Mostrar mensagens com a etiqueta género: romance. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta género: romance. Mostrar todas as mensagens

9 de dezembro de 2014

O Sentido do Fim

Autor: Julian Barnes
Ficção | Género: romance
Editora: Quetzal | Ano: 2011 | Formato: livro | Nº de páginas: 152 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: salvo erro em 2012 e foi prenda de natal do mano.

Quando e porque peguei nele: 3 a 5 de novembro, porque estava constantemente a chamar por mim. Sim, os livros às vezes chamam-me.


Opinião: Este livro chamou-me a atenção não por ter ganho o Man Booker Prize (embora me tenha levado a manter o autor debaixo de olho) mas pela belíssima capa original, já que havia tropeçado num vídeo em que mostrava a evolução do conceito gráfico para o design final. De resto, pouco ou nada sabia mas convenci o meu irmão a oferecer-mo num dos últimos natais e, apesar de saber que a Telma não tinha ficado impressionada, tentei não desanimar com as opiniões menos boas.

Apesar de o protagonista não me ter cativado, acho mesmo que não chegou a aprender nada com tudo aquilo porque passou, achei a escrita belíssima e com ponderações nas quais me revi um pouco. Adorei as reflexões sobre a memória, como apercebemos as nossas ações e a de outros, como tudo acaba por ser percebido de forma diferente, uma vez que não somos imparciais e, claro está, tentamos contar uma história em que somos o bom da fita, em que se há algo a apontar, a culpa é dos outros, que nos magoaram, que não fizeram o que achamos que deveriam ter feito não correspondendo às nossas expetativas.

Também foi interessante perceber como os nossos atos bem pensados ou não, podem ter influência e mudar a vida das outras pessoas, acabando por ter uma mão no destino das mesmas.

Enfim, não direi que merece ou não o prémio que ganhou, até porque não sei com que livros competia (chego sempre tarde à festa, já que não sou muito de ler as novidades nos anos em que são editados), mas é sem dúvida uma história que convida o leitor a ponderar sobre o seu passado e atitudes e penso que só por isso vale a pena. Além de que a escrita é realmente belíssima e se já tinha curiosidade em conhecer a obra do autor depois de ter lido entrevistas suas e perceber sobre o que é que escreve, ainda com mais vontade fiquei de devorar as suas restantes obras.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

8 de dezembro de 2014

Vasto Mar de Sargaços

Autor: Jean Rhys
Ficção | Género: romance
Editora: Biblioteca Sábado | Ano: 2009 (publicado originalmente em 1966) | Formato: livro | Nº de páginas: 179 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: fiz a coleção da Biblioteca Sábado.

Quando e porque peguei nele: 30 de outubro a 3 de novembro. Tinha lido o Jane Eyre à pouco tempo e como tinha ouvido dizer que era uma prequela, achei que era melhor ler este que reler o livro da Charlotte Brontë.


Opinião: Talvez seja estranho, eu pelo menos acho estranho, mas ao ler este livro supostamente inspirado numa história de uma das irmãs Brontë, de que por acaso gostei bastante, lembrei-me foi de uma outra história, de uma outra irmã Brontë e que por acaso não me cativou  por aí além. E tal como esse, este livro pouco ou nada fez por mim.

Apesar de Jane Eyre ser a força do livro com o seu nome, não deixa de haver outras personagens que exercem algum fascínio sobre o leitor, ou pelo menos sobre mim. Posto isto, está claro que Rochester e Bertha são as duas personagens que se destacam por terem um passado misterioso e comum, passado esse que influencia a narrativa de Charlotte. A descoberta desse passado levou-me então a pegar nesta história e de certa maneira não consegui deixar de me sentir enganada.

Para começar, entendo que um autor tenha liberdade criativa mas ao pegar, ainda que sem nunca ser realmente explícito que se tratam das mesmas personagens, na história de uma outra pessoa, eu esperava que alguma coisa das personagens se mantivesse nesta nova visão mas acabei por achá-las completos estranhos. Também sei que a visão que temos pode ser algo enviesada, em Jane Eyre nunca temos a perspectiva de Bertha, mas pareceu-me que estava a ler coisas diferentes e por isso rapidamente perdi qualquer entusiasmo.

Nunca me senti ligada às personagens, sendo que ambas me desesperaram um pouco pelas suas atitudes, a meu ver, bastante inconstantes e por isso algo incompreensivas. E foi neste aspecto que achei o livro mais parecido com o de Emily do que o de Charlotte.

Outra coisa que aproximou este livro a O Monte dos Vendavais foi a descrição do local. O ambiente também me sufocou e oprimiu, conseguia sentir a humidade e o calor doentio, mas não foi o suficiente para em cativar.

Não digo que foi um tiro ao lado, tenho a certeza de que a autora terá tido alguma motivação e terá conseguido atingir o seu fim, mas ao retratar uma realidade que para mim é algo desconhecida, como é o séc. XIX jamaicano e as convulsões sociais que aí parecem ter tido lugar, posso não o ter apreciado dignamente. Também reconheço que o facto de o ter colado no meu imaginário a Jane Eyre, não ajudou a apreciar este livro de forma livre, digamos assim, já que esperava um outro tipo de história, e a escrita em stream of conscious, talvez por não estar muito habituada ao estilo, pareceu-me bastante confusa.

Enfim, não foi um livro para mim mas questiono-me o que teria achado do mesmo se o tivesse lido sem o ter preso ao Jane Eyre. :/

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso.

20 de outubro de 2014

Jane Eyre [e-book]

Autor: Charlotte Brontë
Ficção | Género: romance
Editora: Projecto Gutenberg | Ano: originalmente publicado em 1847 | Formato: e-book | Nº de páginas: | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: Foi dos primeiros e-books que meti no meu Kindle em 2011 e de fiz download no site do Projecto Gutenberg.

Quando e porque peguei nele: entre 1 e 7 de outubro, porque estava de férias, só com o Kindle na mala e este livro pertencia à segunda mini-pilha.

Opinião: Ainda bem que coloquei o livro de lado quando tentei ler a primeira vez mas não o descartei de todo, porque opá é tão bom!

Começo por dizer que o interesse com que o li nem sempre foi o mesmo, houve ali uma parte que parecia que nunca mais acabava, mas tirando isso eu quase que queria devorar o livro e assim que o acabei só me apetecia recomeçá-lo. Acho que já disse que tal coisa não é normal em mim mas foi o segundo livro este ano em que tal aconteceu. Como não querer voltar a um livro com uma protagonista como Jane?

Cedo se percebe que ela é uma pessoa cheia de força interior. Ela basta-se a si própria, tenta tirar o melhor partido das situações que encontra no seu caminho e não tem medo de enfrentar quem a pisa, ainda que a mostarda lhe tenha de chegar ao nariz. Mas foi este último traço do seu carácter com que mais me identifiquei e cobicei-lhe os restantes, sobretudo a sua força porque ela é um portento mesmo que aparentemente muito calma. Claro que só lhe podemos querer bem, até tendo em conta a sua vida e por isso, quando aparece um interesse amoroso só podemos torcer para que a coisa corra bem.

E o que dizer de Mr. Rochester? *suspira* Ai Mr. Rochester... vamos esquecer por momentos o Capitão Wentworth, o Colin Bridgerton e o Tom Hiddleston... há melhor que o Mr. Rochester? Sim, a início pareceu-me algo prepotente e convencido (o que me ri com o "Do you think me handsome?" xD) mas rapidamente os seus diálogos com Jane se tornam os momentos pelos quais se anseia. Parece que andam os dois, mas sobretudo ele, a testar as águas para perceber até onde pode ir, onde é que o outro traça o limite e, mais que tudo, como responderá ela ao que ele tem para oferecer. Adorei ver a interação entre eles, uma relação de iguais apesar de se encontrarem em diferentes situações, com ela na dependência dele por ser sua "inferior" numa hierarquia social. Mas é a igualdade de pensamentos, desejos e ambições que sobressai, e é impossível não torcer por eles, por um amor que também vai tomando conta de nós de mansinho.

No entanto, algo se esconde em Thornfield Hall. Infelizmente não me foi possível, apesar de ter tentado, não me cruzar com a grande revelação da história, mas mesmo assim achei o mistério bem montado e adorei o ambiente gótico da coisa. Numa cena, em que Jane salva Rochester quando a sua cama arde, também dei por mim a olhar para as sombras e cantos escuros do meu quarto e a ouvir com atenção os barulhos da casa, não fosse alguém também tentar pegar fogo à minha cama. xD

Não sendo então surpreendida pelo twist, digamos assim, devo fizer que fui surpreendida pelo resto da história e sobretudo pela reação de Jane à grande revelação. O que se segue foi a parte que menos gostei, nem tanto por ser demasiado conveniente (ia revirando os olhinhos) mas sobretudo porque Jane com St. John parece perder algum do seu fogo. St. John foi mesmo a personagem que menos gostei e cada vez que aparecia fazia-me querer dar-lhe um par de estalos e até pousar o livro. :/

O resto é história, os pecados e más ações são redimidas (sim, porque não é por gostar do Rochester que penso que ele estava certo ao fazer o que fez) e os justos recebem o que sempre desejaram. Já eu desejo ler mais desta irmã Brontë tendo gostado bem mais deste livro do que do de Emily. Se achei que O Monte dos Vendavais seria algo muito idealizado, não encontrando a autora nas suas personagens e escrita, aqui senti que Jane e Charlotte seriam uma só.

Veredito: Para ter na estante. Há livros que nos fazem lembrar porque é que gostamos de um determinado género, este relembrou-me porque gosto de clássicos. E que há livros que não devem ser lidos só porque sim, porque toda a gente já leu, mas que têm o seu momento para serem lidos. Têm que nos encontrar na altura ideal.

5 de agosto de 2014

Hopeless (Hopeless, #1)

Autor: Colleen Hoover
Ficção | Género: romance
Editora: Simon and Schuster UK | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: 332 | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 6 e 7 de julho. Já não me recordo mas penso que terá sido porque há algum tempo que não pegava em e-books e estava com saudades do formato. :/ Talvez estivesse à procura de um novo YA ou coisa assim que me tirasse do ciclo vicioso em que aparentemente me encontrava, sem ler nada que me conseguisse cativar. E não, não tive sucesso.


Opinião: Porque continuei eu na onda dos juvenis e YA quando a coisa claramente não estava a resultar comigo? Não que os thrillers e os mistérios antes também fossem alguma coisa de jeito. Enfim, parece que quando se está num momento mau, está-se simplesmente num momento mau. Acontece. As leituras não podem ser sempre de 5 estrelas, e diga-se o meu gosto pode ser bastante questionável...

Neste caso a coisa começou logo mal, com a protagonista a ser irritante por demais com o seu "eu não sou uma vadia, ando na marmelada com gajos mas não sinto nada enquanto estamos na marmelada e tipo, nunca fiz sexo, por isso não sou uma vadia!" Não que eu considere que quem faz o mesmo o seja, cada um vive a sua vida como quer e pode fazer as escolhas que bem entender, tento não julgar as pessoas pela sua vida sexual ou emocional porque é algo que não me diz respeito. Mas é claríssimo que a personagem julga as pessoas e tenta afastar-se, com este discurso, de pessoas cujos atos condena. Porque sim, é uma condenação. É uma espécie de "pensas que eu sou má? por favor, eu nunca fiz sexo e há aquelas que fazem sexo com todos! eu estou à espera do meu príncipe encantado e por isso não sou vadia como elas, marmelada não conta!"

Claro que depois aparece o príncipe encantado... o estranho que lhe mete medo mas que OMD! é tão giro que a deixa sem ar!!! E deixa-a sem ar de várias maneiras e várias vezes ao dia. Pessoalmente, e como asmática, não me parece ser bom para a saúde, até porque ela chega mesmo a desmaiar com falta de ar após a corrida porque "OMD ele é tão giro e acompanhou-me até à porta de casa depois de eu aparentemente o stalkar sem querer e ter corrido mais que a minha conta", e porque suscitou uma infindável quantidade de "breathless" durante todo o livro, ou pelo menos durante a parte que li (ainda foi um terço do livro...), de tal modo que acho que o livro se devia chamar-se Breathless e não Hopeless. Hopeless estava eu com tanta falta de ar da moça... Cheguei mesmo a desejar que a coisa fosse para além do desmaio, que ela sufocasse mesmo sem qualquer acesso a ar, que ele lhe tirasse todo o ar dos pulmões e ela deixasse de existir no mundo das personagens fictícias estúpidas e irritantes!

Sim, eu disse estúpidas. Não mencionei a parte em que ela, apesar de estar algo reticente em estar na companhia dele porque, tipo, é um desconhecido que a deixa desconfortável, lhe mostra a sua identificação? Com a morada de casa e todos os seus restantes dados pessoais?! E ele nem é polícia nem qualquer outro tipo de autoridade?!?! Mas não, ela tem algum receio dele e a reação dela é "toma os meus documentos de identificação para confirmares que me chamo Sky, porque tenho de confirmar a minha identificação a alguém que não conheço de lado nenhum e não acredita em mim mesmo que não seja um agente nem tenha qualquer justificação para ver a minha identificação, já agora fica com os meus dados porque OMD tão giro! *pisca o olho... heavy breathing... faints*" *Carla suspira, faz tsk-tsk e revira os olhinhos enquanto lê* Não me perguntem como suspirei e fiz tsk-tsk ao mesmo tempo, mas aconteceu.

Enfim, estava à espera de outro Easy ou Just One Day mas rapidamente perdi qualquer interesse nas personagens e história.

Veredito: Não acabei.

4 de junho de 2014

Just One Day, Just One Year, Just One Night

Autor: Gayle Forman
Ficção | Género: romance
Editora: Dutton Books | Ano: 2013 e 2014 | Formato: e-book | Nº de páginas: 385+336+40 | Língua: inglês

Quando e porque peguei neles: 20 a 29 de maio. Basicamente porque sim. Pus-me a correr a app do Kindle para Android em busca de algo porque estava aborrecida e tinha preguiça de me levantar e ir à estante buscar um livro.


Opinião: Não é tão bom quando nos aconselham um livro e lemo-lo com mais nenhuma indicação para além dessa e um "tem Shakespeare", e depois esse livro agarra-nos e só pensamos nele e em lê-lo, de tal maneira que a meio do livro vamos a correr comprar o seguinte e fazer a reserva do conto que conclui a história e chegamos a desesperar e a contar os dias para receber o dito? Não é das melhores coisas do mundo? Pois foi exactamente isso que aconteceu com estes.

Há várias pessoas cujas recomendações vão logo para a lista a comprar sem eu sequer fazer um estudo prévio da coisa. Foi o caso deste, nem pensei duas vezes quando a Sandra mo recomendou e comprei logo o e-book. Claro que ler é mais difícil *aponta para os vários livros a ganhar pó na estante* mas sei lá eu porquê comecei a ler isto e pronto, ainda bem que o fiz. Ia salvaguardada, tinha sido recomendado e tinha Shakespeare, mas não deixou de ser com relativa surpresa que de repente me apanhei num livro ao estilo do filme "Before Sunrise" e fiquei logo colada à história e investida nas personagens.

O primeiro, Just One Day, é narrado por Allyson, ou Lulu, na primeira pessoa e dividido em duas partes. Na primeira vemos então o fatídico dia em que a sua vida mudou, em que ela conheceu aquele que julgava ser o amor da sua vida e o perdeu também. Mas mais que encontrar um rapaz, Allyson como que se encontrou a si própria, para se perder em seguida, afundando-se numa depressão de que só Shakespeare consegue tirar. Acompanhamos então a viagem de auto-descoberta de Allyson enquanto enceta também um périplo para reencontrar o amor perdido.

Mas Willem também a procura e acompanhamos a sua história em Just One Year, que passa então a mostrar a sua perspetiva. Também está dividido em duas partes mas inversas ao primeiro, até porque a sua história, ainda que também seja de auto-descoberta e por isso semelhante, não deixa de ser bem diferente. Se Allyson como que forma a sua nova personalidade forte em Paris, já Willem é abalado e a confiança que demonstrava dá lugar à insegurança e incertezas, levando a ponderar as suas escolhas, se a vida que julgava cheia afinal não é vazia por lhe faltar algo, um sentido para a vida. Encontra-o em Lulu para se "esquecer" dela e tal como ela acaba por entrar numa viagem que culmina num outro dia em que tudo volta a mudar.

Por fim, no conto Just One Night o narrador é omnisciente permitindo-nos ver os dois lados, as dúvidas e (in)certezas de ambos aquando do novo encontro. Eis que a viagem termina e percebemos que ambos chegaram ao destino.

Como não gostar de um livro com Shakespeare, semelhante à trilogia "Before Sunrise" e com um toquezinho de Persuasão, com a ideia do amor perdido e reencontrado quando ambos se tornam naquilo que precisavam de ser para se merecerem? E até tem acidentes ou, como eu gosto de chamar, "coincidências assustam"... É verdade que sou cética nisto do amor à primeira vista ou insta-love, mas há histórias que me levam a desejar que realmente tais coisas acontecessem na vida real. E se a relação neste livro parece por vezes idealizada, gostei que houvesse alguma realidade quando tentam chamar Allyson à razão, pois Willem a princípio parece realmente um player (não que isso torne impossível o ficar impressionada pelo moço e desejar que as coisas dêem certo). No entanto, isso foi bem utilizado na sua versão da história, não negando o facto mas reabilitando o seu lado de quebra-corações. Apesar disto, tenho de dizer que achei a sua história menos conseguida que a de Allyson, talvez por me identificar mais com ela e se encontrar rodeada de outras personagens também elas mais interessantes como Dee, mas ainda assim convincente e emocionante q.b. para me manter vidrada e a clamar por mais. A sério, com as três histórias corri Kindle e tudo o que era app para aproveitar todos os momentos livres que tinha para ler. Não sei se estão a ver bem a loucura para eu ler tudo isto em praticamente uma semana! O_o

Em suma, está mais que recomendado. Talvez não seja apelativo para quem não gosta da nova onda New Adult ou coisa assim e mesmo eu duvido que se me tem apanhado noutra altura talvez a doideira não tivesse acontecido, mas olhem, apanhou-me e adorei-o.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

30 de maio de 2014

A Cidade dos Deuses Selvagens (As Memórias da Águia e do Jaguar, #1)

Autor: Isabel Allende
Ficção | Género: romance
Editora: Difel | Ano: 2002 | Formato: livro | Nº de páginas: 284 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: já está na estante há uns valentes anos.

Quando e porque peguei nele: entre 11 e 16 de maio. Achei que seria melhor ler algo de um autor latino-americano já que no SLNB nos debruçaríamos sobre eles.


Opinião: Sinceramente, às vezes não sei se são os livros que nos encontram no momento certo ou se bons livros puxam outras boas histórias, mas o certo é que neste mês de maio não tive razões de queixa e este foi mais um livro prazenteiro.

É verdade que entrei para este livro com receio. A autora é uma das preferidas dos adeptos, digamos, de autores latino-americanos, e por isso esfriei a expetativa avançando para um livro juvenil e não para aquela que é considerada a sua obra-prima, apesar de estar ali numa estante da sala, com as fantásticas Glenn Close e Meryl Streep na capa e tudo.

Talvez não tenha ficado completamente rendida mas garanto que enquanto lia eu andava pela Amazónia e maravilhei-me com aquele recôndito perdido num vulcão no meio da floresta. Achei a escrita fenomenal, com poucos ou nenhuns floreados mas exatamente o que era preciso para descrever e me transportar para uma cena, um local, para entender um personagem. Aquela beleza da escrita simples e direta mas que contém tudo o que é necessário. Confesso que tinha saudades de uma escrita assim, sem o saber.

A história é muito previsível, mal entram na floresta, aliás talvez ainda antes, já sabia que tipo de desenvolvimento algumas situações iam ter. As personagens também são um pouco unidimensionais mas não penso que isso afete a leitura já que servem uma função na história, e por isso os maus são maus, os bons são muito bons e há um "palhaço" que acaba por revelar ter cabeça. Também não sabia as saudades que tinha de personagens assim, se é que faz sentido quando o que eu costumo adorar é personagens complicadas. :/

Longe de ser brilhante, não deixou de ser exatamente o que queria e não sabia, para além de uma boa introdução a esta autora. Sinto-me mais confiante para conhecer A Casa dos Espíritos.

Veredito: Emprestado e pouco se perde com isso. Só ao chegar ao fim da opinião é que me dei conta de que talvez seja um pouco bipolar. Apesar de gostar de enredos que me surpreendam, escrita poética, personagens que dêem luta e que tenham camadas (como as cebolas)... o que mais apreciei neste livro foi mesmo a sua simplicidade, o que de facto me apanhou de surpresa porque era algo que não estava à espera. E era calmante, ao fim de alguns dias menos bons, voltar a algo que não era complicado. Faz sentido? De qualquer forma, se com Americanah senti um pouco do que tinha sentido com A Lua de Joana, este livro fez-me reviver quando lia Alice Vieira ou Os Cinco. Sinto que estou a fazer as pazes com os livros, depois de no ano passado quase os ter passado a detestar. :P

25 de maio de 2014

Americanah

Autores: Chimamanda Ngozi Adichie
Ficção | Género: romance
Editora: Dom Quixote | Ano: 2013 | Formato: livro | Nº de páginas: 720 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: foi-me emprestado pela Ana na sua missão para a Chimamanda-evangelização.

Quando e porque peguei nele: entre 19 de abril e 4 de maio. Como disse, estou a tentar "despachar" os livros emprestados, mas também os recém-adquiridos. Este enquadra-se nos dois porque foi emprestado recentemente. :D


Opinião: O que dizer de um livro que nos surpreende? Sim, já tinha ouvido falar bem da autora de modo que tinha muita curiosidade em ler, mas acho que nada me preparou para isto. Estão a ver aquele sentimento de que falo vezes sem conta cada vez que menciono A Lua de Joana? Este livro foi o que mais perto esteve de me fazer reviver aquela tarde. É certo que não achei a história tão perto da minha, mas o sentimento de estar noutra pele, ver o mundo por outros olhos, perceber a sua visão e viver uma vida pela qual não passei. Está tudo aqui.

A história de Ifemelu pode não ser das mais tocantes, mas a sua visão do mundo é fantástica. A vida na Nigéria e o contraste com a América, como muda, ou melhor como cresce... As diferenças culturais que marcam e o racismo que quem não é vítima não o sente e por mais boas intenções que tenha não pode perceber o que verdadeiramente é. Não consigo descrever tudo o que este livro me fez sentir, ou até pensar. Este artigo fá-lo melhor que eu, mencionando também uma cena que me fez perceber o quão cega tenho sido quanto à beleza, o seu ideal e tendências da moda diz respeito. Sim, eu vou acompanhando o esforço de marcas que valorizam todas as formas e feitios, mas em termos de cor de pele e tipos de cabelo, o que tal implica em termos de maquilhagem e penteados, nunca tinha passado pela minha cabeça. Nunca dei conta e é embaraçoso pensar que poderia ter a mesma reação que o namorado dela.

Mas não é só de Ifemelu que o livro fala e apesar de ter achado a história de Obinze menos interessante, não deixou de mostrar o quanto o sonho de emigrar pode dar para o torto.
Alexa e os outros convidados, e talvez até Georgina, compreendiam a necessidade de fugir à guerra, ao tipo de pobreza que esmagava as almas humanas, mas não compreendiam a necessidade de escapar da letargia opressiva da falta de escolha. Não compreenderiam porque é que pessoas como ele, que haviam crescido bem alimentadas e com todas as necessidades satisfeitas, mas atoladas em insatisfação, condicionadas desde a nascença a olhar na direção de outro lugar e eternamente convencidas de que as vidas reais aconteciam nesse outro lugar, estavam agora resolvidas a fazer coisas perigosas, coisas ilegais, para poderem partir, sem que nenhuma delas estivesse a passar fome, a sofrer violações ou a fugir de aldeias incendiadas, mas meramente famintas de escolha e de certeza.

Merece pontuação máxima mas não fui capaz de dar mais que 4 estrelas no Goodreads porque, quando comparado com A Lua de Joana, faltou-lhe o ter-me feito achar que cresci no período em que o li. Espero que me tenha feito abrir mais os olhos para algo que nunca senti na pele mas pelo qual muitos passam todos os dias, mas não posso dizer que cresci. Mas é mais que aconselhado e esta é uma autora para continuar a seguir. É para isto que os livros servem, é por isto que eu leio e esta história li-a com muito gosto, tanto que as páginas voaram sem me dar conta.

É desde já um dos melhores livros do ano.

Veredito: Para ter na estante.

21 de fevereiro de 2014

Curtas: A Gaiola Dourada, Whisper of Jasmine [e-book], Waking Kate [e-book]

Título: A Gaiola Dourada
Diretor: Ruben Alves
Escritor: Ruben Alves, Hugo Gélin, Luc-Olivier Veuve, Jean-André Yerles
Atores: Rita Blanco, Joaquim de Almeida , Maria Vieira

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: É, muito basicamente, um filme engraçado. Vi alguns dos clichés, porque eles realmente existem, que já presenciei no meu dia a dia. A cena do carro por exemplo, é certo que vejo mais Mercedes e BMWs, mas realmente está bem apanhado.

É também um retrato interessante do povo português, e não me refiro apenas ao emigrante. Há bastantes por aí que, fazendo as tarefas menos recompensadas monetariamente, não deixam de trabalhar com orgulho e de sentir que o sítio onde trabalham lhes pertence também um bocadinho, daí que tenha apreciado ver como, apesar de se quererem vingar pelo pouco valor que lhes era atribuído, Zé e Maria não se sentissem muito bem a fazer "um mau trabalho". Mas por vezes é necessário recorrer a tal "tática", digamos assim, para mostrar o verdadeiro valor da pessoa no local de trabalho, pois todos contam para manter a engrenagem a funcionar.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

Título: Whisper of Jasmine [e-book]
Autor: Deanna Raybourn
Ficção | Género: romance histórico
Editora: Harlequin MIRA | Ano: 2014 | Formato: e-book | Nº de páginas: | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: a pre-order estava a preço 0 na Amazon.

Quando e porque peguei nele: li-o a 2 de fevereiro, basicamente porque sim. Tinha o telemóvel na mão, apetecia-me ler e tinha preguiça de ir ao quarto buscar um livro. Além disso parece-me boa política andar a ler coisas que compro este ano para ver se a pilha não aumenta muito, o que também não quer dizer que diminua... :P

Opinião: É verdade que o único livro que li desta autora prometia mais do que acabou por dar, mesmo assim gosto de ter as suas obras debaixo de olho e quando vi que este conto estava a preço 0 e contava com um arqueólogo não hesitei e fiz logo a pre-order. Sim, sou uma fácil. xD

Este conto conta (não consegui evitar xD) uma história agradável de seguir mas (e há sempre um mas comigo e certos romances) peca por a relação se desenvolver rapidamente sem que haja uma verdadeira química entre os personagens. Pelo menos eu não o senti. Sim, há um não sei quê de magia, talvez alguma inevitabilidade no encontro deles, mas não senti nada entre eles, nem uma pequena faísca. No entanto, fiquei curiosa quanto a continuação em City of Jasmine e espero que o relacionamento acabe por ser mais aprofundado (talvez com flashbacks? um reencontro?).

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso. Talvez por ser um conto o "amor à primeira vista" deixe a desejar, mas o certo é que já tenho lido contos em que a relação acaba por resultar. Aqui há demasiada impetuosidade que, confesso, não é muito a minha onda. Mas sim, curiosa porque arqueólogo (!) o que não quer dizer que vá a correr comprá-lo.

Título: Waking Kate [e-book]
Autor: Sarah Addison Allen
Ficção | Género: romance
Editora: St Martin's Press | Ano: 2014 | Formato: e-book | Nº de páginas: | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: estava a preço 0 na Amazon.

Quando e porque peguei nele: a 10 de fevereiro. Leiam o motivo do livro em cima, é o mesmo. :D

Opinião: Eis uma autora que raramente desilude, em que até os seus livros menos bons são superiores a muitos outros. E ela volta a mostrar a sua mestria neste conto, onde conhecemos Kate que, durante uma conversa com um vizinho que acaba de conhecer, faz uma ponderação acerca da sua própria vida e que faz adivinhar-se um mudança. Mudança essa que será certamente continuada em Lost Lake, cujo primeiro capítulo vinha juntamente com o conto mas fiz questão de não ler porque já sei que seria como os doces, não conseguiria ficar por ali. :P

Muito pequeno, mesmo assim é uma história carregada de emoção e uma ténue magia, algo a que a autora já me habituou e que consegue sempre aquecer-me o coração.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

6 de janeiro de 2014

Revolutionary Road

Autor: Richard Yates
Ficção | Género: romance
Editora: Biblioteca Sábado | Ano: 2010 (publicado originalmente em 1961) | Formato: livro | Nº de páginas: 280 | Língua: português

Quando e porque peguei nele: entre 10 de dezembro de 2013 e 5 de janeiro de 2014. Foi o vencedor da última votação do Monthly Key Word Challenge e estava cá por casa desde 2010, pelo que era elegível para o Mount TBR Challenge. Como só o acabei agora, acabou por não contar para nenhum.


Opinião: A melhor ideia que tive o ano passado foi dar a escolher por votação os livros a ler para o desafio do Monthly Key Word, mais não tenha sido por, deste modo, atirar-me a alguns bons livros que tenho por casa, pois apesar de qualquer que tenha sido minha opinião final, não deixaram de ser leituras boas e interessantes, de onde sempre consegui retirar algo. Este não foi excepção.

Esperava vir a gostar mais da escrita deste autor e apesar de achar que passa bem alguns dos sentimentos das personagens, achei-a algo seca e monótona. Mas o mais estranho é que parece acabar por se coadunar à história, que apresenta várias personagens presas a uma vida monótona, tendo no entanto ambicionado, perspectivado, uma vida completamente diferente e, a seus olhos, muito mais preenchida do que aquela que inevitavelmente acabaram por seguir.

Não vou dizer que me reflito nas personagens mas entendo o desespero de April, por exemplo, e a relutância em largar tudo, sobretudo a estabilidade que se tem e a rotina confortável, de Frank e perseguir algo tão esquivo como sonhos. De facto, passei o livro todo a achar que ele era um cretino convencido e armado em superior até perceber que talvez eu faça o mesmo, numa tentativa, algo vã reconheço, de manter um resquício de singularidade, de mostrar a mim mesma que sou única, que me destaco do mar de gente que encontra conforto na rotina, num emprego que dá algum tipo de satisfação mesmo que seja o de às 18h sair porta fora. Aqui até sei que sou mais afortunada, pelo menos, que o personagem e muitos outros, mas não deixam de existir dias em que dúvidas como "é mesmo isto que quero fazer? é o melhor que consigo? não há outra vida para além disto?" assaltam o espírito.

As restantes personagens, Campbells e Givings, também nos mostram dilemas parecidos, sob uma aparente noção de normalidade, mas é o elemento anormal que destoa e mostra a imperfeição da imagem, criticando a sociedade que se contenta em viver num "vazio sem esperança" e colocando-nos a pensar na nossa própria situação.

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Só ao escrever me apercebi do quanto gostei do livro, apesar de ter demorado a entrar nele por achar a escrita algo secante e ter sido difícil ligar-me às personagens a nível emocional apesar de entender os seus dramas. Mas é um livro que acaba por se entranhar. Fica a curiosidade para ver o filme.

19 de setembro de 2013

Persuasão

Como explicar o meu amor por esta história? Como explicar o porquê de adorar este livro e as suas adaptações ao ponto de reler e/ou rever vezes sem conta? É uma tarefa difícil falar sobre algo que se adora, mas cá vai a minha tentativa. Pode não ser inteiramente inteligível porque demasiados feelings e querer dizer tudo e mais alguma ao mesmo tempo, mesmo que em 3 partes distintas, geralmente dá asneira.

Persuasão conta a história de Anne Elliot, filha de um nobre para quem beleza e títulos são o mais importante, que foi persuadida, quando mais nova, a não se casar com um jovem marinheiro sem dinheiro. Cerca de 8 anos mais tarde, devido a hábitos pouco regrados, a sua família vê-se obrigada a arrendar a casa e mudar-se para Bath, numa tentativa de pagar a credores, o que leva Anne a reencontrar-se com Frederick Wentworth, agora Capitão da marinha inglesa e homem de fortuna.

Parece ser um simples romance, mas como é hábito com Austen, acaba por se revelar muito mais do que isso. Volta a estar bem presente a crítica social, nomeadamente à nobreza ou aos seus elementos mais fúteis, que nada vêem para além de caras bonitas e títulos. Um bom exemplo, acaba por ser a família de Anne, não só nas figuras do pai e irmã mais velha, mas sobretudo na pessoa da irmã mais nova, que acaba por julgar ofensivo as suas cunhadas "darem-lhe" ligações com pessoas de estatuto mais baixo ou que foram elevadas, no caso de Benwick, devido à guerra e à progressão na carreira militar. Anne destaca-se dos seus familiares por achar:
'My idea of good company...is the company of clever, well-informed people, who have a great deal of conversation; that is what I call good company.'
'You are mistaken,' said he gently, 'that is not good company, that is the best. Good company requires only birth, education, and manners, and with regard to education is not very nice.'
Além disso, ao contrário das restantes protagonistas de Austen, Anne é já uma mulher adulta, com quase 30 anos e ainda solteira. Passa despercebida, as suas opiniões são pouco tidas em conta pela sua irmã mais velha e o seu pai, tem uma paciência enorme para aturar as neuroses da irmã mais nova e um feitio gentil que convida os restantes a procurarem o seu conselho, mas também a desabafarem e a esperarem que com o seu senso consiga persuadir outros a mudarem as suas atitudes (isto nomeadamente em relação aos Musgroves e a Mary). Pouco sei da vida de Jane Auten mas acaba por ser-me tão fácil imaginar a autora na mesma situação. Seguir a história pelo ponto de vista de Anne, parece-me que é quase entrar na cabeça de Austen e ver o mundo pelos seus olhos. O seu olhar crítico está presente em Anne e os seus pensamentos devem ter passado pela cabeça da própria autora perante situações semelhantes, ou muito provavelmente não os teria escrito.

E repararam como já usei duas vezes a ideia da "persuasão"? Acaba por ser um tema recorrente a forma como somos influenciados pelas pessoas à nossa volta. Como agimos, que passos damos, como pensamos acaba por ser algo condicionado pelas pessoas que nos rodeiam, seja pelo seu modo de pensar, pelos conselhos que oferecem, pela sua aparência ou ares a que se dão. E nem Anne está imune a tal, ainda que seja mais ponderada a julgar os outros e as suas intenções. Por ter sido persuadida muito cedo a não casar com um jovem "who had nothing but himself to recommend him" e com isso ter ficado infeliz, nota-se que tem em menor conta a opinião dos outros ou não lhes dá tanto peso e importância pois percebe que sabe, melhor do que ninguém, o que a fará feliz.

De resto, acaba por ser interessante ver como a personagem de Anne cresce, ainda que de modo pouco aparente. Num meio em que a ouvem, que a têm em conta, num meio em que está rodeada de pessoas como ela e com quem gosta de conversar, como Bennick e os Croft não só por conhecerem e lhe contarem mais do mundo que não conhece mas por terem conversas interessantes e estimulantes para quem de outro modo só houve falar de sociedade e pessoas com poucos ou nenhum interesses que não sejam fúteis, começa a desabrochar, a mostrar a sua fibra e é quando outros começam a reparar nela. Um deles acaba por ser Wentworth, que nunca a esqueceu. Este também passa por uma fase de crescimento mas só percebemos o quanto no final. Ele acaba por ser a imagem de quem tem uma ideia muito definida do que quer, apenas para perceber como estava errado, como certas escolhas não revelam uma inconstância mas força de carácter.

A nível de romance, é das histórias mais bonitas que já li, ou não tivesse, como já devo ter dito um milhar de vezes, a carta mai'linda alguma vez escrita! A constância e a perenidade do amor é outro tema desenvolvido pela autora e que dá lugar a diálogos e pensamentos interessantes. A sério, se pudesse acho que citava o livro todo...

Mas passando às adaptações...

A de 1995 é a minha preferida, não só por ter sido a primeira que vi e revi vezes sem conta (comfort movie!) mas por tudo aquilo que mostra. Para começar, o capitão Wentworth na pessoa do Ciáran Hinds parece realmente que viveu imenso no mar, não será tão apelativo ao olho como o Rupert Penry-Jones mas, para mim, acaba por ser O Wentworth. E depois temos a Amanda Root magnífica como Anne Elliot.

Mas está claro que só isso não basta, só termos dois magníficos autores não é suficiente, tem de haver química... e há! Talvez não daquela que salta à vista, mas uma muito mais subtil, tal e qual de acordo com a época e com o livro. É visível o quanto Wentworth deseja ver Anne quando interrompe o pequeno-almoço daquela depois de ela ter passado a noite do dia anterior a cuidar do sobrinho, enquanto os restantes jantavam em Uppercross; o quanto se preocupa com ela enquanto passeiam e, devido ao cansaço dela, a convence (ok, é mais obriga) e ajuda a subir para a charrette; o quanto ele pretende mostrar que tornou-se naquilo que lhe prometera e como ela não tinha de se preocupar, como não o devia ter rejeitado; como a observa quando interage com outros, disfarçando no entanto o seu interesse. E como Anne se sente incomodada, mesmo ao ponto do desespero (na charrette é bem perceptível), ao ver Wentworth namoriscar com Louisa ou quando outros lhe falam do quanto ele devia casar-se com alguém, sem aparentemente a terem em conta; e depois em Bath, o quanto ela pretende mostrar que não é a mesma, que desta vez se depender dela não existirá um "não"; e a carta! A cena da carta! *suspira*

É verdade que há uns momentos estranhos (e algo silenciosos), em Lyme quando se riem sem grande propósito em casa de Harville, e mesmo o final, quando Wentworth entra pela sala adentro, a pedir autorização para marcarem uma data, com toda a gente num grande estado de "WTF?" ao qual Harville, que o acompanha, também se junta por não parecer estar a par do enlace e das intenções do amigo. Acho o fim tão ridículo que para mim geralmente o filme acaba com o beijo e com eles a afastarem-se da confusão do circo, juntos, para um futuro em comum. *suspira novamente*

A mais recente, de 2007, tem uma cena final mais bonita mas de resto deixa algo a desejar, sobretudo para quem idolatra o livro como eu. Ok, o casting em termos físicos e idade dos actores é capaz de estar mais acertado e de acordo com a obra, Sir Elliot por exemplo é muito mais arrogante e convencido, mas as várias mudanças na história, mesmo que para tentar explicar que Anne e Wentworth têm um passado em comum, acaba por desvirtuar um pouco a intenção do livro, parece-me. Chegam a colocar diálogos que deviam acontecer em Bath na boca de outros personagens e em Lyme! *leva as mãos à cabeça* Nesta adaptação não há subtileza, o espectador é praticamente agredido com as relações que se estabelecem entre as personagens, talvez para criar ainda mais drama mas que, pelo menos para mim, acaba por falhar redondamente.

Depois temos a corrida da carta... *suspira mas de desilusão* A sério, para além de cortarem frases da carta (!, eu sei que acabava por não fazer sentido, afinal de contas trocaram os diálogos, mas como ousam mexer na carta mai'linda alguma vez escrita?), acho que nunca vi alguém tão ofegante e suspirante *ignora as vezes que também já suspirou só ao escrever este post* num filme ou adaptação do género. E chega a ser enervante ter a Anne a olhar longamente para a câmara, como se fosse assim que o espectador se apercebesse do torvelinho que vai na sua alma. A parte do diário, pelo contrário, pareceu-me bem conseguida, até porque conseguiu colocar em filme outra das citações que mais adoro, e a banda sonora é fabulosa, chegando mesmo a relembrar-me, em algumas ocasiões, "North and South" ou não fosse o mesmo compositor. Mas parece que por cada ponto bom há dois ou três que me irritam, incluindo alguns dos planos e o raio da câmara a tremer. Agora anda tudo com câmara ao ombro?!

Foi a minha segunda visualização, pouco tempo depois de ter visto a de 1995, e talvez por ter um soft spot para aquela veja esta com tão maus olhos. A sério, tentei ver de forma distanciada, sem qualquer preconceito, só tendo em conta o livro para avaliar de forma justa esta adaptação e perceber se era possível eu gostar desta adaptação, mas não consigo.

E pronto, acho que é isto. Sentia que faltava aqui neste cantinho um post como deve ser dedicado a esta obra, uma das minhas preferidas, e apesar de não estar perfeito, pelo menos deu-me a desculpa para ir reler e rever (e suspirar) mais uma vez que é o que realmente interessa. :D

7 de agosto de 2013

Fama, Amor e Dinheiro

Autor: Menna van Praag
Ficção | Género: romance
Editora: Quinta Essência | Ano: 2011 | Formato: livro | Nº de páginas: 157 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: ganhei-o num passatempo no blog As Histórias de Elphaba em 2011.

Quando e porque peguei nele: dia 1 de agosto. Queria algo levezinho, para além de que conta para o Book Bingo e para o Mount TBR Challenge.


Opinião: Pouco ou nada sabia do livro mas como tem "chocolate" no título, pensei que poderia ser algo do género da Sarah Addison Allen e foi isso que me levou a participar no passatempo que tive a sorte de ganhar. Às vezes acontece. :D

Já lhe andava para pegar há algum tempo, porque é relativamente pequeno, mas acabou por ser agora pois O Navegador da Passagem exige alguma atenção e neste dia pretendia algo de consumo rápido e fácil para descansar.

Parece que é a continuação de uma outra história mas mesmo assim continuei a ler pois os acontecimentos do livro anterior são relembrados pelas personagens e dá para perceber o que nos trouxe à situação aqui desenvolvida.

A história não é muito interessante e é bastante superficial. Acaba por ser mais um livro de auto-ajuda disfarçado de ficção. Não tenho nada contra os livros de auto-ajuda, já tenho lido alguns e acredito que, se não alteram a vida de uma pessoa, pelo menos incentivam a alterar alguns hábitos. Este, no entanto, achei-o demasiado preachy sem mostrar realmente a protagonista a usar o que aprende. Ela tem diálogos "esclarecedores" com uma prima e uma amiga (quer dizer, neste caso até acho que acaba por ser com ela própria porque tudo não passa de um sonho) mas depois troca meia dúzia de frases com o namorado, em que supostamente coloca esses ensinamentos em prática e pronto... felizes para sempre. Não senti realmente uma mudança na atitude dela.

Sem dúvida que mostra como as relações são difíceis e que tem de haver disposição para a abertura, deixar o outro ver o nosso melhor mas sobretudo o nosso pior, mas achei que toda a questão foi abordada superficialmente, do tipo "faça isto e aquilo, mas nunca isto!" Precisava um pouco mais de desenvolvimento, na minha opinião. Há romances, na onda da Julia Quinn, que abordam o tema de melhor forma.

Veredito: Com tanto livro e tive de pegar neste. Ao menos lê-se num par de horas e as conversas da protagonista com a prima e amiga estão bem conseguidas.

21 de maio de 2013

O Jardim dos Segredos

Autor: Kate Morton
Ficção | Género: romance
Editora: Porto Editora | Ano: 2010 (publicado originalmente em 2008) | Formato: livro | Nº de páginas: 552 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: comprei-o em 2011 depois de ter gostado do outro livro que li da autora.

Quando e porque peguei nele: entre 23 e 29 de abril. Tinha sido o livro escolhido para o Monthly Key Word Challenge de Abril (post e resultado da votação). Conta também para o Mount TBR Reading Challenge.


Opinião: Gostei mas não amei. Acho que isto resume o livro para mim. Tem na mesma os saltos temporais, o desfiar de um novelo de histórias, tem as personagens femininas interessantes e fortes, que se debatem perante as adversidades que encontram nas suas vidas, no seu caminho. Mas falta qualquer coisa.

Faltou alguma vida, alguma cor que tinha o discurso de Grace, a personagem de O Segredo da Casa de Riverton que continua assim a ser o meu preferido. Adorei simplesmente como ela se perdia nas suas próprias memórias, por momentos que pareciam chegar a demorar dias. E a transição era tão ténue, tão bem conseguida, que me pareceu real. Exactamente como alguém que chega a uma idade avançada se comporta ao contar o seu passado a outro. Aqui é outro o artifício usado pela autora. É uma descoberta aqui, uma coisa ali que leva a outros discursos, a eventos passados noutras épocas, com outros protagonistas, e realmente a transição também se encontra muito bem feita, é um desfiar constante de três fios de uma história que compõem uma tapeçaria, mas faltou-lhe alguma magia, a magia do alheamento de tudo em redor. Com as memórias de Grace perdia-me juntamente com ela, aqui tal não acontece, sabia sempre onde estava.

Eu sei que não é correcto estar a comparar os dois livros, mas é difícil não o fazer, sobretudo quando semanas passadas sobre a sua leitura até não me recordo dos nomes das personagens mas o de Grace vem à memória. Ainda assim é um belíssimo livro. A autora escreve fantasticamente, cria histórias magníficas e este livro comprovou que será uma autora para seguir. Achei os contos de fadas bem bonitos e o mistério, apesar de ser de fácil resolução, não deixa de estar bem urdido.

Veredito: Para ter na estante.

1 de novembro de 2012

Curtas: Peripécias do Coração (Bridgertons, #2), A Origem, The Eve Tree [e-book], Ex-Mulher Procura-se

Título: Peripécias do Coração (Bridgertons, #2)
Autor: Julia Quinn
Ficção | Género: romance histórico
Editora: Edições Asa | Ano: 2012 (originalmente publicado em 2000) | Formato: livro | Nº de páginas: 384 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: mais um que comprei este ano (que tem sido a desgraça... a desgraça!!!)

Quando e porque peguei nele: de 26 a 29/setembro. Vá lá, é Julia Quinn e um dos meus livro preferidos da série. Tive de ir a correr reler a cena de Pall Mall e depois o livro todo...


Opinião: Julia Quinn e Bridgertons, que mais posso dizer? Ainda bem que está a ser publicado em português e espero ansiosamente pelos restantes ainda que para os reler. Deste já não me recordava que havia um corgi (como é possível não me lembrar de tal criatura fofa?! não mereço viver!) mas se há cena que não esqueço e sempre que posso releio, é a do jogo de Pall Mall. xD De resto, a minha opinião em pouco varia da primeira leitura. A tradução não me pareceu tão bem conseguida como no livro anterior, havia expressões que me pareceram muito modernas. :/

Veredito: Para ter na estante.

Título: A Origem
Diretor: Christopher Nolan
Escritor: Christopher Nolan
Atores: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page

Mais informação técnica no IMDb.

Quando e onde o vi: 30/setembro na RTP.

Opinião: Finalmente vi o filme! *ouvem-se coros entoando o “Aleluia!”* Ok, acho que perdi os primeiros minutos mas acompanhei bem a história que pareceu-me muito bem urdida. No entanto o que me fascinou foi o desenvolvimento da ideia de como os sonhos se estruturam e de todo o visual. Acredito que a cada novo visionamento mais detalhes se destaquem e por isso é um filme a rever.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

Título: The Eve Tree [e-book]
Autor: Rachel Devenish Ford
Ficção | Género: romance
Editora: Small Seed Press | Ano: 2011 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: estava a preço 0 na Amazon no ano passado.

Quando e porque peguei nele: 30/setembro a 7/outubro. Nem sei muito bem, estava a ver os títulos que tinha na coleção “pilha” no Kindle e por alguma razão chamou-me a atenção. Por acaso até acabou por ser interessante lê-lo enquanto em férias na terrinha.


Opinião: A história desenrola-se ao longo de alguns dias, enquanto um fogo ameaça Molly e a sua família. Durante esse tempo vemos então como é que este desastre afeta sobretudo aquela, o seu marido e a sua mãe, personagens com alguma bagagem e problemas para resolver. Gostei bastante de como estava escrito, há passagens muito bonitas, e de como explora a vida das personagens. Apesar disto, acaba por ficar a sensação de que ainda assim as personagens poderiam ter sido melhor e mais exploradas. Acredito que não seria essa a intenção mas mostrar como estas personagens lidavam numa situação de stress, mas acabou por saber-me a pouco.

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perderia com isso.

Título: Ex-Mulher Procura-se
Diretor: Andy Tennant
Escritor: Sarah Thorp
Atores: Gerard Butler, Jennifer Aniston

Mais informação técnica no IMDb.

Quando e onde o vi: 14/outubro na SIC.

Opinião: Tinha acabado de chegar de viagem e não devia estar a dar nada melhor na televisão. Não vi desde o início mas também não foi preciso de tão básica que é a história. Típico rom-com mas sem grande piada. E nem o Gerard Butler o salva, diga-se que já esteve em melhor forma... :/

Veredito: Com tanto filme tive de ver este.

14 de maio de 2012

Curtas: Cranford [e-book], Vínculo de Sangue (Mercy Thompson, #2), Beijo do Ferro (Mercy Thompson, #3)

Título: Cranford [e-book]
Autor: Elizabeth Gaskell
Ficção | Género: romance
Editora: Project Gutenberg | Ano: originalmente publicado em 1853 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: Fiz download do site Project Gutenberg no ano passado.

Quando e porque peguei nele: 27/abr/2012 a 6/maio/2012. Apetecia-me ler algo bem escrito e como tinha adorado North and South da mesma autora, achei que este seria bom. Conta para os desafios: Book Bingo - Clássico, The Back to the Classics Challenge - clássico do séc. XIX.


Opinião: Gaskell ameaça ser como Quinn, mesmo o mais fraquinho é bastante bom. Não existe propriamente um enredo, sendo este livro constituído por vários relatos, quase em espécie de diário, de Mary Smith, visitante regular de Cranford a pedido de algumas das solteironas lá do sítio.

Mary dá-nos a conhecer algumas das peculiaridades de Cranford e de seus habitantes, a maior parte mulheres que gerem a sociedade e acham-se muito bem sem homens a partilhar a mesma, bem como de alguns acontecimentos que mexem com o lugar, seja a vinda de um ilusionista ou uma série de roubos que afinal não seriam tão graves assim.

Acaba por ser uma leitura leve e bastante agradável. Houve ocasiões em que ri, como na cena da vaca vestida de flanela, e outras em que ficava emocionada com as atitudes de algumas personagens, sobretudo no final quando a mais doce de todas as personagens sofre um pequeno revés. Fiquei com pena que uma certa situação não tenha resultado num final semelhante a Persuasão, mas a vida tem destas coisas e é vida que aqui está representada. Quase podia jurar que histórias semelhantes teriam acontecido na terra dos meus pais, por exemplo.

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso.


Título: Vínculo de Sangue (Mercy Thompson, #2)

Autor: Patricia Briggs
Ficção | Género: fantasia urbana
Editora: Saída de Emergência | Ano: 2011 (originalmente publicado em 2007) | Formato: livro | Nº de páginas: 284 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: Filipa emprestou-o.

Quando e porque peguei nele: 6/maio/2012 a 7/maio/2012. Foi o primeiro em que coloquei a vista em cima e, sendo livro emprestado, tinha preferência sobre outros.


Opinião: Depois da surpresa que acabou por ser o primeiro volume, tive de me render e ler o segundo. Fi-lo quase numa assentada pois a história está muito bem desenvolvida, com mistério e ação q.b., sobrando ainda tempo para desenvolver personagens e aprofundar relações. Ainda assim, o triângulo (quadrado?) amoroso continua a parecer a coisa menos conseguida neste livro, tendo-se tornado algo irritante Mercy encontrar-se com o um dos pretendentes quando acabava de sair dos braços do outro e aquele lembrar-lhe “olha que aqui estou e não estou a gostar nada disso”. *eye roll* Mas tirando isso, é de leitura compulsiva e dá-nos a conhecer um pouco mais deste mundo, salientando o que difere Mercy dos restantes sobrenaturais.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

Título: Beijo do Ferro (Mercy Thompson, #3)
Autor: Patricia Briggs
Ficção | Género: fantasia urbana
Editora: Saída de Emergência | Ano:  2011 (originalmente publicado em 2008) | Formato: livro | Nº de páginas: 261 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: Mais um que veio da estante da Filipa.

Quando e porque peguei nele: 7/maio/2012 a 11/maio/2012. Ainda pensei pegar noutros livros, mas gostei tanto do volume anterior que resolvi continuar com esta série.


Opinião: A história neste volume não me pareceu fluir tão bem, sobretudo devido à vida pessoal de Mercy que aparecia do nada e relegava para segundo plano o mistério que a protagonista tem de resolver para tirar o seu amigo e mentor Zee da prisão, e evitar que seja morto pela autoridade dos seres feéricos. Felizmente o triângulo amoroso resolve-se, o que era o ponto mais fraco das histórias, e o último terço do livro, apesar de algo chocante, abre portas para um maior desenvolvimento das personagens, sobretudo da protagonista. Este parece-me ser a mais valia destes livros e o porquê de os achar viciantes.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

27 de abril de 2012

Wicked Games [e-book]

Autor: Jill Myles
Ficção | Género: romance
Editora: - | Ano: 2011 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 22/abr/2012 a 23/abr/2012. Pensei em pegar num romance contemporâneo depois de andar embrenhada nas leituras anteriores por entre a época medieval, com muito latim à mistura, e entretanto recomendaram-me a autora.


Opinião: Não tinha grandes expectativas para o livro, pois já tinha lido um conto da autora (só depois de me recomendarem é que reparei que já tinha lido algo) que, apesar de ter boas descrições de cenas mais para o quente (a escaldar mesmo!), não me tinha conquistado por aí além. Mas lá parti para a leitura, para desanuviar a cabeça de tanto latim (a sério, o latim tanto mexeu comigo que durante a última semana, quando me apanhava sozinha, desatava a cantar os primeiros versos de “O Fortuna”, daí o vídeo para exorcizar a música da cabeça... manias, não liguem).

O enredo tem lugar numa espécie de reality show tipo "Survivor" e, apesar de não ser fã deste tipo de coisas, achei que até estava bem conseguido na medida em que dá um vislumbre das estratégias usadas, formando alianças por modo a votarem concorrentes fora, para chegarem à final e vencer. A protagonista é abordada para participar e escrever um livro sobre o que se passa por detrás das câmaras, apesar de ir algo contrariada nomeadamente porque tem pouco autoestima, apesar de produtor elogiar os seus atributos físicos. *eye roll* Claro está que os restantes competidores são todos bem constituídos, fortes, deuses gregos, modelos de biquínis e por aí fora, e ela apaixona-se pelo melhor, maior e mais belo de todos.

Até estava a ter a sua piada, sobretudo porque o casal protagonista odiava-se a início mas o dependerem um do outro fá-los aproximarem-se. No entanto, a partir do momento em que saltam para a espinha um do outro, a coisa descamba com tanto mel. A meio já só queria era chegar ao final, até porque se torna tudo previsível: a traição, quem está por detrás e as razões para o fazer.

Ainda assim entreteve.

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perderia com isso. Literatura muito light, exatamente o que pretendia, mas começa a aborrecer ver sempre a mesma fórmula. O_o Parece-me que tenho de deixar este tipo de romances um pouco de lado.

Há de seguir-se: Dark Lover (Black Dagger Brotherhoord, #1) de J.R. Ward

5 de março de 2012

The Peach Keeper [e-book]

Autor: Sarah Addison Allen
Ficção | Género: Romance
Editora: Bantam | Ano: 2011 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 24/fev/2012 a 26/fev/2012. Queria ler algo leve e que me desse esperança de qualquer forma, que me desse um final feliz. Conta para os desafios: Book Bingo - Romance.


Opinião: Às vezes parece que os livros nos escolhem ou saltam para a mão, tal como com Claire em O Quarto Mágico, nas alturas em que mais precisamos deles. Este foi um desses livros.

Raramente os livros desta autora desiludem, mesmo quando são mais fraquinhos, como o último que li antes deste, são bons. Mas este está ao nível dos primeiros que li e tanto adorei, de tal maneira que não sei de qual gosto mais. Tinha-me decidido pel’O Jardim Encantado mas o certo é que os três livros são excelentes.

Para começar, esta autora tem um talento magistral para retratar as personagens. Sinto que as conheço e revejo-me nelas. São humanas, reais, têm algumas virtudes e cometeram erros pelo caminho, caíram e voltaram a levantar-se, e percebemos que isso as fez crescer, as tornou melhores e dignas de finais felizes. Também gosto de como a própria cidade aparece como uma personagem, assim como a mansão a ser restaurada. Tudo no livro é uma personagem, até mesmo objetos e percebemos que coisas têm vida e personalidades (até mais que outras personagens de outros livros) distintas, têm algo a dizer.

Outra coisa que não falta neste livro é a magia, muito subtil mas presente. Aqui é representada por uma personagem misteriosa, que cheira a pêssegos, e que envolve a cidade numa névoa, por assim dizer, estranha. No entanto, o que mais me tocou foi o facto de os pássaros, com asas escuras e peito amarelo, serem como uma proteção contra este ente estranho. Devido ao momento em que o li, e que para aqui não interessa, tocou-me de maneira especial e ajudou-me a ultrapassar um dia menos bom neste ano que está a ser de puxar pelos cabelos.

Este livro está carregado de segundas hipóteses, de esperança, de aceitar o passado e o que somos hoje, algo que mexeu um pouco comigo e que estava a precisar de ler. Não digo que seja um “life changing book” mas foi exatamente o que precisava na altura em que o li para não dar asas a algum desespero que vinha sentindo. É esta a magia dos livros.

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Não há muito mais a dizer, adorei e ponto.

Há de seguir-se: American Gods do Neil Gaiman se estiver com paciência para escrever alguma coisa. :P

16 de fevereiro de 2011

Burning Up [e-book]

Autor: Nalini Singh, Angela Knight, Virginia Kantra, Meljean Brook
Género: romance
Editora: Berkley | Nº de páginas: -

Resumo (do site Goodreads): Bring these four authors together and it's sure to ignite a spark...

Angela Knight pairs a vampire warrior and his seductive captor in a battle against demonic predators.

Nalini Singh returns to the world of her Psy-Changeling series as a woman in lethal danger finds an unlikely protector-and lover.

Virginia Kantra continues the haunting tales of the Children of the Sea in her story of a wounded soldier rescued by an enigmatic young woman.

Meljean Brook launches a bold new steampunk series about a woman who strikes a provocative-and terrifying-bargain for freedom.


Opinião: Aconselhado pela Tchetcha, sobretudo por contar com uma “prequela” da série Iron Seas da Meljean Brook de que ela adorou o primeiro livro, aproveitei para ler mais que esse conto, até porque já tenho visto falarem na Nalini Singh por essa internet fora. Mistura muitos géneros, steampunk, romance histórico e paranormal, fantasia urbana, mas o que salta mais à vista é sem dúvida o romance, e tórrido ainda por cima! Segue-se uma breve opinião de cada um dos contos com spoilers. Dou mesmo a conhecer o final de um deles, mas não sei porque raio é que o haveriam de querer ler. De qualquer maneira, ficam avisados.

Whisper of Sin de Nalini Singh

Esta autora foi editada recentemente por cá, e quando surgiu a oportunidade para ler algo dela não hesitei.

Este conto é uma “prequela” da série Psy-Changeling, que penso que não é a escolhida pela editora portuguesa, mas de que tenho ouvido falar bastante por aí. Infelizmente não me conquistou. Senti que apanhei a história a meio e não consegui perceber bem aquele mundo, nomeadamente se os Psy e os Changelings são parceiros, inimigos ou se simplesmente se vão gramando uns aos outros, tentando que não se agitem muito as águas.

As personagens são muito básicas e parece que a relação se desenrola a correr, sendo que também não percebi se os protagonistas já se conheciam ou se Emmett só conheceu Ria depois daquela ter sido vítima de uma tentativa de violação, porque se assim foi é alarmante a velocidade a que ele tenta levar uma suposta vítima de violação para a cama! O_o

Blood and Roses de Angela Knight

Achei-o tão mau, com uma história tão fraquinha, não passa de uma desculpa esfarrapada para levar os protagonistas para a cama, que já nem me lembro de muita coisa pelo que vou socorrer-me das notas do Kindle (afinal é para isso que servem!).

É a história de uma Blood Rose (uma figura criada para servir de companheira/prémio para vampiros) e de como esta tem de se aliar a um vampiro para salvar a sua irmã de ter a alma sugada para um globo capaz de abrir um portal. Convém dizer que a nossa Blood Rose tem problemas de confiança, os vampiros que conhece não são flores que se cheirem, mas é claro que cai nos braços do herói.

O final é das coisas mais parvas que já tive oportunidade de ler. A heroína simplesmente diz para a irmã “joga o teu jogo preferido!”, a irmã desaparece/torna-se invisível lá com o poder que tem e pronto, conseguem confundir e acabar com o vilão! Mas posto isto uma pergunta impõe-se... PORQUE RAIO É QUE A MIÚDA NÃO SE EVAPOROU ANTES? Enfim... completamente parvo e descabido.

Shifting Seas de Virgina Kantra

Depois dos contos anteriores, este foi uma lufada de ar fresco. Pareceu-me uma história com pés e cabeça e de que gostei bastante.

Conta a história de um militar que reformado, por assim dizer, da guerra peninsular toma posse de propriedades na Escócia, visto ser o último descendente vivo do anterior inquilino. Numa saída para conhecer melhor as redondezas, encontra uma estranha mulher com quem trata, rapidamente, de ter sexo. Mas o inevitável acontece e apaixonam-se, no entanto, ela não é moça para se prender nem é igual a outras. A sua ligação com o mar é bastante íntima e tem que abdicar de uma parte de si para ser feliz ao lado do herói.

Pareceu-me o conto mais curto, mas teve melhor caracterização de personagens que os anteriores.

Here There Be Monsters de Meljean Brook

O melhor conto de todo o livro. Com um ritmo agradável de seguir e que permite algum desenvolvimento de personagens, a história de Eben e Ivy arrebatou-me.

Num mundo há pouco tempo liberto da nefasta influência da Horde, que com os seus nanoagents transformava pessoas em zombies e controlava a população, a nossa heroína tenta fugir de Londres num navio. Não tendo dinheiro, oferece-se ao nosso herói, embasbacado por ela desde a primeira vez que a viu, mas ela foge antes de poder embarcar e o herói, como não podia deixar de ser, empreende todos os seus esforços para a encontrar e fazê-la pagar... O destino sorri-lhe quando é ordenado que a encontre, para que ela construa algo que o ajudará na sua luta contra a Horde, e o resto é história.

Gostei bastante do mundo criado pela autora, ainda que seja um pouco confuso a início (não sabemos bem o que é propriamente a Horde ou como começou a infecção) mas fica a curiosidade para conhecer mais. A relação entre os protagonistas também é gira de seguir, com alguns momentos para rir e outros daqueles mais quentes, e evolui de forma constante, com Ivy a mudar a ideia que tinha em relação a Eben devido ao convívio com ele. Pareceu-me uma relação bastante mais credível que todas as outras.

Este conto aconselho deveras, já os outros, leiam por vossa conta e risco.

Emprestado e pouco se perde com isso: O melhor desta antologia é sem dúvida o conto da Meljean Brooks, não fosse ele e a classificação seria “Com tanto livro e tive de pegar neste!” Ainda assim tem méritos. Num período em que pouco ou nada estava a agarrar a minha atenção, estes pequenos contos serviram o seu propósito e distraíram-me um pouco do mês agitado que tenho tido.

2 de fevereiro de 2011

O Décimo Terceiro Conto

Autor: Diane Setterfield
Género: romance
Editora: Editorial Presença | Nº de páginas: 368

Resumo (do livro): Vida Winter passou quase seis décadas a iludir jornalistas e admiradores acerca das suas origens, intrigando-os com histórias fantasiosas que mantiveram oculto o seu passado enigmático, tão enigmático como a sua primeira obra, intitulada Treze Contos de Mudança e Desespero, e que continha apenas doze. Porém, tudo isto pode estar prestes a mudar quando Margaret Lea, filha de um negociante de livros antigos e biógrafa amadora, recebe uma carta da famosa escritora convidando-a a redigir a sua biografia. Pela primeira vez, Vida Winter vai contar a verdade, a verdade acerca de uma família atormentada por segredos e cicatrizes. Mas poderá Margaret confiar totalmente nela? E terá sido ela eleita depositária das confidências por um motivo inocente? À medida que somos seduzidos pelo imaginário rico e intenso que rodeia a família Angelfield e que Vida Winter tece perante nós com a magia de uma verdadeira contadora de histórias, o passado invade o presente e temas como o isolamento, o abandono e a identidade emergem das sombras para dotar o derradeiro conto de um carácter apaixonante. Um romance assombroso, impregnado de ecos de A Paixão de Jane Eyre e O Monte dos Vendavais, que se tornou um bestseller imediato e que será publicado em mais de trinta línguas.

Opinião: Li este livro sobretudo por a Canochinha dizer que era parecido com O Segredo da Casa de Riverton. De facto existem mistérios, fantasmas, um desejo de contar a verdade, mas a história não me prendeu como aquela contada por Morton. Não tenho nada a apontar à escrita nem à história em si, infelizmente foram as personagens que não me agradaram. Nunca senti nenhuma ligação com Vida ou Margaret como senti com Grace. As gémeas nunca me pareceram tão reais como Hannah e Emmeline (curioso como este é também o nome de uma das gémeas neste livro), Missus e John da enxada também nunca suscitaram a minha simpatia. Só não fiquei indiferente a Aurelius, mas penso que isso se deve sobretudo à descrição de “bom gigante”.

Como disse a história não é má. Vida Winter, escritora conhecida pelo seu livro Treze Contos de Mudança e Desespero, ainda que tivesse apenas 12, e por contar histórias quando questionada sobre a sua vida, decide contar a sua verdadeira história. Convida Margaret Lea, que sempre cresceu rodeada de livros e autores mortos, para ser a sua biógrafa e relata-lhe então os acontecimentos da sua juventude. Através da história vamos conhecendo vários fantasmas, não só de Vida mas também de Margaret, já que algo existe de comum à história das duas.

É fácil adivinhar sobre o que trata o 13º conto, mas o final não deixa de surpreender e penso que é aqui que a escrita sobressai. Se tivesse lido com mais atenção e entendesse o porquê da constante referência ao livro de Charlotte Brontë, A Paixão de Jane Eyre que ainda não li (e sinceramente nunca tive muita curiosidade, nem mesmo depois de ler este livro tenho alguma *foge antes que lhe atirem com alguma coisa*), talvez tivesse conseguido resolver o mistério, mas mesmo assim duvido muito. A autora elabora uma complexa teia pela qual é difícil espreitar e só guiados pelas palavras de Vida e cogitações de Margaret conseguimos ver o fim à meada. Mas apesar de tudo isto e de o ter lido neste fim-de-semana de uma assentada, confesso que me custou a entrar nele, já que como disse não me senti ligada às personagens. Houve quase sempre como que uma barreira já que as personagens eram muito voltadas para si mesmas, dando-se a conhecer pouco através da história e pouco se diferenciando na narrativa, sendo o discurso de Margaret e de Vida, quando a primeira lhe dava a palavra, muito semelhantes.

Não estará ao nível de O Segredo da Casa de Riverton, mas não deixa de ser um livro interessante, sobretudo para quem gosta de livros cuja acção decorre em ambientes góticos, com fantasmas e personagens com doenças mentais. Para quem gosta de ser iludido, de ser contado uma história que pouco a pouco vai erguendo o véu para dar a conhecer a verdade.

Vale o dinheiro gasto: Este volume foi-me emprestado mas penso que valerá o dinheiro gasto, ainda que os cerca de 20€ pelo qual está disponível na Wook me pareça um valor um pouco elevado. No entanto, não o penso adquirir. Acho que uma releitura em nada contribuirá para uma melhor compreensão da história, talvez o fizesse só para verificar se seria capaz de descobrir o segredo mais cedo ou se a autora se traiu nalgum lugar.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...