30 de outubro de 2007

O Telescópio de Âmbar (Mundos Paralelos, Livro 3)

Autor: Philip Pullman
Género: Fantasia
Editora: Presença | Nº de páginas: 469
Nota: 3/5

Resumo (do site Editorial Presença): O último título da trilogia Mundos Paralelos O Telescópio de Âmbar- consagra Philip Pullman como um escritor que alia a popularidade à qualidade literária. Assim, com este livro Pullman foi o primeiro autor de literatura infantil a ser distinguido com o 'Whitbread Book of The Year Award', inaugurando este galardão com o primeiro romance para crianças. Mas na verdade, o público alvo desta trilogia é mais juvenil, já que o universo da acção se desenrola num mundo adulto, sendo os adolescentes os leitores mais receptivos a esta saga. O Telescópio de Âmbar recebeu ainda o 'Children’s Book of The Year Award' e foi nomeado para o 'Booker Prize'.

Traduzido para mais de 20 línguas em todo o mundo, este terceiro volume, considerado por muitos uma obra-prima, completa esta trilogia revelando-a como um incontornável clássico, que será adaptado ao cinema.


Opinião: Finalmente a conclusão! E digo isto com algum alívio pois, tal como o segundo volume, levou-me mais tempo a lê-lo do que esperava e mais uma vez fiquei com um certo amargo de boca no final, voltando a ficar um pouco aquém das minhas expectativas.

Tal como o volume anterior, este nunca chegou aos pés do primeiro. Não sei o que teria o primeiro de tão especial, talvez um outro tipo de inocência, mas o certo é que tanto o segundo e o terceiro nunca me agarraram como o primeiro. Mesmo a escrita parecia-me mais bem conseguida no primeiro volume, fazendo a luta entre os ursos blindados mais bem conseguida que a batalha, supostamente monumental, presente neste último volume.

No entanto, e apesar de ter ficado um pouco aquém do que estava à espera, o final surpreendeu-me. Gostei de como Lyra e Will descobriram-se um ao outro, por assim dizer, e o papel de Mary como serpente. Era notório a evolução da relação de ambos e a história de Mary foi uma maneira linda de ambos descobrirem tais emoções. Também gostei de como Lord Asriel e a Sra. Coulter se sacrificaram para dar uma hipótese a Lyra. Por uma vez terão actuado como pais.

Achei também curioso, e aí há que elogiar o génio de Pullman, como ele conseguiu fazer dos adultos tão extremistas ao ponto de a luta, entre a Igreja e os que desejavam acabar com ela, parecer quase uma birra entre crianças cada um exigindo o seu direito a um rebuçado; enquanto que as crianças pareciam realmente os seres responsáveis e capazes de carregar o mundo às suas costas. Uma troca bem conseguida. Na verdade, as personagens são, talvez, o melhor de toda a trilogia. Não são só apelativas, como é vísivel um crescimento, nomeadamente das duas personagens principais que passam da infância à adolescência.

No todo, a trilogia é interessante mas já li melhor.

29 de outubro de 2007

A Torre dos Anjos (Mundos Paralelos, Livro 2)

Autor: Philip Pullman
Género: Fantasia
Editora: Presença | Nº de páginas: 293
Rating: 3/5

Resumo (do site Editorial Presença): Depois de Os Reinos do Norte, segue-se agora A Torre dos Anjos, o segundo volume da fantástica trilogia Mundos Paralelos. Neste livro, Will, um jovem com apenas 12 anos carrega uma pesada recordação: matou um homem. Mas há outra circunstância que lhe inquieta o coração – o estranho desaparecimento do seu pai. Assim, na tentativa de descobrir o que se passou, Will salta por uma janela para outro mundo, o mundo de Cittagazze. Aí conhece Lyra, que tal como ele tem uma missão a cumprir. Mas nesta nova realidade os acontecimentos bizarros despertam uma atmosfera misteriosa, que se desenrola como pano de fundo da Torre dos Anjos, onde está guardado um poderoso segredo…

Esta é um livro onde, à luz da mitologia escandinava e da tradição cristã, o autor explora a possibilidade de existirem mundos paralelos, abrindo caminho no campo da subjectividade.

Opinião: Li o primeiro livro desta trilogia há já alguns meses e esperei impacientemente por este volume, pelo que este livro deixou-me com algum amargo de boca no final. Não estou a dizer que seja mau, só não correspondeu às minhas expectativas.

O livro começa com o ponto de vista de uma outra personagem, Will, que ao contrário da protagonista do primeiro livro, Lyra, vem do nosso mundo e foi obrigado a “crescer” bastante cedo. Ele junta-se a Lyra após passar por uma janela no ar, e descobre que, tal como ela, tem também uma missão.

E é mais ao menos isto que acontece no livro. Se o primeiro serviu para conhecermos Lyra, este introduz-nos a Will e rapidamente percebemos que são estas duas personagens, às quais talvez possamos juntar também Mary que, tal como Will, é natural do nosso mundo e apresentada neste volume, que terão de carregar o destino nas suas costas, mais não seja porque parecem ter de repetir uma segunda “Queda do Homem”.

Este livro serve assim de ponte entre o primeiro e o terceiro, sendo que nenhum deles vinga por si próprio.

The Mysterious Affair at Styles


Autor: Agatha Christie
Género: Mistério
Editora: Berkley Publishing Group | Nº de páginas: 208
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Introducing Hercule Poirot, the brilliant – and eccentric – detective who, at a friend’s request, steps out of retirement – and into the shadows of a classic mystery on the outskirts of Essex. The victim is the wealthy mistress of Styles Court, found in her locked bedroom with the name of her late husband on her dying lips. Poirot has a few questions for her fortune-hunting new spouse, her aimless stepsons, her private doctor, and her hired companion. The answers are positively poisonous. Who’s responsible, and why, can only be revealed by the master detective himself.

Opinião: Já tinha lido este livro há alguns anos, pelo que voltei a pegar nele pensando que desta vez o génio de Agatha Christie, perito em guiar-nos por pistas que nos afastam do verdadeiro assassino, não conseguiria enganar-me de novo. Mas assim o fez! A história encontra-se de tal modo tão bem tecida e escrita que, tal como Poirot faz ao Capitão Hastings, Agatha vai apresentando novas pistas que colocam em dúvida tudo aquilo que antes tínhamos como certeza absoluta, levando-nos a desconfiar de toda a gente. É fantástico como ela consegue usar a palavra escrita. Consegue com mestria desviar a atenção do leitor dos pequenos pormenores, focando a nossa atenção ao longo do livro nas grandes revelações, que acabam por não significar nada no final. Estranhamente, penso que seria o que aconteceria se nós leitores, nos encontrássemos perante tal situação na vida real. Numa palavra, Agatha Christie é simplesmente genial.

Os Europeus

Autor: Henry James
Género:
Romance
Editora: Publicações Europa-América | Nº de páginas: 136
Nota: 2/5

Resumo (da capa): “Temos de ser cuidadosos. Esta é uma grande mudança; e estamos prestes a ser expostos a peculiares influências.”

Eugenia, baronesa Münster, mulher de um príncipe alemão que deseja ver-se livre dela, atravessa o oceano com o seu irmão Félix em busca dos seus parentes americanos. A sua viagem é impulsionada – assim diz Eugenia – por bons sentimentos; mas a baronesa pretende também procurar fortuna. A chegada destes visitantes é vista pelos Wentworths, dos subúrbios de Bóston, com admiração e alguma apreensão.

Não menos alarmante é o fascínio que a brilhante Eugenia imprime nas suas impressionáveis primas e no mais mundano vizinho delas, Robert Acton.

Conseguirá o seu espírito irrequieto assimilar os sólidos princípios dos familiares de Nova Inglaterra e encontrar na sua fortuna um lugar seguro?

Enquanto Eugenia parece, definitivamente, apostada em destabilizar todos, Félix difunde um charme rejuvenescedor entre os seus anfitriões.

Opinião: Peguei neste livro um pouco por acaso, incentivada por críticas em que o comparavam aos trabalhos de Jane Austen. No entanto, de semelhante pouco tem, sem ser os desentendimentos amorosos. Por muito que o romance me interesse, afinal de contas sou uma rapariga como todas as outras e que sonha em encontrar o seu Mr Darcy (ou melhor, no meu caso um Capitão Wentworth), o que mais gosto nas obras de Austen é a sua crítica à sociedade, coisa que este livro praticamente não tem.

Esta é a história de dois irmãos, que partem para a América em busca dos seus primos mas também com o secreto desejo de, por parte de Eugenia, uma mulher brilhante e casada com um príncipe alemão que a deseja repudiar, encontrar um homem bem sucedido na vida para assim concretizar a separação e continuar a viver bem, como estava habituada na Europa. Chegados a Bóston, são recebidos pelos seus primos, os Wentworth (sem relação com o Capitão de Jane Austen), uma família puritana.

Pondo as coisas desta forma, a história oferecia uma grande oportunidade para criticar, e comparar, tanto a sociedade americana como a sociedade europeia à época, mas quase não o faz ou fá-lo muito superficialmente. A crítica parece cingir-se a “família puritana vs. estrangeiros liberais” e nem isso é explorado da melhor forma. As personagens também não me conseguiram cativar, pouco me importando o destino que tiveram.

8 de outubro de 2007

The Laughing Corpse

Autor: Laurell K. Hamilton
Género: Fantasia urbana
Editora: Ace | Nº de páginas: 293
Nota: 3/5

Resumo (da capa): “The older the zombie, the bigger the death needed to raise it.”

After a few centuries, the only death “big enough” is a human sacrifice. I know, because I’m an animator. My name is Anita Blake.

Working for Animators, Inc., is just a job – like selling insurance. But all the money in the world wasn’t enough for me to take on the particular job Harold Gaynor was offering.

Somebody else did, though – a rogue animator. Now he’s not just raising the dead… he’s raising Hell.

And it’s up to me to stop it…

Opinião: Li este segundo livro da série “Anita Blake Vampire Slayer” sem ter acabado o primeiro, Guilty Pleasures, do que disponho em e-book, formato que não aprecio muito. No entanto, não tive dificuldades em progredir na leitura, já que não há muito que passe de um livro para o outro, a não ser o facto de Anita possuir duas marcas que fazem dela “human servant” do vampiro Jean-Claude, agora “Master of the City”.

Contado na primeira pessoa, assemelha-se um pouco a uma história de detectives, estando Anita encarregada de descobrir o que, e quem, se encontra por detrás de mortes violentas, ao mesmo tempo que tenta evitar o milionário Harold Gaynor e Dominga Salvador, que desejam usufruir dos seus poderes como “animator”, chegando ao ponto de ameaçarem a sua vida.

A história não é assim nada de outro mundo, tal como a escrita, mas entretém quando não se tem mais nada para ler. A descrição “gore” não me fez assim tanta confusão, ao contrário das personagens, que são a coisinha mais fraca e chata que já li.

A Quarta Aliança

Autor: Gonzalo Giner
Género: Thriller
Editora: "Colecção Enigmas da História" | Nº de páginas: 397
Nota: 2/5

Resumo (da capa): Fernando Luengo, um joalheiro madrileno, recebe um estranho pacote, que deveria ter sido recebido pelo seu defunto pai no ano de 1933. O seu surpreendente conteúdo, um bracelete, resulta ter mais de 3300 anos de antiguidade. Ajudado pela sua fiel e jovem colaboradora Mónica, Fernando decide investigar a origem da jóia. A sua investigação desenterrará uma inquietante e enigmática intriga que arrastará as personagens por diversos cenários históricos: a terra prometida de Moisés, a conquista de Jerusalém durante a primeira Cruzada, os últimos dias da heresia cátara, as disputas dos templários em pleno século XIII, as lutas de poder entre o papa Inocêncio IV e os príncipes europeus, o reaparecimento de uma seita judaica séculos depois da sua extinção...

Com a ajuda de Lucía, uma perspicaz historiadora, Fernando descobre uma constante em todos os acontecimentos que aborda: a presença de objectos sagrados de extraordinária transcendência que os protagonistas de todas as épocas ambicionam possuir para desencadearem ou para se oporem a uns obscuros planos apocalípticos.

Um papiro resgatado das covas do Mar Morto proporcionar-lhes-á a chave para averiguarem a verdade e trazerem à luz uma profecia cujas consequências desconhecem.

Opinião: Mais um livro que veio da onda criada pel’O Código Da Vinci. No entanto é uma pena que tendo uma premissa interessante, se torne uma leitura aborrecida de tão artificial que a história se revela. Tudo no livro parece forçado: os diálogos, as relações entre as personagens e mesmo as situações que ajudam a história a progredir.

Os capítulos saltam entre duas linhas temporais, uma actual, a decorrer no ano de 2002, e em que seguimos os personagens Fernando, Mónica e Lucía, que se constituem também como um triângulo amoroso; a outra num tempo passado, passando-se maioritariamente no ano de 1244, havendo no entanto um salto até 1099 num dos capítulos iniciais. Se os capítulos dedicados à última parecem bem conseguidos, debruçando-se sobre a demanda medieval de vários personagens em busca dos símbolos das anteriores alianças de Iavé com o Homem, mantendo o leitor algo preso e a ansiar pelo que vem a seguir, a acção a decorrer no ano 2002 é quase como um turn-off, sendo das piores coisas que o livro tem. É nesses capítulos que se nota a maior artificialidade nos diálogos e nas relações entre as personagens, até o triângulo amoroso parece rídiculo e torna-se aborrecido.

A juntar a isto uma escrita quase infantil. Não é que eu escreva melhor, mas eu não sou publicada nem tenho aspirações a isso…

5 de outubro de 2007

Dr. Jekyll and Mr. Hyde

Autor: Robert Louis Stevenson
Género: Mistério
Editora: Penguin Classics | Nº de páginas: 88
Nota: 4/5

Resumo (da capa): Dr Henry Jekyll’s friends are horrified by his acquaintance with the vile and villainous Edward Hyde. Jekyll seems unable and unwilling to escape the clutches of this man, whose crimes and appetites become ever more unspeakable. But what terrible secret gives Hyde his power?

Opinião: Apesar de ser um livro bastante pequeno, demorou-me bastante tempo a lê-lo. O ritmo é algo lento, não tem muitas situações, girando sobretudo em torno da questão “quem é Mr Hyde e como tem tanto poder sobre o Dr Jekyll?” Isto é revelado nos últimos capítulos, a parte mais interessante de todo o livro e que nos leva a questionar sobre a natureza dual do Homem. O último capítulo consegue ser realmente magnífico, mostrando as duas partes em disputa: uma a querer saciar todos os seus apetites, aproveitando o facto de a sua ‘outra metade’ ser respeitável e assim conseguir iludir a sociedade que o persegue pelos seus crimes; a outra a tentar ocultar esses mesmos apetites e a remediar os crimes perpetrados pelo seu ‘lado maligno’, sem poder contar com o apoio de qualquer amigo exactamente por temer a sociedade.

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