28 de fevereiro de 2009

Mansfield Park (1999)

Informação técnica no IMDb.

Director: Patricia Rozema
Escritores: Patricia Rozema (adaptação) e Jane Austen (romance original)
Actores: Frances O'Connor, Jonny Lee Miller, James Purefoy
Nota: 4/5

Mais uma vez, esta adaptação afasta-se do livro original e devo dizer que conta a história que eu estava à espera de encontrar, através das várias sinopses e resumos que tinha lido do livro. Aqui o tema da escravatura é mais desenvolvido, assim como a da diferença social de Fanny em relação ao resto da sua família. Fanny Price é uma rapariga inteligente, forte e tem defeitos (!), Edmund também se encontra bem caracterizado e desde sempre apaixonado por Fanny. É por aí que a história difere, mas encontra-se bem explorado e é credível, o que não acontece com a versão que vi anteriormente.

O resto da família também está bem conseguido. Aqui Sir Thomas é desprezível, mas nota-se uma clara mudança no final. Tom, desempenhado por James Purefoy, não é apenas um libertino, tem claras convicções morais. Não posso deixar de ver a sua vida de libertino como sendo uma revolta contra a forma pela qual a sua família tem, então, tanta riqueza. Só não gostei muito da actriz a fazer de Maria Bertram, que supostamente deveria ser muito bonita… Também gostei do Henry Crawford desta versão, muito mais charmoso e com intenções bem mais claras que na versão anterior, e a sua acção no final não choca, até certo ponto é fácil de entender o porquê de tal feito.

Apesar de se afastar do original, a história encontra-se muito bem conseguida e, mesmo, o que eu esperava desde o início. Das versões cinematográficas que vi, é desde já a melhor, mas ainda resta ver a série da BBC dos anos 80…

24 de fevereiro de 2009

Mansfield Park (2007)

Informação técnica no IMDb.

Director: Iain B. MacDonald
Escritores: Maggie Wadey (adaptação) e Jane Austen (romance original)
Actores: Billie Piper, Blake Ritson, James D'Arcy
Nota: 3/5

De todas as adaptações que vi dos livros de Jane Austen, penso que esta é a que mais se afasta do original, na medida em que partes são cortadas, outras são modificadas, e assim são também mudados os diálogos. Mas a maior diferença está na personagem de Fanny. Enquanto que no livro ela é descrita como sendo uma moça frágil, que mal pode andar durante 15 minutos sem se cansar, nesta adaptação ela corre, salta, dança… sem se afoguear. Sendo que era essa imagem de moça frágil que mais me fazia revirar os olhos ao longo da leitura, era de supor que gostaria da sua versão televisiva. Mas nem por isso. Acho que tenho algum problema com a Billie Piper, já na série "Doctor Who" não vou muito à bola com ela, e nesta adaptação também não lhe podia ser mais indiferente.

Mais uma vez gostei de Sir Thomas e mesmo a Lady Bertram, que também se afasta do original, é bem mais aprazível. Gostei de como conseguiram dar o tal sentido dúbio às acções de Henry Crawford, tanto no que toca a Fanny como às irmãs Bertram. Pena é, que não se perceba realmente, como acontece no final do livro, as verdadeiras intenções para com Fanny. Mrs Norris é talvez a personagem que mais se aproxima da descrição de Austen, e também está muito bem nesta versão.

O meu maior problema com esta adaptação nem foi as diferenças, as liberdades tomadas em relação ao original. Entendo que se seguissem ponto por ponto o livro, os custos seriam maiores bem como o tempo de filme. Mas tive um sério problema com a velocidade a que as coisas se processam na adaptação. Parece acontecer tudo de um dia para o outro e não no espaço de um ano, como acontece no livro. O mais flagrante foi mesmo o final onde, de um momento para o outro, Edmund olha para a Fanny e zás!, fica apaixonado.

É uma boa maneira de desfrutar desta história, apesar de tudo, mas espero que haja versões melhores que esta.

Mansfield Park

Autor: Jane Austen
Género: Romance
Editora: Wordsworth Classics |Nº de páginas: 472
Nota: 3/5

Resumo (da capa): Adultery is not a typical Jane Austen theme, but when it disturbs the relatevely peaceful household at Mansfield Park, it has quite unexpected effects.

The diffident and much put-upon heroine Fanny Price has to struggle to cope with the results, re-examinig her own feelings while enduring the cheerful amorality, old-fashioned indifference and priggish disapproval of those around her.

Opinião: Neste livro, seguimos a história de Fanny Price, uma jovem rapariga que aos 10 anos de idade, vai viver com os seus tios, Lady e Sir Bertram. Aí, sendo a relação pobre da família, não consegue deixar de se sentir inferior aos restantes, sendo Edmund, o seu primo, a excepção, tratando-a sempre com muito cuidado e amizade. Com o passar dos anos, acaba por sentir mais por Edmund do que apenas o amor de uma prima, mas a chegada dos irmãos Crawford, Mary e Henry, vem destabilizar a sua pacata existência.

Sinto-me desiludida com a autora mais uma vez, a única outra vez em que me senti assim foi com o seu Ema. A heroína não me agradou por aí além, bastante mais fraca (mal pode andar 15 minutos que fica exausta) e mais facilmente persuadida que Anne Elliot de Persuasão, sobretudo no que toca a ideias e ideais onde se deixa guiar quase sempre pelo “herói”, Edmund Bertram. No entanto, nota-se que vai crescendo um pouco (não tanto como Catherine Morland de Northanger Abbey, é certo) e há que aplaudir a sua convicção moral e a sua força em resistir e fincar o pé, quando entende que há algum erro nos actos do resto da sua companhia.

O resto das personagens também não é assim tão cativante por aí além. Edmund chega a ser um pouco irritante, as irmãs Bertram também não têm muito que as recomende, os Crawford idem. Na verdade, cheguei a gostar mais de Sir Thomas e a entende-lo melhor que ao resto das personagens.

A história, felizmente, é um pouco mais interessante, ainda que um pouco parada, que as personagens, mas tenho pena que o tal adultério, cuja sinopse fazia alusão, tenha tão pouca importância na história, já que só aparece quase mesmo no final. O resto do livro debruça-se, mais uma vez, sobre o estilo de vida e o carácter das pessoas em sociedade, e é aí que Jane Austen, mais uma vez, mostra o seu valor.

Vale mais pela história, a pequena visão sobre a sociedade rural da época, do que propriamente pelas personagens.

22 de fevereiro de 2009

Aquisições (XVII)

Mais uma vez, esta semana, adquiri dois livros, sem contar com o da revista Sábado, sem pagar quase nada por isso!
Via BookMooch: Via troca com uma utilizadora do fórum Estante de Livros:

Tomei conhecimento do primeiro por essa internet fora e fiquei com alguma curiosidade. Vamos a ver como será. Já o segundo, vem no seguimento de eu querer ler os livros de Eça, após ter adorado a leitura dos seus Contos.

Acho que vou tornar esta rúbrica mensal, ou este blog fica inundado de posts sobre aquisições... Ou então tenho que começar a ler mais... :P

6 coisas 6 links

Gostava de agradecer à PallasAthena este prémio (?).
Aqui ficam as regras:
1. Linkar a pessoa que o/a indicou.
2. Escrever as
regras no blogue.
3. Contar 6 coisas aleatórias sobre si.
4. Indicar
mais 6 pessoas e colocar os links respectivos no final do post.
5. Deixe a
pessoa saber que a indicou, deixando um comentário para ela.
6. Deixe os
indicados saberem quando você publicar seu post.
Sobre mim:
  1. Tenho o mau hábito de roer as unhas.
  2. Como boa leitora compulsiva, que gosto de pensar que sou ( :P ), ando sempre com pelo menos um livro na minha mala, ou com um áudio-livro no meu MP3.
  3. Já pratiquei pólo aquático. Era guarda-redes.
  4. Tenho dois canários.
  5. Sou viciada em cafeína.
  6. E em chocolates, mas menos do que em café...

Gostaria de ficar a saber mais sobre:
  1. espirros
  2. Leituras e Devaneios
  3. Livros, Livros e mais Livros
  4. Nefertiri's Book Blog
  5. O Cantinho do Bookoholic
  6. Vidas Desfolhadas

18 de fevereiro de 2009

Contos

Autor: Eça de Queirós
Género: Romance
Editora: Livros do Brasil | Nº de páginas: 269
Nota: 4/5

Opinião: Li este livro no âmbito de uma Leitura Conjunta, uma iniciativa do fórum Estante de Livros. Não participei muito na discussão, já que problemas fizeram com que não dedicasse a atenção suficiente ao livro e não lesse os contos no prazo definido, mas isso não quer dizer que não tenha gostado. Antes pelo contrário, adorei.

A minha primeira incursão em Eça foi, como acontece com quase todos os jovens, com a obra Os Maias. Não quer dizer que a história não seja boa, mas quando o li, ou tentei ler porque fiquei-me pelo quarto capítulo, não tinha a maturidade ou a paciência suficiente para aquele tipo de leitura. Era mais virada para livros menos descritivos e um pouco mais fantasiosos, como As Mulheres da Casa do Tigre da Marion Zimmer Bradley, autora que, por incrível que pareça, agora não consigo ler, ou sou eu que tenho algum tipo de problema com As Brumas de Avalon… Mas onde é que eu ia? Eça era muito romântico e descritivo para meu gosto, apesar de gostar da sua prosa. Ainda me lembro de como fiquei maravilhada com a descrição do Ramalhete, mas tirar apontamentos e ler, dissecar as palavras usadas, ter a obrigatoriedade de ler o livro tira algo à leitura e era muito aborrecido.

Apesar, de como disse a início, ter lido no âmbito de uma leitura conjunta, resolvi não o enfrentar como uma “tarefa escolar” mas lê-lo, como leio todos os outros livros, fazendo depois uma pequena apreciação, como as que tenho feito aqui. Posso dizer que redescobri Eça! O seu humor, a sua sátira e crítica, o seu toque de génio ao apresentar-nos as personagens, que desde logo se tornam nossos grandes conhecidos, é fantástico.

Adorei sobretudo o conto “Civilização”, que depois terá dado origem ao livro A Cidade e as Serras que conto ler em breve, e acho que ainda hoje é bastante actual. Eu pelo menos revi-me nele. Jacinto, que se encontrava rodeado de todas as grandes obras literárias das maiores civilizações alguma vez existentes e rodeado da melhor tecnologia, só se sente satisfeito quando, pela primeira vez, entra em contacto com a vida do campo, com a ruralidade. Uma excelente sátira ao mundo do séc. XIX, quando se dá um grande avanço no que toca a inovações tecnológicas, e mostrando a futilidade destas invenções valorizando antes o trabalho e o ar no campo, o contacto com a Natureza, que se perdeu entretanto.

Outro conto, de que gostei particularmente, foi “Adão e Eva no Paraíso”, onde penso que Eça faz um bom trabalho ao juntar a história bíblica da Criação com a teoria evolucionista de Darwin. Achei curioso Adão “nascer” caindo de uma árvore e como ele fica com a morte, já que é ele (o homem) que caça enquanto Eva (a mulher) gera vida, não só no seu útero mas semeando, bem como acolhendo e domesticando animais.

Gostei de Eça.

15 de fevereiro de 2009

Harry Potter and the Chamber of Secrets (Harry Potter, Livro 2) [áudio-livro]

Autor: J.K. Rowling; Stephen Fry (narrador)
Género: Fantasia
Editora: Cover to Cover Cassettes Ltd | Nº de páginas: -
Nota: 4/5

Resumo (do site Amazon.co.uk): Harry Potter is a wizard. He is in his second year at Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry. Little does he know that this year will be just as eventful as the last even getting there is an adventure in itself! The three firm friends, Harry, Ron and Hermione, are soon immersed in the daily round of Potions, Herbology, Charms, Defence Against the Dark Arts, and Quidditch. But then horrible and mysterious things begin to happen. Harry keeps hearing strange voices, sinister and dark messages appear on the wall, and then Ron's sister Ginny disappears.

Opinião: O tom infantil continua presente neste livro, mas há também um maior tom negro, afinal há um sentimento de perigo por quase todo o livro e mesmo a eminência de mortes. Uma boa continuação para esta série. Já agora, tendo lido todos os livros anteriormente e sabendo como toda a história acaba, não deixa de ser interessante como certas palavras e acções tomam um outro sentido tendo em conta os futuros desenvolvimentos, o que mostra que a autora já tinha toda a história bem delineada desde o início.

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