Autor: Naomi Novik
Género: Fantasia histórica
Editora: Editorial Presença
| Nº de páginas: 285
Nota: 4/5
Resumo (da capa)
: Imagine-se o leitor em pleno decurso das Guerras Napoleónicas. Com uma ligeira alteração... os combates travam-se, não somente em terra ou no mar, mas também... nos céus. Num tempo alternativo, o planeta é compartilhado por duas espécies igualmente inteligentes: os humanos e os dragões. Estes associam-se aos homens quando à nascença recebem o arnês das mãos de um deles, criando um vínculo quase simbiótico que perdura ao longo das suas vidas. Seres magníficos e poderosos, além de capazes de voar, os dragões transportam toda uma tripulação de aviadores, acrescentando um devastador contributo às batalhas. Foi assim que o capitão Will Laurence viu a sua vida mudar de um dia para o outro quando abalroou uma fragata francesa e capturou um ovo de uma espécie muito rara de dragões, oferta do Imperador da China ao próprio Napoleão. Naomi Novik estreia-se com esta epopeia histórica pensada ao pormenor a todos os níveis da narrativa, inaugurando uma nova era na literatura fantástica. Críticos, escritores e leitores em geral têm testemunhado de forma unânime o seu fascínio e, entre eles, conta-se um leitor muito especial - Peter Jackson, o realizador de O Senhor dos Anéis
- que adquiriu já os direitos da série para o cinema.Opinião: Por incrível que pareça, tomei conhecimento desta série devido à minha paixão pelos livros de Tolkien e fiquei satisfeitíssima por saber que Peter Jackson deverá adaptar estes livros ao cinema.
Encontrei menção a esta série no site da minha ilustradora favorita das obras de Tolkien,
Anke Eissman, em que a mesma dizia ter gostado da série devido ao facto de juntar dragões e guerras napoleónicas. Começando eu a mergulhar no universo Sharpe, herói de
Bernard Cornwell, cuja acção também decorre aquando das guerras napoleónicas, e desde sempre tendo um especial apreço por dragões, mantive durante bastante tempo esta série debaixo de olho. A espera valeu a pena.
A história começa a bordo de um navio francês, abordado e conquistado pelos britânicos que encontram um ovo de dragão prestes a chocar. Não havendo nenhum aviador ou especialista em dragões entre os tripulantes do navio, estes ficam um pouco atrapalhados até que por fim o dragão escolhe o capitão Laurence para ser o seu tratador. Este, de forma reticente, lá se deixa convencer de que a sua vida está para sempre mudada enquanto se vai afeiçoando ao dragão.
A autora leva-nos então através do treino do dragão e do seu aviador, em que ambos ficam a conhecer não só um e outro mas também a si próprios. Vemos um certo conflito entre as mentalidades da Marinha, para onde geralmente iam os filhos segundos e aqueles que desejavam ter alguma fortuna, e a dos aviadores, mais libertinos e, supostamente, condenados a uma vida bastante difícil. As personagens humanas são bastante aprazíveis, tais como os dragões, que são claramente distintos. A personagem que mais me agradou foi de facto Téméraire, já que acompanhamos toda a sua evolução. Não se pode deixar de o comparar a uma criança pequena, que tudo a seduz e com uma grande sede de conhecer o mundo. As batalhas são muito bem descritas, é como ter uma RAF antes das duas Guerras Mundiais.
Bastante interessante, é também inovador e a história muito bem construída, já que ao pegar em dois temas distintos, até certo ponto, as coisas poderiam ter corrido mal. Felizmente não aconteceu. Aconselho-o a quem gosta de História com um pouco de fantasia. A quem se pergunta “como teria sido este bocado da história se criaturas fantásticas realmente existissem?”