30 de março de 2009

Mansfield Park (1983)

Informação técnica no IMDb.

Director: David Giles
Escritores: Ken Taylor (adaptação) e Jane Austen (romance original)
Actores: Sylvestra Le Touzel, Nicholas Farrell, Robert Burbage
Nota: 4/5

Esta é a única versão das que vi que se mantém fiel ao livro original e devo confessar que, mais uma vez como se passou com Ema, prefiro a adaptação ao livro. As partes mais chatas são colocadas de lado e a protagonista, Fanny Price, parece crescer mais aqui que no livro. Também foi mais fácil gostar dela, assim como de todas as outras personagens, à excepção da Tia Norris, como seria de prever, e de Henry Crawford, o que vai bem com os sentimentos de Fanny, mas mesmo assim deviam ser mais dúbias as suas intenções e o actor não consegue desempenhar tão bem essa duplicidade da personagem, como o conseguiu o actor da adaptação de 1999.

Vi esta série, composta por seis episódios, editada em Portugal pela Prisvideo e devo de confessar-me um pouco desiludida com a tradução. No primeiro episódio, “you need to call on” é traduzido por “tem de telefonar a”. Ora bem, os telefones na época, finais do séc. XVIII – início do séc. XIX, não existiam! Há que ter este tipo de pormenores em conta. Eu até pensei que estava a ler mal e voltei atrás, mas está lá. É um erro crucial, a meu ver, e acho que pedir para terem mais cuidado não é pedir muito.

29 de março de 2009

Aquisições (XIX)

Esta semana voltei a adquirir a alguns livros, através do BookMooch:
Já estou a ler o primeiro e a gostar, mas ainda é cedo para dizer o que quer que seja. Segue-se a leitura da pilha, a ver se desta a mando abaixo sem quaisquer outras distrações. O segundo fica, por isso, para mais tarde.

Fire Study (Study Trilogy, Livro 3)

Autor: Maria V. Snyder
Género: Fantasia
Editora: Mira | Nº de páginas: 441
Nota: 2/5

Resumo (da capa): THE APPRENTICESHIP IS OVER. NOW THE REAL TEST HAS BEGUN.

When word that Yelena is a Soulfinder – able to capture and release souls – spreads like wildfire, people grow uneasy. Already Yelena’s unusual abilities and past have set her apart. As the Council debates Yelena’s fate, she receives a disturbing message: a plot is rising against her homeland, led by a murderous sorcerer she has defeated before.

Honour sets Yelena on a path that will test the limits of her skills, and the hope of reuniting with her beloved spurs her onward. Her journey is fraught with allies and enemies. Yelena will have but one chance to prove herself – and save the land she holds dear.


Opinião: Já havia lido, mais uma vez, a crítica da Canochinha (a quem agradeço ter emprestado os livros) que alertava que este livro não era tão bom como os seus predecessores, mas nunca pensei que fosse realmente tão difícil lê-lo e foi com alegria que o coloquei de lado e segui em frente.

O primeiro livro é de longe o melhor, com personagens e uma história interessante. A sua leitura foi mesmo como uma lufada de ar fresco. Já ao segundo, falta algum do carisma das personagens, sendo que a história continua a agarrar-nos. Neste terceiro e último volume, nem personagens nem história se salvam. E devo confessar que senti isto logo no início, a partir do momento em que o Homem Lua (Storyweaver de Yelena, que teria como função orientá-la, através de mensagens crípticas) sofre de claustrofobia. Pois…

Yelena começa a sua viagem, neste último volume, perseguindo Ferde e Cahill de modo a interceptá-los e gorar os seus planos de conquistar forças para atacarem Ixia. No entanto, apercebe-se de que existe um plano maior por detrás de tudo isto.

Nada de novo acontece e a história é mais que previsível. Perdi mesmo a conta às vezes que revirei os olhos, o que não é um bom sinal. Sentimos que andamos de um lado para o outro, sem no entanto nos movermos na história; temos uma super-heroína altruísta, que coloca toda a gente de lado e começa a questionar os seus poderes (a pseudo-profundidade, que me fez desgostar ainda mais da personagem); temos também referências, que se tornam irritantes, aos livros anteriores, como se não os tivéssemos lido, que não desenvolvem em nada a narrativa, e duvido mesmo que alguém que lesse este livro sem ler os outros ficasse esclarecido com tais referências. Não me posso esquecer de referir as sequências de lutas, quase todas cópias do livro anterior. O final também não me satisfez por aí além, mas ao menos uniu os vários fios soltos.

Claramente abaixo dos livros anteriores, vale sobretudo pelo final que, como disse, responde às dúvidas que temos desde o primeiro livro, mas agora acho que passava bem sem ele. Ou pelo menos, sem grande parte deste livro. E continuo sem saber se hei-de pegar no Glass Storm

21 de março de 2009

Magic Study (Study Trilogy, Livro 2)

Autor: Maria V. Snyder
Género: Fantasia
Editora: Mira | Nº de páginas: 419
Nota: 4/5

Resumo (da capa): CONFRONTING THE PAST. CONTROLLING THE FUTURE.

With an execution order on her head, Yelena has no choice but to escape Sitia, the land of her birth. With only a year to master her magic – or face death – Yelena must begin her apprenticeship and travels to the Four Towers of the Magician’s Keep.

But nothing in Sitia is familiar. Not the family to whom she is a stranger. Not the unsettling new facets of her magic. Not the brother who resents her return. As she struggles to understand where she belongs and how to control her rare powers, a rogue magician emerges – and Yelena catches his eye.

Suddenly she is embroiled in battle against good and evil. And once again it will be her magical habilities that will either save her life… or be her downfall.


Opinião: Eu sei que às vezes acontece e já estava preparada pois, quando damos uma nota elevada a um volume inicial de uma série, só podem acontecer duas coisas: ou o nível mantém-se ou cai. Após ter lido a crítica da Canochinha fiquei com algum receio, pelo que as minhas expectativas diminuíram um pouco e não me senti tão defraudada.

Encontramos Yelena mais ao menos onde a deixámos no primeiro volume. Com uma ordem de execução pendendo sobre ela em Ixia, devido aos seus dotes mágicos, foge em direcção ao sul, para Sitia, a sua terra natal, para se reencontrar com a sua família a quem foi roubada e aprender a dominar os seus poderes. Mas nem tudo é fácil. O seu irmão não parece satisfeito com o seu reaparecimento, dúvidas sobre as suas reais intenções levantam-se, para além de que encontra-se à solta um outro mágico que rapta e tortura jovens para obter os seus poderes, um pouco à semelhança do que acontecia no primeiro volume.

Desde o início do livro que me pareceu que faltava algo e só a meio percebi o quê. Para além de preferir o ambiente de Ixia a Sitia, assim como Yelena parece que nós não pertencemos aquele mundo, falta algum carisma às personagens e credibilidade nas relações que as unem. Falta aquilo que me fez gostar do primeiro livro. Os únicos personagens que se mantêm praticamente iguais são Ari e Janco, a todos os outros falta algo: a Yelena falta algum bom senso e torna-se um pouco irritante com tanto voluntarismo; Leif finge ter alguma profundidade e a sua relação no final com Yelena fez-me revirar os olhos, assim como a relação dela com o resto da família, é um instante até confiar quase plenamente neles; os Quatro Mestres de Magia também não convencem por aí além; Cahill (juntamente com o Homem Lua) é o único personagem com algum interesse mas mesmo assim não chega aos calcanhares do Valek do primeiro livro, que neste perde a aura de mistério, aquilo que o tornava tão sedutor. A relação de Valek e Yelena chega a enjoar um pouco e nem ele lhe puxa convenientemente as orelhas.

No entanto, a história é interessante e mantém-nos agarrados ao livro, a querer saber o que vai acontecer a seguir já que a acção não parece parar, daí se calhar o menor desenvolvimento das personagens e suas relações. Na verdade, enquanto no primeiro livro parece que o tempo vai passando a um ritmo agradável, neste acontece tudo a correr. Não admira por isso que tenha gostado das partes mais calmas, como as aulas de Yelena e Irys, fizeram-me mesmo rir como doida no meio do trânsito, assim como as conversas entre Yelena e os cavalos. Percebe-se melhor como funciona a magia, ficamos a conhecer os dotes de Yelena, mas ficam no ar outras questões que espero ver esclarecidas no derradeiro volume.

Já agora um aparte. Também travamos conhecimento com a personagem principal da nova obra da autora, Glass Storm, mas sinceramente não sei o que pode sair dali. Primeiro, há que acabar a leitura desta série…

1808: Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil

Autor: Laurentino Gomes
Género: história (não ficção)
Editora: Dom Quixote | Nº de páginas: 392
Nota: 4/5

Resumo (do site Wook): Nunca algo semelhante tinha acontecido na história de Portugal ou de qualquer outro país europeu.

Em tempo de guerra, reis e rainhas tinham sido destronados ou obrigados a refugiar-se em territórios alheios, mas nenhum deles tinha ido tão longe, a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo. Embora os europeus dominassem colónias imensas em diversos continentes, até àquele momento nenhum rei tinha posto os pés nos seus territórios ultramarinos para uma simples visita - muito menos para ali morar e governar. Era, portanto, um acontecimento sem precedentes tanto para os portugueses, que se achavam na condição de órfãos da sua monarquia da noite para o dia, como para os brasileiros, habituados até então a serem tratados como uma simples colónia de Portugal.

D. João VI foi o único soberano europeu a visitar terras americanas em mais de quatro séculos e foi quem transformou uma colónia num país independente.

No entanto, o seu reinado no Brasil padece de um relativo esquecimento que, quando lembrado, é tratado de forma caricata.

Mas o Brasil de D. João VI não se resume a episódios engraçados. A fuga da família real para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleónicas, revoluções republicanas e escravidão formaram o cenário no qual se deu a mudança da corte portuguesa e a sua instalação no Brasil.

O propósito deste livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte portuguesa no Brasil e tentar devolver os seus protagonistas à dimensão mais correcta possível dos papéis que desempenharam há duzentos anos.

Como se verá, estes personagens podem ser, inacreditavelmente caricatos, mas isso é algo que se poderia dizer de todos os governantes que os seguiram, incluindo alguns actuais.

Opinião: Este livro, escrito de forma brilhante e bastante acessível, foca-se na corte portuguesa no Brasil, após a invasão da Península Ibérica pelas tropas francesas e da ameaça feita por Napoleão, em que prometia apagar a dinastia de Bragança de Portugal. Pressionado pela Inglaterra, que pretendia que Portugal não aderisse ao Bloqueio Continental e mantivesse os seus portos abertos aos navios de guerra, mas também comerciais, ingleses, por um lado e pela França do outro, D. João VI foge para o Brasil de modo a manter a sua coroa e o seu domínio tanto no continente europeu (tido por alguns políticos à época como não sendo “a melhor e mais essencial parte da monarquia”) como no americano.

Chegando ao destino em 1808, seguimos então as mudanças feitas naquele país, até então fechado ao mundo como forma de Portugal manter o seu domínio e o monopólio dos produtos naturais, das riquezas daquele território, mas também de modo a manter a dependência do território americano em relação às manufacturas produzidas em Portugal. Como sede da corte, foi necessário conceder então direitos até então proibidos, e que contribuíram para que o Brasil se unisse, como não o era até então, e ganhasse autonomia em relação ao pequeno país europeu que o controlava, arranjando desse modo as bases para a sua independência, que aconteceria um ano depois de D. João VI ser obrigado a regressar a Portugal.

Gostei da escrita acessível, nota-se que foi escrito por um jornalista e não um historiador, e de algumas comparações entre os acontecimentos de então e os dias de hoje. Foi uma maneira agradável de conhecer mais sobre a história da corte portuguesa no Brasil e a sua contribuição para a sua futura independência, aspecto da história de Portugal que muitas vezes é ignorado ou abordado apenas superficialmente nas aulas de História em Portugal.

18 de março de 2009

Aquisições (XVIII)

E porque hoje me apetece "bloggar" como se não houvesse amanhã...

Devo confessar-me satisfeita comigo mesmo. Tenho conseguido conter-me no que toca à aquisição de livros, até porque segundo a minha lista do GoodReads tenho, em casa, 194 livros por ler (e já sem contar com livros relacionados com o meu curso e que não conto ler, pelo menos tão cedo). Os únicos livros que adquiri durante este período diziam respeito à colecção da revista Sábado e adquiri alguns no BookMooch mas para uma campanha que fico contente por saber que teve sucesso.

No entanto, desejava "mandar abaixo" a pilha de livros que se encontra na minha mesa de cabeceira, até agora sem grande sucesso. Primeiro, porque tenho ido à biblioteca buscar livros para ler no trabalho, relacionados com o mesmo, e numa das últimas idas trouxe também o 1808 de Laurentino Gomes, que tem o sub-título mais sujestivo que alguma vez li - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil. Um livro muito bom, que dá a conhecer a corte portuguesa aquando da sua estadia no Brasil e as transformações que se deram e que levaram à independência daquele país, parte da História de Portugal que geralmente é dada muito superficialmente.

A tarefa de deitar abaixo a pilha, ficou esta semana ainda mais díficl porque a Canochinha, do blog Estante de Livros, fez o favor de me emprestar estes dois:
Claro que tive de começar logo a lê-los... e a pilha continua ali a ameaçar-me todas as noites. Eu prometo que depois me dedido a ela...

Saga Téméraire

Ao ver o post da anaaaatchim! lembrei-me também que há tempos contactei a Editorial Presença numa tentativa de saber datas de novos lançamentos da saga Téméraire. Infelizmente a resposta (que data do dia 11 deste mês) não é das melhores e aqui fica:
Exma. Senhora,

Ainda não temos previsão relativamente à data de publicação do próximo volume da série Téméraire de Naomi Novik.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Departamento Editorial
EDITORIAL PRESENÇA

É uma pena não haver então uma data já que é uma série gostava de acompanhar e tendo em conta que os dois volumes já editados foram publicados com alguns meses de intervalo. Pensei que as coisas já estivessem bem encaminhadas para um terceiro volume.

Já li o terceiro volume em inglês, mas gostava de vê-lo (e lê-lo) publicado na língua de Camões, assim como os restantes volumes, já que a série conta agora com 5 volumes. Fica aqui um voto para que seja então publicado em breve e um pedido para que a editora não deixe esta série a meio.

Outras menções a esta série neste blog aqui e aqui.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...