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17 de novembro de 2013

Before Midnight

Diretor: Richard Linklater
Escritor: Richard Linklater, Julie Delpy, Ethan Hawke
Atores: Julie Delpy, Ethan Hawke

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: Finalmente consegui ver o final desta trilogia (ficará realmente por aqui?) que se revelou uma das melhores descobertas que fiz este ano. A sério, isto é o que acontece quando uma pessoa não dedica tanto tempo ao cinema como devia. Só acaba por descobrir pérolas tarde demais...

Mais uma vez é um excelente filme sobre relações e pareceu-me o mais real dos três. Não há coincidência nem encontro acidental, há 9 anos que Celine e Jesse vivem juntos, construíram uma vida a dois e têm duas filhas. Numa viagem de férias à Grécia, Jesse despede-se do filho do seu primeiro casamento, que estava a passar férias com a sua nova família, digamos assim, e as inevitáveis inseguranças aparecem. Como passar mais tempo com ele? E se voltasse para a América? Mas Celine também é assaltada por dúvidas e o pior parece acontecer.

Como já disse e não me canso de repetir, estes são dos filmes mais românticos e o melhor retrato de relações que já vi e este, sobretudo este, é fantástico ao ilustrar o corrupio de emoções pelas quais atravessa um casal, com ou sem filhos, e que a frase "e foram felizes para sempre" tantas vezes esconde. Nem sempre é fácil, há dúvidas, desconfianças, algumas desilusões. Há discussões... intensas, cruas e verdadeiras, onde cada um tem o seu coração na boca e os nervos à flor da pele. Há discussões que tornam as relações mais fortes ou acabam definitivamente com elas. É disso que é feito este belíssimo filme.

Quase que espero que façam outro, talvez daqui a mais 9 anos, porque me parece um dos melhores exercícios em termos de desenvolvimento de relações que tive oportunidade de ver e parece-me que há ainda espaço para estes personagens e a sua relação crescerem, há ainda questões que podem ser exploradas. Mais uma vez, gostei do final, mas como é deixado tão aberto como os seus antecessores só posso desejar uma continuação, embora também não me importe se ficar por aqui.

Veredito: Para ter na estante. Toda a trilogia, caso não hajam mais filmes, mas posso ter mais um? Posso? É extraordinário acompanhar a relação de Celine e Jesse e penso que seria ainda mais extraordinário se tivesse acompanhado conforme cada um foi saindo. Parece-me um caso de as personagens evoluem e o público evolui também com as personagens, talvez não no mesmo sentido mas não deixa de haver uma maturação. Deve de acabar por ser algo semelhante ao encontrar um amigo vários anos depois e porem-se a par da vida do outro.

7 de novembro de 2013

Curtas: The Native Star (Veneficas Americana, #1) [e-book], This is the End

Título: The Native Star (Veneficas Americana, #1) [e-book]
Autor: M.K. Hobson
Ficção | Género: fantasia
Editora: Spectra | Ano: 2010 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Quando e porque peguei nele: 27 de setembro a 1 de outubro. Epá, já fez um mês que o li por isso não me recordo bem. Como estava de férias e só tinha o Kindle, devo ter feito a escolha um pouco ao calhas ou então como tem steampunk e se aproximava o dia da EuroSteam Con, posso ter sido influenciada por isso. De qualquer modo conta para o Mount TBR Challenge.


Opinião: Não há muito que dizer sobre este livro, sobretudo um mês depois de o ter lido. xD Apesar do aspecto steampunk, acaba por ter poucos elementos deste "género", e os que tem parece que são lá colocados só para dizer "olhem, tem steampunk!!!", sobressaindo bem mais a fantasia. Esta pareceu-me melhor explorada e a abordagem científica ao sistema mágico com as suas 3 vertentes, magia de sangue, da natureza e fé (sangrimancers, animancers e credomancers respectivamente), acaba por dar um ar de praticalidade à magia e torná-la bem mais real, e diga-se que foi exactamente disto que mais gostei. Já no que toca ao romance, acaba por ser precipitado. Havia espaço para desenvolver a relação entre ambos, sobretudo tratando-se de uma série. Sim, uma pessoa percebe que vão ficar juntos logo no início da história, mas não é por isso que se têm de atirar para os braços um do outro, assim do meio do nada só porque o livro está a chegar ao final...

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso.

Título: This is the End
Diretor: Evan Goldberg, Seth Rogen
Baseado na curta metragem "Jay and Seth versus the Apocalypse" de Jason Stone por Seth Rogen e Evan Goldberg
Atores: Seth Rogen, Jay Baruchel, James Franco

Mais informação técnica no IMDb.

Quando o vi: 12 de outubro.

Opinião: Eu e o meu irmão temos bastantes coisas em comum mas depois nem sempre partilhamos os mesmos gostos, por isso quando ele se virou e disse "não vais gostar do humor mas vê que tem bromance e o final é épico" foi com algum receio que fiz o que ele dizia. De facto o humor não fez nada por mim, há muitas piadas porcas que não fazem o meu género, mas o final senhores! O FINAL!!! xD E sim, quero dizer que a minha sanidade pode não ser grande coisa e o gosto musical sempre foi duvidoso (palavras do meu irmão).

Acaba por ser um filme bem disposto ainda que muitíssimo previsível, de tal modo previsível que parece ser demasiado comprido (acredito que a curta em que se baseia acabe por ser melhor), é giro ver os actores a gozarem consigo próprios, ver a paixão do James Franco pelo Seth Rogen (xD) e há partes magníficas como o da Emma Watson a brandir um machado. :D

Veredito: Emprestado pelo que não se perdeu muito com isso. 

23 de outubro de 2013

Só Ler Não Basta #9.2 - Leitura Conjunta de A Handmaid's Tale


E estamos de volta! \o/ Devido ao facto de a je aqui ter ido de férias com acesso muito limitado à internet, a segunda parte do episódio 9 só teve lugar em Outubro. Desta vez metemo-nos à conversa com a Carla Ribeiro, do blog As Leituras do Corvo, sobre A Handmaid's Tale de Margaret Atwood. Devido à discussão há alguns spoilers, também respondemos a algumas perguntas/comentários de quem nos estava a ver (e iam fazendo com que morresse com um ataque de riso, o SLNB é perigoso para a minha saúde :D) e a quem muito agradecemos a participação. :)



Links:
Obras da Margaret Atwood aqui
Entrevista de Margaret Atwood, no "The Guardian"

Podem encontrar o índice da conversa e comentários no Youtube e ver algumas impressões sobre a leitura no tópico do grupo no Goodreads. Caso prefiram ouvir em vez de assistir ao vídeo, podem seguir este tutorial para converter o vídeo em ficheiro MP3.

22 de outubro de 2013

Rush - Duelo de Rivais

Diretor: Ron Howard
Escritor: Peter Morgan
Atores: Chris Hemsworth, Daniel Brühl

Mais informação técnica no IMDb.

Quando e onde o vi: 12 de outubro, no cinema quase que arrastada pelo meu irmão. Mas pronto, eu sou uma mana fofa e diga-se que o planeio arrastar para o "Gravity", "Thor 2" e "Hobbit 2".

Opinião: Cheguei eu de férias e uma das primeiras coisas que o meu irmão me disse foi "olha que amanhã vamos ver o Rush" e eu sem poder responder mais que um "ok, está bem". Lá fui, apesar de não ser entusiasta de Fórmula 1. Quando era pequena até via e gostava de seguir, mas depois o Ayrton Senna teve um acidente fatal e a coisa perdeu o encanto.

No entanto, pai e irmão são fãs e os nomes Niki Lauda e James Hunt não me eram totalmente desconhecidos. Sabia também que Lauda tinha tido um acidente, mas pouco ou nada sabia da rivalidade entre ambos e foi engraçado ver como a relação desenvolve para amizade e respeito fora das pistas, competição quando dentro dos bólides. Os atores pareceram-me perfeitos, não só devido às semelhanças físicas mas ao modo como conseguiram captar e desempenhar o sotaque e jeitos dos pilotos. Daniel Brühl está mesmo fenomenal na sua interpretação de Lauda, muito racional, meticuloso e profissional, e o romance com Marlene (Alexandra Maria Lara) é muito fofo. :D Hemsworth traz à vida um James Hunt movido sobretudo pelo gosto de enfrentar o perigo de frente.

De resto, pareceu-me que recriaram bem os anos 70. Adorei as roupas, a música e a imagem tem um feeling da década. Achei menos conseguido, a explicação temporal. Só o campeonato de 1976 aparece bem documentado por assim dizer, também sabemos que se conheceram "6 anos antes", mas acho que não fazia nenhum mal elucidarem em que ano é que Lauda e depois Hunt chegaram à Formula 1.

Veredito: Pagaram-me o bilhete pelo que não perdi muito com isso. Acho que acaba por ser um bom filme, uma boa história mesmo para quem não é fã do desporto, mas realmente não era filme que eu fosse ver senão fosse arrastada.

14 de outubro de 2013

Herdeira das Sombras (Trilogia das Jóias Negras, #2)

Autor: Anne Bishop
Ficção | Género: fantasia
Editora: Saída de Emergência | Ano: 2007 (originalmente publicado em 1999) | Formato: livro | Nº de páginas: 429 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: comprado na Feira do Livro em 2009.

Quando e porque peguei nele: 23 a 27 de setembro. Ganhou a votação do Monthly Key World Challenge e decidi que seria um bom livro para me acompanhar na viagem para férias, para além de também contar para o Mount TBR Challenge.


Opinião: Devo de começar por dizer que já faz algum tempo desde que li o primeiro volume e que pouco me lembrava dele. Quer dizer, lembrava-me da história no geral, mas alguns pormenores, como a organização da sociedade e regras porque se rege este mundo, escaparam-me. Assim, senti alguns problemas no início da leitura, mas com o seguimento da história tornou-se mais fácil acompanhar esta mitologia e personagens. Também me lembrava do que tinha sentido ao ler o primeiro livro, muitas vezes é o que melhor me lembro das leituras que faço, e os problemas que havia sentido voltaram durante a leitura deste segundo volume.

Se desta vez já sabia mais ou menos o que esperar, continuei a não sentir qualquer tipo de empatia para com as personagens. Sim, são interessantes de seguir, mas não consigo sentir qualquer tipo de ligação emocional com as mesmas, sobretudo com Jaenelle mesmo sabendo tudo aquilo porque passou. Acabo mesmo por não perceber muito bem qual é o fascínio que exerce sobre todos aqueles com que lida, pois a mim pouco ou nada fascina. E posso dizer como acho irritante que apesar de ser uma grandiosa feiticeira, não consiga fazer ou sinta dificuldade em fazer as coisas mais simples? Sim, ok eu sei que isso acontece mesmo no nosso mundo, há pessoas inteligentíssimas para quem as coisas mais comuns, como preencher uma folha de inscrição, acaba por ser algo que pelos vistos lhe ultrapassa, mas não deixo de achar irritante essa característica numa personagem fictícia, é quase como uma outra Bella do Twilight que fascina toda a gente sem percebermos muito bem porquê apesar de ser, supostamente, uma desastrada de primeira que tropeça em tudo e mais alguma coisa. Sim, acho que acabei de comparar a Jaenelle à Bella, mas a Jaenelle é um exemplo de gaja independente a seguir, ao contrário da Bella.

Para além das personagens pouco ou nada me dizerem, achei o enredo demasiado previsível, tal como no primeiro volume, e bastante parado. Entendo que o ritmo mais lento ajuda a construir as personagens e este mundo, além disso neste livro temos a formação da corte de Jaenelle o que só por si traz novas personagens e criaturas que precisam de explicação, mas houve momentos que me pareceram repetir-se continuamente, sobretudo no que metia o Conselho das Trevas. A parte mais interessante deste mundo acabou, a meu ver, por ter muito pouco destaque, o Reino Distorcido. Teve-se apenas vislumbres de Daemon a agarrar-se à sua "ilha" e depois a Jaenelle faz um caminho e pronto, fez-se o Chocapic! Que é como quem diz, acaba o livro. Gostava de ter acompanhado a viagem deste pelo caminho para a sanidade, mas também entendo que talvez se repetisse o livro anterior, já que os puzzles diziam respeito à ligação de ambos e ao que se passou entre eles no Altar de Cassandra. Mas mesmo assim, parecia que podia ter sido melhor abordado.

Esta série parece ser daquelas que fascina toda a gente menos a mim. Fico a pensar que se calhar o problema é meu, sobretudo porque acho que se tivesse lido uns aninhos antes, talvez na mesma altura em que li Sevenwaters (e agora fiquei a pensar no que acontecerá se os reler :/), as coisas poderiam ser diferentes. Ou então não. :/ Reconheço a criatividade da autora, tem uma escrita muito agradável e fácil de seguir, ainda que a mitologia seja um pouco confusa, mas há algo que não me seduz completamente. Ainda assim espero acabar a trilogia, se possível com a história mais fresca na minha cabeça, pelo que devo pegar brevemente no último livro.

Veredito: Se fosse emprestado pouco se perdia com isso. Sinto que é injusto, porque toda a gente que conheço adora os livros, mas a sério, apesar de lhe reconhecer muito mérito, há algo que não me cativa. E quando as personagens não me tocam de alguma maneira, não há nada a fazer. :(

19 de setembro de 2013

Persuasão

Como explicar o meu amor por esta história? Como explicar o porquê de adorar este livro e as suas adaptações ao ponto de reler e/ou rever vezes sem conta? É uma tarefa difícil falar sobre algo que se adora, mas cá vai a minha tentativa. Pode não ser inteiramente inteligível porque demasiados feelings e querer dizer tudo e mais alguma ao mesmo tempo, mesmo que em 3 partes distintas, geralmente dá asneira.

Persuasão conta a história de Anne Elliot, filha de um nobre para quem beleza e títulos são o mais importante, que foi persuadida, quando mais nova, a não se casar com um jovem marinheiro sem dinheiro. Cerca de 8 anos mais tarde, devido a hábitos pouco regrados, a sua família vê-se obrigada a arrendar a casa e mudar-se para Bath, numa tentativa de pagar a credores, o que leva Anne a reencontrar-se com Frederick Wentworth, agora Capitão da marinha inglesa e homem de fortuna.

Parece ser um simples romance, mas como é hábito com Austen, acaba por se revelar muito mais do que isso. Volta a estar bem presente a crítica social, nomeadamente à nobreza ou aos seus elementos mais fúteis, que nada vêem para além de caras bonitas e títulos. Um bom exemplo, acaba por ser a família de Anne, não só nas figuras do pai e irmã mais velha, mas sobretudo na pessoa da irmã mais nova, que acaba por julgar ofensivo as suas cunhadas "darem-lhe" ligações com pessoas de estatuto mais baixo ou que foram elevadas, no caso de Benwick, devido à guerra e à progressão na carreira militar. Anne destaca-se dos seus familiares por achar:
'My idea of good company...is the company of clever, well-informed people, who have a great deal of conversation; that is what I call good company.'
'You are mistaken,' said he gently, 'that is not good company, that is the best. Good company requires only birth, education, and manners, and with regard to education is not very nice.'
Além disso, ao contrário das restantes protagonistas de Austen, Anne é já uma mulher adulta, com quase 30 anos e ainda solteira. Passa despercebida, as suas opiniões são pouco tidas em conta pela sua irmã mais velha e o seu pai, tem uma paciência enorme para aturar as neuroses da irmã mais nova e um feitio gentil que convida os restantes a procurarem o seu conselho, mas também a desabafarem e a esperarem que com o seu senso consiga persuadir outros a mudarem as suas atitudes (isto nomeadamente em relação aos Musgroves e a Mary). Pouco sei da vida de Jane Auten mas acaba por ser-me tão fácil imaginar a autora na mesma situação. Seguir a história pelo ponto de vista de Anne, parece-me que é quase entrar na cabeça de Austen e ver o mundo pelos seus olhos. O seu olhar crítico está presente em Anne e os seus pensamentos devem ter passado pela cabeça da própria autora perante situações semelhantes, ou muito provavelmente não os teria escrito.

E repararam como já usei duas vezes a ideia da "persuasão"? Acaba por ser um tema recorrente a forma como somos influenciados pelas pessoas à nossa volta. Como agimos, que passos damos, como pensamos acaba por ser algo condicionado pelas pessoas que nos rodeiam, seja pelo seu modo de pensar, pelos conselhos que oferecem, pela sua aparência ou ares a que se dão. E nem Anne está imune a tal, ainda que seja mais ponderada a julgar os outros e as suas intenções. Por ter sido persuadida muito cedo a não casar com um jovem "who had nothing but himself to recommend him" e com isso ter ficado infeliz, nota-se que tem em menor conta a opinião dos outros ou não lhes dá tanto peso e importância pois percebe que sabe, melhor do que ninguém, o que a fará feliz.

De resto, acaba por ser interessante ver como a personagem de Anne cresce, ainda que de modo pouco aparente. Num meio em que a ouvem, que a têm em conta, num meio em que está rodeada de pessoas como ela e com quem gosta de conversar, como Bennick e os Croft não só por conhecerem e lhe contarem mais do mundo que não conhece mas por terem conversas interessantes e estimulantes para quem de outro modo só houve falar de sociedade e pessoas com poucos ou nenhum interesses que não sejam fúteis, começa a desabrochar, a mostrar a sua fibra e é quando outros começam a reparar nela. Um deles acaba por ser Wentworth, que nunca a esqueceu. Este também passa por uma fase de crescimento mas só percebemos o quanto no final. Ele acaba por ser a imagem de quem tem uma ideia muito definida do que quer, apenas para perceber como estava errado, como certas escolhas não revelam uma inconstância mas força de carácter.

A nível de romance, é das histórias mais bonitas que já li, ou não tivesse, como já devo ter dito um milhar de vezes, a carta mai'linda alguma vez escrita! A constância e a perenidade do amor é outro tema desenvolvido pela autora e que dá lugar a diálogos e pensamentos interessantes. A sério, se pudesse acho que citava o livro todo...

Mas passando às adaptações...

A de 1995 é a minha preferida, não só por ter sido a primeira que vi e revi vezes sem conta (comfort movie!) mas por tudo aquilo que mostra. Para começar, o capitão Wentworth na pessoa do Ciáran Hinds parece realmente que viveu imenso no mar, não será tão apelativo ao olho como o Rupert Penry-Jones mas, para mim, acaba por ser O Wentworth. E depois temos a Amanda Root magnífica como Anne Elliot.

Mas está claro que só isso não basta, só termos dois magníficos autores não é suficiente, tem de haver química... e há! Talvez não daquela que salta à vista, mas uma muito mais subtil, tal e qual de acordo com a época e com o livro. É visível o quanto Wentworth deseja ver Anne quando interrompe o pequeno-almoço daquela depois de ela ter passado a noite do dia anterior a cuidar do sobrinho, enquanto os restantes jantavam em Uppercross; o quanto se preocupa com ela enquanto passeiam e, devido ao cansaço dela, a convence (ok, é mais obriga) e ajuda a subir para a charrette; o quanto ele pretende mostrar que tornou-se naquilo que lhe prometera e como ela não tinha de se preocupar, como não o devia ter rejeitado; como a observa quando interage com outros, disfarçando no entanto o seu interesse. E como Anne se sente incomodada, mesmo ao ponto do desespero (na charrette é bem perceptível), ao ver Wentworth namoriscar com Louisa ou quando outros lhe falam do quanto ele devia casar-se com alguém, sem aparentemente a terem em conta; e depois em Bath, o quanto ela pretende mostrar que não é a mesma, que desta vez se depender dela não existirá um "não"; e a carta! A cena da carta! *suspira*

É verdade que há uns momentos estranhos (e algo silenciosos), em Lyme quando se riem sem grande propósito em casa de Harville, e mesmo o final, quando Wentworth entra pela sala adentro, a pedir autorização para marcarem uma data, com toda a gente num grande estado de "WTF?" ao qual Harville, que o acompanha, também se junta por não parecer estar a par do enlace e das intenções do amigo. Acho o fim tão ridículo que para mim geralmente o filme acaba com o beijo e com eles a afastarem-se da confusão do circo, juntos, para um futuro em comum. *suspira novamente*

A mais recente, de 2007, tem uma cena final mais bonita mas de resto deixa algo a desejar, sobretudo para quem idolatra o livro como eu. Ok, o casting em termos físicos e idade dos actores é capaz de estar mais acertado e de acordo com a obra, Sir Elliot por exemplo é muito mais arrogante e convencido, mas as várias mudanças na história, mesmo que para tentar explicar que Anne e Wentworth têm um passado em comum, acaba por desvirtuar um pouco a intenção do livro, parece-me. Chegam a colocar diálogos que deviam acontecer em Bath na boca de outros personagens e em Lyme! *leva as mãos à cabeça* Nesta adaptação não há subtileza, o espectador é praticamente agredido com as relações que se estabelecem entre as personagens, talvez para criar ainda mais drama mas que, pelo menos para mim, acaba por falhar redondamente.

Depois temos a corrida da carta... *suspira mas de desilusão* A sério, para além de cortarem frases da carta (!, eu sei que acabava por não fazer sentido, afinal de contas trocaram os diálogos, mas como ousam mexer na carta mai'linda alguma vez escrita?), acho que nunca vi alguém tão ofegante e suspirante *ignora as vezes que também já suspirou só ao escrever este post* num filme ou adaptação do género. E chega a ser enervante ter a Anne a olhar longamente para a câmara, como se fosse assim que o espectador se apercebesse do torvelinho que vai na sua alma. A parte do diário, pelo contrário, pareceu-me bem conseguida, até porque conseguiu colocar em filme outra das citações que mais adoro, e a banda sonora é fabulosa, chegando mesmo a relembrar-me, em algumas ocasiões, "North and South" ou não fosse o mesmo compositor. Mas parece que por cada ponto bom há dois ou três que me irritam, incluindo alguns dos planos e o raio da câmara a tremer. Agora anda tudo com câmara ao ombro?!

Foi a minha segunda visualização, pouco tempo depois de ter visto a de 1995, e talvez por ter um soft spot para aquela veja esta com tão maus olhos. A sério, tentei ver de forma distanciada, sem qualquer preconceito, só tendo em conta o livro para avaliar de forma justa esta adaptação e perceber se era possível eu gostar desta adaptação, mas não consigo.

E pronto, acho que é isto. Sentia que faltava aqui neste cantinho um post como deve ser dedicado a esta obra, uma das minhas preferidas, e apesar de não estar perfeito, pelo menos deu-me a desculpa para ir reler e rever (e suspirar) mais uma vez que é o que realmente interessa. :D

10 de setembro de 2013

Atlas das Nuvens

Autor: David Mitchell
Ficção | Género: é tão difícil defini-lo! Ficção histórica, thriller, ficção científica...
Editora: Dom Quixote | Ano: 2007 (originalmente publicado em 2004) | Formato: livro | Nº de páginas: 616 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: emprestado pelas BLX apesar de ter o áudio-livro, mas estou um pouco destreinada em acompanhar coisas em áudio e pareceu-me que esta história também não seria convenientemente apreciada nesse formato.

Quando e porque peguei nele: 27 de agosto a 8 de setembro. Ganhou a votação do Monthly Key World Challenge mas como me chegou mais tarde do que pretendia às mãos acabou por não entrar para o desafio. Estou condenada a não completar nenhum. xD Mas tenho lido coisas tão boas!


Opinião: Eis um livro difícil de definir e sobre o qual me vai ser difícil escrever, apesar de já ter falado bastante dele por aí. O melhor talvez seja ir escrevendo sobre a leitura e ver no que vai dar...

Ora, o livro abre com o diário de Adam Ewing e tudo estava a correr bem até me encontrar com o final do capítulo e... uma frase que acaba a meio! Fiquei piursa, pior que estragada porque achei que o autor ou a editora estavam a gozar comigo. Pensei em mandar o livro às urtigas até que me decidi a dar uma vista de olhos pelo livro e reparei que, afinal de contas, a história continuava. Parei, coloquei o livro de lado e pensei "ok, isto parece que vai variando entre histórias, talvez deva acalmar-me e continuar amanhã". E foi o melhor que fiz. Convém se calhar dizer que não tinha lido críticas ao livro, apenas um comentário ou outro, não que não me interessasse (apesar de que quando começou a aparecer eu tenha pensado "é um livro de auto-ajuda?" e tenha ficado algo de pé atrás) mas porque há aqueles livros que sinto que mais cedo ou mais tarde hei-de ler e quero ir completamente às escuras para a sua leitura. Assim, apesar de quase todas as críticas falarem em matrioshkas (o próprio livro as refere) e fazerem referência ao facto de as várias histórias serem interrompidas e recomeçadas, acabei por ser apanhada de surpresa.

Dizia então que colocar de lado e voltar a pegar no dia seguinte, depois do breve momento de frustração, acabou por ser o melhor pois a partir daí passei a adorar o livro. O segundo capítulo pareceu-me estar para os sons como O Perfume está para os cheiros; no terceiro deparei-me com um thriller; o quarto pareceu-me uma coisa confusa mas com potencial para o humor; o quinto apresentou-me uma história de ficção científica; o sexto e último, e o único contado de forma sequencial, uma distopia! Até que voltei ao quinto e às histórias precedentes. Conforme vamos avançando nas várias histórias vamos vendo pontos em comum mas, confesso, não estava a perceber bem qual seria o intuito até chegar à história central e, posteriormente ao final de todas as outras. A última, nomeadamente as duas últimas páginas, fecham então o círculo e deixa claro a intenção do livro, é um alerta sobre o lado predatório do ser humano ("os fracos são a carne, os fortes comem-na"), sobre como o domínio e o poder movimentam, fazem andar ou, aparentemente, evoluir a Civilização, mas num sentido que talvez não seja bem o que a Humanidade espera. Este livro relembrou-me uma citação do FlashForward e, para dizer a verdade, senti como se tivesse sido visitada pelo Fantasma do Natal que Está para Vir.

Mas não temos apenas uma visão pessimista do mundo e do futuro, há também uma nota de esperança, ainda que algo ténue, de que as boas acções também produzem efeitos e podem impedir que "um mundo puramente predatório acabe por consumir-se a si próprio". As nossas acções podem parecer que em nada afectam o mundo, que não têm outro efeito se não em nós, mas um homem não é uma ilha e muitas vezes só anos, e porque não séculos, mais tarde podemos perceber como determinada acção ou decisão nos afectou ou a outros.

Não há então como negar, em termos de escrita e de história este livro é dos melhores que li este ano, se não mesmo dos que li até hoje. A multiplicidade de estilos e de vozes dá a este livro um carácter único e, parece-me, difícil de imitar. É um exercício fantástico em termos de ligação de histórias e personagens, mostra o à-vontade do autor com os mais diferentes géneros, um domínio da linguagem e de várias formas de comunicação. Temos um diário, cartas, um livro dentro do livro, uma história para ser convertida em filme, duas sociedades com diferentes linguagens: uma consumista, onde a marca se sobrepõe ao objecto passando a identificá-lo, e uma outra sociedade onde a linguagem é mais contraída, fragmentada parece-me. Mas apesar de isto tudo, faltou-lhe algo para ser brilhante.

Apesar de ter gostado de todas as histórias, não tenho nenhuma preferida, sinto que uma maior ligação emocional com as personagens transformaria este livro em algo ainda mais transcendental. Não sei se foi por serem histórias curtas, e por isso não haver muito espaço para desenvolvimento e aprofundamento das personagens, mas senti sempre como uma observadora de fora, mais à espera de ver o que dali saía do que propriamente investida na história que estava a ser contada. Senti mesmo que era "como se seguíssemos uma pessoa numa rua e a acompanhássemos durante o seu dia, até que esbarra com outra pessoa e depois passamos a seguir essa outra pessoa e observamos um pouco da sua história e como foi ou não afectada pela anterior", mas sem mais nenhuma razão que a curiosidade de ver como a sua vida mudava ou não. Era mais movida por curiosidade, por ver como é que todas estas histórias se ligavam (e tenho a certeza de que muita coisa, mesmo assim, me passou ao lado), do que propriamente por importar-me e querer tudo de melhor para as personagens. Não sei se me faço entender... :/

Enfim, até porque isto parece que já vai longo, este não é daqueles livros para devorar de uma assentada. Resolvi ler um capítulo por dia, porque assim deu-me tempo para pensar nas diferentes histórias e temas, e não me arrependo. Há leituras que se devem fazer devagar e este livro, e o próprio leitor, só têm a ganhar com isso. Apesar de não ter feito um grande click comigo não deixo de o achar um livro brilhante e só o posso recomendar.

Veredito: Vale o dinheiro gasto mas está perto, muito perto, de um para ter na estante. Consigo ver-me a relê-lo vezes sem conta. Simplesmente algumas frases, um ou outro capítulo, todo o livro da forma como está escrito ou as histórias sem qualquer interrupção. Parece ser daqueles livros que dá e a cada releitura pode dar ainda mais.

8 de setembro de 2013

Among the Nameless Stars (For Darkness Shows the Stars, #0.5) [e-book]

Autor: Diana Peterfreund
Ficção | Género: ficção científica
Editora: HarperCollins Publishers | Ano: 2012 | Formato: e-book | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: este ano, quando vi que estava a preço 0 na Amazon.

Quando e porque peguei nele: 5 de setembro. Tinha acabado de ler um capítulo de Atlas das Nuvens e apetecia-me continuar a ler, mas como tinha resolvido só ler um capítulo deste livro por dia e há muito que não lia no Kindle (mesmo o Persuasion ando a reler no telemóvel) resolvi que não perdia nada em ler este. Pelo contrário...


Opinião: Desde que vi que For Darkness Shows the Stars era um recontar de Persuasão, que tenho andado de olho nele. Mas as dúvidas do costume assaltaram-me. Será bom? A escrita é semelhante à de Austen? É só um recontar da história ou focará as diferenças sociais? Basicamente, estaria ao nível do livro da Austen que mais adoro e não me canso de ler? Se este conto servir de indicação, até pode não estar exatamente ao mesmo nível mas não deixará de ser uma leitura prazenteira.

Este conto debruça-se sobre a fuga de Kai de North Estate, onde aparentemente trabalharia ou estaria sobre a alçada do pai de Elliot North, a única rapariga que Kai amou e a quem escreve cartas, mesmo que nunca passem para o papel ou sejam enviadas. Mas a sua busca por uma vida melhor sofre alguns tropeções.

Achei curioso o pormenor das cartas, eu que acho que já disse por mais de uma vez por aqui e essa internet fora que AMO a carta do Wentworth ("You pierce my soul. I am half agony, half hope." *suspira*), e é interessante seguir Kai depois de abandonar Elliot com um coração partido por companhia, por esta se decidir em não o seguir. Há momentos em que se arrepende da fuga, momentos em que acha que ainda bem que ela não o seguiu, momentos em que a odeia por aquela decisão e por, aparentemente, não acreditar nele. Os seus sentimentos contraditórios, os seus desabafos nas cartas, soaram-me a algo tão real que é impossível ficar indiferente e não desejar que algum dia ele volte a encontrá-la, numa situação bem melhor que ela, e lhe venha a esfregar na cara como ela estava errada. Eu sei, é mau ter sentimentos deste tipo, mas tão humano e tão de acordo, parece-me, com o livro em que se baseia. Conseguia imaginar o Wentworth a ter as mesmas dúvidas, a mesma raiva e resignação perante a recusa de Anne.

Perdoem-me, tenho de ir ler mais uma vez a carta mai'linda de todo o sempre...

Veredito: Vale o dinheiro gasto ou pelo menos eu mal posso esperar por ter a continuação nas mãos. Entretanto vou continuando a releitura do Persuasão pela não sei quanta vez.

30 de agosto de 2013

Mansfield Park adaptations

Escrevi este texto nos idos anos de 2009, quando tinha sido convidada para participar num blog que entretanto fechou. Como ia perdendo o texto para o éter (o link do blog não funciona, não era encontrado usando as caches do Google, o pc onde escrevi e guardei o texto faleceu há alguns anos), até que o Luís Filipe Silva me indicou o site archive.org (que é fenomenal), aqui fica. E agora vou fazer backup de todo o blog e verificar se outras participações em blogs não andam perdidas...

I thought I could start my participation in this blog with the review of the three adaptations made, until now, of "Mansfield Park". I've read the book recently, wasn't that pleased with it, I thought it to be quite different. Austen had already displeased me with "Emma", but I gave the movie a chance and I ended up liking it more than the book. Wondered if the same would happen with "Mansfield Park", and there I was chasing after the different adaptations.

I decided to start with the ITV's 2007 adaptation since I had it at home. I must say I had already seen by ITV's adaptations of "Northanger Abbey", which I loved, and "Persuasion", which I hated. The reviews for this adaptation made me dread it a bit, it was pictured as being even worse than "Persuasion", one of the reasons why I postponed its watch, but I decided to give it chance, after the reading of the novel. It couldn't be worst, right? Wrong!

I should start by saying that Billie Piper isn't one of my favorite actresses. I've seen her in "Doctor Who" and really disliked her acting, it seemed quite superficial and without real emotion. Fanny isn't one of my favorite characters either, so it was difficult to like the character in this adaptation. Besides that, it was tiresome to see her running from one side to the other (seemed to be a trend on ITV's adaptations as Anne Elliot in "Persuasion" did it too while reading Wentworth's letter), when the character is supposed to be somewhat frail and preferring indoors to outdoors, where the only things she would like to do was gardening or riding a gentle mare, not playing badminton, and running, dancing and being giddy all the time.


But Fanny wasn't the only character that wasn't like the original character from the book. Actually the entire adaptation had some liberties that quite deconstructed the work Austen did in her book, when it came to the relationship between characters, where there was jealousy and different moral values. Parts were cut and modified, as well as dialogs. Some characters suffered an extreme makeover, as Lady Bertram, who seemed more active than she should. But what really bugged me was the pace. It was faster than the book, but everything seemed to pass in a blink of an eye, when it should be noticed the passing of time and the evolution of the relationships. The end really made me roll my eyes and that isn't a good sign.

After this adaptation, I stumbled upon the 1999 version and realized why I thought the book to be different. I guess I read too many reviews of this movie, the adaptation that has the greater number of changes when comparing it to the book. Some themes were largely spoken of, as slavery and the social difference between Fanny and the rest of her family.

Here Fanny (Frances O’Connor) is a very witty, intelligent girl, strong and still has defects, apart from her jealously towards Mary Crawford, which made it easier to care and relate to her. Edmund was well portrayed by Jonny Lee Miller (who had a smaller part in an earlier adaptation of "Mansfield Park") and here he seems to have been in love with Fanny for a long time. This was a big liberty taken by the director, but it was well explored and even credible, quite contrary to what happened in the ITV's adaptation, where in a second Edmund discovers himself in love with Fanny.


As told, in this version many changes were made, as the slavery theme. I thought it was nice the way Tom (here played by James Purefoy) was given a strong moral concerning this point, going against his father and providing an 'excuse', so to speak, to his libertine ways. Henry Crawford (Alessandro Nivola) was a likeable character as well, charmer and with clearer intentions concerning the women.

This was a pleasanter version than the ITV one. But there was still one version left to watch. When I learned there was a copy on the library, I didn't hesitated and borrowed it.

This last adaptation was the first made, in 1983 by BBC. I'm a fan of BBC's adaptations and this one was no exception. I loved it and prefer it to the book, as it happens with Gwyneth Paltrow's "Emma".

This version is the only one that remains faithful to the book since time wasn't an issue as this is a 6 episodes series. The boring parts were put aside and Fanny, here portrayed brilliantly by Sylvestra Le Touzel, was more likeable and seemed to grow more than she did in the book. Aunt Norris was perfect, really despicable, and the remaining cast was awesome as well, really faithful to their characterization in the book. Maybe not Henry Crawford, Robert Burbage didn't quite convince me about the duality of his actions and of his attachment to Fanny, but we can relate to her in her disliking of him.


Every important scene is present on this version. Fanny was really nice to know, I actually could relate to her in this version, and was pleased by her happy ending, again similar to the book. We understand it might have been some time until she and Edmund got married, and I loved to see them in the garden with a puppy, probably one from Pug's latest litter, as it was promised by Lady Bertram. It was a really nice ending.

Overall, I really loved the BBC's series and the 1999 movie better than I liked the book, but the ITV version really didn't brought anything new and was, by far, the worst adaptation I've seen of "Mansfield Park".

29 de agosto de 2013

O Navegador da Passagem

Autor: Deana Barroqueiro
Ficção | Género: ficção histórica
Editora: Porto Editora | Ano: 2008 | Formato: livro | Nº de páginas: 448 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: mãe comprou na Feira do Livro em 2011.

Quando e porque peguei nele: li-o entre 29 de julho e 26 de agosto. Achei que já era altura de pegar num livro de ficção histórica por um autor português. Conta para o Portuguese Historical Fiction ChallengeBook Bingo (que também engloba o anterior) e para o Mount TBR Challenge.


Opinião: Eis um livro que me deixa com sentimentos diferentes. Se por um lado adorei a parte histórica, o retrato da vida no mar, as intrigas políticas da época, não posso dizer que tenha gostado do enredo por aí além.

Parte da minha desilusão deve-se ao modo como a história está escrita. Há 3 linhas temporais: o presente, onde Bartolomeu Dias vê um cometa e, como é do conhecimento geral, trazem más notícias (ou dragões! :D ), um passado recente e um passado mais-que-perfeito. Vendo o tal cometa e sentindo-se perto do Cabo que dobrou, e que o tornou Capitão do Fim, Bartolomeu é assaltado por memórias da preparação para esta sua última viagem. Memórias essas que o levam ainda mais longe, até 13 anos antes, à viagem em que dobrou o, para si, Cabo das Tormentas não só por a empresa ser por demais difícil, mas também porque nessa viagem se apaixonou e perdeu o seu grande amor.

Os saltos são constantes, sobretudo entre a segunda e terceira linhas temporais, sendo quase que num capítulo se conta uma, no seguinte a outra e assim sucessivamente, até ao ponto em que o final dos capítulos da segunda linha temporal acabam por ser repetitivos com tanto "e viu-se atirado para outras memórias" e coisas parecidas. Devido a isto, não me consegui ligar emocionalmente às personagens porque acaba por não existir grande aprofundamento das personagens, para além do nosso narrador e protagonista, e, juntando o facto de os capítulos serem pequenos (até 6 páginas salvo erro), há constantes cortes na ação pelo que não há também um investimento na linha narrativa. Assim não consegui perceber o romance, não consegui importar-me com o futuro das escravas, talvez com a excepção de Oronse, e dos marinheiros com que viaja, apenas fiquei com interesse em saber o que acontece a Uraçá.

Acaba por parecer mais uma aula de história, contando como se deu o achamento do Brasil, como é que estabeleciam o contacto com os povos autóctones das regiões que encontravam, como Portugal, e sobretudo D. João II, procuravam no mar a grandeza que não poderiam ter no continente, com um reino de Aragão e Castela tão poderoso ali mesmo ao lado, do que propriamente uma aventura nos Descobrimentos, que era o que eu esperava. Não é mau, mas não correspondeu às minhas expectativas.

Veredito: Diria que é um se fosse emprestado pouco se perderia com isso, mas como gosto de História acaba por ser um vale o dinheiro gasto. Fiquei interessada em ler mais da autora, agora que sei o que esperar dos seus livros, mas acho que faz falta algo apenas para divertimento. Algo como Sharpe mas em português, com heróis portugueses, passado em momentos da História de Portugal (e sim, eu sei que o Sharpe andou por cá nas suas aventuras).

28 de agosto de 2013

Watchmen

Director: Zack Snyder
Adaptação da novela gráfica Watchmen de Alan Moore, Dave Gibbons e John Higgins por David Hayter e Alex Tse
Atores: Jackie Earle Haley, Jeffrey Dean Morgan, Patrick Wilson, Billy Crudup

Mais informação técnica no IMDb.

Quando e onde o vi: epá, já foi no início do mês, *consulta as cábulas* a 3 de agosto, em casa. Posso não me lembrar muito bem, mas aqui fica a minha modesta opinião.

Opinião: Vi este filme logo a seguir ao "Thor", pois no final daquele filme começámos a falar sobre o porquê de as adaptações da Marvel aparentemente serem mais bem sucedidas que as da DC. Chegámos à conclusão que se deve sobretudo à espectacularidade e ligeireza. Os filmes da Marvel parece que costumam ter mais humor e explosões, enquanto que os heróis da DC transpostos para o grande ecrã, nomeadamente o Batman que acaba por ser o que conheço melhor, são mais soturnos, mais propensos à introspeção. E sim, já sentia isso com o Michael Keaton (mesmo que depois tivéssemos o Pinguim e o Joker), não foi só com os filmes do Nolan.

Este acaba por ir na mesma onda introspetiva, ponderando sobre a razão de ser dos super-heróis que, nesta espécie de história alternativa, apareceram nos anos 30/40 e chegam a trabalhar para o governo americano, ajudando a ganhar a guerra do Vietnam, por exemplo. Apesar de serem chamados de super-heróis, apenas o Dr. Manhattan tem poderes e acaba por equilibrar a balança da Guerra Fria, evitando uma guerra nuclear pois, trabalhando para o governo americano, faz com que os russos recuem. No entanto, um destes super-heróis é assassinado e Rorschach começa a investigar.

Como disse, o filme é algo introspetivo, sendo que a atmosfera de film noire ajuda à coisa bem como os constantes saltos temporais. A história não é contada de forma linear, havendo constantes flashbacks, por assim dizer, que nos mostram como apareceram e que tipo de relações tinham os super-heróis entre si, permitindo conhecer o seu passado e o que os motiva. Pelo que tenho visto, parece ser bastante fiel à obra original e devo dizer que fiquei interessada em ler. Os atores pareceram-me bem escolhidos, gostei sobretudo de Jackie Earle Haley e do seu Rorschach, bem como de Patrick Wilson que até agora só tinha visto n'"O Fantasma da Ópera". Devo dizer que não fui surpreendida pelo twist e que o sexo ao som de "Hallelujah" do Leonard Cohen foi estranha, de resto, numa banda sonora bastante agradável para os meus ouvidos. :P

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Apesar de, eventualmente, não ser tão espetacular e ligeiro como os da Marvel, que reconheço podem apelar mais à minha pessoa, até porque cresci a ver desenhos animados dos seus heróis, parece-me haver espaço para diferentes super-heróis e diferentes histórias. Gostei muito desta e pondero vir a ler a novela gráfica, talvez não a correr porque o final ainda está bem presente, mas daqui a uns tempos.

9 de agosto de 2013

Thor

Sim, podia colocar o poster com o Thor
mas TOM HIDDLESTON!
Diretor: Kenneth Branagh
Baseado nas comics da Marvel por Ashley Miller, Zack Stentz, Don Payne, J. Michael Straczynski e Mark Protosevich
Atores: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins

Mais informação técnica no IMDb.

Quando e onde o vi: 3 de agosto em casa.

Opinião: O meu irmão parece estar numa de ver a Phase One da Marvel Cinematic Universe e como eu também só vi "Os Vingadores" e os Hulks, lá me pus a ver este até porque tem o Tom Hiddleston e é realizado pelo Kenneth Branagh! *fangirla como se não houvesse amanhã* Onde é que eu ia? Ah pois, faltam-me ver os do Homem de Ferro que supostamente acontecem antes deste filme e o Capitão América, mas quer dizer, eu comecei logo pelo final, não é verdade? Agora é tentar pôr-me em dia. :P

Pouco ou nada conheço das comics, apesar de ter um volume graças à coleção Heróis Marvel que saía o ano passado com o Público, ou mesmo da própria mitologia nórdica que acaba por lhe servir de inspiração, apesar de ser fascinada por este tipo de coisas, pelo que não posso dizer muito em termos de adaptação em si. Já em termos de filme como um todo, achei-o algo disperso. A história divide-se entre Midgard (Terra) e Asgard (o reino dos deuses) sem, no entanto, existir uma grande coesão narrativa. A parte que tem lugar na Terra, para além de ter pouco ou nenhum interesse, parece passar-se num par de horas (ou num dia), pelo que não se percebe muito bem de onde nasce o suposto romance entre Thor e Jane, assim como a mudança de carácter na personagem principal, que passa de orgulhoso a mártir. Ok, eu sei que ele é um herói e que sacrifícios são praticamente um requisito para o papel, mas se aquilo era para ser um exílio, foi um exílio muito pouco exilado, pareceu-me.

Mais interessante é a história de Asgard, com a relação de Loki e Odin a ser bem explorada, ainda que gostasse que fosse mais aprofundada, assim como de Odin e Loki com o próprio Thor. Aqui nota-se o toque de Branagh e a sua escola Shakesperiana. Ainda que pouco conheça da obra do bardo (com tempo lá iremos :P ), a profundidade de emoções, a relação entre personagens, sobretudo de gerações diferentes (pais e filhos), os confrontos entre eles, e mesmo o egoísmo e a inveja, estão ali e pareceram-me muito bem trabalhados. De certeza que os atores ajudam a isso, pois o Tom (<3) e o Sir Anthony estão muito bem. Já agora, posso manifestar surpresa por ver o Anthony Hopkins nestas lides?! *fangirla um bocadinho mais*

Os restantes atores também vão bem nos seus papéis apesar de se ver muito pouco deles. Talvez em filmes subsequentes isso se altere (quero saber mais sobre a personagem do Idris Elba!) pois este filme acaba por parecer mais introdução ao herói, a um vilão que pode vir a dar (ainda) mais problemas no futuro, e ao próprio filme dos Vingadores, do que outra coisa qualquer. Em termos de ação, acabou por não me parecer tanto um filme de super-heróis da Marvel, ou pelo menos não foi o que eu esperava e desiludiu por esse aspecto, mas tanto a luta em Jotunheim como o showdown entre o Thor e o Loki estão bem conseguidas. Já o segundo parece poder vir a ser aquilo que esperava deste.


Oh Marvel, não era preciso dares-me um filme com o Tom Hiddleston como prenda de aniversário, mas não me queixo... Nope!

Veredito: Vale o dinheiro gasto. Sobretudo porque sei o que se segue, mas realmente nota-se que o facto de ser um filme talvez tenha limitado um pouco a maneira como a história foi contada. Tendo a necessidade de mostrar e apresentar duas realidades distintas, acaba por não dar a devida atenção a ambas e, claramente, uma das linhas de história sofre com isso.

7 de agosto de 2013

Fama, Amor e Dinheiro

Autor: Menna van Praag
Ficção | Género: romance
Editora: Quinta Essência | Ano: 2011 | Formato: livro | Nº de páginas: 157 | Língua: português

Como me veio parar às mãos: ganhei-o num passatempo no blog As Histórias de Elphaba em 2011.

Quando e porque peguei nele: dia 1 de agosto. Queria algo levezinho, para além de que conta para o Book Bingo e para o Mount TBR Challenge.


Opinião: Pouco ou nada sabia do livro mas como tem "chocolate" no título, pensei que poderia ser algo do género da Sarah Addison Allen e foi isso que me levou a participar no passatempo que tive a sorte de ganhar. Às vezes acontece. :D

Já lhe andava para pegar há algum tempo, porque é relativamente pequeno, mas acabou por ser agora pois O Navegador da Passagem exige alguma atenção e neste dia pretendia algo de consumo rápido e fácil para descansar.

Parece que é a continuação de uma outra história mas mesmo assim continuei a ler pois os acontecimentos do livro anterior são relembrados pelas personagens e dá para perceber o que nos trouxe à situação aqui desenvolvida.

A história não é muito interessante e é bastante superficial. Acaba por ser mais um livro de auto-ajuda disfarçado de ficção. Não tenho nada contra os livros de auto-ajuda, já tenho lido alguns e acredito que, se não alteram a vida de uma pessoa, pelo menos incentivam a alterar alguns hábitos. Este, no entanto, achei-o demasiado preachy sem mostrar realmente a protagonista a usar o que aprende. Ela tem diálogos "esclarecedores" com uma prima e uma amiga (quer dizer, neste caso até acho que acaba por ser com ela própria porque tudo não passa de um sonho) mas depois troca meia dúzia de frases com o namorado, em que supostamente coloca esses ensinamentos em prática e pronto... felizes para sempre. Não senti realmente uma mudança na atitude dela.

Sem dúvida que mostra como as relações são difíceis e que tem de haver disposição para a abertura, deixar o outro ver o nosso melhor mas sobretudo o nosso pior, mas achei que toda a questão foi abordada superficialmente, do tipo "faça isto e aquilo, mas nunca isto!" Precisava um pouco mais de desenvolvimento, na minha opinião. Há romances, na onda da Julia Quinn, que abordam o tema de melhor forma.

Veredito: Com tanto livro e tive de pegar neste. Ao menos lê-se num par de horas e as conversas da protagonista com a prima e amiga estão bem conseguidas.

4 de agosto de 2013

Age of the Five

Autor: Trudi Canavan
Ficção | Género: fantasia
Editora: Orbit e HarperCollins | Ano: 2005 a 2006 | Formato: livro | Nº de páginas: 688+576+640 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: através do BookMooch, na altura em que conseguia aceder ao BookMooch e encontrar livros jeitosos.

Quando e porque peguei nele: entre 14 de junho e 28 de julho. Apetecia-me algo diferente dos romances que tenho lido e fantasia parecia-me o ideal. Além disso já andava a pensar lê-los por aparecerem na lista do Monthly Key World Challenge de livros a votação para ler em janeiro, salvo erro, e por poderem contar para o Book Bingo e para o Mount TBR Challenge.


Opinião: Estes são daqueles livros que desde cedo me chamaram a atenção na livraria mas só encontrava os volumes mais adiantados e nunca o primeiro. Finalmente consegui pedir o primeiro no BookMooch e ia toda lampeira para comprar os restantes quando chego à FNAC e pimbas, volumes 2 e 3 não estavam em lado algum e havia o volume um em TODO o lado. *suspira* Porque é que me acontece sempre isto? Mas pronto, lá consegui arranjá-los a todos, consegui fazer com que ganhassem pó na estante e finalmente consegui que fossem lidos. :P

Demorei cerca de mês e meio a ler estes 3 livros e não dei o tempo por mal empregue. É capaz de ser das melhores séries de fantasia que li, o que não quer dizer que não tenha coisas más. Não é uma leitura viciante, nem tão pouco frenética, com a sua multiplicidade de pontos de vista é uma história que se vai desenrolando devagar, apresentando-nos um mundo e sua mitologia, povos e personagens distintas, cada um deles com um pequeno ou maior papel no desenrolar dos eventos que acabam por alterar Ithania.

O primeiro livro apresenta-nos as personagens principais, o mundo e criaturas que aí habitam, enquanto apresenta também a religião, ou pelo menos uma faceta da mitologia. Auraya é uma jovem capaz de bastantes prodígios de tal forma que é escolhida para ser uma dos White, um colectivo de cinco altos-sacerdotes que seguem os cinco deuses do Circle, fazendo as suas vontades. Apesar disto, ela é amiga de Leiard, um Dreamweaver. Não haveria problema se os Dreamweavers, uma espécie de seita de curandeiros, não fosse perseguida pelos devotos dos cinco deuses para quem o fundador do grupo, Mirar, era um inimigo. Ficamos também a conhecer Emerahl, que se vê obrigada a largar a sua vida de eremita. São estes os personagens que maior influência têm na narrativa, mas há muitos outros que nos dão uma visão bastante alargada do mundo, suas crenças e povos, como os Siyee e os Elai.

Nota-se bastante que o primeiro livro é uma espécie de introdução ao mundo e à história, sendo esta desenvolvida nos livros subsequentes, pelo que falar muito seria contar todo o enredo e penso que se perderia muito da surpresa e emoção provocada pela leitura. Não quero com isto dizer que são livros excepcionais, pois apesar de os vários pontos de vista darem uma visão alargada e rica deste mundo e dos vários tramas que acabam por se unir no final, acaba também por abrandar a leitura e até mesmo o interesse do leitor, pois algumas linhas de história são um pouco enfadonhas e revelam ter pouco impacto no grande esquema das coisas, o que não quer dizer que não seja importante. Acabam por ser livros longos onde parece que se avança muito pouco por haver tantas histórias paralelas, sendo que algumas são só para garantir que uma pessoa esteja no final... e acabe por não fazer nada. O_o

No entanto, o worldbuilding (com excepção de um ou outro deslize) e algumas das personagens são fenomenais. Gostei sobretudo de Emerahl e Auraya. Apesar de esta última ser um pouco Mary Sue, acaba por ter um desenvolvimento bastante interessante e é impossível não gostar e torcer por ela. Toda a mitologia está também muito bem conseguida e para mim foi de facto o que mais se destacou de toda a trilogia. Cada volume levanta um bocadinho do véu que mostra a história de Ithania e coloca questões que, apesar de serem fáceis de adivinhar a resposta (sim, houve daqueles momentos em que me virei para os personagens e disse "a sério, só agora é que chegaste a essa conclusão?") foram muito bem trabalhados e explorados.

No geral achei muito bom, apesar de algo longo. É uma boa história de fantasia, interessante nos temas e na maneira que os aborda.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

29 de julho de 2013

Tropa de Elite 1 e 2

Diretor: José Padilha
Baseado no livro Elite da Tropa de André Batista, Rodrigo Pimentel e Luiz Eduardo Soares por Bráulio Mantovani e José Padilha
Atores: Wagner Moura, André Ramiro, Caio Junqueira, Irandhir Santos

Mais informação técnica no IMDb aqui e aqui.

Quando e onde o vi: 26 de julho em casa.

Opinião: Sexta-feira começa a ser dia de cinema em casa com o irmão (sim, praticamente a minha vida social é inexistente), já que os DVDs por ver, tal como os livros por ler, parece que vão abundando cá por casa. Como o meu irmão é mais versado em cinema do que eu, pedi-lhe então uma sugestão e lá surgiram estes.

Tenho de dizer que apesar de ter adorado "A Cidade de Deus", os filmes brasileiros não são bem a minha onda porque, pasmem-se, parece que preciso com mais frequência de legendas do que em filmes em inglês. Há por vezes ocasiões em que não oiço ou não percebo uma fala, e o mesmo acontece em português de Portugal. Talvez não veja os filmes e séries com a mesma atenção, afinal de contas é a minha língua (não preciso de atenção, entendo tudo... yeah, right!), ou talvez se deva à dicção, não faço ideia, o que é certo é há partes do diálogo ou da narração que me escapam e por vezes dou comigo a andar à nora. Problemas auditivos à parte (também não coloco de lado o facto de estar a ficar mouca), estes filmes são fantásticos. Tão fantásticos que mal acabei de ver o primeiro, assisti também ao segundo apesar da hora tardia.

O primeiro passa-se em finais dos anos 90 e mostra sobretudo como opera o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) na luta contra o tráfico de droga. Seguimos o capitão Nascimento, que procura um substituto à sua altura enquanto prepara a visita do Papa a uma favela do Rio de Janeiro. Isto permite vislumbrar não só a recruta de oficiais e o treino desta unidade especial, digamos assim, como algumas das tácticas e técnicas empreendidas e facilmente condenáveis, como o uso do saco que é basicamente uma forma de tortura para sacar (haha!) informação.

O filme condena quem usa drogas, mesmo que leves para recreação (e é bastante duro nisto), e a tortura, não digo que seja glorificada, mas aparece como sendo justificada, o que sinceramente levanta bastantes questões. O BOPE encara toda a situação como uma guerra, aliás parece mesmo que estamos numa região em conflito e assusta-me pensar que tal coisa se passe numa cidade como o Rio de Janeiro, e como se trata de guerra vale quase tudo. Mas se é fácil condenar as atitudes policiais, sejam elas o uso da força ou as "blitz", também se deseja que o narcotráfico seja eliminado de qualquer forma. Que posição então tomar? Devo dizer que fiquei algo incomodada com isto, tal como o personagem principal, parece-me, que confessa no segundo filme não conseguir dizer porque e por quem é que mata pessoas, que o polícia não dispara sozinho.

O segundo tem lugar cerca de 13 anos depois do anterior e, como diz o subtítulo, o inimigo agora é outro. O tema da corrupção já tinha sido abordado no primeiro filme, em que ficamos a conhecer "o sistema", mas aqui atinge todo um outro nível, ligando política e a necessidade de votos em ano eleitoral às milícias, uma espécie de máfia que surge no vazio deixado pelo quase desaparecimento do narcotráfico, devido às investidas do BOPE nos morros e favelas da zona oeste. Sob a pretensão de protegerem a comunidade,  as milícias extorquem e exercem um maior domínio sobre o comércio local e controlo sobre a população, que vota nos candidatos que mais convêm. Vendo este filme não pude deixar de pensar no quão a corrupção parece se encontrar alastrada por todo o Brasil e as manifestações que têm vindo a ser notícia, sobretudo aquando da Taça das Confederações, são ainda melhor compreendidas.

São dois excelentes filmes, talvez dos melhores que vi este ano, e só os posso recomendar. É fácil esquecer que existe um Rio de Janeiro das favelas, um Rio em estado de sítio, um Rio que mais parece um palco de guerra, com tanta telenovela que mostra vidas e finais cor-de-rosa.

Veredito: Para ter na estante.

24 de julho de 2013

Layer Cake

Diretor: Matthew Vaughn
Adaptação do livro Layer Cake de J.J. Connolly pelo próprio autor
Atores: Daniel Craig, Michael Gambon, Kenneth Cranham

Mais informação técnica no IMDb.

Quando e onde o vi: 19 de julho, já tinha o DVD cá por casa há anos. Sim, não há só livros por ler, há DVDs por ver também.

Opinião: Estava um dia destes a ver a publicidade a este filme porque vai dar ou já deu no AXN, salvo erro, quando pensei "espera aí, eu tenho isto em DVD!" Algumas semanas depois da epifania, porque é assim, a luzinha acende mas passam dias ou semanas até fazer alguma coisa, lá me resolvi a colocar o DVD no leitor e a ver. Rapidamente se impôs a questão "porque raio é que não vi isto antes?"

Para uma moça que gosta de porrada nos seus filmes, este deliciou-me. Sim, não terá o encanto de um Viggo Mortensen em pêlo a despachar 2 gajos numa sauna como acontece em "Eastern Promises", mas torturar e matar um gajo com um ferro de engomar (e deixem-me que vos diga, estava precisamente a passar a ferro quando vi a dita cena e fiquei ainda com mais respeito a este pequeno electrodoméstico) ou encher de porrada outro gajo ao som de Duran Duran, finalizando com o despejo de uma chá bem quente, também tem os seus apelativos e não deixam esta moça indiferente. Sim, eu já sei que tenho um problema, não é preciso apontarem.

A história segue uma personagem sem nome ou XXXX (e só me apercebi de tal quando o próprio chama a atenção para isso no final), desempenhado por Daniel Craig, um traficante de droga que se pretende reformar mas vê-se metido em diversos problemas: tem de encontrar a filha do amigo do seu patrão e tentar vender um monte de pastilhas roubadas enquanto foge de um assassino contratado pelo sérvio a quem roubaram a mercadoria. Com bastantes twists e humor à mistura, o enredo é interessante de seguir e em nenhum momento me pareceu monótono.

As actuações também estão muito bem conseguidas. Já se nota algum Bond em Daniel Craig e foi praticamente impossível não me recordar de algumas cenas de "Casino Royale", como o duche de Vesper depois de matar um dos adversários de Bond. Na cena em que se vê Craig a hesitar e depois torturado por ter matado um homem, não consegui evitar e virar-me para o meu irmão e dizer " the second is..." ao que ele me respondeu "yes... considerably." E é para isto, meus amigos, que os irmãos servem. :D A juntar a Craig temos um fenomenal Michael Gambon, um Tom Hardy confiante e um muito aluado Ben Wishaw. Está tudo bem nos seus papéis, adorei o Morty, e só a Sienna Miller me pareceu andar por ali um pouco a mais, mas tinha de existir um love interest para o protagonista, certo? Além disso, de outro modo não haveria aquele EXCEPCIONAL final! Sim, porque o final é excelente, os dois alternativos não lhe chegam aos calcanhares.

Não vi o resto dos extras do DVD, para além dos finais alternativos, ficam para uma outra ocasião, mas não me arrependo de ter comprado o DVD mesmo que só tivesse o filme, pois imagino-me a rever, assim como vejo o "Snatch" de Guy Ritchie sempre que dá na TV. Acaba por ser puro entretenimento com uma boa história e humor à minha medida. Pode não ser das coisas mais brilhantes mas distrai e é para isso que também serve o cinema.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

22 de julho de 2013

A Midsummer Night's Dream

Autor: William Shakespeare
Ficção | Género: peça de teatro - comédia
Editora: Wordsworth Classics | Ano: originalmente publicado em 1596(?) | Formato: livro | Nº de páginas: - | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: até aqui tinha lido as obras em e-book, já que no ano passado fiz download das obras completas no site do Project Gutenberg, mas entretanto comprei as Complete Works e foi então o livro físico, que é como que a reprodução do First Folio, que li. Não coloco por isso as páginas

Quando e porque peguei nele: 14/julho/2013. Peguei-lhe porque conta para os desafios: Monthly Key Word Challenge - Julho, Temporada William Shakespeare - Acto II e estou a ver se consigo justificar que é um clássico que tem lugar num país que nunca visitarei, uma das casas do Book Bingo, porque apesar de a acção ser numa floresta de Atenas, podemos argumentar que se passa no país das fadas, certo?


Opinião: Não tem a beleza nem a introspecção de um Hamlet ou Macbeth, mas nem por isso deixa de ser brilhante. Tendo por cenário as florestas de Atenas, seguimos 3 histórias que se interligam: a história de dois casais, por assim dizer, a de Oberon e Titania (reis das fadas), e a de um grupo de actores amadores. E tudo isto acontece como um sonho numa noite de verão. :D

Gostei da história dos casais, ainda que a devoção de Helena a Demetrius me tenha parecido demais. Ele chega a ameaçá-la de morte e está tudo bem? Tirando isso, a parte dos desentendidos e do erro de Puck está engraçado, com triângulos amorosos bem conseguidos e uma cena engraçada entre os 4. Helena, parvoeira amorosa à parte, pareceu-me uma boa personagem e a que mais desenvolvimento acaba por ter. Gostei de ver a sua reação quando, de repente, tanto Lysander como Demetrius ficam apaixonados por ela. Não estando habituada a tal atenção recusa os avanços, mesmo do homem que ama, pensando que se trata de uma brincadeira de mal gosto e não querendo ser magoada.

Oberon também me pareceu uma boa personagem, com um bom coração, apesar de ser o temível rei das fadas e querer prejudicar a sua rainha, Titania, pedindo a Puck para que este faça Demetrius se apaixonar por Helena quando vê que ela não é correspondida. Claro que é isto que dá origem aos desentendimentos, mas Puck é que acaba por confundir os dois atenienses...

A parte dos actores pareceu-me a mais aborrecida mas a peça de teatro, pois não podia deixar de existir a peça dentro da peça, acabou por ser o elemento mais engraçado para mim.

Continuo a preferir as tragédias mas não deixou de ser uma belíssima leitura com visões interessantes sobre o amor, sobressaindo o amor à primeira vista, ou talvez nem tanto à primeira vista mas o amor pela beleza física, com a tal poção aplicada nos olhos, assim como o amor verdadeiro de Hermia e Lysander, que acaba por vencer, por assim dizer, no final com o pai a ter que aceitar a união de ambos. Não achei piada ao facto de Demetrius e Helena ficarem juntos, ela parece-me boa demais para ele e será demais pensar que sendo o amor baseado numa poção, coisa boa não poderá vir dali? O efeito é permanente? Qual seria a reação de Demetrius caso o efeito passasse? Qual o destino da pobre Helena? Enfim... Tirando isso, é do Shakespeare e aconselho.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

11 de junho de 2013

Before Sunrise & Before Sunset

Já há muito que ouvia falar nestes filmes, mas a curiosidade era pouca ou nenhuma. No entanto, estando o terceiro por estrear, tendo gostado do trailer e ouvindo, ainda mais do que antes, pessoal a falar muito bem destes dois filmes, lá parti à sua descoberta e agora só posso bater no meu "eu" passado por jamais tê-los visto antes! :P

Não sou moça de acreditar no amor à primeira vista e tenho vindo a ficar cada vez mais céptica no que toca ao um casal apaixonar-se num curto espaço de tempo. Não nego a atracção física quase instantânea mas acho que relações duradoiras se desenvolvem com tempo. E continuo a achá-lo ainda que acredite que no dia em que as duas personagens que protagonizam estes filmes se conheceram, se tenham também apaixonado e que a relação podia durar muitos anos, e que tal é realmente possível de acontecer a outros casais. :)

Basicamente o primeiro filme retrata o dia em que Jesse (Ethan Hawke) e Céline (Julie Delpy) se encontram e, por existir uma certa química e à vontade entre ambos, resolvem passar o dia juntos. Seguimos então esse dia por Viena e ficamos a conhecê-los ao mesmo tempo e ritmo que se conhecem um ao outro e é realmente impossível não nos apaixonarmos por ambos. Falam de tudo e mais alguma coisa, o que possibilita compreender o que move cada um deles, enquanto a intimidade aumenta e o amor parece acabar por ser inevitável, assim como o facto de que têm que se separar manhã cedo o é. Tais 24 horas acabam por ser como que um encontro perfeito com o senão de que a despedida é inevitável e, muito provavelmente, mais permanente apesar de prometerem encontrar-se dali a 6 meses.

Cumpriram a promessa? Ficamos a saber a resposta cerca de 9 anos depois, quando encontramos Jesse a promover o seu livro em Paris. Gostei bastante do início em que brinca um pouco com o espectador, questionando o que cada um terá achado que aconteceu 6 meses depois do encontro inicial e dividindo os espectadores em 3 categorias: aqueles que acreditam que o encontro aconteceu, os que não o acreditam e aqueles que gostariam que tal acontecesse mas que duvidam que tenha tido lugar.

Este segundo filme decorre como que em tempo real, sendo que a 1h20 de filme corresponde a 1h20 em que Jesse e Céline estão juntos e passeiam por Paris. A início há alguma estranheza mas rapidamente voltam a química e o à vontade entre ambos enquanto vão progressivamente falando dos mais variados temas até que esses começam a tornar-se cada vez mais íntimos, chegando a tocar o como as suas vidas e ideias, sobretudo no que toca ao amor, mudaram por causa daquela única noite partilhada pelos dois. Mais uma vez o final é deixado em aberto, parecendo que a história vai ter uma conclusão em breve.

Foram dos filmes mais românticos que vi nos últimos tempos e, apesar de alguma irrealidade da situação, um dos filmes mais verdadeiros sobre relações que já vi. Além disso os dois actores estão fantásticos, conseguem carregar muito bem todo o filme nas suas costas com nada mais que diálogo e química entre ambos. Estão realmente fenomenais e estou ansiosa por ver a continuação/desfecho.

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