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30 de agosto de 2014

O Fio do Tempo

Autor: João Paulo Oliveira e Costa
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Temas e Debates | Ano: 2011 | Formato: livro | Nº de páginas: 352 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: foi comprado em 2011. Sim, este é o ano de andar a ler o que está para trás...

Quando e porque peguei nele: li-o de 4 a 12 de agosto. Já era altura de pegar nele, pois tenho vindo constantemente a adiar, e queria ler um autor português. A diversidade literária começa por ler mais coisas nacionais. :P

Opinião: Já tinha gostado bastante do primeiro livro que li deste autor, pelo que este acabou por não ser uma surpresa, antes uma confirmação. Aborda sensivelmente o mesmo período, o século XV português, mas desta feita através de um homem a completar os seus 101 anos de vida. E que vida preenchida teve o D. Álvaro de Ataíde!

Por entre as várias recordações de Ataíde, ficamos a conhecer momentos importantes da História portuguesa, como a tomada de Ceuta, assim como a intriga política da época, passando por 5 reinados e um período de regência. Também é engraçado perceber a mudança que se dá da época medieval, sendo que o protagonista é ainda como que um cavaleiro feudal chegando mesmo a participar em justas, para a época moderna, com os Descobrimentos portugueses que, apesar de menos focados, são importantes para entender as alterações ténues que se vão dando em Portugal.

Se o detalhe e reconstrução histórica se destaca, já as personagens acabam por ser algo unidimensionais. Não consegui mesmo ligar-me emocionalmente ao protagonista, apesar de ter gostado de acompanhar a sua história e ter ficado fascinada pelo seu fascínio com o tempo e, sobretudo, com a ampulheta. Também tenho de dizer que gostei dos seus diálogos com os espíritos. As personagens servem o livro mas não há grande construção para além de um ou dois traços de caracterização. Penso que isto já se notará em O Império dos Pardais mas foi aqui que o senti verdadeiramente e fez-me desgostar um pouco menos da leitura.

Não será um livro de leitura compulsiva, até porque os constantes saltos temporais e nem sempre lineares obrigam a estar com alguma atenção, e julgo que não agradará a todos, mas quem gosta de História, nomeadamente portuguesa, tem aqui uma boa aposta.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

10 de março de 2014

Discussão: The Mysterious Death of Miss Austen

Nas últimas semanas (último mês?), Slayra do Livros, Livros e mais Livros e eu resolvemo-nos a fazer nova leitura conjunta depois do sucesso estrondoso das duas primeiras! xD

Ponto positivo? Acabei o livro! *faz dança da vitória* Ponto negativo? Título e sinopse enganadoras. Podem ler mais sobre o que achámos da leitura aqui.

Sobre o livro:
Autor: Lindsay Ashford
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Honno | Ano: 2011 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês


13 de fevereiro de 2014

O Forte

Autor: Bernard Cornwell
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Saída de Emergência | Ano: 2011 (originalmente publicado em 2010) | Formato: livro | Nº de páginas: 400 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: Comprado em novembro de 2013, aproveitando um promoção da editora e da revista Sábado.

Quando e porque peguei nele: entre 8 e 18 de janeiro de 2014. Porque sim! :P Estou a tentar domar a pilha e nada melhor que começar por ler as últimas aquisições que tenho feito. Assim conta para o desafio anual (também conhecido agora por desafio mini-pilha, porque -> mini-pilha :P) na categoria "nova compra".


Opinião: Bernard Cornwell... há quanto tempo não lia um livro teu? Provavelmente desde os tempos em que andava na faculdade e atirei-me que nem doida aos áudios do Sharpe. *suspira* Bons tempos esses, tirando a parte do ter de estudar e tal... :P Mas o certo é que já tinha saudades da descrição das batalhas, dos desmembramentos e do cheiro acre dos canhões pela manhã. :D Há momentos em que uma moça tem de ler livros românticos e fofos, há outros em que tem de ler sobre como um homem é despedaçado por um canhão.

Havia lido o excerto disponibilizado pela editora quando o livro foi publicado por cá, e apesar de ter gostado, várias circun$tâncias impossibilitaram que o lesse até agora, e foi de facto uma boa maneira de começar o ano pois não desapontou, ainda que esperasse um bocadinho mais. Não achei a história tão interessante como as do Sharpe e demora um pouco a construir a história, porque sim, eu só leio Cornwell pela ação e a descrição sangrenta e realista do campo de batalha. Também gosto de ver explorada a tática, afinal até foi com os seus livros que comecei a perceber de táticas militares, mas a indecisão das personagens deste livro é tão grande que tornou a leitura, em alguns momentos, aborrecida. No entanto, parece que a indecisão é verídica, e terá custado a vitória aos americanos, pelo que a Cornwell não se lhe pode apontar nada a não ser uma excelente pesquisa.

Li há tempos, já não sei onde, alguém que dizia algo como "se as aulas de História fossem como os livros do Cornwell, seriam bem mais interessantes!" e eu só posso concordar. Claro que não quer dizer que as coisas se tenham desenrolado realmente da maneira que ele conta, mas a forma como apresenta os acontecimentos é suficientemente realista para pensar que sim. O que achei mais curioso foi o facto de apresentar bastantes personagens arrogantes (ou não fosse uma das partes americana, ahah! :P), das quais há que destacar Paul Revere, o único nome que reconhecia e que sabia ter tido alguma importância durante a Guerra da Independência Americana. Mas aparentemente fui enganada, como outros, por um poema e Revere não terá sido assim um herói americano tão digno como isso e esta "desmistificação" relembra então que a imagem que fica para História pode não ser a mais correta, e que aquela é uma ciência falível (como quase todas, aliás, pelo menos ciências sociais) em que o resultado depende sempre do ponto de vista.

É portanto um bom livro, que se lê bem, sobretudo para quem gosta de História ou se interesse pelo tema. Pouco ou nada sei sobre este período da História Americana, na verdade sei muito pouco sobre a mesma, pelo que esta leitura acabou por se tornar proveitosa dando-me a conhecer uma batalha da qual nada sabia e um lado de um herói que também desconhecia. Além disso, e porque talvez ande mais pensativa (e depressiva), apesar de gostar de sangue não deixa de incomodar que realmente guerras deste tipo (e tantas que aconteceram ao longo do tempo) tenham acontecido e tomado a vida de tantos jovens, muitas vezes em erros de cálculo por parte de comandantes inexperientes ou vacilantes. Não que generais experientes e conscientes sejam melhores, simplesmente este tipo de coisa não devia existir.

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Como qualquer livro do autor, aposto. :P É ficção histórica no seu melhor.

29 de dezembro de 2013

Curtas: The Handmaid's Tale [e-book], The Book Thief [e-book]

Ora aqui fica um resumo muito resumido do que vi e li para ver se em 2014 começo do nada e consigo manter um registo como deve ser por aqui, coisa que este ano foi muito ao lado.

Começando pelos livros... Sim a minha tentativa para escrever algo coerente sobre The Handmaid's Tale, The Book Thief e Persépolis saiu completamente ao lado, aqui vai uma nova tentativa.

Título: The Handmaid's Tale [e-book]
Autor: Margaret Atwood
Ficção | Género: ficção científica
Editora: Harcourt | Ano: publicado originalmente em 1985 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: entre 2 e 17 de outubro, para uma leitura conjunta do SLNB. Também conta para o Mount TBR Challenge e para o Book Bingo.

Sinopse

Opinião: Este é um relato impressionante de uma mulher numa sociedade distópica, de cariz teocrático e fortemente hierarquizada, mesmo dentro da separação entre sexos e sendo sobretudo notório no género feminino. As classes não se centram tanto na riqueza, mas sobretudo no papel que cada mulher tem na sociedade: mãe, procriadora e cuidadora. E digo que é um relato impressionante não só porque é uma história demasiado real, demasiado verosímil, mas porque a relação de um indivíduo com o seu corpo, com a sua mente, a sua relação com os outros e até com a religião, encontra-se muito bem explorada. Convida a pensar e avaliar-nos a nós próprios.

Veredito: Para ter na estante.

Título: The Book Thief [e-book]
Autor: Markus Zusak
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Knopf | Ano: 2007 (publicado originalmente em 2005) | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: entre 12 e 24 de novembro, já que ganhou a votação para o Monthly Key Word Challenge. Também conta para o Mount TBR Challenge .

Sinopse

Opinião: Não vou negar, esperava gostar mais. No entanto, adorei o facto de se passar durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha e mostrar um grupo de pessoas comuns e como são atingidos pela guerra. Gostei da narração pela Morte, das suas reflexões sobre o que via e sobre o seu trabalho. Não fiquei fã da rapariga que roubava livros, mas há outras personagens que dão cor e profundidade ao livro com os seus problemas, as suas desventuras e o seu amor por aquela rapariga, como Max, Rudy, Hans e até Rosa. Sim, eu não gostei dela mas gostei das restantes personagens por o fazerem.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

10 de setembro de 2013

Atlas das Nuvens

Autor: David Mitchell
Ficção | Género: é tão difícil defini-lo! Ficção histórica, thriller, ficção científica...
Editora: Dom Quixote | Ano: 2007 (originalmente publicado em 2004) | Formato: livro | Nº de páginas: 616 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: emprestado pelas BLX apesar de ter o áudio-livro, mas estou um pouco destreinada em acompanhar coisas em áudio e pareceu-me que esta história também não seria convenientemente apreciada nesse formato.

Quando e porque peguei nele: 27 de agosto a 8 de setembro. Ganhou a votação do Monthly Key World Challenge mas como me chegou mais tarde do que pretendia às mãos acabou por não entrar para o desafio. Estou condenada a não completar nenhum. xD Mas tenho lido coisas tão boas!


Opinião: Eis um livro difícil de definir e sobre o qual me vai ser difícil escrever, apesar de já ter falado bastante dele por aí. O melhor talvez seja ir escrevendo sobre a leitura e ver no que vai dar...

Ora, o livro abre com o diário de Adam Ewing e tudo estava a correr bem até me encontrar com o final do capítulo e... uma frase que acaba a meio! Fiquei piursa, pior que estragada porque achei que o autor ou a editora estavam a gozar comigo. Pensei em mandar o livro às urtigas até que me decidi a dar uma vista de olhos pelo livro e reparei que, afinal de contas, a história continuava. Parei, coloquei o livro de lado e pensei "ok, isto parece que vai variando entre histórias, talvez deva acalmar-me e continuar amanhã". E foi o melhor que fiz. Convém se calhar dizer que não tinha lido críticas ao livro, apenas um comentário ou outro, não que não me interessasse (apesar de que quando começou a aparecer eu tenha pensado "é um livro de auto-ajuda?" e tenha ficado algo de pé atrás) mas porque há aqueles livros que sinto que mais cedo ou mais tarde hei-de ler e quero ir completamente às escuras para a sua leitura. Assim, apesar de quase todas as críticas falarem em matrioshkas (o próprio livro as refere) e fazerem referência ao facto de as várias histórias serem interrompidas e recomeçadas, acabei por ser apanhada de surpresa.

Dizia então que colocar de lado e voltar a pegar no dia seguinte, depois do breve momento de frustração, acabou por ser o melhor pois a partir daí passei a adorar o livro. O segundo capítulo pareceu-me estar para os sons como O Perfume está para os cheiros; no terceiro deparei-me com um thriller; o quarto pareceu-me uma coisa confusa mas com potencial para o humor; o quinto apresentou-me uma história de ficção científica; o sexto e último, e o único contado de forma sequencial, uma distopia! Até que voltei ao quinto e às histórias precedentes. Conforme vamos avançando nas várias histórias vamos vendo pontos em comum mas, confesso, não estava a perceber bem qual seria o intuito até chegar à história central e, posteriormente ao final de todas as outras. A última, nomeadamente as duas últimas páginas, fecham então o círculo e deixa claro a intenção do livro, é um alerta sobre o lado predatório do ser humano ("os fracos são a carne, os fortes comem-na"), sobre como o domínio e o poder movimentam, fazem andar ou, aparentemente, evoluir a Civilização, mas num sentido que talvez não seja bem o que a Humanidade espera. Este livro relembrou-me uma citação do FlashForward e, para dizer a verdade, senti como se tivesse sido visitada pelo Fantasma do Natal que Está para Vir.

Mas não temos apenas uma visão pessimista do mundo e do futuro, há também uma nota de esperança, ainda que algo ténue, de que as boas acções também produzem efeitos e podem impedir que "um mundo puramente predatório acabe por consumir-se a si próprio". As nossas acções podem parecer que em nada afectam o mundo, que não têm outro efeito se não em nós, mas um homem não é uma ilha e muitas vezes só anos, e porque não séculos, mais tarde podemos perceber como determinada acção ou decisão nos afectou ou a outros.

Não há então como negar, em termos de escrita e de história este livro é dos melhores que li este ano, se não mesmo dos que li até hoje. A multiplicidade de estilos e de vozes dá a este livro um carácter único e, parece-me, difícil de imitar. É um exercício fantástico em termos de ligação de histórias e personagens, mostra o à-vontade do autor com os mais diferentes géneros, um domínio da linguagem e de várias formas de comunicação. Temos um diário, cartas, um livro dentro do livro, uma história para ser convertida em filme, duas sociedades com diferentes linguagens: uma consumista, onde a marca se sobrepõe ao objecto passando a identificá-lo, e uma outra sociedade onde a linguagem é mais contraída, fragmentada parece-me. Mas apesar de isto tudo, faltou-lhe algo para ser brilhante.

Apesar de ter gostado de todas as histórias, não tenho nenhuma preferida, sinto que uma maior ligação emocional com as personagens transformaria este livro em algo ainda mais transcendental. Não sei se foi por serem histórias curtas, e por isso não haver muito espaço para desenvolvimento e aprofundamento das personagens, mas senti sempre como uma observadora de fora, mais à espera de ver o que dali saía do que propriamente investida na história que estava a ser contada. Senti mesmo que era "como se seguíssemos uma pessoa numa rua e a acompanhássemos durante o seu dia, até que esbarra com outra pessoa e depois passamos a seguir essa outra pessoa e observamos um pouco da sua história e como foi ou não afectada pela anterior", mas sem mais nenhuma razão que a curiosidade de ver como a sua vida mudava ou não. Era mais movida por curiosidade, por ver como é que todas estas histórias se ligavam (e tenho a certeza de que muita coisa, mesmo assim, me passou ao lado), do que propriamente por importar-me e querer tudo de melhor para as personagens. Não sei se me faço entender... :/

Enfim, até porque isto parece que já vai longo, este não é daqueles livros para devorar de uma assentada. Resolvi ler um capítulo por dia, porque assim deu-me tempo para pensar nas diferentes histórias e temas, e não me arrependo. Há leituras que se devem fazer devagar e este livro, e o próprio leitor, só têm a ganhar com isso. Apesar de não ter feito um grande click comigo não deixo de o achar um livro brilhante e só o posso recomendar.

Veredito: Vale o dinheiro gasto mas está perto, muito perto, de um para ter na estante. Consigo ver-me a relê-lo vezes sem conta. Simplesmente algumas frases, um ou outro capítulo, todo o livro da forma como está escrito ou as histórias sem qualquer interrupção. Parece ser daqueles livros que dá e a cada releitura pode dar ainda mais.

29 de agosto de 2013

O Navegador da Passagem

Autor: Deana Barroqueiro
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Porto Editora | Ano: 2008 | Formato: livro | Nº de páginas: 448 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: mãe comprou na Feira do Livro em 2011.

Quando e porque peguei nele: li-o entre 29 de julho e 26 de agosto. Achei que já era altura de pegar num livro de ficção histórica por um autor português. Conta para o Portuguese Historical Fiction ChallengeBook Bingo (que também engloba o anterior) e para o Mount TBR Challenge.


Opinião: Eis um livro que me deixa com sentimentos diferentes. Se por um lado adorei a parte histórica, o retrato da vida no mar, as intrigas políticas da época, não posso dizer que tenha gostado do enredo por aí além.

Parte da minha desilusão deve-se ao modo como a história está escrita. Há 3 linhas temporais: o presente, onde Bartolomeu Dias vê um cometa e, como é do conhecimento geral, trazem más notícias (ou dragões! :D ), um passado recente e um passado mais-que-perfeito. Vendo o tal cometa e sentindo-se perto do Cabo que dobrou, e que o tornou Capitão do Fim, Bartolomeu é assaltado por memórias da preparação para esta sua última viagem. Memórias essas que o levam ainda mais longe, até 13 anos antes, à viagem em que dobrou o, para si, Cabo das Tormentas não só por a empresa ser por demais difícil, mas também porque nessa viagem se apaixonou e perdeu o seu grande amor.

Os saltos são constantes, sobretudo entre a segunda e terceira linhas temporais, sendo quase que num capítulo se conta uma, no seguinte a outra e assim sucessivamente, até ao ponto em que o final dos capítulos da segunda linha temporal acabam por ser repetitivos com tanto "e viu-se atirado para outras memórias" e coisas parecidas. Devido a isto, não me consegui ligar emocionalmente às personagens porque acaba por não existir grande aprofundamento das personagens, para além do nosso narrador e protagonista, e, juntando o facto de os capítulos serem pequenos (até 6 páginas salvo erro), há constantes cortes na ação pelo que não há também um investimento na linha narrativa. Assim não consegui perceber o romance, não consegui importar-me com o futuro das escravas, talvez com a excepção de Oronse, e dos marinheiros com que viaja, apenas fiquei com interesse em saber o que acontece a Uraçá.

Acaba por parecer mais uma aula de história, contando como se deu o achamento do Brasil, como é que estabeleciam o contacto com os povos autóctones das regiões que encontravam, como Portugal, e sobretudo D. João II, procuravam no mar a grandeza que não poderiam ter no continente, com um reino de Aragão e Castela tão poderoso ali mesmo ao lado, do que propriamente uma aventura nos Descobrimentos, que era o que eu esperava. Não é mau, mas não correspondeu às minhas expectativas.

Veredito: Diria que é um se fosse emprestado pouco se perderia com isso, mas como gosto de História acaba por ser um vale o dinheiro gasto. Fiquei interessada em ler mais da autora, agora que sei o que esperar dos seus livros, mas acho que faz falta algo apenas para divertimento. Algo como Sharpe mas em português, com heróis portugueses, passado em momentos da História de Portugal (e sim, eu sei que o Sharpe andou por cá nas suas aventuras).

30 de outubro de 2012

Curtas: Londres: Distrito Criminal, As Aventuras de Hornblower (Saga Hornblower, #1), Homem-Aranha - Integral Frank Miller (Heróis Marvel, #1)

Título: Londres: Distrito Criminal
Criado por: Dick Wolf
Atores: Bradley Walsh, Harriet Walter, Freema Agyeman

Mais informação técnica no IMDb.

Quando e onde o vi: já não me recordo das datas mas vi no AXN onde penso que está a ser repetida.

Temporada: terceira (apesar de achar que no Reino Unido corresponde às 5ª e 6ª temporadas) mas também segui as outras, ainda que não de forma tão assídua, não havia videoclube ou o Timewarp da Zon Iris...

Opinião: Acabei por gostar bastante. Não sou grande fã do "Law & Order" americano nem de séries sobre advogados, mas esta consegue manter-me interessada, apesar de realmente preferir a parte policial. Penso que mesmo a química entre a dupla de polícias está mais bem conseguida que a dos advogados, apesar de gostar da personagem da Freema Agyeman mas o outro... *torce o nariz*

Veredito: Deu na televisão pelo que não se perde nada com isso.

Título: As Aventuras de Hornblower (Saga Hornblower, #1)
Autor: C.S. Forester
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Saída de Emergência | Ano: 2012 (originalmente publicado em 1950) | Formato: livro | Nº de páginas: 272 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: comprei-o este ano mal foi editado, que há muito tempo esperava por lhe colocar as mãos em cima.

Quando e porque peguei nele: 18 a 23/setembro. Há tanto tempo que esperava que peguei nele assim que pude.


Opinião: O livro apresenta uma série de contos desde que Horatio Hornblower entra na Marinha até que ascende ao posto de tenente. As histórias variam em interesse mas acabam por valer a pena ser seguidas, sobretudo por contarem como seria a vida a bordo e mostrarem a importância dos navios na guerra. Infelizmente, eu pouco ou nada sei de barcos e termos navais pelo que não me importaria se houvesse um glossário ou desenhos a ilustrar os diferentes tipos de navios.

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Mas sobretudo porque eu gosto deste tipo de coisas, de outro modo seria se fosse emprestado pouco se perderia com isso.

Título: Homem-Aranha - Integral Frank Miller (Heróis Marvel, #1)
Autor: Frank Miller
Ficção | Género: comic
Editora: Levoir | Ano: 2012 | Formato: livro | Nº de páginas: 192 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: comprado este ano aproveitando a coleção lançada pelo Público.

Quando e porque peguei nele: 6/agosto a 24/setembro. Comecei por lhe pegar numa altura em que nada do que lia me interessava. Acabei por encontrar livros que me agarraram a atenção e coloquei-o de lado até me decidir a pegar-lhe novamente. 


Opinião: Sou fã da personagem, sobretudo dos desenhos animados dos anos 90 e nem tanto dos filmes *estremece só de pensar no Tobey Maguire* daí que tivesse algumas expetativas até porque conta com o talento de Frank Miller, de quem já tinha lido 300. Mais uma vez, as histórias variam em interesse, gostei sobretudo das que contavam com o Daredevil (esse sim só conhecia dos filmes e até gostei) e espero vir a ler mais sobre o Homem Sem Medo. Também gostei do Dr. Estranho mas o melhor é mesmo o sentido de humor do Spidey. :D É uma pena que a última história não tivesse continuação, já que o Frank Miller deixou de estar envolvido, mas há um resumo pelo que não é assim tão mau.

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perderia com isso.

17 de setembro de 2012

Discussão: Nunca Me Esqueças

Autor: Lesley Pearse 
Ficção | Género: Ficção Histórica
Editora: Edições Asa | Ano: 2008 (publicado originalmente em 2003) | Formato: livro | Nº de páginas: 432 | Língua: português


A primeira espécie de leitura conjunta correu tão bem, exceptuando a parte em que nem eu nem a Slayra  do "Livros, Livros e mais Livros" parece ter apreciado assim tanto a leitura, e foi tão giro de fazer, que resolvemos passar a fazer disto um hábito. Ou pelo menos tentar fazer disto um hábito. :D

Desta feita, andávamos a passear por livrarias, como sempre, quando surgiu-nos a ideia de ler este livro que, segundo várias opiniões, tinha uma capa enganadora. Apesar de parecer um livro de romance leve e cor-de-rosa, contaria a vida de uma convicta que teria sido deportada para Nova Gales do Sul, Austrália, numa tentativa de colonizar aquele território.

Apesar de se debruçar sobre um tema que poderia interessar a ambas e contar com uma personagem feminina inteligente e forte, o certo é que mais uma vez não ficámos convencidas com a leitura.

WhiteLady: Teste, teste! Vê lá se consegues escrever alguma coisa :D

slayra: teste. TESTE! *bate no microfone*

Declaro oficialmente aberta a discussão sobre o livro Nunca me Esqueças da Lesley Pearse (estou-me sempre a lembrar da amiga da Pocahontas a dizer “nunca... esqueças... esta terra”). Mas espera, quem tem de declarar esta discussão aberta és tu, WhiteLady, que és a dona do documento. *afasta-se devagarinho*

WhiteLady: LOL Ainda não acabei o livro, estou a chegar a meio, mas meu Deus como a mocinha é irritante! Já perdi a conta às vezes que ela, ou outra pessoa qualquer, diz que é mais inteligente e limpa que todas as outras e como elas têm inveja! E está sempre a dizer como o Will é alto e loiro, e como o Tench é simpático. Já revirei os olhinhos tantas vezes.

slayra: ahahah, estás a ver-me a escrever em tempo real? Eheh. Bem, concordo 100% é mesmo irritante a Mary [Sue]. xD 

Não sei se já chegaste à parte em que o Will deixa de ser mais que perfeito. É uma justificação para a Mary ser mais uma vez, heróica e fixe. :P

WhiteLady: Se te referes à parte em que ele é açoitado por roubar peixe para vender, sim. Também não gostei de como ela podia “vender o corpo” a troco de roupa e comida, mas valha-nos Deus se as outras querem ter sexo com tudo o que anda ou em troca de bebida! Ok, não será a coisa mais aconselhável de se fazer, mas irritou-me que o seu propósito fosse considerado bom, apesar de acabar por usar as pessoas, e as restantes fossem vilipendiadas quando o faziam pela mesma razão, mesmo que quisessem em troca outras coisas.

Mary Bryant, interpretada por Romola Garai, na minisérie
The Incredible Journey of Mary Bryant
slayra: É. Coisinha “self-righteous” a Mary. As suas acções são sempre justificadas, mas quando as outras fazem a mesma coisa, são umas depravadas. Gosto também do facto de que todos os criminosos são descritos como sendo preguiçosos, maldosos, etc. A autora não terá noção de que muitas daquelas pessoas eram criminosos de circunstância? E que muitos deles roubavam por ter fome ou eram *gasp* inocentes? A Mary roubou um chapéu mas mesmo assim continua a ser moralmente sã e o seu acto foi justificado. O resto das centenas de pessoas... são pessoas sem redenção possível. Como disse: construção simplista das personagens; fazer toda a gente parecer tão má que a nossa heroína é quase perfeita. Bah.

WhiteLady: Sim, isso também me irritou. Mas há alguns que até eram boas pessoas, roubam para não passar fome, mas acabam na forca por não serem tão engenhosos como a nossa heroína. A sério, ela lembra-me tanto a Ayla, dos Filhos da Terra, que estava à espera que ela aprendesse a linguagem dos nativos de um dia para o outro, como quase acontece! xD E o que dizer de ela engravidar para segurar o Will? E não me venham dizer que é para sobreviver... Ela é, raios falta-me a palavra... Mas não é moralmente boa, o facto de ter que sobreviver não desculpa todos os seus actos.

slayra: Maquiavélica? xD Lol, exagero, mas sim, acho que há uma distinção demasiado vincada entre a Mary e os “outros”. Não a condenaria por esse acto normalmente, porque compreendo que de acordo com a situação e a época era o que ela podia fazer para sobreviver, mas também não percebo porque é que a autora sente a necessidade de fazer ver o leitor que a Mary toma decisões moralmente duvidosas porque “tem que ser” e os outros fazem-no porque têm pouca moralidade. Sinceramente e realisticamente penso que todos o fazem por razões semelhantes... :P 

WhiteLady: Devia ter atenção ao que escreves. :D Não tinha reparado que já estava noutra página.

Exacto, todos roubam para sobreviver, agora quando ela faz é bom e quando são os outros ainda bem que são castigados, é bem feita para eles, é muito mau. Revela pouca sensibilidade. Além disso, ela é vista como uma heroína porque exigia coisas e tal para o bem comum, mas vai-se a ver é o seu próprio umbigo que tenta proteger e salvaguardar. Já teria colocado o livro de lado, mas acaba por fornecer uma boa visão, a meu ver, de como a colonização da Austrália foi feita, tema que até agora nunca vi explorado. Aliás, nunca li nada sobre colonização, a não ser nos livros de história, e estou a gostar de ler sobre as dificuldades que enfrentaram. Estaria o governo inglês à espera de uma colonização bem conseguida sem mandar artífices experientes e trabalhadores agrícolas? Eram assim tão ingénuos? Se calhar pensavam: “ah e tal, como não têm nada vão ter que se desenrascar e com o desenrascanço vem progresso” mas não deixa de ser um pensamento ingénuo, tendo em conta as incertezas sobre a fertilidade da terra e a viabilidade de culturas, e a existência ou não de fontes de água doce.

slayra: É verdade. É a primeira vez que leio um livro sobre este tema. Na verdade não sei muito sobre o assunto e foi uma leitura esclarecedora, se bem que é daqueles livros que leio com algum cuidado. Parece-me que a autora tomou algumas liberdades com o período.

Penso que a Austrália era sobretudo um local conveniente onde “largar” os indesejáveis da sociedade. Talvez o governo tenha tido em conta o facto de ser um território pouco viável em termos agrícolas e tenha decidido fazer uma experiência. Se resultasse, óptimo, se não... sempre tinham um local para despejar todo o tipo de criminosos. Duvido que tenham conseguido muitos voluntários para colonizar a terra.

WhiteLady: Realmente, acredito que não houvesse muita gente disposta a abandonar tudo para ir para o outro lado do mundo, sem terem a certeza que seriam bem sucedidos. Mas tendo em conta que muita gente vivia em dificuldades, a promessa de terra e casa poderia ser aliciante. E já não digo o “formarem” os criminosos. Dá ideia que os deixam andar como querem e no entanto dão-lhes os alimentos racionados. Devia ser “trabalhas, comes” mas da maneira que é descrito, pouco ou nada fazem. O_o Mas vai daí pode dever-se à parte em que eu estou.

slayra: Não, penso que os condenados eram muito maltratados, quase como escravos, mas também não me parece que os oficiais vivessem muito melhor. 

WhiteLady: Ok, está decidido, para a próxima escolhes tu o livro porque acho que, mais uma vez, não vou acabar a leitura. Sinto-me culpada por tal, porque esta até devia ser uma heroína à minha medida pois é inteligente, strong willed e, apesar de não andar à porrada, não se deixa ser pisada. Mas irrita! Irrita que volta e meia tanto a Mary como as restantes personagens enumerem todas as suas virtudes e qualidades. Irrita que mais ninguém para além de Mary pareça ter um Tico e um Teco. Irrita que a Mary seja “oh tão boa e a mais capaz de entre todos!” Chegam a chamar-lhe “Virgem Maria” pelo amor de Deus! *massive eye roll* É, praticamente, a rainha das Mary Sues! É pena. Um pouco mais de humildade e penso que teria gostado da personagem. Assim, juntando-se à suposta moralidade (em que condena os outros mas é capaz de fazer o mesmo), deixa-me sem qualquer tipo de curiosidade para saber o que o futuro lhe reserva, até porque acho que daqui a pouco os homens no barco instituem a religião da Mary Bryant e já estou farta dos louvores que lhe fazem...

É verdade, não chegámos a falar da capa...

slayra: Lol, não sei se terei mais sorte do que tu na escolha de um livro. xD Nah, no problem, se não gostas não leias, assim perdes tempo que podias estar a utilizar para fazer outras coisas. 

Realmente é uma pena que a Mary seja tão irritantemente perfeita porque a história em si poderia ser interessante... 

Quanto à capa (e à sinopse) acho que é (são) das coisas mais enganadoras que já vi. Esperava um livro completamente diferente. Antes de ler a sinopse esperava um romance contemporâneo; depois de ler a sinopse esperava um romance histórico daqueles mais leves.

De leve isto tem pouco; aliás, uma das coisas que me incomodou foi o facto do Will de repente se tornar um grande vilão chegando ao ponto (não sei se já leste esta parte) de violar a Mary. Não tem nada a ver com o tipo de pessoa que ele era no início; acho que a personagem está a agir como se fosse uma pessoa completamente diferente. :P Tudo para que a Mary possa ser moralmente superior no fim quando o “perdoa” (o que para mim só faz pior; este tipo de coisas não se “perdoa” nem se justifica). Ao mesmo tempo a autora sujeita a personagem principal a muito mais degradação do que seria necessário, na minha humilde opinião. 

WhiteLady: Também me sinto enganada quanto à capa e à sinopse. Já agora, até onde vai ela por amor? E amor a quem? Aos filhos? Will? Tench? Detmer ou lá como se chama o holandês? Ou vai até ao fim do mundo por amor a si própria? :D Sim, li a parte da violação e achei toda essa parte ridícula. Andam a lutar pela vida e o homem pensa que toda a gente quer comer a sua mulher? Achava que ela ia meter-lhe os cornos mesmo debaixo do nariz? Com gente com quem têm de estar 24h por um período de tempo indefinido? A sério, era mesmo em sexo que iam pensar quando andavam a lutar pela vida?! Mas vai daí, nunca tive na situação deles e já sabemos que criminosos não se regem pelas mesmas leis que a Mary, ou pelo menos quando convém à autora/história... *assobia inocentemente* Quanto à degradação, é só para mostrar quanto mais superior ela é. Não basta ser mais bela, mais limpa, mais inteligente... é a mais compassiva, é aquela que é capaz de perdoar os mais terríveis atos cometidos contra a sua pessoa... Não admira que lhe chamem Virgem Maria de tão pura e dócil que é...

slayra: Ou seja, mais uma leitura que foi para o galheiro. :P Sinceramente começo a questionar a qualidade dos autores que se publicam em Portugal. Mas talvez outros livros da autora sejam melhores. No entanto acho que esperar personagens minimamente complexas não é pedir muito. Estava a pensar que o próximo livro a ler (quando quiseres) pode ser aquele do Pride, Prejudice and Platypus; pelo menos esse já sabemos de antemão que vai ser ridículo... or do we? xD 

WhiteLady: Comigo há muitas leituras que têm ido para o galheiro este ano. Sinto que realmente estou a ficar mais exigente com as histórias e, sobretudo, com as personagens porque, como tu, acho que não é pedir muito personagens com algo mais substancial. As pessoas cometem erros e não são perfeitas, porque insistem em escrever personagens tipo Mary Sues? 

Há mais alguma coisa que queiras focar, tendo lido o livro todo? Não? Então ficamos por aqui. :D

E sim! Pride, Prejudice and Platypus parece-me uma excelente escolha! :D

WhiteLady - Não acabei
Slayra - 1.5 estrelas

Curioso, demos as mesmas notas que na outra leitura. xD

13 de setembro de 2012

A Noiva Bórgia

Autor: Jeanne Kalogridis
Ficção | Género: Ficção Histórica
Editora: Difel | Ano: 2006 (publicado originalmente em 2005) | Formato: livro | Nº de páginas: 512 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: veio das BLX. Achei que trazer apenas dois livros era pouco, então trouxe 3. :D

Quando e porque peguei nele: 20/agosto a 26/agosto. Tem Bórgia no título, tinha ouvido falar bem e queria ler algo do género. Conta para o desafio: Book Bingo - Ficção histórica


Opinião: Depois de não ter terminado o livro da Philippa Gregory e desejando, ainda assim, ler um livro de ficção histórica, aproveitei para ler este não só porque “OMD Bórgias!” e a segunda temporada está para estrear no AXN (claro que com a minha sorte vou perder quase todos os episódios ao ir para outras paragens, mas férias! \o/ ), mas também porque tinha ideia que o pessoal tinha gostado. De facto o livro até começa bem, é muito mais agradável seguir Sancha do que a Maria Bolena de Gregory, que me mexeu imenso com os nervos. Sancha parecia uma personagem mais decidida, com um lado mais negro ou não descendesse de doidos, como o seu avô que teria uma sala pejada de cadáveres dos seus inimigos. Talvez por isto, e por saber que para além de se casar com um Bórgia havia sido também amante de outros dois, esperava um outro tipo de história e evolução de personagem. Mas a partir do momento em que entram os Bórgias em cena, a coisa descarrila e acabou por perder o interesse.

A Sancha é a MAIS bela de todas e TODOS os Bórgias, com exceção de Lucrécia porque é gaja, se apaixonam por ela. Ou pelo menos querem ir para a cama com ela. Mas ela só tem olhos para o bonitão do César, até que descobre que só é bom como o milho por fora, pois não há criatura mais cruel que ele, e isto é dizer muito quando não há um único Bórgia bom pois Jofre é fraco, Juan é convencido e viola-a, o Papa é lascivo e incestuoso, a Lucrécia é uma bitch incestuosa mas também ingénua, conforme conviesse à história e desse jeito à autora. *suspiro*

Basicamente, o retrato resume-se a Bórgias são fracos ou a pior escumalha que alguma vez pisou a terra. Eu sei, sou parcial porque sou fascinada pela família, muito pelo que de mal se conta, mas chateou-me que não tivessem qualquer traço redentor, que os laços de família, que supostamente seriam fortes (se esquecermos a questão de Juan e César), aqui fossem apenas de conveniência, para atingir fins pessoais como no livro da Philippa Gregory e não para o bem comum da família. Um dos exemplos é a relação que Sancha, neste livro, tem com o irmão e que seria mais próxima da que Cesar e Lucrécia partilhavam, e eu esperava, do que a apresentada, que segue então a linha do incesto conforme propagandeada pelos inimigos da família. Sim, porque apesar da autora apresentar tal coisa como facto na nota final, não há qualquer suporte para tal coisa, para além dos rumores. Se ainda hoje na vida política se tenta desacreditar o adversário, imaginem nesta época, em círculos tão altos como o papado e quando a Itália se encontrava dividida em vários reinos e as várias famílias dominantes tentavam alargar a sua influência a estados vizinhos! E não bastava colocar a Lucrécia na cama do irmão, não também tinha de colocá-la na cama do pai porque, como disse, jamais houve pior escumalha! Claramente não bastava os abusos de poder e os assassinatos para mostrar a crueldade desta família... *revira olhos* Ok, eu até não me importaria com a cena do incesto se contribuísse de alguma forma para a história, mas parece que apenas estão lá para chocar o leitor já que até para caracterizar as personagens é desnecessário a meus olhos, que já havia percebido antes que eles eram maus, mais uma vez, a pior escumalha à face da terra. Não era preciso colocar tanta ênfase nisso!

A sério, tive realmente problemas com o retrato das personagens, nomeadamente dos Bórgias. Lucrécia não era a inteligência descrita pelos seus contemporâneos, como disse a sua caracterização parecia flutuar de acordo com as necessidades da autora, Rodrigo não era o hábil patriarca que conseguiu imiscuir-se em casas europeias nem o diplomata que jogava conforme lhe daria jeito, e César mais parece um menino mimado e caprichoso, pouco se vendo do hábil estratega que terá inspirado Maquiavel. Mesmo a própria Sancha acaba por prometer mais do que oferece. O retrato é tão de revirar olhos que já nem do resto da história me lembro, a não ser que parece se arrastar e repetir.

Enfim, acabou por entreter enquanto espero pela série televisiva, mas à semelhança da Philippa Gregory, prefiro a série que se debruça sobre as mesmas personagens históricas ao livro.

Veredito: Emprestado e pouco se perde com isso. Parece-me que havia potencial para mais, mas a autora preferiu antes chocar do que propriamente desenvolver as personagens por forma a tornar a história mais apelativa, o que faz com que por vezes pareça que o livro se arraste. Houve uma altura em que cheguei a contar quantas páginas faltava para o fim, porque já estava cansada de “ai que são tão cruéis” e “woe is me que tenho de continuar low profile ou a minha vida fica em risco”. Pensei que a Sancha tivesse cojones mas é preciso penar para ver tal coisa...

4 de agosto de 2012

Duas Irmãs, Um Rei

Porque quando estou a ler consigo convencer outras pessoas a lerem o mesmo livro para depois discutirmos (YAY me!), ide ao blog da Slayra ler o que resultou desta espécie de leitura conjunta.

19 de fevereiro de 2012

O Vale dos Cavalos (A Saga dos Filhos da Terra, #2)

Autor: Jean M. Auel
Ficção | Género: Ficção Histórica
Editora: Publicações Europa-América | Ano: 1991 (originalmente publicado em 1982) | Formato: livro | Nº de páginas: 504 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: Comprei-o em segunda mão, em 2011.

Quando e porque peguei nele: 19/jan/2012 a 12/fev/2012. Peguei nele para continuar a seguir as aventuras de Ayla. Conta para os desafios: Inverno Filhos da Terra, Mount TBR Reading Challenge, Book Bingo - Nome do autor começa por vogal, What’s in a Name - característica topográfica.



Citações:

Os predadores de quatro patas adaptavam-se ao meio ambiente das suas presas. Ayla e os da sua espécie adaptavam o meio ambiente a si próprios.

Opinião: Tinha curiosidade em ver como Ayla sobreviveria após ser expulsa do Clã e se encontraria os Outros, daí que tenha ficado surpreendida quando, logo no segundo capítulo, começamos a seguir outra personagem, Jondalar. Esta pareceu-me bem mais conseguida que a perfeita Ayla, que é capaz de tudo e mais alguma coisa, e foi interessante ver a sua viagem e conhecer outras famílias de Homo Sapiens, com línguas e costumes diferentes. O choque de culturas acaba por ser uma constante bem conseguida neste livro e permite uma abertura de mente aos acontecimentos da última parte deste volume. Jondalar tendo sido criado com a sua família, tem algum preconceito para com os grupos de Neanderthais, que são tidos como animais, cabeças chatas e não homens, mas o convívio com Ayla acaba por mudar essa perceção.

Apesar de o choque destes dois estar bem desenvolvido e credível, achei completamente descabida aquela história de Ayla deitar-se e no dia seguinte já ser praticamente fluente na língua de Jondalar. *eyes roll* O homem vem de uma região onde hoje será a França, ela deveria ser de uma região mais central na Europa, Polónia talvez, quanto muito ela falaria Mamutoi, que segundo o mapa é a Caverna que se encontra mais perto do local onde o Clã a terá encontrado e passaria depois a viver. Mas enfim, a perfeita Ayla tem de ser perfeita, não é verdade?

A nível da escrita, continua a não ser a melhor coisa do mundo, continuando as repetições. Ok, os dias seriam muito semelhantes mas mesmo assim cansou ler vezes sem conta como Ayla estava a viver sozinha e caçava. Também voltei a sentir que as coisas se arrastavam ali pelo meio e cheguei a temer que Ayla e Jondalar jamais se encontrassem!

Ainda assim, é um livro interessante e convida a pensar em preconceitos. Não duvido que este sentimento existisse na pré-história, quando em centenas de anos também não foi possível ultrapassar a barreira da cor. Basicamente, esta série tem ilustrado a minha ideia de que a evolução tem sido feita, nos últimos milhares de anos, mais em termos de conforto e cultura material do que propriamente de mentalidades.

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Gostei mais que do anterior, mais não seja pela visão mais global do mundo nesta época e porque, apesar de tudo, Ayla é uma mulher forte. Não gosto muito de como aparece retratada mas há que elogiar o facto de sobreviver sozinha.

Há de seguir-se: O Apelo da Lua (Mercy Thompson, #1) de Patricia Briggs

19 de janeiro de 2012

O Clã do Urso das Cavernas (A Saga dos Filhos da Terra, #1)

Autor: Jean M. Auel
Ficção | Género: Ficção Histórica
Editora: Publicações Europa-América | Ano: 1998 (originalmente publicado em 1980) | Formato: livro | Nº de páginas: 528 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: Comprei-o! Há 20 anos que só ouvia falar no livro e comprei-o para o oferecer à minha mãe.

Quando e porque peguei nele: 1/jan/2012 a 19/jan/2012. Peguei nele porque já era tempo de o fazer, finalmente adquiri todos os livros e sempre deu para ir riscando alguns dos desafios a que me tinha proposto: Inverno Filhos da Terra, Mount TBR Reading Challenge, Book Bingo - Sugerido por alguém.


Citações:
Sou apenas uma rapariga, Grande Leão das Cavernas, e são-me estranhos os desígnios dos espíritos. Mas creio que agora compreendo um pouco mais. O lince foi um teste ainda mais importante do que Broud. Creb sempre disse que é difícil viver com tótemes poderosos, mas nunca me disse que as dádivas mais importantes que eles dão são dentro de nós próprios. Nunca me disse como uma pessoa se sente quando finalmente compreende. O teste não é apenas uma coisa muito difícil que é preciso fazer, o teste é saber-se que se consegue fazê-lo. Estou grata por me teres escolhido, Grande Leão das Cavernas, e espero ser digna de ti.

Opinião: Será fácil perceber que ouvindo falar do livro vai para 20 anos, as expectativas eram altas, mesmo dando-lhe o desconto de saber que os volumes seguintes não são tão bons. E de facto o livro começa bem. Conhecemos Ayla após sofrer a dura perda da sua família devido a um abalo sísmico. Esse mesmo abalo faz com que um clã de Neanderthais encontre a pequena orfã e resolva adota-la. É-nos permitido então, tal como a Ayla, conhecer e entrar naquela sociedade.

Nota-se que a autora fez um grande trabalho de casa, no que ao viver diz respeito e mesmo à sociedade, mas confesso que o retrato não é bem o que esperava ou tinha em mente. Sempre achei que esta sociedade era um pouco mais igualitária em termos de sexos, pelo que ver a diferenciação de tarefas e sobretudo como as mulheres eram tratadas, com porrada em cima sempre que não atendessem qualquer desejo dos homens, surpreendeu-me um pouco. Até uma curandeira é vista como sendo menos que os caçadores! Entendo que fossem eles que fizessem a caça grossa e que com isso tivessem algum estatuto, mas uma curandeira não deveria ser apenas a mais importante das mulheres, a meu ver estaria ao mesmo estatuto de um feiticeiro, neste caso Mog-Ur, já que até as artes curativas necessitariam de certa magia. No entanto, até é um retrato curioso e a divisão de tarefas entre homens e mulheres até se encontra justificada de forma interessante...

Numa antiguidade mais antiga que a apresentada (passo a redundância), homens e mulheres seriam iguais, no entanto, uma divisão foi necessária para que os cérebros não crescessem mais, já que os Neanderthais teriam uma espécie de memória coletiva. Teriam acesso a memórias forjadas pelos seus pais e avós, mediante a necessidade, para fazer objetos, caçar ou recolher plantas e frutos, ou fazendo uso da magia e de drogas naturais, plantas halocinogénicas e esse tipo de coisa. Confesso que até acredito nisto da memória coletiva, sobretudo tendo em conta os vários mitos criacionistas, ou pelo menos os que conheço e que me parecem muito semelhantes, e ver este tipo de ideia exposto foi um pequeno #win para a minha pessoa. :D

Mas nem tudo é bom. A escrita não me cativou por aí além, apesar de um ou outro parágrafo bem conseguidos, e se gostei da descrição daquele mundo pré-histórico, achei que a autora se alongava por demais. Há partes em que Iza enumera a Ayla todas as plantas úteis para uma ou outra doença e como devem ser tomadas. E apesar de se estender por um ou outro parágrafo, parece que nunca mais acaba. A autora também se repete inúmeras vezes, sobretudo no que toca às diferenças entre Ayla e o resto do clã. Cheguei mesmo a dizer “Ok, já percebi, ela é alta, loira, de olhos azuis e por isso feia, agora continua com a história!” Não achei que fosse necessário bater sempre na mesma tecla, quando podia ter dado mais ênfase há diferença de processamento cognitivo e lógico de ambos os seres. Acabamos por ter bastantes diálogos internos, sendo os de Brun, o chefe do clã, os mais interessantes juntamente com os de Creb, e mostrando que o clã era também capaz de um raciocínio coerente, conseguindo libertar-se das tradições, ou mesmo moldando-as por forma a fazer frente aos novos acontecimentos. Estes processos mentais acabam por ser bem mais interessantes que as deduções lógicas de Ayla, como “então se ele mete aquilo ali e por ali saem bebés, então não são os espíritos que geram bebés mas o sexo”. E realmente, não entenderiam o sexo? O_o

Ayla acaba por aparecer como uma Mary Sue, perfeita em tudo e capaz de tudo e mais alguma coisa. Tem um totem, espírito protetor, poderoso, ela cura, ela caça, ela consegue sobreviver sozinha, ela pensa, ela recorda, ela conta (por acaso até gostei dessa parte :D ), ela faz tudo de forma perfeita. E está claro que se ela é perfeita, há quem não goste de tal, neste caso Broud. A autora tenta passar o confronto entre ambos como um confronto entre espécies, a que sairá vitoriosa e a que se vê ameaçada e prestes a acabar. Isto também poderia ter sido bem aproveitado, não acabasse sempre da mesma forma, com Broud a agredir violentamente Ayla por tudo e por nada. Por ela se atrasar a fazer o que ele lhe mandava, por ela andar com confiança, por ela o olhar, por ela não olhar para ele, por ela lhe ligar, por ela o tratar com indiferença... Isto tornou a história repetitiva e chata de seguir. Deixei mesmo de me importar com a sorte de Ayla nas supostas situações de vida ou morte, pois claramente ela sairia sempre por cima ou com o seu espírito mais iluminado (e também tenho que confessar que algumas das melhores frases são exatamente quando ela se dirige ao seu totem seguindo uma grande revelação).

Também não me pareceu que as personagens atuassem conforme as suas idades. Eu percebo que os tempos eram outros, mas Ayla nunca me pareceu ter 8-11 anos, talvez excetuando no primeiro terço do livro, mesmo quando é descrita fisicamente. E ser-se praticamente idoso aos 20? Tudo bem, são uma raça diferente de pessoa (nem acredito que posso usar isto numa crítica!) e acredito que não vivessem até muito mais que 30/40 anos, mas dizer que aos 20 e alguns anos se seria muito velha para ter um filho (ok, era o primeiro, mas mesmo assim) pareceu-me um pouco demais. O_o

O livro tem um final muito bom. Aliás, o último terço é, a meu ver, o mais interessante de todo o livro. É o culminar de todo o livro e parece-me dar o mote para os que se seguem. Se o livro peca, é por demorar a lá chegar mas chegando lá e muito difícil colocá-lo de lado e não querer pegar no seguinte.

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Este livro seria tão bom sem o segundo terço... Tem alguns problemas, nomeadamente no que ao ritmo e a repetições diz respeito, mas parece-me que acaba por valer a pena. Como disse, as expectativas eram altas, depois de ouvir a minha mãe e outros que adoraram o livro e consigo perceber o porquê, e acabaram por não sair goradas mesmo que não me tenha seduzido tanto. A escrita não me conquistou, a história por vezes arrasta-se, mas não deixa de ser um retrato e uma reconstituição interessante de uma época sobre a qual ainda há tanto por descobrir. Fica a curiosidade para ver o que reserva o futuro de Ayla e, porque não, do Cro-Magnon. :)

Há-de seguir-se: O Vale dos Cavalos (A Saga dos Filhos da Terra, #2) de Jean M. Auel

15 de dezembro de 2010

Flashman, a odisseia de um cobarde (Flashman, Livro 1)

Autor: George MacDonald Fraser
Género: ficção histórica
Editora: Saída de Emergência | Nº de páginas: 256
Nota: 3/5

Resumo (do site Goodreads): Ele é um mentiroso, ele é um cobarde, ele seduziu a amante do próprio pai. Ele é Harry Flashman e esta é a sua deliciosa odisseia. Dos salões vitorianos de Londres às fronteiras exóticas do Império, prepare-se para conhecer o maior herói do Império Britânico. Pode um homem que foi expulso da escola por andar sempre bêbado, que seduziu a amante do próprio pai, que mente com quantos dentes tem e é um cobarde desavergonhado no campo de batalha, protagonizar uma série de triunfantes aventuras na era vitoriana? A escandalosa saga de Flashman, herói e soldado, mulherengo e agente secreto relutante, emerge numa série de memórias campeãs de vendas em que o herói gingão revê, na segurança da velhice, as suas proezas na cama e no campo de batalha.

Opinião: Sendo fã da série Sharpe (série televisiva e livros da autoria de Bernard Cornwell), este livro suscitava alguma curiosidade ainda que se focando num tipo de herói bastante diferente. Flashman é egocêntrico, cobarde e decide, na velhice, escrever as suas memórias, que são posteriormente encontradas numa caixa de chá, talvez guardados por algum familiar envergonhado.

Gostei da narração na primeira pessoa e da ideia do autor pegar numa personagem de outra obra e imaginar como teria sido a sua vida, mas não adorei o livro como esperava. Para começar, a maneira como ele trata as mulheres é algo deplorável, ainda que não deixe de ser bastante credível se tivermos em conta a época, a situação e o carácter da personagem (e confesso, fiquei satisfeita com o final, julgo que tem o que merece). Também não achei a história assim tão engraçada e hilariante, como havia lido em outras críticas. Onde ganha é, sem dúvida, ao descrever o início da Primeira Guerra Anglo-Afegã (1839-1842) sobre a qual nada sabia. É-nos dado a conhecer um pouco do domínio inglês no continente asiático, nomeadamente na Índia de onde avançaram posteriormente para o Afeganistão, derrubando o reinante anterior e colocando no seu lugar um “fantoche” britânico de modo a impedir que o Império Russo ganhasse domínio sobre o território de onde poderia depois assaltar a Índia britânica.

Flashman, tendo sido expulso do colégio, resolve ingressar no exército, esperando uma vida calma e cheia de glamour, por assim dizer, mas um revés no seu destino manda-o para Ásia onde se vem a encontrar no meio (literalmente) do conflito latente entre afegãos e anglo-saxónicos. O protagonista leva-nos então a conhecer as personagens que foram decisivas à eclosão do incidente, e se algumas sobressaem pela astúcia, outras revelam-se cegas à situação que se encontrava à sua volta e que as terá levado a tomar as piores decisões possíveis. Relata massacres, torturas e cercos; conta-nos como se sentia em cada uma dessas situações pelo que, apesar de um carácter detestável (que o próprio reconhece), até compreendemos e nos compadecemos dele. Felizmente Flashy tem uma sorte do caraças e cada infortúnio acaba por se revelar um momento de glória.

Não fiquei propriamente fã mas ainda assim sou capaz de seguir o resto da série, mais não seja para aprender e descobrir um pouco mais sobre os conflitos em que o exército inglês esteve envolvido no séc. XIX.

Uma notinha para esta edição, não se perdia nada em diferenciar notas de tradução e notas do autor. Talvez usar numeração romana, ou colocar um dos tipos de nota a negrito, ou mesmo mencionar no início que existem dois tipos de notas e onde se pode encontrar cada uma (no fundo na página e no final do livro). Algo que não confundisse e não fizesse o leitor andar feito barata tonta.

23 de outubro de 2010

Os Pilares da Terra (Volume 2)

Autor: Ken Follett
Género: romance histórico
Editora: Editorial Presença | Nº de páginas: 600
Nota: 5/5

Resumo (do livro): Publicado pela primeira vez em 1989, Os Pilares da Terra surpreendeu o universo editorial ao tornar-se gradual mas inabalavelmente um clássico da ficção histórica, que continua a maravilhar leitores de todo o mundo e que a Presença lança agora em dois volumes. Na Inglaterra do século XII, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso – construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história – Ellen, uma mulher enigmática que vive à margem da sociedade e cujo passa do esconde um segredo, Philip, prior da cidade de Kingsbridge e que vai supervisionar a construção da catedral, Aliena e Richard, ricos herdeiros destituídos das suas terras e títulos, William, o cavaleiro sem escrúpulos, e Waleran, o bispo disposto a tudo para obter o que pretende. À medida que assistimos à edificação de uma obra única envolvendo suspense, corrupção, ambição e romance, a atmosfera autêntica do quotidiano da Europa medieval em toda a sua grandeza absorve-nos irremediavelmente, ousando desafiar os limites da nossa imaginação. Recriação magistral de um tempo de conspirações, delicados equilíbrios de poder e violência. Os Pilares da Terra é decididamente a obra-prima de um autor que já vendeu 90 milhões de livros em todo o mundo.

Opinião: Que viagem! É sem dúvida uma belíssima epopeia que, tendo como pano de fundo um período de guerra civil em Inglaterra, conta-nos a história da construção de uma catedral, sonho de uns e “pesadelo” de outros.

Se na primeira parte parece que andamos um pouco perdidos, neste volume vemos então onde a história nos leva e todas as perguntas (sobretudo o que liga Ellen a Waleran, o terrível segredo por detrás de toda a história), como não podia deixar de ser, são respondidas. O que mais destaco nesta obra é o trabalho do autor no que toca à descrição do dia-a-dia medieval. Conceitos que em aulas de História, apesar de bem explicados, me custava a perceber como na realidade seria posto em prática ou o porquê (sim, há conceitos que me faziam alguma confusão nomeadamente no que ao controlo das terras e populações pelos senhores dizia respeito), aqui ficaram brilhantemente exemplificados, tornando a imagem bastante real e credível. Poucas falhas tenho a apontar, ainda que a palavra Espanha me pareça um pouco anacrónica, assim como Portugal, mas no geral pareceu-me tudo muito bem conseguido e deu-me a conhecer uma parte da história de Inglaterra que desconhecia por completo.

No que toca às personagens, entre personagens reais e fictícias, temos uma variedade enorme e todas elas diferentes. Ambições, dúvidas, experiência de vida, cada uma é rica e diferente de todas as outras, fazendo com que nos compadeçamos nos momentos maus e com que jubilemos quando as coisas correm bem. É impossível ficar indiferente ao que cada personagem passa, e se queremos o melhor para algumas, não podemos deixar de desejar o pior para aquelas personagens mais cruéis, que têm apenas em conta o seu próprio ganho.

Não me deixou com um vazio como outros, assim que o pus de lado, mas não deixa de ser um livro extraordinário e, sem dúvida, a reler. Este é daqueles que apesar das muitas páginas, é para manter e ler sempre que me sentir mais em baixo, pois relata uma história de persistência e de como pessoas honradas, com outros objectivos do que o ganho próprio, podem levar a sua avante bafejados pela sorte ou qualquer outra graça. Este é um livro que enche uma pessoa de esperança, lembrando que tendo fé e acreditando no nosso sonho, ele pode ir em frente mesmo que muitos maquinem contra nós. É um hino à perseverança, ao acreditarmos nos nossos sonhos, ainda que concretizá-los pareça difícil com tantos obstáculos pelo caminho. Mas tudo isso faz com que no final tudo valha a pena. Recomendo!

6 de outubro de 2010

Os Pilares da Terra (Volume 1)

Autor: Ken Follett
Género: ficção histórica
Editora: Editorial Presença | Nº de páginas: 498
Nota: 4/5

Resumo (do livro): Publicado pela primeira vez em 1989, Os Pilares da Terra surpreendeu o universo editorial ao tornar-se gradual mas inabalavelmente um clássico da ficção histórica, que continua a maravilhar leitores de todo o mundo e que a Presença lança agora em dois volumes. Na Inglaterra do século XII, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso – construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história – Ellen, uma mulher enigmática que vive à margem da sociedade e cujo passa do esconde um segredo, Philip, prior da cidade de Kingsbridge e que vai supervisionar a construção da catedral, Aliena e Richard, ricos herdeiros destituídos das suas terras e títulos, William, o cavaleiro sem escrúpulos, e Waleran, o bispo disposto a tudo para obter o que pretende. À medida que assistimos à edificação de uma obra única envolvendo suspense, corrupção, ambição e romance, a atmosfera autêntica do quotidiano da Europa medieval em toda a sua grandeza absorve-nos irremediavelmente, ousando desafiar os limites da nossa imaginação. Recriação magistral de um tempo de conspirações, delicados equilíbrios de poder e violência. Os Pilares da Terra é decididamente a obra-prima de um autor que já vendeu 90 milhões de livros em todo o mundo.

Opinião: Comprei estes livros, já que está dividido em dois volumes, numa Feira do Livro simplesmente porque a minha mãe queria um autógrafo deste autor, já que tinha lido alguns livros dele nos anos 80 (O Vale dos Cinco Leões, de que ela não pára de falar e elogiar) e havia ficado fã. Provavelmente não teria pegado para ler agora, não fosse as críticas que tenho lido, nomeadamente a do Pedro, e o facto de existir uma série, que o AXN deve passar em breve. Ainda bem que todos estes factores se juntaram e me convenceram a pegar nesta obra.

A história, neste primeiro volume, evolui a um ritmo muito lento, sendo-nos dado a conhecer as várias personagens cujas vidas se cruzam então num momento e lugar, Kingsbridge em meados do séc. XII, nas vésperas da construção de uma catedral. Não há propriamente um protagonista, já que os caminhos entrecruzam-se de tal maneira que se complementam uns aos outros: se temos um pedreiro que quer construir uma catedral, temos também um prior com o mesmo sonho e com a possibilidade de o tornar real; se temos personagens que a querem ver construída para honrar Deus, temos outros que a querem para benefício próprio... e é assim que se vai construindo, pedra a pedra, esta história.

Apesar de parecer que uma pessoa se perde na primeira metade deste volume, já que o propósito da história não parece bem definido, não sabemos muito bem onde o autor deseja ir com a história, saliento o retrato que o autor faz do séc. XII, nomeadamente no que à vida monástica diz respeito, assim como a sua escrita, despojada de quaisquer artifícios, directa e concisa, transmitindo, no entanto, os sentimentos das personagens e descrevendo-as com tanto detalhe que conseguimos antever as suas acções e pensamentos.

É uma leitura que estou a apreciar ler devagar. :)

18 de setembro de 2010

O Físico (Trilogia Cole, Livro 1)

Autor: Noah Gordon
Género: ficção histórica
Editora: Biblioteca Sábado | Nº de páginas: 520
Nota: 4/5

Resumo (do livro): No século XI, Rob Cole abandona com apenas onze anos a pobre e doente cidade de Londres para vaguear pela Inglaterra. Durante as suas deambulações, fazendo malabarismos e vendendo curas para os doentes, vai descobrindo a dimensão mística da sanação. E é através dessa peregrinação que descobre o seu verdadeiro dom, que o levará a converter-se em médico num mundo violento, cheio de superstições e preconceitos. Tão forte é o seu sonho que decide empreender uma insólita e perigosa viagem à Pérsia, onde estudará na prestigiada escola de Avicena. Aí dar-se-á uma transformação que modificará para sempre a sua vida e o seu destino...

Opinião: Desde que li a crítica no blog Papéis e Letras, que fiquei com curiosidade em ler este livro. Tendo sido o escolhido para mais uma leitura conjunta do fórum Estante dos Livros, não hesitei e peguei-lhe.

Neste livro travamos conhecimento com Rob Cole que cedo descobre possuir um dom, consegue sentir a força vital das pessoas, como uma ampulheta com areia a escorrer. Consegue perceber se o fim de alguém está próximo, devido a doença, pegando-lhes nas mãos. Mas tal dom transforma-se em fardo já que sente tal pela primeira vez com seus pais que morrem deixando-o órfão e com os irmãos mais pequenos ao seu cuidado, que rapidamente são tomados por outros, pessoas mais capazes de os acolher e educar. Também um Barbeiro-Cirurgião toma-o em seu cuidado e ensina-lhe a profissão: a arte dos malabarismos e do desenho de caricaturas, de modo a chamar a sua plateia para depois vender então os seus bálsamos e tratar de algumas infecções e doenças. Mas percebendo que o seu conhecimento é pouco face às inúmeras e diversas queixas dos seus pacientes e sendo-lhe dado a conhecer que na longínqua Pérsia se estuda a arte de tratar as variadas doenças, sob a mão de Ibn Sina, Rob parte então à descoberta do saber, passando por Judeu para ser melhor tolerado no Oriente muçulmano.

Adorei o retrato do séc. XI que o autor nos apresenta, tanto da Europa como do Oriente, sob os mais variados aspectos. Para começar, devo salientar a descrição da viagem de Rob rumo à Pérsia, com as caravanas e as aldeias judaicas, dispostas a cuidar de qualquer um da sua fé, numa extensa rede de comunicação. Apesar de ser aluna de História/Arqueologia, e agora mais dedicada a transportes (do séc. XV em diante), li tal descrição com muita curiosidade já que era coisa que confesso pouco sabia. Claro que sabia que se tinham de deslocar em grupos, a pé, mas não sabia como tal viagem se organizava e como se protegiam de meliantes e soldados sempre tão perigosos nas estradas. Para além disto, achei curioso que estando na base da hierarquia médica da época, os barbeiros-cirurgiões fossem, porventura, os que mais e melhor conseguiam acudir os doentes, já que os físicos não faziam mais que sangrar os pacientes (técnica, aliás, que prevaleceu no tempo até ao séc. XIX). A descrição dos ensinamentos também em pareceu bem conseguida, assim como as diferenças religiosas que apesar de separarem os personagens, não impede que se dêem bem e se tornem até amigos, passando uma mensagem semelhante à de Os Leões de Al-Rassan. A discussão sobre o dissecar corpos também me pareceu bem urdida, com argumentos coerentes tanto do lado de Rob, que a certo ponto se rebela contra a religião já que vê fiéis a desobedecerem a leis canónicas para seu proveito próprio mas que para inovar na ciência nada faziam, assim como dos adeptos mais fiéis à religião. Acreditando, as religiões do Livro, na vida após a morte, é compreensível que se temesse a dessacralização através da abertura daquele depois da morte. Saliento também como este tema é ainda actual, com poucos corpos sendo doados à ciência e havendo discussão acerca da recolha de órgãos em pessoas clinicamente mortas mas com órgãos viáveis para transplantes, assunto que de resto faz sempre parte de alguma série médica.

Reparei que no fórum pouco debate esta LC provocou. Pela minha parte, nas últimas semanas não participei por falta de tempo (às vezes tenho muito tempo disponível, outras vezes pausar para respirar é complicado), mas também porque achei que pouco havia a debater. O autor tem uma tal capacidade de escrita que os mais variados temas que se poderiam discutir são discutidos no próprio livro. É o autor que puxa os temas e de forma directa expõe prós e contras, os dois lados da discussão, acabando sempre com cada um dos lados um pouco mais sábio sem, no entanto, se sentir tentado a mudar de opinião. As opiniões são firmes, as exposições do outro também, mas em vez de se tentarem dominar um ao outro ao perceberem o impasse, colocam a discussão de lado entendendo que cada um tem a sua opinião. Talvez tal ensinamento pudesse ser tomado por outros, digo eu...

Sem dúvida um livro que aconselho sobretudo para quem tenha curiosidade em ler sobre o séc. XI, já que oferece um variado leque de personagens e situações que mostram de forma exemplar tal período.

Só uma curiosidade, existem mais dois livros, Shaman e Matters of Choice, que acompanham a família Cole na sua aventura médica, por assim dizer, sendo que estes dois livros se centram em diferentes períodos históricos, no séc. XIX e séc. XX, respectivamente.

31 de julho de 2010

Xógum (2 volumes)


Autor: James Clavell
Género: ficção histórica
Editora: Círculo de Leitores | Nº de páginas: 560+514
Nota: 4/5

Resumo (do Goodreads): A bold English adventurer. An invincible Japanese warlord. A beautiful woman torn between two ways of life, two ways of love. All brought together in a mighty saga of a time and place aflame with conflict, passion, ambition, lust, and the struggle for power.

Opinião: Comecei a ler este livro em inglês, no âmbito do mês temático dedicado ao Japão, mas por andar muito cansada, o que fazia com que o inglês se parecesse com japonês, pedi à mesma pessoa de sempre (à Slayra, que também me emprestou o livro em inglês) que me emprestasse os volumes em português. Isto também me deu a oportunidade de ir comparando a tradução com o original e posso dizer que apesar de algumas trocas de nomes e termos menos conseguidos, a meu ver, não me pareceu muito má.

Seguimos a história de Blackthorne, o primeiro piloto inglês a colocar pé no Japão (na verdade a história ficcionada é baseada em William Adams) após passar pelo Estreito de Magalhães com um portulano português (supostamente roubado). Aí chegado, a integração parece difícil, não só pela diferença linguística mas também por aí se encontrarem padres jesuítas, que o consideram herege por ser protestante, mercadores portugueses, que o consideram pirata e vêem-no como uma ameaça à sua exclusividade na Ásia, mas sobretudo porque Blackthorne não se encontrava preparado para se descobrir no meio de uma sociedade com costumes tão diferentes e incompreensíveis nem no meio de uma elaborada e complicada política interna, onde um conflito parece latente entre Toranaga e Ishido, sendo que o primeiro toma Blackthorne sob a sua protecção por se encontrar interessado nos vários conhecimentos do piloto.

No primeiro volume vemos então a difícil adaptação do Anjin-san (Blackthorne) à cultura japonesa, com a ajuda de Mariko, uma japonesa convertida ao Cristianismo e fluente em português (servindo de intérprete entre o inglês e Toranaga), por quem se vem a apaixonar. É um amor proibido, porém, já que ela é casada com um importante samurai. Juntamente acompanhamos o desenvolvimento político que leva ao embate entre as duas forças que se opõem. E é no que parecem ser as vésperas da guerra que este volume acaba.

No segundo volume, compreendemos que a guerra, afinal, ainda está longe. Encontramo-nos num jogo de paciência, onde cada parte espera que o outro dê um passo em falso para desta forma ir de encontro à vitória. Ao mesmo tempo, vemos como Blackthorne mudou, abraçando de vez a cultura oriental, chegando mesmo a desprezar os seus colegas, bárbaros e vivendo no meio dos “imundos” etas (população cuja ocupação lidava com morte, sendo muitos deles executores ou curtidores).

Um livro fenomenal mas que não deve ser lido de ânimo leve. Não admira que tenha levado quase 2 meses a lê-lo. É um livro ríquissimo em História, política, intrigas e até romance. Dá a conhecer de forma excepcional o contraste entre Oriente e Ocidente, sendo que o leitor, tal como Blackthorne, vai aos poucos abrindo a sua mente e aceitando o que lhe era estranho a início. Além disso, tem personagens fantásticas, cada uma movida pela sua própria ambição, pelo seu coração mas sobretudo pela razão. Um livro que só posso aconselhar e que só não leva a nota mais alta porque não o li numa altura favorável, o que fez com que adormecesse nalguns momentos, e porque senti falta de alguma acção. :P

3 de setembro de 2009

Pompeii

Autor: Robert Harris
Género: ficção histórica
Editora: Hutchinson | Nº de páginas: 352
Nota: 5/5

Resumo (da capa): A sweltering week in late August. Where better to enjoy the last days of summer than on the beautiful Bay of Naples?

But even as Rome’s richest citizens relax in their villas around Pompeii and Herculaneum, there are ominous warnings that something is going wrong. Wells and springs are failing, a man has disappeared, and now the greatest aqueduct in the world – the mighty Aqua Augusta – has suddenly ceased to flow…

Through the eyes of four characters – a young engineer, an adolescent girl, a corrupt millionaire and an elderly scientist – Robert Harris brilliantly recreates a luxurious world on the brink of destruction.

Opinião: Convém começar esta crítica por dizer que sempre fui fascinada pela cidade de Pompeia. Nunca a visitei mas acredito que seja a única cidade em que se pode, realmente, viajar no tempo e alimentou a minha paixão pela Arqueologia (que, apesar de tudo, agora não pratico). Além disso, sempre gostei de Geologia, com os seus vulcões, placas tectónicas e vários tipos de rochas. Ora, este livro junta os dois, pelo que eu não lhe poderia ser indiferente.

O autor guia-nos através de 4 dias (dois que antecedem o desastre, o dia da erupção e o dia seguinte), dando-nos a conhecer a vida romana à época e colocando excertos de livros que analisam o fenómeno vulcânico em geral e mesmo este episódio em particular. Achei um livro riquíssimo em termos de detalhes ao mencionar como pequenas coisas poderiam ter ajudado a prever o desastre, caso os conhecimentos da época tivessem sido outros ou mais difundidos, e aqui há que salientar a menção ao Etna que entrou em erupção cerca de dois séculos antes e terá sido documentado.

A juntar a isto, temos um leque de personagens bastante rico e interessante de seguir. São estas que nos dão a conhecer o dia-a-dia de uma cidade romana, as preocupações dos cidadãos, os jogos políticos dos bastidores, a corrupção dos funcionários públicos. Dá-nos também a conhecer a importância dos aquedutos, uma das maiores invenções dos romanos, na vida e na manutenção da paz nas cidades.

Esta crítica não fará justiça ao livro mas eu gostei e aconselho, sobretudo a quem gosta de ficção histórica com um pouco de thriller e desastres naturais à mistura.

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