes contrária aquela que tínhamos durante a leitura (onde, por defeito, nos aproximamos mais facilmente das ideias e ideais do narrador).

A história, apesar de tudo, parece esmorecer a partir de determinado ponto, com o narrador a repetir-se com alguma frequência, nomeadamente na segunda parte. Não deixa de ser interessante, já que nos apresenta um mundo saído do pós-guerra, onde o tema da sexualidade se encontrava em debate, e podemos ver também uma crítica à classe médica, nomeadamente à psiquiatria que Humbert (ou Nabokov, através da sua personagem) parece desdenhar.

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